29 setembro 2007

L'Accordéoniste

La fille de joie est belle
Au coin de la rue là-bas
Elle a une clientèle
Qui lui remplit son bas
Quand son boulot s'achève
Elle s'en va à son tour
Chercher un peu de rêve
Dans un bal du faubourg
Son homme est un artiste
C'est un drôle de petit gars
Un accordéoniste
Qui sait jouer la java

Elle écoute la java
Mais elle ne la danse pás
Elle ne regarde même pas la piste
Et ses yeux amoureux
Suivent le jeu nerveux
Et les doigts secs et longs de l'artiste
Ça lui rentre dans la peau
Par le bas, par le haut
Elle a envie de chanter
C'est physique
Tout son être est tendu
Son souffle est suspendu
C'est une vraie tordue de la musique

La fille de joie est triste
Au coin de la rue là-bas
Son accordéoniste
Il est parti soldat
Quand y reviendra de la guerre
Ils prendront une maison
Elle sera la caissière
Et lui, sera le patron
Que la vie sera belle
Ils seront de vrais pachas
Et tous les soirs pour elle
Il jouera la java

Elle écoute la java
Qu'elle fredonne tout bas

Elle revoit son accordéoniste
Et ses yeux amoureux
Suivent le jeu nerveux
Et les doigts secs et longs de l'artiste
Ça lui rentre dans la peau
Par le bas, par le haut
Elle a envie de chanter
C'est physique
Tout son être est tendu
Son souffle est suspendu
C'est une vraie tordue de la musique

La fille de joie est seule
Au coin de la rue là-bas
Les filles qui font la gueule
Les hommes n'en veulent pas
Et tant pis si elle crève
Son homme ne reviendra plus
Adieux tous les beaux rêves
Sa vie, elle est foutue
Pourtant ses jambes tristes
L'emmènent au boui-boui
Où y a un autre artiste
Qui joue toute la nuit

Elle écoute la java...
... elle entend la java... elle a fermé les yeux
... et les doigts secs et nerveux ...
Ça lui rentre dans la peau
Par le bas, par le haut
Elle a envie de gueuler
C'est physique
Alors pour oublier
Elle s'est mise à danser, à tourner
Au son de la musique...

...ARRÊTEZ !
Arrêtez la musique ! ...

[letra e música de Michel Emer (1942) – Edith Piaf: L’Accordéoniste]

Já telefonei...

Porque será que todos os perdedores em eleições se apressam a assegurar em público que felicitaram os ganhadores em privado?

Elite

Será que S. Pedro votou em Marques Mendes? Seguramente é um dos pertencentes à elite, tal como Paula Teixeira da Cruz.

Asfixia

Colou-se
à pele
este frio
esta mole
de medo
um vazio
moldou-se
ao corpo
asfixio.


(pintura de Mirtes Zwierzynski: It Was Disolved In Fear)

Capelanias hospitalares

A existência de Capelanias hospitalares e o pagamento pelo Estado a Ministros de uma confissão religiosa, seja ela qual for, é um prolongamento inaceitável de uma situação que vai contra o princípio da laicidade do Estado, inscrito na Constituição Portuguesa.

Uma coisa é o direito que os católicos têm (assim como protestantes, budistas, agnósticos, muçulmanos, ateus) de serem assistidos e confortados espiritualmente quando estão num hospital, doentes ou em acompanhamento de um amigo ou familiar doente. Outra coisa muito diferente é o estado pagar essa assistência e apenas a uma parte dos seus cidadãos, porque só o faz (que eu saiba) a ministros da Igreja Católica.

Este PSD

Ao contrário de que alguns pensam (gostariam), acho que a eleição de Luís Filipe Menezes aumentou o seguro de vida política e governamental ao Engenheiro Sócrates.

A julgar pela campanha que conduziu, a oposição será de tal forma inconsequente, populista e sem conteúdo que o PS não terá dificuldade em manter o poder. No PSD não havia alternativa credível, pois as hipóteses de uma liderança diferente foram aferrolhadas para um possível futuro longínquo, onde se resguardaram os tão falados barões, à espera de melhores dias e de melhor sorte, sem vontade nem brio para arriscar.

Mas esta não é uma alternativa credível para o país. Por muito barulho que faça, por muito que se ressuscitem algumas figuras como Santana Lopes, Duarte Lima, Rui Gomes da Silva, Arlindo Cunha, Ângelo Correia, figuras de antanho, este PSD está a transformar-se num grupelho com tiradas semelhantes às de Paulo Portas e com a relevância do CDS/PP.

Quanto à formação de novos partidos, essa solução já foi tentada noutras circunstâncias e não deu grandes resultados.

Temo que nas próximas eleições a abstenção suba vertiginosamente.

Les feuilles mortes

Oh ! je voudrais tant que tu te souviennes
Des jours heureux où nous étions amis.
En ce temps-là la vie était plus belle,
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui.
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle.
Tu vois, je n'ai pas oublié...
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
Les souvenirs et les regrets aussi
Et le vent du nord les emporte
Dans la nuit froide de l'oubli.
Tu vois, je n'ai pas oublié
La chanson que tu me chantais.

