31 janeiro 2010

Ciclos perpétuos

 


Ciclos perpétuos na procura de um passado que nunca morre. Revisitamos ruínas de papéis, de tecidos engelhados com flores secas, que se desfazem à menor aragem de novidade.




Refazemos os factos essenciais que de essência são vestidos pelo olhar de quem muda.




Não há história universal. Há a pequena história que as correntes individuais somam e reproduzem.


 

O ciclo da pedra

 



Jurgis Baltrušaitis: Pictorial Stones


 

Widerstehe Doch Der Sünde

 



Andreas Scholl


Bach Cantata No.54


Georg Christian Lehms


 


 


 


Widerstehe doch der Sünde,

Sonst ergreifet dich ihr Gift.


Laß dich nicht den Satan blenden;

Denn die Gottes Ehre schänden,

Trifft ein Fluch, der tödlich ist.


 


Die Art verruchter Sünden

Ist zwar von außen wunderschön;

Allein man muss

Hernach mit Kummer und Verdruss

Viel Ungemach empfinden.

Von außen ist sie Gold;

Doch, will man weiter gehn,

So zeigt sich nur ein leerer Schatten

Und übertünchtes Grab.

Sie ist den Sodomsäpfeln gleich,

Und die sich mit derselben gatten,

Gelangen nicht in Gottes Reich.

Sie ist als wie ein scharfes Schwert,

Das uns durch Leib und Seele fährt.


 


Wer Sünde tut, der ist vom Teufel,

Denn dieser hat sie aufgebracht.


Doch wenn man ihren schnöden Banden

Mit rechter Andacht widerstanden,

Hat sie sich gleich davongemacht.


 

Widerstehe Doch Der Sünde

 



Anne Sofie von Otter


Bach Cantata No.54


Georg Christian Lehms


 


Widerstehe doch der Sünde,

Sonst ergreifet dich ihr Gift.


Laß dich nicht den Satan blenden;

Denn die Gottes Ehre schänden,

Trifft ein Fluch, der tödlich ist.

 


Die Art verruchter Sünden

Ist zwar von außen wunderschön;

Allein man muss

Hernach mit Kummer und Verdruss

Viel Ungemach empfinden.

Von außen ist sie Gold;

Doch, will man weiter gehn,

So zeigt sich nur ein leerer Schatten

Und übertünchtes Grab.

Sie ist den Sodomsäpfeln gleich,

Und die sich mit derselben gatten,

Gelangen nicht in Gottes Reich.

Sie ist als wie ein scharfes Schwert,

Das uns durch Leib und Seele fährt.

 


Wer Sünde tut, der ist vom Teufel,

Denn dieser hat sie aufgebracht.


Doch wenn man ihren schnöden Banden

Mit rechter Andacht widerstanden,

Hat sie sich gleich davongemacht.


 

República

 



 


Começaram ontem as comemorações dos 100 anos de implantação da República.


 


Ao contrário dos fundamentalistas da bondade da 1ª República, levantam-se agora os fundamentalistas da monarquia. Sem surpresa, as opções políticas de quem defende uma e outra visão não são inocentes.


 


Os ideais da República não se reduzem à forma como os primeiros responsáveis do novo regime lidaram com os problemas do país e com esses mesmos valores.


 


Desde o 25 de Abril de 1974, ou mais precisamente desde o 25 de Novembro de 1975, podemos considerar que foi fundada a 3ª República em Portugal, aquela em que os ideais republicanos, como a democracia, se realizaram.


 


Cem anos depois o mundo mudou e Portugal com ele.


 

28 janeiro 2010

Um dia como os outros (28)

 


(...) I suffer no illusions that this will be an easy process. Once again, it will be hard. But I also know that nearly a century after Teddy Roosevelt first called for reform, the cost of our health care has weighed down our economy and our conscience long enough.





So let there be no doubt: Health care reform cannot wait, it must not wait, and it will not wait another year. (...)


 

Perplexidades

 



 


A 6 de Novembro de 2008 Teixeira dos Santos previu, no Orçamento do Estado para 2009, um défice de 2,2%. Em Março de 2009 reviu essa previsão para 3,9%. Em Julho de 2009 reviu novamente o défice para 5,9%. Em Novembro de 2009 reviu mais uma vez o défice para 8%. A 26 de Janeiro de 2010 o défice de 2009 é de 9,3%.


 


A credibilidade de Teixeira dos Santos, por muita confiança que se tenha na sua capacidade técnica, e por muito que tenha demonstrado a realização da proeza que foi reduzir o défice entre 2005 e 2008, ficou seriamente danificada. Não é possível iludir a conclusão de que houve uma deliberada camuflagem da realidade, com fins eleitorais, o que é inaceitável.


 


Por outro lado é estranhíssimo que, após todas estas negociações orçamentais, de que PSD e CDS tanto gostaram, de tal forma que resolveram abster-se na votação do orçamento, venham agora dizer mal do que negociaram. O problema da lei das finanças regionais é o paradigma da hipocrisia a que se pode chegar.


 


De facto, mesmo com todos os erros de Teixeira dos Santos, nem à direita nem à esquerda parece haver qualquer alternativa à governação. E a demagogia dos sindicatos da função pública, em guerra permanente perante o maior ataque aos trabalhadores (todos os anos é o maior ataque), é imensa.


 


Pelo menos há a esperança de que seja um orçamento minimamente equilibrado.


 

26 janeiro 2010

Quinteto de trompa e cordas

 



Mozart - Quinteto de trompa e cordas, em Mi bemol maior (KV 407)


Radovan Vlatkovic, trompa

Herich Hobarth, violino

Siegfried Furlinger, viola de arco

Thomas Riebl, viola de arco

Susanne Ehn, violoncelo


 

A pandemia da suspeita

 



 


A credibilidade de Instituições como a OMS é crucial para governos, profissionais de saúde e população em geral. É imprescindível que as suspeitas de envolvimento da OMS por lobis farmacêuticos sejam rapidamente investigadas, pois todo este cenário pode ser muito pernicioso para a saúde pública.


 


A verdade é que a OMS lidou com esta situação levantando enorme alarme e medo na população em geral. Além disso, quando começaram a surgir estatísticas que indicavam que este vírus tinha uma mortalidade semelhante ao da gripe sazonal, a OMS não foi tão incisiva com esta informação como tinha sido com a mais alarmista.


 


No entanto, a constatação da menor virulência de um vírus não significa que isso fosse previsível, nem sequer que fosse o mais provável. Mas depois das previsões não confirmadas, felizmente, da pandemia do vírus H5N1 - gripe das aves - fica a descrença no ar e a suspeita, que é o vírus mais perigoso que existe.


