30 julho 2010

António Feio










 


Tal como disse José Pedro Gomes (em baixo, aos 3 minutos), António Feio fez muito pelo teatro. Tanto que hoje, devido ao António, à noite vai haver teatro a passar na RTP1, na SIC e, ao domingo, na RTP2,  coisa raramente vista.


 












O verso e o reverso

Se a subida de 0,1% na taxa de desemprego, em Maio, era um sinal contraditório e foi ligeiramente desvalorizada, porque só teríamos números reais em Agosto, não seria melhor aceitar com a mesma cautela e o mesmo cepticismo a descida de 0,1% do desemprego em Junho, e continuarmos a esperar pelos números reais de Agosto?

29 julho 2010

Da Vergonha Atómica à Falta de Vergonha Termonuclear*

Vale a pena compararmos dois editoriais (distanciados de 1 mês) de Pedro Santos Guerreiro, director do Jornal de Negócios online, para percebermos a coerência, a ideologia, a indignação, os conhecimentos e a presciência deste jornalista:


 



Uma vergonha atómica


A utilização da "golden share" é inédita, surpreendente e provavelmente ilegal. Vai contra o mercado, contra a administração e contra a decência. E revela um País próximo do subdesenvolvimento económico.
A bomba atómica é a vergonha atómica. Quem quer mandar em empresas não as privatiza. Quem as privatiza não as renacionaliza depois. O que o Governo fez foi extorsão dos direitos dos donos da PT. O recurso à "golden share" é um regresso aos vergonhosos dias em que o Estado vetou a venda dos bancos de Champalimaud ao Santander. Uma experiência que, aliás, deu no que deu: no descalabro do BCP. (...)
(...) A venda da Vivo é má para a PT. Mas não é má para os seus donos. Seja como for, isso é assunto privado. Se o BES, a Ongoing e outros decidiram tratar da sua vida, isso é com eles. O que aconteceu hoje na Assembleia Geral da PT não foi intervencionismo, nem nacionalismo, nem governação. Foi uma derrota. Uma derrota de Portugal. (...)


 



Vivó Sócrates


(...) Pois o acordo desenhado é favorável a cada um dos quatro lados desta mesa: PT, Governo, Oi e Telefónica. (...)


(...) A “golden share” foi um golpada que surtiu efeito. Do ponto de vista político, capitalizou simpatia na opinião pública, para quem Sócrates é hoje herói. Do ponto do negócio, a intervenção aumentou o preço em mais 350 milhões de euros. (Se, afinal, a “golden share” serve para fazer subir preço, estamos mesmo conversados quanto a interesse nacional… Mas Ricardo Salgado agradeceu antecipadamente a Sócrates por isso). Do ponto de vista da empresa, foi a intervenção de Sócrates que garantiu a manutenção no Brasil. (...)


(...) Foi por accionistas e administração terem estado a remar para lados diferentes que o Governo acabou por intervir, quando percebeu que a sua própria passividade era omissão abusada por alguns. (...) Mas os accionistas podem agradecer a Sócrates por ter conseguido o que eles falharam: mais preço e Brasil. (...)


 


Absolutamente extraordinário.


 


Nota: *Mudança para um título mais apropriado, sugerido por um comentador.

Falta de vergonha

A investigação do caso Freeport iniciou-se há cerca de 6 anos. Segundo a TSF, os Procuradores responsáveis pela investigação declararam que não tinham tido tempo de ouvir José Sócrates e Rui Nobre Gonçalves (para os quais tinham, respectivamente, 27 e 10 perguntas a colocar).


 


Utilizando a aritmética simples isso daria 4,4 perguntas/ano, 0,375 perguntas/mês, 0,0125 perguntas/dia e 1,66 perguntas/ano, 0,138 perguntas/mês e 0,004 perguntas/dia a José Sócrates e Rui Nobre Gonçalves, respectivamente.


 


É portanto compreensível, ainda mais se nos recordarmos que teriam que ser retiradas as horas correspondentes aos dias feriados e de fins-de-semana, de férias e ainda as horas de dormida, satisfação das necessidades de sobrevivência diária e o mínimo de lazer, que tenha sido manifestamente impossível, até pela celeridade avassaladora do processo, como seria de esperar em processos desta gravidade e deste tipo, a falta de tempo para o cabal esclarecimento da verdade.


 


Esperam-se adiamentos e novos prazos pois é claro que estas duas personagens têm ainda muito a explicar ao povo português, mais precisamente a uma parcela dele, aquela que escreve em jornais e alimenta telejornais de pornografia informativa, destilando calúnias e difamação por toda a parte, demonstrando diariamente o apego à liberdade de expressão, à ética e à responsabilidade cívica.