Refrão:
C'est une chanson qui nous ressemble.
Toi, tu m'aimais et je t'aimais
Et nous vivions tous deux ensemble,
Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais.
Mais la vie sépare ceux qui s'aiment,
Tout doucement, sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Les pas des amants désunis.

Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
Les souvenirs et les regrets aussi
Mais mon amour silencieux et fidèle
Sourit toujours et remercie la vie.
Je t'aimais tant, tu étais si jolie.
Comment veux-tu que je t'oublie?
En ce temps-là, la vie était plus belle
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui.
Tu étais ma plus douce amie
Mais je n'ai que faire des regrets
Et la chanson que tu chantais,
Toujours, toujours je l'entendrai !

Refrão

[letra: Jacques Prévert; música: Joseph Kosma (1946); intérprete: Yves Montand - Les feuilles mortes]

Fim de Setembro

Setembro acaba e já se perfilam o vento e a chuva, os dias cinzentos e o peso do quotidiano.

Somos bombardeados com títulos desesperantes e deprimentes, que nos conduzem a uma revolta permanente e a um descrédito nas estruturas, mas sobretudo nas pessoas que nos representam, que têm o dever de governar e de transformar o caos em ordem.

Os consumidores perdem a confiança, o petróleo sobe, os pobres empobrecem, os livros são mais caros, os horários dos estudantes são horríveis, os pais e as mães matam os filhos, a justiça entrega crianças aos bandidos, as prisões soltam perigosos criminosos, desmantela-se o serviço nacional de saúde, o Irão tem a bomba, na Birmânia assassinam-se populações que clamam por liberdade, rebentam suicidas em autocarros apinhados no Afganistão e no Iraque.

Em toda esta avalanche informativa sinto-me uma bandeira ao vento, sem tempo nem capacidade para procurar a luz ao fundo do túnel, os factos por entre as interpretações e opiniões, alguma coisa mais próxima da realidade.

A dúvida metódica é uma atitude que, levada ao seu máximo expoente, pode paralisar o progresso ou até a simples existência rotineira da vida. Mas quando se vai percebendo que aquilo que se lê, se ouve, se vê, é apenas uma ínfima e camuflada parte do todo, as crenças no rigor e na competência vacilam, resultando no exagero da dúvida perpétua.

A possibilidade de tudo ser mostrado, comentado, expressado, é uma conquista inalienável da democracia e algo porque devemos lutar sempre. Só assim é possível comparar muitas partes ínfimas da verdade, misturá-las, somá-las e hierarquizá-las. Pressupõe-se, no entanto, que há boa-fé por parte de quem informa e de quem é informado.

Mas apercebemo-nos de que isso é uma ficção. Assim como é cada vez mais ficcional a possibilidade de se sentir informado, não pela existência de censura ou por falta de informação, mas pela omnipresença da desinformação, seja ela intencional ou resultado de negligência, ignorância ou incapacidade profissional.

Vamos, a pouco e pouco, procurando o refúgio de uma realidade virtual, de assuntos pouco complicados, cuja escolha por nós decidida não implica desestruturação de estilo de vida, de novas formas de pensamento, de novas dúvidas.

Vamos, a pouco e pouco, perdendo a capacidade crítica, pelo exercício sistemático da incerteza.

Em Setembro voam folhas caducas, amareladas, quebradiças, preparando os ramos para o pousio invernal, para o renovar da vida na Primavera.

Que estamos nós a preparar? Que vamos nós construir?

27 setembro 2007

Critérios editoriais

Não concordo com Santana Lopes. Fez um mau serviço ao país e ao seu partido quando foi um péssimo primeiro-ministro. Não gosto da atitude, da postura, do ar blasé, do populismo, da irresponsabilidade, de quase tudo o que lhe diz respeito.

Mas ontem fez aquilo que já há muito alguém devia ter feito: afrontar o sacrossanto critério jornalístico, a omnisciência do sempre comentador Ricardo Costa.

Já na cerimónia de posse do Presidente da República a SIC notícias interrompeu o discurso de Jaime Gama para que alguns comentadores, nomeadamente o próprio Ricardo Costa, dizerem algumas inanidades, considerando-se muito interessantes.

Desta vez tiro o meu chapéu a Santana Lopes. E a SIC notícias faria melhor em reconhecer o erro e pedir desculpa a Santana Lopes e principalmente aos espectadores, diariamente desrespeitados por esses excelentíssimos critérios editoriais.

26 setembro 2007

Deste lado

Algo indistinto e profundo
impede a porta de fechar.

O peso em pesadelos
doces e cruéis perfumes
sedosos fios de chumbo
sentidos a definhar.

Algo irrelevante e obscuro
impede o olhar.

Parte o espelho
e foge.

