Mostrar mensagens com a etiqueta presidenciais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta presidenciais. Mostrar todas as mensagens

10 janeiro 2021

Dos regimes que escolhemos

PR 2021.jfif


Os debates das presidenciais foram dominados por André Ventura. Não que André Ventura se tenha mostrado merecedor disso, mas porque os media o elevaram ao centro de todas as atenções. Não só lhe deram protagonismo naqueles em que era um dos oponentes, na maioria dos casos pela demissão dos moderadores em cumprirem o seu papel, como nos outros em que a sua presença, mais uma vez assegurada pelas perguntas dos moderadores, era imposta.


Mais uma vez o papel dos media nas democracias é crucial, tanto pela indispensável necessidade da sua existência, pela pluralidade de opiniões e pelo escrutínio dos vários poderes, como pela capacidade de manipulação e modelação da opinião pública.


A forma como as prestações são avaliadas, nomeadamente a unanimidade das loas a Vitorino Silva, pela autenticidade, pela criatividade e pelo fantástico uso das metáforas, é espantoso. Chego mesmo a pensar que devo ter uns óculos diferentes dos restantes, pois tudo o que vi foi uma lamentável tristeza de inanidades ditas e reditas por alguém que se está a candidatar, é preciso que não nos esqueçamos, ao cargo de Presidente da República.


Debates de 30 minutos são tudo menos esclarecedores, mesmo que tivessem corrido brilhantemente. Na maioria dos casos as perguntas versaram tudo menos o que de facto importa na Presidência da República. Com raras excepções, como a postura dos candidatos aos acordos e maiorias de governo, por exemplo.


Para conhecer os candidatos, as suas posições políticas e éticas, a sua forma e opções de vida, era preferível entrevistá-los com calma. Assisti a duas entrevistas feitas por Rui Unas a Ana Gomes e a Tiago Mayan que foram muito mais informativas e interessantes que qualquer dos debates.


Penso que o mais importante objectivo destas eleições é reduzir ao máximo a abstenção e tentar mobilizar, no meio da pandemia, os cidadãos a votar. Temos de nos convencer que quanto mais longe estivermos das nossas obrigações cívicas, quanto mais nos demitirmos de intervir e de escolher, participando nos actos eleitorais, mais frágil será o nosso regime democrático.


E todas as eleições são importantes. Esta também é. De um momento para o outro o Presidente pode ser a peça fundamental da nossa vida colectiva. Para isso temos que escolher aquele que pensamos ser a melhor e mais apta pessoa para o desempenho dessas funções.


Os adeptos dos extremismos nunca se abstêm. Os moderados é que negligenciam esse seu dever. Basta assistir ao que se está a passar nos EUA. A omissão e o oportunismo de muitos dos que estavam perto de Trump, que permitiram que aquela criatura se candidatasse a Presidente e que, após a eleição, se mantivesse no cargo à custa de mentiras e de atitudes indignas e que envergonham os mais distraídos, são exemplos a que devemos estar atentos para que não se repitam aqui.


Não, André Ventura não tem graça, não é um fenómeno ridículo e residual. A verbalização dos mais negros instintos do ser humano passou a ser a norma, os insultos e a gritaria, o abandalhar da moral e da ética passou a ser vista como o novo normal, para usar um dos jargões da época.


Ouvi há dias alguém defender que a redução e quase desaparecimento dos hábitos de leitura têm como consequência um enorme encolhimento do vocabulário e da capacidade de elaborar pensamentos mais complexos, o que deixa os cidadãos acríticos e crentes nas mais diversas idiotices, presos dos aldrabões e vigaristas que proliferam. Se olharmos para os nossos aprendizes de Trump não podemos deixar de concordar.


Em tempo de pandemia há formas alternativas de exercer o direito de voto. Basta ir a este link para nos informarmos.


E pensemos, interroguemos as nossas consciências. Julgar os outros é muito mais fácil do que tentar perceber as dificuldades pelas quais passa tanta gente, pelos mais diversos motivos. O racismo, a xenofobia, o desrespeito pelas mais elementares direitos humanos nunca resolveu problemas, só causou caos, miséria e sofrimento atroz. As ditaduras nunca foram a resposta a pandemias, desigualdades, corrupção ou pobreza.

27 dezembro 2020

Presidenciais 2021

Tenho tentado ver as entrevistas conduzidas por José Adelino Faria aos candidatos presidenciais. É impossível. A arrogância, truculência, pesporrência, agressividade e sede de protagonismo do entrevistador apaga todos os esforços.


