29 novembro 2010

Fruto proibido









Bau

Rafeiros

 



Jorge Leal


 


Se não houvesse sol, se não houvesse mar, se não houvesse esta nossa teimosia da preguiça e da modorra, do humor e da rebeldia mansa, da resistência e da greve de zelo, permanente e bem-disposta, a última oportunidade à última da hora, a solidariedade para com os malandros, se não fosse a malandragem, então é que seria bom, nós entre os grandes e poderosos, a ofertar generosamente cães de raça e rafeiros, dignos dos Obamas terrestres e dos Kennedys celestes.


 

Tudo acertado

 



 


Já está tudo pronto, arranjado, tratado. Portugal vai alterar os códigos todos, reformar a saúde, os transportes, os públicos e os privados, a justiça, a injustiça, a defesa, o ataque, os capitais, as dívidas do país e da Europa. Portugal vai reformar as reformas.


 


Já está tudo esclarecido. As bases de apoio alargaram-se, a salvação nacional desponta no horizonte, Passos Coelho, Cavaco Silva, Paulo Portas, Paulo Rangel, Pacheco Pereira, Manuela Ferreira Leite, António Borges, Miguel Frasquilho, tantos e tão bons economistas, contabilistas, técnicos que odeiam e desprezam a política, todos unidos contra a corrupção, contra a plebe ignorante e mal informada, contra o PS no geral e Sócrates em particular, contra o governo como um todo e cada um dos seus ministros, secretários de estado, assessores, administrativos e chefes de limpeza dos gabinetes, contra motoristas e alfaiates.


 


Já está tudo planeado. A Europa dos cidadãos olha do alto para os cidadãos de segunda, os tais da periferia mediterrânica que não trabalham, as cigarras esmagadas pelas formigas, os fatos a crescerem sobre as sapatilhas, os chapéus a ensombrarem os gorros e os bonés.


 


Já está tudo acertado. Acaba-se com os doentes, os velhos, os preguiçosos; os fumadores e os comilões passam a pagar impostos adicionais; os obesos pagam por quilo, os anorécticos pagam por grama. Acaba-se com os pobres e, se for preciso, também com os ricos.


 

28 novembro 2010

No meio do mundo


 


Debrucei-me sobre a escada do passado. Lá estavas no meio, falando comigo nesse crioulo cantado, a minha mão no teu ombro, duas meninas no meio do mundo.


 


Hoje esperas por mim, numa casa cheia de anos em que atravessámos a vida em rectas paralelas. Hoje estamos de novo, duas meninas mulheres no meio do mundo, a minha mão no teu ombro, aos meus ouvidos o crioulo cantado.


 

Complexo do Alemão

  


A polícia hasteou no início da tarde de domingo uma bandeira do Brasil no alto do teleférico do Alemão, como símbolo da ocupação do conjunto de favelas.


 




Rio de Janeiro


 

Suite nº 3 para violoncelo









J. S. Bach & Jean-Guihen Queyras


 

Economia e arte

 


Keith Page: Street musicians in Prague


 


Em tempos de crise a tendência é reduzir o consumo ao essencial, olharmos para os gastos e considerarmos supérfluas as conversas à volta de um café, o jantar fora com os amigos ou a família, o cinema, os livros, os bailados, a pintura, os concertos, dizermos a nós próprios que o que importa é comer, vestir, trabalhar.


 


De facto o que importa é viver. Sem música, teatro, pintura, bailado, poesia, romance, não se vive. O ser humano inventa e sonha, precisa da arte para sobreviver. O cérebro necessita dessa alimentação etérea. Nas situações mais críticas, como nos campos de concentração, a música manifestou-se como o último resquício de sanidade. De pouco se faz música, ritmo. A melodia das palavras, o enlevo da dança, o balanço e o brilho das formas e das cores.


