
Alargo no peito os abraços do mar
Dissolvo no sal as angústias de ser
Nas ondas da vida o cansaço de dar
Nas dobras do medo o soluço de ver
Não tenho do tempo uma agenda guardada
Nem marcas carícias ternuras ou cardos
Aceito do vento essa voz torturada
De ramos e pombos que crio e resguardo
Os dias são poucos mas tantos sinais
Na terra nos corpos nas almas distantes
Que faltam que sobram que prendem demais
Gritos solitários de velhos amantes
Alargo no peito o cansaço da vida
Dissolvo no tempo o soluço de amar
Nas ondas do mundo já estou de partida
Nas dobras do vento afundo no mar



