28 novembro 2011

Um dia como os outros (104)


(...) O caso é que o OE 2012 da República da Irlanda chegou primeiro ao conhecimento do Bundestag do que ao do Parlamento Irlandês. Assim, os deputados irlandeses só ficaram inteirados pelos jornais de que os deputados alemães estavam a analisar a possibilidade de um aumento do IVA na Irlanda.


Após algum embaraço inicial, a Comissão Europeia e o Governo alemão vieram a terreiro explicar nada haver de anormal no sucedido, visto que apenas foram seguidas as regras de funcionamento do FEEF impostas pela Alemanha.


Para quem ainda tinha dúvidas, fica defiinitivamente esclarecido que a união fiscal de que agora se fala consiste apenas e só na definitiva e completa transferência de poder dos parlamentos dos diversos estados nacionais para o parlamento alemão. Pergunto-me como podem os governos europeus ficar calados perante um tal atropelo à legalidade democrática tanto nacional como europeia, não suportado por qualquer tratado livremente negociado.


Estamos agora todos à espera que, no dia 9 de Dezembro, a chanceler Merkel apresente à União Europeia o seu ultimato político-financeiro: ou os países-membros da União Europeia aceitam submeter-se incondicionalmente à autoridade alemã ou não haverá euro-obrigações para ninguém e a zona euro será desmantelada.


(...) Entretanto, não entendo como os jornalistas dos vários países permitem que os seus governantes permaneçam calados.


Por que não perguntam a Passos Coelho o que pensa do que já se conhece da proposta franco-alemã que vai ser formalmente apresentada na cimeira de 9 de Dezembro? E por que não dirigem a mesma questão aos restantes dirigentes partidários, a começar por Portas e Seguro? E, já agora, não faria sentido inquirir também o sentimento dos sindicatos e associações patronais?


E o Presidente da República, a quem incumbe a defesa da Constituição, não deveria falar antes que seja tarde?


E não seria bom o parlamento português antecipar-se e suscitar de imediato a discussão da projetada limitação dos seus poderes? (...)


 


João Pinto e Castro


Era uma vez o euro

 


Aquela crise que era só portuguesa e aquele pedido de resgate, frutos da incompetência de Sócrates e Teixeira dos Santos, está agora a atingir a Itália, mesmo depois de ter havido uma substituição do governo.


 


A França, a Espanha e a Alemanha seguir-se-ão. Mas o nosso governo mantém o modelo da austeridade, assume o papel contristado de PIG penitente perante a Chanceler alemã e Os Mercados, que não reconhecem o seu fiel discípulo.


 


Hoje a maioria fez um pequeno teatro de preocupação com os pobrezinhos. Os contratos de trabalho assinados com o Estado já foram todos rasgados. Além dos cortes salariais que incluem a supressão do 13º e do 14º mês, o governo prepara-se para acabar com o horário laboral de 40h semanais, com a elevadíssima taxa de desemprego.


 


Deve estar tudo certo. Os grandes economistas da oposição que sabiam todas as fórmulas mágicas para acabar com o desemprego e com a dívida, relançando velozmente a economia estão, com certeza, cheios de razão. Nós é que somos todos ignorantes, incompetentes e negligentes, todos filhos da ala socrática do PS, que ainda recebem ordens do grande chefe, enviadas de Paris.


 


Estamos, portanto, cada vez mais gregos.


 

27 novembro 2011

A derrota da crise (1)

 



O património cultural imaterial, transmitido de geração em geração, é permanentemente recriado pelas comunidades e grupos em função do seu meio, da sua interacção com a natureza e a sua história, proporcionando-lhes um sentimento de identidade e de continuidade, contribuindo assim para promover o respeito pela diversidade cultural e a criatividade humana.


Convenção para a Salvaguarda do Património Imaterial da Humanidade, UNESCO, 2003 (Artº 2, alínea 1)


 


De acordo com Pedro Correia


 



Gaivota


Alexandre O'Neill & Alain Oulman


canta Amália Rodrigues


 

26 novembro 2011

Para combater a crise (5)

 



 


É difícil caracterizar a música de Rodrigo Leão. Com uma melancolia intrínseca, faz-me evocar uma viagem contínua, as roupas tristes de um circo que se quer alegrar, os ciganos andarilhos, uma quietude desinquieta de uma alma sem descanso.


 


O espectáculo de hoje, no CCB, foi excelente com a apresentação do novo cd e alguns temas dos anteriores, soberbamente tocados. Houve um momento menos feliz, em que Thiago Pethit entrou fora de tempo e fora de tom na maravilhosa canção Rosa. Pelo menos assim me pareceu. O écran com algumas cenas a ilustrarem dois ou três temas também me pareceram dispensáveis.


 


Tudo o resto foi excelente. Fica aqui uma canção do novo trabalho.


 



 

Igualdade

 



 


Há umas horas fui abordada por um vendedor da revista Cais. Lourinho, bonitinho, oriundo de algum dos países da Europa de Leste, pediu-me um pacote de fraldas para a sua criança de ano e 3 meses. Satisfiz-lhe o pedido.


 


Mas será que se fosse mulato, negro ou cigano, se fosse gordo e sem dentes, a minha disponibilidade era tão imediata? Gostaria de pensar que sim, estou tentada a ter a certeza de que responderia prontamente da mesma forma, mas não o afirmo assim, sem pestanejar.


 


O racismo e a xenofobia são-nos mais intrínsecos do que gostaria de admitir. Na verdade somos conduzidos por estereótipos e por imagens feitas, por muito que reciclemos aquilo a que chamamos valores de igualdade, fraternidade, solidariedade. E eu, que sei que todos somos exactamente iguais, filhos do mesmo número de cromossomas, com engenharias celulares semelhantes, que respiramos a mesma mistura de gases, que necessitamos dos mesmos alimentos, será que me despojei dos condicionalismos que, mesmo inconscientemente, subsistem arreigados no mais fundo de nós mesmos?


