31 maio 2009

Smooth

 


 



(Santana & Rob Thomas)


 


 


Man, it's a hot one

Like seven inches from the midday sun

Well, I hear you whispering in the words, to melt everyone

But you stay so cool

My muñequita, my Spanish Harlem, Mona Lisa

You're my reason for reason

The step in my groove


 


Pre-Chorus

And if you said this life ain't good enough

I would give my world to lift you up

I could change my life to better suit your mood

'Cause you're so smooth


 


Chorus

And it's just like the ocean under the moon

Oh, it's the same as the emotion that I get from you

You got the kind of lovin' that can be so smooth, yeah

Give me your heart, make it real

Or else forget about it


 


But I'll tell you one thing

If you would leave it would be a crying shame

In every breath and every word

I hear your name calling me out

Out from the barrio

You hear my rhythm on your radio

You feel the turning of the world, so soft and slow

Turning you round... and round


 


Pre-Chorus

And if you said this life ain't good enough

I would give my world to lift you up

I could change my life to better suit your mood

'Cause you're so smooth


 


Chorus x 2

And it's just like the ocean under the moon

Oh, it's the same as the emotion that I get from you

You got the kind of lovin' that can be so smooth, yeah

Give me your heart, make it real

Or else forget about it


Or else forget about it

Or else forget about it

 

Passaporte

 


Mesmo estando em total desacordo com Maria Filomena Mónica no que diz respeito ao conceito de avaliação, não deixo de lhe apreciar a escrita.


 


Acabei de ler o seu "passaporte". No estilo irónico e mordaz que a caracterizam, Maria Filomena Mónica brinca com as suas características de turista irritada com a massificação, com o seu elitismo e a sua exigência de conforto, levando-nos a vários sítios, desde aos seus locais de infância até ao Cairo.


 


Sempre bem documentada, não perde a oportunidade de contar histórias a propósito da História.


 


Adorei o epíteto de meteorito à Casa da Música do Porto, assim como a sua apreciação de Lisboa e de Córdova.


 


Um bom companheiro de insónias, este pequeno livro de crónicas, com algumas fotografias excelentes, particularmente a de Lisboa.


 



 

Subjectividade e meritocracia

 



 


No seguimento da entrevista de José Gil e da manifestação dos professores vi, de raspão, uma intervenção de Maria Filomena Mónica ontem, na RTPN, se não estou em erro.


 


Mas o que ouvi deixou-me perplexa. Dizia Maria Filomena Mónica que a avaliação tem de ser subjectiva, que tinha pedido a reforma antecipada porque o ministério queria que ela preenchesse uns formulários e que ela se recusava.


 


Não consigo perceber como é que Maria Filomena Mónica foi avaliada e avaliou ao longo destes anos todos, os conhecimentos, as publicações, os curricula de tantos quantos se cruzaram o seu caminho. Foi pela cor dos olhos, pelo que vestiam, pelo som dos apelidos? Como é que ela própria foi avaliada? Por testes, em que tinha que responder a perguntas iguais às dos seus colegas, que tinham uma grelha de avaliação e que, no fim, somavam um determinado valor? Ou pelos ares de inteligência ou de indigência mental que tinham?


 


Como se pode ser a favor da meritocracia se não há formas de comparar e avaliar? Como se comparam e avaliam procedimentos, atitudes, conhecimentos, aptidões, sem que se tende uma objectividade exemplar? Como se pode dar possibilidade a quem é avaliado de contestar a própria avaliação, se esta não seja o mais clara e transparente possível?


 


É claro que há, e deve haver, algum lugar para a subjectividade. Avaliar pressupõe responsabilidade do avaliador e, por muito que se seja objectivo, as pessoas não são computadores. Essa responsabilidade deve ser assumida e quem avalia deverá prestar contas da sua avaliação.


 


Como é possível alguém que se diz democrata e meritocrata defender uma forma de avaliação que permite um poder discricionário sobre quem está a ser avaliado?


 


Maria Filomena Mónica defende o indefensável, fala de uma escola que já não existe, se é que alguma vez existiu. E se o diagnóstico é que este é um problema que tem oitocentos anos, de certeza que não estaria à espera que alguém o resolvesse em quatro. Muito menos ela própria, cujas ideias não se percebem se são para este século ou para o XIX, onde ela confessa que vive na maior parte do tempo.

 

30 maio 2009

Dos medos de Manuela Ferreira Leite

 


Dos chips... das matrículas:


 


Mas obrigatório? Então eu agora de cada vez que vou para um lado tenho a certeza de que alguém sabe onde é que eu estou? Então eu já tenho medo de ouvir o telemóvel com medo de estar a ser escutada, agora ainda vou ter medo de sair de casa com medo de ser seguida?


 



 

Conteúdos

 



 


Li a entrevista que José Gil deu ao Público e não concordo com quase nada do que diz.


 


José Gil centra o seu pensamento naquilo a que ele chama a deterioração da relação afectiva entre os alunos e os professores e relaciona-a com a implementação de um sistema de avaliação com parâmetros objectivos. Penso que se referia à avaliação em geral.


 


A quebra dessa relação afectiva tem vido a concretizar-se há imenso tempo e, na minha opinião, com a alteração das relações afectivas entre adultos, crianças e adolescentes que se iniciou dentro das famílias e extravasou para os outros domínios sociais, e também com a evolução dos métodos e das oportunidades de aprendizagens fora do modelo escolar.


 


José Gil assume que este tipo de avaliação reduz a criatividade e afasta os professores mais capazes, pelo que não percebo se, nesta fase, se está a referir à avaliação de desempenho dos professores. José Gil afirma concretamente que este ministério piorou muitíssimo a educação precisamente pelo facto de ter insistido na avaliação parametrizada, por não ter ouvido os professores, por ter usado o autoritarismo como arma económica.


 


Não poderia estar mais em desacordo. Esta legislatura tentou valorizar o papel do professor, organizando um estatuto de carreira que distinguisse o mérito, assumindo que a escola pública deve estar ao serviço dos alunos e não dos professores, tentando mudar a atitude de uma classe até agora desprestigiada e desprezada não pelos alunos, mas pela sociedade em geral.


 


Parece-me uma avaliação demasiado subjectiva, a de José Gil.




Há, no entanto, um parágrafo em que concordamos:




A escola já não era boa. A escola precisa de reformas, é necessário pensar uma avaliação, mas para pensar uma avaliação temos primeiro que pensar em conteúdos. A primeira das coisas a fazer é revalorizar os professores, agora. A relação geral dos alunos relativamente ao saber é de rejeição. A ideia do professor como alguém que abre as portas para o mundo acabou ou está em vias de acabar. Isto tem de ser restaurado.

 


Adenda: ler também José Teófilo Duarte -  E agora Gil?