 


A arte é a essência das pessoas e das comunidades. É nas diversas formas de comunicação que os povos se definem, se misturam e se diferenciam. Essa é a marca original, a marca de uma sociedade e de um país. Esse é um investimento seguro e rentável, para o Estado e para a iniciativa privada. Exportar a cultura portuguesa, os seus criadores, a sua arte, é uma aposta que não se equaciona. Tudo o que vive e se mexe à voltas das ofertas dos museus, das galerias de arte, das salas de concerto, dos jardins públicos, dos bares, das salas de teatro, as tertúlias, os convívios, os restaurantes, os livros, os discos, o conhecimento dos meios urbanos, as geografias e as rotas gastronómicas, o artesanato, a moda, os bonecos de barro, as marionetas, as festas e romarias, os provérbios, os santos.


 


Em tempos de crise percebemos que não podemos prescindir da arte. Deveria ser um dos investimentos prioritários para vencer a tristeza, a modorra, a desmotivação.


 

24 novembro 2010

Um dia como os outros (72)

 



O 29 de Setembro era para todos? Era. Pretérito imperfeito. Ontem, na discussão da especialidade do OE 2011, PS e PSD (o partido de Passos com o rabo entre as pernas) aprovaram uma norma de excepção: «Os trabalhadores das empresas públicas de capital exclusiva ou maioritariamente público, das entidades públicas empresariais e das entidades que integram o sector empresarial regional ou municipal...», vão ter os cortes salariais adaptados à sua natureza empresarial. O beneplácito de Passos Coelho é claro: Todas as empresas que estão numa área de competição, de concorrência, que vivem no mercado com outras empresas, têm de obedecer, não às mesmas regras dos institutos públicos ou da Administração Central, mas às regras do mercado. Confirma-se: a Caixa é um Estado dentro do Estado.


 


Também ontem, o ministro da Justiça deu a conhecer as alterações ao Estatuto dos Magistrados Judiciais e do Ministério Público. De acordo com as novas normas, «os magistrados com 60 anos e uma carreira contributiva de 36 podem jubilar-se sem penalização salarial.» Andam a brincar connosco?


 


Mas que quadros são esses que a Caixa Geral de Depósitos tanto teme perder? E qual é o problema de haver dezenas de conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça a pedir jubilação antecipada? O país não tem 600 mil desempregados? Comentadores iluminados não dizem todos os dias que um em cada dez licenciados emigra? Está na altura de dar emprego a essa gente.


 


Eduardo Pitta

23 novembro 2010

A greve geral

 


Tenho lido em vários blogues o apelo à greve geral acompanhado da expressão sem medo. O recurso à greve é um direito de todos os trabalhadores e esta greve tem sido amplamente divulgada pelos vários órgãos de comunicação social, quase como uma incitação subliminar à adesão.


 


Pelo contrário, não fazer greve é olhado como uma capitulação às ameaças do grande capital, como uma desistência e uma cedência aos especuladores.


 


Poucas vezes terá tido a população tantas razões para o descontentamento. Uma crise internacional que, ao contrário do que parecia, fez regressar a austeridade, os cortes salariais, o aumento do desemprego. No entanto, será que a greve geral de amanhã é a melhor forma de mostrar o descontentamento e a desilusão, numa altura de grande aperto orçamental e de grande dívida pública? Além disso, qual o governo alternativo que não tomaria nenhuma destas medidas?


 


Não farei greve, considero a greve inoportuna e um enorme prejuízo para o país.


 

21 novembro 2010

Enfrentar (enfeitando) a crise



 


Verifico que há bastantes blogues criados para ensinar e estimular a poupança, que em tempos de crise se impõe.


 


O Natal é um excelente momento de teste às nossas capacidades criativas e à nossa resistência ao consumismo. Regressam o faça você mesmo, as malhas caseiras, sapatinhos de dormir, compotas, azeites aromáticos, reciclagem de latas, papéis e frascos variados, livros de cozinha, jogos didácticos, bonecos de trapos e algodão.


 


E porque não um desafio a blogues e bloguistas para puxarem pela imaginação e partilharem uma ideia natalícia bem poupada e adaptada à austeridade mais espartana? Vale tudo: desde ideias para prendas a orçamento reduzido a decorações sem gastar dinheiro, passando por ceias saudáveis, saborosas e em conta.


 


Dirijo-me a todos os que quiserem, mas lanço o desafio a algumas almas bem dispostas, porque a boa disposição (ainda) não paga imposto.