Ao contrário do que estes entrevistadores pensam - Miguel de Sousa Tavares, Ricardo Costa, Bernardo Ferrão - não são eles que nós queremos ouvir. Não me interessam minimamente as opiniões dos entrevistadores. Se eles quiserem fazer ouvir a sua voz política podem sempre candidatar-se.


É uma visão da democracia muito deles. E com a decisão de deixar de fora Vitorino Silva (Tino de Rans), por critérios que eles próprios decidem, à revelia da mais elementar noção da igualdade de oportunidades para todos os candidatos, é mais uma demonstração da cultura da omnipresença de decisores nunca mandatados por ninguém para decidirem.


A liberdade dos media é crucial num regime democrático. O papel dos media na manipulação da informação também é crucial. E estes sinais não são nada tranquilizadores. Não são novos, mas são mais fortes.


Insisto. Não tenho interesse nenhum nas opiniões dos entrevistadores mas tenho muito nas dos entrevistados. Gostaria imenso de poder ouvi-los sem interrupções constantes nem apreciações valorativas. Os eleitores é que julgam, nas urnas.


 


Nota: vale a pena ler este post.

19 maio 2020

Voltar ao (velho) normal

presidenciais.jpg


 


Realmente as candidaturas presidenciais para o próximo Janeiro não devem fazer parte das maiores preocupações dos portugueses.


Mas são importantes. Marcelo Rebelo de Sousa está em plena campanha eleitoral (se é que alguma vez deixou de estar). Note-se que tenho apreciado muitíssimo o seu desempenho que foi, para mim, uma enorme surpresa e agradável. Mas a verdade é que tem defeitos, como todos nós, felizmente.


Além disso Marcelo vem acumulando erros que considero graves, talvez na ânsia de se fazer notado, tentando rivalizar com a popularidade de António Costa. O episódio da transferência da verba inscrita no OE 2010 para o Novo Banco é disso um excelente exemplo.


Acho que ainda ninguém percebeu nada do que se passou, ou então percebemos todos bem de mais. António Costa não queria arriscar-se a ser acusado de dar tanto dinheiro à banca numa altura em que as camadas socialmente mais frágeis da população estão a ver os seus rendimentos, empregos, perspectivas de futuro, etc., esfumarem-se a uma velocidade estonteante. E por isso aquela promessa de não haver dinheiro para o Novo Banco antes de uma auditoria. Provavelmente esqueceu-se de acertar essa estratégia com o Ministro das Finanças. Depois Marcelo cavalgou a onda populista e resolveu interferir no governo, desautorizando Mário Centeno.


Enfim, esta explicação é tão boa como qualquer outra. Mas há alguns factos que são indesmentíveis, mesmo na época dos alternativos: a transferência da verba era conhecida por todos visto que estava no OE; não havia qualquer auditoria que pudesse parar essa transferência; Marcelo Rebelo de Sousa não tem nada que comentar as performances de qualquer ministro.


Portanto já estão todos fartos fartíssimos da COVID-19 e é preciso desatar a falar de outras coisas.



Como o Verão não vai veranear muito, temos nós que começar a inventar assunto. À falta do futebol, claro!

24 março 2020

Da política em tempo de COVID-19

presidente.png


Mensagem do Presidente da República ao País sobre a declaração do estado de emergência


Marcelo Rebelo de Sousa quis retomar a iniciativa política após a sua auto infligida quarentena um bocado extemporânea, que muitos louvaram e outros criticaram por não se justificar nas circunstâncias em que ocorreu.


Nesse sentido, e sempre com o Expresso como porta-voz oficioso, lançou-se imediatamente a imensa e irreversível emergência de decretar o estado da dita, dando ressonância à resistência do Primeiro-ministro.


Após o Conselho de Estado, e depois da amplificação da vontade do Presidente da República em decretar o Estado de Emergência, a decisão tornou-se irreversível até pelo alarme social a que se assistia. A atitude de António Costa só podia ser a de apoiar o Presidente, tal como aconteceu com o Parlamento, numa demonstração de grande responsabilidade institucional e de coesão entre os vários órgãos de soberania e poder.


Marcelo assumiu a responsabilidade e assumiu o protagonismo, essencial em tempo da crise já instalada e da que há-de vir, até porque as eleições presidenciais aí estão.