Makin' Whoopee

 


 



Dr. John & Rickie Lee Jones


 


Another bride Another June

Another sunny honey moon

another season, another reason

for makin' whoopie


 


Alot of shoes, alot of rice

the groom is nervous. he answers twice

its really Killin’ that he's so willin'

To make whoopee


 


Picture a little love nest

down where the roses cling

picture that same sweet love nest

Think what a year can bring


 


He's washing dishes and baby cloths

He's so ambitious he even sows

but don't forget folks thats what you get folks

for makin’ whoopee


 


Another year or maybe less

what's this I hear? Well can't you guess

She feels neglected and he's suspected

of makin' whoopee


 


She sits alone most every night

He doesn't phone her he doesn't write

he says he's busy but she say's "is he?"

He's makin' whoopee


 


He doesn't make much money

only five thousand per

some judge who thinks he's funny

says you'll pay six to her


 


he says now judge suppose I fail

the judge says budge right into jail

you better keep her I think it's cheeper

then makin’ whoopee


 


you better keep her

I know it's cheaper than makin' whoopee

 

A seriedade de Paulo Rangel

O senhor primeiro-ministro vai faltar por completo às suas obrigações no Parlamento. Isto tem de ser denunciado. O senhor primeiro-ministro tem de dizer porque é que tem medo de vir ao Parlamento explicar as políticas e submeter-se ao contraditório


 


Contactado pelo PÚBLICO, Paulo Rangel admitiu que os deputados não contestaram a indicação de 17 de Junho. “O Governo recusou o dia 12 e nós não íamos estar lá aos berros”, disse Rangel, acrescentando que o ministro dos Assuntos Parlamentares até queria “antecipar o debate do Estado da Nação para não fazer mais debates quinzenais até ao fim da legislatura”.

Ouvir para crer

 


Pensei que tinha ouvido mal, mas não, não foram os vapores do sono nem o amolecimento cerebral matinal. Foi mesmo verdade.


 


Ilda Figueiredo afirma que eles querem comercializar a saúde e destruir o SNS a propósito de uma proposta sobre cuidados continuados transfronteiriços, e que eles colocaram Correia de Campos em 5º lugar nas listas para o parlamento europeu precisamente para cumprir esse objectivo.


 


Extraordinário!


 


Vale a pena ouvir!

Jornalismo? (3)

 


Depois do Freeport vem o BPN.


 


Sempre defendi que o caso Freeport deve ser tratado na justiça e, caso haja culpados de crimes, no tribunal. Do caso BPN penso o mesmo, seja quem for que esteja envolvido.


 


É absolutamente lamentável a notícia que sai na primeira página do Expresso. Cavaco Silva comprou e vendeu acções da SLN, assim como a filha, tendo ambos ganho dinheiro com isso.


 


Qual a relevância desta informação? É proibido comprar e vender acções, ganhando dinheiro com elas? Houve algum ilícito nessas transacções?


 


Não votei em Cavaco Silva, não apoio nem me revejo nas suas opções, atitudes, etc. Mas o que se está a passar nesta campanha, e se calhar em outras de que, felizmente, já me esqueci, é o aviltamento de uma actividade nobre.


 


Tudo serve de arma de arremesso e de achincalhamento. A abstenção eleitoral, nestas e noutras eleições, é cada vez maior. Naturalmente. As pessoas que ainda se dão ao trabalho de votar sentem-se cada vez mais distanciadas deste tipo de troca de acusações.


 


Este é dos piores serviços que se pode prestar à democracia.


 



 

29 maio 2009

Indignidades

 


Dignidade -  (...) Procedimento que atrai o respeito dos outros (dicionário priberam).


 


Que respeito pode atrair alguém que está à frente de um organismo público, cuja responsabilidade é escrutinar, regular e evitar que haja negócios pouco transparentes, fuga de capitais, buracos financeiros, brincadeira com o dinheiro dos contribuintes, e que se mantém nesse cargo mesmo depois de se mostrar à exaustão que nada disto foi conseguido? Que respeito se pode ter pelo organismo público, pelo cargo, pela própria pessoa?


 


Que respeito pode atrair alguém que está à frente de um organismo que tem por missão promover a cooperação entre estados para o combate ao crime se essa pessoa é suspeita de pressionar colegas num caso que poderá envolver directamente as suas funções? Que respeito se pode ter pelo organismo público, pelo cargo, pela própria pessoa?


 


Que respeito pode atrair um candidato a deputado europeu que escolhe vergonhosamente a calúnia aos militantes do PSD, figuras gradas, apelidando-os de ladrões enquanto decorre um inquérito político e um investigação judicial, em que se pede seriedade e decoro? Que respeito se pode ter pelo candidato ou pelo próprio partido que o representa?


 


Que respeito podem atrair as declarações de um representante do mesmo partido ao defender tamanha alarvidade, destratando alguém que tenta repor algum civismo? Que respeito se pode ter por esta pessoa?

 


Que respeito pode atrair um conjunto de deputados eleitos para legislarem e fiscalizarem o governo, se não são capazes de eleger como Provedor de Justiça, um indivíduo com a estatura de Jorge Miranda, apenas porque o PSD recusou que tivesse sido o PS a indicar o seu nome? Que respeito se pode ter pelo organismo público, pela função, pelos próprios deputados?


 

27 maio 2009

Da dignidade

 


Impossível não nomear o assunto do dia, que já o deveria ter sido há bastante mais dias: a demissão de Dias Loureiro do Conselho de Estado.


 


Nã está em causa a culpabilidade ou a inocência de Dias Loureiro, na embrulhada do BPN, nem está em causa o facto de um país inteiro ter estado a ouvir o manancial de acusações a várias pessoas que Oliveira e Costa fez, nem a credibilidade do próprio Oliveira e Costa.


 


É uma questão de dignidade individual e de dignidade da função exercida, tal como acontece com Vítor Constâncio, tal como acontece com Lopes da Mota.


 


Honra seja feita a esta comissão de inquérito parlamentar, que está a fazer o trabalho da justiça. Alguém que o faça.


 

25 maio 2009

Primeiro round

 


A campanha para as eleições europeias começou, ou seja continuou, sob o signo das legislativas.


 


Nada que tenha a ver com a Europa, política europeia, tratado de Lisboa, Parlamento Europeu, federação de Estados, Turquia, etc., tem sido totalmente eclipsado pelo ataque à política do governo PS, a crise, cartazes horrorosos, demagogia e populismo quanto baste.


 


Se quisesse votar de acordo com as minhas opções em relação à Europa, nunca poderia votar no PS e no PSD, pois ambos defendem as mesmas coisas (pelo que adivinhamos e vemos na prática).


