14 novembro 2009

Da democracia e do estado de direito

 


Ficamos todos a saber que podemos estar a ser escutados, porque fomos apanhados numa investigação de alguém que nos telefona ou a quem nós telefonamos, ficamos a saber que o que dizemos ao telefone, disparates, palavrões, má-língua, invenções, mentiras, das pequenas e das grossas, todas as nossas virtudes e misérias podem, apesar de nada poderem ter a ver com a dita investigação, serem pespegadas nas folhas dos jornais, discutidas nos cafés e serem motivo de análise política e de enxovalho individual.


 


Ficamos também a saber que os ilustres defensores das liberdades, direitos e garantias dos cidadãos, como José Pacheco Pereira fez na última Quadratura do Círculo, afirmam que o primeiro-ministro deveria vir a público assegurar o que tinha e não tinha dito a Armando Vara, inclusivamente explicitar que não falava de assuntos de estado ao telefone com os seus amigos.


Aqui eu pergunto – porquê? Porque pode estar a ser escutado por quem não convém?


 


Talvez seja melhor adoptarmos as medidas de prevenção de escutas do antigamente: escrever num papel em vez de conversar, ir para a casa de banho e pôr o autoclismo a funcionar, colocar a música em altos berros, ir conversar para parques públicos sem ninguém à volta, mesmo sabendo que estes métodos do tempo da guerra fria estão obsoletos em relação aos satélites e etc.


 


Em casa também pode ser perigoso falar com os amigos. Nunca se sabe se os vizinhos não estarão à escuta.


 


(Também aqui)


 

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