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30 agosto 2025

Tempos escuros


O discurso


 


A 8 de janeiro de 1964, Lyndon Johnson, Presidente dos EUA após o assassinato de John Kennedy, proferiu o seu discurso sobre o Estado da União, perante o Congresso.


Se lermos e ouvirmos este discurso, e outros que se lhe seguiram, não conseguimos compreender como, nos EUA e na Europa, foi possível defender, nessa época, a implementação de verdadeiras medidas sociais e socialistas, democratas, quando, desde há cerca de 20 anos, essas medidas serem apelidadas de extremistas e a ideologia subjacente de radicalismo de esquerda.


A criação da legislação da Grande Sociedade, com leis que confirmavam os direitos civisrádio e televisão públicasMedicare e Medicaid, educação e a Guerra à Pobreza", foi importantíssima no que diz respeito aos valores da igualdade, liberdade e democracia, com o incentivo aos serviços públicos nestas várias áreas. Hoje em dia, os valores reverteram-se para aqueles que vigoravam nas ditaduras dos anos 20, 30 e 40, em que se culpavam migrantes das dificuldades económicas, em que se divulgavam mentiras e manipulavam cidadãos, levando-os a discriminar e odiar todos os que fossem diferentes.


Neste momento, construimos campos de detenção, deportamos imigrantes, incentivamos as perceções sobre violência e pobreza, o preconceito dos privilégios, a ilusão sem sentido da defesa da nacionalidade e, daquilo que ninguém sabe exatamente o que é: a nossa "tradição".


Nesta onda de retrocessos e apelos totalitários, encabeçados por figuras como Trump, Putin, Netanyahu, para não falar dos seus pálidos seguidores, como Bolsonaro e Ventura, o papel da mulher na sociedade vai conquistando adeptos saudosos da mãe a tempo inteiro, do abençoado lar que deve conduzir, pululando discursos mais ou menos óbvios apelando ao regresso de práticas e processos que considerávamos irrevogáveis.


A guerra como solução imperial, o extermínio de povos e a quebra de todos os compromissos e tratados internacionais que mantinham um equilíbrio no mundo, o avanço científico, as organizações humanitárias, são já o nosso dia a dia.


Resta-me acreditar que sempre haverá quem defenda o humanismo, a tolerância, o compromisso com o outro, essenciais para a construção de uma sociedade humana.


Todos somos responsáveis.

02 março 2025

A impotência europeia

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O que se tem passado com a política externa do EUA desde que Trump assumiu a Presidência, é uma veloz e irreversível cavalgada para o retrocesso civilizacional, para o voltar de um ciclo de impérios ditatoriais.


Compram-se e vendem-se países, humilham-se os seu representante eleitos democraticamente, cortam-se alianças e refazem-se algumas antigas, cujo resultado foi catastrófico.


Estamos de joelhos, real ou metaforicamente.


É difícil ser optimista quando a se concretiza.

09 junho 2024

Somos Europa

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Estas são, certamente, umas das mais importantes eleições da nossa vida. Todas são, mas estas são-no em particular.


A ascensão dos totalitarismos, novos e velhos, das desigualdades, da pobreza, a emergência climática, a guerra, tudo nos faz interpelar a nossa própria responsabilidade, os nossos princípios, os nossos valores, e aquilo que queremos transmitir às próximas gerações.


Tudo será diferente, mas a humanidade, civilidade, solidariedade, empatia, democracia, liberdade, a busca da felicidade, tudo é património de todos.


Vamos votar!

06 junho 2024

Votar faz a diferença

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Votar nestas eleições pode ser a diferença entre um aumento significativo da área da direita mais conservadora e radical e da área da extrema direita, que é o caminho para que se acabem as regras de sã convivência democrática, de igualdade de géneros, de respeito pelos migrantes, enfim, pelos Direitos Humanos, como o tsunami que vem dos Estados Unidos da América.


Nada é para sempre e a deriva conservadora e revanchista a que assistimos faz temer o pior.


Votar faz a diferença.

13 abril 2024

O ar dos tempos

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Women’s Rights Pioneers Monument


Meredith Bergmann


 


É pesado.


Vamos assistindo àquilo que considerávamos valores universais, de civilização, civismo, direitos, liberdade e garantias, no sei de um mundo que se ia desenvolvendo.