 


Mas ninguém está minimamente interessado nas eleições europeias. O resultado das eleições de Junho será interpretado como o primeiro round e uma sondagem à boca das urnas para as legislativas.


 


Sendo assim, um mau resultado para o PS (que o merecia em matérias europeias) será um péssimo começo para as legislativas, dando uma oportunidade ao PSD de criar uma onda de vitória que lhe escapa. Portanto, só me resta desinteressar-me das europeias e responder à sondagem de Junho.

 

Procedimentos

 


Sempre me habituei a ler as crónicas de António Barreto com muito interesse e respeito, por longos anos de opiniões descomprometidas e, quanto a mim, certeiras e honestas, como setas em alvos, e muitas vezes incómodas.


 


De há algum tempo para cá tem assumido um estilo semelhante a Medina Carreira, ou seja está tudo mal, tudo horrível, nada tem conserto.


 


Particularmente a última crónica que publicou no Público deixou-me tão desconfortável, tão espantada pelo arrazoado de opiniões desconexas, desfasadas e ultrapassadas, numa tal cegueira e em contradição com o que já defendera, que nem sei o que pensar.


 


Os manuais de procedimentos têm vantagens e desvantagens, que podem ser transformadas em ridículo sempre que se queira. Mas são feitos para que haja uniformidade nos procedimentos, para que as normas sejam idênticas e cumpridas da mesma forma por toda a gente. É um dos objectivos de quem está perante uma prova, ter as informações o mais detalhadas possível, todos perante as mesmas circunstâncias. Em qualquer laboratório são essas normas e esses manuais que garantem que todos procedam seguindo os mesmos rigorosos critérios, permitindo resultados fiáveis e reprodutíveis.


 


Quanto à forma como António Barreto se refere aos professores e à sua cruz diária, à dificuldade do ano e ao autoritarismo da Ministra, foi a melhor maneira de deitar para o lixo qualquer hipótese de reforma que contrarie o poder instalado na escola pública, fantástica que estava e tem estado nestes últimos 30 anos, em rigor, exigência, disciplina, etc.


 


A crónica de António Barreto demonstra, mais uma vez, que alguém que se queira importar e lutar para mudar qualquer coisa., tem a total incompreensão de todos, mesmo de quem sempre defendeu precisamente o caminho de maior exigência e melhor trabalho nas escolas.


 


Foram feitos erros, sem dúvida, mas assistimos, nesta legislatura, a uma honesta tentativa de exigir mais e melhor da escola, talvez a única desde o 25 de Abril.

 

24 maio 2009

Papéis

 



(pintura de Aili Schmeltz: radar)


 


Não sei se começamos com papéis

ou acabamos nos papéis

pela força das palavras

dos riscos dos nomes que abraçamos.

Não sei se foram folhas de papel

ou o papel que representamos

o que fomos ou que somos

uns dos outros perdidamente

demoradamente suspensos de uma voz

de um aperto de ânsia

quando nos vemos.


 


Não sei se a estrada o ar

a terrível desumanidade do tempo

nos dá tempo para encontrar

os papéis que colamos às mãos

e que usamos para nos renovar.

 

23 maio 2009

(In)Segurança policial

 


Assistimos a um julgamento por violência policial, embora tenhamos, mais uma vez, ficado defraudados com o tipo de penas aplicadas – suspensa, sempre suspensa. Todas as violências são horríveis, mas esta é particularmente arrepiante, porque as forças policiais deveriam proteger os cidadãos, não ameaçá-los.


 


Leonor Cipriano foi espancada na cadeia, em interrogatórios, sabendo nós que não foi seguramente a primeira nem será a última. Claro que as Leonores Ciprianos não têm advogados nem autoridades internacionais para zelarem pelos seus interesses, como aconteceu com os pais da desaparecida Madeleine McCann, que foram julgados e trucidados na praça pública, como agora é hábito fazer-se.


 


Como sempre é quem menos meios tem que fica mais vulnerável. Espero que este seja o primeiro de muitos julgamentos que condenem a violência e a impunidade praticadas nas esquadras.


 

Alice

 



 


Tom Waits & Kathleen Brennan


 


 


It's dreamy weather we're on

You waved your crooked wand

Along an icy pond with a frozen moon

A murder of silhouette crows I saw

And the tears on my face

And the skates on the pond

They spell Alice


 


I disappear in your name

But you must wait for me

Somewhere across the sea

There's a wreck of a ship

Your hair is like meadow grass on the tide

And the raindrops on my window

And the ice in my drink

Baby all I can think of is Alice


 


Arithmetic arithmetock

Turn the hands back on the clock

How does the ocean rock the boat?

How did the razor find my throat?

The only strings that hold me here

Are tangled up around the pier


 


And so a secret kiss

Brings madness with the bliss

And I will think of this

When I'm dead in my grave

Set me adrift and I'm lost over there

And I must be insane

To go skating on your name

And by tracing it twice

I fell through the ice

Of Alice


 


And so a secret kiss

Brings madness with the bliss

And I will think of this

When I'm dead in my grave

Set me adrift and I'm lost over there

And I must be insane

To go skating on your name

And by tracing it twice

I fell through the ice

Of Alice

There's only Alice

 

Jornalismo? (2)

 


O caso das declarações de Lopes da Mota, que na semana passada teria admitido que tinha invocado o nome do Ministro da Justiça e do Primeiro-ministro, na conversa com os seus colegas magistrados, seguindo-se, na semana seguinte, de declarações de Lopes da Mota a desmentir categoricamente tais invocações e tal reconhecimento, baralha e aumenta a sensação de quem lê de que está a ser manipulado.


 


O Freeport já não interessa, mas continuam a sair notícias sobre os negócios da família de Sócrates. Tudo vale para desacreditar Sócrates e tentar enrolá-lo em assuntos ilegais, mesmo que já não tenham nada a ver com o original – o suposto suborno.


 

Jornalismo? (1)

 


Estive à espera de ver a totalidade da entrevista de Manuela Moura Guedes a Marinho e Pinto para perceber o porquê das acusações de Marinho e Pinto.


 


Independente do estilo, Marinho e Pinto mostrou de novo a sua fibra. Neste momento poucos se atrevem a denunciar o mau jornalismo, porque é muito desagradável ser difamado e julgado na praça pública, por pessoas que se assumem como arautos da verdade quando servem agendas políticas. É o caso de Manuela Moura Guedes e da cruzada contra Sócrates. Marinho e Pinto destapou muitas panelas e a pressão está a sair por todo o lado. Claro que Marinho e Pinto é um urbano-rústico e, portanto, para os bacanos, indigno de ser Bastonário da Ordem dos Advogados.


 


Este é o vídeo da entrevista total (via Troca o Passo). É verdadeiramente extraordinária.


