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25 abril 2026

Há dias que se abrem assim

TSF

Então vou vestir de encarnado

Calçada regada de abril

Em marcha de passo embalado

O cravo como arma civil


É livre o corpo que canta

Vermelha a alma que ama

Na dor em que o medo agiganta

Acende-se o grito e a chama

 

Há dias que se abrem assim

Em brilho de puro cristal

Há vozes que são um jardim

E flores que são como um punhal

25 abril 2025

Os cravos que inventamos

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Vincent Van Gogh


 


Tenho uma casa assombrada


Pelos ecos do passado


A verdade abandonada


O poema censurado


 


Tenho uma casa cinzenta


Com ramos de realidade


Onde se guarda e sustenta


O fogo da liberdade


 


Tenho uma casa encantada


De armas que se calaram


De ventos na madrugada


De mãos que não se negaram


 


Tenho uma casa encarnada


Para quem quiser entrar


Seja o fim da caminhada


Seja a voz a desfilar


 


Tenho uma casa vestida


Dos cravos que inventamos


Flutuam pela avenida


No futuro que criamos


 

Os cinquenta anos das primeiras eleições livres

 


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Vincent Van Gogh


 


À medida que os anos passam, os deserdados da democracia vão perdendo vergonha e ganhando terreno.


A decisão do governo relativamente às comemorações dos 51 anos do 25 de Abril de 1974 e aos 50 anos das eleições para a Assembleia Constituinte deveriam ser uma prioridade de toas as Instituições Democráticas, não só pela celebração da alegria da libertação e pelo reconhecimento do tanto que o País se desenvolveu, como também pela alegria e necessidade de transmitir a quem nasceu já depois dessas datas, aquilo que de mais importante, precioso e delicado existe: a democracia, a liberdade, a igualdade e a solidariedade.


Todos estes conceitos são cada vez mais desprezados, se não denegridos pelas crescentes forças autoritárias, ignorantes e ditatoriais, de ditadores e/ou dos  seus aprendizes.


É muito importante e urgente que não deixemos que o medo, o desinteresse, a amargura e a desilusão se instalem.


Desçamos a Avenida celebrando a Liberdade, com cravos, com turbantes, com mantos, com o que quisermos, de preferência bem vermelho.


Viva a Liberdade!

25 abril 2024

Vinte e cinco de abril de 2024

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Difícil não me comover neste dia, olhando para a Assembleia da República engalanada de cravos vermelhos, a casa de uma Democracia inaugurada há 50 anos.


Difícil não me lembrar da invencível esperança na felicidade que aí vinha, com a concretização dos sonhos e dos desejos de quem menos tinha.


Tão difícil, este meu País, cantado por poetas e gritado pelo Povo em euforia.


País imperfeito, mas onde estes 50 anos, ao contrário dos saudosistas do antigo regime, dos demagogos e dos falsos puros, tanto conseguiu, nos direitos de todos à saúde e aos apoios sociais, nos direitos das mulheres, conquistados muitas vezes a ferros, no fim de uma guerra colonial que defendia um Império que não existia, no estabelecimento de laços com a Europa, na defesa das minorias e do amor, seja ele como e com quem for, enfim, no viver em Liberdade.


Difícil, esta Liberdade, nunca perene, nunca certa, nunca segura, sempre necessitando de ser construída e acarinhada. Difícil a tolerância.


Neste dia em que me comovo ao olhar para os rostos dos protagonistas de 1974, talhados pelo tempo e pelo seu tempo, olho para o futuro aninhado ao meu lado, dedinhos quentes que me seguram a alma, e sei que tudo farei para que os seus próximos 50 anos sejam aqueles da sua Liberdade.

25 abril 2023

Madrugamos

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Vaso com cravos


Vincent Van Gogh


 


Nos cravos que madrugamos


inauguramos renovamos


refazemos celebramos


o início do sol e das flores


a querida


a sofrida


liberdade.


 

25 abril 2022

Este lugar

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Parlamento


 


Se estes 48 anos fossem um lugar, uma paisagem, um país de terra e mar com gente que vive, sofre, luta, ama e morre, ao lado de um país anterior, de terra e mar com gente que vivia, sofria, lutava, amava e morria, eu abriria as minhas fronteiras para que essa gente do país anterior pudesse viver no país de Abril.


