24 maio 2015

Não há fome que não dê em fartura (3)

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 Obviamente que é apenas porque nos portámos todos muito bem e já podemos ter um prémio:


Governo admite acelerar eliminação da sobretaxa de IRS


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Não há fome que não dê em fartura (2)

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 Passos Coelho em relação à reposição salarial da Função Pública:


"Parece-nos fazível"


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Parece-lhe fazível.


 

Do tempo dos gelados

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Aqui há umas semanas, por motivos que não vêm ao caso, fiquei em casa com um caixote de belos e perfumados morangos. Incapazes de os comermos a tempo de não se estragarem, resolvi congelá-los.


 


Resolvi experimentar fazer um gelado de morango. Descongelei-os (ficaram um pouco mirrados e a nadar na água que largaram), triturei-os com a varinha mágica (com a respectiva água), tudo junto com o peso de 1 kg; juntei 500 g de açúcar e, à parte, bati 600 ml de natas até ficarem espessas. Incorporei as natas batidas na papa de morangos açucarados, distribuí por caixas e congelei. Para regar o gelado, derreti chocolate negro (70% de cacau) com um pouco de leite e umas colheres de açúcar (uma 3, de sopa).


 


Ficou maravilhoso. Só faltou o crocante. Ainda tenho mais uns tantos congelados, talvez me atreva a outra coisa qualquer.


 


Entretanto alguns dos frascos de compota de abóbora que tardam em ser deglutidos também foram reciclados em gelado. No fundo o princípio é o mesmo. Juntei o doce às natas batidas (na mesma proporção) e congelei. Ainda ficou melhor, mesmo sem molho e sem crocante. Fica mais cremoso que o de morango.


 


Enfim, um estrondo.

Não há fome que não dê em fartura (1)

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Ministro da Defesa anuncia 6088 promoções


 


Uma decisão deste governo, diz Aguiar Branco, datada de 2011. Por acaso só agora vai ser concretizada.

16 maio 2015

Amor é...

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... cuidar dela todos os dias...

Dos fins e dos meios

Na filosofia editorial de alguns jornais todos os meios servem para atingir determinados fins, políticos, neste caso.


 


A qual Maria de Lurdes os leitores associam imediatamente esta notícia?


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E para esclarecer os atónitos incrédulos, se clicarmos no título somos direccionados para um outro, ainda mais chamativo, e que nos sustenta ainda mais as nossas suspeitas:


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Ao rolarmos a página podemos ler, enfim, o texto que, apenas no 3º parágrafo, desvenda o apelido da Maria de Lurdes:


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E descobrimos que, afinal, não era Maria de Lurdes Rodrigues a falsificadora das qualificações.


 


Alguém acredita que foi por acaso? Que importância tem esta notícia, a não ser a de induzir os incautos ao erro, criando histórias e lançando boatos sobre uma figura pública controversa como Maria de Lurdes Rodrigues, numa época de campanha eleitoral e em que a direita tenta intoxicar a opinião pública, desacreditando todos os protagonistas do PS?

Um dia como os outros (157)

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(...) Porém, nesse lugar - Milão, hoje - onde o mundo glorifica a comida, Portugal não está presente. Não tem pavilhão, nem banca, nem um simples papelinho distribuído à entrada: "Olá, vocês não se lembram, mas já nos conhecemos. Foi Portugal que vos apresentou a/o [e aí o folheto diria o nome dum tubérculo, dum fruto, dum cereal]..." Aos brasileiros deu o café para conversar; à China e à Índia, a batata; e vindo dos Andes, o chili pepper, o jindungo que, passando pelo Brasil, deu sentido às sopas tailandesas e coreanas. Reparem, nem falo da paprica húngara - só reivindico as entregas diretas. A Budapeste, o picante só chegou depois de passar pela Turquia, trazido da Índia, onde, em Goa, os portugueses tinham metido o jindungo no vindaloo. Leiam alto e descubram a origem da palavra: "vinha-d"alho"... O vindalooencontrei-o, também deturpado, em Trindade e Tobago e no Havai. (...)


(...) O pavilhão da Santa Sé, na Expo 2015, diz que a comida é também assunto de rituais e símbolos. Claro. E os portugueses foram apóstolos do valor sagrado do pão, espalharam-lhe a palavra e os sabores. O governo português diz que não temos pavilhão porque não temos dinheiro. É falso. Não estamos lá porque quem decidiu é pobre de espírito. Não merece Portugal.


