
Gostava de ter conhecido Pedro Tamen. Gostava de ter conhecido o seu silencioso estar, fora das televisões, dos blogues, dos facebooks, fora da incrível tentação de dizer coisas, muitas e importantes coisas, tão interessantes, literárias, mundanas e triviais, aquelas coisas que todos estamos sempre com tanta vontade de dizer.
Gostava de ter conhecido Pedro Tamen. Ou se calhar não. Gosto só da ideia, da imagem que tenho dele, por não ter nenhuma, a não ser da poesia que escreve e de que eu gosto tanto.
17.
No clandestino recanto
com que sentado labuto
os pespontos do meu canto,
neste perdido reduto
em que as mãos amadurecem
a peça que fugirá
das mãos dos que não merecem
para andar ao deus-dará
num universo de espanto
em que o amor vai curtido,
calado, surdo, tingido
de uma cor que é o sentido
da salvação que acalanto
- aqui me caio e levanto.