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31 março 2024

Domingo de Páscoa

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30.


 


Empapamos de suor


Os lençóis da juventude


Com a fé e o ardor


Dos profetas da virtude


 


Entrelaçamos de dor


Os dias de vastidão


Enterramos o bolor


Que cresce na solidão


 


Aprendemos o caminho


Nas noites de agonia


Senhor mostra-me o carinho


Com que derretes o dia


 


Maria Sofia Magalhães


Prosas Bíblicas


Pág. 42

30 março 2024

Sábado de Aleluia

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11.


 


Vou plantando incertezas


Entre caminhos escuros


Arrancando asperezas


Construindo alguns muros


 


Solto os cães dentro de mim


Que guardam o vento leste


Mastigam num frenesim


A marca que me fizeste


 


O tempo já corroeu


A divina tatuagem


Senhor agora sou eu


A refazer a viagem


Maria Sofia Magalhães


Prosas Bíblicas


pág. 23

24 março 2024

Domingo de Ramos

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Giotto di Bondone


Cenas da vida de Cristo – Entrada em Jerusalém


Cappella degli Scrovegni


 


14.


 


Falareis da rosa como se soubésseis de espinhos


Cuidareis dos filhos para que morram sozinhos


Carregareis as pedras com que fareis os caminhos


Servireis a fome que alimentais de carinhos


 


Mas a cova que vos espera será de lama


Mas o templo que vos tenta será de vento


Mas o tempo que vos gasta será a chama


Que do espaço vos devora sem um lamento


 


Maria Sofia Magalhães


Prosas Bíblicas – Livro 3


Pág. 74

17 julho 2019

Prosas Bíblicas - Livro 3

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6.


 


Somareis os vossos braços ao trabalho e às canseiras


Correreis como as formigas pelos matos e carreiras


Calçareis botas de chumbo para ateardes fogueiras


Dormireis amarfanhados nas covas das toupeiras


 


Ficareis no sopé dos montes por escalar


Náufragos retidos nas algas do mar


Secareis de esperança por braçadas de ar


Desistindo da morte que vos há de tentar


in Prosas Bíblicas, Livro 3 (pág.66)


(quem estiver interessado pode enviar pedido através de


sofia.l.santos@sapo.pt)

16 julho 2019

Prosas Bíblicas - Livro 2

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5.


 


Gastei os caminhos com os meus passos


soprei as areias de todos os desertos


consumi os olhos com que velei pelas noites


em busca do meu amor ausente.


Talvez um dia no rasto dos meus pés


no eco da minha voz na centelha do meu olhar


se acendam faróis que o guiem ao meu altar.


in Prosas Bíblicas, Livro 2 (pág.51)


(quem estiver interessado pode enviar pedido através de


sofia.l.santos@sapo.pt)

15 julho 2019

Prosas Bíblicas - Livro 1

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6.


 


Na vida que me insuflaste


Faltam-me os dedos da mão


Parelha que não sonhaste


Olhos da minha paixão


 


Falta-me Senhor alento


Suspiro de solidão


Falta-me amor e sustento


Para a minha dimensão


 


Já hoje é o sexto dia


Olho a terra em redor


No sono que me asfixia


Abre-me o corpo sem dor


 


Da minha massa fecunda


Farás a minha metade


Serei aquela que funda


O ventre da humanidade


in Prosas Bíblicas, Livro 1 (pág.18)


(quem estiver interessado pode enviar pedido através de


sofia.l.santos@sapo.pt)

10 dezembro 2018

Prosas Bíblicas - Livro 1

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27.


 


O meu irmão me criou


Com paus com pedras com cinto


Por sete mães me deixou


Por entre noites de absinto


 


O meu irmão me vendeu


Por dinheiro e por carinho


Por sete mares me perdeu


Morrendo devagarinho


 


O meu irmão me fechou


Para abafar o lamento


Por sete caves calou


A fome do meu tormento


 


O meu irmão definhou


Sem descanso nem perdão


Por sete infernos passou


Sem quebrar a maldição


 


in Prosas Biblicas - Livro 1


(pág. 39)


Livraria Ler Devagar

30 novembro 2018

Prosas Bíblicas - Livro 1

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23.


 


Pus-me ao sol a depurar


Em busca da tua essência


Sentimentos a crestar


Em rios de decadência


 


Passam noites passam dias


O tempo corre e dilata


Corpos sofrem agonias


As almas viram sucata


 


Sacudi estrelas e pó


Resíduo do que ficou


Na verdade estou só


Nada de novo mudou


 


in Prosas Bíblicas, Livro 1 (pág. 35)


na Ler Devagar

29 novembro 2018

Prosas Bíblicas - Livro 1

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10.


 


Bebi a água sagrada


Junto à fonte da verdade


A minha face banhada


Êxtase de santidade


 


Subi ao trono bem alto


Degraus firmeza rigor


A vida sem sobressalto


A alma sempre em fulgor


 


Pensei que me era devido


O ouro o mel e o pão


O paraíso perdido


Na palma da minha mão


 


Caí do meu pedestal


Estilhacei os espelhos


Condenada afinal


A caminhar de joelhos


 


in Prosas Bíblicas, Livro 1 (pág.22)


na Ler Devagar

29 dezembro 2017

Um pouco de promoção

Para quem estiver interessado, aqui fica o excerto do programa Agora Nós, da RTP1 (a partir dos 27 minutos), onde falei um pouco com o José Pedro Vasconcelos sobre o livro Prosas Bíblicas.