(pintura de Stephen Barclay: Broken Window)

Roda livre

O espectáculo degradante a que todos nós assistimos pela performance dos dois candidatos a líderes do PSD é, para além do mais, muito preocupante.

José Sócrates continua em roda livre, sem ninguém que o interpele, que o incentive a fazer melhor, sem mostrar que é uma alternativa. O pensamento único de líder único e indiscutível nunca foi benéfico.

O Primeiro-Ministro não precisa de se esforçar para continuar no poder. E o país bem precisa que se esforcem por ele.

23 setembro 2007

As vidas dos outros

Depois do cartaz, a intimidade da arte na nossa casa, embrulhada em mim própria, só, eu e o filme. Uma história de pessoas e valores, de gradientes e de sofrimento, de idealismo e resistência.

Uma história brilhantemente interpretada, num tempo escuro e invernoso, num tempo perigoso, de demissão e denúncia, de solidão e companheirismo, de amargura e esperança.

Às vezes alguém redime as culpas dos outros, redimindo as suas. Às vezes os outros somos nós, que insidiosamente invadimos, que vagarosamente trituramos, que silenciosamente amamos.

"Ser ou não ser, isso É a questão"

Hamlet de William Shakespeare mostra-nos o génio do escritor.

Em cena no Teatro Maria Matos, a peça é o texto e os actores que lhe dão vida.

Um palco totalmente depurado de adereços, um som que se manifesta entre as cenas, nunca deixando transparecer tempos mortos, uma iluminação minimalista.

O teatro é o texto e os actores, com as palavras bem pronunciadas, às vezes um pouco gritadas, com solenidade e pesar, onde até os momentos mais leves prenunciam tragédia, onde os pés descalços servem a discrição dos movimentos que possam distrair das palavras.

A roupa escolhida é uma mistura intemporal, que faz lembrar histórias de fadas e príncipes, de cavaleiros e reinos, óbvia nos vestidos da rainha (Gertrudes), com excepção do rei (Cláudio) e do pai de Ofélia (Polónio), que vestem colete e gravata, para mim uma opção incompreensível.

O início e o fim da peça são fabulosos, com os espelhos e as máscaras que invocam as várias faces que nos moldam e que usamos, num drama em que todas as emoções humanas são violentamente tratadas. Duas horas e meia com ritmo e intensidade paralelas, sem deixar que se abrande a atenção de quem assiste, transformaram esta tarde de domingo num magnífico início da minha temporada de Outono.

  • HAMLET - William Shakespeare
    (tradução de Sophia de Mello Breyner Andresen e adaptação de João Maria André)
  • versão cénica e encenação - João Mota
  • cenografia - José Manuel Castanheira
  • figurinos - Carlos Paulo
  • música - José Pedro Caiado
  • desenho de luz - João Mota e Zé Rui
  • interpretação - Albano Jerónimo, Alexandre Lopes, Ana Lúcia Palminha, Carlos Paulo, Diogo Infante, Frédéric Pires, Gonçalo Ruivo, Hugo Franco, João Ricardo, João Tempera, Jorge Andrade, José Pedro Caiado, Miguel Sermão, Natália Luíza e Raúl Oliveira
  • execução musical - Hugo Franco e José Pedro Caiado
    co-produção - Comuna Teatro de Pesquisa e Teatro Maria Matos

(pintura de Delacroix: Hamlet e Horácio)

22 setembro 2007

Ondas

Chegaremos às ondas
sedentos de mar de bruma
de barcos.

Que as auroras de espuma
nos guiem para além do eco
dos deuses.


(fotografia em friskyreddog: bluewave)

Incompatibilidades

Sabemos bem que o objectivo do BE é ocupar alguns minutos da atenção de uma forma populista e demagógica, usando a sua farda moralista e de superioridade moral, que está bastante encolhida desde o episódio Verde Eufémia.

Mas a questão, independentemente do erro nos protagonistas, é real e deveria ser objecto de rigor legislativo e da verve crua e certeira do nosso tão prolixo ministro Correia de Campos.

Não sei quantos médicos deixaram o SNS e suspeito que serão muito menos do que o que se apregoa, numa excepcionalmente bem montada manobra propagandística dos grupos privados de saúde. Mas o Ministro e o Estado deveriam aprender algumas lições com esses grupos.

Uma delas é a fidelização dos colaboradores, ou seja, o objectivo de ter os profissionais a trabalhar a tempo inteiro para o grupo.

Outra o elogio e o respeito (mesmo que mais explicitado do que praticado), as condições de satisfação profissional, de realização pessoal, de acarinhamento e de sentimento de pertença.

Outra a exigência, a avaliação e o rigor. Sou totalmente a favor de controlos de qualidade, relatórios de desempenho, avaliações de produtividade, melhoria de eficiência. Mas também sou a favor do espírito de corpo, de boas condições de trabalho, de remunerações dignas, de respeito de parte a parte.