Animais de grande porte

 



 


Acordei hoje com uma notícia que deixou a locutora da TSF à beira de um incontrolável ataque de riso. Um comboio descarrilou, na zona de Niza, felizmente sem ferir qualquer dos 45 passageiros. Fiquei foi sem saber se os animais de grande porte que se atravessaram na linha, causando o acidente, também ficaram ilesos.


 

20 novembro 2010

Irrelevância

 



 


As eleições presidenciais estão transformadas numa inevitabilidade fútil, da qual os cidadãos se alheiam e bocejam.


 


Cavaco Silva será o vencedor antecipado e esperado, não aclamado nem por aqueles que fazem parte da sua natural base de apoio. Manuel Alegre está reduzido a uma voz sonante que cada vez se cala mais, sem inspiração nem capacidade para desfazer o que desfez nestes anos em que passeou o seu milhão de eleitores. Fernando Nobre esvaziou-se numa mão cheia de boas intenções e populismo anti-política e anti-políticos. Francisco Lopes é como um boneco de artesanato de má qualidade, nesta feira decrépita, em que os candidatos não brilham nem têm ninguém que por eles brilhe.


 


Desta irrelevância presidencial, gastamos o tempo a gritar pelo FMI e a lamentarmo-nos de tudo e de todos. Estão de regresso os embriões do totalitarismo, da xenofobia e do racismo. Quem diria, após uma crise que relançou a esperança do regresso ideológico? Quem diria depois de Obama dizer que sim, que podia?


 

Empregos precários e vitalícios

 



Alev Ozkaynak: Birds


 


A crise internacional tem alterado as relações entre os cidadãos e o poder político, entre o Estado, a definição das suas funções e a sociedade civil, entre os trabalhadores e o patronato.


 


O direito ao trabalho deixou de estar na agenda política dos partidos que se dizem de esquerda. O trabalho é, hoje em dia, um privilégio e uma sorte de poucos e o desespero de muitos. Quando se fala de legislação laboral há algumas frases feitas que perderam o seu significado, mas que continuam a ser repetidas, por sindicatos e associações patronais, como se o tempo e a realidade não se tivessem interposto.


 


Chegamos sempre a limites, a extremos, de que não sabemos como sair. Enquanto existem hordas de jovens qualificados à espera de uma oportunidade para iniciarem a sua vida adulta, para darem o seu contributo à sociedade, em termos de criatividade, produtividade e plenitude, todos os dias nos confrontamos com pessoas entrincheiradas nos seus inamovíveis direitos, que são sempre o descanso, a possibilidade de não progredirem, de não se esforçarem, de gozarem as pausas, as folgas, as férias, as dores de barriga, os estremecimentos dos adolescentes, os cigarros e os cafés acompanhantes.


 


Os postos de trabalho estão preenchidos por inúmeras pessoas que não estudam, que não se preocupam, que não se realizam, que não se responsabilizam. Enquanto isso os jovens aceitam estágios voluntários, remunerações ridículas, horas de transportes públicos, madrugadas e noitadas, formações várias, exigências e incompreensões, trabalho quantas vezes de escravo, a incerteza de meses, anos, décadas se preciso for, para assegurarem um cantinho de luz.


 


Dia 24 de Novembro teremos uma greve geral contra a crise, contra a austeridade, contra a redução de ordenados. Gostaria de ouvir os sindicatos contra os empregos vitalícios para quem não quer nem nunca quererá entender o trabalho como um direito e um dever e reivindicarem esses empregos para quem tem vontade de construir qualquer coisa.


 

14 novembro 2010

Swing Time









Fred Astaire & Ginger Rogers

Da salvação nacional

 


Os repetidos pedidos para a formação de um governo de salvação nacional é a uma forma encapotada de fazer um golpe palaciano, revertendo e desvirtuando o resultado de eleições democráticas.


 


O PS, com José Sócrates eleito como secretário-geral do partido, ganhou as eleições legislativas e, portanto, o direito constitucional de formar governo. A formação de um governo minoritário foi uma escolha dele e do PS. Só se compreende a possibilidade de um novo governo, dentro deste quadro parlamentar, se este for demitido através de uma moção de censura parlamentar ou se pedir a demissão.