 


Ferreira Fernandes

A case of you


Joni Mitchell


 



Ana Moura


 



Jane Monheit


 


A case of you


 


Just before our love got lost you said
"I am as constant as a northern star" 
And I said "Constantly in the darkness 
Where's that at?
If you want me I'll be in the bar" 

On the back of a cartoon coaster 
In the blue TV screen light 
I drew a map of Canada 
Oh Canada 
With your face sketched on it twice 
Oh you're in my blood like holy wine 
You taste so bitter and so sweet 

Oh I could drink a case of you darling 
Still I'd be on my feet 
oh I would still be on my feet

Oh I am a lonely painter 
I live in a box of paints 
I'm frightened by the devil 
And I'm drawn to those ones that ain't afraid 

I remember that time you told me you said
"Love is touching souls" 
Surely you touched mine 
'Cause part of you pours out of me 
In these lines from time to time 
Oh, you're in my blood like holy wine 
You taste so bitter and so sweet 

Oh I could drink a case of you darling 
And I would still be on my feet 
I would still be on my feet

I met a woman 
She had a mouth like yours 
She knew your life 
She knew your devils and your deeds 
And she said 
"Go to him, stay with him if you can 
But be prepared to bleed" 

Oh but you are in my blood 
You're my holy wine 
You're so bitter, bitter and so sweet

Oh, I could drink a case of you darling 
Still I'd be on my feet 
I would still be on my feet

14 maio 2015

Pórtico da Língua Portuguesa

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Um portal, perto de si

Da publicidade enganosa

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No dia 3 de Maio o DN brindou os leitores com um artigo com chamada de primeira página titulado Terapia inovadora contra o cancro tem êxito superior a 90 por cento, terapia essa disponibilizada pela Fundação Champalimaud.


 


O artigo conta a história de uma mulher de 46 anos à qual é diagnosticado um tumor do ovário metastizado (galopante, segundo a expressão empregue no texto). A estratégia terapêutica que lhe foi proposta no Hospital Público incluía quimioterapia e radioterapia durante um ano, operações. Como a doente não queria ir por ali, a conselho da sua médica ginecologista consultou um médico da Fundação Champalimaud e começou um tratamento 3 semanas depois - radioterapia de dose única.


 


A história da doente continua mais à frente. Ficamos a saber que sentiu alguns enjoos e tonturas durante o tratamento, nunca deixando de trabalhar nem de perder qualidade de vida, que as metástases intestinais tinham desaparecido embora os ovários ainda não estivessem completamente limpos. Desconhecia no entanto se necessitaria de mais algum tratamento e informava que tinha pago 12.000 euros (por 4 horas de tratamento). O artigo termina explicitando que o SNS tem um protocolo com a Fundação Champlimaud, que permite aos doentes serem aí tratados, embora nunca tenha sido posto em prática.


 


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Quem ler esta peça acaba pois convencido de que os hospitais públicos não têm a terapêutica referida – radioterapia de dose única – que esta é revolucionária e pode ser usada para todos os tipos de cancro e com um sucesso praticamente total, para além de sugerir que o protocolo de colaboração entre o Estado e a Fundação não é accionado, afastando quem não tem dinheiro desta quase certeza de cura.


 


Claro que, quem souber alguma coisa de Medicina, percebe pelo meio do texto excertos de afirmações do Dr. Zvi Fuks, o Director do Centro Champalimaud, explicitando que, nos casos em que é indicada, esta terapêutica é excelente para o controlo de metástases e de algumas neoplasias primárias em fase inicial, sendo a localização dos tumores (esófago, traqueia, estômago, coluna vertebral) muito importante para a possibilidade de a utilizar.


 


Este género de artigos podem tornar-se muito prejudiciais ao público em geral e aos doentes em particular. Em vez de informarem, desinformam e criam falsas expectativas em curas e técnicas que, por muito boas e úteis que possam ser, não são certamete a panaceia para todos os males. Além disso, ao contrário do que se insinua, está disponível no SNS e é utilizada nos casos em que está indicada.


