Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos,
melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Amanhã é dia de renovar a festa, o hábito, o vício da democracia. Votar, escolher, ter voz.
Que ninguém fique em casa. As assembleias de voto estão abertas muitas horas, ninguém precisa de faltar ao supermercado, à caminhada, ao futebol, ao almoço de família, ao café com os amigos, à missa, à meditação. Há tempo para tudo.
Se estiver frio vistam casacos, se estiver sol ponham chapéu, se chover levem guarda-chuva, se estiver calor vão de calções. Não razões nem desculpas.
Até hoje, e apesar dos diversos avisos, a liderança da Europa não tem ligado aos sinais de descontentamento dos cidadãos, nomeadamente em relação à União Europeia. A prolongada crise, as desigualdades e o voluntarismo dos partidos defensores da presente orientação política, empurrou todos os eurocépticos para a direita, pois não se sentem representados por nenhum partido tradicional. O último discurso de Juncker, com a proposta de um Ministro das Finanças comum, é mais uma fuga em frente na suposta necessidade de integração política, sem haja o cuidado de ter a explícita aprovação dos povos.
É claro que esta não é a única razão, mas parece-me uma razão muito importante. Para além disso o desaparecimento das gerações que viveram a II Grande Guerra, o terrorismo, a crise económica e a insegurança sentida dentro do espaço europeu, para além dos fluxos de refugiados, são mais razões para o aumento do racismo e da xenofobia.
É urgente o repensar da construção europeia, o respeito pelas democracias e pelas diferenças entre os vários Estados. São precisas novas políticas sociais, de emprego e de promoção da igualdade. Caminhamos a passos largos para um ciclo que acorda todos os nossos medos.
Já todos os supostosenvolvidos na autoria de tal relatório desmentiram a sua existência. Mas isso não interessa. Em plena semana de campanha eleitoral para as autárquicas, mais uma vez tudo vale.
O Expresso é um actor activo, consciente ou não, do enterramento da credibilidade informativa. Se é que ainda alguém acredita nela, o Expresso apressa-se a desfazer todas as ilusões.
Quem só lesse os títulos dos jornais, ficaria a pensar que a Geringonça estava por um fio, que o governo estava prestes a cair, tal o afundanço nas sondagens.
Afinal, o líder partidário que mais caiu, em relação às sondagens anteriores, foi mesmo Passos Coelho. Houve uma redução de intenção de votos no PS - de 0,5%. E um aumento no PSD - de 0,6%. A diferença entre a Geringonça (57,5%) e o PAF (35,5%), neste momento, e após todas as desgraças do Verão, que a direita explorou miseravelmente, é de 22%.
De facto o governo desceu a sua popularidade, mas a oposição não lucra com isso. A tentativa que os jornais fazem para transformar uma situação estável em derrocada da Geringonça é patética e bem indicativa do desespero de quem agora defende a contratação de Assistentes Operacionais nas Escolas, e considera o crescimento fraco, após a legislatura de que ainda ninguém se esqueceu.
Deixo aqui um vídeo norueguês interessantíssimo, sobre o paradoxo da igualdade de géneros (na Noruega), que descobri no Aspirina B. Vale a pena ver mesmo até ao fim.