Esticamos os ramos
abraçamos os dias
esquecemo-nos que o tempo não existe
apenas o ar a terra o fogo a água
apenas a metamorfose da terra
dos rios da luz dos pássaros
apenas a transformação da dor num tecido firme
branco imóvel
na pedra.
Rompemos as redes as linhas
traçamos limites arestas esquinas
arquitectos da solidão num mundo de cor e gritos
na confusão dos sentidos hiper-estimulados.
Abrimos os poros
somamos enzimas
degradamos a vida
depuramos a morte.
Nos jardins dos silêncios que julgamos eternos
erguem-se as fontes da rigidez suprema
o vazio
o abandono.
Olhamos em volta e percebemos granitos soberbos.
Quem são?
Nem sempre sabemos dos ácidos reciclados
dos cristais de pureza guardados lá dentro.
Nem sempre descobrimos
a fenda fatal que corta e expõe a alma o fundo.
Nem sempre queremos a ferida o sangue
estilete que aguarda a pele desnuda.
No fim
se ele existe
segue a erosão permanente
nas costas nas mãos nas dobras da vida
na concha na pérola.
Areias mais grossas areias finíssimas
povoam as praias povoam os ventos.
Somos nós que descremos na posse na carne
sementes e pedras acasos em ciclos perpétuos
que unem aquilo que sempre e teimosamente desprezamos.
Muitos parabéns!
ResponderEliminar:)))
Gosto.
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