 


Mais uma vez é essencial que todo este assunto se esclareça rapidamente.


 


Nota: Ler também.


 

24 janeiro 2010

Cantiga de escárnio

 



poesia de D. Dinis (CBN 1539)


 


U n'outro dia seve Don Foan,


a mi começou gran noj' a crescer


de muitas cousas que lh' oí dizer.


Diss' el: "Ir-m'ei, ca já se deitarán;"


e dix' eu: "Bõa ventura ajades


porque vos ides e me leixades."


 


E muit' enfadado do seu parlar


sêvi gran peça, se mi valha Deus,


e tosquiavan estes olhos meus;


e quand el disse: "Ir-me quer' eu deitar;"


e dix' eu: "Bõa ventura ajades


porque vos ides e me leixades."


 


El seve muit' e diss' e parfiou,


e a min creceu gran noje por en:


e non soub' el xe x'era mal, se ben,


dixi-lh' eu: "Bõa ventura ajades


porque vos ides e me leixades."


 

O discurso de João Salgueiro

 



 


Ouvi partes da entrevista a João Salgueiro na TSF e li a transcrição da mesma no DN.


 


Alguns fragmentos, para mim significativos, ficaram a rebolar dentro do meu cérebro. A classificação de Teixeira dos Santos, o nosso Ministro das Finanças, como um técnico competente mas que não tem o poder suficiente que os ministros das Finanças deviam ter. Será que para João Salgueiro quem deveria definir a política do governo seria o Ministério das Finanças? Ou seja, a política seria determinada por aquilo que os Economistas pensassem, pelas suas prioridades, pelo seu poder?


 


Outro fragmento de que não consigo desenvencilhar-me é a afirmação - de trabalho feminino não se criaram muitas oportunidades ainda, talvez agora se comece, mas isso devia ser a primeira prioridade. - em relação ao Alentejo, pela quantidade de fábricas que têm fechado. O desemprego feminino? Como se combate o desemprego feminino? Abrindo creches e lares de 3ª idade para elas aí trabalharem em tarefas domésticas? Abrindo fábricas de tapetes de Arraiolos para bordarem muito? O que significa criar emprego feminino?


 


E depois a eterna discussão do aeroporto e do TGV. Será que entre tantos estudos e mais estudos, não há nenhum que calcule o prejuízo e o atraso para o país da não concretização das decisões tomadas? Há quantos anos se está a debater a necessidade de um aeroporto novo? Há quantos anos e há quantos estudos foi decidido que a Ota é que era o melhor sítio para o construir? E agora quantos anos vão ser precisos para colocar os estudos de Alcochete em dúvida? Se demorarmos muitos mais anos se calhar até deixa de se andar de avião porque já se descobriu o teletransporte individual.


 


Quanto ao TGV e à grande despesa do TGV, uma coisa é discutir as linhas e as direcções que o TGV deve tomar, que já foram várias, em número e configuração diferentes, consoante o partido que está no governo, outra coisa é a discussão do investimento na rede ferroviária de alta velocidade. Quem é que vai para Paris, Bruxelas ou Berlim de TGV? Ninguém vai! . Se calhar não, até porque ele não existe. Mas não será de pensar numa alternativa aos transportes que consomem petróleo e que são mais poluentes? Não será uma ideia de futuro investir na rede ferroviária nacional e internacional de alta velocidades?


 


O Estado não tem a noção do que pode ou não gastar., diz João Salgueiro. Se calhar há pouco dinheiro e há coisas mais urgentes. Mas alguém acha razoável que se deixe de investir em investigação científica de ponta, por exemplo, apenas porque somos um país pobre?


 


João Salgueiro é um dos Economistas de sempre com o diagnóstico de sempre e a terapêutica de sempre, cuja visão é partilhada por quem tem estado à frente dos destinos do país desde há muitos anos. Será que as soluções que preconizam são as certas? Então porque é que nunca resultaram?

 


(Também aqui)


 

23 janeiro 2010

Um dia como os outros (27)

 


(...) A coberto de acções de apoio a crianças que perderam toda a família, podem estar a operar no Haiti redes de tráfico infantil, uma situação que a agência da ONU para a infância quer ver esclarecida. (...)


 


(Também aqui)


 

Das memórias incómodas

 



Isabela Figueiredo


 


As memórias da guerra colonial portuguesa são diferentes para todos os que a viveram.


 


São diferentes para quem vivia na metrópole e que tinha dos colonos uma noção mítica de encontro da terra prometida. São diferentes para quem foi para as colónias porque não encontrava trabalho nem qualidade de vida na metrópole. São diferentes para quem nunca tinha conhecido África e para lá foi combater os turras. São diferentes para quem nasceu nas colónias e essas eram a sua terra. São diferentes dependendo das colónias que se mencionam.


 


Mesmo as palavras que aqui uso intencionalmente – colónias, metrópole, turras – existiam e foram usadas normalmente por todas as pessoas antes do 25 de Abril, arriscando-me a afirmar que apenas uma pequena minoria de cidadãos, portugueses de aquém e de além-mar, as achava estranhas e as punha em causa. Dentro do país e até ao 25 de Abril de 1974, para a imensa maioria da população, Portugal era um Império uno e indivisível do Minho a Timor. A guerra colonial era uma sombra de medo na população, pela natureza da própria guerra. Mas também arriscaria que as motivações políticas dessa guerra eram conhecidas e contestadas por alguns grupos de intelectuais e por alguns militares, tendo-se alargado esse conhecimento à medida que a emigração crescia e observava o que se passava fora das nossas fronteiras.


 


Após o 25 de Abril de 1974 o quadro passou a ser completamente diferente, despertando a nação, palavra que foi banida do nosso vocabulário por muito tempo, para os horrores da exploração do homem pelo homem, na metrópole e nas colónias, para o racismo, para os direitos dos povos à sua autodeterminação e independência, levando à inevitável orgia de culpabilização, vergonha e remorsos tão aprazível ao sentir português.


 


Por isso mesmo, para os que regressaram, apesar de, ao contrário do que já ouvi afirmar, Portugal ter conseguido assimilar em pouco tempo uma enorme quantidade de pessoas regressadas do ultramar, os retornados, muitos totalmente espoliados do que tinha sido a sua vida, sem reconhecer o clima, a sociedade, a revolução, o atraso social em que se vivia, foram olhados como o expoente do mal do antigo regime, personificando o opressor em relação ao explorado e oprimido preto das ex-colónias.