 


(post actualizado)

20 maio 2009

Os fins e os meios

 


Não consigo vislumbrar nenhuma razão, nenhuma justificação, nenhuma forma de considerar algum atenuante para o que se ouve na tal famosa gravação que duas alunas fizeram de uma aula, numa escola do ensino básico, em Espinho, a não ser a insanidade mental da Professora.


 


Por outro lado incomoda-me muito que o método usado seja um meio ilícito. Não podemos ignorar que é proibido, para além de pouco ético, a utilização de gravações sem autorização de quem está a ser gravado. Os fins não podem justificar os meios e é um perigo que comecemos a funcionar assim.


 


Mas pelo que se percebe pela história contada pelos media já teria havido tentativas de denúncias de irregularidades que não foram atendidas.


 


E aí, eu gostava de saber onde está o verdadeiro trabalho jornalístico. Há quantos anos trabalha esta professora? Em que escalão está? Que tipo de avaliações foram feitas ao seu trabalho e qual o seu resultado? O que fizeram os seus colegas, comissões pedagógicas, conselhos directivos e comissões de pais? Onde está o garante do bom funcionamento da escola pública, defendida à exaustão pelos representantes dos professores? Como é possível haver uma professora destas a ensinar?


 


De facto, mesmo achando um perigo a violação das liberdades para a denúncia de determinadas situações, que outras diligências foram feitas e como foram encaminhadas? Será que foi esta a única hipótese que aquelas alunas tiveram de ser ouvidas?


 


Gostaria muito de ver algum jornal ou rádio tentar responder a estas perguntas, em vez de repetirem ad nauseum a gravação. Mas no fundo, é mesmo só isso que interessa.


 


Também há outra coisa que faz pensar. No caso em que uns alunos gravaram uma batalha campal com uma professora por causa de um telemóvel notou-se uma grande vontade por parte de alguns sectores políticos, em defender os alunos e em considerar a professora inapta. Desta vez parece estar a acontecer o contrário, focalizando-se o assunto na ilegalidade da gravação e no facto de alguns alunos a considerarem uma professora bestial . Curioso.


 


Melhor ainda é o aproveitamento deste episódio para ligar a legislação sobre educação sexual e a distribuição de preservativos. Já não bastava termos as confissões religiosas do costume a tentarem impor a sua ideia do que é a escola pública.


 

16 maio 2009

Ciência e mistificação

 



 


Sempre que se anuncia uma pandemia ou a possibilidade de disseminação de uma doença infecciosa com mortalidade preocupante, perante o desconhecido há inúmeras teorias da conspiração.


 


Não é que elas não sejam interessantes e que não sejam excelentes guiões para filmes, excelentes ideias para livros de ficção científica, policiais e de espionagem.O facto das empresas envolvidas na investigação e comercialização de antivirais ganharem com as pandemias de gripe, não as transforma obrigatoriamente em grupos de malfeitores a soldo do capital, modificando geneticamente vírus assassinos, intencionalmente ou por negligência.


 


Já me chegaram por e-mail várias notícias sobre uns trabalhos interessantíssimos sobre a associação entre a doença de Alzheimer, a esclerose múltipla e o uso de adoçantes artificiais, divulgados pela Dra. Mancy Marckle. Claro que fui ao PUBMED pesquisar estes artigos mas não encontrei nada, mas mesmo nada, sobre este assunto.


 


Em relação ao vírus H1N1 também me enviaram um vídeo do Dr. Leonard Horowitz que defende que este vírus é o resultado de uma fabricação laboratorial, uma mistura entre os vírus da gripe comum, da gripe suína e da gripe aviaria, para aumentar os lucros das empresas que vendem vacinas e antivirais.


 


O Dr. Leonard Horowitz também defendeu que o vírus Ébola e o HIV teriam sido fabricados pelo governo dos EUA na preparação da guerra biológica e de genocídios. Nada ficou provado e a credibilidade deste Dentista não abunda. Mais uma vez não há registo de artigos científicos (PUBMED).


 


Finalmente um investigador australiano, Adrian Gibbs, fez um relatório em que levanta a suspeita de este vírus ter sido criado acidentalmente, em experiências para desenvolver vacinas. É suficientemente credível para desencadear uma resposta da OMS, que já afirmou não haver indícios nem provas de que isso pudesse ter acontecido.


 


Bem sei que queremos explicações para tudo, sobretudo aquelas que afastam a hipótese de haver coisas que o Homem não controla. Mas convém ser cauteloso e aceitar que os vírus, as bactérias, o magma, as placas tectónicas, os tornados, os terramotos, não são controláveis por nós.

 

Com dedicatória

 



(autor desconhecido)


 


Não temos o hábito de nos voltarmos

nos anos paralelos que vivemos

não temos o hábito de fotografarmos

gestos do amor silêncios amargos

não temos o hábito de nos trocarmos

em objectos mais ou menos habituais.


 


Habitualmente sou eu e és tu

mas temos o hábito de sermos nós.


 

É você

 


Já há 22 anos.


 



(Tribalistas)


 


É você

Só você

Que na vida vai comigo agora

Nós dois na floresta e no salão

Nada mais

Deita no meu peito e me devora

Na vida só resta seguir

Um risco, um passo, um gesto rio afora


 


É você

Só você

Que invadiu o centro do espelho

Nós dois na biblioteca e no saguão

Ninguém mais

Deita no meu leito e se demora

Na vida só resta seguir

Um risco, um passo, um gesto rio afora

Na vida só resta seguir

Um ritmo, um pacto e o resto rio afora


 

15 maio 2009

As 15 séries (ou mesmo 12) favoritas

As minhas séries favoritas, logo 15, que são muitas? Vamos lá a ver:



  • Clayhanger – Adorei esta série dramática, do que me lembro dela, de um rigor interpretativo totalmente britânico, um pai aterrador e castrador, uma irmã solícita, silenciosa e maternal, um rapaz de uma timidez e sensibilidade doentias, uma mulher estranha e diferente, que casa com um assassino, que reencontra o rapaz apaixonado e faz da vida dele um romance (é uma das frases do filme, deliciosamente pirosa).

  • Holocaust – Tudo o que se relaciona com o Holocausto e a 2ª guerra mundial é, para mim, de grande interesse. Esta série tinha todos os ingredientes para me prender, começando pelo excelente grupo de actores.

  • The World at War – Uma série indispensável que vi e revi. Quando resolveram oferecer-me o DVD encomendado na Amazon, sem legendas… foi publicado pelo Expresso um mês depois! Admirável e arrepiante, desde a voz de Laurence Olivier às imagens, à música, um documentário impressionante da loucura se uma parte do século XX.

  • Les enquêtes du commissaire Maigret – Mais uma série de culto, com a atmosfera do Sena e de Paris, o cachimbo e o cinzento da alma humana.

