Bach - Concerto Brandenbourg nº 1, 1
Claudio Abbado
Orquestra Mozart de Bolonha
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Bach - Concerto Brandenbourg nº 1, 1
Claudio Abbado
Orquestra Mozart de Bolonha
Gelo e dilato os pulmões, uma imensa vontade de voar, uma imóvel nostalgia seca-me o rosto. É necessário este vento agreste, esta imensidão de nada, sem que se ouçam aves ou árvores, apenas a voz dos nossos sentidos. Aqui o tempo pesa na solidão do vazio, nos abrigos das mãos de neve, nos mantos que se aquecem de luz.
Azul e branco, branco e azul, a morte pendura o casaco e espera.
Eduardo Gavín
Aos meus companheiros bloguistas, que não nomeio, peço um olhar para esta encosta de neve. Serão assim os vossos dias de invernia tristeza ou de gelada paixão? Aqui vos espero e ouço.
Suíça: mais de 57 por cento da população votou contra minaretes nas mesquitas
A intolerância religiosa galopante. Esta é a pior forma de lutar contra o fundamentalismo islâmico.
(Também aqui)
A democracia portuguesa está a viver uma particularidade interessante.
Das eleições legislativas resultou um Parlamento com um partido maioritário que, segundo a Constituição, foi convidado a formar governo – um governo minoritário.
Em princípio o governo governa (poder executivo), o Parlamento legisla e fiscaliza o governo (poder legislativo). Nas próximas eleições, antecipadas ou não, os cidadãos deverão julgar a acção executiva do governo, premiando-o ou punindo-o, renovando-lhe a confiança ou, pelo contrário, confiando noutra(s) força(s) política(s).
Mas nesta legislatura poderemos ter os papéis misturados ou mesmo trocados. O Parlamento assumiu um mandato para governar. Como o não pode fazer directamente, resolve obrigar o governo a governar com um programa híbrido, mais ou menos fabricado entre os partidos da direita (CDS e PSD) e da esquerda (BE e PCP).
No entanto, depois de tanto se falar da responsabilidade política de Sócrates, de tanto se indagar da interferência do anterior governo na comunicação social, os partidos que nos representam na Assembleia da República ainda não pediram inquéritos parlamentares para esclarecer esses assuntos.
Enquanto tivermos partidos da oposição que não têm soluções para o país, à esquerda ou à direita, o poder só se justifica pelo poder, não pelo interesse e pela ambição de servir o povo. Por isso não teve qualquer interesse, na campanha para o Parlamento, discutir política, discutir soluções alternativas, gastou-se o tempo a denegrir o carácter de Sócrates e a falar da asfixia democrática. Onde estava a oposição a confrontar o governo com os números do défice e da crise que, dizem eles, só agora se conhecem?
Estamos perante uma legislatura em que a justiça serve para fazer luta política, não olhando a meios para atingir os fins, em que a oposição esconde a falta de ideias com ataques ao carácter dos detentores de cargos públicos, em que o jornalismo se demitiu de informar e entrou descaradamente em manobras de desinformação. Assistimos à emergência de uma nova república, depois da república dos generais e da república dos juízes – a república dos jornalistas. Só assim se entende o desplante de responsáveis editoriais que, apesar de publicarem notícias mentirosas que objectivamente interferem na vida política, se arrogam o direito de continuar a tecer considerandos sobre a actuação, a hombridade, a competência e a capacidade dos nossos governantes.
Quanto ao Presidente da República fechou-se na concha dos seus assessores.
Como votaremos nas próximas eleições? Nos incorruptos juízes, nos prescientes jornalistas e comentadores políticos? Tanto se falou do bloco central, afinal temos um bloco em ângulo obtuso – todos contra Sócrates.
(Também aqui)
A não perder, no dia 14 de Dezembro, este livro de divulgação científica de José Lopes da Silva e Palmira Ferreira da Silva. Todos feitos de átomos lá estaremos, demonstrando as inúmeras ligações.
(Também aqui)
Para quem frequentemente se esquece do que é a liberdade, fazendo comparações entre a ditadura e os dias de hoje, assim como os saudosistas do regime emergente do PREC, talvez valha a pena recordar que o que lhes permite ter essa liberdade de expressar indignação e exasperação, de forçar esse tipo de comparações e falar tanto da asfixia democrática sem ficarem asfixiados, se deve à revolução de Abril de 1974 e à contra-revolução de Novembro de 1975.
As escutas ilegais, as pressões políticas, a política do vale tudo, tiveram nesta data fortes e corajosos opositores. Convém fazermos tudo para que esses valores perdurem.
A liberdade é frágil.
(Também aqui)
Continuo a acompanhar interessada e calmamente, as negociações entre o Ministério da Educação e os sindicatos dos professores.
(Também aqui)
Gostaria de saber qual vai ser a leitura que os directores dos jornais que veicularam informações falsas, como a existência de escutas em que Armando Vara pedia 10.000€ para traficar influências, ou a recusa do Juiz de Aveiro em acatar as ordens do Procurador-Geral da República, por exemplo, vão fazer da sua credibilidade informativa, do serviço que prestam aos cidadãos, e quais as consequências destes factos. Ou será que apenas os políticos devem assumir as responsabilidades dos seus erros?