 


Nota: Peço que me desculpem a inexactidão: afinal só a 1 de Outubro de 2008 é que o processo Frreport foi para a mão dos dois Procuradores com falta de tempo. Reforçam-se, assim, as suas razões. Mais transparência e rigor:


 


José Sócrates - 1,22 perguntas/mês; 0,040 perguntas/dia


Rui Nobre Gonçalves - 0,45 perguntas/mês; 0,015 perguntas/dia


 


(via Câmara Corporativa)

28 julho 2010

O papagaio de Flaubert


 


O papagaio de Flaubert, de Julian Barnes, é um livro brilhante e delicioso. A propósito do interesse de um biógrafo amador do escritor Gustave Flaubert, que procura saber qual o verdadeiro papagaio (Lulu) companheiro de Felicité, heroína de um dos contos - Un cœur simple - que compõem Trois contes, publicado em 1877, somos conduzidos a uma discussão filosófica sobre a arte e o seu autor, sobre a ficção e a realidade, o amor, a dedicação, o descomprometimento e desenraizamento próprio a que o escritor se remete, à solidão, à essência do que significa ser feliz, conceito sempre presente de uma estádio de alma impossível de alcançar ou, sequer, de definir.


 


Viajamos para Ruão com um médico de 60 anos, viúvo, e procuramos a sua voz na voz de Flaubert, percorremos a sua vida descobrindo a de Flaubert, o homem e o escritor, concluindo que a existência real e palpável é a dos livros e não a da vida que nos calha.


 


Deixo apenas um parágrafo:


 


(...) Ellen. A minha mulher: alguém que eu sinto compreender pior do que um escritor morto há cem anos. Isso é uma aberração ou é normal? Os livros dizem: ela fez isto porque. A vida diz: ela fez isto. É nos livros que as coisas nos são explicadas; na vida não são. Não me surpreende que algumas pessoas prefiram os livros. Os livros dão um sentido à vida. O único problema é que a vida a que eles dão sentido são as vidas dos outros, nunca é a nossa. (...)


 


Aguardo com alguma ansiedade a edição de Nothing To Be Frightened Of, que já tentei ler no original (tal como fiz com Flaubert's Parrot). Infelizmente a minha fluência em inglês literário não é tão boa como gostaria. Por isso espero a tradução que parece estar prevista, também pela Quetzal.


 

27 julho 2010

Fim do Freeport











Sócrates foi totalmente excluído das acusações no caso Freeport - não foi corrompido, não procedeu, enquanto responsável pela pasta do ambiente há mais de 5 anos.


 


Acabou um dos processos que mais utilizados foram para destruir José Sócrates. Finalmente.


 


É bom que a justiça continue, noutros casos, como os do BCP, BPN, Apito Dourado, Face Oculta, etc. Mas o caminho que foi iniciado com o Freeport é de não retorno e somos todos, enquanto cidadãos e enquanto sociedade democrática, que sofremos com isso.

Vento


escultura de Mary Tierney: Standing Feathers


 


Está muito vento. Saraivada de areia e calor amarelado


meio obscuro. Fecho os olhos e sinto a pele arranhada


açoitada. Entrego-me à penitência sem oferecer resistência.


 


Era melhor que o vento e a areia


me varressem. Poderiam começar pelos cabelos


depois os olhos depois o resto


pouco a pouco defazendo-se


e desgastando-se pelo ar amarelo e barrento.

26 julho 2010

Os Políticos e Salazar

 


A verdade é que já defendi que a redução dos ordenados dos políticos, embora não resolvessem nada do défice, eram uma medida simbólica para que todos se apercebessem de que o esforço de contenção pedido não tinha excepções privilegiadas.


 


Mas a realidade é que esta medida é ineficaz e populista, chamando por outros populismos que pedem cada vez mais, como se ser político signifique ser detentor de uma qualquer culpa que tem que ser purgada pelos justos, nada menos que bispos, jornalistas, médicos, juízes, grandes empresários, etc. etc. Fiz exactamente aquilo que repudio a outros – deixei-me embalar pelo populismo e pela demagogia.


 


Esta é a visão salazarista que 40 anos após a morte   de Salazar ainda persiste e é estimulada por alguns sectores da nossa sociedade. Assiste-se hoje a uma reinterpretação da história do Salazarismo e do Estado Novo pelos novos divulgadores do passado recente que, ideologicamente, são de direita, em oposição à visão esquerdista, que era predominante. Na revista Actual do último Expresso (24/07), vem um extenso artigo de Rui Ramos que ilustra o que quero dizer quanto à visão que temos dos políticos:


 


(…) Mas contou também a habilidade de Salazar. Soube usar as máximas da Antiguidade Clássica: o tirano podia ser suportável se desse a ideia de que não dominava para interesse pessoal. O “bom tirano” era, em primeiro lugar, um tirano sobre si próprio. E foi assim que Salazar se apresentou – sacrificado ao bem público, privado de ócios, de prazeres, de liberdade… (…) – pág. 12.


 


Rui Ramos consegue ainda sintetizar uma ditadura de 40 anos de uma forma extraordinária:


 


(…) O Estado Novo era, como ele [Salazar] gostava de dizer, um regime suficientemente “forte” para não precisar de ser violento. Mas nunca houve dúvidas de que podia ser implacável. Deixou morrer três dezenas de anarquistas e comunistas no campo do Tarrafal, em Cabo Verde, entre 1936 e 1945. Perseguiu e exilou o bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, em 1958-1959. E pelo menos encobriu ou não investigou o assassínio do General Humberto Delgado por agentes da PIDE em 1965. (…) - pág. 10.


 


O regime democrático tem custos. A liberdade cobra-nos todos os dias a coerência e a responsabilidade, assim como o respeito pelos nossos representantes eleitos.