Mas não. Nos EUA, preparam-se novas proibições às leis do aborto. Por toda a Europa, o revivalismo, o reaccionarismo e a forma despudorada com que se tem ouvido cada vez mais gente a defender o retrocesso a ideias ultramontanas, sendo muito difícil fazer frente a essa situação.


Não é o facto de as poderem defender que está em causa. A democracia é isso mesmo. Mas a descoberta de que há tantos a defenderem estatutos de dona de casa, a sensibilidade maior da mulher, papéis distintos para homens e mulheres reescrevendo tudo o que se passou nos últimos 100 anos, já não digo 50 anos, a lavagem cerebral quanto ao que apelidam ideologia de género, a obrigatoriedade de seguir padrões comportamentais e ideológicos, a negação da pluralidade de soluções e de vontades de afectos, é assustadora.


Por outro lado, ao fim de 2 dias de discussão do programa do governo, descobrimos que a promessa da redução do IRS feita pela AD era, pura e simplesmente, mentira, descarada e saloia, é deprimente.


São ares dos tempos.

22 março 2024

Portugal e a Europa

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Depois de umas eleições resultantes da combinação de um golpe de estado judicial e de uma decisão pouco compreensível do nosso Presidente que, durante um ano, andou a ameaçar demitir o governo do PS, suportado numa maioria absoluta (para além de Mário Centeno, António Costa sugeriu 3 nomes do PS para formarem governo - António Vitorino, Carlos César e Augusto Santos Silva), temos uma constelação de instabilidade.


O Chega conseguiu 50 deputados. Não partilho do coro condescendente de quem justifica o voto no Chega com a zanga ou o protesto. Pode protestar-se de muitas formas. Mas quem vota escolhe e, para escolher, tem a obrigação de ouvir e ler. No caso do Chega basta ouvir o que dizem, principalmente André Ventura, mas não só. E o que dizem é assustador.


O PS teve uma derrota eleitoral, grande se olharmos aos resultados de 2022. Mas após o ano horribilis que teve, com tanto disparate, a governar desde 2015, o mais espantoso é não ter tido uma muito maior diferença para a AD.


A AD tem uma tarefa espinhosa pela frente. Ainda mais quando é torpedeada por gente que escreve cartas a pedir a Luís Montenegro que faça o contrário do que prometeu.


Mas o que mais me preocupa são as eleições americanas. Se Trump as ganha a Europa deixará de ter quem a defenda. Nada disso foi discutido.


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Estará Portugal preparado para as consequências dessa eventualidade? Com a extrema-direita cada vez mais poderosa em toda a Europa, para além de Trump, estaremos a chegar à beira da generalização da guerra?

23 julho 2020

O reeditar das reformas estruturais

Não aprendemos nada, como comunidade europeia, com o que se passou na crise de 2008. E, mais uma vez, a divisão entre os países que se acham moralmente superiores, que são frugais e sabem gastar bem o dinheiro, impõe-se. Dentro de alguns anos regressarão as sanções para quem não fez aquilo que esses países acham que se deve fazer - cortar na segurança social e reduzir as garantias dos trabalhadores com alterações da legislação.


É sempre o mesmo. A falta de vergonha chegou até à proposta de vetos por parte de países que não concordavam com a forma como se aplicavam os fundos. A falta de vergonha da parte de quem faz dumping fiscal, atraindo as empresas de outros países para fugirem aos impostos.


Não, não aprendemos rigorosamente nada.

26 maio 2019

Das ausências

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Nestes dias eleitorais sinto mais agudamente a ausência de quem comigo sempre trocava impressões entusiasmadas ou apreensivas sobre a afluência às urnas, as previsões, os resultados.


 


Honro todos os que lutaram para que pudéssemos viver em democracia. Para mim estes dias transformam-se sempre numa festa, mesmo sem bolos, velas ou champanhe. A alegria com que celebramos viver em democracia, viver numa comunidade europeia, tolerante e misturada.

Já votou?

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Aqui está uma bela oportunidade para se cruzar com pessoas que há muito tempo não via, fazer uma bela tertúlia no café, tentando salvar o mundo, ou aproveitar para dar um passeio a pé, que está um dia lindo!

25 maio 2019

Fashion para amanhã

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Da auto-indulgência

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O desenvolvimento das teorias e noções sociais que vêm o indivíduo como o centro do mundo, na nossa sociedade ocidental, fez aumentar exponencialmente a auto-indulgência. A publicidade alimenta e alimenta-se dos slogans que promovem a satisfação individual e que centram nela a melhoria do mundo. Fazer bem primeiro a si próprio depois ao outro.