 


Apenas me apercebi de duas reacções, a esta notícia, o que me parece muito pouco, pois considero imprescindível que se esclareçam as pessoas quando expostas a uma publicidade enganosa. A sensação com que se fica é que o objectivo do artigo é fazer propaganda à custa de quem sofre uma doença grave e debilitante, com um peso psicológico tremendo, que faz com que as pessoas que lidam com ela, fragilizadas, recorram a tudo o que lhes possa oferecer esperança. E suspeito que qualquer dos profissionais que trabalha no Centro Clínico não deve ter ficado satisfeito com este género de publicidade.


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 O que mais me espanta é a ligeireza negligente como este artigo aparece escrito. Não terá ocorrido à sua autora questionar um Instituto Português de Oncologia sobre esta matéria? Não terá tido a curiosidade profissional de tentar perceber para que serve a técnica, como surgiu, quais as indicações? Ou de como se trata o tumor que a senhora em causa referia?


 


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09 maio 2015

Dos enviesamentos ideológicos

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Ciclicamente a questão da não elegibilidade das pessoas pertencentes a grupos de risco (conjunto de pessoas estatisticamente associado a determinado risco), neste caso mais exactamente a comportamentos sexuais de risco (entenda-se risco como a possibilidade de contraírem doenças transmissíveis pelo sangue) como dadores de sangue é trazido à discussão, assistindo-se a acusações de descriminação, confundindo-se o que são medidas de segurança para toda a população com posições políticas e/ ou ideológicas sobre determinado tipo de comportamentos e escolhas de vida.


 


aqui me referi a esse problema, em 2009. Vou voltar a ele 6 anos depois, citando outros documentos que estão ao alcance de quem quiser informar-se. Os conhecimentos e as evidências científicas não são estáticas ou seja, o que se considera cientificamente correcto hoje pode evoluir e ser diferente de amanhã. Mas o enviesamento da discussão científica exclusivamente por causas ideológicas é muito perigoso. Todos os cidadãos têm o direito de se apresentar como dadores de sangue, o que não é sinónimo nem equivalente a ter o direito de doar sangue. Os serviços de saúde têm como missão assegurar que os vários componentes do sangue são recolhidos em condições de segurança, reduzindo o risco de infecções ao mínimo que os conhecimentos actuais permitem e que o estado da arte podem garantir. Começo pela OMS, um organismo internacional no âmbito da ONU, cientificamente independente e distanciada das batalhas ideológicas sobre a igualdade de géneros, que já produziu centenas de guidelines sobre múltiplos aspectos da prática médica. Esta é sobre a selecção de dadores de sangue.


 


Blood Donor Selection - Guidelines on Assessing Donor Suitability for Blood Donation – WHO (2012) -  Pág. 87 e 88:



(…) It is essential that BTS identify and defer from blood donation individuals whose sexual behaviour puts them at high risk of acquiring infectious diseases that can be transmitted through blood.


(…) High-risk sexual behaviours include having multiple sex partners, receiving or paying money or drugs for sex, including sex workers and their clients, men having sex with men (MSM) (250,251) and females having sex with MSM (246,247,252). MSM account for the largest subpopulation of HIV-infected people in most developed countries (253,254,255,256) and many countries therefore permanently defer men who have ever had oral or anal sex with another man (254,257,258). The permanent deferral of MSM has been criticized as being selectively discriminatory and lacking scientific rigour (253,259,260,261) and has undergone review in some countries in the light of increasingly sensitive and reliable technologies for donation screening (249,262). Studies using mathematical modelling to predict the effect of reducing deferral intervals for MSM to one or five years have suggested that the increased risk of an HIV-infected donation entering the blood supply is small, but not zero, with little gain in terms of additional donations (263,264,265,266). These studies rely on some assumptions, are applicable only to the populations studied, and relate to testing methodologies that are not available in some countries and have been superseded in others. However, no comparable evidence is currently available. The permanent deferral of MSM therefore continues to be endorsed as the default position based on the principle of risk reduction to “as low as reasonably achievable” (ALARA).


