15 maio 2009

Demissões

Tenho lido e ouvido inúmeros argumentos a favor e contra a demissão de Lopes da Mota do seu cargo no Eurojust.


 


Sem que se adiantem as conclusões de um processo disciplinar  que vai agora começar e por muito que seja verdade que não há motivos formais para que Lopes da Mota seja suspenso, é óbvio que o facto de se manter em funções afecta a imagem do governo, muito especialmente a do Primeiro-ministro.


 


Fui daquelas que não acreditou na existência de pressões. Pense-se o que se pensar da robustez psicológica dos magistrados, parece-me indesmentível que as conversas de Lopes da Mota com os seus colegas parecem ter sido mais do que meras trocas de opiniões.


 


É claro que será o processo disciplinar que deverá apurar se essas conversas e essas pressões teriam intenções ilegítimas. Mas o facto de se ter avançado para um processo significa que há fortes indícios de que há matéria para procedimento disciplinar. E mais importante e significativo, caso tenha havido pressões ilegítimas, se elas foram sugeridas por alguém do governo ou do PS. Até hoje é mesmo a mais grave suspeita que pende sobre Sócrates. Porque se se prova que as pressões foram encomendadas, podemos legitimamente perguntar porquê, por quem e porque razão.


 


Devemos deixar que a justiça funcione. Mas até para o próprio Lopes da Mota a atitude mais digna seria a demissão até que tudo se esclarecesse. Tal como Dias Loureiro arrasta com ele o Presidente da República, Lopes da Mota trás atrelado o Primeiro-ministro.


 


Esperemos que o inquérito seja rápido e credível. Doa a quem doer.

 

7 comentários:

  1. Vitor M.S.Carvalho23:21

    As eventuais pressões foram feitas durante um almoço privado ? Que tipo de relações mantinham as pessoas em questão , qual o grau de relacionamento , dentro e fora da actividade profissional ? Com resposta a estas interrogações ,teria uma opinião mais consistente . É que " serviço é serviço,conhaque é conhaque " .
    Concordo ,nesta fase , com a actuação do Primeiro Ministro sobre este assunto .

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    1. Não é a actuação do Primeiro-ministro que está em causa, mas a actuação do próprio Lopes da Mota.

      Quanto a pressões, a terem existido, não foram com certeza anunciadas nem escritas num papel.

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    2. V.M.S.Carvalho01:16

      Na minha profissão,hierarquisada como poucas , aprende-se desde o inicío da Formação " Serviço é serviço,conhaque é conhaque " e cumpre-se diáriamente esta máxima . Pelo que me apercebo ,no MP não devem saber o que é isto .
      Na matéria em discussão ,Processo Freeport e caso Lopes da Mota ,nascem de delacções ( fazendo fé no que se lê e ouve ! ) . Num caso,porque se ouviram umas bocas no café ,no outro,porque se denunciou algo falado num almoço privado .
      Os bufos ,os informadores foi um filme já visto e quero continuar a pensar que para esse peditório já dei ,pois se assim não for ,não auguro nada de bom ; a vida na sociedade portuguesa corre o seriíssimo risco de se tornar um inferno . Vamos voltar a olhar para ver quem está por perto ,antes de falar ,mesmo quando estamos no café ou numa roda de supostos amigos . Isto é inaceitável,principalmente para quem viveu naqueles tempos ,como é o meu caso . Não podemos voltar a perder A Liberdade .
      Poderia falar do " Ciclo de Produção da Informação ",de como sabutar a acção de comando numa Organização hierarquisada ,mas não o farei aqui .
      Já vi este filme ,
      Capitão de Abril

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    3. Não há dúvida de que tem razão quando afirma que o que se diz ao almoço e as bocas nos cafés devem ficar entre amigos. Mas não me parece o caso. Também há máximas que aconselham a não falar de certos assuntos de trabalho, pela delicadeza e até pelo sigilo que lhe deve estar associado. Há outra máxima que me parece pertinente: conhecidos há muitos e amigos muito poucos.

      A comparação com o antes do 25 de Abril também não me parece pertinente, pois neste momento há imprensa livre, liberdade de expressão e tribunais para julgar casos. O que não pode haver é interferências do poder político no poder judicial. Será que as houve? Espero para ver.

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    4. V.M.S.Carvalho14:25

      Também não creio que esteja em causa a Liberdade em Portugal .
      Tudo o que escrevi baseia-se no que tem vindo a público . Quero crer que nem tudo seja o que parece ,porque parece que tudo nasce de delacções ,que há um Sindicato a funcionar como estrutura orgânica do MP ,com uma hierarquia no MP mais conduzida do que condutora .Isto é o que me parece .
      A Sofia faz uma leitura diferente dos acontecimentos ( conhece o grau de confiança existente entre os protogonistas ? Foi uma das questões colocadas no meu primeiro post ) .Ainda bem .
      Aguardemos pelos próximos capítulos .
      Capitão de Abril

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  2. Cara Sofia,
    Como sabe, António Arnaut é mandatário de Vital Moreira por Coimbra, nesta disputa eleitoral em curso.
    No final da apresentação, que ocorreu, creio, na passada quinta-feira, declarou aos jornalistas:"Os senhores procuradores titulares do processo Freeport cometeram o pecado da delação ao relatarem (em que circunstâncias o fizeram?) conversas privadas (como refere o seu comentador V.Carvalho)".
    O pai do SNS disse mais:"Um dos pilares da magistratura, seja ela judicial ou do ministério público, é a imunidade dos seus titulares a quaisquer tipo de pressões..."
    Remato eu: quem vai para Juíz, Magistrado, jornalista (com carteira profissional...) não pode ser "impressionável" menos ainda "pressionável". Quem o admite (como parece ter sido o caso destes senhores Procuradores...)deveria, esses sim, serem objecto de um Processo Disciplinar, com vista ao seu "despedimento" da Magistratura.
    J.A.

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    1. JA , admiro e respeito António Arnaut mas não concordo com ele. Por outro lado, num mundo ideal as pessoas seriam todas imunes a pressões ilegítimas. Mas o mundo não é ideal e os magistrados, juízes e jornalistas são pessoas, impressionáveis ou pressionáveis como quaisquer outras. Não me parece que isso justifique coisa nenhuma.

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