A convocatória a Mário Centeno para ir a Belém, com o Expresso a propagandear que Marcelo queria garantir que Centeno não abandonava o barco, imediatamente seguida pela insinuação de que teria sido a reunião com o Presidente a convencer Centeno a ficar e a assumir a sua responsabilidade, são exemplos gritantes de notícias plantadas. No mínimo essa insinuação é ofensiva. Nunca Mário Centeno assumiu que ia abandonar o governo e seria um suicídio político se o fizesse numa altura destas.


A confiança nos nossos governantes é essencial para que possamos atravessar esta grave situação. É indispensável que o escrutínio continue, através dos órgãos próprios e do jornalismo, ele próprio um órgão de controlo dos poderes quando não se transforma numa correia de transmissão de um qualquer projecto político, com é o caso.


Não quero ser mal interpretada. Como já aqui referi considero que no meio de tanta desgraça temos a felicidade de contar com um Presidente, um Governo e um Parlamento, com especial destaque para Rui Rio que tem tido uma postura de grande responsabilidade. Por isso me custam estas manobras, que me parecem dispensáveis.


Ou se calhar não. Pelo menos há um arremedo de que a vida continua.


E tem mesmo de continuar.

17 abril 2015

Dos erros (ex) Presidenciais

Se Ramalho Eanes apoiar a candidatura de Sampaio da Nóvoa para as próximas eleições presidenciais, o PS perde a possibilidade de apresentar, de forma explícita ou não, qualquer outro candidato da área do centro-esquerda que possa ampliar a base de apoio e protagonizar uma verdadeira mudança de ciclo político no País.


 


Como está cada vez mais à vista, o PS foi ultrapassado pelos acontecimentos e não consegue arrancar com alma e coragem, deixando a iniciativa nas mãos das forças políticas mais ou menos marginais à esquerda e nas mãos da direita, com Marcelo Rebelo de Sousa em grande actividade dando gás a esta candidatura.


 


Considero-a (mais) um erro estratégico da esquerda, que se perde nos entrincheiramentos monolíticos e reage a tudo como actos provocatórios, sem que lhe ocorra, àquela histórica esquerda revolucionária, criativa e desestabilizadora, ter alternativas e imaginação. Em vez do descabelamento e das juras de amor eterno ao Texto Constitucional, recusando (por blasfema) a hipótese de discutir a possibilidade de se escrever uma nova Constituição, deveria preocupar-se em avançar com propostas que renovassem a democracia e obrigassem a direita ao desconforto.


 


Infelizmente estamos a assistir ao contrário. Por isso parece-me um erro também de Ramalho Eanes adiantar-se neste apoio, arrumando por mais 10 anos a questão presidencial.

28 abril 2013

A República precisa de um Presidente

 



 


É bom que comecemos todos a pensar em quem deve substituir Cavaco Silva, de forma a devolver a dignidade a um cargo que tem sido amesquinhado e menorizado por este Presidente da República.


 


Cavaco Silva não sabe responder ao tempo que vivemos, não é capaz de ser uma referência de equilíbrio e apartidarismo, não representa o País nem garante a Constituição que jurou defender.


 


Após 39 anos da fundação do regime democrático, há que fazer uma profunda reflexão, iniciando pelo papel e importância das Instituições, a começar pela Presidência da República. E um indispensável passo para essa inevitabilidade é que seja eleito um Presidente em quem possamos confiar e de quem nos possamos orgulhar.


 

17 março 2012

Política (1)

 


Leonor Beleza, Maria de Lurdes Rodrigues, Assunção Esteves, Eduardo Ferro Rodrigues, são algumas pessoas sobre as quais as cúpulas partidárias poderiam pensar como possíveis candidatos à Presidência da República, pela necessidade e esperança de que a próxima disputa eleitoral nos faça eleger um futuro Presidente melhor que o actual. Não são nada consensuais. Mas isso seria bom sinal para um verdadeiro debate de ideias.


 


No entanto todos sabemos que o que menos interessa, principalmente às cúpulas partidárias, são debates ideológicos. A política, hoje em dia, é feita por gabinetes onde pululam jornalistas acéfalos, na esfera de gente pouco escrupulosa. É muito mais importante espalhar mentiras e vasculhar a vida privada de quem teve ou tem visibilidade, do que discutir a evolução da sociedade e do regime democrático, o papel do Estado em sociedades envelhecidas, a evolução científica e tecnológica no bem-estar das populações, enfim, o uso do poder para servir os cidadãos.