(Também aqui)
Fiquei a saber, pelo programa Prós & Contras, que os Juízes e Magistrados têm um viver quase monástico, uma sabedoria de pendor divino, imunes a qualquer pressão, impermeáveis a qualquer emoção, apenas atentos à lei e aos processos. Fiquei a saber que um dos motivos pelos quais a Turquia não podia aderir à União Europeia era a ausência de sindicatos de juízes e magistrados. Fiquei também a saber que não se interrompe um Juiz, empanturrado de importância, porque ele ou lavra sentença ou abandona a sala.
Assisti a um ilustre Professor de Direito que, por reconhecer a excelências dos magistrados portugueses, a sua hombridade e dedicação pública, embora não fosse capaz de negar a autoridade do Procurador-Geral da República, defendeu que as decisões do mesmo fossem questionadas, discutidas e validadas na praça pública, pois o povo tinha o direito de saber o que teria levado dois juízes independentes a supor que o Primeiro-Ministro atentasse contra o estado de direito.
Constatei a unanimidade de todos os presentes em assumir a falta de qualidade das leis.
Assisti ontem a um debate assustador, pela crueza e violência da sensação de que não vivemos num estado que respeite o direito das pessoas, mas num estado que usa o direito e contra as pessoas e com objectivos políticos.
(Também aqui)
poema de Ryszard Krynicki
tradução de Abel Murcia
Saint Anthony Tormented by Demons
pintura de Martin Schongauer
El siglo del progreso ha liberado demonios
que en la Edad Media
ni siquiera se habían soñado.
(Também aqui)
PCP quer manter escutas para "processos futuros”
E que tal organizar uns dossiers sobre cada um dos intervenientes? Catalogar os indivíduos, as circunstâncias, as escutas, os amigos, os contactos. Angariar fundos para o projecto escutar, em que são necessários meios humanos e materiais, secretos e electrónicos, respectivamente, para poder sempre saber as perfídias que cada um planeia ou executou.
São as mais amplas liberdades de Abril.
(Também aqui)
escultura de Anna Jalilov
Ainda não há muito tempo a luta das mulheres pelos seus plenos direitos como pessoas humanas, passando pela dignidade de ser independente economicamente, de poder escolher uma profissão e exercê-la, de poder escolher ter ou não filhos, de ter contas bancárias, de poder viajar, de decidir cortar o cabelo ou ir tomar café com outras pessoas que não os maridos/namorados/familiares, era um factor indiscutível de modernidade e de desenvolvimento social.
Hoje em dia, apesar da lei da paridade, das quotas e da liberalização de costumes, assiste-se a um quase retrocesso naquilo que pensávamos ser um dado adquirido. As ideologias moralizadoras, os julgamentos de carácter, o escrutínio da vida privada, com especial incidência nos que têm maior visibilidade, aumenta o desrespeito pela integridade pessoal e pelo pensamento livre, assumindo novas formas de discriminação, travestido de transparência de procedimentos e de exclusão de interesses inconfessáveis, emocionais na melhor das hipóteses, obscuros e criminosos na pior.
Não há conquistas seguras, mesmo quando pensamos que ultrapassámos o cabo das tormentas. Tal como a democracia e a liberdade, que declarações de tantos excelsos defensores fazem perigar todos os dias, tal como a justiça, que tantos moralistas incorruptos gostariam que não funcionasse, o reconhecimento do outro como ser único, autónomo e merecedor de respeito é uma realidade que se pode esfumar rapidamente, na pira dos mais altos valores de falsa moralidade e de discutível interesse público.
(Também aqui)
poema de Ryszard Krynicki
tradução de Abel Murcia
Hay que ser libre
para aprender
de los propios errores.
Ibrahim Ferrer
Si tu supieras mi sufrimiento, si te contara la
inmensa amargura que llevo tan dentro la triste
historia que noche tras noche de dolor y pena
llena mi alma, surge en mi memoria como una
condena.
Si lo supieras, te importaría si te dijera
que en mi ya no queda ni luz ni alegría que
tu recuerdo es el daño más fuerte
que me hago yo mismo por vivir soñando con
que tu regreses, arrepentida.
Si lo supieras, te importaría si te dijera
que en mi ya no queda ni luz ni alegría que
tu recuerdo es el daño más fuerte
que me hago yo mismo por vivir soñando con
que tu regreses, arrepentida.
Medina Carreira acaba de dizer no Plano Inclinado que temos que ter mais agricultura, mais pescas e mais indústria. Mas não disse como nem que tipo de agricultura, pescas e indústria se deveriam desenvolver. E desdenhou a qualidade do sector vinícola, exemplo que João Duque deu em relação ao tipo de agricultura que Portugal deveria preservar.
Daqui a 3 anos, segundo Medina Carreira, deixam de nos emprestar dinheiro para comprar batatas. A solução é mudar de Constituição, políticos e políticas.
Mário Crespo junta a sua moderação/comentário que em mil novecentos e oitenta e tal tínhamos trocado agricultura por dinheiro puro.
É triste e penoso ouvir Medina Carreira neste registo, tão ao gosto da excelência de conteúdos. De facto, é urgente mudar.
