24 setembro 2022

Se essa rua fosse minha


Trio Amadeus


Se essa rua


Se essa rua fosse minha


Eu mandava


Eu mandava ladrilhar


Com pedrinhas


Com pedrinhas de brilhante


Para o meu


Para o meu amor passar


 


Nessa rua


Nessa rua tem um bosque


Que se chama


Que se chama solidão


Dentro dele


Dentro dele mora um anjo


Que roubou


Que roubou meu coração


 


Se eu roubei


Se eu roubei teu coração


Tu roubaste


Tu roubaste o meu também


Se eu roubei


Se eu roubei teu coração


É porque


É porque te quero bem

Verbo Feminino

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É difícil falar do recital de Natália Luísa e Rui Rebelo, no Teatro Meridional.


É difícil encontrar palavras para esta celebração da palavra das poetas dos vários espaços da Lusofonia.


É difícil explicar o sentimento de pertença, a sensação do maravilhoso, o escutar da voz da Natália tão bem acompanhada pela discreta e simples música de Rui Rebelo, da luz, do cenário, da elegância, da sensibilidade, da qualidade e variedade dos poemas ditos, interpretados, vividos.


Mas é muito fácil saber o porquê desta magia, do encantamento em que nos envolve a Natália. Do trabalho de pesquisa, da beleza de tudo o que faz.


E é fácil encontrar o espírito de luta, irmandade e solidariedade, mesmo na solidão e na revolta.


Que grande espectáculo, simbolicamente dedicado às mulheres iranianas.


Parabéns ao Meridional, ao Rui Rebelo e, sobretudo, à Natália.


Que privilégio poder assistir a este Recital!

18 setembro 2022

Se vão da lei da morte libertando*

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Mikhail Gorbatchov


Elizabeth II


Jean-Luc Godard


 


O primeiro mudou o mundo que sobrou após a II Guerra Mundial. A segunda viveu todas as transformações dos sécs. XX e XXI, assistindo à perda de hegemonia do Reino Unido, culminando no Brexit. O terceiro mudou o cinema.


Pela importância mediática, dir-se-ia que a Rainha Isabel II terá sido aquela que maior marca deixou.


Para mim, sem negar a importância de qualquer deles, real ou simbólica, é triste ver partir uma figura como Gorbachov quase sem ninguém notar. Considero-o uma das mais importantes personalidades do séc. XX.


*Os Lusíadas - Luís Vaz de Camões - Canto I

Dos passados

Podemos caminhar, passo a passo. As nuvens desenhando sentidos e possibilidades, algumas certezas, na maior parte das vezes cinzentas ou negras. Umas tapam o sol, outras nem sombra acolhem.


Podemos dormitar, música ao fundo, tentando ordenar o que vem aí. Parece que o passado (ou os passados) nem sequer existem. Sucedem-se a grande velocidade e com grande intensidade, sem deixarem marca duradoura embora parem a respiração.


Mas os futuros que antevemos são enevoados, difíceis de orientar, difíceis de vislumbrar.


Pesam os anos e o corpo. O que ficou de tantos antes, o que ficará dos poucos depois?

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...