 

12 fevereiro 2011

Afirma-se e desmente-se

 


Como disse há alguns dias, era necessário saber ao certo o que se tinha passado no dia das eleições, para que se apurassem responsabilidades e se percebesse se teria havido possíveis implicações nos resultados eleitorais.


 


Após a prestação do Ministro Rui Pereira na Assembleia da República e do desmentido do ex-Director-Geral da Administração Interna, a confusão é ainda maior. No relatório encomendado pelo Ministro fica a saber-se que 770.000 eleitores deveriam ter recebido uma notificação sobre a mudança do número de eleitor e do local de votação. Ou seja, setecentos e setenta mil eleitores podem ter ficado sem votar.


 


É claro que considero que os eleitores também são responsáveis por não se terem informado. A verdade é que todos achamos que os outros são sempre responsáveis por aquilo que nos diz respeito a nós. Mas isso não pode apagar as responsabilidades do Ministério como um todo e do próprio Ministro em particular. E este novelo em que se está a transformar o relatório, as explicações e os desmentidos, é degradante. O Ministro deveria pedir a demissão.


 


Como disse ontem Correia de Campos, se Rui Pereira se tivesse demitido no próprio dia das eleições, era um herói, assim coloca-se, a ele e ao governo, numa situação cada vez mais desconfortável.


 

29 janeiro 2011

Do apuramento de responsabilidades

 


Passou uma semana desde o dia das eleições presidenciais. A demissão de Rui Pereira tem sido pedida todos os dias, com aumento de tom e de intensidade.


 


Como disse no próprio dia das eleições, considero lamentável que tenha havido pessoas, muitas ou poucas, que tenham tido dificuldade em votar por incúria dos respectivos departamentos estatais, seja por problemas técnicos, seja por não terem previsto e acautelado a situação, seja por não terem efectuado o que se lhes tinha determinado. Como é óbvio, é urgente que se apurem responsabilidades para que se possa actuar em conformidade.


 


Quando se fala de responsáveis tem que falar-se no Ministro da Administração Interna, responsável por tudo o que acontece sob a alçada do seu ministério, de bom e de mau. Mas acho estranho que, para além do CDS que pediu de imediato a sua demissão, o PSD tenha vindo, primeiro sugerindo depois exigindo a mesma demissão.


 


Em primeiro lugar seria importante saber se houve pessoas verdadeiramente impedidas de votar, e quantas, ou se houve dificuldade em votar, sentindo-se as pessoas dissuadidas por não quererem o desconforto da espera, etc. Não só porque é diferente, mesmo em termos de legalidade do acto eleitoral, como pelo possível significado em termos de resultados eleitorais. Já ouvi falar Paulo Rangel de dezenas de milhar de eleitores impedidos de votar. Se assim foi ainda mais me espanta que os partidos políticos não peçam a repetição do acto eleitoral. Porque se houve pessoas impedidas de votar, para além de tornar a eleição inválida é um problema gravíssimo que, aí sim, exigiria a demissão imediata do Ministro.


 


No entanto, se o caso foi o desconforto da espera e da confusão, levando as pessoas a desistirem de votar, embora o pudessem ter feito, apesar de grave e lamentável, não me parece que seja obrigatória a demissão do Ministro. É obrigatória a urgente conclusão do inquérito (e todos desconfiamos das urgências dos inquéritos) para que, posteriormente, o Ministro Rui Pereira analise a melhor forma de assumir a sua responsabilidade política.


 

24 janeiro 2011

Manuel Alegre

 


 







 


Manuel Alegre assumiu com clareza a derrota da noite. Sem ambiguidades nem desculpas, Manuel Alegre mostrou também o seu carácter. É nestes momentos que sabemos quem são as pessoas de bem. Podemos discordar violentamente delas, mas não deixamos de as aplaudir. E é também nessas horas amargas que a solidão deve doer mais. A sala do Altis estava muito vazia e a noite acabou demasiado cedo.


 


Não estive com Manuel Alegre nesta campanha, mas estive com ele na emoção de ontem, e presto-lhe a minha homenagem pela coragem e pelo serviço que prestou ao país.


 


Adenda: Que fique claro que considero um serviço ao país o facto de haver pessoas a candidatarem-se a cargos públicos. Tal como Fernando Nobre, Francisco Lopes, José Manuel Coelho e Defensor de Moura.