 

Para combater a crise (4)

 



 


À falta de uma gravação em directo, ontem, no CCB, durante o espectáculo que foi ouvir Mário Laginha, Pedro Burmestyer e Bernardo Sassetti, cada qual e em conjunto ao piano, deixo esta Rosa, de Pichinguinha, magistralmente interpretado, tal como o foi ontem, pelos três pianistas.


 



 

Para combater a crise (3)

 


 



Alexandra Malheiro


Geografias Dispersas


 


A queda


 


Sobrevive-se a tudo


ou quase tudo,


ao vento assobiando nos ciprestes,


à tempestade aquartelada


nos teus olhos,


às indecisões do teu corpo.


Tudo,


ou quase tudo,


apenas à queda da magnólia


não.


 


Nunca nenhuma flor


sobreviveu.


 

23 novembro 2011

Um dia como os outros (103)


Um Novo Rumo


 


Este é o momento de mobilizar os cidadãos de esquerda que se revêem na justiça social e no aprofundamento democrático como forma de combater a crise.



Não podemos assistir impávidos à escalada da anarquia financeira internacional e ao desmantelamento dos estados que colocam em causa a sobrevivência da União Europeia.

A UE acordou tarde para a resolução da crise monetária, financeira e política em que está mergulhada. Porém, sem a resolução política dos problemas europeus, dificilmente Portugal e os outros Estados retomarão o caminho de progresso e coesão social. É preciso encontrar um novo paradigma para a UE.

As correntes trabalhistas, socialistas e sociais-democratas adeptas da 3ª via, bem como a democracia cristã, foram colonizadas na viragem do século pelo situacionismo neo-liberal.

Num momento tão grave como este, é decisivo promover a reconciliação dos cidadãos com a política, clarificar o papel dos poderes públicos e do Estado que deverá estar ao serviço exclusivo do interesse geral.

Os obscuros jogos do capital podem fazer desaparecer a própria democracia, como reconheceu a Igreja. Com efeito, a destruição e o caos que os mercados financeiros mundiais têm produzido nos últimos tempos são inquietantes para a liberdade e a democracia. O recente recurso a governos tecnocratas na Grécia e na Itália exemplifica os perigos que alguns regimes democráticos podem correr na actual emergência. Ora a UE só se pode fazer e refazer assente na legitimidade e na força da soberania popular e do regular funcionamento das instituições democráticas.

Não podemos saudar democraticamente a chamada “rua árabe” e temer as nossas próprias ruas e praças. Até porque há muita gente aflita entre nós: os desempregados desamparados, a velhice digna ameaçada, os trabalhadores cada vez mais precários, a juventude sem perspectivas e empurrada para emigrar. Toda essa multidão de aflitos e de indignados espera uma alternativa inovadora que só a esquerda democrática pode oferecer.

Em termos mais concretos, temos de denunciar a imposição da política de privatizações a efectuar num calendário adverso e que não percebe que certas empresas públicas têm uma importância estratégica fundamental para a soberania. Da mesma maneira, o recuo civilizacional na prestação de serviços públicos essenciais, em particular na saúde, educação, protecção social e dignidade no trabalho é inaceitável. Pugnamos ainda pela defesa do ambiente que tanto tem sido descurado.

Os signatários opõem-se a políticas de austeridade que acrescentem desemprego e recessão, sufocando a recuperação da economia.

Nesse sentido, apelamos à participação política e cívica dos cidadãos que se revêem nestes ideais, e à sua mobilização na construção de um novo paradigma.

Mário Soares, Isabel Moreira, Joana Amaral Dias, José Medeiros Ferreira, Mário Ruivo, Pedro Adão e Silva, Pedro Delgado Alves, Vasco Vieira de Almeida,Vitor Ramalho

Lisboa, 23 de Novembro de 2011

Não farei greve

 


Não farei greve.


 


Não porque não saiba da manipulação e dos embustes que conduziram esta maioria ao poder. Não porque não perceba o desmantelamento do estado como servidor público e garante dos direitos de todos os cidadãos, assente na dignidade intrínseca ao ser humano. Não porque confie nesta direita conservadora que varre a Europa, e que entende a vivência da crise como a volta ao passado, do Portugal pobre, isolado, pouco qualificado, cinzento e infeliz. Não porque defenda a teocracia d'Os Mercados, em que as instituições democráticas são substituídas por quem nunca se dispôs a enfrentar a escolha popular, por quem vilipendia a atividade política e a cola abusivamente à corrupção. Não porque aceite a precariedade no emprego, a falta de oportunidades, a desigualdade e a revoltante caridadezinha que percorre a ideia do estado caritativo, renovado por este governo.


 


Não farei greve.


 


Porque do que precisamos é de olhar em frente e trabalhar, muito, bem, com qualidade e eficiência, em todas as áreas em que pudermos, a aprender outras competências, a sermos mais exigentes e menos contemplativos, a premiarmos os melhores e a punirmos quem merece ser punido, a deixarmos as queixas, a engolirmos as lágrimas, a não termos medo.


 


Não farei greve.


 


Amanhã será mais um dia em que respeitarei quem a fará, em que questionarei a ausência de serviços mínimos, a ausência de contratos de trabalho para quem é produtivo, a ausência de despedimento, na função pública ou na privada, de quem não cumpre, a morosidade da justiça, o enorme desperdício de talentos, de recursos, o desinvestimento na escola pública, na saúde, na cultura, a redução salarial de alguns, a fuga ao fisco, a privatização de tudo a todo o custo, as queixas dos bancos, a prepotência de Angela Merkel. Amanhã respirarei a minha frustração mas trabalharei, o melhor que posso e sei, porque precisamos de trabalhar, nesta altura e em todas, mais que nunca. Amanhã direi, com o meu trabalho, que não me resigno a esta modorra triste, que não me revejo nesta oposição sem nexo nem alternativa, que me revolta este sindicalismo datado, sem perspetivas e sem soluções.