24 julho 2010

A Escola Pública pode fazer a Diferença (II)


 


Enquanto cidadãos e enquanto eleitores, é raro ter a oportunidade de podermos ler a descrição das ideias, das razões dessas ideias, dos objectivos gerais e específicos, das metodologias usadas paras os alcançar, dos actores envolvidos, das avaliações dos resultados e das reflexões levantadas por todos estes processos.


 


Como cidadãos e como eleitores, temos a oportunidade de avaliar a política educativa do anterior governo socialista, porque Maria de Lurdes Rodrigues coloca em livro um extenso e pormenorizado relatório de actividades da sua passagem pelo Ministério da Educação. Ao longo de mais de 300 páginas, percebemos o que norteou a sua actuação, quais as dificuldades e quais os maiores desafios que se lhe colocaram e que se colocam à Escola Pública.


 


Maria de Lurdes Rodrigues acredita que a Escola Pública pode fazer a diferença. Considera que (…) não desistir de nenhum jovem, nem consentir que os jovens desistam de estudar (…) é uma responsabilidade de todos e do estado enquanto orientador e promotor da equidade, da qualidade e da eficiência.


 


Como ela própria explica, muitas das orientações daquilo que implementou durante o seu mandato já vinham de trás, com legislação não regulamentada e não aplicada. É interessantíssimo apercebermo-nos de que o problema das aulas de substituição – o assegurar por professores das aulas que não eram dadas por absentismo docente (ao nível de 10% em 2005) foi objecto de preocupação de Manuela Ferreira Leite, já em 1993, tendo sido nessa altura determinada a existência de aulas de substituição. Ou que a preocupação com a qualificação e escolarização de adultos data de 1952, sendo Francisco Leite Pinto Ministro da Educação à época, tendo-se criado um Plano Nacional de Educação Popular e, durante todos estes anos, inúmeros programas que visavam o regresso da população adulta à escolarização, como tentativa de melhorar a qualificação geral da população que continua afastada da média europeia.


 


São expostos vários dos combates a que fomos assistindo durante a legislatura anterior, do Plano para a Matemática ao Plano Nacional de Leitura, da escola inclusiva à escola a tempo inteiro, do estatuto do aluno ao estatuto da carreira docente, das aulas de substituição à estabilização do corpo docente (concursos de 4 em 4 anos), da lógica das avaliações do desempenho dos professores e das escolas, das alterações da gestão e da descentralização da gestão escolar, da autonomia das escolas à avaliação dos manuais, da requalificação do parque escolar, física e nas tecnologias de informação e comunicação aos agrupamentos escolares, do insucesso escolar ao aumento do esforço e do trabalho individual, de professores, alunos e encarregados de educação.


 


Este é um livro escrito por alguém que defende as suas ideias e está disposta a discuti-las. Gostaria de ouvir e ler muitos dos seus detractores demonstrarem o seu desacordo com as políticas seguidas justificando, tal como ela justifica, as suas razões.


 


Deixo apenas um excerto:


 


O tópico do insucesso escolar enfrenta, na política educativa, dificuldades relacionadas com a percepção pública da repetência e do chumbo. A ideia, muito divulgada – no interior da comunidade educativa e fora dela -, de que chumbar faz bem ao “carácter” das crianças e dos jovens, tem sido impeditiva do desenvolvimento de uma atitude mais exigente para com os resultados escolares dos alunos. Esta visão esquece que a alternativa à repetência e ao “chumbo” não é passar sem saber. Pelo contrário, a alternativa é exigir tempo de trabalho e de estudo para que os alunos aprendam o que não sabem, a alternativa é a diversificação dos métodos pedagógicos de ensino; a alternativa é exigir bons resultados escolares. É necessário que o objectivo da melhoria dos resultados escolares entre na agenda e nas preocupações de todas as escolas e do trabalho dos professores. Trata-se de garantir não apenas o ensino para todos, mas também a qualidade das aprendizagens de todos. (pág. 182)


 


A Escola Pública pode fazer a diferença e Maria de Lurdes Rodrigues fez a diferença.

22 julho 2010

Diz que diz






 








Diz quem sabe que o calor vai aumentar
diz quem pode que os impostos vão subir
e a gente a duvidar
se foi isto que Deus quis
ou é o refrão que ao chegar
diz que diz

 


Fala quem fala e quem sempre falou
fala quem gosta de falar
e a vizinha que jamais se calou
diz que me viu a namorar
que o sol se apagou
o tempo mudou
o mundo acabou


 


Diz o povo que o futuro vai chegar
diz a sorte que o senão vem a seguir
e a gente a perguntar
se não dá pra ser feliz
ou é o refrão que ao chegar
pede bis


 


Fala quem fala e quem sempre falou
fala quem gosta de falar
e a vizinha que jamais se calou
diz que me viu a namorar
o dia voltou
o tempo passou
o mundo girou

21 julho 2010

Um dia como os outros (66)

 



O trabalho inútil só é útil para nos manter ocupados. À falta do que fazer, tratamos agora do que não precisamos, uma revisão da Constituição. Que não faz bem mas pode fazer bastante mal. (...)


