31 outubro 2009

Um dia como os outros (1)

 


Depois de Obama ter anunciado o fim da proibição de entrada nos EU aos portadores de HIV, Fidel Castro acusa Obama de ter introduzido a gripe A em Cuba.


(Também aqui)


 


Adenda: afinal parece que Fidel Castro não disse bem isso. Nada de novo, eu é que me esqueço com frequência: não se pode acreditar no que se lê nos jornais, nem no que se ouve na rádio).


 

29 outubro 2009

Singularidades

 



 


Há algumas coisas que me fascinam. A forma como se baptizam as operações e os casos que estão sob investigação é fantástica: o caso mediático mais recente é o Face Oculta. Não é maravilhoso? Claro que todos já se declararam obviamente inocentes e de consciência tranquila. E claro que agora vamos todos tecer considerações e enveredar pelo jornalismo e comentarismo de investigação para decidirmos na praça pública o que aconteceu. Nem sei para que precisamos de advogados, juízes e tribunais.


 


Outra coisa fascinante é o sentido de organização, de simetria, direi mesmo de estética de quem, na sombra, arruma todas as armas, munições, dinheiro, cordas, algemas, facas, enfim, tudo o que se encontra nas casas, nos barcos, nos armazéns em que os meliantes são descobertos com armas ilegais, droga ou outras mercadorias. Outro dia foi na casa de um padre. E lá nos deparámos com uma mesa primorosamente arranjada com todas aquelas espingardas e balas, umas para cima outras para baixo, arrumadas por dimensões, em sentido crescente ou decrescente. É fantástico.


 



 

No hay problema

 



Pink Martini


 

Pecularidades da política nacional

 



 


Esta legislatura anuncia-se peculiar. Há como que um entendimento oficioso e informal de que é a oposição que deve governar.


 


Na área da Educação os partidos da oposição multiplicam-se em contactos e iniciativas, ouvem e negoceiam com sindicatos que, por sua vez, já tornaram públicas as suas opiniões e exigências em relação à suspensão da avaliação dos professores e do estatuto da carreira docente.


 


Aguarda-se que o governo e a ministra se pronunciem em relação à opinião da maioria negativa.


 


Na área da Saúde dá a sensação que todo o ministério se fundiu no Hospital Central de Portugal em que a Presidência do Conselho de Administração, a Direcção Clínica e o Gabinete de Imprensa são assegurados pela Dra. Ana Jorge. Esse Hospital Central de Portugal é o centro de referência da pandemia de gripe A. São produzidos boletins clínicos com periodicidade quase diária.


 


A política de saúde auto suspendeu-se por prazo incerto, mas teme-se que esteja de baixa prolongada.


 



 


Nota: também aqui.


 

25 outubro 2009

Referendo

 


Não percebo porque é que um grupo de socialistas católicos pretende um referendo sobre o casamento entre homossexuais.


 


Caso este seja legalizado, será o casamento civil. O casamento religioso será sempre conforme os preceitos da religião, neste caso os da Igreja Católica. Ou será que querem referendar a hipótese de haver casamento religioso para homossexuais? Pois, mas para isso não serve um referendo.


 


Os católicos ofendem-se com frequência e tendem a pretender que todos sigam as suas ideias, os seus valores, as suas escolhas.


 


O programa do governo era explícito nessa matéria e essa já foi sufragada. Caso seja legalizado o casamento entre homossexuais, ninguém será obrigado a ser homossexual, ninguém será obrigado a casar. Apenas se abrirá a possibilidade de dois cidadãos do mesmo sexo celebrarem um casamento civil.


 


Um referendo pedido por um grupo de católicos? Não percebo.


 


Nota: também aqui.


 

Caim

 



pintura de Gustave Doré


A morte de Abel


 


Génesis

Capítulo IV



  1. E conheceu Adão a Eva, sua mulher; e ela concebeu e pariu a Caim, e disse: Alcancei um Varão do Senhor.

  2. E pariu também a seu irmão Abel: e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra.

  3. E aconteceu a cabo de dias, que Caim trouxe do fruto da terra [uma] oferta ao Senhor.

  4. E Abel também trouxe dos primogénitos de suas ovelhas, e de sua gordura: e atentou o Senhor para Abel e para sua oferta.

  5. Mas para Caim e para sua oferta não atentou. E assanhou-se Caim em grande maneira, a ponto de lhe caírem suas faces.

  6. E o Senhor disse a Caim: Porque te assanhaste? E porque te caíram tuas faces?

  7. Não haverá exaltação se fizeres o bem? E se não fizeres o bem, o pecado está deitando à porta, com desejo de ti, e ele se assenhorará.

  8. E falou Caim com seu irmão Abel: e aconteceu, que estando eles no campo, se levantou Caim contra seu irmão Abel, e matou-o.

  9. E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel teu irmão? E ele disse: Não sei. Sou eu guardador de meu irmão?

  10. E disse [Deus]: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão clama a mim da terra.

  11. E agora maldito sejas tu na terra, que abriu sua boca para receber o sangue de teu irmão de tua mão.

  12. Quando lavrares a terra, não te dará mais sua força: vagabundo e forasteiro serás na terra.

  13. Então disse Caim ao Senhor: Maior é minha maldade, que se perdoe.

  14. Eis que hoje me lanças da face da terra, e de tua face me esconderei; e serei vagabundo e forasteiro na terra; e acontecerá que todo aquele que me achar me matará.

  15. Porém o Senhor lhe disse: Qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs o senhor um sinal a Caim, para que não o ferisse qualquer que o achasse.

  16. E saiu Caim diante da face do Senhor: e habitou na terra de Nod, na banda do oriente do Éden. (…)


Bíblia Ilustrada, tradução de João Ferreira Annes de Almeida; apresentação e fixação do texto: José Tolentino Mendonça; ilustrações: Ilda David; Assírio & Alvim


 


Caim (lança) o primogénito, talvez o preferido de Eva, Caim o lavrador, aquele que faria o bem para que fosse recompensado, aquele que ferveria de ciúmes perante Abel (nada), que era crente e solícito, que era bom.


 


Caim, aquele que escolheu o mal, aquele que pecou, aquele que foi condenado a prisão perpétua e não à morte, o que fugia de Deus e da voz do sangue do seu irmão, aquele que viveu a leste do Paraíso.


 


Caim, o escolhido por Deus como exemplo, o escolhido de Deus como sinal do lado negro do homem, o escolhido por Deus como prova. Caim, o sacrificado por Deus.


 


Esta história é uma história de humanidade e desumanidade, de amor, paixão, ciúme e morte, de condenação sem perdão. É uma história de sempre. Crentes, ateus ou agnósticos, há nestes livros uma profunda reflexão sobre nós, como nos vemos, como nos relacionamos, como nos amamos. Podemos sempre interpretá-los de forma literal, mas perderemos um manancial de informação sobre a nossa própria memória ancestral, os nossos medos e os nossos mitos.

 

Teresín - Theresienstadt

 



 


Theresienstadt, ou Teresín (em checo) – foi um campo de concentração nazi, desde 1941, para onde se deportavam judeus, definitiva ou transitoriamente, a caminho de Auschwitz.


