
E se fosse reduzido o horário de trabalho semanal?
E se as reformas fossem incentivadas um pouco mais cedo?
Não seria uma forma de melhorar o demprego e reanimar a economia?
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]

E se fosse reduzido o horário de trabalho semanal?
E se as reformas fossem incentivadas um pouco mais cedo?
Não seria uma forma de melhorar o demprego e reanimar a economia?
O que seria extraordinário e verdadeiramente miraculoso era a Geringonça, em cerca de ano e meio, recuperar o País da devastação em que os 4 anos de governo PSD/ CDS o deixou.
Eu ainda me lembro do Programa de Emergência Social, apresentado pelo governo PSD/ CDS. Esse plano tinha como objectivo minorar o impacto da crise nos segmentos mais desfavorecidos da sociedade.
No estudo tornado público pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, é bem patente quais os segmentos da sociedade que foram mais poupados durante a crise. Vale a pena visitar o site e meditar na tremenda hipocrisia de quem está agora tão preocupado com a hipótese de redireccionar os custos da crise para o sector minoritário que mais ganha, em Portugal e que, em termos percentuais, menos contribui com os seus impostos.
Christine Lagarde
Afinal parece que as pessoas e os partidos que defendem e sempre defenderam uma reestruturação da dívida têm e tinham razão.
Quais vão ser as consequências? É agora que se vai avançar para a reestruturação da dívida? É agora que finalmente a Comissão Europeia vai fazer marcha atrás em relação à política que impôs nos últimos anos?
E se começássemos a falar de impostos mais progressivos para que quem mais tem seja quem mais pague? E se começássemos a falar da taxa Tobin? E se começássemos falar da redução dos horários de trabalho, não para 35h mas para 30h por semana, no público e no privado? E se começássemos a falar da renovação geracional dos quadros? E se começássemos a falar do aumento de emprego que isso significaria com a consequente melhoria na qualidade de vida, aumento da participação contributiva, perspectiva e segurança de emprego, para que as gerações que esperam indefinidamente a sua vez possam não ter que adiar cada vez mais a vontade de serem independentes, responsáveis, cidadãos activos, fundarem famílias, terem filhos? E se começássemos a pensar em investir na cultura, apostar na música como um elemento fundamental na educação e desenvolvimento das crianças e adolescentes?
E se retomássemos a ideia de procurar financiamentos para suprir as necessidades dos cidadãos em vez de as reduzirmos ao dinheiro existente? Não é assim que os empreendedores fazem? Não é isso o empreendedorismo?
Acabei de receber uma mensagem no telemóvel, da Vodafone:
Última hora: S&P sobe rating e quer as mesmas políticas depois das eleições. Observador http://vfpt.pt/uh
Não somos nós que decidimos. É a S&P.
Pode ser que tenha uma bela surpresa.
A S&P e o Observador.
Martin Schulz fala em governo tecnocrata na Grécia se o “sim” vencer o referendo
Se o “Não” ganhar, gregos terão de introduzir nova moeda
É muito difícil decidir o que eu, caso fosse grega, responderia à pergunta que se faz hoje a todo o povo grego - aceito a proposta dos credores ou não aceito? Esta é a dúvida. No entanto toda a direita europeia a transformou numa noutra - quero ou não sair da União Europeia?
É claro que a primeira pergunta pode condicionar o resultado implícito na segunda. Pelo menos é isso que a direita europeia quer que todos sintam e receiem.
O medo. O medo de rejeitar uma política de empobrecimento e de destruição dos valores democráticos. Os países deixaram de ser donos do seu destino, as eleições para os parlamentos nacionais transformaram-se numa caricatura da democracia pois ninguém, nas mais altas instâncias europeias, tem a mínima intenção de respeitar seja o que for das escolhas eleitorais, caso elas não sejam consentâneas com a ideologia dominante.
O medo. É nisto que se baseia a relação entre as Instituições europeias e os povos que deveriam representar.
Olho para a minha forma de encarar a vida e sinto-me tantas vezes medrosa, tantas vezes de uma moderação que não cabe bem na minha natureza bipolar e impulsiva. Mas também sei que há alguns limites que, ao contrário de algumas figuras nossas conhecidas, não ultrapasso.
E esta é uma delas. Não é possível continuar a ignorar o atropelo democrático que se tem verificado na Europa, condenando os países e as suas populações à miséria, sem que tenham quaisquer hipóteses de mudar o seu destino. Gente hipócrita, que obriga nações inteiras a fingir que não existem ou nunca existiram, gente ignorante e arrogante, que vive em mundos paralelos sem contacto com a realidade, gente perigosa que decide o destino daqueles que, diariamente, contribuem com o seu esforço e trabalho para que haja alguma esperança de felicidade.
Por isso, muito provavelmente, se fosse grega, votaria hoje não. E tenho muita pena que as explicações do PS, que tenta a moderação sobre todos os assuntos difíceis, ao contrário da clareza e da assertividade, que tenta o equilibrismo quando se desejaria um mergulho, ou um salto, ou asas para voar, se enrede em palavras de circunstância, sem que ninguém perceba exactamente a sua posição. E isto é verdade tanto em relação à candidatura presidencial, como ao problema da Justiça, à herança dos anteriores governos de Sócrates ou à crise grega. Por medo.
O governo grego mostrou que é possível ter uma voz diferente na Europa, defender os interesses do seu povo sem ter medo de enfrentar dificuldades e problemas, de ser um parceiro de corpo inteiro numa União que se pretende de solidariedade e é apenas de subserviência a alguns países, de assumir e respeitar o mandato eleitoral e democrático que lhe foi conferido.