 


Caderno de Memórias Coloniais é um livro que relata, na primeira pessoa, uma experiência de vida em Moçambique, da pequena burguesia, que trabalhava e sentia como sua aquela terra. É um livro de amor pela personagem paterna, herói e devastadora desilusão por não ser herói mas apenas pessoa. É um livro de desabafo e terapêutico, como o são os livros escritos com o despojamento, a crueza e a rudeza deste. É um livro muito bem escrito que nos transporta para dentro e para fora da autora, em fragmentos que se entrelaçam sem aparente intencionalidade. É um livro que me parece não pretender fazer história nem doutrina revelando, no entanto, uma parte da verdade que poucos têm coragem de abordar, por todos os motivos que referi e por muitos outros que desconheço.


 


Independentemente daquilo que, como sociedade, integrámos e assimilámos do que era o Portugal anterior à revolução e o Portugal que fomos e que somos desde a revolução, vale a pena ler o livro de Isabela Figueiredo por ele próprio, como objecto literário, porque nos enfrenta e nos faz pensar, provoca e comove, porque nos acrescenta.


 


Nota: Ler também Eduardo Pitta, Rui Bebiano, ABM, Francisco José Viegas e Fernanda Câncio.

 


(Também aqui)


 

22 janeiro 2010

A Devilish Tale

 



Bester Quartet & Sinfonietta Cracovia

Orçamento 2010

 


A Regra do Jogo convida a responder a pensar em qual ou quais seriam as nossas apostas ou prioridades para o Orçamento de Estado de 2010, propondo-se debatê-las.


 

Estranho

 


Estranha semana esta num estranho desequilíbrio de gostar e não gostar. Estranho torpor este de querer e não querer escrever. Tudo suspenso e pendurado por fios invisíveis. Não me apetece contá-los.




Sentimo-nos importantes por fazer parte de alguma coisa, por dizer, sempre dizer seja o que for. A quem interessa?




Estranho sabor este que não desaparece, água límpida para o limpar, desgastar, reparar. Estranho espelho este que desfoca a imagem, tremelica, estilhaça. Estranho acabar.

 

20 janeiro 2010

Jogos do imprevisto

 



La règle du jeu - Jean Renoir (1939)


 


Passaram-se senhas e contra senhas entre imperiais. A mesa obscura esperava pelos jogadores, com o disfarce ao fundo, sob um écran em que se abafavam as assessorias, as remodelações, as cisões e rescisões dos contratos principescos propostos com bifes em molhos secretos.




À volta o ruído cúmplice das conspirações.




Pela calada da noite foram surpreendidos por máquinas digitais, rapidamente apreendidas pelos seguranças. Mesmo assim o jogo foi desmascarado a dois tempos, refazendo as identidades descobertas.


 


(Também aqui)


 

18 janeiro 2010

Festival Jazz Viena 2008

 



Bobby McFerrin & Thomas Quasthoff


 

Do dilema presidencial

 



 


Também votei no Manuel Alegre. Desde a primeira hora identifiquei-me com a candidatura presidencial de Manuel Alegre, revoltada com a cegueira de Sócrates ao apoiar Mário Soares. Foi um erro político que foi pago com a vitória de Cavaco Silva.


 


Ao contrário do que eu esperava Manuel Alegre manteve-se em campanha eleitoral nestes 4 anos, fazendo coro com a oposição ao governo, principalmente com a oposição de extrema-esquerda, populista e irresponsável. Manuel Alegre não ajudou o governo, não apresentou ideias refrescantes e inovadoras, não contribuiu em nada para a reestruturação dos serviços públicos de educação e da saúde, alinhando sempre nos folclores das manifestações à porta das maternidades, à porta dos Centros de Saúde, de braço dado com os professores a bem da escola pública, incentivando e aumentando a barreira entre um governo de esquerda reformista e uma retórica que apenas se reclamava de esquerda.


 


Manuel Alegre apresenta-se de novo como candidato presidencial, no que demonstra também grandeza e vontade de servir o país. Não estão em causa nenhuma das suas características de homem corajoso, referência da cultura e da democracia. Mas como pode Manuel Alegre corporizar agora os anseios de quem votou no PS, de quem apoiou o governo anterior e apoia este governo? Que tipo de Presidente será este que sempre se manifestou contra todo o trabalho do PS em que a maioria da população se revê? Como consegue captar os eventuais arrependidos do voto em Cavaco Silva?


 


Impedir que Cavaco seja reeleito, pois, deve ser o desígnio nacional de qualquer cidadão. – será o meu. Mas não me parece que Manuel Alegre tenha condições para corresponder às expectativas de uma grande parte dos cidadãos. Aliás este desabafo de Manuel Alegre é bem indicativo da forma como se está a posicionar dentro do espectro político. E não, não são sempre os mesmos que têm uma opinião desfavorável. São capazes de ser uns quantos mais.


 

17 janeiro 2010

Da realidade

 


Antes das eleições para a Assembleia Constituinte, a 25 de Abril de 1975, antes das sondagens e dos estudos de opinião, na alvorada das campanhas, das estratégias e das manipulações políticas, havia a percepção generalizada de que o PCP seria a escolha da grande maioria dos cidadãos.


 


A omnipresença dos comunistas e da extrema-esquerda em todas as áreas da sociedade, as manifestações, as canções, os debates nas escolas, nas fábricas, nos serviços, a dificuldade de afirmação do contraditório pelo medo de ganhar fama de fascista (todos eram fascistas e reaccionários, com excepção dos comunistas), era avassaladora.


 


O resultado eleitoral foi uma esmagadora derrota dos comunistas (PCP: 12,46%; MDP: 4,14%) e uma significativa vitória dos socialistas (37,87%). O PPD teve 26,39% e o CDS 7,61%. O País apercebeu-se de que, mais importante do que aquilo que os activos propagandistas faziam acreditar, era o voto popular, era o resultado do acto eleitoral. A decisão popular foi soberana e importantíssima para a legitimidade da luta pela restauração da democracia a 25 de Novembro de 1975.


 


Hoje em dia há vários activos propagandistas na oposição, sendo Pacheco Pereira um dos mais encarniçados. Se substituirmos socráticos por fascistas e reaccionários, estão lá todos os ingredientes da intoxicação pública de uma dramática encenação, fazendo crer que o país não suporta mais este governo, que o país está à beira de o expulsar, tal como antigamente estava prestes a castigar o grande capital, os monopolistas e os latifundiários.