 


Era um campo de concentração que, originalmente, foi pensado para albergar a burguesia judaica germanófona. Havia pintores, escritores, músicos, cientistas, diplomatas, professores, etc. Fazia-se uma tentativa de proceder como se a vida decorresse dentro da normalidade, mantendo as crianças nas aulas e uma produção artística que, por entre os horrores que ali se passavam, poderiam sugerir aos presos a ilusão e alguns vislumbres do que era ser-se humano. Chegou mesmo a ser usado como propaganda do regime nazi, que autorizou a Cruz Vermelha a visitá-lo em 1944.


 


Calcula-se que dos 140.000 deportados para Theresienstadt apenas 12.747 sobreviveram à guerra. No Museu Judaico de Praga estão guardadas colecções de desenhos e pinturas realizados pelas crianças e pintores de Theresienstadt. Muitos músicos continuaram a compor no campo de concentração.


 


Anne Sofie Von Otter, em 2007, publicou um CD com uma compilação de obras de vários compositores de Theresienstadt.


 


Não encontrei no YouTube nenhum excerto do CD. Mas é lindíssimo. Apenas encontrei uma interpretação de uma sonata para violino, de Erwin Schulhoff.


 



Yvonne Smeulers


 


Adenda (informação de Eugénia de Vasconcellos): ver o livro de Daniel Blaufuks.


 

Da responsabilidade e solidariedade laboral

 



pintura de Grady Zeeman

Unemployment Line


 


Os jornais fazem eco da incapacidade que há em conter o crescimento do desemprego, mesmo com programas de combate como os que o governo tem vindo a desenvolver.


 


Este será o maior problema e o maior desafio que se colocará ao governo, às entidades patronais e aos sindicatos.


 


Na verdade a flexibilização do mercado laboral deverá ser estudada, de forma a incentivar a contratação de desempregados de longa duração ou de 1º emprego, mesmo que não seja para contratos sem termo. A precariedade do emprego é uma realidade e é de combater. Mas não se compreende que haja empregos quase vitalícios, em que os empregadores estão impedidos de substituir trabalhadores, muitas vezes totalmente incompetentes e inadaptados, em que já se investiu, formou, etc., mas que, pura e simplesmente, não estão interessados em mudar, sacrificando imensos potenciais excelentes trabalhadores mais qualificados que não conseguem sequer iniciar-se no mercado de trabalho.


 


Nesta situação todos são responsáveis inclusivamente as estruturas sindicais, que todos os anos clamam pelas justas lutas dos trabalhadores, mas dos trabalhadores entrincheirados em empregos de betão, que apenas estão disponíveis para manter o seu próprio status quo, não se importando nem procurando quaisquer soluções para os que estão desempregados.


 


Com a queda da inflação neste último ano, que ficará muito abaixo dos aumentos salariais que foram praticados em 2009, qual é a credibilidade de sindicatos que começam as negociações com uma percentagem de aumento de 4,5%? E no entanto, diariamente, mostram a sua preocupação pelo aumento da pobreza e das desigualdades entre ricos e pobres. Não seria mais sério tentar aumentar o salário mínimo e as pensões de reforma, tendo contenção no aumento salarial?


 


É que nas circunstâncias em que estamos e caso haja deflação, o aumento do poder de compra será para todos os que tiverem emprego. Mas o aumento do desemprego será uma certeza.


 


Nota: também aqui.


 

24 outubro 2009

Informação

 



 


A informação é uma arma.


 


Em relação aos medos e aos mitos sobre a gripe A e a vacinação o melhor é estudar, procurar e ser crítico perante o que se ouve.


 


Encontrei um and-reality-check.htm">blogue muito interessante sobre doenças infecciosas, com vários posts sobre a gripe, comparação entre a gripe a e a sazonal, nomeadamente em termos de mortalidade, desmistificação do medo em relação à insegurança sobre as vacinas, explicando que a forma com é feita a vacina para a gripe A é idêntica à da sazonal, com os mesmos ingredientes (com excepção dos virais, obviamente), alertando para quem deve ser vacinado com a vacina injectável (a vírus mortos - aquela que existe em Portugal) e a de aspersão (a vírus atenuados).


 


Encontrei também informação sobre a eventual associação entre a vacina para a gripe A e a Síndroma de Guillan Barré, uma doença neurológica rara que afectou doentes na década de 70, quando se iniciou um plano de vacinação contra a gripe suína. Explica o que se passou e o que se está a passar, relatando que a vacina de agora é idêntica à da gripe sazonal, não tendo acontecido essa associação com a vacina para a gripe sazonal.


 


Vale a pena ler consultar estes sites e, serenamente, enfrentar as ondas de desinformação e de propaganda de todos os tipos que nos inundam.


 


Adenda 1: vale a pena ler a informação da CDC sobre a epidemiologia da gripe A no hemisfério sul (23/10/2009) e um documento de esclarecimento produzido pelo Department of Health, NHS, UK.


 


Adenda 2: a informação sobre a pandemia de H1N1, da OMS, diz o seguinte:


 


As of 17 October 2009, worldwide there have been more than 414,000 laboratory confirmed cases of pandemic influenza H1N1 2009 and nearly 5000 deaths reported to WHO.


 


As many countries have stopped counting individual cases, particularly of milder illness, the case count is significantly lower than the actually number of cases that have occurred. WHO is actively monitoring the progress of the pandemic through frequent consultations with the WHO Regional Offices and member states and through monitoring of multiple sources of data.

 


Com estes resultados significa que a mortalidade desta gripe será inferior à que podemos determinar apenas com os casos confirmados laboratorialmente: 1,2%.

 

A coligação do inadiável

 


Acho muito interessante a discussão que tem havido sobre a índole reformista do governo, que vários comentadores e politólogos já decidiram que não terá.


 


Antes da tomada de posse do governo anterior havia um clamor de todas as elites académicas, económicas, artísticas, todas, em como eram essenciais e inadiáveis as reformas estruturais na saúde, na economia, na educação, na administração pública, na justiça, enfim, era preciso reformar o país.


 


O governo anterior fez precisamente isso. Mas quando as reformas começaram a incomodar as inúmeras corporações, romperam as movimentações para parar as ditas reformas. Contra as manifestações, as notícias do desagrado das populações, do fechamento das estradas, o governo manteve as suas intenções reformistas.


 


Pois a oposição toda, da esquerda à direita, criticaram-nas na forma e no conteúdo, de tal forma que a campanha eleitoral foi feita com base na coligação negativa que queria mudar o que o governo tinha feito em quatro anos.


 


Ou seja, os ímpetos reformistas do anterior governo foram arrasados precisamente por quem sempre exigiu as tais reformas inadiáveis. Agora que o governo é minoritário os partidos, os comentadores e os politólogos estão preocupadíssimos com as tais reformas mais uma vez e cada vez mais inadiáveis que já decidiram que o governo não será capaz de fazer.


 


Talvez se enganem, apesar dos esforços que farão para terem razão.


 


Nota: também aqui.

23 outubro 2009

Les Goûts du Vin

 



 


Mesmo em frente à Assembleia da República, descendo umas escadinhas, encontramos um fragmento de Paris em Lisboa. Nathalie Cojan recebe com um português impecável, num sotaque francês cerradíssimo. A sala é pequena, acolhedora e demasiado vazia para a comida e a bebida que lá se experimenta.