 

23 janeiro 2011

Presidente Cavaco Silva

 


 




 


Cavaco Silva é, de novo, Presidente da República. Foi eleito democraticamente, pelo que democraticamente aceitamos a vontade expressa livremente nas urnas.


 


Embora não seja surpresa é, para mim, uma desilusão. Manuel Alegre, como se esperava, não entusiasmou o eleitorado do centro-esquerda. A sua postura e prestação durante os últimos anos ditaram este resultado. O PS fez mal em ter apoiado a sua candidatura.


 


Temos, portanto, a vitória de uma visão de Portugal e dos portugueses, quanto a mim minimalista, conservadora e ultrapassada. Venceu o imobilismo e o Portugal bolorento. Esperemos que, daqui a 5 anos, haja uma verdadeira disputa eleitoral. Espera-nos um ano de instabilidade, com o PSD e o CDS a fazerem os cálculos para uma próxima legislatura. Veremos se o PCP e o BE estão dispostos a viabilizar os anseios do PSD.


 

Abstenção

 


É lamentável que a mudança para o Cartão do Cidadão não tenha acautelado o conhecimento imediato e fácil do número de eleitor. Mas mais lamentável ainda é tentar usar-se essa ineficiência, porque de ineficiência se trata, como argumento e desculpa para o aumento da abstenção.


 


Só não vota quem não quer votar e é bom que cada um de nós assuma a sua decisão. Mas para quem vê filas enormes para entregar o totoloto, para comprar bilhetes para concertos ou jogos de futebol, é ridículo invocar as filas para conhecer o número de eleitor como dissuasoras do voto.


 


É sempre mais fácil acusar o governo, o Estado, Deus ou "eles" do que alguém assumir que não tem opinião ou que não a quer ter.


 

Votar


 


Não há frio, vento, chuva, sol abrasador ou nevoeiro pesado que me impeça de votar. Votar é uma festa, um orgulho, um acto de cidadania. Votar é ter uma palavra a dizer sobre o nosso destino colectivo.


 


A democracia tem como base o poder das pessoas, do povo, do todo e de cada um de nós. As eleições são um dos momentos chave do regime democrático. Cada voto conta.


 


ADENDA: Não se enerve se não souber o seu número de eleitor. Basta:



  • ir ao site: http://www.recenseamento.mai.gov.pt

  • enviar um SMS para o nº 3838 com a seguinte mensagem: RE nº do Bilhete de Identidade/Cartão do Cidadão data de nascimento=AAAAMMDD

  • telefonar para 808 206 206

  • ir à Junta de Freguesia.

22 janeiro 2011

Meditando


Addis: North Wind and South Wind


 


E aqui estamos nós no meio de um sábado glorioso a matar horas para chegar o dia de amanhã. Como não podemos falar no assunto, podemos pensar, olhar, rir e suspirar pela enorme e monumental realidade que cairá nas nossas cabeças. Na realidade ela já caiu, mas é sempre bom pensar que poderemos ser salvos por algum desígnio divino ou terreno, no último segundo do último minuto, que na penumbra cósmica as forças se congregam e tudo tende ao momento zen.


 


E aqui estamos nós, preguiçosamente meditando no que já está muito meditado.


 


21 janeiro 2011

Votar no Domingo


  


Nós não podemos prolongar esta campanha por mais três semanas. Os custos seriam muito elevados para o país e seriam sentidos pelas empresas, pelas famílias, pelos trabalhadores, desde logo, pela via da contenção do crédito e pela subida das taxas de juro.


 


Arrastar esta campanha mais três semanas, por desviar as atenções daquilo que é essencial, lançaria custos acrescidos sobre todos os cidadãos portugueses. E é por isso que tenho apelado aos portugueses para que não fiquem em casa.


 


Cavaco Silva


 


Custa a acreditar que o actual Presidente da República e candidato à reeleição use estes argumentos para cativar os eleitores. Para Cavaco Silva os custos da democracia podem ser evitados.


 


Amanhã é dia de meditação e de contenção, um silêncio tornado ainda mais necessário para tentar acalmar a triste campanha a que assistimos, desde o BPN/SLN às ameaças de morte, à defesa dos animais e à candidatura de um colectivo partidário, tudo tem contribuído para dar a razão a quem reitera que não vale a pena votar.


