11 julho 2010

Os protagonistas

 


(...) Quanto às figuras do PS que descredibilizam o Parlamento e o partido, e sem saber ao certo a quem alude a Sofia, esse é o menor de todos os problemas. (...)


 


A propósito desta frase no post do Valupi, por causa de um comentário que fiz a um dos seus posts, tenho a dizer que estou em total desacordo. De facto um dos principais problemas com que o PS se defronta é com a sua credibilidade e com a credibilidade dos seus protagonistas.


 


O primeiro governo de José Sócrates criou uma imagem de reformismo e de ambição praticamente inéditas. Beneficiou de uma maioria absoluta parlamentar que, em muitos aspectos, pela forma pouco crítica com que fiscalizava as várias iniciativas do governo, não foi mais de que uma caixa de ressonância do núcleo governativo. À volta de Sócrates criou-se um muro de indefectíveis que, ao menor sinal, defendiam e atacavam a torto e a direito, criando um anel oco que se foi alargando à medida que avançava a legislatura. Desse muro fizeram parte José Lello, Vitalino Canas, António Vitorino e Artur Santos Silva, por exemplo.


 


O PS foi-se calando tendo-se assistido, como é habitual, ao prudente silêncio de quem não queria desagradar ao chefe mas também não queria aparecer colado a ele. É claro que quando os problemas se começaram a avolumar as vozes críticas apareceram, tentando uma demarcação tardia e pouco credível – estou a falar de Marcos Perestrello, por exemplo.


 


O governo mudou, as circunstâncias também e continuamos a ouvir frases propagandísticas e posturas absolutamente acríticas de José Lello, que manteve colaboração, não sei ainda se mantém, num programa televisivo inenarrável, com outros companheiros da esfera partidária. Assistimos a atitudes inacreditáveis de Ricardo Rodrigues, como o roubo dos microfones, a teatralização mal desempenhada na comissão de inquérito ao caso PT/TVI, ainda por cima com o apoio explícito do líder do grupo parlamentar do PS, Francisco Assis que, com Jorge Lacão, podem ser considerados os fazedores do novo muro envolvente de Sócrates.


 


A falta de figuras credíveis, de capacidade de discussão da ideologia política, a chicana, as frases feitas, os teatros destes actores que deveriam ser reciclados, retira capacidade aos eleitores de acreditarem na implementação das políticas apregoadas, já para não falar de toda a campanha eleitoral de há alguns meses, desmentida, no imediato, pela actuação governativa.


 


Também aqui os actores se enganaram na peça. Se as circunstâncias se alteraram, e todos vimos que sim, era indispensável que o chefe do governo falasse ao país, explicasse as alterações, dissesse das dificuldades e das indispensáveis medidas que propunha, em vez de deixar a Passos Coelho essa iniciativa. Onde estão os criativos, os pensadores, os ideólogos, os que têm ambição, os que podem apoiar Sócrates e o governo? Ou que podem substituí-lo dentro do PS? Onde estão as alternativas?


 


É que as políticas são exercidas por pessoas e por equipas. E a sua falta é um dos maiores problemas deste PS.


 

4 comentários:

  1. ACÁCIO LIMA17:25

    COMENTÁRIO AO POST "OS PROTAGONISTAS", DE SOFIA LOUREIRO DOS SANTOS, NO BLOG "DEFENDER O QUADRADO"

    01- Tudo continua a indiciar, que a actual Direcção do Partido Socialista, não conseguiu distribuir adequadamente a sua atenção e a sua actividade política e ideológica, pelas três vertentes abaixo sumariadas:

    a)- a Direcção e Coordenação da Acção Governativa;

    b)- a Direcção, Organização e Promoção da Participação empenhada e activa, dos Militantes, em torno da actuação política e ideológica, na vida partidária;

    c)- a explanação clara e incisiva das Estratégias Políticas adoptadas pelo Governo, para o Grande Público, passando por de cima dos “filtros”.

    02- A isto, eu chamo, usando a linguagem do “Xadrês”, “Jogar uma Simultanêa, em três Tabuleiros”.

    03- Mas, apesar de tudo, o Staff Assessor do Primeiro Ministro, tem feito frente ao cerrado “fogo cruzado” e “fogo não cruzado” vindo da Extrema Direita e dos Maximalistas, sempre envolto na difamação e na calúnia, terrivelmente desgastante.