 


A realidade é que estamos cada vez mais egocêntricos. O primado da preocupação pelos outros e da entrega aos outros foi substituída, colocando o indivíduo como a sua principal prioridade. Cada vez mais arranjamos justificações para não cumprirmos o que não nos diga estritamente respeito. Não ter tempo e precisar de tempo para si próprio é a mais recorrente. Por muito real que seja a confusão e ruído nas nossas vidas, implicando a necessidade de recolhimento e fuga, não podemos refugiar-nos nesse alheamento no que diz respeito à vida colectiva.


 


Não há razão, justificação ou desculpa para não votar. É um acto de cidadania ao nosso serviço e ao serviço dos outros, é uma escolha que define a nossa sociedade. Está em causa uma ideia de comunidade, de relação entre povos e indivíduos.


 


Para quem ainda não sabe onde votar: enviar um sms para o número 3838 com o seguinte texto:


RE espaço número do CC espaço data de nascimento no formado aaaammdd


Ex: RE 1234567 19820803


ou ir ao portal https://www.recenseamento.mai.gov.pt/


 


Votar é uma obrigação moral.

23 maio 2019

A (des)amada Europa

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Ninguém se interessa pelas eleições europeias, nem os próprios candidatos ao Parlamento Europeu, pois não falam dela. Não falam da enorme importância destas eleições, onde o perigo da organização de uma ala que se propõe destruir por dentro os ideias europeus é real e assutador.


 


Numa altura em que espreitam os populismos de todas as cores, os justicialismos, a desregulação dos direitos sociais, do trabalho, a escalada da xenofobia e dos racismos, a inacreditável saga arrastada do BREXIT, a crise da Catalunha, tudo nos deveria alertar para a importância da Europa como espaço de democracia, respeito pelas minorias e pelos direitos humanos, tolerância e direitos sociais. Pelo contrário, trocam-se acusações estapafúrdias e sórdidas, de forma a que qualquer pessoa que queira ouvir qualquer coisa sobre a Europa, desliga de imediato.


 


Pode ser que os cidadãos se mobilizem, apesar das campanhas e das tristes figuras a que temos assistido. Espero sinceramente que sim.


 


A Europa ainda é um projecto de paz e tranquilidade. Façamos dela uma realidade e apostemos na democracia. Todos a votar, sempre, com alegra e responsabilidade.

19 janeiro 2018

O Prof. Karamba em Bruxelas

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Não pesquisei antes de 2016, mas nestes 2 últimos anos Bruxelas tem falhado todas as previsões.


 


2018


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Qual é a novidade, então?


Ninguém se lembra dos falhanços anteriores?


 

25 setembro 2017

O regresso da extrema direita alemã

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Angela Merkel


 


 


Custa e preocupa muito apercebermo-nos de que a extrema direita alemã é a terceira força mais votada na Alemanha, regressando ao Parlamento donde estava afastada desde o fim da II Guerra Mundial.


 


Até hoje, e apesar dos diversos avisos, a liderança da Europa não tem ligado aos sinais de descontentamento dos cidadãos, nomeadamente em relação à União Europeia. A prolongada crise, as desigualdades e o voluntarismo dos partidos defensores da presente orientação política, empurrou todos os eurocépticos para a direita, pois não se sentem representados por nenhum partido tradicional. O último discurso de Juncker, com a proposta de um Ministro das Finanças comum, é mais uma fuga em frente na suposta necessidade de integração política, sem haja o cuidado de ter a explícita aprovação dos povos.


 


É claro que esta não é a única razão, mas parece-me uma razão muito importante. Para além disso o desaparecimento das gerações que viveram a II Grande Guerra, o terrorismo, a crise económica e a insegurança sentida dentro do espaço europeu, para além dos fluxos de refugiados, são mais razões para o aumento do racismo e da xenofobia.


 


É urgente o repensar da construção europeia, o respeito pelas democracias e pelas diferenças entre os vários Estados. São precisas novas políticas sociais, de emprego e de promoção da igualdade. Caminhamos a passos largos para um ciclo que acorda todos os nossos medos.

07 abril 2017

Do choque de Dijsselbloem

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É natural que Dijsselbloem tenha ficado chocado - não estava à espera da frontalidade e da serenidade de Ricardo Mourinho Félix.


 


Ainda bem que temos gente que assim choca os Dijsselbloems do Eurogrupo, o tal que manda e desmanda na Europa.

