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01 janeiro 2013

A derrota da crise (10)

 



 


É muito interessante observar os músicos numa orquestra, enquanto estão a tocar. Muitos ondulam com os corpos, meneiam a cabeça, por vezes quase saltam dos assentos. Alguns estão circunspectos e praticamente não se manifestam.


 


Este ano o concerto de ano novo no CCB foi bastante melhor (na minha opinião, claro) que o do ano anterior. Talvez o programa tenha sido mais bem escolhido ou talvez o maestro seja mais apelativo. A própria orquestra parece ter dado os parabéns a Kynan Johns, deixando a ovação do público ara ele, levantando-se apenas após insistência do maestro.


 


Deixo um excerto de concerto vienense deste ano, uma tradição iniciada em 1939, sem o Danúbio Azul. Quem quiser bilhetes para o ano, pode já inscrever-se para o sorteio.


 



 

... dentro de momentos

 



 


Aumentos de preços da electricidade e gás; aumento de impostos; redução das deduções fiscais; aumento do desemprego; aumento das taxas moderadoras no SNS; redução da credibilidade dos agentes políticos e económicos; aumento do perigo de movimentos ditatoriais. Crise na cultura, no ensino, na saúde, na justiça, na segurança; crise da democracia.


 

31 dezembro 2012

Vamos lá a domesticá-lo

 



 


Fim de ano a dois, na mais absoluta clandestinidade. Repasto frugal, para quem está (para) sempre em dieta, mas muito apetitoso, com um docinho também, posto que vamos dar as boas-vindas a mais um ano (para esquecer). Portanto precisamos de muita paciência, coragem e boa disposição, por muito difícil que seja. Estou mesmo em crer que este governo já foi demitido pelo ridículo e pela paródia, tal é o desrespeito com que nos trata e com que é tratado.


 


Mas enfim, lá vamos nós para mais um dia, que isto de fins-de-ano é exactamente igual aos fins-de-tarde e aos princípios-de-dia. A crise transforma qualquer casa no restaurante mais sofisticado que existe e qualquer filme a passar no DVD no melhor espectáculo do mundo. Estamos com mesa marcada para as 20:30h. O começo não foi muito promissor, diga-se em abono da verdade: as farófias estão um pouco desfeitas e o leite de creme retalhou, vá-se lá saber porquê. Lá encafuei tudo para dentro de uma tigela que está bastante transbordante. Esperam-nos uns camarões mais ou menos à Tio Fausto (camarões congelados com casca, nem dos maiores nem dos mais pequenos, em cama de cebola, alho, azeite, pimento verde e muita salsa, com um ou dois goles de vinho bom, a suar num tacho tapado), uns berbigões mais ou menos à Bulhão Pato (berbigões na concha, depois de uma noite em água e sal, numa frigideira com azeite, muito alho, salsa – não encontrámos coentros - e limão) e legumes guisados. Uma pequena tábua de queijos, tostinhas e um bom Chardonnay iniciam e acompanham o banquete. O champanhe está já a gelar e temos conversa e companhia até chegar 2013.


 


O melhor de tudo é estar com quem queremos, desfrutando do conforto de amarmos, muito, sempre, em todos os dias do ano (com excepção daqueles em que nos apetece fugir, mudar de identidade, etc.).


 


Bom ano para todos ou, pelo menos, que não seja pior do que aquele que finda.


 


Nota: imperdoável a omissão de umas maravilhosas vieiras no forno. Estavam muito boas (como tudo o resto). Intouchables e A Praire Home Companion completaram o início de 2013. Nada mal, para começo.


 

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