Longo Agostode ventos mudos
quente pleno
maduro.
Venham as chuvas
de Setembro.
(pintura de Cory Behara: leaf #1)
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Correndo mais uma vez o risco de ser insultada por acérrimos defensores da liberdade de expressão, vou falar novamente do caso Dalila Rodrigues.Adenda: totalmente de acordo com Pacheco Pereira
Em infinita discussão contigo mesmo,De facto o financiamento ilegal dos partidos políticos, a corrupção e, principalmente, a suspeição sobre a política e os políticos é grave e séria.
Mas talvez seja boa ideia, antes de reacções indignadas e moralistas de determinados partidos políticos, sobre o caso SOMAGUE, lembrarmo-nos de um certo Jacinto Leite Capelo Rego, a propósito do caso PORTUCALE e de algumas operações duvidosas envolvendo casas de bingo e de jogos de azar no Brasil.
É um assunto sério e grave, que atinge todos os partidos políticos e onde nenhum partido, portanto nenhum responsável partidário, é inocente.
O artigo é duro e demolidor, arrasando muito do que foi dito sobre a performance de Dalila Rodrigues nesse cargo, sobre as suas posições no que respeita a lei de financiamento dos museus, a sua pretensão relativamente à autonomia financeira do MNAA e sobre as suas posições anteriores, noutros aspectos da política cultural deste governo. É, sem dúvida, um ataque pessoal, que responde passo por passo ao que tinha sido divulgado nos media, fundamentado e concretizado.
Numa pesquisa pela Internet, dei apenas por dois blogues que reagiram a este artigo, acusando Luís Raposo de baixeza e apelidando-o de megafono da brigada do reumático.
Não conheço Dalila Rodrigues nem Luís Raposo, para além do que se lê na imprensa. Não tenho qualquer conhecimento especial da problemática dos museus portugueses, para além do que qualquer utilizador observa. Mas não posso deixar de comparar as críticas concretas de Luís Raposo com os elogios generalistas e generalizados a Dalila Rodrigues.
Quanto ao ataque pessoal, parece-me que quem foi insultado pela própria Dalila Rodrigues, que comentou o abaixo-assinado como uma forma de os signatários defenderem o seu lugar de directores, tem o direito de se defender. Ou não?
O seu lugar é junto daqueles que chegam aos 48 anos e deixam instalar-se a febre e os tremores e morrem com pneumonia, é junto daqueles que emagrecem continuamente e vêm nascer-lhes tumores em sítios feios ou vergonhosos e fazem deles mais um braço, é junto daqueles que têm tuberculose e estão desempregados, fumando cigarros encostados às paredes dos cafés de bairro, é junto daqueles que são comidos por toda a espécie de bichos microscópicos porque o HIV se instalou e venceu, nem sequer sabendo da hipótese de se tratarem.
Todas as famílias são disfuncionais.
Como a terra dura, como os penedos lisos, sólidos, inamovíveis, como o amor pela pátria, como o silêncio altivo e humilde, como o saber antigo e eterno, como a doçura das uvas e o afago da chuva, como o horizonte e o querer, como a tortura da solidão adiada, como a natureza que nasce e que morre, ciclicamente, esforçadamente, gulosamente, como tudo o que nos faz seres humanos, Miguel Torga é a essência de todos nós.
Matei a lua e o luar difuso
Revi, há pouco tempo, O último metro (Le Dernier Métro) de François Truffaut, um lindíssimo filme sobre a representação, a dos actores numa peça de teatro, a das pessoas na sua vida, sobre o jogo de enganos com que lidamos para sobreviver, sobre os limites a que cada um de nós pode chegar.A propósito, ler também Autonomia, onde ficas? (Saúde SA) e manta de retalhos (que raio de saúde a nossa).
É de sonho e de pó
Conheci esta canção através da voz de Elis Regina. Inesquecível, embriagante, solene.
António Barreto, em entrevista ao DN, a propósito dos 30 anos da Lei Barreto, afirma que O PS está num processo acelerado de desertificação ao nível dos conteúdos, ideias, projectos, causas e programas (esta parte da entrevista não está transcrita no DN on-line).(imagem do cartaz retirada daqui)
Adenda: tenho muita pena de não ter acesso ao documento subscrito pelos 16 directores, pois não gosto muito de ler notícias com bocados escolhidos; gosto mais de escolher eu.
Tenho um livro na mesa-de-cabeceira, ou dois, ou três, que me acodem de longe, silenciosamente fazem-se lembrados, quando relutantemente apago a luz e tento dormir.(pintura de Ardyn Halter: in the library)
Manter o ritmo louco destas últimas semanas, alterar, planear, remodelar, executar, motivar. Manter a vontade acesa, a chama, sem que me queime ou incendeie, reduzindo a cinzas sonhos de tanta grandeza.Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...