 


Mais uma vez o voto livre demonstra qual a vontade dos portugueses. Nas últimas eleições legislativas, a vontade livre e soberana dos cidadãos legitimou a manutenção do governo do PS e do Primeiro-Ministro José Sócrates. Convinha que não nos esquecêssemos que, por muito que Pacheco Pereira gostasse que fosse diferente, apenas 29,11% dos eleitores (do PSD, partindo do princípio que todos pensam da mesma forma) comungam das opiniões de Pacheco Pereira. O PS teve 36,56%, O CDS 10,43% e o PCP 7,86%.


 


(...) Os tempos de Sócrates estão a acabar, esgotados, encurralados, perdidos na nuvem de arrogância do "animal feroz", na amoralidade da sua política, na mentira total em que transformou toda a actividade governativa, na impotência face a uma crise nacional que agravou e uma crise internacional que ignorou, adiou e, por isso mesmo, também agravou. (...)


 


(...) Já toda a gente percebeu tudo isto menos os intelectuais orgânicos "socráticos", um conjunto modernaço de gente que tem o coração no Bloco de Esquerda, mas a carteira no PS, ou melhor, no gabinete do primeiro-ministro. Gente que pouco preza a liberdade mas que tem acima de tudo um enorme fascínio pelo poder como ele se exerce nos dias de hoje, entre o culto da imagem, o pedantismo das causas "fracturantes", o vanguardismo social, o "diabo que veste Prada" ou Armani, e o "departamento dos truques sujos" à Richard Nixon, tudo adaptado à mediania provinciana da capital. A ascensão ao poder de uma geração de diletantes embevecidos com os gadgets, pensando em soundbites, muito ignorantes e completamente amorais, que se promovem uns aos outros e geram uma política de terra queimada à sua volta, é a entourance que o "socratismo" criou e vai deixar órfã. (...)


 


Convém manter uma visão desapaixonada da realidade. Pacheco Pereira perdeu-a.


 

Der Leiermann

 



Schubert: Die Winterreise

Thomas Quasthoff - baixo barítono

Daniel Barenboim - piano


 

Dos assessores dos vários quadrantes

 



Amy Schrom: On A Mission


 


É muito interessante seguir as acusações que a oposição e os apoiantes do governo se fazem mutuamente, em relação à utilização de blogues para lançar dúvidas e insinuações de incompetência e compadrio político.


 


Vale a pena seguir esta troca de posts e de comentários, iniciado por Pinho Cardão, mostrando 2 despachos seguidos em que se nomeava e exonerava uma pessoa para o cargo de secretária pessoal do gabinete de Sócrates, com uma diferença de 4 dias, louvando-a aquando da exoneração. João Magalhães responde publicando um despacho de 2005 que demonstra que essa nomeação tinha cerca de 4 anos e não 4 dias.


 


Pinho Cardão reagiu indignado pela mentira de João Magalhães que, inclusivamente, terá colocado um despacho referente a uma pessoa diferente.


 


No entanto, na caixa de comentários do 2º post de Pinho Cardão é desmontada a história da rapidinha (nomeação para e exoneração de um cargo em 4 dias), com links para os diferentes despachos em relação a esta matéria, que reproduzo por ordem cronológica:


 



  • Nº 75 - 18 de Abril de 2005 - DIÁRIO DA REPÚBLICA - II SÉRIE - 6149 - Despacho n.º 8232/2005 (2ª série)


Ao abrigo do disposto no nº 1 do artigo 3º do Decreto- lei nº 322/88, de 23 de Setembro, com a redacção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei nº 5/92, de 4 de Abril, nomeio secretária pessoal do meu Gabinete XXXX - 12 de Março de 2005 - O Primeiro-Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.



  • 6514 - DIÁRIO DA REPÚBLICA - II SÉRIE Nº 79 - 22 de Abril de 2005 - Despacho nº 8934/2005 (2ª série)


XXXX - cessa funções, a seu pedido, em virtude de ter iniciado funções em gabinete de membro do XVII Governo Constitucional, nos termos dos nºs 5 e 6 do artigo 46º da Lei nº 77/88, de 1 de Julho (Lei de Organização e Funcionamento dos Serviços da Assembleia da República), com a redacção que lhe foi dada pelas Leis nºs 59/93, de 17 de Agosto, e 28/2003, de 30 de Julho, do cargo de assistente parlamentar de nível III deste Grupo Parlamentar, com efeitos a partir do dia 12 de Março de 2005 - 11 de Março de 2005 - A Directora de Serviços, por delegação da Secretária-Geral, Teresa Fernandes.



  • Diário da República, 2.ª série - Nº 235 - 4 de Dezembro de 2009 - 49181 - Despacho nº 26370/2009

    Nos termos e ao abrigo no nº 1 do artigo 2º e no nº1 do artigo 3º do Decreto-Lei nº 322/88, de 23 de Setembro, com a redacção que lhe foi dada pelo Decreto -Lei nº 45/92, de 4 de Abril, nomeio a licenciada XXXX para exercer as funções de secretária pessoal do meu Gabinete, em regime de comissão de serviço. Este despacho produz efeitos a 26 de Outubro de 2009 - 4 de Novembro de 2009 - Primeiro -Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.



  • Diário da República, 2ª série - Nº 235 - 4 de Dezembro de 2009 - 49181 - Despacho nº 26371/2009

    Exonero, a seu pedido, por ir exercer outras funções públicas, a licenciada XXXX das funções de secretária pessoal do meu Gabinete, ao abrigo do disposto no nº 1 do artigo 3º do Decreto-Lei nº 322/88, de 23 de Setembro, sendo-me grato evidenciar a forma extremamente leal, competente e dedicada como desempenhou aquelas funções, bem como as excelentes qualidades pessoais e profissionais. Este despacho produz efeitos a 30 de Outubro de 2009 - 4 de Novembro de 2009 - O Primeiro -Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa - 10 de Novembro de 2009 - O Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, José Manuel Gouveia Almeida Ribeiro.



  • Diário da República, 2ª série - Nº 235 - 4 de Dezembro de 2009 - 49183 - Despacho nº 26385/2009


1 - Nos termos do disposto no nº 1 do artigo 2º, no artigo 5º e no nº 1 do artigo 6º do Decreto-Lei nº 262/88, de 23 de Julho, nomeio, em comissão de serviço, a licenciada XXXX para exercer funções como minha secretária pessoal. 2 - O presente despacho produz efeitos a partir de 31 de Outubro de 2009 - 10 de Novembro de 2009 - O Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, José Manuel Gouveia Almeida Ribeiro.



 


Pinho Cardão enganou-se. O seu 1º post é uma insinuação de incompetência. Não lhe ficava nada mal reconhecê-lo, dando o mesmo destaque ao reconhecimento do engano que deu à suposta incompetência. Ou então haverá lugar à suspeição de que foi ele próprio quem truncou a informação, e até podemos especular que existira intencionalidade no engano - desinformação? Manipulação?