 


Caso essa hipótese se verificar, o Presidente chamará o líder do PS para formar novo governo, no caso José Sócrates. Ou então o Presidente dissolverá a Assembleia e marcará eleições antecipadas. Se o PS entretanto mudar de secretário-geral, será então o novo secretário-geral a concorrer às eleições.


 


Portanto a formação de um novo governo está prevista nas normas constitucionais, pelo que o pedido para um governo de coligação, com o CDS ou com qualquer outro partido, é um exercício de jogo político para agitar a opinião pública. A chamada à unanimidade de ideias, posições e políticas, a “salvação nacional”, é uma manifestação bolorenta e antidemocrática.


 


Portugal precisa de ideias, diferentes e fortes, de pessoas que tenham a coragem das convicções, não de generalidades de comentaristas, analistas, economistas e outros istas, que não fazem qualquer ideia, nem me parecem interessados na salvação seja do que for.


 

13 novembro 2010

O lapidar da Pedra

 


Quem tornou possível o livro:


 



Carlos Lopes - Edita-Me


 


 


e quem o fez brilhar:


 



Tiago Taron


 



Maria Celeste Pereira


 



 Manuel D'Oliveira


 

Outra explicação da Pedra

 



 


E ao terceiro livro fez-se "pedra". O ciclo de pedra não é o da oculta filosofia: Água, Terra, Fogo e Ar. Nem tão pouco dos humores da medicina aiurvédica: vento, fogo e terra.


 


Da luz e da sombra, para utilizar expressões dos dois primeiros livros de poesia de Maria Sofia Magalhães somos transportados para a "pedra".


 


E permitam-me uma interpretação: a pedra é o suporte onde as nossas vidas deixam um sulco gravado. Voluntário umas vezes, involuntário outras. Tal como a natureza ao longo de milhões de anos, pela água, pelo ferro, pelo magnésio, deixa registados nas pedras, riscos, cores e formas - as "scenic stones" - também a vida deixa registos, sulcos, cores e formas. O "ciclo da pedra" é o mapa sem destino que o escritor diariamente percorre (Mapa).


 


Ao terceiro livro a pedra é um Mapa. Um mapa em permanente elaboração. Mas ao terceiro livro estão lá dentro os dois anteriores. Essa luz que está dentro de nós e se esconde na procura (É quase noite) e causa a sombra que passa (Da sombra que passa) é, no fundo, a mesma que nos faz renascer todos os dias (Entardecer).


 


Porque se dia a dia nascemos, dia a dia esmorecemos, sem perceber que o último acto para morrer é viver. E quem desenha o mapa da nossa vida? O curso do acaso (Desluzido). A estrada que não acaba (Só agora). As tardes de chumbo e as noites entretidas de nada (Inevitável). As auroras de espuma que nos guiam para além dos deuses (Ondas). O voo rasante do pardal que sacode o medo (Sigo). O inevitável amanhã (Insónia). A asa do pássaro que inicia a viagem (Abstracção).


 


Ao terceiro livro a pedra é a História. Porque não há História Universal. Há apenas a História que as correntes individuais somam e reproduzem (Ciclos Perpétuos).


 


Ao terceiro livro a pedra é o Silêncio. Quando as palavras faltam fica o impalpável silêncio (Impalpável). O silêncio que se respira, imenso, sem fim (Silêncio). O silêncio que pesa pela ausência (Solidão). O silêncio que arranha (Vozes). O silêncio que está nas palavras mais saborosas (Dizemos).


 


Ao terceiro livro a pedra é o Amor. O amor que nos redime. Pelo infinito abraço (Dúvida). O que sabe atar as mãos e mantê-las apertadas (Enquanto). O que se descobre entre longos abraços de saudade (Na casa crua). O que ajuda a descobrir o muito que nos falta procurar (Juntos). O que se traduz em palavras plenas de mansidão (Mansidão). O que sobraria do espaço onde poisasse o resto da alma que resistisse (Nunca me faltaria). Pelo amor renascemos (Entardecer). Porque deveríamos olhar mais para a lua que o chão (Olhar).