Talvez não fosse má ideia o Estado perceber que (ainda) tem os melhores e pode melhorar (ainda) a qualidade dos seus recursos humanos, utilizando a inspiração de Correia de Campos no reconhecimento público e continuado do excelente serviço público que a grande maioria dos profissionais praticam, mesmo não ouvindo elogios, mesmo tendo um salário construído com base na soma de um vencimento curto e desprestigiante com vários tipos de subsídios e estratagemas.

Exigir, responsabilizar, avaliar e credibilizar, aceitar a incompatibilidade de funções exercidas na função pública e no sector privado, fidelizando os seus funcionários com um pouco mais do que palavras destemperadas e desagradáveis, criando um verdadeiro espírito de equipa, fazendo sentir que o melhores estão no melhor lugar, trabalham o melhor possível e, por isso, são os mais apoiados.

Seria muito mais difícil a Francisco Louçã atrapalhar, mesmo que por pouco tempo, o Primeiro-Ministro que demonstrou, mais uma vez, pouca flexibilidade no encaixe e, pior, nenhum argumento credível.

19 setembro 2007

Assiduidade biométrica

Estamos mesmo na rentrée. Mas, pelos vistos, a moda não se alterou e voltámos aos mesmos assuntos do ano passado.

O controlo de assiduidade e pontualidade nos hospitais do SNS é indispensável, e não consigo perceber qual é a lógica de se defender o contrário. O argumento da rigidez desse controlo por se utilizar um método biométrico é absurdo e demagógico.

Só haverá rigidez no controlo da assiduidade e na pontualidade se os funcionários resolverem boicotar o método. O despacho é bem claro ao adoptar períodos de aferição para compensação de presenças até 90 dias (3 meses).

O tipo de trabalho efectuado e as funções exercidas deverão ser tidas em conta na obrigatória flexibilidade dos horários de entrada e saída, dentro de certos limites que permitam um funcionamento equilibrado dos serviços, com recurso a desdobramento de turnos e compensações de horas já feitas ou por fazer. Se a carga horária for distribuída tendo em conta este e outros factores (horas de formação, pesquisa e consultadoria) só há razões para aumentos de produtividade.

Ser pontual e assíduo não significa entrar rigidamente a uma hora e sair rigidamente a outra.

Mas ainda alguém vai nesta conversa?

Abismo

Desato as mãos que me sustêm.

Sento-me no nada
esperando que a doçura
do teu olhar
me embale na queda.

(pintura de Georg Baselitz: Bussard)

Luxos

A DECO revelou que, num estudo efectuado em 20 escolas, se conclui que, dentro das salas de aula está frio e húmido no Inverno e o ar tem pouca qualidade. O Ministério da Educação contra ataca, defendendo que o estudo é tecnicamente deficiente e que a DECO se está a promover à custa do alarmismo dos cidadãos.

Não conheço o estudo e não sei se 40 salas de aulas em 20 escolas são uma amostragem representativa do universo escolar. Só pelo número não pode assumir-se que não é, pois as sondagens pré eleitorais, assim como os estudos epidemiológicos, estudam uma percentagem da população para se poder extrapolar os resultados para a generalidade da mesma.

Se a DECO se está a promover, até acredito que sim. Mas a realidade, independentemente das manobras publicitárias eventualmente existentes, é que o parque escolar é muito mau, mesmo que não todo uma enorme fatia dele.

Em quantas escolas há aquecimento no Inverno e arrefecimento no Verão? Quantas escolas têm cacifos para os alunos pendurarem casacos e guardarem as pilhas de livros e cadernos que todos os dias carregam? Quantas escolas têm balneários adequados à prática de ginástica e outros desportos, que fazem parte dos seus curricula? Quantas escolas têm acessos adaptados a deficientes, escadas largas e suaves para os mais idosos (professores, por exemplo)? Quantas escolas têm entradas e saídas seguras? Quantas escolas necessitam de obras de manutenção e melhoramentos nos pátios, nas casas de banho, nas salas de aulas, nas salas de professores, nas cantinas, nas bibliotecas?

O Ministério escusa de se ofender pois a responsabilidade é dele, deste e dos outros todos, e de todos os nossos governantes que investem em rotundas, estádios de football e semelhantes, em vez de investir em escolas.

E é de todos nós porque até achamos natural estar entro de uma sala de aula com duas camisolas e luvas por causa do frio. Nas escolas, nos Hospitais ou noutros locais da responsabilidade do maior empregador e prestador de serviços que é o estado.

16 setembro 2007

Rentrée

Estamos na rentrée. Para quase todas as actividades Setembro é um recomeço.

O PS e Sócrates estão no governo há 2 anos e meio. Falta meia legislatura.

Gostaria de ouvir o primeiro-ministro a fazer o balanço destes primeiros anos, comparando o que foi prometendo com o que foi cumprindo, área por área, atitude por atitude, ministério por ministério, com datas, números, percentagens e tudo.

Gostaria depois de ouvir a avaliação do trabalho feito, a análise do que correu bem, do que correu mal, porquê e como se vai corrigir, o que falta atingir e as estratégias para o conseguir.

