30 julho 2017

Casta Diva

Há pouco vi uma ligação que alguém colocou, no facebook, de uma gravação de Casta Diva cantada por Maria Callas. Fui ouvi-la, assim como a variadíssimas interpretações da mesmíssima ária da ópera de Vicenzo Bellini, antes de ir pesquisar exactamente o que dizia Norma, assim como a sinopse da história (libreto de Felice Romani).


 


Transcrevo aqui a letra no original e a sua tradução em inglês. Norma é uma Grande sacerdotisa da Gália, na época da ocupação romana (50 AC); os Druidas vêm pedir-lhe a sua autorização (a sua bênção) para se revoltarem contra os ocupantes, mas Norma convence-os de que não chegou ainda a altura de fazer, movida pelo seu amor secreto, que era Romano. Casta Diva é uma prece que Norma dirige à Lua, para que acalme os espíritos revoltosos dos Druidas, confessando o seu amor e dizendo que tudo fará para o proteger.


 


De todas as interpretações que ouvi a que mais me agradou foi a de Cecilia Bartoli, em que a excelência da voz se une à delicadeza de quem reza e de quem sofre por amor.


 



 


 


Casta Diva, che inargenti                               O pure Goddess, who silver


queste sacre antiche piante,                       These sacred ancient plants,


a noi volgi il bel sembiante                           Turn thy beautiful semblance on us


senza nube e senza vel...                             Unclouded and unveiled...


Tempra, o Diva,                                                Temper, o Goddess,


tempra tu de’ cori ardenti                           The brave zeal


tempra ancora lo zelo audace,                   Of the ardent spirits,


spargi in terra quella pace                            Scatter on the earth the peace


che regnar tu fai nel ciel...                            Thou make reign in the sky... 


 


Fine al rito: e il sacro bosco                          Complete the rite : and the sacred wood


Sia disgombro dai profani.                            Be clear of the laity.


Quando il Nume irato e fosco,                    When the irate and gloomy God 


Chiegga il sangue dei Romani,                    Asks for the Roman’s blood       


Dal Druidico delubro                                       My voice will thunder


La mia voce tuonerà.                                      From the Druidic temple.


Cadrà; punirlo io posso.                                 He will fall; I can punish him


(Ma, punirlo, il cor non sa.                            (But my heart is unable to do so).            


Ah! bello a me ritorna                                    (Ah! Return to me beautiful


Del fido amor primiero;                                 In your first true love;


E contro il mondo intiero...                          I’ll protect you


Difesa a te sarò.                                                                Against the entire world.


Ah! bello a me ritorna                                    Ah! Return to me beautiful


Del raggio tuo sereno;                                   With your serene ray;


E vita nel tuo seno,                                          I’ll have life, sky


E patria e cielo avrò.                                        And homeland in your heart.


Ah, riedi ancora qual eri allora,                   Ah, return again as you were then,


Quando il cor ti diedi allora,                         When I gave you my heart then,


Ah, riedi a me.)                                                 Ah, come back to me.)


 

As generalidades que desresponsabilizam

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Hugo Soares


 


 


Como todos os sábados, ouvi calmamente o programa da Antena 2 Um certo olhar, com Gabriela Canavilhas, Luísa Schmidt, António Araújo e Luís Caetano. Como era de esperar falou-se no escândalo da última semana em relação à especulação jornalística e à instrumentalização política da desgraça, concretamente, do número de mortos no incêndio de Pedrógão Grande.


 


Independentemente do que concordei ou não concordei com o que foi dito, não deixa de me espantar a cuidadosa fuga dos presentes (com exceoção de Gabriela Canavilhas) em criticarem abertamente o Expresso pela divulgação de uma notícia objectivamente falsa, e também a generalização da crítica aos políticos pela utilização deste assunto como arma de arremesso político.


 


Na verdade foi o Expresso que, a 22 de Julho, faz uma capa em que afirma que a lista oficial dos mortos no incêndio exclui as vítimas de Pedrógão. Imediatamente após desta notícia o PSD e o BE reagiram pedindo explicações ao governo, lançando portanto o anátema de que o governo estava a esconder informação e que tinha obrigação de provar que não estava, tendo Assunção Cristas reagido mais tarde, na exigência de toda a verdade. Apenas o PCP se absteve de alimentar a polémica. Catarina Martins recuou dois dias depois, enquanto o PSD subiu de tom e, de forma insana, faz ultimatos e coloca prazos de resposta.