É a mesma gente, a mesma terra, mas é uma outra paisagem, um outro clima, uma outra natureza. Há ventos e maremotos de liberdade, culturas de democracia, prados vermelhos de cravos e poemas.


Estes são os 48 anos do meu país, do meu país de Abril. Temos ainda parcelas de eternidade até ao próximo lugar, que construiremos com esta gente, desta terra, que vive, sofre, luta, ama e morre, colhendo com esforço e leveza alguns momentos de felicidade.

23 abril 2022

Proibido por inconveniente

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No antigo edifício do Diário de Notícias, ao cimo da Avenida da Liberdade, junto ao Marquês de Pombal, está a exposição Proibido por inconveniente, organizada a partir do espólio Ephemera de José Pacheco Pereira.


Simples, sóbria e muito eficaz, damo-nos conta de todas as áreas aonde, durante 48 anos - a sociedade, as ideias, os filmes, as notícias, os livros, os filmes, as opiniões, desde as políticas às religiosas, da Guerra Colonial aos direitos das mulheres, da sexualidade à moralidade e costumes - eram passadas a pente fino pelos olhos dos inquisidores, mantendo um povo anónimo, cinzento, sem sobressaltos sentidos e sem alma visível.


Junto o exemplo da avaliação do livro A Criação do Mundo, de Miguel Torga, e Jesus de Nazaré, de José da Felicidade Alves.


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Miguel Torga - A Criação do Mundo


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José da Felicidade Alves - Jesus de Nazaré


A liberdade e a democracia são nossa responsabilidade diária. Convém que nos lembremos do que era antes de 25 de Abril de 1974.

26 julho 2021

"A ele a pátria deve"


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A notícia da morte do Otelo Saraiva de Carvalho magoou-me e surpreendeu-me. Magoou-me, por se tratar de mais um amigo que parte. Surpreendeu-me, porque estive, recentemente, com o Otelo, no funeral da sua mulher, e achei-o, naturalmente, abatido, mas, aparentemente, com vigor e saúde.


Conheci o Otelo na Guiné, onde o substituí na Direcção da Secção de Radiodifusão e Imprensa do Comando-Chefe. Tornámo-nos amigos. Foi, aliás, essa amizade que me levou a testemunhar em seu favor no julgamento a que foi submetido, apesar de muitos reparos e apelos para que o não fizesse.


O Otelo era um homem bom, generoso, embora, por vezes, pouco prudente, pouco realista – contraditório, mesmo. Adorava representar, até na vida real, esquecendo que a representação exige um espaço delimitado, em que tudo o que aí é normal não o é na vida real.


Para mim, e apesar de todas as contradições, o Otelo tem direito a um lugar de proeminência histórica. E tem esse direito, apesar da autoria de desvios políticos perversos, de nefastas consequências, porque foi ele quem liderou a preparação operacional do 25 de Abril, a mobilização dos jovens capitães, o comando da operação militar bem-sucedida.


E penso assim porque entendo que um Homem é uma unidade e continuidade, uma totalidade complexa, e que só é bem julgado quando considerando, historicamente, esse quadro e o seu contexto. Mas há homens que, num momento histórico especial, se ultrapassam, ganhando dimensão nacional, indiscutível, porque souberam perceber e explorar uma oportunidade histórica única, e sentir os anseios mais profundos do seu povo.


Otelo é uma dessas personalidades. A ele a pátria deve a liberdade e a democracia. E esta é dívida que nada, nem ninguém, tem o direito de recusar.


António Ramalho Eanes


25 abril 2021

Avenida

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Maria Helena Vieira da Silva


 


Vou florir na avenida


De cravos brancos ao peito


Que o encarnado da vida


Trago de vestido inteiro


 


Vou cantar na avenida


Os sonhos da liberdade


Que a canção da minha vida


Vai gritando a realidade


 


Vou correr pela avenida


Atrás da felicidade


Que esta profunda corrida


Nunca passa da metade


 


Vou marchar na avenida


Com bandeiras sem idade


Que não me dou por vencida


Na manhã da eternidade


 

Manhã da madrugada inaugural


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Manhã da madrugada inaugural

De um tempo claro liso branco

De uma nova e luminosa vida

Ainda que dorida

Ainda que sofrida

Bem vinda

Liberdade.