  • Allo ‘ Allo! – Listen very carefully, I shall say this only once!

  • Gabriela – A telenovela que me revelou o Brasil e Jorge Amado. Gostei também muito da telenovela seguinte, mas nenhuma foi tão memorável como esta.

  • All in the Family – Comédia de costumes intemporal. Há por aí muitas Ediths e muitos meatheads, muitos Archie Bunkers à nossa volta

  • Colditz - Semana após semana a torcer pelos prisioneiros britânicos.

  • O Tal Canal – Herman José fez uma revolução nos programas de humor portugueses. É um clássico.

  • ER – A série sobre médicos e medicina mais bem conseguida que eu conheço, muitíssimo melhor que Houses e semelhantes.

  • Silent Witness – O silêncio da morte ecoa pelos vidos. Excelentíssima série sobre os mistérios que levam a matar e a viver.

  • The Muppet Show – Uma série difícil de caracterizar, imperdível.


Afinal só me lembrei de 12!


 


E agora lanço a bola à Donagata, à MDSOL e ao A. Teixeira.

 



 

H1N1

 


A gripe não sazonal de tipo A (vírus H1N1) registou até hoje, em todo o mundo, segundo os dados fornecidos pela Organização Mundial de Saúde, 7520 casos, dos quais 65 foram mortais, ou seja, apresenta uma mortalidade de 0,8%.


 


Apesar deste índice de mortalidade ser semelhante ao da gripe comum ou sazonal, o problema destas pandemias é a possibilidade de haver cruzamentos e misturas de vários tipos de vírus, o que pode aumentar (ou diminuir) a perigosidade.


 


É prudente que todos estejamos alerta e que sigamos os procedimentos indicados, de forma a evitar, o mais possível, a disseminação da gripe. Como em tudo, o conhecimento é uma arma poderosíssima contra todos os males. Não há como nos mantermos informados sobre o que se passa.


 


Deixo aqui alguns sites em actualização permanente:



  • OMS - Organização Mundial de Saúde

  • CDC - Centro de Controlo e Prevenção de Doenças

  • DGS - Direcção Geral de Saúde



 


 

Amarras

 


Manuel Alegre não vai sair do PS. Vai continuar a dizer e a fazer o que lhe apetecer.


 


Acho que faz bem. Não sei é se quem alimentou esperanças de uma rotura no PS, tentando colar-se a ele para tirar dividendos políticos, como tem feito o BE, ou por pensar que é necessário outro partido mais à esquerda do PS, está assim tão feliz.


 


Não sei se esta permanência de Manuel Alegre no PS tem tradução no número de votantes no PS, mas parece-me que terá influência numa hipotética votação em Manuel Alegre, caso considere candidatar-se de novo a Presidente da República.


 

Demissões

Tenho lido e ouvido inúmeros argumentos a favor e contra a demissão de Lopes da Mota do seu cargo no Eurojust.


 


Sem que se adiantem as conclusões de um processo disciplinar  que vai agora começar e por muito que seja verdade que não há motivos formais para que Lopes da Mota seja suspenso, é óbvio que o facto de se manter em funções afecta a imagem do governo, muito especialmente a do Primeiro-ministro.


 


Fui daquelas que não acreditou na existência de pressões. Pense-se o que se pensar da robustez psicológica dos magistrados, parece-me indesmentível que as conversas de Lopes da Mota com os seus colegas parecem ter sido mais do que meras trocas de opiniões.


 


É claro que será o processo disciplinar que deverá apurar se essas conversas e essas pressões teriam intenções ilegítimas. Mas o facto de se ter avançado para um processo significa que há fortes indícios de que há matéria para procedimento disciplinar. E mais importante e significativo, caso tenha havido pressões ilegítimas, se elas foram sugeridas por alguém do governo ou do PS. Até hoje é mesmo a mais grave suspeita que pende sobre Sócrates. Porque se se prova que as pressões foram encomendadas, podemos legitimamente perguntar porquê, por quem e porque razão.


 


Devemos deixar que a justiça funcione. Mas até para o próprio Lopes da Mota a atitude mais digna seria a demissão até que tudo se esclarecesse. Tal como Dias Loureiro arrasta com ele o Presidente da República, Lopes da Mota trás atrelado o Primeiro-ministro.


 


Esperemos que o inquérito seja rápido e credível. Doa a quem doer.

 

13 maio 2009

De graus

 



(pintura de Mary Burke: blue steps)


 


Nos degraus que vou descendo

estádios em graus ascendentes

altos e sonoros desistentes.


 


Nos degraus que vou subindo

em estádios plenos de esforço

dor em graus de silêncio.


 


Nos degraus que me imponho

os graus que me compõem

sobem e descem sem estádios

intermédios.

 

Grão de amor

 



(Tribalistas)


 


 


Me deixe sim, mas só se for

Pra ir ali e pra voltar

Me deixe sim, meu grão de amor

 


Mas nunca deixe de me amar


Agora as noites são tão longas

No escuro, eu penso em te encontrar

Me deixe só até a hora de voltar


 


Me esqueça sim. pra não sofrer

Pra não chorar, pra não sentir

Me esqueça sim, que eu quero ver

Você tentar sem conseguir


 


A cama agora está tão fria,

Ainda sinto seu calor

Me esqueça sim

Mas nunca esqueça o meu amor


 


É só você, que vem no meu cantar, meu bem

E só pensar que vem, lara ra ra


 


Me cobre mil telefonemas

Depois me cubra de paixão ..

Me pegue bem

Misture alma e coração.


 

12 maio 2009

Pressões

E o relatório que deveria chegar hoje às mãos de Pinto Monteiro já tinha chegado antes às mãos dos jornalistas da TSF, do Público, do DN e sabe-se lá a quem mais.


 


Mas pelo menos, finalmente, alguma comissão de inquérito ou de averiguações inquiriu e averiguou alguma coisa.


 


Houve pressões aos magistrados que investigam o Freeport, essas pressões foram consideradas ilegítimas e o Procurador Geral da República vai levantar um processo disciplinar ao procurador-geral adjunto José Luís Lopes da Mota.


 


Esperemos que o processo corra célere e que sejam apuradas todas as responsabilidades. Será que Lopes da Mota agiu assim com intenção ou não? Por moto próprio ou como mensageiro?


 


Isso é que é importante. Será desta que a justiça se redime?


 


Adenda: Já agora convinha que o PS não comentasse este tipo de decisões, pois deve ser a justiça a funcionar. O mesmo vale para todos os outros partidos, mas Lopes da Mota deveria pedir a demissão até tudo estar esclarecido.