(Também aqui)
E no entanto, José Sócrates continuará nas bocas do mundo. Continuam as várias opiniões contraditórias sobre a legalidade das escutas, sobre os indícios de crime, e a defesa de que as escutas deveriam ser tornadas públicas. O processo Face Oculta é o que menos importa.
(Também aqui)
Aguardo serenamente o desfecho das negociações entre o ministério da Educação e os sindicatos. Como radical compagnon de route, espero para usar o meu argumentário. Mas o facto dos professores que se recusaram a apresentar os seus objectivos serem avaliados tal como os que os entregaram dentro do prazo, não me parece um bom princípio. Mais uma vez o sinal é que não vale a pena cumprir.
(Também aqui)
Não vi todo o programa de ontem em que o debate se centrou na legalização do casamento dos homossexuais mas, para mim, ficaram bem patentes duas formas de encarar a vida em sociedade.
Para alguns a família, base celular do tecido social, deve ser formada por um pai, uma mãe e os filhos, eventualmente alargada aos parentes próximos. Para outros, há vários tipos de famílias e todas essas famílias são capazes de formar o corpo social, desde que não sejam disfuncionais.
Para os primeiros uma família fundada num casal homossexual é, à partida, disfuncional, pelo que não deve adoptar crianças. Se olharmos para o superior interesse da criança, será que é o sexo dos progenitores que é determinante para a coesão da família a forma como esses progenitores se relacionam entre si, com quem adoptam ou com os restantes elementos da sociedade?
Não conheço estudos que demonstrem que crianças educadas por casais de homossexuais sejam menos ou mais felizes que as educadas por casais de heterossexuais, ou por celibatários, independentemente do género e da orientação sexual. Parecem até indicar que não há diferenças.
Se o problema da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo é a possibilidade de adopção, pois que se discuta a adopção. Estando em causa o superior interesse da criança, é a esse que se deve atender em todos os casos de adopção, estudando as famílias / pessoas que se propõe adoptar em relação à sua capacidade de prover um ambiente carinhoso e seguro, que garanta um crescimento harmonioso em todas as vertentes.
Para quem valoriza a família tradicional nada o impede, com a legalização do casamento entre homossexuais, de continuar a ter a mesma opinião, a comportar-se socialmente e a transmitir esses mesmos valores. O que está em causa é que outras pessoas, com outras visões de sociedade, possam usufruir dos mesmos direitos.
(Também aqui)
Rafael Bordalo Pinheiro
Na verdade haverá mesmo muito pouca gente interessada no combate à corrupção e na punição de quem usa e abusa do poder e dos dinheiros públicos.
Na verdade algumas vezes a justiça investiga, acusa e condena detentores de cargos públicos, como aconteceu com Isaltino de Morais. Mas esse feito do nosso sistema judicial foi pura e simplesmente ignorado por aqueles que tão preocupados se mostram com a corrupção, assim como pela população de Oeiras que o elegeu para um novo mandato de 4 anos como Presidente da Câmara.
Na verdade as investigações, os magistrados, a tal separação entre o poder judicial e político, parecem ter desaparecido totalmente, com o poder judicial instrumentalizado e com os media a servirem de caixa de ressonância a uma guerra subterrânea.
Na verdade estes são os caldos em que fermentam as ideologias totalitárias e as sementes das ditaduras. O mais importante é viver os golpes e contra-golpes como mais um reality show, tapando os olhos com os dedos bem abertos para não ver os bocados de transcrições das conversas dos políticos, que são todos uns corruptos, para abanarmos a cabeça e declararmos indignadamente a nossa repulsa pela porca política.
(Também aqui)
Noa & Carlos Nuñez
Era unha noite de lúa
era unha noite clara,
eu pasaba polo río
de volta da muiñada.
Topei unha lavandeira
que lavaba ao par da auga.
Ela lavaba no río
e unha cantiga cantaba
Moza que vés do muíño,
moza que ves pola estrada,
axúdame a retorcer
miña sábana lavada.
¡Santa María te axude
e San Lourenzo te valla!
Desparece a lavandeira
como fumeira espallada
Onde as sábanas tendera
poza de sangue deixara.
Era unha noite de lúa
era unha niote clara.
Se a mulher do Presidente da República tem direito a um separador no site da Presidência da República, não podemos deixar que o Primeiro-Ministro não tenha uma namorada oficial.
Para evitar que as mulheres tenham opinião idêntica à dos seus namorados oficiais ou oficiosos, o melhor é não se lhes perguntar nada, porque há algumas que são muito opiniosas. Na verdade também fica mal as mulheres terem opiniões diferentes das dos seus namorados oficiais ou oficiosos.
O melhor é as mulheres deixarem de opinar. Porque todas as opiniões das mulheres são, como sabemos, tresloucadas e insensatas, assertivas e incómodas. Principalmente quando se atrevem a pensar.