 


(...) Só isso pode explicar a razão que leva o principal partido da oposição, o mais sério candidato a ser governo em breve, a enveredar por uma proposta de revisão da Constituição que em pouco ou nada contribuirá para resolver os problemas, gravíssimos, que o país atravessa. (...)


 


(...) Grave é que a revisão da Constituição, na actual conjuntura de crispação política, pode causar danos graves. Veja-se a proposta social-democrata da dita "moção de censura construtiva" em que, com a sua aprovação, os partidos estabelecem um acordo e nomeiam um novo primeiro-ministro. Uma arquitectura desenhada à medida de alguns anseios políticos recentes.


 


"Saia, senhor primeiro-ministro". Assim disse o líder do PP, Paulo Portas, no último debate desta legislatura sobre o Estado da Nação. "O que o País deveria ter", acrescentou, "era uma coligação com o PS, PSD e o CDS, por três anos, para tirar o País deste atoleiro. Consigo, engenheiro Sócrates, isso não é possível".


 


Com a "moção de censura construtiva" que o PSD agora propõe, a ideia de Paulo Portas é viabilizada sem qualquer necessidade de o primeiro-ministro ter de satisfazer o pedido para que saia de cena.


 


As revisões constitucionais que alteraram o equilíbrio de poderes foram sempre induzidas pela conjuntura, por um detentor específico do poder. Mas a moção de censura dita construtiva ameaça ser destrutiva dos poucos elementos de estabilidade política que o nosso regime ainda tem.


 


Gerar ainda mais instabilidade no regime é o pior dos trabalhos inúteis que os políticos podem fazer neste momento.


 


Helena Garrido

20 julho 2010

Fuga em frente

A discussão sobre a revisão constitucional, que foi lançada na altura do congresso do PSD por Passos Coelho, como a grande reforma que vai fazer Portugal sair do buraco socialista é, objectivamente, uma forma de desviar a atenção dos cidadãos da falta de soluções alternativas que o PSD tem para a governação do país.


 


Não significa isto que não seja importante discutir a proposta de alteração da Constituição feita por este PSD. Insere-se na área política que considera apenas serviços mínimos aqueles a que se obriga o estado, não incluindo obviamente a saúde e a educação. É importante que todos tenhamos a noção exacta do que propõe o PSD, pois preparam-se eleições antecipadas, caso Cavaco Silva ganhe.


 


Os indicadores económicos não são tão maus como o PSD esperava e a ressurreição de Sócrates começa a ser um fantasma omnipresente. Será que o PSD proporia o alargamento dos poderes presidenciais se pensasse que Manuel Alegre ou outro candidato de esquerda ganhasse as presidenciais?


 


Assim como a remodelação do governo e a aprovação do OE para 2011, estes factos políticos sucedem-se porque, afinal, tal como Paulo Portas intui, não será assim tão fácil derrotar o PS e José Sócrates em eleições. A ajuda de salvações nacionais ou de figuras providenciais são soluções preconizadas por quem não as tem.

Discussão pública - A Organização Interna e a Governação dos Hospitais

Está em consulta para discussão pública o documento A Organização Interna e a Governação dos Hospitais.


 


É um documento muito interessante e muito importante, pois não só caracteriza o momento actual de falta de adequação da organização dos hospitais públicos, como propõe soluções que modificam o paradigma da estrutura e organização do próprio SNS.


 


Este documento de trabalho centra a reforma da organização de toda a rede hospitalar no doente, na necessidade das populações servidas por determinadas unidades de saúde, observando que o hospital não deve ser uma unidade desintegrada da população que serve nem dos outros serviços de saúde. Focaliza-se na estruturação de unidades multidisciplinares, organizadas para que o doente possa ser atendido por múltiplas patologias, em vez de se deslocar a várias unidades de saúde.


 


Assume que a avaliação do desempenho deve ser rigorososa, chamando os utentes a participar nela, avaliando os responsáveis pelas direcções dos serviços/unidades, os profissionais e os órgãos de administração, mas centrando essa avaliação em indicadores de qualidade e não de produção, com rigorosos instrumentos de medição que permitam auditorias externas e internas. A avaliação de desempenho deverá ser por objectivos atingidos, medidos pelos resultados obtidos. Fala-se de incentivos à melhor performance, colectivos e individuais, da monitorização e avaliação do erro médico, da implementação de indicadores de gestão e de qualidade objectivos, que possam servir de base para perceber as limitações de processos e de decisões, alterando-as e evitando os erros.


 


Para que tal possa acontecer é preciso que o SNS seja organizado em função do doente. É também essa a visão dos signatários de um documento para a reforma do NHS - Reino Unido (e não só dos hospitais). É essencial que se faça um estudo de referenciação hospitalar baseada nas áreas geográficas, demográficas e epidemiológicas e não apenas na especialização tecnológica. É preciso concentrar e reduzir a dispersão de recursos. É preciso que todos os Colégios de Especialidade e todas as Sociedades e Associações de Especialistas organizem e publiquem standarts de boas práticas, segundo o estado da arte, que produzam instrumentos objectiváveis e realistas que possam servir para definir objectivos e medir resultados.