 


Portanto: não foram os políticos que instrumentalizaram o assunto, foram alguns políticos do PSD, do CDS e, inicialmente, do BE, enquanto o PCP se demarcou e o PS reagiu escandalizado.


 


Por outro lado é muito interessante observar o facto de António Araújo desvalorizar a responsabilidade do Expresso, assumindo no entanto que se fosse verdade (que havia mortos escondidos) seria grave. Como se verificou que era mentira, já não é grave o artigo (e a insistência) do Expresso?


 


A desvalorização e a generalização destes episódios inenarráveis são perigosas. Os políticos e os jornalistas não são todos iguais. Além disso parece que Francisco Pinto Balsemão se indigna com as falsidades divulgadas pelas redes sociais. São, de facto, horríveis, mas as redes sociais não são jornalismo. As responsabilidades não são as mesmas, como ele muito bem sabe, e as exigências também não. Ou será que os jornalistas do Expresso usam os métodos e agem com a ligeireza daqueles que twitam e divulgam disparates?


 


Mesmo depois de tudo o que aconteceu, o Expresso publica editoriais e outros artigos de opinião em que, em vez de se desculpar, tenta justificar o injustificável, virando os factos de forma a fazer crer que tinha toda a razão e que os outros - mais uma vez os políticos - é que tinham usado mal uma profunda e certeira reportagem, agitando o ataque à liberdade de imprensa e outros chavões como manobras de diversão.


 


É muito triste assistir a este descalabro no jornalismo livre e independente. Porque livre ele é, independente, já duvido, e jornalismo, é que não é mesmo.


 


Nota: Tem-se criticado a empresária que terá sido a fonte da notícia do Expresso. Mas quem tem a obrigação de verificar as fontes não são os jornalistas?

23 julho 2017

Desinteresse

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Javier Pérez


 


 


 


A ninguém interessa se morro


se deixo as mãos pousadas e os olhos fechados


se deixo as flores no canto da floresta


e os caminhos lisos e rasos com a erva verde quieta


se deixo o sol arrefecer o corpo e a água inchar no lago


sem as ondas da minha existência.


A ninguém interessa que os dias desaprendam o meu nome


pendurado devagar no galho da oliveira


e a mansidão da madrugada não seja por mim respirada.


A ninguém interessa que a desertificação


dos ventos e das areias que o tempo espalha


surja no espaço de uma outra vida que desponte.


 

Meridional - 25 anos de encantamento

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O Teatro Meridional comemorou, no dia 21 de Julho, 25 anos.


 


Em 54 espectáculos, cerca de 2 por ano, o Teatro Meridional foi criando peças inesquecíveis, em que a simplicidade dos cenários e da música, a magia das palavras, ou mesmo a sua quase ausência, associadas e interligadas com o espantosa performance dos actores, fizeram e fazem a sua imagem de marca - qualidade, ternura, inteligência, humor. Esta qualidade tem vindo a ser reconhecida pelas dezenas de prémios com que tem sido distinguido, e pela presença do público incondicional e cada vez mais numeroso.


 


Desde há cerca de 15 anos que têm o seu espaço próprio no Beco da Mitra, a melhor sala de espectáculos do Poço do Bispo, como diz Miguel Seabra que, com Natália Luíza, dirige esta família de gente de excepção. Não faltam o café e o chá, o bolo, as mantas no Inverno e os leques no verão, tantos toques de atenção particular que, também por isso, fazem do Meridional um Teatro único.


 


Sinto-me uma privilegiada por ter podido partilhar estes 25 anos. Sempre que vou assistir a uma das suas peças, saio de lá mais atenta, mais alerta, mais feliz.


 


Muito obrigada.

Dunkirk


 


 


Belíssimo, sóbrio, depurado, muito bom filme, diferente do habitual deste géneros de filmes. Não há heróis nem demónios, apenas a luta pela sobrevivência, individual e de uma Nação.

Da falsidade das notícias...

... ou de como o jornalismo é o campeão da desinformação


 


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Confesso que estremeci quando li a manchete do último Expresso, pensando num escândalo inominável e de uma imensa gravidade. Ao contrário do que é meu hábito, comprei o saquinho com todas aquelas folhas de papel de jornal, para ler com cuidado todo o artigo.


 


É mesmo um escândalo inominável - ter um semanário, como o Expresso, a fazer uma primeira página com uma falsidade que a própria notícia, depois de lida, desmente. Mais inominável ainda é ler o Expresso curto de hoje, onde Pedro Santos Guerreiro repete a falsidade e desmente-a, de novo, de seguida.