Porque é assim que se alimentam as desconfianças sobre o papel dos apoiantes das várias facções políticas na blogosfera.


 


Nota: XXXX corresponde ao nome da pessoa em questão, que é sempre a mesma, o que pode ser confirmado nos respectivos despachos.


 

16 janeiro 2010

Caderno de memórias coloniais

 



 


Isabela Figueiredo escreve n'O Novo Mundo, depois de ter encerrado O Mundo Perfeito.


 


É dos blogues mais interessantes que conheço. Por isso estou com curiosidade em ler o livro que, com grande pena minha, há bem pouco tempo não estava ainda disponível na Bulhosa nem na FNAC.


 


Na Livraria Pó dos Livros, próxima 5ª feira ao fim da tarde, Eduardo Pitta apresentará o livro.


 

Gute Nacht

 



Schubert: Die Winterreise


Christine Schafer - soprano


Eric Schneider - Piano


 

Da urdidura

 



 


Manuel Alegre, como era previsível, anunciou a sua candidatura à Presidência da República. Neste momento o surgimento de qualquer outro candidato à esquerda é improvável e, mesmo na área do PS será muito difícil alguém arriscar uma candidatura que, com toda a certeza, dividirá os votos e reduzirá significativamente as hipóteses de haver uma vitória com a esquerda e o centro-esquerda divididos.


 


Cavaco Silva, tal como tentou condicionar as eleições legislativas tenta agora condicionar as eleições presidenciais, mesmo antes de assumir a recandidatura. Só assim consigo entender a publicação de um texto inenarrável de Fernando Lima no Expresso (link não disponível) de hoje, para defender a sua honra e o seu bom nome.


 


A coincidência entre o anúncio da candidatura de Manuel Alegre e o reavivar, por parte de Belém, do episódio das escutas e da manipulação jornalística para condicionar os resultados eleitorais, uma teia bem urdida mas em sentido inverso ao que aponta Fernando Lima, não existe. Ninguém pode acreditar que este artigo e este timing não tenham o conhecimento e o beneplácito do Presidente. A melhoria do seu posicionamento nas últimas sondagens ter-lhe-ão dado alento, ou aos seus conselheiros, para recomeçar as manobras políticas.


 


Ainda falta um ano para as eleições presidenciais e um ano é muito tempo. Há, no entanto, algo de que não tenho dúvidas. Cavaco Silva demonstrou ao longo destes anos que não tem capacidade nem sentido de estado para ocupar a Presidência da República.

 

15 janeiro 2010

Um dia como os outros (26)

 


(...) Quero hoje aqui deixar bem claro que o Governo não tem qualquer estratégia economicista ou qualquer intenção de poupança no que respeita à Rede de Referenciação Hospitalar em Oncologia em detrimento da qualidade da prestação destes cuidados especializados de saúde. (...)





(...) Uma abordagem séria da Rede de Referenciação Hospitalar em Oncologia não se compadece com demagogia ou frases sonantes, que podem bem servir o propósito de encher páginas de jornais, mas que em nada contribuem para a melhoria da prestação de cuidados e tranquilidade dos doentes, suas famílias e profissionais de saúde que vivem neste contexto clínico tão complexo. (...)





(...) Entre 2002 e 2005, as vagas disponíveis para a especialidade de Oncologia foram fixadas, pelo Governo de então, num total de 24. Repito: em três anos o número total de vagas para Oncologia foi apenas 24. A recomendação internacional é de 25 novos internos por ano. Só este ano, Janeiro de 2010, este Governo abriu 27 vagas para a especialidade em Oncologia. É assim que se defende o Serviço Nacional de Saúde. Só assim se podem defender cuidados oncológicos para todos. É mais difícil, mas assim se construem soluções sustentadas. (...)


 


Excelente discuso de Ana Jorge, dignificando o esforço do SNS, reconhecendo os seus méritos e lembrando a demagogia populista de quem não tem soluções, usando os doentes de forma pouco ética.


 


Renasce a esperança.


 


(a partir do Saúde SA)


 

14 janeiro 2010

la foule

 



Agnes Jaoui & Jacques Higelin


 

A forma e o conteúdo

 



Angelina Shaw: full of emptiness


 


Olhei bem o invólucro de cores macias, perfume de brisa, murmúrio doce e muitas palavras elaboradas.


 


Descoseu-se o casaco e olhei o forro, de papel pardo e jornais rasgados, alinhavos feitos de cinismo e poucas janelas.


 


Vazias impressões de nada, alguns laivos de serradura e muito pouca elasticidade.


 

Dos próximos tempos

 


Tudo indica que Manuel Alegre vai avançar para a candidatura à Presidência da República.


 


Tudo indica que Manuel Alegre, um dos grandes responsáveis pela subida eleitoral do BE, um dos grandes responsáveis pela oposição da esquerda mais extremada ao governo anterior, pela paragem das reformas na saúde, pela irresponável barreira às reformas da educação, tudo indica que Manuel Alegre se candidate com o apoio do PS.


 


À direita, Cavaco Silva vai recuperando terreno e, insuflado pela ausência de uma verdadeira oposição à direita, pelo esfarelamento do PSD, corporizará as esperanças dos sectores mais conservadores da nossa sociedade.


 


Parece desenhar-se uma reedição das últimas presidenciais. Mas passaram uns 4 anos em que muito se revelou dos eventuais candidatos. Manuel Alegre não reúne os apoios que teve e Cavaco Silva reduziu a sua base eleitoral.


 


Os próximos tempos adivinham-se muito complicados. Aproximam-se decisões importantes e difíceis.


 

Da devastação

 



Haiti - Mail Online


 


Como pode ajudar


 

Um dia como os outros (25)

 


(...) Só até Outubro, o Estado devia a oito dos maiores hospitais públicos do País mais de 340 milhões de euros. O que agrava as dificuldades de financiamento e cumprimento dos prazos de pagamento das unidades hospitalares aos seus fornecedores. (...)


 

Desluzido













Wang Nong: Misty Where RiverTurns


 






Aliso a face de vidro desluzido

olhos embaciados dúvidas espessas

escolho a pedra a meio do rio.








Espero a corrente desviada

o curso do acaso.




 

12 janeiro 2010

Dos hipotéticos complexos

 


Carlos, com a mesma simpatia e no mesmo espírito de dúvida, confesso que estou espantada com o seu post. Da minha parte nunca houve complexos em falar dos anónimos da blogosfera - esta é uma altura tão boa como qualquer outra passada ou futura. Sempre entendi este blogue como um espaço de liberdade (doutra forma não estaria cá) e nunca senti que vivêssemos (eu ou o blogue) de louvores divinos a ninguém.