(Também aqui)
Ana D
Si me das a elegir
Entre tú y la riqueza
Con esa grandeza
Que lleva consigo
Ay amor
Me quedo contigo
Si me das a elegir
Entre tú y la gloria
Para que hable la historia de mi
Por los siglos
Ay amor
Me quedo contigo
Pues me enamorado
Y te quiero y te quiero
Y solo deseo
Estar a tu lado
Soñar con tus ojos
Besarte los labios
Sentir en tus brazos
Que soy muy feliz
Si me das a elegir
Entre tu y ese cielo
Donde libre es el vuelo
Para llegar a otro nido
Ay amor
Me quedo contigo
Si me das a elegir
Entre tú y mis ideas
Que yo sin ellas
Soy un hombre perdido
Ay amor
Me quedo contigo
Pues me enamorado
Y te quiero y te quiero
Y solo deseo
Estar a tu lado
Soñar con tus ojos
Besarte los labios
Sentir en tus brazos
Que soy muy feliz
Uma das funções do estado que considero essenciais é a da educação, com uma aposta numa escola pública de qualidade.
Considero que a Ministra da Educação anterior, Maria de Lurdes Rodrigues, foi das melhores ministras da educação que tivemos. Penso que a devida homenagem lhe será prestada por professores, alunos, pais e cidadãos em geral daqui a alguns anos, quando o resultado das políticas que desenvolveu forem manifestas.
Ninguém duvida de que houve muitas coisas que correram mal. Mas eu não tenho dúvidas da importante reforma que existiu na agenda educativa, com a reformulação de um estatuto da carreira docente, com o princípio da avaliação de desempenho com consequências na progressão da carreira, com a implementação da escola a tempo inteiro, o reforço do ensino da matemática, a aposta no ensino básico, a reabilitação do parque escolar, as aulas de substituição, o desenvolvimento do ensino técnico profissional.
Ouvi com muita atenção a primeira entrevista de Isabel Alçada a Judite de Sousa e gostei muito. Há diferenças no estilo e na forma, que são obviamente importantes, mas o rigor, a exigência e a noção do princípio de que a avaliação de desempenho deva existir, de que haverá um princípio de progressão na carreira docente em que o mérito e as funções desempenhadas são importantes, desde logo na formação de avaliadores, de que a excelência atingida é uma meta que nem todos alcançarão, estão patentes.
Espero que estes princípios sejam comungados pelos outros protagonistas, nomeadamente pelo eterno Mário Nogueira. Os nomes são pouco importantes, os modelos podem ser diferentes mas todos os cidadãos aguardam que a escola pública seja a prioridade desta Ministra, que os problemas da educação sejam resolvidos, para além dos problemas de uma classe profissional, por muito respeitada e importante que seja.
Desejo as melhores felicidades à próxima Ministra da Educação - Dra. Isabel Alçada.
(Também aqui)
K. Joann Russell
Agradeço a delicadeza do Porfírio Silva, que descobri há algum tempo ter-me nomeado para um prémio blogueiro. Peço desculpa por não ter continuado a corrente, mas já o havia feito.
Agradeço também ao sapo o destaque do blogue. Assim se explica a quantidade de visitantes que ontem, perante a minha perplexidade, vieram ao blogue.
Um dos problemas para quem está doente é a alimentação. Para um doente oncológico, seja pela própria doença, pelas complicações resultantes ou pelas terapêuticas efectuadas, a necessidade de encontrar alternativas fáceis à confecção de alimentos nutritivos, preparar refeições minimamente apelativas e adaptadas, é um puzzle complicadíssimo de resolver.
Não só para os doentes mas também para os seus familiares ou cuidadores, o livro RECEITAS E TRUQUES para doentes oncológicos, de Ana Marques Pereira, médica especialista em Hematologia, pode transformar-se num precioso auxiliar.
O livro tem informações preciosas em relação aos vários tipos de alimentos e dos respectivos valores nutritivos, tabelas de correspondências e equivalências entre quantidades e valores calóricos, de conselhos práticos sobre horários, locais, número e tipo de refeições e truques, que começam na distribuição pela casa de tigelas com frutos secos ao cuidado com a estética dos pratos já confeccionados.
Ana Marques Pereira foi buscar à sua experiência profissional, à sua vivência pessoal e aos seus interesses sobre gastronomia, um manancial de conhecimentos para escrever um conjunto de receitas com características diferentes, adaptadas aos variadíssimos problemas que os doentes oncológicos podem enfrentar, acompanhadas de fotografias dos pratos que ela própria confeccionou.
Este é um livro importantíssimo para qualquer biblioteca, mas mais importante ainda para o aconselhamento dos doentes e das suas famílias, que deveria poder ser disponibilizado nos Centros de Dia Oncológicos, Centros de Saúde, Serviços de Oncologia, de Cuidados Continuados e Paliativos.
Pelos vistos não houve nenhuma editora que quisesse arriscar a publicação. Felizmente, a autora não desanimou.
Que a comida seja o vosso remédio e o remédio a vossa comida.
(Hipócrates, 460 ac - 370 ac)
Nota: A própria autora corrigiu-me ao explicitar que houve uma editora (a Gradiva) que estava interessada em publicar o livro. Aqui fica a correcção, com as minhas desculpas à Gradiva.
Ficamos todos a saber que podemos estar a ser escutados, porque fomos apanhados numa investigação de alguém que nos telefona ou a quem nós telefonamos, ficamos a saber que o que dizemos ao telefone, disparates, palavrões, má-língua, invenções, mentiras, das pequenas e das grossas, todas as nossas virtudes e misérias podem, apesar de nada poderem ter a ver com a dita investigação, serem pespegadas nas folhas dos jornais, discutidas nos cafés e serem motivo de análise política e de enxovalho individual.