 


Afinal, quais e quantas são as vítimas de Pedrógão Grande que não estão incluídas na lista dos 64 mortos? Não existem. Até porque o critério de inclusão das vítimas está explícito na própria reportagem - aquelas que resultaram directamente do incêndio. E, infelizmente, são 64 mortos. Aliás, independentemente de concordar ou não com o critério, nunca o vi ser questionado noutras tragédias.


 


Além de ser uma notícia falsa, é manipuladora e pretende criar um facto político usando desavergonhadamente a tragédia de Pedrógão Grande. No entretanto, tanto o PSD como o BE continuaram o embuste e amplificaram o facto político, pedindo explicações sobre os mortos escondidos.


 


Passamos o tempo a falar do pseudo jornalismo do Correio da Manhã, mas ele já se espalhou. Tanto faz ler as notícias no facebook como nos jornais ditos de referência. Já não se distinguem. É pena que os pedidos de demissão dos vários actores políticos, permanentemente brandidos pelos jornalistas, que se auto nomearam os seus juízes, não se estendam a eles mesmos, actores políticos também, ma não eleitos.


 


Como é hábito após a compra do Expresso concluo que foi dinheiro atirado ao lixo.

21 julho 2017

Paula Rego: Secrets and Stories

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Há dias assisti, na RTP play, ao filme Paula Rego: Secrets and Stories, de Nick Willing, seu filho. Vale a pena conhecer um pouco desta pintora, verdadeira artista cujo único objectivo na vida era pintar, que para ela era a própria vida. Na verdade só na pintura era capaz de reconhecer e expulsar os seus demónios, os seus medos, as suas esperanças e alegrias.


 


Através da pintura falava de si, consigo e com os outros, interpretando o seu sentimento para com os mais diversos assuntos, desde a violência da ditadura à violência do aborto. Com a pintura vivia as relações e as depressões, os problemas e as frustrações, reservada, tímida, introvertida, e um rio de personagens e cor nas telas. O seu estúdio é um manancial de figuras que faz e depois explora na pintura.


 


O relacionamento com o marido, o pintor Victor Willing, seu companheiro, orientador, inspirador e crítico da sua arte, modelou também tudo o que fez depois da sua morte. É comovente a sua carta de despedida que lhe endereçou e que ela conserva sempre consigo.


 


É também muito interessante perceber o relacionamento com aqueles que divulgaram a sua obra, uma vezes enganando-a, quando ela diz que todos lhe falavam dos preços elevadíssimos das suas obras de que ela não se apercebia, pois o que lhe davam era muito pouco, outras vezes dando-lhe a possibilidade de sobreviver, como a bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian.


 


Extraordinária e sentida homenagem que lhe faz o filho. E que luxo podermos partilhar as suas histórias.

20 julho 2017

Democracia - a linha divisória

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Comunistas portugueses defendem Maduro


 


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PCP votou contra homenagem a dissidente chinês. E ouviu: “Lembram-se de Tiananmen?”


 


O PCP não aprende nada com a História. Mantém a mesma linha ideológica totalitária e, contra as maiores evidências de atropelos à democracia, desde que perpetrados por regimes próximos dos comunistas, negam-os, enquanto os mesmos atropelos dos regimes de direita, denunciam-nos.


 


É por estas e por outras que a coabitação com o PS deixa tanta gente, eu incluída, com um sabor amargo e com a sensação de se estar a ultrapassar a linha que divide os verdadeiros democratas, que defendem a liberdade de expressão de pensamento e aceitam o jogo democrático, dos defensores das ditaduras, mesmo que empreguem muitas vezes a palavra democracia.

Esclarecimentos

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Estive a ouvir a entrevista a Azeredo Lopes, o nosso Ministro da Defesa, na RTP play.


 


Gostei muito e fiquei esclarecida de algumas coisas. Só tenho pena que estes esclarecimentos tenha vindo, quanto a mim, um pouco tarde.


 


Portanto, se bem percebi:



  • para além de material obsoleto foram roubados armamentos importantes e perigosos;

  • não têm razão os que dizem que a divulgação da lista foi feita, em primeiro lugar, pela imprensa espanhola;

  • estão a decorrer as averiguações para apuramento de responsabilidades do crime (porque é de um crime que se trata);

  • a inoperância da vigilância electrónica era já bastante antiga (2009)

  • o governo estava avisado deste problema e actuou rapidamente (segundo o ministro em 32 dias)

  • todos concordam - governo e chefias militares - que a responsabilidade da segurança dos paióis é estritamente militar


 


Posso ter sido demasiado célere em pedir a demissão do Ministro da Defesa. Mas sinceramente, não entendo porque ele próprio não esclareceu todos estes pontos mais cedo e à medida que surgiam os problemas e a barragem informativa, mais ou menos inventada, na comunicação social. Por isso mesmo continuo a pensar que estas situações são penosas e que trarão desgaste ao governo, mesmo que isso só seja sentido ao retardador. Acredito que a saída de Constança Urbano de Sousa e de Azeredo Lopes acabarão por acontecer, mais da primeira do que do segundo.