 


Não farei greve.


 


Amanhã trabalharei e dignificarei o meu trabalho, o trabalho de quem não o tem e o trabalho de quem entende que a melhor forma de protesto é fazer greve.


 


Saudações revolucionárias, solidárias e discordantes.


 


Até amanhã, camaradas.


 

22 novembro 2011

Andar para trás

 



Man Ray: Dust Breething 


 


Andar para trás com os olhos fundos no chão


passo a passo sem perceber o abismo


fosso cavado pelo pó que arrasta.


Andar para trás rumo a um futuro que se nega


desdobrado em passados sem memória.


 

Coragem dos vencidos

 


Coragem, a coragem dos vencidos, dos que sentem que nada podem, nada querem, nada fazem, mas cujas intenções, propósitos e convicções os obrigam a redundar maiúsculas e pontos de exclamação.


 

20 novembro 2011

Sem energia

 


 


 


O dia correu estranho e sem grande cor. Na cama até ao meio-dia, sem estar doente, mas gasta duma apatia cinzenta, que me vai inundando.


 


Ouço rádio no computqador, o Bloco Central e o Governo Sombra. Divirto-me moderadamente. A inconcebível ideia de censurar as notícias sobre o país, numa hipotética rádio internacional, uma das maravilhosas sugestões para a revolução dos canais públicos da televisão e da rádio, mostra bem a que nível se chega. Aqueles deslumbrados que tinham todas as soluções para resolver todos os horrores desenvolvidos pelos governos anteriores, vão-se revelando*.


 


Ontem grande caminhada, Av. Liberdade abaixo, Teatro Dona Maria II, Rossio, Restauradores, Rua dos Fanqueiros, Rua do Ouro, Av. Liberdade acima, chuva e sol, gente, música, gente.


 


Hoje não apetece lá fora, o carro, a conversa, sonolência vagarosa sem a cafeína do costume. Nada apetece neste fim da semana. Com excepção dos pimentos recheados, verdes, um dietético os outros bem gulosos, com carne picada cozinhada em cebola, alho, tomate, linguiça aos bocadinhos, cogumelos, pimento vermelho, courgette, beringela, alho francês, azeite, um bocadinho de vinho tinto, sal, pimenta, louro e coentros. Depois de atafulhar este preparado dentro dos pimentos verdes, sem sementes, com queijo mozarela ralado em cima, o forno fez o resto, durante cerca de meia hora. Mesmo sem direito à linguiça e ao queijo, não dispenso Châteauneuf-du-Pape.


 


Caminhamos para a semana com mais Duarte Lima e BPN, robalos e pães de ló. Comezinho e triste. Avizinha-se uma semana de portugueses mal comportados, segundo a Troika. Não farei greve, mas acho as considerações daqueles senhores aviltantes.


 


Não me sinto com a energia reposta.


 


*Via Jugular


 

19 novembro 2011

Someone like you


Adele

 

I heard that you're settled down
That you found a girl and you're married now.
I heard that your dreams came true.
Guess she gave you things I didn't give to you.

Old friend, why are you so shy?
Ain't like you to hold back or hide from the light.

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it.
I had hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me it isn't over.

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
Don't forget me, I beg
I remember you said,
"Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead,
Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead,"
Yeah.

You know how the time flies
Only yesterday was the time of our lives
We were born and raised
In a summer haze
Bound by the surprise of our glory days

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it.
I had hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me it isn't over.

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
Don't forget me, I beg


I remember you said, 


"Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead."

Nothing compares
No worries or cares
Regrets and mistakes
They are memories made.
Who would have known how bittersweet this would taste?

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you
Don't forget me, I beg
I remember you said,
"Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead."

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
Don't forget me, I beg
I remember you said,
"Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead,
Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead."


 


Modinha da crise

 



 


Salta a pulga coça o braço


morde a perna seu madraço


porte-se bem porte-se mal


já ficou sem o natal


meu amigo não se queixe


morra a boca pelo peixe


puxe o cinto falta o ar


não o sinto acreditar


tire as meias que lhe sobram


tem buracos sem remendos


arre burro que o carrega


a esmola que se nega


o salário que não dá


arre burro venha cá


que não ouço tilintar


a moeda no seu bolso


é tão curto o que é bom


torna e vira o mesmo tom.


 


Salta o braço morde a pulga


coça a perna seu madraço


porte-se mal porte-se bem


o natal é que já não tem.


 

Our day will come


Amy Winehouse 


 


Our day will come (Our day will come)


And we'll have everything
We'll share the joy
Falling in love can bring 



No one can tell me
That I'm too young to know
I love you so
And you love me

Our day will come (Our day will come)
If we just wait a while
No tears for us
Think love and wear a smile

Our dreams are meant to be
Because we'll always stay
In love this way
Our day will come

Our dreams are meant to be
Because we'll always stay
In love this way

Our day will come


 

18 novembro 2011

Um dia como os outros (102)

 



(...) Os tempos que correm - eu sei! - não vão fáceis para o Estado e para quantos o defendem. Diabolizado por muitos, o Estado passou a ser o bode expiatório de todos os males e de todos os défices, com alguns a apelar por "menos Estado e melhor Estado", quase sem esconderem o desejo de colocar ao seu serviço o que dele sobrar. Os professores, as forças de segurança, os servidores da Justiça, os militares, os funcionários da saúde pública, os técnicos e administrativos de imensas áreas e, por maioria de razão, essa casta irritantemente snobe que são os diplomatas - tudo isso não passa, no discurso dos turiferários das virtudes angelicais da "sociedade civil", de um bando de inúteis gastadores, de preguiçosos absentistas, de mangas-de-alpaca que pilham o erário e o que foi criado pelo suor de quem "produz a riqueza".