 


Les Goûs du Vin, na Rua de São Bento, vale bem uma visita prolongada, amorosa, tentadora e confortável, com música ambiente bem ao som de Paris.

 

Paris en colère

 



 


Paris en Colère


Canta Mireille Mathieu

(Maurice Jarre - Paris brûle-t-il?)




Que l'on touche à la liberté

Et Paris se met en colère

Et Paris commence à gronder

Et le lendemain, c'est la guerre.


 


Paris se réveille

Et il ouvre ses prisons

Paris a la fièvre:

Il la soigne à sa façon.


 


Il faut voir les pavés sauter

Quand Paris se met en colère

Faut les voir, ces fusils rouillés

Qui clignent de l'œil aux fenêtres


 


Sur les barricades

Qui jaillissent dans les rues

Chacun sa grenade

Son couteau ou ses mains nues.


 


La vie, la mort ne comptent plus

On a gagné on a perdu

Mais on pourra se présenter là-haut

Une fleur au chapeau.


 


On veut être libres

A n'importe quel prix

On veut vivre, vivre, vivre

Vivre libre à Paris.


 


Attention, ça va toujours loin

Quand Paris se met en colère

Quand Paris sonne le tocsin

Ça s'entend au bout de la terre


 


Et le monde tremble

Quand Paris est en danger

Et le monde chante

Quand Paris s'est libéré

.

C'est la fête à la liberté

Et Paris n'est plus en colère

Et Paris peut aller danser

Il a retrouvé la lumière.


 


Après la tempête

Après la peur et le froid

Paris est en fête

Et Paris pleure de joie.

 

Gripes

 


Desde Maio que as notícias sobre a gripe A inundam os media. Desde Maio que se preparam planos de contingência e se alertam as populações, a nível mundial, para a pandemia, para os anti-virais, para as vacinas, para os grupos de risco. Desde Maio que se vive em função daquilo que há-de acontecer nas escolas, nos hospitais, nos transportes públicos, quando a gripe atacar a sério, que a Ministra Ana Jorge se multiplica em afirmações que se pretendem calmantes e assegura que teremos vacinas e anti-virais suficientes para quem precisar.


 


A pouco e pouco começam a surgir vozes respeitadas e avisadas que explicam que o alarme é demasiado, que a preocupação é exagerada, que o susto não se justifica. Jaime Nina afirma que a mortalidade desta gripe é igual ou inferior à da gripe sazonal, a Organización Médica Colegial de España fez mesmo um comunicado em que deplora o alarmismo e acalma as pessoas, informando-as do que se está, na realidade, a passar – a gripe A é uma doença benigna, contagiosa, que na maior parte das vezes tem pouca sintomatologia, noutras tantas passa em 3 dias e tem uma taxa de mortalidade igual ou inferir à da gripe sazonal.


 


É importante que as autoridades sanitárias estejam atentas, que tenham planos de contingência, que preparem cenários mais gravosos, o que já não se percebe é o ambiente que se está a criar para uma obrigatoriedade de  vacinação, como o facto de ficar registado quem não se quiser vacinar, assim como a notícia repetida de meia em meia hora, na TSF, de uma significativa percentagem de funcionários da linha saúde 24 que não está disposta a ser vacinada.


 


A vacina está disponível e existem grupos de risco que deverão ser vacinados, tal como acontece com a vacina para a gripe sazonal. Mas não é obrigatória nem deve ser. Todas as pessoas deverão ser informadas, esclarecidas e assim decidirão o que fazer, tal como para tantos outros tipos de procedimentos e de terapêuticas. Será que estamos a preparar uma sociedade cujos indivíduos são penalizados por exercerem o seu direito à livre escolha?


 


Convém, no entanto, não acreditar em todas as teorias da conspiração que circulam por toda a parte. A última de que tenho conhecimento é protagonizada por Rauni-Leena Luukanen-Kilde, que nunca foi ministra e que já defendeu que os nazis foram à Lua na década de 40, que os americanos já foram a Marte, que teve diversos contactos com OVNIs, etc.


 


22 outubro 2009

Governo

 


Foi apresentado o novo governo.


 


Apenas algumas notas. Parece muito sensata a manutenção do ministro Teixeira dos Santos na pasta das Finanças. Não há melhor que ele para o novo esforço de equilíbrio, tendo já provado que o sabe fazer.


 


A pasta da Saúde para Ana Jorge era já esperada. Espero que a política regresse a esta área e que as reformas iniciadas com Correia de Campos se continuem pois o país precisa de muito mais do que apenas um estilo tranquilo e paciente. Precisa de um SNS sustentável e que responda às necessidades da população.


 


A pasta da Educação será a grande incógnita. Desejo toda a sorte do mundo a esta ministra, que tem uma tarefa bem difícil.


 


Aguardo com expectativa quais os sinais para esta legislatura. Refazer tudo o que se fez durante estes 4 anos, como a oposição se prepara e já anunciou ou persistir no caminho da mudança. Foi para a segunda hipótese de recebeu novo mandato governativo.


 


Felicidades para o governo e para todos nós.


 


Nota: Também aqui.

 

Deste tempo

 











 


É um tempo novo, como todo o tempo pode ser. Serão novos desde que os olhemos de novo, com olhos de ontem e de hoje, com olhares voltados para o que há-de vir.


 


É um tempo novo, aquele que usamos para enfrentar o mundo, para nos encontrarmos, connosco e com os outros.


 


As regras com que jogamos são feitas por nós, naquilo em que somos diferentes, dentro do que temos de idêntico – o gosto de trocar ideias, uma certa noção de sociedade, uma certa forma de entender o serviço público.


 


Assim me junto a esta equipa. Vou a jogo.


 


Nota: também aqui.






Da revolta na dor

 


Tenho lido, desde há bastante tempo, os posts do Besugo, primeiro no blogame mucho e depois no gravidade intermédia.


 


Outro dia o Besugo escreveu um extenso post de alguém a sofrer, de alguém com uma revolta infinita contra tudo e contra todos, de alguém que se dedica de alma e coração à sua profissão de médico, que sofre com os seus doentes, que sofre com a impotência de quem não vence a morte, de quem a combate todos os dias e de quem odeia ser vencido.


 


É assim com todos nós. Quando recebemos a notícia de que temos cancro, ou de que alguém a quem amamos tem cancro, ou outra qualquer doença grave, sentimos uma enorme revolta contra o mundo e um sentimento de culpa por não termos dado atenção aos sinais, pequenos ou grandes, mesmo inexistentes. Sentimos que deveríamos ter estado mais atentos, que deveria ter sido possível  prevenir, que deveríamos ter tido a obrigação de impedir que tal acontecesse.


 


Transformar esse grito de dor num texto de desvario de um indivíduo doente, de alguém que não respeita os doentes e que é perigoso, de alguém que merece ser desprezado porque teve a fraqueza e a força de se confessar em público, isso sim, eu acho muito preocupante.


 


Os médicos são pessoas como as outras que estão sujeitos a pressões e a stress como as outras, que têm vidas complicadas, como as outras, e que têm o direito a sofrer e a revoltarem-se contra si próprios e contra o mundo, como as outras. Inferir daí que não suportam a perda de regalias ou de status ou de poder, parece-me uma leitura absolutamente redutora.