Em todas as actividades há planos de actividades e relatórios de actividades.

No meio de todo o ruído de fundo, de toda a retórica partidária, gostava de ouvir o PS a debater as grandes questões nacionais, a exigir do governo que apoia, a exigir de si próprio compromisso e seriedade.

Já estamos a meio de Setembro.

Lamentos Presidenciais

O Presidente Cavaco Silva, que tanto gosta de gerir silêncios e tabus, resolve comunicar a sua opinião em ocasiões e sobre aspectos para mim totalmente incompreensíveis.

Com tanto assunto sério para debater, Cavaco Silva expressa o seu lamento pelo soco, ou tentativa de soco, que Scolari dá a um jogador sérvio.

Mas melhor melhor, foi a recomendação aos empresários de não empregarem os jovens cedo de mais… Como se não houvesse desemprego jovem que chegue.

Lamentável, de facto.

Vibrantes desafinações

Como de costume, toda a gente fala agora do rugby, mesmo que tenha sido um desporto completamente marginal e esquecido, como é o atletismo e o baskteball, com excepção das vezes em que há portugueses a ganhar, sendo promovidos a heróis nacionais, para depois caírem, novamente, num ingrato esquecimento.

Ontem, por acaso, assisti a uma reportagem sobre o jogo entre Portugal e Nova Zelândia, podendo comprovar o brilhante, emotivo, vibrante e absurdamente desafinado assassinato do hino nacional, perpetrado pelos nossos recentes heróis, e tão do agrado de bloguistas e jornalistas, que têm elevado à mais alta potência um desporto que, quanto a mim, é um ritual bárbaro reminiscente da rusticidade e bravura humanas (género masculino, do tempo em que os animais falavam).

12 setembro 2007

Inaceitável

Absolutamente inqualificável a total promiscuidade entre o estado e seus representantes e a Igreja Católica.

Era bom que o Primeiro-Ministro, em vez de se benzer numa cerimónia oficial, de abertura do ano lectivo, usasse a sua diligência para fazer cumprir as leis do país.






(fotografia da primeira página do Público)

Autonomia política

É claro que Tenzin Gyatso, o Dalai Lama, prémio Nobel da paz em 1989, não é apenas um simples monge budista. É um líder político e religioso, que luta pela libertação política do Tibete.

Como prémio Nobel da paz e como um lutador e incansável defensor dos direitos humanos, merecia ser oficialmente recebido pelo Presidente da República. Também Ramos Horta fazia périplos políticos, para colher apoios para a causa da independência de Timor.

11 setembro 2007

Esperemos

Hay otros días que no han llegado aún,
que están haciéndose
como el pan o las sillas o el producto
de las farmacias o de los talleres:
hay fábricas de días que vendrán:
existen artesanos del alma
que levantan y pesan y preparan
ciertos días amargos o preciosos
que de repente llegan a la puerta
para premiarnos con una naranja
o para asesinarnos de inmediato.

(poema de Pablo Neruda; fotografia do golpe militar, Santiago do Chile - Setembro, 11, 1973)

Setembro, 11, 2001

Há algumas datas incontornáveis.

O dia 11 de Setembro de 2001 ficou gravado na memória da nossa próspera e democrática civilização como o dia em que o medo entrou no nosso quotidiano.

Desde essas fantásticas e irreais imagens de aviões a entrarem pelas torres gémeas, de uma cidade imperial de um país inexpugnável, numa orgia de destruição, que há um esforço concentrado para nos demonstrar que tudo, ou quase tudo é permitido em defesa da nossa insegurança.

Passados 6 anos de reinado deste medo, gerido e manipulado por alguns poderes, estamos mais sós e mais isolados, tremendo quando se brandem as ameaças da fé.

Mas o medo gera mais medo e terror. Se não formos firmes na defesa das nossas fragilidades perderemos até as razões que nos impelem à justa indignação e horror.


(pintura de Helga Krakolinig: nine-eleven-4)

10 setembro 2007

Lágrima de preta



Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

(poema de António Gedeão – 10 de Setembro de 1959)

08 setembro 2007

Oposição (2)