 


Não percebo o que quer dizer com a hipotética existência de ”os Abrantes”. Não sei quem é o Miguel Abrantes, o Valupi nem dezenas de participantes em vários blogues. Não tenho nada contra o uso de pseudónimos nem contra o anonimato de quem publica ou de quem comenta, a não ser que o anonimato seja o álibi para o insulto e a calúnia gratuitas (o que acontece frequentemente). Se as pessoas que escrevem em blogues são assessores do governo, da oposição, jornalistas, enfermeiros, médicos, economistas, sapateiros, donos (as) de casa, electricistas, estudantes ou outra qualquer ocupação, nada os impede de escreverem e opinarem o que lhes apetece e querem.


 


Se o Miguel Abrantes tem acesso a documentos a que o Carlos Santos ou eu não temos, seguramente o Carlos Santos terá acesso a documentos que eu nem imagino que existem, tal como eu saberei procurar documentos sobre assuntos da minha profissão que o Carlos, o Miguel Abrantes ou o Pacheco Pereira desconhecem. Isso significa que não os podemos usar? Ou que se os usarmos somos suspeitos?


 


Suspeitos exactamente de quê? Aquilo que o Carlos está a sugerir é que quem trabalha para o governo não pode ter blogues nem usar os seus conhecimentos profissionais? Onde está a falta de ética dessas atitudes? Ou o Carlos e o Pacheco Pereira sabem de alguma coisa que mais ninguém sabe?


 


Carlos, aquilo que comentei sobre o post de Pacheco Pereira é que não posso aceitar que se usem insinuações para manipular a opinião, levantando suspeitas de haver pessoas que, de forma ilícita, usam blogues para desinformar, caluniar e insultar quem se opõe ao governo. Porque é isso que Pacheco Pereira diz nesse post e em vários outros que já escreveu. E parece ser esse o resultado final do seu texto, Carlos.


 


(Também aqui)


 

10 janeiro 2010

Lenda

 



 


Exagero o corpo por dentro de mim

exagero os dedos as balas os dentes

exagero os nervos num frenesim.


 


 


Encolho os olhos dentro da garrafa

sem fricção do mundo sopros de nada

faço do corpo casa de Aladim.


 


Espero por dentro sossego de monstro

estrela dolente lenda esquecida

por sapo beijada bela por fim.


 


 

A mecânica da calúnia

 



 


Pacheco Pereira continua a desenvolver a tese da asfixia democrática na blogosfera, protagonizada pelos empregados do governo que pululam em blogues colectivos, a coberto do anonimato.


 


E já os conseguiu identificar, aos blogues, assim como já lhes traçou os perfis, aos empregados que pululam – pretensos intelectuais à esquerda do PS que acham que gozam da impunidade de quem tem o poder.


 


Também lhes descodificou o estilo, feito de uma caterva de insultos, destruição dos adversários a golpes de calúnias.


 


O mais extraordinário é que tudo o que Pacheco Pereira diz acontece a quem se atreve, na blogosfera, a defender as políticas do governo, a insurgir-se contra as calúnias e os ataques ad hominem a que se sujeitam, às campanhas negras de destruição do carácter de todos os que pensam que vivem em democracia e que podem exprimir livremente as suas opiniões.


 


(Também aqui)


 

O mar em Casablanca

 



Francisco José Viegas


 


Jaime Ramos caminha mais devagar, olha o vazio em baixo das pontes, escreve os caminhos das montanhas, os caminhos que o levam até onde não quer ir.


 


Jaime Ramos está mais silencioso, ouve mais as vozes que se fixaram à sua pele, conhece bem o que não sabe que se passou, conhece melhor o que sabe que se passará.


 


Jaime Ramos envelhece e nós caminhamos, mais devagar, a seu lado.


 

Territórios de caça

 



Luís Naves


 


Um caçador de histórias salva a vida a um vizinho que o faz depositário de um dossier com fotografias e pequenos textos, poemas, fragmentos de cartas ou notas. Prisioneiros?


 


De que forma fazem estes pedaços de vidas parte da sua vida, da vida da cidade ou do país, como se misturam os sentimentos de honra, medo, ignomínia e perseguição?


 


Uma história da mistura entre as várias expressões do carácter dos homens e da memória colectiva, da responsabilidade partilhada, da constante readaptação aos sentimentos de culpa e de renovação. Um caçador de segredos e de amostras dos cinzentos que nos habitam, passada num país que ainda recupera da sombra da ditadura, numa escrita simples, elegante e sensível.

 

All you need is love

 



Lennon & McCartney


The Starbucks Love Project

156 países cantam ao mesmo tempo


 


 


Love, love, love, love, love, love, love, love, love.

There's nothing you can do that can't be done.

Nothing you can sing that can't be sung.

Nothing you can say but you can learn how to play the game

It's easy.

 


There's nothing you can make that can't be made.

No one you can save that can't be saved.

Nothing you can do but you can learn how to be you

in time - It's easy.


 


All you need is love, all you need is love,

All you need is love, love, love is all you need.

Love, love, love, love, love, love, love, love, love.

All you need is love, all you need is love,

All you need is love, love, love is all you need.

 


There's nothing you can know that isn't known.

Nothing you can see that isn't shown.

Nowhere you can be that isn't where you're meant to be.

It's easy.

 


All you need is love, all you need is love,

All you need is love, love, love is all you need.

All you need is love (all together now)

All you need is love (everybody)

All you need is love, love, love is all you need.

 

09 janeiro 2010

Insónia

 



Jeffrey Batchelor: insomnia


 


De noite abro os livros


inquietos na escuridão


passamos horas de enleio


sussurros letrados e brancos


com que adiamos


a inevitável manhã.


 

Distensão

 



 


Hoje sinto uma certa distensão no ar, pelo menos no ar que eu respiro. Já li vários textos com que não concordo, já me insurgi contra várias opiniões, mas de uma forma benigna e mansa, quase como se não me e lhes desse importância.


 


Nestes dias invernosos e tranquilos, podemos dar-nos ao luxo de uns momentos em paz com o mundo, esquecendo tudo o que se passa e ouvindo música. A música é um dos maiores bálsamos da criatividade humana.


 


Vou continuar a ler jornais e blogues, neste canto em que me refugio das intempéries.


 

Pa' ti

 



Agnes Jaoui & Campello

Sábado

 



Patricia Amlin


 


Sabores de sábado, manhã quente entre cobertores, gozando o gelo da rua, o sol frio e amarelo sobre estadas cinzentas e prédios silenciosos.