 


O blogue está lá, para quem o quiser ler. Os comentários que lá estão são de quem quer que corra tudo bem porque, tal como o Besugo diz em vários posts ao longo de vários anos, ninguém merece ter um cancro.


 


E sim, Besugo, vai correr tudo bem.


 


Nota: recomendo outro post do Besugo.

 

21 outubro 2009

Obscurantismo

 


Transformar as declarações de Saramago sobre a Bíblia num problema de falta de limites e de falta de respeito pelos crentes, de forma a exortá-lo a mudar de nacionalidade, é absolutamente inacreditável.


 


Saramago tem o direito de se pronunciar sobre o que quiser, assim como nós temos o direito de achar que o que ele diz é um enorme disparate. Mas achar que isto é motivo de ofensa, seja a quem for porque não gosta de Deus, não acredita em Deus e o acha má pessoa? E depois?


 


Acho que o eurodeputado social-democrata Mário David deveria ter, ele próprio, mais respeito pelos outros. Ah, e ler livros com pontos de vista diferentes dos nossos é sempre enriquecedor.


 


Continuo a achar as declarações de Saramago uma infelicidade. Mas estou cheia de curiosidade de ler o livro. A figura de Caim é fascinante.


 

20 outubro 2009

O que será (à flor da pele)

 



Brad Mehldau Trio...


(Chico Buarque de Holanda)


 


... no CCB, a 29 de Outubro, às 21h00.


 

Disputa presidencial

 


Não me espanta a sondagem cujo resultado é inédito na apreciação negativa da actuação do Presidente da República.


 


Mas se o descrédito de Cavaco Silva coloca o problema da reeleição ao PSD e aos partidos à sua direita, o problema não é menor à esquerda.


 


Parece-me descabido começar a lançar nomes para a praça pública, até pelo que demonstra de falta de soluções, como a hipótese de uma nova candidatura de Sampaio. Mas a esquerda vai ter que encontrar um candidato que possa aglomerar a esquerda e que possa seduzir o centro.


 


Manuel Alegre já não é solução. Ele próprio se foi encarregando de estreitar a sua base de apoio com as posições que foi assumindo ao longo destes últimos anos. Será que Marcelo Rebelo de Sousa avança mesmo? Não sei porquê, duvido. Marcelo é um nome que regressa ciclicamente, nestas ocasiões.


 


O que significa que deverão aparecer nomes novos, gente diferente, à esquerda e à direita, para a disputa presidencial. Ainda bem.

 

Salário mínimo

 



 


Eu até posso aceitar que haja contenção salarial, mas nunca do salário mínimo. O salário mínimo é mesmo aquele cujo aumento nunca deveria ser congelado.


 


Em 2009 o salário mínimo subiu para 450€. Para 2010 foi acordado um aumento para 475€. O que será viver com 450 ou 475€ por mês?


 

Saramago

 



 


Ouvi as declarações de José Saramago e achei-as tristes. Não pelo assomo de blasfémia ou provocação. Mas pela infantilidade da prosa, pelos argumentos sem nexo, pelo disparate de tudo o que disse.


 


Saramago, um excelentíssimo escritor, não reconhece que a Bíblia, para além de um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana é também um manual de bons costumes, um catálogo de bondade e do melhor da natureza humana.


 


Está lá exactamente a essência do que é o homem, da sua relação consigo, com os outros, com a natureza e com a divindade. Estão o terror e a obediência cega, o amor e o altruísmo, o egoísmo e a generosidade, a intolerância e a aceitação, o heroísmo e o erotismo, as perversões, o belo, o místico e o sonho.


 


Estão a luta de um povo, a luta de homens e mulheres diferentes, pactos e diplomacia, guerra e regras, códigos laborais, está a raiz da forma como encaramos o mundo.


 


Não tem rigorosamente nada a ver com religião, nem com a fé. Isso pertence ao foro privado de cada um. Tem tudo a ver com a forma de nos pensarmos, no que há de razoável e extraordinário, até ao que de mais horrível podemos ser.


 


Nota 1: ler também Luís Naves.


 


Nota 2: o disparate é verdadeiramente livre e parece crescer exponencialmente.

 

18 outubro 2009

Quand on n'a que l'amour

 



Jacques Brel


 


 


Quand on n'a que l'amour

A s'offrir en partage

Au jour du grand voyage

Qu'est notre grand amour


 


Quand on n'a que l'amour

Mon amour toi et moi

Pour qu'éclatent de joie

Chaque heure et chaque jour


 


Quand on n'a que l'amour

Pour vivre nos promesses

Sans nulle autre richesse

Que d'y croire toujours


 


Quand on n'a que l'amour

Pour meubler de merveilles

Et couvrir de soleil

La laideur des faubourgs


 


Quand on n'a que l'amour

Pour unique raison

Pour unique chanson

Et unique secours


 


Quand on n'a que l'amour

Pour habiller matin

Pauvres et malandrins

De manteaux de velours


 


Quand on n'a que l'amour

A offrir en prière

Pour les maux de la terre

En simple troubadour


 


Quand on n'a que l'amour

A offrir à ceux-là

Dont l'unique combat

Est de chercher le jour


 


Quand on n'a que l'amour

Pour tracer un chemin

Et forcer le destin

A chaque carrefour


 


Quand on n'a que l'amour

Pour parler aux canons

Et rien qu'une chanson

Pour convaincre un tambour


 


Alors sans avoir rien

Que la force d'aimer

Nous aurons dans nos mains

Amis, le monde entier

 

Un homme et une femme

 


Un homme et une femme é um filme de Claude Lelouch, de 1966. Nunca o tinha visto embora conhecesse bem a música de Francis Lai.


 


Não sei se é um filme inocente, cândido, ingénuo ou romântico. Provavelmente é isso tudo. É um filme que se passa em viagem, entre as viagens de duas pessoas que se encontram no caminho. É um filme de silêncios e olhares, de uma ternura imensa, simples.


 


Se calhar está datado, porque a nossa relação com as coisas simples não está na moda. E por isso mesmo é também intemporal.

 


Das memórias

 



(Paul Cézanne - a autópsia)


 


Sem tempo para pensar, o sono transforma-se na cadeira do psicólogo, que nunca consultei.


 


O rapaz que morreu com cancro no fígado apareceu-me cinzento e verde, só barriga e esqueleto. É muito doloroso quando se vêem evoluir os corpos da fase saudável para a fase terminal. É assim que se chama: terminal. Não sei se o que ilumina o olhar e que faz com que surjam pessoas dentro de nós, aqueles olhares que nos acusam, não pela doença mas pelo reconhecimento dela, já terminaram ou ainda lá estão.


 


Então o volume do abdómen passou do dele para o meu, de repente era eu que estava esqueleto e barriga, verde, com a certeza de que a morte estava a dar-me a mão. Só que acordei. Acordo sempre em fases definitivas, deixando as decisões inadiáveis para depois.


 


Não sei se os sonhos recarregam baterias ou memórias, ou se as memórias são a energia de que necessitamos para aguentarmos os dias mecanicamente, sem pensar. Quando me apareceu alguém que estava morta, a quem eu perguntei porque tinha encenado a sua morte, a quem eu insultei pela dor, pela solidão, pela inexplicável tecedura de morrer, assim, sem deixar espaço para recorrer, refazer, remodelar, esfumou-se e acordou-me sem respostas.