Alerta de Marques Mendes, candidato à liderança do PSD (em 2007):
  • Sem credibilidade, ninguém ganha uma eleição. E para ganhar é essencial ganhar o respeito dos portugueses e a sua confiança nas urnas. Um líder do PSD e candidato a primeiro-ministro tem de ser um exemplo de credibilidade, tem de ser coerente, corajoso, firme. Não pode mudar de opinião como quem muda de camisa, nem ter hoje uma opinião e amanhã outra. Tem de ser um exemplo de consistência, coerência, estabilidade e credibilidade política
  • Há ano e meio, nas primeiras directas, não tive qualquer adversário. Agora temos novas directas e, felizmente, já tenho um concorrente nesta disputa. A razão é esta: há um ano e meio era muito difícil, ninguém queria este lugar. Todos achavam que o engenheiro Sócrates era invencível, que o PS estava para durar longos anos no Governo. Agora, passou de invencível a derrotável
  • Há milhares de portugueses que acham que o primeiro-ministro pode ser derrotado e deve ser derrotado. Por isso tenho um adversário nestas eleições. Ainda bem. Isto prova que estamos no bom caminho e que fizemos uma grande oposição
  • a caminhada em direcção ao governo do país
  • Portugal merece melhor
  • (PSD) pode ganhar as eleições em 2009
  • Prometo baixar gradualmente os impostos, começando pelo IVA, IRC e depois outros impostos
  • (Sócrates) o campeão da arrogância e do aumento de impostos em Portugal
  • Queremos ganhar em 2009, vamos ganhar em 2009. Portugal é uma sociedade bloqueada: o desemprego cresce, a saúde está mais cara, a educação não melhora, o poder de compra e as pensões diminuem. Isto não pode continuar. Mas não é uma fatalidade. O problema não são os portugueses. Hoje Portugal é um caso de insucesso na Europa. Se houver credibilidade, coragem, espírito reformista e políticas acertadas, Portugal pode voltar a crescer

E assim vai a nossa oposição de direita.

Adenda: Eurosondagem para a Renascença/SIC/Expresso (07/09/2007):

  • PS - 45,2% (anteriormente 43,3%)
  • PSD - 30,3% (anteriormente 33%)
  • PCP - 9,2% (anteriormente 7,7%)
  • BE - 5,5% (anteriormente 6,9%)
  • CDS/PP - 5,0% (anteriormente 4,8%)

Oposição (1)

Alerta do PCP relativamente à política deste governo (em 2007) do PS:
  • trata-se de uma política de cujo conteúdo essencial emergem sinais de iniludível cariz fascizante
  • política de direita
  • o governo PSD/José Sócrates leva essa ofensiva mais longe e mais fundo do que qualquer governo anterior e confere-lhe uma tónica crescentemente antidemocrática
  • ataque feroz aos direitos dos trabalhadores
  • liberdades políticas, designadamente à liberdade de expressão e de opinião
  • direitos, liberdades e garantias dos cidadãos
  • independência e soberania nacional
  • (o governo escolhe) como alvo prioritário os valores de Abril que venceram o fascismo
  • os perigos que espreitam a democracia do país são por demais evidentes
  • luta das massas trabalhadoras
  • travar a tentativa perigosa do Governo e do PS para descaracterizar a Constituição laboral
  • contra a injustiça e a insegurança
  • com o PCP, por um Portugal de futuro

Penso que o PCP e a Festa do Avante se transformaram numa celebração do tipo dos festejos da Nossa Senhora da Rocha, de tal forma típicos e genuínos que são, com os seus rituais de linguagem e música, a sua mística, o seu enlevo. Jerónimo de Sousa é um verdadeiro filho do proletariado, que fala às massas trabalhadoras contra os perigos do fascismo, o avanço do grande capital e a luta pela defesa das conquistas de Abril.

E assim vai a nossa oposição de esquerda.

Atrevimento

Ao fim de algum tempo, em que se tinha tornado uma rotina o hábito de viver com chama morna, arrastada pela vertigem do tempo, atrevo-me a abrir os olhos, sentir as nuvens como carícias, orientar o aparente caos que me envolve, a ter coragem de gozar esta felicidade.


(pintura de Natasha Wescoat: blossoming happiness)

Remunerações e carreiras no SNS

Segundo uma notícia do Expresso (01/09), de que tive conhecimento através do blogue Saúde SA, o Ministro da Saúde terá criado um grupo de trabalho para avaliar as carreiras e remunerações no SNS, no âmbito da reforma do Estado.

Faço votos para que o trabalho seja rápido e eficiente, pois é imperativo que se reestruturam as carreiras específicas dos trabalhadores da saúde, acabando com os inúmeros subsídios, horas extraordinárias e outro tipo de suplementos, que poderão chegar a quase 40% do vencimento base.

Esperemos que o novo regime, conjugado com o sistema de avaliação de desempenho, possa servir para definir remunerações dignas, que correspondam ao trabalho desenvolvido, ao desempenho e à responsabilidade inerente a cada função.

Náusea

O caso do desaparecimento de Madeleine McCann, por muito que queira manter-me afastado dele, teima em permanecer como um ruído ensurdecedor de imagens conflituais, emoções escondidas e náusea.

Náusea pelo circo montado à volta do rapto ou morte da criança, dos pais, do peluche, dos amigos, das polícias, dos jornais, das televisões, do site, dos balões, das flores, das fitas amarelas, das orações, do Vaticano, das entrevistas, dos cães, do cheiro a morte, do sangue no carro, dos laboratórios forenses, dos opinantes advogados, dos comentadores psicólogos, dos peritos médicos, dos populares que apoiam e apalpam e choram e gritam, dos populares que apupam e vaiam e insultam e gritam.