 


É crucial a criação de redes informáticas que comuniquem entre si e entre todos os prestadores de cuidados de saúde, agilizando a informação, reduzindo a duplicação e a redundância ou colmatando a falta dela. Os processos clínicos electrónicos, as prescrições electrónicas, os procedimentos protocolados são indispensáveis para uma verdadeira reforma das organizações e das referenciações, formação, consultadoria e ensino à distância.


 


O estudo e redimensionamento dos recursos humanos, muito escassos actualmente, mas também mal distribuídos, mal acompanhados e desmotivados, devem ser objecto de qualificação e dignificação, envolvendo-os nos processos de decisão, desde que o entendimento e o empenhamento seja em prole do verdadeiro serviço público.


 


A saúde e a educação são dois dos mais importantes deveres do estado e uma das melhores formas de promover a igualdade de oportunidades e a equidade dos cidadãos. Esta é uma oportunidade que não podemos perder, sob pena de perdermos o que de essencial significam estes valores.

menina limpa menina suja


 


Às 21h30 do dia 22 de Julho, no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, inaugura-se a exposição menina limpa menina suja, de Ana Vidigal (30 anos de pintura e de trabalho paralelo).


 

Casa das Histórias






 


Júlio Pereira & Tiago Torres da Silva


canta Manuela Azevedo 


 


(para a Paula Rego)


 


Sei que existe um lugar
entre a noite e a luz
onde os meninos andam nus
dentro e fora do mar


 


Há um gato a tocar
há um cão que é mulher
e um corvo a querer voar
de um desenho qualquer


 


Uma casa no campo
uma voz, um centauro
e as asas de um anjo
que as bruxas quiseram tecer ao contrário


 


A rapariga tem
que engolir sem um ai
mais um pássaro que é também
o seu filho e o seu pai


 


No jardim de Crivelli
ao som de traviattas
os meninos perdidos
descansam no colo gentil dos piratas


 


Onde estás?
quem me faz
um feitiço?


 


O macaco vermelho
vai batendo à mulher
e eu vejo-me ao espelho
será que o macaco irá morrer velho?

19 julho 2010

Pequeno apontamento

Pedro Correia tem andado um pouco distraído neste últimos meses, mas as suas distracções são selectivas. De todas as distracções só há um pequeno pormenor que gostaria de esclarecer. O meu afastamento de Carlos Santos, o tal companheiro de blogue do SIMpleX a que se refere (que apagou a sua passagem nesse e noutros blogues) não vem da época da campanha eleitoral em que não houve, da sua parte, violação de correspondência nem nada que se lhe assemelhasse. Havia um estilo mais ou menos agressivo de posts, tal como nos outros blogues de campanha, tal como em alguns dos posts de Pedro Correia.


 


A falta de carácter de Carlos Santos manifestou-se, pelo menos para mim, no blogue A Regra do Jogo, do qual fiz parte a seu convite. E por isso manifestei-me publicamente contra e afastei-me de imediato (facto do qual, por distracção, Pedro Correia não se deu conta). O que é interessante é que essa falta de carácter tenha servido para os intuitos políticos de outros.


 


Não tenho que dar justificações da minha conduta - o Pedro Correia não é o juíz dos comportamentos blogosféricos, meus ou de quaisquer outras pessoas. Não deixa de ser significativo que, em tudo o que falei no post a que se refere, nada tenha a apontar à forma como se pratica jornalismo no nosso país e como é tratada a informação por certos jornalistas.


 

16 julho 2010

Subsídios, almoços e má-fé

Hoje o país acordou com o anúncio de mais uma malfeitoria do governo PS - iriam acabar os subsídios para almoço das crianças que frequentam os ATL das IPSS - o Padre Lina Maia acusou o governo de má-fé, pelo facto de deixar sem almoço cerca de 90.000 crianças.


 


É claro que, na mesma notícia, se diz:


(...) O Ministério do Trabalho e Solidariedade Social explicou em declarações à TSF que detectou casos de instituições, nomeadamente escolas, que estavam a receber em duplicado os subsídios para o almoço nos ATL. Por este motivo, foi cortado o subsídio dado pela Segurança Social, mantendo-se o que é atribuído pelo ministério. Para a próxima semana, está agendada uma reunião entre estas entidades e a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade. (...)


 


O Padre Lina Maia, no entanto, não aceita esta explicação, mas não diz porquê.


 


Mais tarde aparecem declarações de Cristina Fangueiro, do ISS, que sugere mais tranquilidade. Eu acrescentaria mais um pouco de boa-fé

Tenderly







 


Lisa Stansfield



Words have been spoken my heart has been
broken But maybe not this time
Not with you and me
Love's understanding has always been nowhere to
be seen But maybe not this time


 


Don't hurt my heart
Don 't try too hard to be big and strong Just sweetly release me


 


No rough hands can satisfy me Baby I bruise easily
So feel it from the heart And when you love me
Love me tenderly


 


Loving has hurt me
Deceived and spurned me
But maybe not this time 'Cos that was in the past
How I've been scared
To put my trust in something good that may
not last But baby not this time


 


I know you won't hurt my heart
You won't try too hard to be big and strong
Just sweetly make love to me

15 julho 2010

Um dia como os outros (65)


(...) "We made a promise in the fall of '08 that we'd do everything in our power to see to it we'd never again put the American public in the position we were in September and early October 2008", said Sen. Christopher Dodd, D-Conn. "And we have fulfilled that promise with this legislation". (...)


