16 julho 2026

Pássaro adormecido

 


Eduardo Kingman

1.

Sento-me na beira de um banco

no jardim de folhas leves e pássaros adormecidos.

As minhas mãos confundem o tempo

semeiam todos os beijos que não te dei

no verde transtornado do relvado.

 

Vagarosamente soltam-se as asas

iluminam-se as papoilas de encarnado

como se o veneno dos dias felizes

se espalhasse pelas encostas da tua ausência.

 

2.

Há vozes nas nuvens a tua voz

que me chama com o carinho

de quem sabe que morro sem ti

que me diz que a névoa voa

e que nada me dará a paz ansiada

a não ser aceitar a funda tristeza

de te não ter.

2 comentários:

  1. Cristina Loureiro dos Santos04:14

    A paz interior e a aceitação vão chegando, mesmo devagarinho... Um abracinho. Sempre aqui para te ajudar no que puder 😗🥴😥

    ResponderEliminar
  2. Anónimo00:02

    Esperança

    Se nunca murchassem as flores
    Nas mãos de quem as segura
    Dançaria para sempre no ar
    O cheiro que delas cura

    Lágrima calma de alegria
    A pétala que cai de ternura
    Desintegra-se em mil elementos
    Renasce depois com bravura

    DL

    ResponderEliminar

Conversas matinais

Deitada no sofá, obedecendo ao seu pedido, sinto as mãozinhas pequenas em festas, nos meus pés.      - Estou a pôr creme à vovó (carinha so...