16 julho 2026

Pássaro adormecido

 


Eduardo Kingman

1.

Sento-me na beira de um banco

no jardim de folhas leves e pássaros adormecidos.

As minhas mãos confundem o tempo

semeiam todos os beijos que não te dei

no verde transtornado do relvado.

 

Vagarosamente soltam-se as asas

iluminam-se as papoilas de encarnado

como se o veneno dos dias felizes

se espalhasse pelas encostas da tua ausência.

 

2.

Há vozes nas nuvens a tua voz

que me chama com o carinho

de quem sabe que morro sem ti

que me diz que a névoa voa

e que nada me dará a paz ansiada

a não ser aceitar a funda tristeza

de te não ter.

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