23 julho 2017

Desinteresse

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Javier Pérez


 


 


 


A ninguém interessa se morro


se deixo as mãos pousadas e os olhos fechados


se deixo as flores no canto da floresta


e os caminhos lisos e rasos com a erva verde quieta


se deixo o sol arrefecer o corpo e a água inchar no lago


sem as ondas da minha existência.


A ninguém interessa que os dias desaprendam o meu nome


pendurado devagar no galho da oliveira


e a mansidão da madrugada não seja por mim respirada.


A ninguém interessa que a desertificação


dos ventos e das areias que o tempo espalha


surja no espaço de uma outra vida que desponte.


 

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