    04- As Jornadas Parlamentares do Partido Socialista, tiveram uma participação importante de Quadros fora do Grupo Parlamentar, caso do Dr. Mário Soares e Dr. Paulo Pedroso, além doutros, o que augura que algo parece poder ser corrigido na prática do Partido Socialista, sendo relançada a Discussão Interna, no seio do Partido, nomeadamente nos aspectos das Alianças Políticas e nas Novas Políticas Sociais.

    05- Será no escalpelizar das iniciativas políticas e posturas ideológicas dos demais Partidos Políticos, PP, PPD, PCP e Bloco, que terá de centrar-se a actuação da Direcção do Partido Socialista.

    Tenho como imperativo:

    A)- o debate em torno da Revisão da Constituição proposta pelo PPD;

    B)- as linhas de rumo na Educação, Saúde e Justiça também avançadas pelo PPD;

    C)- as posturas do PCP e Bloco relativas à Construção Europeia;

    D)- a continuidade da crítica ao Corporativismo, latente, e herdado do anterior Regime, sobre o qual nunca foi feita uma CRÍTICA RADICAL;

    E) a “Maturação” das NOVAS POLÍTICAS SOCIAIS.

    É claro que os “Protagonistas”, no concreto, “coxos”, para não usar outro qualificativo, terão de ser “metidos nas baias”, e a Cultura do “YES MEN”, banida implacávelmente, fazendo o Partido Socialista regressar ao “SENSO CRÍTICO”, sua tradição.


    Cordiais, Amistosas e Afáveis Saudações Democráticas, Republicanas e Socialistas de

    ACÁCIO LIMA

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  2. Anónimo22:37

    Lendo o comentário da Sofia e o comentário ao comentário (do Acácio Lima) diria que ambos têm razão. "In medio virtus" ?. Saudações cordiais.

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  3. Vejo que, por descuido meu, o comentário do "in medio virtus" foi publicado como sendo de autor anónimo. Como tal não me agrada, cá estou, pois, a assumir a responsabilidade. Renovo as saudações.

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  4. ACÁCIO LIMA13:33

    SEGUNDO COMENTÁRIO AO POST "OS PROTOGONISTAS" E ANTERIORES COMENTÁRIOS

    Publicado o post e três comentários, volto ao tema, num segundo meu Comentário.

    01- No post aparece uma avaliação diferente da Autora face ao expreso por Valupi, que é citado, sobre a importância dos “Protagonistas”, do “Protogonismo”.

    02- No meu primeiro Comentário, passei algo ao lado dessa diferente valoração, embora aborde o tema de fundo, na parte final do texto, “comportamentos menos devidos”.

    Estava muito mais preocupado com o futuro do Partido Socialista no actual momento político.

    03- A questão clássica, da abordagem da História, enquanto “Processo Histórico” e enquanto actuações dos “Protogonistas”, podia muito bem ser ora tratada, por força deste post.

    Mas não o vou fazer pois tal me exigia ler “meia biblioteca”, desde Zamora, “O Processo Histórico”, passando por Roger Garaudi e por L. Althusser, entre outros, não tendo ora disponibilidade para essa re-leitura.

    Mas retive algumas convições fortes sobre tal.

    Mas também teria de pedir ao meu velho Amigo Helder Costa, de “A Barraca”, para me relembrar conversas de 1964 a 1966, na nossa comum casa, “O Doce Lar”, na Rua de Santo António à Estrela, sobre as Relações “Actor”-“Encenador”.

    04- Mas aprecio bem as Investigações que, apoiando-se nas “histórias” da “História”, passam dos “Protogonistas” para o “Processo Histórico”. E mais não digo. Haja decoro!!!!

    05- Comentários que remetem para uma valoração do post e do meu Comentário, “a meio caminho”, não têm cabimento, pois o que era divergente era a valoração diferente da Autora e de Valupi, sobre o “Protagonismo”, coisa lateral no meu primeiro Comentário.

    06- Mas, vem “atalho de foice” referir-me a certos gradualismos, nomeadamente a “Justiça Salomónica”, que é sempre “Injustiça”, “abolvendo” o “Precaricador” e “condenando” o “Inocente”.

    Tal como a “Meia Verdade” é sempre “Inverdade”.

    Como vem “atalho de foice” o “é no meio onde está a virtude”, frase típca do “Senso Comum”, que é sempre, esse “Senso Comum”, algo que espelha a ideologia das classes dominantes.


    Termino esclarecendo que o meu primeiro Comentário visava tão só convidar para um debate sobre a postura do Partido Socialista no actual momento político e no curto / médio prazo.

    Cordiais e Amistosas Saudações para a Autora do post e Comentadores

    ACÁCIO LIMA

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