Ficamos também a saber que os ilustres defensores das liberdades, direitos e garantias dos cidadãos, como José Pacheco Pereira fez na última Quadratura do Círculo, afirmam que o primeiro-ministro deveria vir a público assegurar o que tinha e não tinha dito a Armando Vara, inclusivamente explicitar que não falava de assuntos de estado ao telefone com os seus amigos.
Aqui eu pergunto – porquê? Porque pode estar a ser escutado por quem não convém?
Talvez seja melhor adoptarmos as medidas de prevenção de escutas do antigamente: escrever num papel em vez de conversar, ir para a casa de banho e pôr o autoclismo a funcionar, colocar a música em altos berros, ir conversar para parques públicos sem ninguém à volta, mesmo sabendo que estes métodos do tempo da guerra fria estão obsoletos em relação aos satélites e etc.
Em casa também pode ser perigoso falar com os amigos. Nunca se sabe se os vizinhos não estarão à escuta.
(Também aqui)
Chet Baker
Almost blue
Almost doing things we used to do
There's a girl here and she's almost you
Almost
All the things that your eyes once promised
I see in hers too
Now your eyes are red from crying
Almost blue
Flirting with this disaster became me
It named me as the fool who only aimed to be
Almost blue
It's almost touching it will almost do
There's a part of me that's always true... always
Not all good things come to an end now, it is only a chosen few
I have seen such an unhappy couple
Almost me
Almost you
Almost blue
As taxas moderadoras para internamentos e cirurgias foram revogadas e ainda bem. Nunca conseguiram moderar nada e nem como financiamento do SNS serviram.
O melhor anúncio de um governo europeu de prevenção da SIDA, no European AIDS Video Clip Contest "Clip & Klar europe 09" é português - Cinco razões para não usar preservativo.
(Também aqui)
(...) Aqui chegados, é grave, é muito grave que subsistam dúvidas. E as dúvidas políticas não se dissipam adiando investigações ou destruindo hipotéticas provas. Isso só resolve o problema jurídico, mas deixa em aberto um enorme problema político. As dúvidas dissipam-se esclarecendo os factos e esse esclarecimento cabe, sem sombra de dúvidas, ao senhor primeiro-ministro", defendeu a presidente do PSD. (...)
Manuela Ferreira Leite acusou o poder judicial de destruir provas a mando do poder político, em pleno plenário da Assembleia da República.
A falta de vergonha e a total irresponsabilidade da actual liderança do PSD compromete o cada vez mais do que frágil estado de direito que impera em Portugal. Passou-se exactamente o mesmo com o caso das escutas à Presidência da República. O que lhe interessa não é a averiguação dos factos e a punição dos responsáveis, é a manutenção de suspeitas sobre a honestidade do Primeiro-ministro.
(também aqui)
pintura de Edward Hopper
Summer Interior
Escorreguei pelos lençóis, pelo suor da cama, pelo verão que nunca começou.
Escorreguei pelo teu corpo ausente, pelo grito da cama vazia, pelas tábuas que ardemos por dentro do pó dourado na luz filtrada.
Escorreguei pelo sono do manso inverno que nos cobre, meio vestida de verão, meio despida de razão.
Escorreguei pelo que faltas mas nunca estiveste, neste teatro de insónias verdes, de calores sufocantes e estranhos à memória que inventei.
Para variar, para além do trabalho, há muitas coisas que nos alargam a mente e que nos alegram os dias:
Tenho lido muitos argumentos a favor e contra a legalização do casamento entre homossexuais, muitos argumentos a favor e contra um referendo sobre o assunto.
Mas usar a questionável influência que a mulher, amante, amiga, namorada, união de facto ou o que fosse possa exercer sobre o Primeiro-Ministro para defender a existência de um referendo, é verdadeiramente inédito.
Penso mesmo que, para alguém poder governar sem ser influenciado, deve cumprir o celibato obrigatório. Ou então teremos uma profusão de referendos a propósito de tudo e de nada, de forma a estarmos 100% certos de que as decisões governamentais nascem por geração espontânea.
Pois é, ter uma mulher, amante, amiga, união de facto ou o que seja com uma profissão, com opiniões próprias, que escreve em jornais e em blogues e que pode influenciar a opinião do homem, amante, amigo, união de facto ou o que seja, é absolutamente impeditivo de um poder executivo responsável e idóneo.
As mulheres, amantes, amigas, uniões de facto ou o que seja deveriam abdicar de ser pessoas, em santo sacrifício pelos homens, amantes, amigos, uniões de facto ou o que fosse, a bem da nação.
(...) Sempre soubemos que alguma coisa teria que acontecer lá, para que outras pudessem mudar aqui.
Palavras de Angela Merkel para Mikhail Gorbachev durante as cerimónias de comemoração dos 20 anos da queda do muro de Berlim.
(Também aqui)
Robert Lacke - Time Life Pictures
Vi-te hoje através de uma janela de pedra
foi a primeira mas não será a última
até ao dia em que a multidão se abraçar
até ao dia em que derrubarmos tantos
tijolos de medo tantos osso de silêncio.