18 setembro 2016

Do esboroar do projecto Europeu

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A sensação difusa de que a União Europeia se está a esboroar está cada vez mais intensa e real. Quando António Vitorino, ex-comissário e europeísta convicto, na rentrée política do PS afirma que a divisão entre os grupos dos ganhadores e perdedores é uma ameaça ao projecto europeu, podemos estar certos de que, no PS, começa o afastamento ao europeísmo militante.


 


Já não é possível ignorar os sinais que se foram acumulando ao longo de tantos anos e que se agudizam diariamente. A desigualdade, a falta de solidariedade e de coesão entre os países da Europa Central e do Norte e a Europa do Sul, o desemprego galopante, o esfarelamento da democracia nos países da periferia sob o jugo das dívidas e da recessão económica e a crise dos refugiados, confluem para a tempestade perfeita.


 


O populismo e a xenofobia aumentam e estão predominantemente (mas não apenas) do lado dos euro-cépticos. O afastamento entre as populações e os representantes europeus é cada vez maior e está a ser arregimentada pelos extremismos. A crise dos refugiados ameaça ser a gota de água pela incapacidade demonstrada na sua resolução, com a proliferação de muros entre fronteiras e o alargamento das sensações de insegurança e de medo por entre as populações.


 


Angela Merkel está a perder o seu eleitorado sendo uma das poucas vozes que se mantém fiel ao seu compromisso com a integração e o acolhimento dos refugiados. Mas as opiniões públicas revoltam-se contra o que pensam ser a razão da sua própria pobreza e insegurança. Os líderes extremistas têm sido muito bem sucedidos em integrar o pensamento de que o que é diferente é perigoso.


 


Infelizmente estou convencida que as forças centrífugas são cada vez mais fortes e que não há arte, engenho nem vontade para dar a volta à situação, de forma a que os europeus se possam reconciliar uns com os outros, vencendo a desconfiança de que falava António Costa, recuperando os valores que estiveram na fundação desta União.

29 julho 2016

E quais as conclusões políticas?

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Christine Lagarde


 


Afinal parece que as pessoas e os partidos que defendem e sempre defenderam uma reestruturação da dívida têm e tinham razão.


 


Quais vão ser as consequências? É agora que se vai avançar para a reestruturação da dívida? É agora que finalmente a Comissão Europeia vai fazer marcha atrás em relação à política que impôs nos últimos anos?


 


E se começássemos a falar de impostos mais progressivos para que quem mais tem seja quem mais pague? E se começássemos a falar da taxa Tobin? E se começássemos falar da redução dos horários de trabalho, não para 35h mas para 30h por semana, no público e no privado? E se começássemos a falar da renovação geracional dos quadros? E se começássemos a falar do aumento de emprego que isso significaria com a consequente melhoria na qualidade de vida, aumento da participação contributiva, perspectiva e segurança de emprego, para que as gerações que esperam indefinidamente a sua vez possam não ter que adiar cada vez mais a vontade de serem independentes, responsáveis, cidadãos activos, fundarem famílias, terem filhos? E se começássemos a pensar em investir na cultura, apostar na música como um elemento fundamental na educação e desenvolvimento das crianças e adolescentes?


 


E se retomássemos a ideia de procurar financiamentos para suprir as necessidades dos cidadãos em vez de as reduzirmos ao dinheiro existente? Não é assim que os empreendedores fazem? Não é isso o empreendedorismo?

03 julho 2016

Das surpresas pouco surpreendentes

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Helder Oliveira


 


É claro que Maria Luís Albuquerque tem toda a razão.


 


Se ela fosse (ainda) Ministra das Finanças, significaria que o governo do País era (ainda) de direita e que o Primeiro-ministro seria (ainda) Passos Coelho, e que o Vice Primeiro-ministro seria (ainda) Paulo Portas.


 


Ou seja, que a Comissão Europeia e o Eurogrupo certamente nunca avançariam com sanções a Portugal, mesmo que o défice tivesse dobrado os 3%.


 


Ou seja, que Wolfgang Schäuble e Klaus Regling não estariam minimamente preocupados com Portugal, porque Portugal (ainda) era um membro de pleno direito do status quo europeu.


 


Ou seja, a vontade de sancionar Portugal não tem nada a ver com o défice de 2015, mas apenas com a ousadia e o despautério deste País por ter arranjado uma Geringonça, ao contrário da Caranguejola que o status quo europeu queria que (ainda) governasse.