É claro que sei que vou contra "l'air du temps", que vou correr o risco de eriçar alguns sobrolhos e de excitar alguns blogues ou colunistas desses novos "libertadores", mas deixem-me que aqui diga hoje, quatro décadas depois de ter começado a servi-lo, sem uma ponta de arrependimento, com um imenso orgulho e com a liberdade a que o 25 de abril me deu direito: viva o Estado!

 

 


 

Latir

 



Jean-Luc Cornec


 


Acompanho as letras desatenta desatentas as letras


as palavras baralham e baralham-se de lugares variam


do fim para o princípio significados e significantes


significativo cansaço das letras bocejantes a luz que baixa


os olhos a fechar dispara o latir cardíaco e as letras baralham


baralham-se pontos palavras compridas sem significado


significativo do andar mudo do mundo.

Da desconsideração do teatro

 



 


Diogo Infante, Director Artístico do Teatro Nacional D. Maria II desde 2008, divulgou um comunicado em que justificava a suspensão da programação para 2012 por causa dos cortes orçamentais a que a Instituição tinha sido sujeita. Na sua opinião a qualidade da programação seria impossível de manter naquelas circunstâncias.


 


Perante este comunicado, o Secretário de Estado da Cultura decidiu de imediato a cessação de funções de Diogo Infante.


 


Penso que tanto Diogo Infante como Francisco José Viegas fizeram o que se espera de pessoas responsáveis. Tenho todas as razões para considerar o mandato de Diogo Infante e da sua equipa como excelente e acho o desinvestimento na cultura como um todo e, no caso presente, no teatro, uma das muitas marcas negativas deste governo. É uma pena que esta equipa não possa continuar a desenvolver os seus projectos com a dignidade que considera ser obrigatória a um Teatro Nacional. Mais uma vez, as prioridades da coligação de direita não envolvem a criação artística. A cultura é olhada como um luxo desnecessário ou mesmo provocatório num país que se deve canalizar para o empobrecimento mental. Mas parece-me óbvio que o Secretário de Estado só podia ter tomado esta atitude. Tal como no caso de Dalila Rodrigues.


 


João Mota aceitou o desafio. Desejo-lhe muita sorte, que bem precisará dela. Espero que o Teatro Nacional D. Maria II seja respeitado, tal como os seus potenciais espectadores.


 



 

13 novembro 2011

Para mais tarde experimentar

 


 


 


Neste dia escuro e deprimente é terrível estar em dieta. Só me apetece fazer comida, calórica, quente, doce, aconchegante.


 


Tenho em casa várias iguarias e não sei como as conjugar. Mas imaginação nunca me faltou. Além disso, com a quantidade de programas culinários a que tenho assistido ultimamente, onde se misturam os ingredientes mais estranhos, estou muito mais aventureira e perigosa. Para variar vou descrever uma receita que ainda não experimentei. Se alguém quiser arriscar…


 


Tenho uns lombinhos de porco que vou assar, acompanhado de castanhas e puré de peras (maçãs não tenho, mas peras). Sendo assim, temperam-se os lombinhos de porco com sal, pimenta, dentes de alho esmagados, um pouco de colorau, folhas de louro e vinho branco, deixando-se umas horas a marinar. Depois levam-se ao forno para assar, com azeite.


 


Enquanto os lombinhos assam, cozemos as castanhas com um pouco de sal, assim como as peras, em tachos diferentes. Quando estiverem cozidas esmagam-se (a varinha mágica deve bastar), misturam-se os purés com um pouco de manteiga e leva-se a mistura ao lume para secar um pouco. Rectifica-se o tempero (se calhar juntar um pouco de noz-moscada, como se estivéssemos a fazer puré de batata) e serve-se com os lombinhos.


 


Para aproveitar os abacates andei a investigar receitas de guacamole. Vou liquidificar 2 abacates, juntamente com 2 tomates, sem pele nem sementes, uma cebolinha, um dente de alho, pimento vermelho e sumo de limão. Calculo que também precise de sal e pimenta. Deve ficar uma excelente entrada, com pão torrado.


 


Bom, mas hoje é dia de esparguete à bolonhesa.


 

L'altru mondu

 



A Filetta & Antoine Ciosi

 

 


À l'altru mondu, u tempu hè longu, ci stà l'eternità.


È m'hà pigliatu à tempu natu; di mè, chì n'hà da fà?


O cara mamma, u paradisu hè grande cume tè,


È s'e ti chjamu à l'improvisu s'arricummanda à mè


Santa Marìa a to sumiglia ùn nu mi lascia più,


È mi cuntentu è mi ramentu, cume s'ell'era tù.


 


Timandu un fiore, u so culore, u sceglierai tù.


Hè ind'u pratu di u Muratu ch'ellu face u più.


S'e fussi eiu frà i più belli u cuglierebbi à tè,


Ma stocu in celu, è i to capelli sò luntanu da mè,


Ma i t'allisciu cù Ghjesù Cristu chì sà quale tù sì,


È mi cuntentu è mi ramentu, è megliu ùn possu dì.


 


Ùn piglià dolu, u to figliolu cù l'ànghjuli stà bè.


È ciò ch'e vogliu, u mio custodiu a sà prima cà mè.


Quì l'aria fine cume puntine cosge senza piantà,


Ore tranquille, à mille à mille, senza calamità.


À l'altru mondu, canta un culombu è paura ùn hà,


Per cacciadore ci hè u Signore, O mà ùn ti ne fà!