Vi-te nos olhos que me lembro nos dedos
que te agarram que te colam ao lado esquerdo
vi-te no meu corpo dividido de cidade sitiada
até ao dia em que abrirmos a muralha
e sentirmos a chuva igual nos ombros
juntos neste abraço que nos damos.
Diego el Cigala
Dos lágrimas
Si te contara
mi sufrimiento,
si tu supieras
la pena tan grande
que llevo yo adentro
la triste historia
que noche tras noche
de dolor y pena
llena mi alma,
surgió en mi memoria
como una condena.
Si tu supieras,
te importaria
si te dijera
que en mi ya no queda
ni luz ni alegria
que tu recuerdo
es el daño mas fuerte
que me hago yo mismo
por vivir soñando
con que tu regreses,
y arrepentida.
(Também aqui)
Sempre que se fala em corrupção, na promiscuidade entre o estado, as empresas públicas, privadas e os partidos políticos, tráfico de influências, enriquecimento ilícito e todo o manancial de jogo sujo entre os poderosos, fico com a sensação de que a sociedade se desliga dessas pessoas, como se elas não fizessem parte da mesma sociedade.
É muito fácil encontrar responsáveis, sendo eles bem visíveis nos interesses que se protegem e encobrem dos dois grandes partidos clientelares portugueses, PS e PSD, o chamado bloco central, porque foram eles que assumiram e arcaram com a responsabilidade de nada mudar. Mas não nos enganemos com os pequenos partidos, que apenas são moralmente irrepreensíveis até terem oportunidade de o não ser.
Porque a cultura da nossa sociedade não pune verdadeiramente a corrupção. Esta palavra só se usa para os processos faces escondidas e operações papagaio, mas as cunhas, os conhecimentos, o compadrio, o nepotismo, o facilitismo, as pequenas promiscuidades que são olhadas com complacência, fazem parte e alimentam esta benevolência tácita de todos nós.
Mas não há heróis nem figuras providenciais. João Cravinho tinha responsabilidades governativas na altura em que o General Garcia dos Santos denunciou situações de suspeita de financiamento ilegal de partidos na Junta Autónoma das Estradas. O caso envolveu também Sousa Franco. E no entanto, quem acabou inquirido e multado foi o próprio Garcia dos Santos.
Esta reflexão não tem como objectivo desculpar ou minimizar o problema. Tudo deverá ser feito para que a transparência seja uma realidade, para que a justiça funcione em tempo útil e seja exemplar na punição de quem prevarica, porque está em causa o desenvolvimento do país e a essência do regime democrático, fundado num estado de direito. Mas seria muito interessante que os pacotes legislativos anti-corrupção deixassem de servir de arma de arremesso político porque ninguém está inocente.
(Também aqui)
Obama tenta um último esforço para conseguir a aprovação da reforma da saúde, a prioridade da política interna desta administração até ao fim do ano.
Os Democratas estão sozinhos, pois os Republicanos votarão contra a reforma.
(Também aqui)
escultura de John Northington
The Bridge
Vou pensando no assunto
naqueles segundos que atravessam o cérebro
quase sem querer
alguma palavra algum perfume algum livro aberto
alguma página muitas vezes relida.
Vou adiando a decisão
pulsações mais aceleradas a destempo
tremor ligeiro na memória saltos de imaginação
fotografias do que penso que será.
Vou alternando a revolta com a dor
o assentimento com a negação
vou saboreando a ignorância do que ainda não decidi
a certeza de não voltar mais ao princípio.
Nunca volto ao princípio
nunca retomo ou recomeço.
Sempre já coloquei mais uma pedra
sempre já passei mais um dia
sempre já atravessei mais uma ponte
sem outro lado sem outra margem.
Sempre aguardo que apareças
com ou sem nevoeiro sol chuva
braços em concha
sempre te espero.
Este é um disco imprescindível.
Este é um fado lindíssimo.
Com os maiores agradecimentos ao meu explicador, aqui fica.
Espero que gostem.
Rão Kyao & Camané
Coma en dorada vajilla
El príncipe mil cuidados,
Cómo píldoras dorados;
Que yo en mi pobre mesilla
Quiero más una morcilla
Que en el asador reviente,
Y ríase la gente.
Cuando cubra las montañas
De blanca nieve el enero,
Tenga yo lleno el brasero
De bellotas y castañas,
Y quien las dulces patrañas
Del Rey que rabió me cuente,
Y ríase la gente.
Busque muy en hora buena
El mercader nuevos soles;
Yo conchas y caracoles
Entre la menuda arena,
Escuchando a Filomena
Sobre el chopo de la fuente,
Y ríase la gente.
Pase a media noche el mar,
Y arda en amorosa llama
Leandro por ver a su Dama;
Que yo más quiero pasar
Del golfo de mi lagar
La blanca o roja corriente,
Y ríase la gente.
Pues Amor es tan cruel,
Que de Príamo y su amada
Hace tálamo una espada,
Do se junten ella y él,
Sea mi Tisbe un pastel,
Y la espada sea mi diente,
Y ríase la gente
(Mais uma prenda)
Mesa
Se a chama chega,
E ninguém chega à chama
De que vale arder?
Se o barco parte sem velas,
De que serve a maré?