25 junho 2016

O (in)esperado resultado do referendo Britânico

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The Spectator


 


Ao contrário do que tenho lido e ouvido em vários comentários, feitos pelos habituais políticos, economistas e jornalistas, não estou nada surpreendida com o resultado do referendo no Reino Unido. E tenho muita dificuldade em perceber a surpresa generalizada quando, até ao assassinato da deputada inglesa, todas as sondagens davam maior expressão ao resultado favorável ao BREXIT.


 


Por outro lado, há anos que se ouvem vozes muito críticas à deriva tecnocrática, neoliberal e austeritária da União Europeia, à incapacidade das instituições europeias de lidar com as crises humanitárias dos refugiados, demográfica, das dívidas soberanas nos países periféricos, da anemia do crescimento económico, com a divisão entre uma Europa a várias velocidades, com a hegemonia da Alemanha, com o aumento das desigualdades e da pobreza, enfim, com a previsão de que havia cada vez mais possibilidade de desagregação europeia.


 


Outro ângulo de análise a que tenho assistido é a discussão da oportunidade e das motivações do referendo, que todos sabemos ter sido uma manobra de Cameron para garantir a sua sobrevivência política, para desvalorizar o seu resultado. Ou discutir a pertinência de se referendarem assuntos tão complexos, em que a resposta dada pelos cidadãos seja motivada por motivos circunstanciais (como ouvi Helena Garrido defender).


 


Por outro lado, tenho ouvido análises em que se colocam de um lado os defensores do BREXIT como velhos, xenófobos, ignorantes e racistas, do outro lado os defensores do BREMAIN como jovens, informados, livres, tolerantes e solidários. Tenho mesmo visto defender a repetição do referendo, com difusos argumentos de escassa participação ou de campanhas populistas e de medo - será que aceitariam o argumento caso tivesse ganho o BREMAIN?


 


Penso que estamos todos a não querer ver a realidade. O referendo é um instrumento democrático e o maior problema foi o de ter sido parcas vezes usado no que diz respeito à integração europeia. Lembro-me perfeitamente da promessa não cumprida de Sócrates quanto ao referendo ao Tratado de Lisboa. A menorização dos cidadãos, assumindo-se que não compreendem as questões ou as implicações das respostas, de serem manipulados pelas campanhas populistas, etc., pode servir para qualquer tipo de consulta popular, desde as eleições autárquicas às do Presidente da República.


 


As diversas crises que se instalaram na Europa, levando à perda de qualidade de vida, de esperança e de perspectiva de futuro, o descrédito no projecto de solidariedade europeia, o empobrecimento e a sensação de injustiça associada às desigualdades galopantes, a arrogância e pesporrência das Instituições Europeias, com o alheamento dos cidadãos em relação à política, patente em todos os actos eleitorais, predominantemente nos europeus, criaram levam ao aumento do sentimento anti União Europeia, sem que necessariamente se seja xenófobo ou racista.


 


O simplismo da divisão entre os bons (europeístas) e os maus (secessionista) só fará aprofundarem-se as desconfianças e o sentimento de exclusão dos povos. Infelizmente, as Instituições europeias reagiram com o despeito de virgens ofendidas, em vez de permanecerem calmas e de assumirem o resultado do referendo como uma decisão respeitável e democrática, que urge entender, ameaçando e fazendo voz grossa exigindo uma saída rápida.


 


Quero crer que estas situações não se podem resolver rapidamente nem com atitudes de ultraje pessoal. Será a melhor forma de incendiar os sentimentos de rejeição à União Europeia por parte de outros países.


 


É urgente que a União Europeia se remodele e se auto critique, de modo a que os cidadãos dos países que a compõem sintam que a sua existência lhes garante uma vida melhor, mais próspera e mais segura. As pessoas que constituem os povos são soberanas para decidirem. Se deixarmos de acreditar nisso, deixamos de defender a democracia. E os resultados das votações livres são para respeitar, mesmo que sejam o contrário do que gostaríamos que fossem.


 


Continuo a acreditar que a União Europeia foi e é uma organização que nos dá mais garantias de paz, de solidariedade, de crescimento, de tolerância e de interligação cultural. Mas para que continue tem que evoluir e transformar-se, reassumindo esses valores numa União de países soberanos e iguais entre si, que pugnam pelo respeito e consideração mútuas. Para que esse desejo seja uma realidade precisamos de refundar as Instituições, sem medo nem vacilações.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...