 

Terra de ninguém

 


Se há alturas em que os funcionários públicos especialmente e toda a população em geral têm razões fundadas para protestar e fazer greve, é esta. Estamos a viver uma crise económica, financeira e social gravíssima, temos um governo que foi eleito com base em falsos pressupostos, que tem feito exactamente o contrário do que apregoou, que está a implementar, sem oposição, o programa mais ideologicamente à direita desde o 25 de Abril, delapidando valores de equidade e justiça fiscal, igualdade de direitos fundamentais e destruição de conceito de Estado e de Serviço Público. Tudo isto numa Europa num crescente de autoritarismo e subversão dos valores democráticos, em que os governos e os povos são manietados e chantageados pel'Os Mercados e pela todo-poderosa Alemanha.


 


Eu sinto-me entre duas realidades que me assustam. Por um lado a necessidade e a vontade de protestar, de manifestar o meu desconcerto, desapontamento, a total desaprovação de tudo o que se passa e firme convicção de que tudo vai piorar. Por outro a certeza de que as manifestações a que assistimos neste último sábado, anacrónicas, repetitivas, iguais às que têm sido organizadas pelas mesmas estruturas sindicais anquilosadas, com as mesmas palavras de ordem, com os mesmos oradores, a dizerem as mesmas coisas que têm dito em todos os governos, de direita ou de esquerda, fossem quais fossem os partidos e as políticas seguidas, com as mesmas músicas de intervenção, importantíssimas e ícones de uma outra realidade, de um outro tempo, de outras gerações.


 


Mas se não me revejo na irrelevância destas acções de protesto, a que já ninguém dá crédito, tal como a greve geral marcada para 24 de Novembro, que tem toda a razão de ser, não fora o manancial de greves gerais marcadas pelos motivos mais disparatados, e pelo facto de ter a sensação de que quem mais tem a perder são os próprios trabalhadores em greve, ainda menos me revejo nas manifestações dos indignados, em que a pulsão antidemocrática e populista me repugnam.


 


Na terra de ninguém estou pior que o tempo invernoso, céu pesado e de chumbo, chuva forte e vento louco, numa temperatura amena de fim de época, humidificando e parasitando a nossa mente.


 

12 novembro 2011

A Paghjella di l'impiccati

 



A Filetta


 


 


 


Sè vo ghjunghjite in Niolu


Ci viderete un cunventu


Di u tempu u tagliolu


Ùn ci n'hà sguassatu pientu


Eranu una sessantina


Chjosi in pettu à u spaventu


 


Dopu stati straziati


Da i boia o chì macellu


Parechji funu impiccati


Ci n'era unu zitellu


L'anu tuttu sfracillatu


E' di rota è di cultellu


 


Oghje chi hè oghje in Corsica


Fateci casu una cria


Si pate sempre l'angoscia


Intesu dì Marcu Maria


Era quessu lu so nome


Mancu quindeci anni avia


 

11 novembro 2011

Onze do onze de dois mil e onze

 



 


Onze do onze de dois mil e onze. Fim do mundo inteiro não, fim de uma determinada visão do nosso pequeno mundo. Não há terramotos nem trombetas apocalípticas. O fim do nosso pequeno mundo é tão pequeno e tão fim que nem direito tem a ser grandioso. O fim das nossas glamorosas certezas democráticas, das nossas ideias de igualdade de oportunidades, dos nossos valores eleitorais, da nossa liberdade, é tão pequeno e continuado que a adaptação natural do ser humano, principalmente se governado ou representado por eunucos, não dá direito a grandes indignações.


 


Como é hábito ouvem-se as habituais vozes manifestantes de grande horror, que assim se indignam e manifestam desde o dia vinte e cinco do quatro de mil novecentos e setenta e quatro, e as habituais vozes rancorosas e saudosas do dia vinte e quatro do quatro de mil novecentos e setenta e quatro. Mas o que mais indigna é a manifestação vermiforme de quem se diz opositor e oposição e bale com a fraqueza de quem não sabe o que é grandeza nem alternativa, de quem procura um espaço para mostrar a tacanhez dos vencidos sem luta.


 


Onze do onze de dois mil e onze é uma data sem história, como na história ficarão alguns dos que se submetem ao poder dos incolores que pairam sobre o mundo sem fronteiras, ou com as fronteiras que esse poder incolor determina.


 

10 novembro 2011

Opereta antidemocrática

 


Tal como Pacheco Pereira e António Costa, preocupados com o rumo antidemocrático da União Europeia, que se reflecte na subversão da democracia em cada país europeu, também estranho e acho totalmente inaceitável as afirmações de Otelo Saraiva de Carvalho, em relação ao quase incitamento dos militares à realização de um golpe militar.


 


A democracia é frágil e as Forças Armadas são o garante da defesa desse mesmo regime democrático.


 

09 novembro 2011

Feriados

 


Num país laico, não deixa de ser extraordinária a notícia de que a Igreja (Católica) impõe condições ao governo para acabar com alguns feriados.

A subversão da democracia europeia

 



 


Depois de Michael Fuchs ter defendido a demissão de Berlusconi, Angela Merkel assumiu que não pode haver políticas domésticas dentro da moeda única. Para quem ainda alimenta esperanças de integrar uma União Europeia que se rege por regras democráticas, em que os estados soberanos se respeitam, as últimas declarações destes responsáveis alemães, a efetiva demissão de Berlusconi, e o recuo da ideia referendária na Grécia, pode perder definitivamente as ilusões.


 


Neste momento são Os Mercados e a Alemanha, não sei se a ordem dos fatores é arbitrária, que verdadeiramente apoiam ou demitem os governos. O funcionamento democrático de cada país, em que os cidadãos escolhem os seus governantes, é totalmente subvertido pelas pressões externas, os juros das dívidas a aumentar, os ratings a diminuírem e pelo despudor dos responsáveis alemães. Péssimos sinais e péssimas notícias.