Não se mostra o trajecto
A quem parte para se perder
Não se dá boleia
A quem precisa de ir a pé
E é como quando pensas que estás a chegar
E não deste um passo
Onde estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma fênix a arder
São só os meus erros, é toda a minha culpa
Hoje até o ar anda cansado
Preciso de um enigma
Para pôr fim ao propor
Não sei o que me deu, não costumo estar assim
Desco a rua que passa, rente à boca do mundo
Sinto a vida que passa
E os rumores que circulam na boca do mundo
Onde estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma fénix a arder
São só os meus erros, é toda a minha culpa
E é tudo o que faço
E é todo o meu cansaço
Por fim, por fim...
Onde estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma fênix a arder
Onde estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma fénix a arder
São só os meus erros, é toda a minha culpa
É tudo o que faço
E é todo o meu cansaço
E é tudo o que faço
E é todo o meu cansaço
Por fim, por fim...
Sinto a vida que passa
Na boca do mundo, não se sabe quem é quem...
Armando Vara suspendeu o mandato de Vice-Presidente do BCP, atitude que só o dignifica. Outros, noutras empresas, poderiam seguir-lhe o exemplo.
(Também aqui)
A reserva impede-me de nomear o autor desta prenda de aniversário pelo quarto ano que o Defender o Quadrado faz hoje.
Mas que é uma bela homenagem, tenho que concordar que sim.
Para todos os que por aqui vão passando, obrigada. Quanto ao Kermit (antes Rechoncha), continuaremos a comparar notas.
A Miss Piggy (antes Bonemine), continuará a atacar.
I wonder
Frode Inge Helland
Vamos lá a ver se entendi.
O PS apresentou um programa eleitoral que foi discutido na campanha para as eleições legislativas.
O PS ganhou as eleições sem maioria absoluta.
O PS formou governo.
O PS entregou à Assembleia um programa de governo baseado naquilo que apresentou ao eleitorado e que este votou maioritariamente.
Os partidos da oposição estão varados de espanto. Pelos vistos o PS deveria ter apresentado uma miscelânea, um aglomerado, um projecto de negociação sobre a sua própria governação, perguntando primeiro à Assembleia quais as opiniões, estratégias, decisões e políticas que, no entender do conjunto dos partidos que perderam as eleições e que não formaram governo, após eleições democráticas, autorizam o PS a executar.
Pois.
(Também aqui)
A proposta do CDS/PP sobre a avaliação do desempenho dos professores contém:
Os avaliadores são o conselho pedagógico e o presidente do conselho executivo (que pode delegar noutras pessoas/docentes) e deve avaliar (entre outros):
As classificações são de 1 a 10, divididas em insuficiente, regular, bom, muito bom e excelente.
A diferença entre esta proposta e a que está em vigor é que não inclui a avaliação da componente científico pedagógica, com assistência pelos avaliadores às aulas dos avaliados.
Falta muita seriedade na discussão deste tema. O oportunismo e a demagogia do CDS e de Mário Nogueira são, de facto, notáveis.
(Também aqui)
Hamid Karzai foi declarado o vencedor das eleições presidenciais no Afeganistão. O simulacro de democracia desapareceu definitivamente deslegitimando todo o processo eleitoral.
Entretanto os talibãs paquistaneses continuam a sua acção, matando mais 34 pessoas em Rawalpindi.
(Também aqui)
To John Middleton Murry
Mid-April (?), 1925, London
In the last 10 years — gradually, but deliberately — I have made myself into a machine. I have done it deliberately — in order to endure, in order not to feel — but it has killed V. In leaving the bank I hope to become less a machine — but yet I am frightened — because I don’t know what it will do to me — and to V — should I come alive again. I have deliberately killed my senses — I have deliberately died — in order to go on with the outward form of living — This I did in 1915. What will happen if I live again? “I am I” but with what feelings, with what results to others — Have I the right to be I — But the dilemma — to kill another person by being dead, or to kill them by being alive? Is it best to make oneself a machine, and kill them by not giving nourishment, or to be alive, and kill them by wanting something that one cannot get from that person? Does it happen that two persons’ lives are absolutely hostile? Is it true that sometimes one can only live by another’s dying? (...)
Cartas inéditas de T. S. Eliot
V (Vivienne Eliot) - mulher de T. S. Eliot
John Middleton Murry - escritor, crítico literário e marido da escritora Katherine Mansfield
The Siege of a Castle
George Kruger Gray
Mário Nogueira desdobra-se em conselhos e declarações ao governo e à oposição, chegando ao desplante de avisar o governo que era melhor que este suspendesse a marcação dos calendários para o novo ciclo avaliativo.
Mário Nogueira desdobra-se em contactos e compromissos, chegando-se ao espantoso de se ouvir, no último expresso da meia-noite, o CDS, pela voz de Diogo Feio, dizer que o modelo de avaliação do desempenho deve basear-se na auto-avaliação e que deve ser feito apenas de 4 em 4 anos.
Ouvimos também a defesa, por parte de Mário Nogueira, Diogo Feio e Pedro Duarte, do fim da divisão artificial entre duas categorias de professores, acabando com o Estatuto da Carreira Docente.