 


É difícil pensar com os dados viciados. O jornalismo também se demitiu da sua função de informar e aderiu ao tremendismo mediático das redes sociais. E isso está a matá-lo. E à discussão de ideias também.

19 julho 2017

Perplexidades (3)

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Não compreendo a razão pela qual há várias notícias nos jornais espanhóis que, objectivamente, lesam a imagem de Portugal, e que ainda por cima são falsas (a ser verdade o que se lê no Diário de Notícias).


 


Será que há mesmo interesse em descredibilizar o governo português, para impedir uma solução política idêntica em Espanha?

17 julho 2017

Um dia como os outros (178)

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Um mês depois da tragédia, evocando respeitosamente as vítimas, acompanhando a dor dos seus familiares, agradecendo o heroísmo anónimo dos que combateram o fogo e dos que testemunharam e testemunham solidariedade, relembro a exigência de apuramento total de factos e de responsabilidades, e de reconstrução imediata, em clima de trégua eleitoral local, aliás à medida da ilimitada generosidade do povo português.


Sessenta e quatro mortos interpelam-nos, exigindo verdade, convergência e reconstrução, com a humildade de assumirmos que os poderes públicos não corresponderam às expectativas neles depositadas.


 


Marcelo Rebelo de Sousa

Perplexidades (2)

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Por muito que quiséssemos era obviamente impossível, a qualquer governo, ter resolvido os enormes problemas das pessoas que ficaram sem nada em Pedrógão Grande e nas restantes áreas calcinadas pelos incêndios. Como também é absolutamente demagógico dos nossos anteriores governantes, exigirem que o dinheiro da solidariedade já estivesse nas mãos de quem necessita, sem qualquer veículo estatal que o possa acautelar e colocar nas mãos de quem dele precisa, ou grandes responsabilidades em relação ao SIRESP, como se fossem alheios a tudo o que diz respeito ao Estado.


 


Mas também me parece que as críticas à PT e ao SIRESP da parte de António Costa são dispensáveis. O que se espera do governo é que actue, não que se queixe, mesmo que tenha razões para isso.


 


Não sei já precisar se foi ontem que ouvi, na televisão, uma responsável pela protecção civil assegurar que as falhas verificadas nas comunicações, através do SIRESP, não tinham tido consequências porque havia sistemas de redundância de comunicações para evitar ausência total das mesmas. Fiquei perplexa outra vez, pois está tudo a colocar-se exactamente ao contrário: o SIRESP deveria servir para que as comunicações não falhassem quando os sistemas normais deixam de cumprir.


 


Porque não acabam com um sistema que, pelos vistos, é caro e não serve para nada?

Perplexidades (1)

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Confesso a minha total perplexidade pela renomeação dos Comandantes exonerados aquando do conhecimento público do roubo de material militar em Tancos.


 


Afinal já se sabe o que se passou? O Exército já concluiu quem roubou, quando, porquê, etc.? E se sabe, não será altura de também nós sabermos? É que o facto dos cinco Comandantes reassumirem as suas funções parece significar que estão isentos de qualquer tipo de responsabilidades.


 


Não percebo.

11 julho 2017

Um dia como os outros (177)

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A ideia de que uma esquadra da polícia pode ser o local mais inseguro para um qualquer cidadão é aterradora, mas ainda se torna mais difícil de aceitar que um inquérito da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) tenha servido de nada para repor a justiça. (...)


(...) O uso ilegítimo da força por uma polícia é sempre condenável e esse crime é agravado se é cometido pelo ódio e discriminação racial em relação às vítimas. Não podemos dizer orgulhosamente que Portugal não é um país racista e aceitar que um caso como este se fique pelas meias-tintas da IGAI e pelo esquecimento dos políticos. Porque se trata de "terrorismo", a investigação foi feita pela UNCT, agora tem a palavra o Ministério Público e os tribunais. Faça-se justiça.