 

11 maio 2009

Mapa

 



(Autor desconhecido)


 


Desenhei um mapa

usando cada momento de dor

como postes vermelhos

cada ruga como estrada

em escala real proporcional

aos desertos em que semeei

areias e ventos.


 


Desdobrei-o esticando o corpo

mas o mapa apenas indica

a direcção sem destino

que diariamente percorro.


 

Só agora

 



(pintura de Valery Koshlyakov)


 


Só agora reparo no cansaço

atroz e desumano de perder

todos os dias vontade de abrir

as janelas do carro

de ligar as vozes que esperam

dentro da minha cabeça.


 


Só agora reparo na disforme

e descarnada memória

que todos os dias me acorda

o brilho novo das ideias

da certeza de me erguer.


 


Só agora reparo que ainda

faltam muitas perdas

muitas janelas fechadas

muitos sussurros ausentes.

E a estrada que não acaba.

 

As vozes do rio Pamano

 



 


É de solidão que nos fala o livro de Jaume Cabré. Da solidão do heroísmo e da cobardia, da solidão do amor e do ódio, da solidão do segredo e da tortura, da solidão do medo, da solidão das mães e dos pais, da solidão dos filhos, da solidão da vingança e da fé, da solidão dos fortes e dos fracos.


 


É de histórias encobertas de gente que se esconde, da verdade sepultada e do teatro dos vencedores. É de gente que desesperadamente tenta sobreviver, que desesperadamente pergunta, que em segredo desdenha e luta, que do poder faz uma prisão.


 


Uma professora encontra nas ruínas de uma escola primária a história das ruínas da vida de uma aldeia catalã, imediatamente após a guerra civil, contada por um professor primário que se torna um lutador pela liberdade de quem foge da Guerra Mundial, que se revolta contra o regime franquista depois de ser abandonado pela mulher, dilacerada pela sua cobardia na altura do assassinato de uma criança.


 


A história da busca pela verdade, pelo desmascarar da farsa que transformou esse herói secreto da resistência em falangista, beato e candidato a santo, a tentativa de desatar os silêncios de quem calou a vida inteira ódios e amores, a história de um poder assassino por vingança, a história de um amor desesperado, entrelaça-se com a vida desta professora, que procura no passado o remédio para a sua própria vida. Como o fazemos todos.

 

10 maio 2009

Bem que se quis

 



(Marisa Monte)


 


 


Bem que se quis

Depois de tudo

Ainda ser feliz

Mas já não há

Caminhos prá voltar

E o quê, que a vida fez

Da nossa vida?

O quê, que a gente

Não faz por amor?...


 


Mas tanto faz!

Já me esqueci

De te esquecer

Porque!

O teu desejo

É meu melhor prazer

E o meu destino

É querer sempre mais

A minha estrada corre

Pro seu mar...


 


Agora vem, prá perto vem

Vem depressa, vem sem fim

Dentro de mim

Que eu quero sentir

O teu corpo pesando

Sobre o meu

Vem meu amor, vem prá mim

Me abraça devagar

Me beija e me faz esquecer...


 


Bem que se quis

Depois de tudo

Ainda ser feliz

Mas já não há

Caminhos prá voltar

E o quê, que a vida fez

Da nossa vida?

O quê, que a gente

Não faz por amor?...


 


Mas tanto faz!

Já me esqueci

De te esquecer

Porque!

O teu desejo

É meu melhor prazer

E o meu destino

É querer sempre mais

A minha estrada corre

Pro seu mar...


 


Agora vem, prá perto vem

Vem depressa, vem sem fim

Dentro de mim

Que eu quero sentir

O teu corpo pesando

Sobre o meu

Vem meu amor, vem prá mim

Me abraça devagar

Me beija e me faz esquecer...


 


Bem Que Se Quis!...


 

Em Maio

 



(pintura de Sandra Merwin: raven wind)


 


 


Havia nos dias de Maio a promessa

de uma juventude eterna

as cores intensas dos mitos

a crença inabalável no amor.

Havia nos dias de Maio

o início que nunca seria fim.


 


Hoje os dias de Maio


são como dias de Setembro

amarfanhados e crepitantes

no assobio do vento.


 

Exsultate Jubilate

 



Mozart - Exsultate Jubilate

Kiri te Kanawa


 

Investigação de metástases

 



 


Metástase (do grego mudança de lugar) é uma palavra que, em linguagem médica, significa que há um foco secundário de uma determinada patologia, habitualmente referindo-se a neoplasias malignas, não contíguo ao primeiro foco, ou original.


 


No caso das neoplasias malignas, ou cancros, é necessário que as células do tumor adquiram propriedades de mobilidade e capacidade de sobrevivência, no que diz respeito à sua longevidade mas também à possibilidade de promoverem meios para a sua própria nutrição.


 


Por outro lado, e segundo trabalhos de investigação que se têm realizado já há alguns anos, também há alterações nos micro ambiente dos órgãos que acolhem essas células viajantes, possibilitando a formação de ninhos tumorais que ganham hipóteses de crescer, de sobreviver e de, eles próprio, enviarem outras células com maiores capacidades de invadirem a corrente sanguínea e de se instalarem noutros locais.


 


A capacidade de metastizar pode transformar um tumor curável numa doença incurável e rapidamente fatal. Assim há cada vez mais investimento na investigação das propriedades celulares que potenciam a capacidade de se transferirem, de mudarem de casa, assim como nas características das casas para onde elas se querem transferir, para que seja possível prevenir esses acontecimentos, ou tratar os focos metastáticos impedindo-os de crescerem e de se reproduzirem.


 


É este o caminho que o programa de investigação lançado pela Fundação Champalimaud, em parceria com três instituições norte-americanas. É um motivo de orgulho e esperança para todos, médicos, investigadores e, principalmente, doentes.


 

A doença da irresponsabilidade

 


Entretanto os candidatos do PS, que se esqueceram totalmente dos problemas europeus, do Tratado de Lisboa, da organização europeia, da adesão dos novos estados, da discussão dos federalismos, dos nacionalismos, dos proteccionismos, das imigrações, das políticas sociais europeias, enfim, da Europa, somam disparates atrás de disparates, como a que levou Elisa Ferreira a confundir o Estado com o PS, o que é gravíssimo, além de, num assomo de bairrismo portista, assumir que o seu nome na lista do PS para a Europa é apenas para fazer número.


 


Não havia necessidade!


 

A doença da demagogia

 


Ouvi a entrevista que Manuela Ferreira Leite deu ao i. Percebo a sua defesa de governos minoritários e entendo que desdramatize a mais que provável existência de um próximo governo minoritário, não do PSD, como ela diz, mas do PS. Apesar de eu considerar que seria melhor manter a maioria absoluta ao PS, não perfilho o apocalipse anunciado se o PS não a conseguir, que é quase certo, nem concordo com a visão de crise política se não houver coligações.