Não sei o que se passou, mas a hipocrisia de tudo e de todos é chocante, assim como ver as feras a espreitarem as presas e a afiar as garras antes de as abocanharem.

07 setembro 2007

Nessun Dorma

Nessun dorma! Nessun dorma!
Tu pure, o, Principessa,
nella tua fredda stanza,
guardi le stelle
che fremono d'amore
e di speranza.

Ma il mio mistero e chiuso in me,
il nome mio nessun sapra!
No, no, sulla tua bocca lo diro
quando la luce splendera!

Ed il mio bacio sciogliera il silenzio
che ti fa mia!

(Il nome suo nessun sapra!...
e noi dovrem, ahime, morir!)

Dilegua, o notte!
Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle!
All'alba vincero!
vincero, vincero!


(Puccini; Ian Pollock: Pavarotti)

06 setembro 2007

Sal

De lado como as aves
oblíquo desejo nocturno
descanso os olhos.

Sabes-me a sal.


(pintura de Nick Ashby: Night Birds)

Cadeia

Desenhamos as mãos na mesa
numa cadeia incandescente
dedos madeira
olhos
cansados da distância
do azul que somos por fora
sempre fora
desta cadeia evanescente.

(mobiliário desenhado por Kendall LeCompte: Patio Table and Chairs)

04 setembro 2007

Choque informático


Parece que a política de investimento na tecnologia, na informática, em simplexs e outras siglas semelhantes está a dar frutos.

Há coisas extraordinárias, não há?

A defesa do "Modelo Social Europeu"

(...) Ao princípio da solidariedade acresce uma concepção ética e moral do progresso sem a qual os valores fundadores da ideia europeia definham: a incessante busca da paz, a afirmação da liberdade e dos direitos humanos, o espírito de comunidade, o imperativo de equidade e de justiça social, a dignificação do trabalho e a procura de uma responsabilidade cívica mais alargada e mais libertadora. (...)

(...) Com o sucesso das políticas eminentemente redistributivas do rendimento, inspiradas na ideia do Welfare State, a Europa construiu um elevado padrão de protecção social que, apesar das muitas diferenças entre Estados, se designa geralmente por “modelo social europeu”. Mesmo com as limitações e os defeitos que lhe possam ser inerentes, a verdade é que esse modelo social integra hoje a própria identidade europeia. (...)

(...) Facilitar a participação no mercado de trabalho, responsabilizar e dignificar o contributo de cada um na produção da riqueza e do bem-estar, num processo que já se designa de inclusão activa, é a melhor protecção que pode ser dada a um cidadão contra a pobreza e a exclusão social. (...)

(...) O combate à pobreza e à exclusão é um desígnio que não se confina às fronteiras geográficas da União Europeia. A dimensão externa do princípio da solidariedade é, em primeiro lugar, reflexo dos valores humanitários que inspiram o projecto europeu. Se aos tradicionais bloqueios ao desenvolvimento dos países pobres se juntam agora os problemas decorrentes da globalização, então o combate à pobreza e ao subdesenvolvimento terá de ganhar uma expressão global. Só assim poderá ter sucesso. (...)

Excertos do discurso do Presidente Cavaco Silva no Parlamento Europeu.
(via Causa Nossa)

Há coisas extraordinárias, não há?

Cadeias bloguísticas

Respondendo ao desafio do Pedro Correia de indicar 10 livros que não mudaram a minha vida, empoleirei-me no banco e retirei 10 livros das prateleiras.

É de realçar que há livros que considerei muito bons quando os li pela primeira vez, transformando-se em intragáveis após alguns anos. O contrário também se passa, e já descobri algumas preciosidades quando venço o preconceito de não ter gostado à primeira.

Quando não gosto de um livro tenho tendência a abandoná-lo, mesmo depois de algumas semanas em pousio na mesa-de-cabeceira. E cada vez me acontece mais. Estou menos paciente e mais exigente, talvez.

E são eles:
  1. A voz melodiosa – Monserrat Roig
  2. O fio do horizonte – Antonio Tabucchi
  3. Exortação aos crocodilos – António Lobo Antunes
  4. A Rainha do sul – Arturo Pérez-Reverte
  5. Correcções – Jonathan Franzen
  6. O confessor – Daniel Silva
  7. Psicopata Americano – Bret Easton Ellis
  8. O alquimista – Paulo Coelho
  9. Dança de família – David Leavitt
  10. O pêndulo de Foucault – Umberto Eco

E para não quebrar a cadeia, vou desafiar 5 blogueiros para o mesmo:

Isto é divertido!

(pintura de Robert Gaudreau: books)

02 setembro 2007

Não posso adiar o amor para outro século

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepita e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração


(poema de António Ramos Rosa; pintura de
Vincent Romaniello: gray gird)

Triste Festa

De novo a Festa do Avante, de novo as FARC. De novo?

