Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos,
melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Já todos os supostosenvolvidos na autoria de tal relatório desmentiram a sua existência. Mas isso não interessa. Em plena semana de campanha eleitoral para as autárquicas, mais uma vez tudo vale.
O Expresso é um actor activo, consciente ou não, do enterramento da credibilidade informativa. Se é que ainda alguém acredita nela, o Expresso apressa-se a desfazer todas as ilusões.
Como não posso falar de boas notícias em Oeiras, falo das óptimas notícias que são as derrotas de Fátima Felgueiras, Avelino Ferreira Torres e Narciso Miranda.
Posso também falar das excelentes notícias que são a vitória de António Costa, em Lisboa, e a derrota de Santana Lopes, também em Lisboa.
Depois há a vitória do PS, a nível nacional que, até agora (faltam 926 freguesias por apurar), ganhou mais mandatos nas Câmaras, nas Assembleias Municipais e nas Assembleias de Freguesia.
Não quero acrescentar mais nada a este excelente post, que reproduzo integralmente.
Hoje você é quem manda
Falou, ´tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando p´ro chão
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.
(Coro) Apesar de você
amanhã há de ser outro dia
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.
Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de desinventar
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.
(Coro) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago p´ra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.
E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa
Apesar de você.
(Coro) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você.
(Coro) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc. e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá?
Longe vai o tempo em que o Apesar de você… tinha a limpidez de se aplicar aos ditadores e às ditaduras… Aos maus. Nestes novos tempos o você será muito mais subtil e aplicar-se-á aos resultados perversos do voto popular (acima). Mas não nos surpreendamos que, em consequência desse desperdício, as novas gerações, que nunca precisaram do voto para escorraçar os velhos vocês, se tornem indiferentes à utilização e preservação desse direito de voto, quando constatam que o resultado pode resultar em eleger estes novos vocês...
Estas eleições parece que não existem, de tal maneira estão entaladas entre as legislativas e a formação do governo.No entanto são tão importantes como as primeiras.
Em Oeiras assumem, na minha perspectiva, uma importância que transcende o acto eleitoral e o executivo autárquico que dele resultará. É um teste à aceitação cultural, por parte dos habitantes de Oeiras, dos valores de justiça e de honradez.
Custa-me a perceber como é que uma pessoa condenada a 7 anos de cadeia por corrupção tenha a audácia de se candidatar a Presidente da Câmara. Mas é-me totalmente incompreensível a sua iminente eleição, a confirmarem-se os resultados das últimas sondagens.
A vitória do candidato Isaltino Morais é a vitória daqueles que, se pudessem, cometeriam abusos no exercício de cargos públicos, embora todos os dias vociferem contra os políticos, que apelidam de grandes corruptos.
Quando todos se queixam de que os políticos são uns corruptos é bom que pensem muitas vezes. Pelo menos em Oeiras a população gosta de votar num indivíduo que foi condenado por um colectivo de Juízes a 7 anos de prisão.
Significa que quem vota nele só não faz igual porque não pode.