 


E ao terceiro livro a pedra é a Liberdade. A liberdade que ordena mais que o calendário (Começo pelo trabalho). A liberdade que arrasta a poeira que todos os dias tolda, que sacode os ombros que todos os dias pesam, que respira o ar que todos os dias falta. A liberdade, enfim, que marca encontro para o próximo dia (Poeira).


 


Ricardo Leite Pinto


 

O Mapa da Pedra

 



 


A quem esteve, presente ou ausente, a quem gostaria de ter estado, a quem anunciou e divulgou o Ciclo da Pedra, o meu muito obrigada.


 

Explicação da Pedra


 


 


Esticamos os ramos


abraçamos os dias


esquecemo-nos que o tempo não existe


apenas o ar a terra o fogo a água


apenas a metamorfose da terra


dos rios da luz dos pássaros


apenas a transformação da dor num tecido firme


branco imóvel


na pedra.


 


Rompemos as redes as linhas


traçamos limites arestas esquinas


arquitectos da solidão num mundo de cor e gritos


na confusão dos sentidos hiper-estimulados.


Abrimos os poros


somamos enzimas


degradamos a vida


depuramos a morte.


 


Nos jardins dos silêncios que julgamos eternos


erguem-se as fontes da rigidez suprema


o vazio


o abandono.


Olhamos em volta e percebemos granitos soberbos.


Quem são?


 


Nem sempre sabemos dos ácidos reciclados


dos cristais de pureza guardados lá dentro.


Nem sempre descobrimos


a fenda fatal que corta e expõe a alma o fundo.


Nem sempre queremos a ferida o sangue


estilete que aguarda a pele desnuda.


 


No fim


se ele existe


segue a erosão permanente


nas costas nas mãos nas dobras da vida


na concha na pérola.


Areias mais grossas areias finíssimas


povoam as praias povoam os ventos.


Somos nós que descremos na posse na carne


sementes e pedras acasos em ciclos perpétuos


que unem aquilo que sempre e teimosamente desprezamos.

10 novembro 2010

Ciclo da Pedra


 


No Palácio dos Aciprestes


com apresentação de Ricardo Leite Pinto;


colaboração de Manuel d'Oliveira (guitarra) e de Maria Celeste Pereira (leitura de poemas).


 

Juros

Afinal parece que a aprovação do OE 2011 era irrelevante para os juros da dívida. Os comentadores esforçam-se por arranjar justificações para a contínua subida dos juros da dívida e todos nós nos vamos habituando a viver sobressaltados pelas fúrias dos mercados.


 


É engraçadíssimo utilizarmos palavras que correspondem a conceitos que, para a maior parte de nós, não fazem qualquer sentido. Na realidade está tudo certo: falamos com ar grave e sério de tudo, sem entendermos nada.


 


Mas também não é preciso. O que as pessoas intuem é que a vida se vai complicar.

07 novembro 2010

Destempo

 



Armand Pierre Fernandez: L'Heure de Tous


 


 


Contra o tempo que vem


no tempo que foi também


há tempo de mais a mais


no tempo que a menos convém.


 


Sem tempo para o tempo que será


nas asas que o tempo fechou


abrimos o tempo que virá


e a seu tempo soará.


 

Ponto de luz






 


canta Sara Tavares


 


Escutando no vento
Tua voz secreta
Que me sopra por dentro
Deixa-me ser só seu
No teu colo eu me entrego,
Para que me nutras
E me envolvas
Deixa-me ser só seu


 


Um ponto de luz
Que me seduz
Aceso na alma
Um ponto de luz que me conduz
Aceso na alma


 


Por trás dessa nuvem
Ardendo no céu
O fogo do sol raia
Eternamente quente
Liberta-me a mente
Liberta-me a mente


 


Um ponto de luz que me seduz aceso na alma
Um ponto de luz que me seduz aceso na alma


 

Democracia criminalizada

 


Cada vez percebo menos e me preocupo mais com a ideia de democracia que tem Passos Coelho. É que o populismo tem limites. A responsabilidade dos governantes eleitos é política. É através de eleições livres que se responsabilizam os políticos. Passos Coelho acaba de legitimar a mistura da política com a justiça.


