A sensação difusa de que a União Europeia se está a esboroar está cada vez mais intensa e real. Quando António Vitorino, ex-comissário e europeísta convicto, na rentrée política do PS afirma que a divisão entre os grupos dos ganhadores e perdedores é uma ameaça ao projecto europeu, podemos estar certos de que, no PS, começa o afastamento ao europeísmo militante.
Já não é possível ignorar os sinais que se foram acumulando ao longo de tantos anos e que se agudizam diariamente. A desigualdade, a falta de solidariedade e de coesão entre os países da Europa Central e do Norte e a Europa do Sul, o desemprego galopante, o esfarelamento da democracia nos países da periferia sob o jugo das dívidas e da recessão económica e a crise dos refugiados, confluem para a tempestade perfeita.
O populismo e a xenofobia aumentam e estão predominantemente (mas não apenas) do lado dos euro-cépticos. O afastamento entre as populações e os representantes europeus é cada vez maior e está a ser arregimentada pelos extremismos. A crise dos refugiados ameaça ser a gota de água pela incapacidade demonstrada na sua resolução, com a proliferação de muros entre fronteiras e o alargamento das sensações de insegurança e de medo por entre as populações.
Angela Merkel está a perder o seu eleitorado sendo uma das poucas vozes que se mantém fiel ao seu compromisso com a integração e o acolhimento dos refugiados. Mas as opiniões públicas revoltam-se contra o que pensam ser a razão da sua própria pobreza e insegurança. Os líderes extremistas têm sido muito bem sucedidos em integrar o pensamento de que o que é diferente é perigoso.
Infelizmente estou convencida que as forças centrífugas são cada vez mais fortes e que não há arte, engenho nem vontade para dar a volta à situação, de forma a que os europeus se possam reconciliar uns com os outros, vencendo a desconfiança de que falava António Costa, recuperando os valores que estiveram na fundação desta União.
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