 

05 novembro 2011

Sou eu


Chico Buarque 


 


 


Na minha mão


O coração balança


Quando ela se lança


No salão


Pra esse ela bamboleia


Pra aquele ela roda a saia


Com outro ela se desfaz


Da sandália


 


Porém depois


Que essa mulher espalha


Seu fogo de palha


No salão


Pra quem que ela arrasta a asa


Quem vai lhe apagar a brasa


Quem é que carrega a moça


Pra casa


Sou eu


Só quem sabe dela sou eu


Quem dá o baralho sou eu


Quem manda no samba sou eu


 


O coração


Na minha mão suspira


Quando ela se atira


No salão


Pra esse ela pisca um olho


Pra aquele ela quebra um galho


Com outro ela quase cai


Na gandaia


 


Porém depois


Que essa mulher espalha


Seu fogo de palha


No salão


Pra quem que ela arrasta a asa


Quem vai lhe apagar a brasa


Quem é que carrega a moça


Pra casa


Sou eu


Só quem sabe dela sou eu


Quem dá o baralho sou eu


Quem dança com ela sou eu


Quem leva este samba sou eu


 

Continuo


Hessam-Abrishami


 


 


Volto a cabeça dentro do tempo


o olhar devolve-me o espanto


de quem se não reconhece


nesse mundo transformado


mas imutável.


 


Continuo como o mundo


parada mas em viagem


para onde os olhos e o tempo


quiserem.

À volta do lume

 



 


Para mim, a época de Natal começa a ser preparada mais ou menos por esta altura. Começam os fins-de-semana com panelas ferventes de marmelos, laranja, canela, abóbora, jeropiga, rótulos, frascos, garrafinhas, rolhas de cortiça, cola e açúcar, tanto quanto o necessário para abrandar as aarguras da existência.


 


À volta do lume conversa-se, cimentam-se silêncios e cumplicidades. Colheres de pau e mãos meladas, facas, cascas e sementes, chá e paciência, preparam-se cabazes com a substância da amizade.


 


É bom e quente, e sabe-me tão bem.


 

Seis anos


 


De 5 de Novembro de 2005, a torcer por Manuel Alegre, a 5 de Novembro de 2011, a torcer por... nós todos. Não sei se me apetece tanto como há 6 anos. Mas ainda me apetece escrever neste blogue, por vezes descabelado, por vezes morno, cada vez com menos certezas. A todos os que vão aparecendo, obrigada. Vou continuando.


 

Comparações gregas


 


O PS, antes do debate parlamentar do orçamento, depois de conversas entre António José Seguro e Passos Coelho e após reunião das cúpulas do partido, decidiu-se pelo voto abstencionista.


 


António José Seguro não se quer confundir com a oposição grega, tal como Passos Coelho não se quer confundir com o governo grego. A Grécia serve para todos os gostos e a tudo justifica.


 


Ninguém percebe exactamente porque é que o líder do PS deixou de falar no IVA da restauração e passou a falar num dos subsídios excluídos pelo governo. Também ninguém entende para que servem os deputados da nação ou mesmo a existência parlamentar.


 


O PS demitiu-se de ser oposição responsável. Onde está o escrutínio da governação – propostas sobre supressão de transportes públicos, aposta num desenvolvimento económico de terceiro mundo (exploração de minérios), aumento do horário de trabalho sem auscultação/acordo dos trabalhadores, privatizações sem critério, para citar alguns exemplos?


 


Apesar da negação em coro da geminação com o povo grego, caminhamos a largos passos para a mesma situação. Mas sempre a tentar que Os Mercados, o FMI e a Sra. Merkel nos felicitem pelos evidentes esforços de maior austeridade.


 

04 novembro 2011

Em Defesa da Democracia, da Equidade e dos Serviços Públicos

 


Os signatários reconhecem a necessidade de medidas de austeridade, mas aquelas medidas são excessivas e iníquas




As medidas extraordinárias inscritas na proposta de Orçamento para 2012 põem em causa alguns dos princípios fundamentais do Governo democrático e do Estado de Direito, porque contrariam em absoluto vários compromissos eleitorais fundamentais, bem como a necessária igualdade e justiça de tratamento dos portugueses, a qualidade dos serviços públicos e a motivação dos seus servidores.

Essas medidas, que comprimem brutalmente o nível de vida dos portugueses, são múltiplas: a eliminação dos subsídios de férias e de Natal dos servidores públicos e dos pensionistas, em 2012 e 2013; a eliminação das promoções e progressões na carreira, bem como o corte de salários (entre 5 e 10 por cento), apenas para a função pública (FP); o aumento de meia hora de trabalho diário para o sector privado; o brutal aumento da carga fiscal, sobretudo sobre consumidores e assalariados, ampliando o fosso de rendimentos entre capital e trabalho e as desigualdades sociais, num dos países mais desiguais da UE.

Os signatários reconhecem a necessidade de medidas de austeridade para o saneamento das finanças públicas e que a redução do défice se faça prioritariamente do lado da despesa. Porém, aquelas medidas são excessivas e iníquas e, não estando inscritas no memorandum, podem por isso ser alteradas em sede parlamentar sem pôr em causa uma necessária trajectória de consolidação orçamental.

O Governo alega estar a corrigir, assim, um diferencial de remunerações e estabilidade no emprego pretensamente favorável aos trabalhadores da FP. Porém, esta alegação parece ignorar os resultados de diversos estudos que mostram que se os servidores públicos menos qualificados recebem de facto um "prémio" salarial quando comparados com os do privado, entre as profissões mais qualificadas acontece precisamente o inverso. Como é reconhecido nesses estudos, há profissões públicas que não têm equivalente no privado. Acresce que há no sector público cerca de 45 por cento de pessoas com formação superior, enquanto que no privado há cerca de 13 por cento. Mais, excepto para as funções de soberania, há hoje um novo "contrato em funções públicas" que mostra que o diferencial de estabilidade no emprego é cada vez mais reduzido: basta ver as longas listas de "excedentários".