 


Sabores de sábados atrasados, abandonos de jovens adultos emancipados, cumplicidade da meia-idade alternativa.


 


Sabores de sábados alongados, café e folheio de jornal, debates preguiçosos sobre actualidades repetidas e amanhãs sem remédio.




 

08 janeiro 2010

Um dia como os outros (24)

 


O Parlamento acabou de aprovar a proposta do Governo que legaliza os casamentos homossexuais. O diploma ainda terá que passar por debate e votação na especialidade, mas terá aprovação garantida também aí. Mas as bancadas partiram-se nas várias votações. (...)


 


(Também aqui)


 

O Acordo pacificador

 



 


Ao contrário do que temi ontem, perante as replicações dos media sobre os recuos da Ministra da Educação, parece que o acordo não foi um recuo assim tão grande da Ministra.


 


Há um ECD com 10 escalões, ficando consagrada a associação entre a avaliação do desempenho e a progressão na carreira. Em duas etapas (não numa, como propunha Maria de Lurdes Rodrigues, nem em três, como sugeriu Isabel Alçada), há progressão na carreira através de um sistema de vagas abertas pelo Ministério, com excepção dos classificados com Excelente e Muito Bom.


 


Acede-se à carreira através de uma prova pública de desempenho, prévia ao concurso, e após um ano com avaliação positiva.


 


A avaliação do desempenho é bienal e, para quem pretenda aceder às classificações de Muito Bom e Excelente, é obrigatória a avaliação da componente docente com assistência às aulas. Os avaliadores são preferencialmente dos dois últimos escalões, altura em que os professores podem exercer uma função diferente da lectiva, em exclusividade, (gestão, acompanhamento pedagógico, avaliação, etc.), apenas a partir do 4º escalão (com, pelo menos 12 anos de experiência) ou, em condições especiais, do 3º (8 anos de experiência). Para aceder ao 3º escalão é obrigatória avaliação com assistência às aulas.


 


Ou seja, aquilo que levou 4 anos a sedimentar por parte de Maria de Lurdes Rodrigues foi finalmente conseguido. Aliás, basta ver as reacções de muitos comentadores de blogues de professores para perceber que, a pouco e pouco, se vão apercebendo que os recuos da Ministra não representaram a destruição de tudo o que foi conseguido na legislatura anterior.


 


É muito interessante ler o comunicado da FENPROF em que percebemos o que a Escola Pública representa para quem sempre a invocou como razão das contestações à política de Maria de Lurdes Rodrigues. Razões essas subscritas por todos os partidos da oposição e por várias personalidades, como Manuel Alegre, que dificultaram e impossibilitaram que este problema se tivesse resolvido mais depressa.


 


Parabéns a Maria de Lurdes Rodrigues que teve a coragem e a persistência de lutar pela dignificação da carreira docente. Parabéns a Isabel Alçada que habilmente conseguiu manter o que era essencial e que soube reconhecer, agora mesmo na SIC-Notícias, o trabalho da sua antecessora.


 


(Também aqui)


 

07 janeiro 2010

A paz segundo os professores

 



 


Estou a ouvir o Presidente da pró Ordem dos Professores que fala nos interesses da classe, dos professores, nas paz nas escolas e social. A Escola Pública está, como sempre esteve, esquecida. 


 


Isabel Alçada e o país, após uma jornada de mais de 10h, estão reféns desta classe. Não há nada que satisfaça os sindicatos e a pró Ordem a não ser o imobilismo e o regresso ao passado.





(Também aqui)


 

O avanço do Bloco Central

 



 


Tal como Ana Paula Fitas e Tomás Vasques, penso que o PS deveria ter dado liberdade de voto no Parlamento nas votações sobre a legalização do casamento entre homossexuais. Parece-me uma desconsideração pelo papel dos deputados.


 


Além disso foi um erro político. O PS caiu na armadilha do PSD que não se cansa de realçar que ele próprio deu liberdade de voto aos seus deputados. Ou seja, fala-se mais da falta de democracia interna no PS do que na aprovação da lei.


 


O PSD também foi muito habilidoso na resposta à carta de intenções do PS sobre a negociação da proposta do orçamento de estado. Cavaco Silva está a conseguir o que queria – o governo do Bloco Central.


 


(Também aqui)


 

05 janeiro 2010

Equívoco

 



(Leonardo Da Vinci)


 


Pego na morte com pinças


deixo-a entre ameaças veladas


e gadanha escura.


 


Pergunto-lhe se posso esperar


sossegada entre férias de peçonhas


e descanso de tumores.


 


Responde-me misteriosa e altiva


abrindo o equívoco esquálido


do habitual arremedo


da vida.


 

Quando as palavras

 



Mesa


 


 


Estou além sono, num sonho de papel, fio de ópio, sombra chinesa tatuada no céu.

Hoje não me apetece ser do contra, uma enfant terrible.

Quero apenas os novos códigos, quero apenas entrar e participar.

Cruzar-me num sonho que seja possivel para ambos.


 


És o meu Anjo da Guarda e eu dou-te trabalho...

Tu és o meu "Homem-Livro", o meu agasalho:

que lê para mim todas as noites, que me levanta sempre que caio.

Como eu gostava de retribuir. Como eu gostava de aprender a pedir.


 


Quando as palavras não dizem o que somos.


 


A cidade está submersa numa manhã chuvosa.

Pântanos e dinossauros tomam de assalto as avenidas.

A menina tem insónias e só às vezes dorme.

Desaparece e acorda com fome e acorda com fome.

Esta é a minha nova dor. Diz-lhe olá, não a faças esperar.


 


Quando as palavras não dizem o que somos.

Gastamos em tinta o que prometemos em sonhos.

Quando as palavras não dizem o que somos.


 


Oh! Meu Anjo da Guarda, eu sei que te dou trabalho.

Eu e tu somos iguais... eu queria tanto fazer-te feliz...

Não esperes que eu consiga mudar da noite para o dia.


 

Propostas indecentes

 


 


 


Jorge Lacão está com o seu aspecto mais sério e mais composto na SIC - a explicar as boas e sérias intenções do governo em negociar abertamente, tão abertamente que até enviou uma nota à comunicação social publicitando essas tão sérias intenções, com qualquer um dos partidos políticos representados no Parlamento, o Orçamento de Estado para 2010.


 


A esta séria e pública proposta corresponderá certamente uma séria e privada intenção de não negociar rigorosamente nada.


 


Às sérias e públicas reacções a este convite corresponderão certamente sérias e privadas razões para recusar qualquer compromisso.