 


Talvez porque a morte seja uma presença infinita, na mesa estendida, bem identificada, homem, mulher, tantos anos, com idade aparente igual ou superior à real, identificações sem identidades, invólucros de matéria orgânica, aqueles que já adormeceram na finitude das moléculas, que já aceitaram a não existência.


 


É precisamente quando olhamos para as células, para a fotografia que delas fizemos imediatamente após a sua despedida, bem conservadas e pintadas, aqueles pequenos fragmentos de alguém, que obsessivamente tentamos descodificar, é nesse preciso momento que se começa a morrer. Antes disso a morte é silenciosa, esconde-se, é em pequeno número e disfarçada, ceifa um núcleo aqui, um lóbulo acolá, uma pontada, um fraquejo momentâneo, as enzimas aumentadas, um ritmo arrítmico, até esse segundo em que se revela o indesmentível, o relógio que não encrava e que badala incessante e dolentemente.


 


Depois vem o tempo dos outros, dos que choram, dos que explicam, dos que se afastam. Mesmo em vida há o prenuncio do que já não é. E como não temos tempo para pensar, é no sonho que estamos sempre à beira do abismo ou que nos lembramos de como empurrámos alguém, sem nunca conseguirmos agarrá-lo em sonhos, se já não o pudemos amparar em vida.

 

Despojos

 



escultura de Claudia Souto

entranhados


 


Despojados de censura decência vergonha

desarmados do sentimento do outro

desamparados perante as câmaras dos olhos

sem quaisquer gestos encobertos

sem quaisquer sombras de distância

choramos por nós pelas dores do mundo em nós

assumidamente egocêntricos autistas no espanto

descartados da pele de civilização

afundamos na derrota no desespero na desesperança

sem cuidarmos do horror ou da indiferença

reféns da nossa individual ausência.


 


Descarnados descentrados choramos sem véus

pela sóbria necessidade

de sobrevivência.

 

Mundos Diferentes

 


Até 29 de Outubro, na Arte Periférica, Centro Cultural de Belém, uma exposição de Ejti Stih, pintora nascida na Eslovénia, boliviana por casamento, a trabalhar em Santa Cruz de La Sierra.


 


 


 

17 outubro 2009

Da próxima legislatura

 


Esta legislatura será um tempo de grande agitação política transformando-se obrigatoriamente num tempo de debates, de convicções, de discussões.


 


 


Politicamente vamos ter um governo minoritário. Quais serão a hipóteses de Sócrates e os seus ministros poderem continuar e retomar sentidos reformistas sem uma maioria parlamentar?


 


Quais serão as apostas das oposições de esquerda, que começam já a marcar a agenda política, levando a votos as promessas que fizeram em tempos de campanha? Quais serão as escolhas das oposições de direita, que comungaram pragmaticamente com a esquerda no confronto da legislatura anterior?


 


Que ministros serão suficientemente corajosos para avançar com o programa do governo, resistindo às inevitáveis pressões corporativas? Que ministros serão suficientemente hábeis para negociar aquilo que parece inegociável?


 


Será que voltaremos a ter política de saúde para além da gestão da gripe, política de educação, para além da avaliação dos docentes, política de justiça para além do problema da aplicação informática?


 


O governo tem vários trabalhos pela frente, tal como o Parlamento. O Presidente da República, que deveria estar fortalecido e ser um garante da estabilidade política transformou-se num problema para o governo, para a oposição, e para os partidos políticos. Quem serão os próximos candidatos à Presidência?


 


Teremos mesmo muito em que pensar.


 

A regra do jogo

 


 


 


 


 "Ce qui est terrible dans cette terre, c'est que tout le monde à ses raisons".


 

Take the Lead

 



Take the Lead (2006)


 

15 outubro 2009

Da espera

 


Sócrates está pronto a formar governo. Vai começar a dança das fontes e dos nomes ministeriáveis.


 


A esquerda terá que se unir com a direita para derrubar este governo. Espera-se a cobrança das promessas eleitorais aos partidos da oposição.


 


Começaram as presidenciais.


 

Qualquer coisa

 



pintura de Mario Zampedroni


swamp


 


1.

Fazer sentido sem tempo para arrumar peças

não fazem sentido as mãos os dedos a memória.

Estendo em traves mestras as traves que quebram

em esquinas agudas estacas caídas

estendo partículas intensamente baças.

Não fazem sentido sem o baile furioso da inércia.


 


2.

Aceitamos qualquer preço

qualquer coisa pouca

qualquer senha qualquer uso

aceitamos qualquer ser

que seja

nada.


 

Com que voz

 



canta Amália Rodrigues

Luís de Camões; Alain Oulman


 


 


Com que voz chorarei meu triste fado,

Que em tão dura paixão me sepultou.

Que mor não seja a dor que me deixou

O tempo, de meu bem desenganado.


 


Mas chorar não estima neste estado

Aonde suspirar nunca aproveitou.

Triste quero viver, poi se mudou

Em tisteza a alegria do passado.


 


Assim a vida passo descontente,

Ao som nesta prisão do grilhão duro

Que lastima ao pé que a sofre e sente.


 


De tanto mal, a causa é amor puro,

Devido a quem de mim tenho ausente,

Por quem a vida e bens dele aventuro.


 

14 outubro 2009

Das fontes noticiosas

 


Na última segunda feira ouvi Henrique Monteiro tentar justificar o facto de não ter agarrado a notícia sobre o famoso email, que lhe teria chegado de uma fonte política.


 


Ficámos também a saber que Henrique Monteiro só faz a vontade às fontes quando a interferência política é de um lado.


 


Ficámos ainda a saber que Henrique Monteiro tem uma graduação de mérito profissional baseado na superioridade política e intelectual do Expresso.


 


Quanto mais se fala mais se percebe a teia de interesses que são servidos e que se servem dos jornalistas. Dos tais superiores, que até escolhem os momentos de publicação das notícias.


 

Enchentes

 



pintura de Erik Hanson


Emanations variations on black and white I


 


Nem enchentes e marés de sonhos, nem desertos sedentos de sol. Procura-se o meio-termo, o compromisso, a cedência. Sempre mais razoabilidade, mais equilíbrio, mais do mesmo, mais na mesma. Sempre é cedo ou tarde de mais, sempre talvez ou mais um pouco, sempre não há, não pode, sempre mais devagar, sempre degrau a degrau.


 


 


Não tenho mais punhos para cerrar, não sei de mais mastros para navegar, só restam os ponteiros dos segundos, urgentes, impositivos, certeiros, ruidosos, gritos surdos e olhos por todo o lado.


 


 


Mudar, é preciso virar as roupas do avesso, as almas, o mundo.


 


 


Já não tenho braços para tanto mar.

 

12 outubro 2009

A preto e branco

 



pintura de Erik Hanson


Emanations variations on black and white IV


 


A preto e branco atravesso o corpo

desfaço nós sopro cinzas

terra areia.


Tempo.



A preto e branco risco compassos

círculos concêntricos descentrados

esventrados.


Cansaço.

 

11 outubro 2009

Das más notícias

 



 


A vitória de Isaltino Morais em Oeiras significa que os habitantes do Concelho de Oeiras acham que não se deve olhar a meios para atingir os fins.