Finalmente, ou o corte de salários e subsídios é definitivo, mas nessa altura ofende a Constituição, por significar uma restrição brutal, desproporcionada, desrazoável, não indispensável e não suficientemente justificada dos direitos à retribuição e à segurança social, ou é transitório, sendo então equivalente a um imposto extraordinário embora contabilizado como um corte de despesa. Mas, neste caso, viola o princípio constitucional da igualdade por pretender resolver uma dificuldade conjuntural, de natureza e responsabilidade nacionais, à custa de um encargo gravíssimo incidindo exclusivamente sobre uma parte dos portugueses em função da sua situação económica e condição social.

Ao "tributar" fundamentalmente os quadros médios e superiores do Estado, o Governo está a desmotivar uns e a incentivar outros à saída, além da violência psicológica e da punição que isso significa sobre milhares de quadros e funcionários competentes e dedicados ao serviço público durante décadas. O Estado ficará mais fragilizado, mais incapacitado de servir o interesse público através da prestação de serviços jurídicos, de educação, de saúde, de acção social, entre outros.

Esta situação de injustiça social é agravada pelo facto de ser pelo menos parcialmente desnecessária. O que consta do memorandum com a troika, e que contribuiria para a redução da despesa pública, é a eliminação de desperdícios e ineficiências no Estado, as ditas "gorduras", em 500 milhões de euros para 2012. Esse objectivo não está, no entanto, previsto na actual proposta de lei do OE 2012 e é em parte por o Governo se revelar incapaz dessa redução que é proposto o corte de salários e pensões. Se não consegue cortar, de facto, na despesa pública associada aos desperdícios, deve implementar medidas que abranjam, de forma equitativa e progressiva, todos os portugueses (trabalhadores no activo, públicos e privados, pensionistas, empresas e seus accionistas), ou seja, considerando apenas como elemento de diferenciação o nível de rendimento e não penalizando sobretudo os pensionistas e a função pública.

Por tudo isto, os subscritores deste manifesto requerem uma alargada discussão pública, quer sobre a renegociação de certos aspectos do memorandum da troika - obviamente irrealistas -, quer sobre medidas alternativas às que geram maiores desigualdades no actual OE 2012.

Nesse sentido, apelam a todos os grupos parlamentares que procurem soluções mais consensuais e universais que, não pondo em causa a consolidação orçamental, promovam o crescimento, o emprego, a solidariedade social e, simultaneamente, valorizem a qualidade dos serviços públicos e a dignidade e a motivação dos seus profissionais. Desta forma, não se poria em causa a Constituição da República Portuguesa e a qualidade da democracia alicerçada na equidade de tratamento entre todos os portugueses.




Alfredo Barroso, Comentador Político, Ex-Chefe da Casa Civil do PR Mário Soares. Álvaro Domingues, Geógrafo, Professor Universtitário (PU), UP. Amadeu Carvalho Homem, PU, FL-UC. Ana Benavente, Socióloga, Investigadora, ICS, Ex-Secª. de Estado. Ana Matos Pires, Médica Psiquiatra, PU. André Freire, Politólogo, PU, ISCTE-IUL. António Arnaut, Advogado. António Costa Pinto, Historiador, Investigador e PU, ICS. António Avelãs, Professor do Secundário e Dirigente Sindical. António Nunes Diogo, Médico, PU. Bernardo de Almeida Azevedo, PU, FD-UC. Cipriano Justo, Médico, PU, ULHT. Elísio Estanque, Sociólogo, PU, FE-UC. Eunice Goes, Politóloga, PU, Richmond University, Londres. Eurico Figueiredo, Prof Catedrático de Psiquiatria aposentado. Fernando Condesso, Jurista e Politólogo, Catedrático do ISCSP, Ex-Sec. Estado. Francisco Sarmento, Técnico da FAO/ Programa Soberania Alimentar. Frei Bento Domingues, Dominicano, PU, investigador, ULHT. Helena Roseta, Arquitecta, vereadora CMLisboa. Irene Flunser Pimentel, Historiadora, Investigadora, IHC-FCSH. Isabel do Carmo, Médica (endocrinologista), Hospital de Santa Maria. Isabel Estrada Carvalhais, Politóloga, PU, UM. João Caraça, PU, Director do Serviço de Ciência da FCG. João Caupers, Jurista, Professor Catedrático, UNL. João Constâncio, Filósofo, PU, FCSH-UNL. João Ferrão, Geógrafo, Investigador, ICS, Ex-Sec. Estado. João Miranda, Advogado, PU, FD-UL. João Pinto e Castro, Economista, PU, FCSH-UNL. João Seixas, Geógrafo, Investigador, ICS. João Vasconcelos Costa, PU, ULHT. João Wengorovius Meneses, Ex-Presidente da TESE, CML Jorge Leite, Jurista (Direito do Trabalho), Professor jubilado da FD-UC. Jorge Miranda, Constitucionalista, Professor Catedrático (jubilado), FD-UL e UC-Lx. Jorge Reis Novais, Constitucionalista, PU, FD-UL. Jorge Vala, Psicólogo, Investigador e PU, Director do ICS. José Adelino Maltez, Professor Catedrático, ISCSP. José Alberto Rio Fernandes, Geógrafo, Professor Catedrático , UP. José de Faria Costa, Penalista, PU, FD-UC. José Gama, Professor da Escola Secundária Dona Maria, Coimbra. José Manuel Leite Viegas, PU, Director do DCP&PP, ISCTE-IUL. Manuel Brandão Alves, Economista, Professor Catedrático (aposentado), ISEG. Manuela Silva, Professora Catedrática Convidada (aposentada) ISEG. Maria Antonieta Cruz, Historiadora, Professora Universitária, UP. Marina Costa Lobo, Politóloga, Investigadora e PU, ICS. Mário Vale, Geógrafo, PU, IGOT e UL. Miguel St. Aubyn, Economista, ISEG-UTL. Nuno Portas, Arquitecto, FA-UP. Palmira Silva, Engenheira Química, PU, vice-reitora do IST. Paulo Trigo Pereira, Economista, PU, ISEG. Pedro Adão e Silva, Sociólogo, PU, ISCTE-IUL. Pedro Aires Oliveira, Historiador, PU, FCSH-UNL. Pedro Marques Lopes, Gestor, Comentador SICN. Purificação Araújo, Médica. Rosário Gama, Ex-Directora da Escola Secundária D Maria, Coimbra. Rui Branco, Politólogo, PU, FCSH-UNL. Rui Namorado, Jurista, PU jubilado, FE-UC. Sara Falcão Casaca, Socióloga, PU, ISEG. Teresa Portugal, Reformada, ex-deputada PS. Tiago Roma Fernandes, Politólogo, PU, FCSH-UNL.