 


Realmente, é urgente renovar as nossas elites políticas.


 

Dardos

 



 


O Prémio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc.... que, em suma, demonstrem a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras e as suas palavras. Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.


 


Agradeço ao Weber e ao T. Mike a nomeação para este prémio. Cabe-me agora distinguir mais uns tantos blogueiros. A escolha é difícil, mas não vou esperar mais:



Muitos outros haveria a premiar, mas as regras ditam dez. Cabe agora aos nomeados seguirem (ou não) a corrente.


 

06 novembro 2010

Ontem...

... fez 5 anos que comecei este blogue. Já o blogue mudou de visual umas quantas vezes, eu outras tantas, mas muito menos radicalmente.


 


Mas a essência mantém-se e o Quadrado precisa de ser defendido, ainda e sempre contra os invasores, de dentro ou de fora, por mar, terra ou ar ou outras mais secretas vias de dominação, como o medo.


 


Aqui estou por mais, quem sabe, outros cinco?

03 novembro 2010

Justiça popular

 


Agora que acabou o Freeport, o OE para 2011, voltamos em força ao Face Oculta. Ana Paula Vitorino já foi pressionada por Mário Lino, implicando-o no processo, já negou ter sido pressionada por Mário Lino para, hoje mesmo, ter sido pressionada a negar que tinha pressionado.


 


Quanto ao processo que envolve o BPN está bastante mais oculto.


 

Apreensão presidencial

 


Não deixa de ser paradoxal que Cavaco Silva esteja preocupado com o desprestígio da classe política. A forma como o Presidente insinua desdenhosa e sobranceiramente que não é político, como se tal fosse verdade, é a demagogia responsável pelo desprezo com muitos olham para aqueles que elegemos como nossos representantes.


 

A vergonha

E porque a culpa é sua não tem o direito de ir embora, pelo seu próprio pé, quando quiser, como quiser, culpando este e aquele. O senhor Primeiro Ministro vai ser responsabilizado por tudo o que fez ou não fez nestes últimos anos. O senhor Primeiro-Ministro vai ter de passar pela vergonha de ser demitido. Porque os portugueses e o país o vão considerar culpado. - Aguiar-Branco - debate do OE 2011, 02/11/2010


 


Esta frase pode ter os seguintes significados: ou Aguiar-Branco espera que Cavaco Silva demita o Primeiro-ministro, logo que os prazos constitucionais o permitam, ou considera a derrota eleitoral uma vergonha. Seja o que for que Aguiar-Branco pretende dizer, é esclarecedor o seu conceito de democracia, de alternância governativa, dos poderes e da intervenção do Presidente da República.

02 novembro 2010

Mercados pantagruélicos

 


Pelos vistos a aprovação do orçamento não tem nada a ver com os juros, a dívida, o rating ou a austeridade. O que se vai seguir? O que vamos cortar mais?


 

01 novembro 2010

Feira

 



 


Museu do Canteiro, Alcains 


 


Todos os anos tomo um banho de ruralidade. Entre utensílios de alumínio, facas de vários tamanhos e feitios, foices, almotolias, foles, cestas, tachos de barro, barricas de jeropiga, farturas, marmelos, abóboras, castanhas, pequenas, médias e grandes, presuntos, queijos, feijão de arroz, centenas de peúgas, cuecas, ceroulas, camisolas, calças de ganga, chapéus, algodão doce e pipocas, apetece percorrer as ruas e parar em todas as barraquinhas.


 


Já não tenho desculpa para adiar mais o início da temporada. Os ingredientes estão comprados, à espera das panelas, da canela e do açúcar. Fritar castanhas e colocar as cascas e as sementes dos marmelos a macerar em aguardente, são as tarefas mais urgentes. Se não, perigam as compotas e os licores.


 


Vou pensar nas variantes da moda Natal 2010. Um aviso aos incautos: darei largas à minha imaginação.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...