 

Das boas notícias

 



 


Como não posso falar de boas notícias em Oeiras, falo das óptimas notícias que são as derrotas de Fátima Felgueiras, Avelino Ferreira Torres e Narciso Miranda.


 


Posso também falar das excelentes notícias que são a vitória de António Costa, em Lisboa, e a derrota de Santana Lopes, também em Lisboa.


 


Depois há a vitória do PS, a nível nacional que, até agora (faltam 926 freguesias por apurar), ganhou mais mandatos nas Câmaras, nas Assembleias Municipais e nas Assembleias de Freguesia.


 


Ainda bem.


 

Lección de existencia / Lição de existência

  



en voz baja / em voz baixa


poemas de Abel Murcia


serigrafias de Marian Nowiński


tradução de José Carlos Dias


Manuela Teixeira Pinto


 


 


He aprendido a compartir tu ausencia


con mi sombra, el vacío


que deja el tacto inexistente de tu mano


en al mía, el silencio de tu voz


al otro lado de ningún teléfono,

esa ciega mirada de todos los objetos

que ocupan tu lugar.

He aprendido a dejar de ser tan yo

por ser un poco tú.

Me asusta sentirme rodeado de tu nada.


 


 


Aprendi a partilhar a tua ausência


com a minha sombra, o vazio


que deixa o toque inexistente da tua mão


na minha, o silêncio da tua voz


do outro lado de nenhum telefone,


esse olhar cego de todos os objectos


que ocupam o teu lugar.


Aprendi a deixar de ser tanto eu


por ser um pouco tu.


Sentir-me rodeado do teu nada, assusta-me.


 

[E]ternamente

 



poema de Luísa Azevedo


pin - uma explicação de ternura


 


Vê como a nossa casa é tão transparente.


O amor cruza as aparentes barreiras de pedra.


Vê-se à luz do dia e toca-se na noite.


Assim ficaremos,


eternizados de mãos dadas!


Ao vento, à chuva, à sombra da lua.


Eu sentirei para sempre aquele toque de ternura.


E tu saberás o quanto fui, e quis ser, tua.


 

*Apesar de você

Não quero acrescentar mais nada a este excelente post, que reproduzo integralmente.


 



 


Hoje você é quem manda

Falou, ´tá falado

Não tem discussão, não.

A minha gente hoje anda

Falando de lado e olhando p´ro chão

Viu?

Você que inventou esse Estado

Inventou de inventar

Toda escuridão

Você que inventou o pecado

Esqueceu-se de inventar o perdão.



(Coro) Apesar de você

amanhã há de ser outro dia

Eu pergunto a você onde vai se esconder

Da enorme euforia?

Como vai proibir

Quando o galo insistir em cantar?

Água nova brotando

E a gente se amando sem parar.




Quando chegar o momento

Esse meu sofrimento

Vou cobrar com juros. Juro!

Todo esse amor reprimido,

Esse grito contido,

Esse samba no escuro.



Você que inventou a tristeza

Ora tenha a fineza

de
desinventar

Você vai pagar, e é dobrado,

Cada lágrima rolada

Nesse meu penar.



(Coro) Apesar de você

Amanhã há de ser outro dia.

Ainda pago p´ra ver

O jardim florescer

Qual você não queria.



Você vai se amargar

Vendo o dia raiar

Sem lhe pedir licença.



E eu vou morrer de rir

E esse dia há de vir

antes do que você pensa

Apesar de você.



(Coro) Apesar de você

Amanhã há de ser outro dia

Você vai ter que ver

A manhã renascer

E esbanjar poesia.




Como vai se explicar

Vendo o céu clarear, de repente,

Impunemente?

Como vai abafar

Nosso coro a cantar,

Na sua frente.

Apesar de você.



(Coro) Apesar de você

Amanhã há de ser outro dia.

Você vai se dar mal, etc. e tal,

La, laiá, la laiá, la laiá?

 




Longe vai o tempo em que o Apesar de você… tinha a limpidez de se aplicar aos ditadores e às ditaduras… Aos maus. Nestes novos tempos o você será muito mais subtil e aplicar-se-á aos resultados perversos do voto popular (acima). Mas não nos surpreendamos que, em consequência desse desperdício, as novas gerações, que nunca precisaram do voto para escorraçar os velhos vocês, se tornem indiferentes à utilização e preservação desse direito de voto, quando constatam que o resultado pode resultar em eleger estes novos vocês... 

 

*A. Teixeira no Herdeiro de Aécio.

 

10 outubro 2009

Prémio Nobel da Paz 2009

 


Cada vez mais as minhas opiniões são menos definitivas.


 


O Nobel da Paz para Obama, após a surpresa inicial, suscita-me sentimentos contraditórios.


 


De facto a eleição de Obama como Presidente dos EU, e mesmo antes da eleição a sua campanha, fez alastrar a esperança por todo o mundo, pela nova abordagem que soube fazer aos vários conflitos internacionais, pela mensagem de optimismo, ideologia e ética que protagonizou e que mantém viva 9 meses após a eleição, pela luta pelos direitos dos mais desfavorecidos no seu próprio país. Além disso é o primeiro Presidente negro da história dos EU, o que não me parece ter sido indiferente a esta escolha.


 


Por outro lado Obama é ainda um conjunto de intenções e não de actos. Na prática continuam o conflito israelo-palestiniano, as guerras no Iraque e no Afeganistão, o problema das armas nucleares no Irão. Dentro de portas a enorme dificuldade que o Presidente está a enfrentar quanto às reformas anunciadas no sistema de saúde é um prenúncio de que muito do que Obama e o mundo ambicionam é bem mais complicado de atingir do que de enunciar.


 


Sendo assim não sei se este prémio o vai ajudar ou lhe vai dificultar a sua actuação futura. Temo que a mitificação do homem transforme as suas possíveis derrotas num peso desproporcional relativamente às suas vitórias.


 


Parabéns a Obama e boa sorte. Para ele e para todos nós.


 



 

09 outubro 2009

Eleições autárquicas

 


Estas eleições parece que não existem, de tal maneira estão entaladas entre as legislativas e a formação do governo.No entanto são tão importantes como as primeiras.


 


Em Oeiras assumem, na minha perspectiva, uma importância que transcende o acto eleitoral e o executivo autárquico que dele resultará. É um teste à aceitação cultural, por parte dos habitantes de Oeiras, dos valores de justiça e de honradez.


 


Custa-me a perceber como é que uma pessoa condenada a 7 anos de cadeia por corrupção tenha a audácia de se candidatar a Presidente da Câmara. Mas é-me totalmente incompreensível a sua  iminente eleição, a confirmarem-se os resultados das últimas sondagens.


 


A vitória do candidato Isaltino Morais é a vitória daqueles que, se pudessem, cometeriam abusos no exercício de cargos públicos, embora todos os dias vociferem contra os políticos, que apelidam de grandes corruptos.


 

08 outubro 2009

A democracia suspensa

 


Estou à espera das declarações do Presidente da República, garante da democracia, da liberdade de manifestação e de expressão do pensamento, que tanto se incomodou com a demissão de Manuela Moura Guedes.


 


Aguardo as declarações de Manuela Ferreira Leite sobre a inenarrável situação que se vive na Madeira, em plena campanha eleitoral, onde assistimos à agressão, por seguranças privados, de cidadãos que queriam manifestar-se numa inauguração pública.