 


Não concordo, nem nunca concordei, com boicotes eleitorais. A ausência de votos na região de Coimbra em protesto por causa do Metro parece-me totalmente deslocado, sem qualquer consequência. Nem a visibilidade da notícia fará qualquer diferença, enquanto que a demissão do acto eleitoral tem consequências directas nos próximos 5 anos.


 


A falta de poderes presidenciais é outro dos argumentos que sustentam a abstenção. No entanto, mesmo que sejam poucos, esses poderes podem ser cruciais e para os exercer é bom que o Presidente, mandatado pelo povo, esteja à altura de quaisquer circunstâncias.


 


O Presidente é também uma figura simbólica e de referência. Cavaco Silva é o símbolo do que passou, de um Portugal atrasado, pequenino, comezinho. O Portugal da minha senhora, do tenho que a sustentar, das manobras de bastidores, da manipulação dos media, da desonesta criação de factos políticos. Cavaco Silva é alguém que demonstrou que não é confiável.


 


É claro que só podemos escolher alguém de entre os que se apresentam para ser escolhidos. É nosso direito e nosso dever participarmos nessa escolha, nesse afirmar colectivo do que queremos ser.


 


Por isso no Domingo irei votar. Não me revejo em nenhum dos candidatos, mas ainda me revejo menos no candidato Cavaco Silva. No Domingo irei votar para que haja uma 2ª volta, para que seja possível derrotar Cavaco Silva.


12 janeiro 2011

Sem disfarce

 



 


Cavaco Silva largou o disfarce para assumir, mas disfarçadamente, a liderança da oposição.


 


Por muito que todos os comentadores encartados da sua área política de apoio todos os dias gritem que o FMI está mesmo a ultrapassar a fronteira, as coisas têm corrido mal à oposição. Parece que, afinal, o défice vai ser cumprido e que o leilão da dívida correu bem, tendo havido muito mais compradores do que títulos de dívida.


 


Passos Coelho, no fim-de-semana passado, avisou que o governo se deveria demitir caso o FMI fosse chamado a salvar Portugal. O que, aliás, é um disparate, porque é a Assembleia que deve demitir o governo. Segue-se a grave crise política, qual bandeira do Presidente e candidato presidencial, que só existirá se ele próprio a provocar, pois as razões de Passos Coelho começam a esvaziar-se.


 


É preciso votar no dia 23, é imperativo que se force Cavaco Silva a uma segunda volta.


 


08 janeiro 2011

Da incompetência

 



 


A entrevista de Judite Sousa a José Manuel Coelho é um monumento à inacreditável incompetência, soberba, enviesamento do que é o serviço público de informação.


 


Vale a pena ouvir. É vergonhoso.


 


Adenda: (...) Não tive vergonha por Coelho: não serei eu a julgar os estranhos meios a que é preciso deitar mão para resistir a tiranetes insulares. Mas tive vergonha por aquela jornalista, na televisão pública, a tentar ser mais ridícula do que um candidato que usa o ridículo como forma de guerrilha.
Quem só se agiganta perante os pequeno é por que é ainda mais pequeno.


 

Da diferença das campanhas negras

 



 


Após a releitura do post anterior torna-se necessário um esclarecimento. Não considero idênticas as campanhas de ataque ao carácter pré eleições legislativas e presidenciais. Na verdade, Sócrates foi alvo das mais descabeladas acusações, insinuações, desconfianças e insultos, a propósito de um caso fabricado por adversários políticos, versado à exaustão pelos meios de comunicação social. Esteve no centro de uma pornografia judiciária mas, mesmo depois de todo o esforço, não foi possível associá-lo a qualquer actividade criminosa. Estou a falar do Freeport. Depois veio o Face Oculta, mais uma triste actuação da nossa justiça, mais uma batalha suja entre os jornalistas independentes, mais assassinatos de carácter.


 


Em relação a Cavaco Silva, que se apresenta ao eleitorado como uma pessoa cuja integridade moral não é questionável, tanto em termos de valores como de excelência profissional, colocando-se num plano distinto dos outros actores políticos, descredibilizando a própria actividade política, abre todo o espaço para que se questione a veracidade dessa imagem.


 


Mais importante e interessante do que as acções do BPN/SLN, porque não se fala dos responsáveis pela administração do BPN? Quem são, o que fizeram, onde estão, o que têm a dizer? Não há quem investigue esses factos, ligações, comprometimentos e actos de gestão? E as instituições de supervisão, empresas de auditoria, Banco de Portugal? Não há jornalistas que se interessem por essas faces ocultas e silenciosas?


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...