 


(...) Entre outras coisas, o documento, que pretende aumentar o controlo dos reguladores sobre alguns pontos que ainda escapam à sua acção, prevê também a criação de um órgão que proteja os consumidores e impeça ainda o resgate de grandes instituições financeiras com dinheiro dos contribuintes. (...)

Direitos, liberdades e garantias

A propósito das declarações de Carlos Queiroz sobre uma suposta entrevista que teria dado ao SOL, e da reacção do SOL ao não divulgar as supostas gravações da entrevista para protecção das fontes, mais uma vez me espanto com a forma como a classe jornalística se protege a ela própria, com raras excepções, por acção ou omissão, perante tais atentados ao direito, à dignidade individual e à tão proclamada ética jornalística.


 


Hoje em dia, com a justificação da total liberdade de expressão e da salvaguarda do interesse público, todos se acham detentores da possibilidade de violar o mais elementar direito à privacidade. Deixou de haver respeito pelas comunicações electrónicas, parecendo natural a publicação de emails, não tendo nada a ver com protecção de fontes nem com interesse nacional, como foi o caso da vergonhosa actuação de Carlos Santos, personagem que se passeou fugazmente pela blogosfera, dando conta de um desequilíbrio de personalidade assinalável, além de falta de carácter, e que foi acarinhado, protegido e usado por vários bloggers.


 


A publicação em jornais como o SOL de fragmentos cirúrgicos de material pertencente a escutas, que deveriam estar em segredo de justiça, é o dia-a-dia da nossa informação. A própria escuta de conversas em restaurantes dá azo a acusações absolutamente idiotas e a comportamentos inaceitáveis da parte dos que se dizem perseguidos politicamente.


 


Neste momento, e desde a última campanha eleitoral para as legislativas, a liberdade de expressão passou a ser um bem apenas permitido a algumas pessoas que se arrogam o direito de julgar quem tem ou não credibilidade para escrever ou falar. São os polícias morais da nossa blogosfera, que moveram um ataque ignóbil ao blogue Câmara Corporativa, nunca conseguindo explicar qual o crime praticado pelo ou pelos autores do blogue, para além da discordância política com o que lá se escreve. Avançam agora contra o blogue Aspirina B, transformando em pecado de cobardia o uso de pseudónimos na blogosfera.


 


Mais extraordinário virem essas acusações de profissionais de informação, que sabem a importância e as razões dos anonimatos e das fontes não identificadas, que prometem proteger a todo o custo.


 


A manipulação e a intimidação das pessoas que pertencem à área do PS, principalmente à área do governo, é um verdadeiro atentado aos direitos, liberdades e garantias individuais. Estranha forma de defesa da liberdade de expressão.

A culpa de Sócrates

Ao nos obrigar a perder tempo a discutir o seu carácter José Sócrates tem enviesado do debate político. Num momento de crise, deveríamos estar a debater as várias alternativas para sair dela.


 


José Sócrates é culpado, até, de nos obrigar a debater o seu carácter.

O estado da nação


Tenho dado conta, em vários posts, das muitas desilusões e críticas a este governo e a este PS. Mas hoje, ao ouvir o debate parlamentar sobre o estado da nação, felicito-me por ter votado no PS e em José Sócrates.


 


A oposição, da esquerda à direita, não é capaz de alinhavar críticas construtivas às políticas governamentais. Para a oposição, da esquerda à direita, o país é uma ilha no fim do mundo, desligada da crise, das economias recessivas, da globalização, de tudo o que existe e existiu à sua volta. Simultaneamente, as reformas que foram começadas e ensaiadas pelo governo, este e o anterior, são o mote para as críticas demagógicas e populistas de quem não quer ou não faz a mínima ideia de como reorganizar os serviços públicos, de saúde e de educação.


 


Por muitos defeitos que este governo e que este PS tenha, e que são muitos, não há, neste parlamento e neste arco partidário, uma voz, uma ideia, uma oratória com um mínimo de originalidade, de confiança, nada nem ninguém que sugira uma alternativa, para além dos chavões milhares de vezes repetidos, da esquerda à direita.


 


O estado da nação é mau. Mas seria muito pior se qualquer dos opositores do governo estivesse a governar.

13 julho 2010

Gelo


Paulo Canabarro: Ice Wall


 


Não quero sentir o calor de uma mão


o abraço de um olhar


qualquer meio sorriso de quem entende


dias de negro e chumbo.


Não quero nada que derreta os muros fundos


fossos de gelo que tão laboriosamente


sustento.

11 julho 2010

Um dia como os outros (64)

 



(...) Há algum tempo que o BCP está a ser atacado com boatos. Ondas que vêm e vão, incapazes até hoje de gerarem uma notícia - é factualmente falso que o BCP esteja em dificuldades diferentes das dos seus parceiros. Mais: o banco anunciou esta semana que passou vias alternativas de financiamento. (...) Cheira demasiado a vontade de mudar o regime. Passámos da habitual criação de uma onda de insegurança física, - que precede os períodos de fragilidade política lembram-se? -, para a amplificação da insegurança financeira onde o terreno anda mais fértil. Temos aprendido que vale tudo, que alguns acham que os seus fins justificam todos meios. Mas o que se está a passar é de uma irresponsabilidade sem qualificação. Quem quer que seja está a brincar com o fogo.