Pág. 220 – 224: (…) Decision-making process


The Guideline Development Group concluded that permanent deferral of MSM as blood donors should continue to be recommended by WHO as the safest option, based on the principle of risk reduction to “as low as reasonably achievable” (ALARA). This policy should be critically and frequently reviewed by blood transfusion services in the light of changes in disease epidemiology, residual risk of HIV transmission, sensitivity of HIV screening assays and ongoing research. (…)



 


Blood, tissues and cells from Human Origin - The European Blood Alliance Perspective (2013)



Pág 134:


6.5 Precautionary principle - On several occasions the precautionary principle [25] is applied. In health care and transfusion contexts this principle is applied by letting the safety of the recipient prevail. This becomes tricky when sensitive issues arise, such as the exclusion of men having had sex with other men (MSM) [26]. Clearly, discrimination must be avoided.


6.5.1 Criteria for exclusion - Justified distinctions may still be made for deferring certain groups of prospective donors, when clear health risks for the recipient exist [27]. The primary reason for excluding candidate male donors on the ground of MSM is not that being homosexual made them non-eligible, but that their sexual behaviour carries a greater risk of transmitting HIV-infected blood. The deferral criteria are not a judgement on behaviour or (sexual) preference or (ethnic) descent, but a judgement on the (general, anticipated) risk related to behaviour. Having travelled in the jungle does not make someone a bad person, but does entail that person carrying a greater risk of transmitting malaria.


 



Position Statement on MSM & blood donation - The European Haemophilia Consortium (2015)



By deferring all persons in a risk category, risk is decreased over thousands of transfusions over many years. The deferral of MSM donors has been legally challenged in Canada, Australia and Finland and the legality of the deferral was upheld in each case. Decisions on deferral of donors should be taken nationally, bearing in mind the incidence and prevalence of both sexually transmitted infections as well as transfusion transmitted infections in each country. Donor deferral should not be regarded as primarily an issue of social policy, fairness or equality.


The EHC position is that decisions on donor deferral, including deferral of MSM donors, should always be based on data and scientific evidence and not on considerations of social policy or politics. The safety of recipients of blood transfusion and blood components is always the primary concern. In considering any change to deferral policy, countries should carry out a risk assessment based on the scientific evidence available. They should examine if any change in policy will result in an increased risk to blood recipients and decide on the degree of risk tolerance, bearing in mind that the risk is borne by recipients and not by donors. The level of compliance with any policy should also be examined insofar as this is possible to estimate.


Transfusion of safe blood and blood components is the objective of blood transfusion services and this should always be the driving force in any decision on donor deferral.


03 maio 2015

Para Sempre

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Michael Foley


 


Por que Deus permite


que as mães vão-se embora?


Mãe não tem limite,


é tempo sem hora,


luz que não apaga


quando sopra o vento


e chuva desaba,


veludo escondido


na pele enrugada,


água pura, ar puro,


puro pensamento.


Morrer acontece


com o que é breve e passa


sem deixar vestígio.


Mãe, na sua graça,


é eternidade.


Por que Deus se lembra


— mistério profundo —


de tirá-la um dia?


Fosse eu Rei do Mundo,


baixava uma lei:


Mãe não morre nunca,


mãe ficará sempre


junto de seu filho


e ele, velho embora,


será pequenino


feito grão de milho.


 


Carlos Drummond de Andrade

Dia(s) da(s) mãe(s)

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Olá, boa tarde.


 


Que lindo dia está, que lindo dia da mãe. Chove um pouco, é verdade, está ligeiramente cinzento (e frio também), é certo, mas é aquele dia dedicado às mães, a todas as mães, grandes, pequenas, gordas, magras, novas, velhas, muito velhas, aquele em que é suposto darem-se-lhes muitas prendas, muitos beijos, escrever nos facebooks muitos poemas e muitos carinhos.


 


Enfim, já que um dia não são dias, toca lá a despachar mais esta efeméride e a marcar um restaurante para o jantar em família, juntando avó e filha (as homenageadas), marido e filhos. Ultrapassando o facto de todos serem longe, caros e estarem fechados aos domingos, arranja-se um que, pelo nome, pode ser que não seja mau (a ver vamos, darei notícias posteriores).


 


Depois, para que possa desfrutar deste dia da mãe, descansadíssima como mãe que sou, já ontem despachei a pilha de análises por resolver, a compra dos legumes e da fruta, enchi e esvaziei máquinas de louça e roupa, para que o dia da mãe chegasse livre e escorreito, prometendo gozo e descanso.