Petição - Em defesa da Democracia, da Equidade e dos Serviços Públicos


 

03 novembro 2011

Repensar a Europa

Não parece haver saída para esta crise, com cada solução delineada pior que a anterior. A única certeza é a falta de consideração que a Alemanha e seus congéneres têm pelos países periféricos e a intoxicação das suas próprias opiniões públicas, que consideram os povos latinos como bandos de preguiçosos e malfeitores. A quem serve esta situação?


 


O Primeiro-ministro grego lançou uma bomba ao querer o apoio da população, ou apenas a acalmia social, para poder tentar aplicar o enésimo plano de austeridade, ao pedir um referendo. Pelos vistos não será feito, tal o susto que os seus opositores políticos, dentro e fora do PASOK, tiveram.


 


Talvez o exemplo de Papandreou devesse incitar à reflexão de outros responsáveis políticos, nomeadamente em Portugal. Tem havido bastante polémica sobre qual o voto do PS em relação à lei do OE 2012, multiplicando-se razões para a abstenção – da parte da direita – ou para o chumbo – do BE e do PCP. A estabilidade política, a assinatura do memorando e a redução da conflitualidade social são as justificações que se aduzem aos favoráveis da primeira hipótese. No entanto, o voto do PS não é necessário à aprovação do orçamento, tal como não me parece que o PS tenha capacidade para controlar manifestações de descontentamento, sejam elas quais forem.


 


O que eu esperaria da liderança do partido socialista seria a audácia de questionar se esta é a Europa que queremos construir. Talvez seja altura de olhar para a nossa adesão à União Europeia e, sem preconceitos, fazer uma avaliação do que se conseguiu e dos rumos que nos esperam. Queremos, de facto, uma União Europeia em que, quando alguém se lembra de consultar os cidadãos, provoca uma tal hecatombe? Queremos uma Europa em que as decisões são tomadas por 2 estados-membros? Queremos uma Europa estratificada e dividida entre bons e maus, corruptos e cumpridores, preguiçosos e empreendedores?


 


E importante lembrar que o PSD e o PS, assim como o Presidente Cavaco Silva, apesar das promessas pré eleitorais, não quiseram referendar o Tratado de Lisboa, num dos grandes erros políticos protagonizados por Sócrates. Não estamos numa União de países soberanos, que pratica a democracia, estamos dentro de uma união monetária que nos penaliza fortemente e nos impede de decidir o nosso próprio destino.


 


Não será este um importantíssimo tema de discussão política dentro do país? Porque o OE 2012 está obviamente aprovado. Se calhar deveríamos era debater abertamente a opção de deixarmos a moeda única, de procurarmos alternativas para esta Europa.


 

01 novembro 2011

You make me feel brand new

 



Simply Red 


 


My love


I'll never find the words, my love


To tell you how I feel, my love


Mere words could not explain


Precious love


You held my life within your hands


Created everything I am


Taught me how to live again


 


Only you


Cared when I needed a friend


Believed in me through thick and thin


This song is for you


Filled with gratitude and love


 


God bless you


You make me feel brand new


For God blessed me with you


You make me feel brand new


I sing this song 'cause you


Make me feel brand new


 


My love


Whenever I was insecure


You built me up and made me sure


You gave my pride back to me


Precious friend


With you I'll always have a friend


You're someone who I can depend


To walk a path that never ends


 


Without you


My life has no meaning or rhyme


Like notes to a song out of time


How can I repay


You for having faith in me


 

Zonas desconfortáveis

 


Nós por cá temos ideias muito mais inovadoras. Desde o encerramento do Metro a partir das 23 horas (nalgumas linhas a partir das 21 horas), até ao incentivo para emigrar, passando pela hipótese de aumento do horário de trabalho para 48 horas semanais, não nos falta originalidade.


 

O indizível susto da democracia (1)

 


Algo de muito errado e preocupante se passa quando o anúncio de um referendo num país europeu coloca a Europa em risco.


 


Tal como com o Tratado de Lisboa, os governantes têm medo dos resultados das consultas democráticas. O Primeiro-ministro grego sabe as dificuldades presentes e antecipa as futuras em relação à aplicação das medidas de austeridade necessárias a este novo acordo de ajuda à Grécia.


 


Neste momento todos estão confrontados com as suas responsabilidades: a Grécia e a União Europeia, governos e oposições. Se o motivo do anúncio do referendo foi a vontade de ouvir os cidadãos ou uma forma de, politicamente, tentar sobreviver a toda a contestação interna é, neste momento, irrelevante. A Grécia terá que viver com a sua resposta.


 


Será o último acto desta peça de teatro? A pedra que faltava tirar para o periclitante edifício europeu se desmoronar?


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...