 


Helena Garrido

Os protagonistas

 


(...) Quanto às figuras do PS que descredibilizam o Parlamento e o partido, e sem saber ao certo a quem alude a Sofia, esse é o menor de todos os problemas. (...)


 


A propósito desta frase no post do Valupi, por causa de um comentário que fiz a um dos seus posts, tenho a dizer que estou em total desacordo. De facto um dos principais problemas com que o PS se defronta é com a sua credibilidade e com a credibilidade dos seus protagonistas.


 


O primeiro governo de José Sócrates criou uma imagem de reformismo e de ambição praticamente inéditas. Beneficiou de uma maioria absoluta parlamentar que, em muitos aspectos, pela forma pouco crítica com que fiscalizava as várias iniciativas do governo, não foi mais de que uma caixa de ressonância do núcleo governativo. À volta de Sócrates criou-se um muro de indefectíveis que, ao menor sinal, defendiam e atacavam a torto e a direito, criando um anel oco que se foi alargando à medida que avançava a legislatura. Desse muro fizeram parte José Lello, Vitalino Canas, António Vitorino e Artur Santos Silva, por exemplo.


 


O PS foi-se calando tendo-se assistido, como é habitual, ao prudente silêncio de quem não queria desagradar ao chefe mas também não queria aparecer colado a ele. É claro que quando os problemas se começaram a avolumar as vozes críticas apareceram, tentando uma demarcação tardia e pouco credível – estou a falar de Marcos Perestrello, por exemplo.


 


O governo mudou, as circunstâncias também e continuamos a ouvir frases propagandísticas e posturas absolutamente acríticas de José Lello, que manteve colaboração, não sei ainda se mantém, num programa televisivo inenarrável, com outros companheiros da esfera partidária. Assistimos a atitudes inacreditáveis de Ricardo Rodrigues, como o roubo dos microfones, a teatralização mal desempenhada na comissão de inquérito ao caso PT/TVI, ainda por cima com o apoio explícito do líder do grupo parlamentar do PS, Francisco Assis que, com Jorge Lacão, podem ser considerados os fazedores do novo muro envolvente de Sócrates.


 


A falta de figuras credíveis, de capacidade de discussão da ideologia política, a chicana, as frases feitas, os teatros destes actores que deveriam ser reciclados, retira capacidade aos eleitores de acreditarem na implementação das políticas apregoadas, já para não falar de toda a campanha eleitoral de há alguns meses, desmentida, no imediato, pela actuação governativa.


 


Também aqui os actores se enganaram na peça. Se as circunstâncias se alteraram, e todos vimos que sim, era indispensável que o chefe do governo falasse ao país, explicasse as alterações, dissesse das dificuldades e das indispensáveis medidas que propunha, em vez de deixar a Passos Coelho essa iniciativa. Onde estão os criativos, os pensadores, os ideólogos, os que têm ambição, os que podem apoiar Sócrates e o governo? Ou que podem substituí-lo dentro do PS? Onde estão as alternativas?


 


É que as políticas são exercidas por pessoas e por equipas. E a sua falta é um dos maiores problemas deste PS.


 

08 julho 2010

Trabalho e investigação

Acaba hoje um excelente congresso, de alto nível científico, em que especialistas de várias áreas apresentaram os seus trabalhos sobre os mais recentes avanços no conhecimento do Papilomavirus humano: a sua classificação, as várias estirpes, a capacidade de algumas delas infectarem várias mucosas, não só as genitais, algumas de uma forma persistente e destas, numa percentagem de casos felizmente pequena, de induzirem a transformação neoplásica dos tecidos, causando verrugas, condilomas e carcinomas. Discutiram-se estratégias de rastreio de cancro do colo do útero, estratégias de vacinação, avaliação dos vários tipos de rastreio e de vacinação, previram-se cenários vários, fizeram-se análises de custo/benefício para cada tipo de rastreio, etc.


 


Venho sempre destes encontros científicos com sentimentos muito contraditórios. Por um lado, satisfeita e maravilhada com as novas possibilidades que o avanço da tecnologia, as capacidades de trabalho e inventivas de tantas pessoas por todo o mundo, a comunicação que atravessa fronteiras, a acelerada evolução do conhecimento que nos permite saber cada vez mais, prevenindo a doença e tratando-a, quando ela já existe.


 


Por outro lado, a sensação de que a quantidade de trabalho que é feita, pelo menos nalgumas especialidades médicas como a minha, pela escassez aflitiva de médicos, nos impede de estarmos disponíveis para analisar os dados que temos, pensar sobre eles, trocar ideias com outros colegas, estudar, investigar. Já para não falar da dificuldade de financiamento dos trabalhos de investigação.


 


O conceito de SNS, para além de assegurar a igualdade de acesso aos mesmos cuidados de saúde, abrange também, pelo menos para mim, a aposta na investigação, nas terapêuticas mais arrojadas, em manter o estado da arte em todas as áreas do conhecimento médico. Neste congresso, por exemplo, todos os investigadores começavam as suas palestras com uma declaração de interesses porque, ou trabalhavam para as empresas que comercializam medicamentos e tecnologias, ou tinham os trabalhos financiados por elas.