 


Espero as declarações do Ministro da Administração Interna e / ou do Ministro da Justiça sobre a reposição da legalidade democrática numa parte de Portugal.


 


Os limites da decência, no arquipélago da Madeira, estão continuamente a ser ultrapassados.


 



 


(Arrastão)


 

07 outubro 2009

Dizemos

 



(pintura de Jaclyn Mednicov: infinite space)


 


 


As palavras mais saborosas

são as que se guardam nos sentidos.


 


Com os olhos com os dedos

com a extrema timidez

de quem esconde o fundo

dos anos que vão afastando a alma

o fundo da solidão de quem quebra

as palavras mais saborosas

são as que se guardam no silêncio.


 

05 outubro 2009

Telómeros e telomerase

 


Este ano o prémio Nobel de Fisiologia e Medicina distinguiu três investigadores - Elizabeth H. Blackburn, Carol W. Greider e Jack W. Szostak - pelos trabalhos desenvolvidos sobre a importância dos telómeros e da telomerase.


 


Os telómeros são as pontas dos cromossomas dos seres que são formados por células com núcleos (eucariotas).


 


As células são as unidades que formam os tecidos (a pele, os osso, o coração, etc.). As células são como o ovo – têm um núcleo (a gema) onde está a informação vital da célula e onde está o material genético – os cromossomas, constituídos por um dupla hélice de DNA - e o citoplasma (a clara), onde está a maquinaria e os ingredientes que alimentam a célula.


 



Cromossomas; telómeros - pontas brancas


wikipédia


 


De cada vez que as células se dividem tem que haver uma duplicação dos cromossomas, que depois se separam e formam duas células com a mesma informação genética que a célula mãe. Em teoria é assim, mas na prática sabemos que todos nós resultamos de uma célula única e nos transformamos naquilo que somos, um conjunto de milhões de células.


 


Para que os cromossomas se dupliquem é preciso que a dupla hélice se abra e se formem cópias das hélices, complementares às primeiras. Mas quando a separação chega à ponta dos cromossomas – os telómeros (do grego telos - final, e meros – parte), que não são mais que uma sequência de DNA, diferente para cada espécie, tendo a função de impedir que as pontas dos cromossomas abertas se possam unir com fragmentos que não são de lá, resultando naquilo a que se chamam mutações (material genético anormal por junção ou perda), acaba por  haver encurtamento dos telómeros. Por isso, à medida que a célula se divide, essas pontas vão perdendo vários genes (informação importante) o que, pensa-se agora, levará inexoravelmente à morte celular, ao fim de algum tempo, pelo encurtamento sucessivo dos cromossomas – um dos mecanismos que contribui para o envelhecimento celular.


 



Representação do DNA do telómero


wikipédia


 


Mas a verdade é que algumas células, como as células embrionárias e as células tumorais, conseguem dividir-se quase indefinidamente sem perda nem encurtamento dos telómeros. Descbriu-se que isso é devido a uma enzima – a telomerase – que é capaz de reconstruir o bocado de telómero encurtado, mantendo o cromossoma sempre igual.


 



Representação da telomerase


wikipédia


 


É claro que isto é uma simplificação grosseira de um dos fenómenos mais intrigantes e complexos a nível celular. Estas investigações e estas descobertas podem abrir caminho a novas terapêuticas contra o cancro, se percebermos como é possível impedir que as telomerases actuem em células malignas. Por outro lado podemos perceber melhor qual o mecanismo da senescência celular e, quem sabe, retardar a morte celular.


 


Nota: para quem estiver interessado...

Adopção de crianças

 



 


Em relação à adopção de crianças devo esclarecer que não tenho qualquer opinião de princípio quanto à adopção de crianças por casais homossexuais, tais como a não tenho por casais heterossexuais ou por famílias monoparentais. As pessoas candidatas à adopção devem ser avaliadas uma a uma, e os casais deverão sê-lo casal a casal.


 


Na vida real há crianças em famílias de todos os tipos e feitios e não é o facto de estarem em famílias resultantes de casais heterossexuais que as transformam em heterossexuais ou homossexuais, gordos ou magros, calmos ou agitados, preguiçosos ou trabalhadores, etc. Tanto quanto sei, há alguns estudos com resultados sobreponíveis e que demonstram que a orientação sexual dos pais/educadores não influenciam os comportamentos (sexuais ou outros) das crianças.


 


Por outro lado é preciso que ressalve o facto de a maior parte dos artigos sobre trabalhos científicos que são abordados nos jornais são-no, salvo honrosas excepções, de uma forma incorrecta, pouco rigorosa e realçando frases que, inclusivamente, são retiradas do contexto em que foram proferidas.


 


Após este preâmbulo fiquei perplexa com o artigo que saiu no DN online de hoje, citando um estudo efectuado por Vanessa Ramalho, sob a orientação do pedopsiquiatra Eduardo Sá, intitulado Homoparentalidade: estudo da adequação homoparental, tendo como base (quantas entrevistas?/durante quanto tempo?/como foram seleccionados os casais?/...) 25 heterossexuais e 25 homossexuais (depreendo que sejam casais com filhos adoptados, porque isso não é referido, tal como não é referido o método de estudo), que


 


(...) E vai ao ponto de afirmar que pais homossexuais até podem trazer vantagens para a educação de uma criança*, até porque um filho resulta, em geral, de muita ponderação e tempo de espera. (...)


 


E eu, que entendo a orientação sexual como uma característica pessoal, que não é desvantagem para coisa nenhuma, nomeadamente para adoptar crianças, chego à conclusão que, pelo contrário, ser heterossexual até pode ser um óbice no que diz respeito à adopção e educação de crianças.


 


Partindo do princípio que o estudo citado tem muito pouco a ver com a redacção do artigo do DN, percebem-se os seus objectivos. No entanto, este tipo de notícias não defende a causa a favor da adopção por homossexuais nem a credibilidade e o rigor científicos de quem os faz e de quem os divulga.


 


Nota: * realce meu.


 

A República no Palácio de Belém

 



 


Desta vez estou totalmente de acordo com o Presidente da República.


 


(...) A República desconhece privilégios de nascimento, porque premeia o mérito e a vontade de alcançar uma vida melhor. É um regime de inclusão, que tem de conceder oportunidades iguais para a realização pessoal, familiar e profissional das pessoas.


 


Numa República, não podem existir barreiras artificiais entre o poder e o povo. Os governantes têm de conhecer a realidade do País. E os cidadãos, por seu turno, têm o dever de participar na vida cívica, ao invés de se queixarem sistematicamente do Estado ou da classe política.


 


Temos de vencer a tendência para nos lamentarmos de tudo e de todos, e de pouco fazermos para melhorar o que é de tudo e que é de todos.(...)





(...) Em nome de Portugal, façam o que está ao vosso alcance para que os nossos filhos vivam numa República melhor, num País mais próspero, mais justo e solidário.


 

Viva a República

 



 


O regime republicano é, em oposição ao monárquico, a essência do pensamento democrático. Qualquer homem ou mulher, independentemente da raça, posição social ou credo religioso, pode ser o representante do país se legitimado pelo voto popular.


 


A 5 de Outubro de 1910 caiu o regime monárquico em Portugal.


