Começou hoje a operação Natal 2013, com a confecção das filhós.
Desta vez decidi fazê-las, o que não é inédito, mas quase. A diferença é que em vez de ter uma consultadoria telefónica tenho-a presencial. É mais supervisão das quantidades dos ingredientes (a olho), do bater a massa e da consistência da dita, uma ciência oculta conhecida apenas pelos iniciados, neste caso as iniciadas.
Juntam-se 750g de farinha a 6 ovos; vai-se amassando e juntando um copo de água cheio com uma mistura de sumo de laranja, aguardente e azeite. As mãos são uma escolha mais avisada do que a máquina, porque a massa fica toda colada às pás da batedeira e temos que a tirar à força. Por outro lado também não é muito prático o uso de luvas culinárias, visto que se podem perder na própria massa, no afã do momento. Vai-se colocando mais um pouco de farinha, até a massa despegar do alguidar e das mãos. Faz-se depois uma bola, cobre-se com um pano limpo e deixa-se a levedar, num ambiente aquecido, outro processo misterioso que resulta no aumento do volume da massa.
Segue-se a fritura das filhós em óleo quente, depois de se estenderem com o rolo da massa untado de azeite, numa tábua também untada. Este processo é delicado e necessita de quatro mãos - duas estendem a massa, cortam as formas e colocam-nas no óleo de fritar; as outras duas de garfo empunhado, viram as filhós, mantém a temperatura do óleo e previnem a carbonização inadequada da iguaria, o que nem sempre é fácil.

Já estão numa taça funda, à espera de serem polvilhadas com açúcar e comidas.
No entretanto o grão está a demolhar e as pernas gigantescas de peru (4Kg - devem ser extraterrestres, estes perus) estão a hidratar-se e a amaciar, cobertas de água, com laranjas (2) e limões (2) às rodelas, sal e pimenta. Ficarão no frio até ao dia 25, altura em que irão para o forno. Até lá ainda terei que inventar o recheio que se come à parte.
Amanhã continuará a missão, com as rabanadas e a aletria, para além do episódio da compra das couves portuguesas, que demoram séculos a lavar e arranjar. Estou a congeminar a calda à moda do Norte, para regar as rabanadas e os sonhos, numa receita que foi partilhada por um colega lá de cima, e que inclui vinho do Porto. Várias inovações este ano.