 


Paulo Baldaia

08 julho 2017

Da detonação retardada

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eurosondagem 2.pngEurosondagem - SIC


 


Esta sondagem continua a mostrar que as opiniões de quem foi interrogado, entre a Geringonça e a oposição de direita que temos, mantém a preferência no Governo e seus apoiantes. Mostra ainda que entre Passos Coelho e Assunção Cristas, António Costa continua a ser preferido e que o Presidente da República tém uma aprovação cada vez maior.


 


Mas não tenho dúvidas do que a gestão política a que temos assistido das situações de Pedrógão Grande e de Tancos fizeram e continuarão a fazer na credibilidade do governo. Espero bem que a Geringonça não se iluda. No dia em que a oposição for forte e credível (e a democracia assim o exige) e outros problemas surgirem, tudo isto vai ser somado.


 


A legislatura vai mais ou menos a meio. Há que estar muito atento e aprender com os erros. O arrastar de situações mal resolvidas, por muito interessantes que sejam os argumentos, será um desgaste a curto, médio e longo prazo.


 


Totalmente de acordo com o Coronel Rodrigo de Sousa e Castro (a partir dos 12:48 minutos).

03 julho 2017

Da gestão política

Se a morte de 64 pessoas num incêndio e o roubo daquela quantidade e qualidade de material militar não são razões para que os Ministros se demitam, tal como os responsáveis pelos organismos do estado envolvidos, não sei que graves acontecimentos as poderão justificar.


 


Não pela culpa dos Ministros, mas pela responsabilidade que têm pelos organismos que tutelam. Não se pode admitir que haja protestos de Oficiais, em franca demonstração de desrespeito e sentimento de desconfiança pela cadeia de comando.


 


António Costa tem demorado a agir e escuda-se em resultados de comissões de inquérito que hão de vir. Já passou demasiado tempo e já se sabem muitas coisas desencontradas, para além do espectáculo público do desnorte. Com qualquer outro governo teria acontecido o mesmo, não tenho dúvidas. Mas é este governo que temos. Quanto mais tempo esta situação se arrastar maior será o rombo na confiança e maior o desgaste do governo. A oposição encontrou a brecha que procurava. E já passou tempo demais.


 


Vale a pena ler a Fernanda Câncio.

01 julho 2017

Um dia como os outros (176)

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(...) Hoje reclamamos que é preciso fazer cumprir a lei, mas ainda ontem fomos tolerantes com os mais variados incumprimentos, desde o fogo-de-artifício em tudo o que é festa, sobretudo durante o verão, à manutenção de perímetros de segurança nas estradas e zonas residenciais. Cumprir e fazer cumprir as leis não respeita apenas ao Estado, ao governo ou às instituições públicas. Diz respeito a todos. Neste domínio, como em muitos outros, seja no código da estrada, na escolaridade obrigatória, nos planos de vacinação, no pagamento de impostos... Cumprir e fazer cumprir a lei exige, para além da fiscalização e controlo, mecanismos de monitorização, de acompanhamento e de informação em todas as áreas da governação. Sem isso não poderemos sequer conhecer a medida do incumprimento. (...)


 


(...) Hoje reclamamos a falta de recursos e meios. Ontem clamávamos contra a dimensão excessiva do Estado, fazendo pressão para a diminuição do emprego público, para a extinção e fusão de organismos públicos, para a diminuição das funções e responsabilidades, que tiveram, e continuam a ter como efeito, em grande parte das instituições públicas, a degradação das condições de exercício das suas funções. Somos hoje mais exigentes com a segurança e mais intolerantes ao risco, mais exigentes com os serviços públicos que nos são prestados pelo Estado e mais intolerantes com os erros, falhas e omissões. Porém, nem sempre estamos disponíveis para fazer, de forma persistente, os investimentos necessários na prevenção dos riscos e na qualidade dos serviços públicos. Esquecemos, com muito facilidade, que ter contas públicas equilibradas implica fazer escolhas que têm necessariamente consequências, muitas vezes diferidas no tempo. (...)


 


(...) Estamos hoje a debater e a refletir sobre as causas do dramático acidente de Pedrógão Grande. Não estaremos nunca preparados para cenários de catástrofe. Contudo, em abstrato, não é absurdo pensar que podíamos estar hoje a discutir as causas de um grave acidente de aviação sobre a cidade de Lisboa, com enormes prejuízos materiais e centenas de mortos. A centralidade do aeroporto e a intensidade de tráfego que hoje se regista constituem certamente risco sério. Mas já esquecemos o debate, as hesitações e a incapacidade coletiva de decisão sobre o investimento necessário para um novo aeroporto. (...)


 


Maria de Lurdes Rodrigues

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...