 


Mas que comédia é esta?


 


(Também aqui)


 

Referendos

 



 


Não sei no que resultaria se os nossos governantes da altura resolvessem referendar algumas coisas que nem nos passa pela cabeça questionar agora:



  • Abolição da escravatura

  • Abolição da pena de morte

  • Direito de voto para as mulheres

  • Alfabetização das mulheres

  • Direitos iguais no casamento para ambos os cônjuges

  • Divórcio com igualdade de direitos para ambos os cônjuges

  • Escolaridade obrigatória

  • Proibição do trabalho infantil

  • Etc.

  • Etc.

  • Etc.


Nota: vale apena ler.


 


(Também aqui)


 

04 janeiro 2010

Con toda palabra

 



Lhasa de Sela


(27/09/1972 - 01/01/2010)


 


 


Con toda palabra

Con toda sonrisa

Con toda mirada

Con toda caricia


 


Me acerco al agua

Bebiendo tu beso

La luz de tu cara

La luz de tu cuerpo


 


Es ruego el quererte

Es canto de mudo

Mirada de ciego

Secreto desnudo


 


Me entrego a tus brazos

Con miedo y con calma

Y un ruego en la boca

Y un ruego en el alma


 


Con toda palabra

Con toda sonrisa

Con toda mirada

Con toda caricia


 


Me acerco al fuego

Que todo lo quema

La luz de tu cara

La luz de tu cuerpo


 


Es ruego el quererte

Es canto de mudo

Mirada de ciego

Secreto desnudo


 


Me entrego a tus brazos

Con miedo y con calma

Y un ruego en la boca

Y un ruego en el alma

 

Albert Camus

 



 


A Peste foi dos livros que me mudaram. Camus foi, é, dos autores mais importantes do séclulo XX. Eduardo Graça tem sido um dos seus admiradores e melhores divulgadores, publicando uma excelente cronologia biográfica.


 

02 janeiro 2010

De 2009 para 2010

 



Jill Tatara: Paths


 


O ano que passou foi intenso em muitas vertentes. Para mim alargaram-se desafios pessoais e profissionais que fizeram com que o ano voasse e, simultaneamente, parecesse uma década inteira.


 


Foi também um ano em que me envolvi mais activamente na esfera da cidadania política, participando em blogues colectivos como o SIMpleX e o A REGRA DO JOGO.


 


O SIMpleX foi uma experiência interessantíssima, pelo entusiasmo e paixão de todos os participantes, numa verdadeira missão de campanha eleitoral. Conheci pessoas de grande generosidade, entrega, capacidade argumentativa e intelectual, a quem agradeço a hipótese da partilha. Fiquei também a conhecer ainda melhor o lado mais mesquinho, pidesco e de baixeza de que muitos são capazes apenas com o objectivo de denegrir o carácter de quem não conhecem, inventado e difamando sem qualquer preocupação pelos eventuais danos que possam causar.


 


O A REGRA DO JOGO está a ser uma experiência de debate de ideias diferente e estimulante, pelo gosto da discussão. Penso que pode ser um espaço de intervenção muito importante e aberto, pela variabilidade de temas tratados e pelas diversas opiniões.


 


Adivinha-se um ano cheio de combates a todos os níveis. Apesar das óbvias responsabilidades dos governantes na orientação económica, social e cultural, nenhum de nós é inocente ou está arredado do seu compromisso como pertence de uma comunidade. Cada um com o seu contributo, a verdade é que estamos todos convocados, sempre, para a tentativa de melhorar a qualidade da nossa vida, a tal busca de felicidade.


 


Nota - Saúdo o Eduardo Pitta pelo 5º aniversário do seu blogue, do qual sou seguidora, agradecendo-lhe a forma directa e elegante com que descreve a realidade.

 

Apelo subliminar ao Bloco Central

 



(Mensagem de Ano Novo - 01.01.2010)


 


O discurso do Presidente da República foi um bom discurso de um Presidente. De um Presidente de direita, mas ele é de direita e foi eleito como tal. Foi um discurso previsível mas verdadeiro quanto à enumeração dos problemas do país, não tanto exactamente a nível económico, e aí considero que o Presidente não resistiu a interferir na esfera do executivo, pois o diagnóstico e perspectivas filosóficas de solução são as que ele próprio e todos os economistas da sua área repetem há muitos anos (vale a pena ler, a propósito, o artigo de Carlos Santos comentando um outro de Ricardo Reis) mas principalmente a nível dos problemas políticos que o país atravessa.


 


Aí chamou a atenção para a responsabilidade do governo em governar, procurando os apoios de que precisa no Parlamento e, sobretudo, pediu responsabilidade às oposições para viabilizarem opções governativas em nome das necessidades do país. Todos os comentadores partidários anuíram e se mostraram sensíveis a esse apelo. E, no entanto, é sobretudo disso que mais duvido.


 


A opção subliminar do Presidente por um Bloco Central é óbvia e compreensível. Mas será essa a opção do governo, terá sido essa a opção do eleitorado? Cada vez mais se afigura que os partidos à esquerda do PS, aqueles cujo apoio parlamentar seria mais natural e desejável, fazendo cumprir o resultado das legislativas, não estão interessados em viabilizar políticas exequíveis e credíveis, mas apenas em gritar bem alto a incapacidade do governo responder à crise e ao desemprego, apontando medidas que agravam o défice público, nunca explicando como poderia ser resolvido esse problema. As posições demagógicas e populistas desta esquerda impossibilitam o diálogo e a concertação à esquerda.


 


Estará o PSD disponível para deixar o governo governar? Estará o governo disponível para acertar políticas com a direita?


 


Não acompanho a opinião de Carlos Santos em relação à questão presidencial. A actuação de Manuel Alegre nos quatro anos de governo socialista não dá garantias de que ele possa ser um Presidente supra partidário e que valorize a cooperação institucional, muito pelo contrário. A minha opção será prioritariamente por um Presidente de esquerda,  porque é a minha área ideológica e porque penso que contribui melhor para apontar e facilitar caminhos para uma sociedade tolerante e solidária, mas dou muita importância à equidistância e à função de árbitro que o Presidente deve ter, neste sistema semipresidencialista. Não me parece que Manuel Alegre cumpra estes últimos requisitos.


 


Aguardemos a opção de Manuel Alegre em relação à sua recandidatura à Presidência, assim como a existência de mais algum candidato de esquerda. Penso que as próximas eleições presidenciais dependerão também muito do ou dos candidatos que se perfilarem à direita, neste momento os mais prováveis Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa.


 


(Também aqui)

 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...