 


Viva a República Portuguesa.

04 outubro 2009

Um dia

 



 


Mercedes Sosa é uma das permanentes moradoras desta casa.


 


 


Um dia morreremos com o corpo todo


os olhos mais abertos do que em vida


o sangue pesado espesso lívido.


Um dia serão as pernas que esquecem os braços


será a boca que esquece a língua


será a palavra que esquece a memória.


 


 


Um dia olharemos este invólucro marmóreo e frio


por nós abandonado e esquecido


de feridas abertas extintas


nas cinzas exangues árduas secretas.


 

Carmina Burana

 



Classical Symphony Orchestra in Kinshasa


 


(...) Estes são alguns dos homens e mulheres que querem tornar a RDCongo conhecida mais pelo som dos seus instrumentos do que pelo barulho das balas. Em toda a África e, quem sabe, até às salas de concerto europeias.


 

Cegueira

 



pintura de Tanya Bonello: the rise and fall


 


Ninguém nos mostrou esse futuro que talhámos, com carícias e sorrisos, ninguém nos falou dos abismos que falhámos, dos profundos sulcos que atravessámos, penosamente, em busca do leite e do mel. Ninguém nos vislumbrou a terra que lavrámos com as mãos, o ar que apunhalámos com a nossa dor, ninguém nos senta nos tronos que esperámos.


 


Arrastar e gravar as rugas, alimentar o caldo onde vivemos gota a gota, dia a dia, cair e levantar e sangrar e arder de tristeza, de ódio, de desesperança, morder os frutos envenenados, escolher o ar, escolher de entre os poros de luz algumas estrelas.


 


E talvez, por momentos, por breves instantes, por inexcedíveis arroubos de paixão, todos os trilhos caóticos passam a fazer sentido.


 


Uma e outra vez, sempre.

 

03 outubro 2009

Dos compromissos

 


O resultado destas eleições mostra uma maioria de votos e percentual se somarmos as votações do PS com as do BE e da CDU. Mas esse grupo é demasiado heterogéneo para que a soma resulte num compromisso, como se pede no manifesto Compromisso à Esquerda.


 


O PS foi mandatado para governar e para cumprir um programa que, em muitos e importantes aspectos, é diferente dos programas dos partidos à sua esquerda. Houve compromissos assumidos com os eleitores, da parte do PS, do BE e da CDU. E esses compromissos terão que ser respeitados.


 


É claro que a esquerda terá que se entender ou ficará com o ónus de se aliar à direita para derrubar o governo. É claro que o PS terá que negociar e, espero, fa-lo-á predominantemente com a esquerda. Mas não me parece que haja bases programáticas, históricas e / ou culturais para uma coligação governamental, de incidência parlamentar ou de outro tipo. As experiências autárquicas são positivas, mas são autárquicas, não são nacionais.


 


As negociações deverão ser caso a caso, até porque já começaram as movimentações para cobrar as promessas eleitorais, da esquerda e da direita. A FENPROF já veio dizer que aguarda um sinal de que se vai suspender a avaliação de desempenho dos professores e o estatuto da carreira docente.


 


Penso que os partidos de esquerda devem assumir as suas responsabilidades. O PS como partido do governo deve procurar os entendimentos que achar necessários, a oposição deve viabilizar os entendimentos que entender exequíveis. Penso que esta solução será a melhor tradução dos compromissos eleitorais.


 

Autárquicas em Oeiras

 





 


Leio em vários sítios esta sondagem em relação às eleições autárquicas de Oeiras e envergonho-me:


 


Isaltino - 39 a 43,2%

PS - 21,2 a 25%

PSD/CDS-PP/PPM - 16,9 a 20,7%

CDU - 7,2 a 9,4%

BE - 4,3 a 6,1%

PCTP/MRPP - 0,4%


 


Quando todos se queixam de que os políticos são uns corruptos é bom que pensem muitas vezes. Pelo menos em Oeiras a população gosta de votar num indivíduo que foi condenado por um colectivo de Juízes a 7 anos de prisão.


 


Significa que quem vota nele só não faz igual porque não pode.


 

Paris

 



Fotografia de Eduardo Gavín: Paris


 


 


Se nos encontrarmos em Paris numa tarde cinzenta

com o tapete do Sena em transporte de emoções,

se nos encontrarmos em Paris

no café fumegante e denso de tabaco

as mãos que esconderes nas minhas serão pássaros

e a chuva de Outono cantará para nós.

 

Aquele abraço

 



Gilberto Gil


 


 


O Rio de Janeiro

Continua lindo

O Rio de Janeiro

Continua sendo

O Rio de Janeiro

Fevereiro e março...


 


Alô, alô, Realengo

Aquele Abraço!

Alô torcida do Flamengo

Aquele abraço!...(2x)


 


Chacrinha continua

Balançando a pança

E buzinando a moça

E comandando a massa

E continua dando

As ordens no terreiro...


 


Alô, alô, seu Chacrinha

Velho guerreiro

Alô, alô, Terezinha

Rio de Janeiro

Alô, alô, seu Chacrinha

Velho palhaço

Alô, alô, Terezinha

Aquele Abraço!...


 


Alô moça da favela

Aquele Abraço!

Todo mundo da Portela

Aquele Abraço!

Todo mês de fevereiro

Aquele passo!

Alô Banda de Ipanema

Aquele Abraço!...


 


Meu caminho pelo mundo

Eu mesmo traço

A Bahia já me deu

Régua e compasso

Quem sabe de mim sou eu

Aquele Abraço!

Prá você que meu esqueceu

Ruuummm!

Aquele Abraço!

Alô Rio de Janeiro

Aquele Abraço!

Todo o povo brasileiro

Aquele Abraço!...


 


O Rio de Janeiro

Continua lindo

O Rio de Janeiro

Continua sendo

O Rio de Janeiro

Fevereiro e março...


 


Alô, alô, Realengo

Aquele Abraço!

Alô torcida do Flamengo

Aquele Abraço!...(2x)


Chacrinha continua

Balançando a pança

E buzinando a moça

E comandando a massa

E continua dando

As ordens no terreiro...


 


Alô, alô, seu Chacrinha

Velho guerreiro

Alô, alô, Terezinha

Rio de Janeiro

Alô, alô, seu Chacrinha

Velho palhaço

Alô, alô, Terezinha

Aquele Abraço!...


 


Alô moça da favela

Aquele Abraço!

Todo mundo da Portela

Aquele Abraço!

Todo mês de fevereiro

Aquele passo!

Alô Banda de Ipanema

Aquele Abraço!...


 


Meu caminho pelo mundo

Eu mesmo traço

A Bahia já me deu

Graças a Deus!

Régua e compasso

Quem sabe de mim sou eu

É claro!

Aquele Abraço!

Prá você que meu esqueceu

Ruuummm!

Aquele Abraço!

Alô Rio de Janeiro

Aquele Abraço!

Todo o povo brasileiro

Aquele Abraço!...


 


Todo mês de fevereiro

Aquele Abraço!

Alô moça da favela

Aquele Abraço!

Todo mundo da Portela

E do Salgueiro e da Mangueira

E todo Rio de Janeiro

E todo mês de fevereiro

E todo povo brasileiro

Ah! Aquele Abraço!...


 



 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...