 


Mas Manuela Ferreira Leite arrependeu-se depressa da sensatez e recuperou rapidamente a demagogia mais populista com as afirmações que fez ontem, em Leça de Palmeira.


 


O que é intolerável é a insinuação de falta de democracia que parece ser o lema do PSD para estas próximas eleições. É a pior forma de branquear o que é viver em ditadura.


 


De facto a população vive num país em que a justiça não funciona e coloca em perigo o estado democrático. Mas Manuela Ferreira Leite não pode esquecer-se nem passar um pano sob as suas responsabilidades e as do seu partido nestes 35 anos de ausência de reformas no sistema de justiça. Mais uma vez a demagogia populista tomou conta da campanha do PSD.

 

09 maio 2009

Hey, that's no way to say goodbye

 



Judy Collins e Leonard Cohen


 


I loved you in the morning, our kisses deep and warm,

your hair upon the pillow like a sleepy golden storm,

yes, many loved before us, I know that we are not new,

in city and in forest they smiled like me and you,

but now it's come to distances and both of us must try,

your eyes are soft with sorrow,

Hey, that's no way to say goodbye.


 


I'm not looking for another as I wander in my time,

walk me to the corner, our steps will always rhyme

you know my love goes with you as your love stays with me,

it's just the way it changes, like the shoreline and the sea,

but let's not talk of love or chains and things we can't untie,

your eyes are soft with sorrow,

Hey, that's no way to say goodbye.


 


I loved you in the morning, our kisses deep and warm,

your hair upon the pillow like a sleepy golden storm,

yes many loved before us, I know that we are not new,

in city and in forest they smiled like me and you,

but let's not talk of love or chains and things we can't untie,

your eyes are soft with sorrow,

Hey, that's no way to say goodbye.


 

07 maio 2009

Europrofile

Através do blogue Margens de erro fui ter ao site EU Profiler.


 


E assim estou eu:


 



 



 



 

As voltas que se vão dando

 


Não percebo em que é que a redução da quota de imigrantes extra-comunitários melhora a crise. Parece-me uma fuga em frente, ou mais para a direita, para calar pessoas como Francisco Van Zeller que, com mais um batalhão de jornalistas, continuam a matraquear com a tese da necessidade do bloco central.


 


Jornalismo ou campanha política?


 


No entretanto o caso da eleição do Provedor de Justiça perdeu o viço. É incompreensível e altamente preocupante a razão que Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel (o brilhante substituto do oráculo Pacheco Pereira que nos esclarecia sobre o sentido das palavras de Manuela Ferreira Leite) evocaram para não apoiar Jorge Miranda. Para quem não se lembra foi o facto de ter sido proposto pelo PS.


 


Estou curiosa para ver o resultado as audições aos candidatos a Provedor. Como se alguém acreditasse que o que os candidatos disseram serviu para orientar o voto de algum deputado. Estas situações, tal como a aprovação de uma lei que permite maiores doações em dinheiro vivo no financiamento de partidos políticos, em vez de impedir que isso aconteça, descredibilizam o parlamento e os deputados. Depois de tanta conversa sobre os enriquecimento ilícito e sobre a luta contra a corrupção é, no mínimo, patético. Honra seja feita a António José Seguro, que votou contra.

 

06 maio 2009

A esquerda democrática

 


As próximas eleições legislativas são de extrema importância devido às condições de grave crise global em que vivemos. Assim a estabilidade política é essencial para as previsíveis e difíceis negociações, revoltas e terramotos sociais, com as consequentes tentativas de instrumentalização, radicalização política e perigo de derivas totalitárias.


 


A maioria absoluta de um partido, nomeadamente do PS, não me parece possível nesta altura. Por isso se fala cada vez mais em alianças, coligações e blocos centrais. Já discorri sobre a minha discordância de um possível bloco central, pois considero que as soluções governativas devem ser avaliadas por si e os eleitores devem julgar os seus responsáveis, sem que a paternidade da governação se dilua.


 


Analisando as alianças à esquerda, e no plano dos princípios de valores e das ideologias democráticas, de respeito pela liberdade de expressão e pelo multipartidarismo, não é possível ao PS fazer alianças com os partidos à sua esquerda.


 


Os partidos que se agrupam no BE e o PCP defendem regimes totalitários, estando arredados de tudo o que fundamentou e fundou o 25 de Abril, pois ainda hoje não esclareceram a sua discordância da deriva ditatorial de 1975. Na verdade nunca ouvi dizer a qualquer membro do PCP, passados 35 anos da revolução 20 anos da queda do muro de Berlim, que o projecto comunista era um projecto de poder absoluto e ditatorial, onde existia polícia política, censura e partido único, tal como no regime de Salazar e Caetano. Nunca ouvi qualquer defensor das amplas liberdades democráticas conquistadas no 25 de Abril fazerem mea culpa pela tentativa de tomada do poder por um partido minoritário por métodos pouco transparentes, com o objectivo de implementar a ditadura do proletariado.


 


A existência de inúmeros combatentes do antigo regime pertencentes ao PCP, que sofreram tortura e perseguição política, não nos deve enevoar os olhos e fazer-nos esquecer que o que defendiam não era exactamente um regime democrático mas um regime simétrico ao que existia.


 


Tal como o Partido Nazi venceu as eleições democráticas na Alemanha em 1932, tendo Hitler aproveitado para instaurar o regime nazi, também o Partido Comunista da (antiga) Checoslováquia ganhou eleições democráticas em 1946, tendo-se perpetuado numa ditadura aproveitando o acesso ao poder.


 


Já passou muito tempo desde esses acontecimentos. Por isso seria de esperar que os partidos que se reclamam descendentes dessa ideologia se demarcassem das ideologias totalitárias. Mas a verdade é que o não fizeram.


 


Ou seja, tal como Mário Soares sempre assumiu, o único partido da esquerda democrática existente em Portugal é o PS. Para nos lembrar disso basta ver a forma como indivíduos afectos ao PCP reagem a críticas e opiniões diversas das suas. O que se passou com a batalha entre a FENPROF e o Ministério da Educação, com a intimidação de quem ousasse concordar com a política educativa, ao contrário das intimidações que os próprios propagandeavam, numa estratégia de inundação mediática, tal como a tentativa de lavagem cerebral e de apagamento da história, ao compararem Sócrates a Salazar e ao dizerem que a democracia está em perigo, demonstra que os métodos e as ideologias antidemocráticas do PCP e do BE são semelhantes e não se modificaram.


 


Na base dos princípios ideológicos só resta ao PS concorrer sozinho às eleições. Quem se revê na democracia e na liberdade, quem acredita nos valores de esquerda numa sociedade aberta e democrática, não tem outra alternativa senão votar PS. Tal como Alexandre O’Neill dizia Ele não merece, mas vota no PS


 


Nota: este texto foi publicado no blogue OLHAR DIREITO, acorrespondendo ao amável convite de Francisco Castelo Branco, que agradeço.