 


As políticas restritivas da entrada de médicos nos cursos de medicina, com os serviços reduzidos ao mínimo para prestar cuidados de saúde e o desinvestimento nos recursos humanos terá consequências a todos os níveis, e este não me parece menos importante. É menos visível, mas com impacto a mais longo prazo.

06 julho 2010

O bloqueio da esquerda democrática.

Filosoficamente não podia estar em desacordo com Paulo Pedroso. É verdade que o PS deveria voltar-se para os partidos à sua esquerda (BE e PCP) assim como revisitar o movimento sindical, essencial numa democracia.


 


Só que Paulo Pedroso não deve estar a falar destes sindicatos, deste BE e deste PCP que, na realidade, são das forças mais conservadoras da sociedade portuguesa, como o têm demonstrado à exaustão. Para desbloquear a esquerda democrática ela teria que ser democrática, que não é.


 


E, já agora, também não está a falar deste PS. O vai-vem de medidas, o dizer e o desdizer, a defesa de atitudes lamentáveis, a paragem do movimento reformista do anterior governo, tudo isto tem alguma coisa de esquerda?


 


Nota: ler este post do Valupi... mais precisamente do Vega9000.

Skin is my











Andrew Bird


 


my skin is
white as parchment
drier than a downtown office building
where the air is tight
there's time spent
resting on her bones
waiting for the telephone to ring
ba-ring ba-ring ba-ring . . .
bo-ring bo-ring bo-ring . . .

my skin is
cold as her toes on the bathroom floor
run back to bed and slam the door
oh what a lovely sound
oh how it shakes the ground
oh what a lovely sound
oh what a lovely sound
oh what a lovely...

skin is my
it's the only thing
that doesn't really fly in my land
and love, oh love
is my love is
it's the only thing that
butterfly in Thailand

let it be printed on every t-shirt in this land
on the finest of cottons and the hippest of brands
in bolder letters than the capital I
it's the only thing, it's the only thing
it's the only lonely, whoa

my skin is
white as parchment
drier than a downtown office building
where the air is tight
there's time spent
waiting for that
macrame bird of prey
to come down and sing
la-ling la-ling la-ling...
oh what a lovely sound
oh how it shakes the ground
oh what a lovely sound
oh how it shakes the ground
oh what a lovely sound

oh what a lovely sound
oh how it shakes the ground
oh what a lovely sound
oh how it shakes the ground
oh what a lovely sound
oh, oh what a lovely sound

Sintonizar


Kevin Jenne


 


Trabalhar de mais tem muitas desvantagens mas a principal é perder a perspectiva do global, enrolando-nos nas pequenas coisas que não têm importância. Também deixamos de ter tempo para nos actualizarmos, esquecendo que todos os dias há coisas novas, novos conhecimentos, novos trabalhos sobre tecnologias, novas ideias e gente que investiga. Quando ouvimos tanta gente diferente a falar do que há e do que haverá, sabemos que há mesmo um objectivo no imenso trabalho que fazemos.


 


Dormimos menos, passeamos menos, apreciamos menos a beleza, o espaço, o sol, o estar só. Respiramos as novidades, abrimos as antenas, sintonizamos, e recarregamos os sonhos para os próximos tempos.


 

03 julho 2010

Magia imaginação

 







 


Graffiti: canta Maria João


 


 


Na  primeira manhã, quem vem lá?, quem tem medo?
Meu nome é Peter Pan, mas pra já  é segredo
A magia, a imaginação
Que eu trazia na minha mão 


 


Na manhã a seguir, o lugar, o segundo
Sou de Alcácer-Quibir, sou do mar, sou do mundo
A magia, as voltas do Marão
Que eu trazia no meu refrão 


 


Não sei pedir-te por favor
Só te sei falar
Com gestos e com palavrões
E seja lá isso o que for
Eu não vou ficar
A falar com os meus botões 


 


A magia, a imaginação
Que eu trazia na minha mão 


 


Na terceira manhã, o olhar, o chuveiro
Vou morder a maçã, vou estudar o teu cheiro
A magia, a força de Sansão
Que eu trazia no coração

Espada


Alberto Giacometti: mesa surrealista


 


Rei capitão


soldado ladrão


se abres as grades


irrompe um leão.


Amostras de cinza


narizes de velho


verruga chinesa


no arco vermelho.


 


Rei capitão


soldado ladrão


afagas o ninho


e torces a mão.


Rasteira de fogo


alarga a cintura


derretes a espada


no mar da ternura.

02 julho 2010

Raios invertidos


Miss Britt


 


Nunca saímos da fotografia, congelados pelas lentes de raios invertidos, bocas abertas, cabelos em ginástica de vento, parados os dedos no acariciar das mãos. Nunca saímos da fotografia pois olhamos o tempo que não conseguimos recordar, mais pálidos e esvaídos agora do que esbatidos no preto e branco do que passou.


 


Nem as árvores de lá dão frutos, nem os frutos de cá sementes. Tudo parado por uma teia sem fim que ninguém teceu.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...