 


Por isso mesmo fui logo de manhã ao hipermercado: compras já arrumadas, sopa preparadíssima e legumes guisados para a semana. Falta apenas acabar o workshop que tenho pendurado pois, durante a semana, não há tempo de o organizar. Tudo para que o jantar deste dia (da mãe) seja o êxito que se quer e se merece.


 


Não é (foi) um dia (fim de semana) soberbo? Muito diferente dos outros, ou não fosse ele dedicado às mães que, neste seu dia anual, podem descansar das fadigas rotineiras e habituais.


 


Um feliz dia a todas aquelas que hoje são lembradas e mimadas - as mães.

02 maio 2015

Carta aberta a um possível candidato

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 Guilherme d'Oliveira Martins


 


António Sampaio da Nóvoa avançou para Belém. Crédito para ele, que se disponibilizou para esse serviço público e de cidadania. No entanto Sampaio da Nóvoa coloca vários problemas para as eleições presidenciais e legislativas:


 



  1. Sampaio da Nóvoa apresenta-se como um outsider do sistema político, um novo político que vai regenerar o sistema. Na minha opinião é um erro e uma postura perigosa. A Presidência da República é um cargo político que, nos difíceis tempos de descrença que atravessamos, deverá ser ocupado por alguém que privilegia a política e que a exerça de forma nobre. Ser-se político é mesmo aquilo que se deve pedir ao mais alto representante da Nação.

  2. Sampaio da Nóvoa apresenta-se com um discurso esperançoso e bem escrito, de não resignação às desigualdades e à pobreza, de transformação da sociedade – todos sabemos que o Presidente não o fará nem é para isso que o elegemos. O Presidente da República tem que ser alguém em quem a população se possa rever como exemplo de seriedade, honestidade e coragem e que, acima de tudo, respeite. Não precisamos de um amigo na presidência, de um companheiro de luta ou de um idealista inspirador. Não há qualquer problema em ter também estes atributos, mas não é por eles que será eleito – sê-lo-á pela percepção que teremos da sua capacidade de cumprir e fazer cumprir a Constituição, de saber ouvir o sentir do povo e que saiba interpretar os sinais da sociedade para que, com a sua influência e a sua determinação, possa ser o último garante do Estado de Direito, da Liberdade, da Democracia e da credibilidade das Instituições.

  3. Por outro lado, Sampaio da Nóvoa poderá ocupar a esquerda do PS e a área à esquerda ao PS, mas nunca poderá ganhar a área do centro. Isso abre caminho à vitória de qualquer candidato do centro-direita – Marcelo Rebelo de Sousa ou Rui Rio, por exemplo. Continuo a acreditar que Marcelo Rebelo de Sousa não se candidatará, pois por muito popular que seja colou-se à imagem de comentador do regime e dos políticos, uma espécie de Bobo da Corte o que, temo bem, não seja exactamente o que precisamos como último garante das boas relações institucionais e internacionais (mas isso é apenas uma crença minha, em nada partilhada por muitos com quem tenho conversado).

  4. Mas o certo é que se o PS apoiar Sampaio da Nóvoa, como fará, caso não apareça rapidamente outro candidato que possa abarcar a área política do centro-esquerda, ficará com  um espaço reduzido de actuação em relação às eleições legislativas: a) se Sampaio da Nóvoa ganhar, será que vai ser facilitador de eventuais necessárias coligações com o centro, na hipótese, cada vez mais provável, do PS não conseguir maioria absoluta?; b) e como ficará a mobilização e o entusiasmo para as eleições legislativas e a vitória do PS? Não é evidente que a direita ganhará novo alento com a ausência de um candidato ganhador? Mesmo que esqueçamos Marcelo Rebelo de Sousa, podem perfilar-se Rui Rio ou Mota Amaral, que poderão estar em condições de vencer as presidenciais.


 


Por isso lanço este desafio especificamente a Guilherme d’Oliveira Martins, a quem não conheço, numa espécie de carta aberta a um desejável (para mim) candidato a Belém. Quando tanto se fala de um perfil, um indivíduo com a sua craveira intelectual, a sua experiência política, a sua imagem de seriedade e de honestidade nas funções que já cumpriu e cumpre, fariam dele alguém em quem o País pudesse confiar para as difíceis futuras negociações que se avizinham, nos quadros nacional e internacional, alguém rigoroso e atento, alguém que respeite os cidadãos, o Estado, o serviço público, a nossa História, a nossa cultura e a nossa língua.