A Festa do Avante, há muitos anos, teve um papel relevante na divulgação de determinado tipo de cultura e de um ideal de sociedade que, no Portugal do pós 25 de Abril, era aceite como a terra prometida da liberdade, da democracia, da igualdade, da felicidade a que todos poderíamos aceder.

Como fomos descobrindo, mais ou menos dolorosamente, essa utopia baseava-se numa realidade bem diversa, em que as perseguições políticas, a censura, o atraso no desenvolvimento tecnológico criou uma sociedade de uma imensa maioria de tolhidos, revoltados, pobres e excluídos, e uma escassíssima minoria de privilegiados, ditadores e corruptos, tal como em todos os estados ditatoriais.

Por ser um regime fundamentado na ideologia socialista, de esquerda, a mesma esquerda política ainda hoje tem alguma dificuldade em descolar da depressão que se seguiu à queda do muro, à exposição do engano e à desilusão.

Só assim se compreende a retórica de algumas pessoas bem intencionadas mas presas de um passado que não volta mais. E não me estou a referir aos dirigentes dos partidos políticos que acabam por ser cúmplices de indiscutíveis e indesculpáveis atentados à liberdade e à democracia, como é a manutenção de desculpas ridículas sobre a natureza das FARC, convidadas da Festa do Avante, ou o permanente elogio do regime cubano e seus amigos.

É muito triste que o debate ideológico esteja preso a cumplicidades que não se entendem, e que conspurcam à partida a boa fé de quem argumenta.

Entretanto, Putin soma, segue e continua. Tudo é nebuloso e escuso, jornalistas assassinados, envenenamentos de contornos pouco precisos, livros à medida da mentira e da manutenção da censura.

A Festa do Avante transformou-se numa caricatura de si mesma.

Adenda: ler também O PCP, os ditadores e o anti-comunismo, e A desonestidade política do PCP.

Serviço público

Muito já se falou sobre a invasão da plantação de milho transgénico. É interessante assistir a alguns comentários à prestação de Mário Crespo na entrevista que fez a Gualter Baptista (28 anos, engenheiro do ambiente).

Não sou particularmente apreciadora do estilo redondo e palavroso de Mário Crespo, da excelência de conteúdos ou das suas opiniões, que não deveriam ser manifestas nas entrevistas que faz.

Mas exceptuando o estilo, Mário Crespo apenas fez o que muitos jornalistas não fazem: confrontar o entrevistado com as suas posições, com as suas palavras, com os seus actos, descascando a retórica e as frases feitas de modo a assistirmos à coerência (ou falta dela) do entrevistado.

Na verdade o grande delito de Mário Crespo foi ter exposto, sem compaixão (e com gozo, convenhamos, que não lhe ficou bem), a total ausência de pensamento estruturado, de conhecimento científico e de carácter de um indivíduo que se reclama estar a restabelecer a ordem ecológica, moral e democrática que tem sido constantemente deteriorada pelas políticas da União Europeia e pelo Governo português. Ainda por cima tentando demarcar-se da própria acção, querendo dar a entender que estava lá sem lá estar.

É pena que noutras entrevistas esta moda não pegue. Porque seria, de facto, uma excelência de conteúdo e um verdadeiro serviço público.

Milésimo

Este é o milésimo texto que escrevo neste blogue. Com maior ou menor regularidade, com maior ou menor inflamação, com maior ou menor reflexão, mas sempre com um gozo enorme, vou usando este espaço como uma forma de participar no mundo.

Tenho lido muitos outros blogues, muitas outras paixões, às vezes intimistas, às vezes azedas, muitas vezes divertidas, que vão enriquecendo e maturando as minhas próprias ideias.

É muitíssimo interessante fazer parte desta comunidade, que se alimenta a que serve de alimento a outros tipos de meios de informação, sendo neste momento uma extraordinária fonte de informação e de actividade da sociedade civil. É também extraordinária a capacidade de agressividade insultuosa de quem se esconde atrás de um anonimato e da possibilidade, que pensa democrática, de espalhar maledicência e fel.

A todos os que me visitam, lêem e comentam agradeço, pois é gratificante perceber se o que dizemos ou pensamos é, pelo menos, perceptível, mesmo que de orientação totalmente diferente. E assim vou continuar.

01 setembro 2007

Vamos lá

Depois do imenso espreguiçar do país em Agosto, todos afinam máquinas e competências para Setembro.

Talvez seja o tempo mais propício ao pensamento e à acção, talvez os nossos representantes se tenham cansado de tanta inanição.

Fermentou a crítica dos sindicatos, as desculpas do governo, estudaram-se números para manipular, empilharam-se razões para reportagens inflamadas, ensaiaram-se frases e escândalos à medida dos próximos meses.

Se tudo correr como previsto, conseguiremos passar mais um ano sem aflorar assuntos fundamentais, poderemos chegar ao próximo ano com os mesmos tiques governamentais, os mesmos arrufos da oposição e dos bem-pensantes, com a mesma aridez ideológica à esquerda e à direita.

Enfim, Setembro aí está, para quem quiser continuar.

Vamos lá.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...