25 abril 2020

25 Abril 2020


Zeca Afonso & Manuel de Oliveira


 


Venham mais cinco, duma assentada que eu pago já


Do branco ou tinto, se o velho estica eu fico por cá


Se tem má pinta, dá-lhe um apito e põe-no a andar


De espada à cinta, já crê que é rei d'aquém e além-mar


 


Não me obriguem a vir para a rua gritar


Que é já tempo d'embalar a trouxa e zarpar


 


Tiriririri buririririri, Tiriririri paraburibaie, Tiiiiiiiiiiiiii paraburibaie ...


 


A gente ajuda, havemos de ser mais eu bem sei


Mas há quem queira, deitar abaixo o que eu levantei


A bucha é dura, mais dura é a razão que a sustem


Só nesta rusga, não há lugar prós filhos da mãe


 


Não me obriguem a vir para a rua gritar


Que é já tempo d' embalar a trouxa e zarpar


 


Bem me diziam, bem me avisavam como era a lei


Na minha terra, quem trepa no coqueiro é o rei


A bucha é dura, mais dura é a razão que a sustem


Só nesta rusga, não há lugar prós filhos da mãe


 


Não me obriguem a vir para a rua gritar


Que é já tempo d'embalar a trouxa e zarpar


 

25 Abril 2020

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André Carrilho

25 Abril (1974 - 2020)

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19 abril 2020

A democracia não está suspensa

Tudo se aproveita para acirrar os ânimos do populismo. A última moda é o pseudo ultraje pelas comemorações oficiais do 25 de Abril de 1974.


Num País a cumprir a segunda renovação do estado de emergência, em que a excepção abre a porta aos desvarios totalitários, é indispensável que as Instituições democráticas permaneçam em funcionamento e que demonstrem que a democracia se mantém e vai continuar, mesmo contra os apelos virais de quem usa o medo para alimentar a raiva contra os representantes eleitos do povo.


O Parlamento está a trabalhar, como todos os que podemos devemos fazer, dentro dos constrangimentos da pandemia. A falta de respeito seria exactamente o contrário. E o CDS, à falta de ideias que o salvem da extinção, cavalga a onda e copia o estilo do CHEGA.


O facto de não podermos ir para a rua comemorar o 25 de Abril só avoluma a importância da cerimónia parlamentar. As comemorações do 1º de Maio, desde que obedeçam às restrições impostas, são absolutamente legítimas e somos livres de participar, ou não, como acontece todos os anos, desde o dia 25 de Abril de 1974.


 

25 abril 2019

Venham mais cinco


Manuel de Oliveira


 


Venham mais cinco
Duma assentada
Que eu pago já
Do branco ou tinto
Se o velho estica
Eu fico por cá


 


Se tem má pinta
Dá-lhe um apito
E põe-no a andar
De espada à cinta
Já crê que é rei
Dàquém e Dàlém Mar


 


Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar


 


A gente ajuda
Havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira
Deitar abaixo
O que eu levantei


 


A bucha é dura
Mais dura é a razão
Que a sustem
Só nesta rusga
Não há lugar
Pr'ós filhos da mãe


 


Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar


 


Bem me diziam
Bem me avisavam
Como era a lei
Na minha terra
Quem trepa
No coqueiro
É o rei


 


José Afonso

Liberdade

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Nada de palavras objectos ou flores
apenas olhares e sorrisos
o toque do carinho que nos liberta
neste dia igual e único
a que nos aconchegamos devagar
sem nunca nos despedirmos.

25 abril 2018

Discursos

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Gente jovem a discursar, a dizer bem e alto o que cumpre dizer, em nome da Liberdade e da Democracia, comemorando o 25 de Abril.


 


Refrescante o discurso de Margarida Balseiro Lopes. Ainda bem.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...