 


Nota: Vale a pena ouvir Pedro Marques Lopes e Pedro Adão e Silva sobre este mesmo assunto.

Das ofensas e insultos estratégicos

A ofensa do jornalista em relação à ofensa de António Costa por casa dos insultos do jornalista que levou aos insultos do António Costa são a matéria que serve à chicana política de direita e não serve a discussão que interessa ao PS e, mais importante, ao Pais.


 


Se um jornalista chama cobarde ao um líder político, é natural que ele se aborreça. A liberdade que o primeiro tem de insultar (porque insultou, disso não tenhamos dúvida) é exactamente a mesma que leva o líder político a responder ofendido. Portanto a resposta ao SMS ofendido, sugerindo censura à liberdade de imprensa é apenas uma vitimização estratégica de campanha para diabolizar o pretenso autoritarismo de António Costa.


 


Nada disto é importante - é uma manobra (mais uma) para desviar as atenções. Por isso mesmo António Costa deve abster-se de responder, deixando-se levar para onde a direita quer - discussões estúpidas e sem conteúdo, que fulanizam e achinelam a política.


 


Há certos comentadores, que a si próprios se apelidam de jornalistas, que consideram ser seu privilégio insultar quem lhes apetece, mas não gostam que se lhes responda na mesma moeda. António Costa e o PS têm que ser mais inteligentes que eles.

01 maio 2015

Maio, maduro Maio


Zeca Afonso


 



 Madredeus


 



 Nara Leão


 



 emmy Curl


 


Maio maduro Maio, quem te pintou


Quem te quebrou o encanto, nunca te amou


Raiava o sol já no Sul, Ti ri tu ri tu ri tu ru Ti ri tu ru tu ru


E uma falua vinha lá de Istambul


 


Sempre depois da sesta chamando as flores


Era o dia da festa Maio de amores


Era o dia de cantar, Ti ri tu ri tu ri tu ru Ti ri tu ru tu ru


E uma falua andava ao longe a varar


 


Maio com meu amigo quem dera já


Sempre no mês do trigo se cantará


Qu'importa a fúria do mar, Ti ri tu ri tu ri tu ru Ti ri tu ru tu ru


Que a voz não te esmoreça vamos lutar


 


Numa rua comprida El-rei pastor


Vende o soro da vida que mata a dor


Anda ver, Maio nasceu, Ti ri tu ri tu ri tu ru Ti ri tu ru tu ru


Que a voz não te esmoreça a turba rompeu

Da escolha das batalhas

Ramalho Eanes não tem que provar a ninguém a sua capacidade de se expor e de se bater pelo que acha justo. Se há coisa de que se pode orgulhar, e nós dele, é da sua coragem em defender ideias e causas.


 


Poderemos estar de acordo ou em desacordo com as suas escolhas, mas acusá-lo de se negar a travar batalhas apenas porque não divide palcos nem protagonismos, é lamentável (veja-se o último parágrafo). A menos que o facto de ser citado como referência moral o obrigue a apoios e empréstimos de generalato, como tão elegantemente foi colocado o assunto.


 


Se o apoio de Ramalho Eanes é visto como importante, a ponto de menorizar os de Mário Soares e Jorge Sampaio, isso significa que honrou o cargo e o País. Esperemos que o próximo Presidente, seja ele quem for, tenha a mesma postura e seja capaz de restituir a credibilidade às Instituições, como Ramalho Eanes foi.

Da excelência dos meliantes lusos

Enquanto esperamos muito calmamente o desenvolvimento do processo de Sócrates, em prisão preventiva há mais de 5 meses, a comunicação social vai alimentando o público com notícias interessantíssimas.


 


A ser verdadeira a culpa de Sócrates poderemos orgulhar-nos de ter os meliantes mais capazes e competentes na sua profissão - esta investigação já envolve dez países e os milhões que terá recebido já somam dezassete!


 


Muito respeito!

Quebradiço

A voz do mar na boca O gume afiado do horizonte Na curva infinita do esquecimento   Reconheço nos ossos A aridez da vontade Queb...