 

04 maio 2009

Canção de embalar

 



(Zeca Afonso)


 


 


Dorme meu menino a estrela d’alva

Já a procurei e não a vi

Se ela não vier de madrugada

Outra que eu souber será p’ra ti


 


ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis)


 


Outra que eu souber na noite escura

Sobre o teu sorriso de encantar

Ouvirás cantando nas alturas

Trovas e cantigas de embalar


 


ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis)


 


Trovas e cantigas muito belas

Afina a garganta meu cantor

Quando a luz se apaga nas janelas

Perde a estrela d’alva o seu fulgor


 


ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis)


 


Perde a estrela d’alva pequenina

Se outra não vier para a render

Dorme qu’inda à noite é uma menina

Deixa-a vir também adormecer




ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis)

 

A sal

 


 



(poema de Luis Maffei: Telefunken)


 


É qualquer coisa como um gosto


a sal e água sem chuva, um


lugar preciso em que se move


dentro


o papel de vida que se joga quando


as coisas teimam em fazer


algum sentido.


É qualquer coisa como o embaraço de


solstícios, inverno avesso a muitas cores e


próprio a ares que gostam de dizer


alguma coisa muito


muda


muito


ao contrário de dizer sem


dizer nada.


É qualquer coisa assim como algum


branco, como um gesto que se vai da


boca à escrita sem que nada seja


necessariamente


dito, nada necessariamente em pauta. É como


qualquer coisa de difícil faina, como se eu


pudesse


aqui


neste lugar sem chuva ou sal ou invernos,


neste lugar de fora e alguns muitos


sítios, arrancar da folha já sem fonte e sem origem


uma alfazema um relicário


ou


qualquer coisa como um gosto a ti.


 

Sondagens

 


Para quem tem sido zurzido a sério nos últimos tempos, estas sondagens mostram uma surpreendente força do PS. Será que é só pela falta de credibilidade da oposição?


 

Afinal também havia outros

 


Parece que, afinal, também militantes do BE estiveram envolvidos na democrática e saudável convivência dos trabalhadores da CGTP e do PCP na manifestação do primeiro de Maio.


 


Infelizmente não me surpreende. Mas o facto de ter havido mais pessoas a serem antidemocráticas não muda em nada a intolerância dos manifestantes da CGTP e do PCP.


 

03 maio 2009

Oração da Mãe Menininha

 



 


Ai! Minha mãe

Minha mãe Menininha

Ai! Minha mãe

Menininha do Gantois


A estrela mais linda, hein

Tá no gantois

E o sol mais brilhante, hein

Tá no gantois

A beleza do mundo, hein

Tá no gantois

E a mão da doçura, hein

Tá no gantois

O consolo da gente, ai

Tá no gantois

E a Oxum mais bonita hein

Tá no gantois


Olorum quem mandou essa filha de Oxum

Tomar conta da gente e de tudo cuidar

Olorum quem mandou eô ora iê iê ô


 


(Dorival Caymmi, Gal Costa e Dori Caymmi)


 

Até amanhã

 



(pintura de Alpha Shanahan: An Afternoon with Mom)


 


Como todos os domingos

o dia começou contigo, mãe.

Partilhando o café e o jornal

à medida que passamos as folhas


preparamos a semana

e comparamos a vida.

Apoio as mãos nos teus ombros


e assim te apoias


no compasso de espera


com que te aguardo.


Até amanhã.

02 maio 2009

Oxalá te veja

 



 


Já não era sem tempo. Ao fim de 7 anos os O'queStrada gravam o disco Tasca Beat.


 


Fica Oxalá te veja como aperitivo.

01 maio 2009

É esta a democracia da CGTP e do PCP

 


É esta a noção de democracia dos trabalhadores que se revêem nos métodos e nas palavras da CGTP. É esta vergonhosa manifestação de selvajaria e intolerância que defende o PCP.


 


Vital Moreira é um cidadão com todo o direito de se manifestar e de exercer a sua actividade política como bem entender. Quem o agrediu e pontapeou demonstra que o seu regime político ideal é idêntico ao que foi derrotado a 25 de Abril.


 


Vital Moreira tem a minha compreensão e solidariedade.


 


(a partir da Câmara Corporativa).


 


Nota de actualização (1): Acabei de ler que Carlos Trindade apresentou desculpas formais da CGTP a Vital Moreira. Ainda bem.


 


Nota de actualização (2): As desculpas de Carvalho da Silva


 


Nota de actualização (3): Onde estará Francisco Louçã?


 

Primeiro de Maio

 



(pintura de Joyce Ann Burton-Sousa: waiting for work)


 


Neste primeiro de Maio, mais do que nos outros 34 que celebrámos em liberdade, olhamos com apreensão para o mundo cujas regras se vão alterando.


 


O trabalho passou a ser um luxo, uma miragem para um sem número de jovens que não vislumbram o dia em que assumirão uma vida autónoma da dos pais. Uma miragem para quem vê a empresa a que dedicou os seus anos produtivos fechar, deixando-o sem formação, sem idade e sem forças para recomeçar.Numa sociedade cada vez mais envelhecida, que mitifica e glorifica a juventude, nem uns nem outros têm direito a existir por inteiro.


 


Aquilo que nunca questionámos, a existência de estruturas sindicais que defendessem os trabalhadores, não são mais do que estruturas anquilosadas e fora de época, que defendem o emprego de quem já está instalado, abominam a meritocracia e premeiam a mediocridade, sem quaisquer soluções realistas, inovadoras e verdadeiramente representativas dos problemas e aspirações de quem necessita. Cada vez mais, descrentes da solidariedade que tanto apregoámos, nos envolvemos em individualismo e competitividade do salve-se quem puder.


 


Por outro lado, a cultura do facilitismo, da infantilização e da desresponsabilização generalizada, o apelo à vida de lazer e ao consumismo, à imagem despojada de substância e ao efémero, faz com que se esteja a olhar para o trabalho com uma tarefa sem conteúdo de serviço público à comunidade, sem sentido de pertença e de participação no todo comum, sem o cunho da realização pessoal.


 


Neste dia do trabalhador talvez devêssemos reflectir colectivamente o que significa para a sociedade e para o indivíduo ter um trabalho, como agregar os anseios e as ambições de quem ainda não ingressou no mercado de trabalho, como implementar uma cultura de mérito, competência, valorização pessoal e construção cívica, exigindo dos sindicatos e dos representantes do patronato esse mesmo comprometimento, sendo indispensável definitiva entre estas estruturas e os partidos políticos.


 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...