 


Agora Nós de 29 Dez 2017 - RTP Play - RTP


23 dezembro 2017

Prosas Bíblicas - Porto e Setúbal

Muitas emoções e muito trabalho. Assim me justifico pelo tempo arredada do blogue.


 


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As apresentações do livro no Porto e em Setúbal foram momentos que guardarei com orgulho e carinho. Orgulho por aqueles que me acompanharam, nomeadamente o Prof. Sobrinho Simões, o Manuel de Oliveira, a Maria Celeste Pereira, o Fernando Pinto do Amaral e o José Teófilo Duarte. Carinho pela simpatia com que nos acolheram, na Casa Allen e no Café da Casa (da Avenida), e por todos os que quiseram estar presentes. Muito obrigada a todos.


 


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Casa Allen, Porto, 14 de Dezembro de 2017


 


Assistência1.png


 Casa Allen, Porto, 14 de Dezembro de 2017


 


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Café da Casa, Setúbal, 16 de Dezembro de 2017


 


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 Café da Casa, Setúbal, 16 de Dezembro de 2017


 

12 dezembro 2017

Prosas Bíblicas - Porto e Setúbal

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Apresentação na 5ª feira, 14 de Dezembro/2017 – 19:00h


Casa Allen - Rua António Cardoso, n.º 175, 4150-081 Porto


com


Manuel Sobrinho Simões


Manuel de Oliveira


Maria Celeste Pereira


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Apresentação no Sábado, 16 de Dezembro/2017 – 17:00h


Caféda Casa / Casa da Avenida Galeria


Avenida Luísa Todi, 286-296 Setúbal


com


Fernando Pinto do Amaral


Paulo Curto


José Teófilo Duarte


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02 dezembro 2017

Prosas Bíblicas - Livro 3

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(…) Uma lição que transforma o amor nessa misteriosa espécie de “cola” ou de “barro” capaz de ligar os pedaços sempre dispersos das nossas vidas tão fragmentadas, procurando unir na mesma substância indivisível o corpo e a alma ou, se preferirem, o humano e o divino: “Da cola do amor remendamos os cacos das vidas / Do barro do amor colamos as peças removidas / De nuvens de amor sopramos as faces ressequidas / Do canto do amor lambemos as crostas das feridas // Presos e atados por amor a tantos fios invisíveis / Amparados pelo amor que sem saber semearemos / Em cada canto do amor assim nos confiaremos / No tumulto do amor morreremos indivisíveis”


O HUMANO E O DIVINO – Fernando Pinto do Amaral - prefácio de Prosas Bíblicas


 


16.


Da cola do amor remendamos os cacos das vidas


Do barro do amor colamos as peças removidas


De nuvens de amor sopramos as faces ressequidas


Do canto do amor lambemos as crostas das feridas


 


Presos e atados por amor a tantos fios invisíveis


Amparados pelo amor que sem saber semearemos


Em cada canto do amor assim nos confiaremos


No tumulto do amor morreremos indivisíveis


 


Livro 3 (pág. 78)

Prosas Bíblicas - Livro 3

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(…) mas o que daqui ressalta é, acima de tudo, a consciência muito clara de que, por mais belas que sejam tais palavras, por mais harmoniosa que seja a sua música, por mais que o “todo” seja “eloquente”, há sempre uma dimensão que elas não atingem. Como se diz no último poema: “Que o amor não se ouve nem se canta / Apenas se sente”. (…)


O HUMANO E O DIVINO – Fernando Pinto do Amaral - prefácio de Prosas Bíblicas


 


20.


A todos os que me querem e me ouvem


Assim farás de ovo e serpente


Que o amor não se ouve nem se canta


Apenas se sente


 


A todos os que serão sem que o sejam


À espera da luz que não se acende


Assim abrirás o manto da vida


Para todo o sempre


 


Livro 3 (pág. 82)

Prosas Bíblicas - Livro 3

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(…) A matéria-prima desse infinito labor continuam a ser as palavras – “Com palavras amareis um pouco ou totalmente / Pelas palavras o nada será o todo eloquente” – , (…)


O HUMANO E O DIVINO – Fernando Pinto do Amaral - prefácio de Prosas Bíblicas


 


9.


Escavareis a terra com as mãos da solidão


Cantareis a alma com a voz da paixão


Usareis o alento do corpo sem salvação


Expiareis com a vida o peso da ambição


 


Pelas palavras semeareis o fruto e a semente


Nas palavras sofrereis a pomba ou a serpente


Com palavras amareis um pouco ou totalmente


Pelas palavras o nada será o todo eloquente


 


Livro 3 (pág. 71)

Prosas Bíblicas - Livro 2

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(…) Digamos que na segunda parte ecoa uma atitude mais pessoal, talvez mais próxima dos pequenos dramas de cada um de nós, mais interrogativa perante as escolhas a que, melhor ou pior, a vida sempre nos obriga: “E agora que faço comigo matéria informe que se criou / e por céus e terras em paixões secretas alastrou / de ti desabrigada por ti desmanchada em ti / teimosamente escondida?” (…)


O HUMANO E O DIVINO – Fernando Pinto do Amaral - prefácio de Prosas Bíblicas


 


8.


Nasceram-me braços e pernas cresceram-me bocas e línguas


fundiram-se sangue e saliva cozeram-se peles e dias.


E agora que faço comigo matéria informe que se criou


e por céus e terras em paixões secretas alastrou


de ti desabrigada por ti desmanchada em ti


teimosamente escondida?


 


Livro 2 (pág. 56)

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...