Ouvimos Diogo Feio dizer que o governo, cujos secretários de estado ainda não tinham tomado posse e cujo programa ainda nem sequer tinha sido aprovado, deveria ter dado um importantíssimo sinal no importantíssimo dia 31 de Outubro, de que suspenderia a política de educação do último governo.
Talvez fosse conveniente ler a famosa proposta do CDS/PP, se é a que consegui encontrar na internet (penso ser a proposta elaborada para a Assembleia da República, que foi convenientemente chumbada pela ausências dos deputados do PSD) e compará-la com a lei em vigor que, já agora, convinha cumprir.
Ouvimos Mário Nogueira dizer que tinha sido uma boa notícia para os professores a substituição de Maria de Lurdes Rodrigues como ministra da Educação. Pois é pena que também não tivesse sido substituído o líder da FENPROF. Teria sido uma excelente notícia para os professores e para o país.
(Também aqui)
Museu Casa das Histórias
Dalila Rodrigues é uma pessoa polémica e pouco consensual, o que não é necessariamente uma boa ou uma má característica.
Mas o que a mim me espanta é a falta de pedidos de esclarecimento, de indignação e de manifestações de apoio pela anunciada não recondução de Dalila Rodrigues como directora do museu Casa das Histórias.
Será que o facto de ter sido a Câmara de Cascais, cuja presidência é do PSD, a colocar reticências à sua recondução, ao contrário do que aconteceu com o Museu de Arte Antiga, em 2007, que foi protagonizado pela Ministra da Cultura, do PS, é apenas uma simples e peculiar coincidência?
Adenda: estou sempre a ser ultrapassada pelos acontecimentos.
(Também aqui)
(...) Mas não escamoteamos o facto de ser nossa primeira obrigação repor essa credibilidade ameaçada, conscientes que estamos da percepção pública de um excesso de peso ideológico no jornal. Acreditamos num jornalismo culto e responsável, que desafia o sensacionalismo e as agendas informativas cada vez mais estreitas. (…)
Os editoriais, a partir de hoje, deixarão de ser assinados. Os editoriais expressarão o pensamento desta direcção e deste jornal sobre o mundo que procuramos descrever, compreender e analisar página a página. Não queremos doutrinar nem vender receitas. Queremos interrogar o mundo. Daremos expressão a todos os pontos de vista, mas afirmaremos os nossos. (...)
Não serviremos governos, nem procuraremos certificados de bom comportamento. Prosseguiremos uma nova etapa do caminho, no respeito pelos valores que nos guiam desde o primeiro dia. (...)
(Também aqui)
Salvador Dali
Les Chants de Maldoror
Nas sombras que nos distinguem
no arrastar do tempo em que já não seremos
há sólidos murmúrios de cansaço
em que contamos os dias sem somar
pequenos detalhes de desgaste.
A coreografia montada visando a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa como presidente do PSD é mais um passo atrás na resolução da substituição geracional que, tal como noutros partidos, é indispensável que se faça no PSD.
A rapidez e os apoios à candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, que surge mais uma vez como a única salvadora e credível, para o partido e para o país, são tanto mais estranhos quanto seria razoável o resguardar da figura do Professor para a Presidência da República, já que a recandidatura de Cavaco Silva é cada vez mais improvável.
O que levanta a questão de haver sectores no PSD que não verão com grande entusiasmo a hipótese de Marcelo Rebelo de Sousa ser Presidente da República. Estou convencida que o próprio Marcelo deve pensar que esta é a pior altura para tal dilema.
Assistiremos portanto a várias danças de salão, umas mais sofisticadas que outras, entre os vários actores na esfera do PSD, mais interessados na sua ambição e nas suas carreiras que na construção de uma oposição a sério e de uma alternativa de governação.
(também aqui)
A investigação de casos de corrupção que envolvem directamente agentes do estado, como é o caso Face Oculta, é mais um aviso da necessidade de uma justiça mais célere e mais transparente para restaurar a confiança dos cidadãos na administração pública, central e local.
É preocupante o avolumar de casos a investigar e a não conclusão definitiva de nenhuma destas operações necessariamente mediáticas, como os casos Freeport, Portucale, Apito Dourado, Operação Furacão, etc. A promiscuidade entre política, empresas que dependem do estado ou privadas, futebol, o tráfico de influências, os favorecimentos ilícitos e, sobretudo, o sentimento de impunidade que alastra a toda a sociedade são extremamente perniciosos para o próprio regime democrático.
No caso mais recente, Armando Vara foi constituído arguido. Independentemente do facto de qualquer pessoa ser considerada inocente até que se prove o contrário, como é possível que não apresente a demissão da Vice-Presidência do BCP? A sua manutenção no cargo vai tornar-se rapidamente num embaraço para o BCP assim como para o governo, para além de ser também uma questão de dignidade pessoal. Vítor Constâncio (personagem que perdeu credibilidade ao longo destes últimos 4 anos, nomeadamente com os casos BCP e BPN e BPP) já fez saber que “(…) Enquanto regulador, (…) questiona a idoneidade do vice-presidente do BCP (…)”.
O que se passou com o arrastar e atrasar do pedido de demissão de Dias Loureiro do Conselho de Estado deveria transformar-se num exemplo a não seguir.
(Também aqui)
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...