É muito interessante ver as notícias sobre o princípio de acordo alcançado através do Observador, que aproveita para demonstrar que a Grécia recuou em toda a linha e que Varoufakis e Tsipras acabaram por ceder em tudo.
Mas lendo o texto do acordo não é essa a minha conclusão. Embora sem conseguir fazer vingar as suas propostas, o governo grego fez o que há muito se esperava que algum governo fizesse - negociação e confronto políticos, sem complexos nem atitudes invertebradas. Ao contrário da opinião de Francisco Seixas da Costa (ou não?), penso que a ofensiva grega no plano internacional foi bem feita e criou condições para que houvesse cedências de parte a parte.
A verdade é que estamos a assistir a declarações de volte-face dos mais improváveis protagonistas, como por exemplo de Jean-Claude Juncker, que age como se tivesse acabado de chegar à União Europeia. O governo português foi igual a si próprio, perdido no seu labirinto e mais fundamentalista que os extremistas, com posições contrárias às que seriam de esperar na defesa dos interesses de Portugal. Paulo Portas esqueceu-se que pertencia a um governo que se esforçou ao máximo pelo pedido de resgate e aplaudiu o querer ir além da Troika, colando-se às declarações de Junker.
Continuemos a aguardar os acontecimentos. Parabéns aos gregos e ao governo grego pela pedrada no charco. Nem que seja só por isso, todos saímos a ganhar.
A vitória do Syriza na Grécia tem muita importância e deve ser por todos nós atentamente analisada em vários aspectos:
Espero sinceramente que as negociações, embora duras, corram bem, que se chegue a um equilíbrio e que haja, finalmente, pelo menos o início de uma mudança. A Grécia é um país soberano, tal como Portugal, Irlanda, Itália, Reino Unido, França, Espanha ou Alemanha e os seus cidadãos querem ser tratados como tal. De uma vez por todas que acabe a propaganda que tentou convencer toda a gente que os cidadãos só tinham direito àquilo que as contabilidades organizadas por 2 ou 3 países, chefiados pela Alemanha, podiam disponibilizar. Governar é mais que isso, tem que ser mais que isso.
Como todos sentem e sabem, estamos num bloqueio político, económico e social. O país está exausto, descrente, apático e desesperançado. Ninguém acredita no que ouve, no que lê, no que lhe dizem e muito menos no que prometem. Não é só a classe política que está descredibilizada. São os jornalistas, os juízes, os advogados, os economistas. Muitas outras corporações suscitam desconfiança e vozes iradas, mas talvez menos do que as nomeadas.
As Instituições do país, e falo no Presidente da República, no Governo, no Parlamento e nos tribunais, mostram, a todo o momento, que estão desligadas da realidade, que não respondem aos problemas e aos anseios das populações. Os partidos políticos não se renovam e não se reformam, contribuindo para a provável deriva totalitária de um populismo crescente, de que eles próprios oportunisticamente se aproveitam.
É absolutamente indispensável que haja uma autêntica revolta interior, que os cidadãos, dentro das suas estruturas representativas ou criando outras alternativas, mudem o curso do nosso destino. Não se pode continuar a aguardar que qualquer coisa aconteça. Dentro do sistema democrático a alternativa é protagonizada por eleições.
Mas para que se possa escolher é necessário que se definam as alternativas. Não tenho nada contra a ideia de revisão Constitucional ou de reformar o Estado; a Constituição já foi revista bastantes vezes e as organizações devem ser reformadas. No entanto, com excepção daquilo a que este governo chama reforma do Estado - nada mais que a tentativa de uma legitimação política com o arrasto do PS para o desmantelamento dos serviços públicos que ainda existem, e para a transformação do estado social em assistencialismo de estado, mínimo e caritativo - nada se sabe sobre o que pensam os líderes da oposição ou a sociedade civil sobre o assunto.
Ouve-se dizer que nunca houve tanto consenso na sociedade como agora, sobre educação, saúde, segurança social, citando-se os nomes de Bagão Félix, Vieira da Silva, Correia de Campos, Luís Filipe Pereira, David Justino, Maria de Lurdes Rodrigues, Manuela Ferreira Leite, Teixeira dos Santos. Não sei se o que precisamos é de consensos alargados ou de rupturas extensas, mas seguramente de ideias claras e debates abertos sobre o essencial, porque o tempo torna-se curto para reduzir o enorme desperdício de recursos, humanos e materiais, com que se têm gasto as populações.
São necessários novos programas ideológicos, assumir o que se pensa e o que se quer para a organização social, o desenvolvimento económico, a integração no mundo, europeu ou qualquer outro. São necessários novos protagonistas, figuras que corporizem e galvanizem a sociedade, que lhes dêem esperança e convicção.
É absolutamente essencial que se coloquem em causa os dogmas políticos que nos abafam o pensamento, como a inevitabilidade da crise e do empobrecimento, a inevitabilidade da pertença a esta Europa, da insustentabilidade dos serviços públicos, da desigualdade. É absolutamente essencial que se entenda que a salvaguarda do princípio de viver em democracia e liberdade está dependente de novos contratos sociais.
Para isso estou hoje convencida que é indispensável a convocação de eleições. Não me parece possível que alternativas, consensos ou negociações internacionais possam existir sem que os cidadãos compreendam o que os pode esperar e decidam o que querem esperar.
Os principais partidos políticos insistem em ser parte do problema e não da solução. Mas esta passa obrigatoriamente por eles (convém que quem fala de esquerdas não se esqueça que, mais importante que a lateralidade é o respeito pela democracia). Aguarda-se que assumam a responsabilidade de explicar o que querem do Estado, o que consideram serviço público, o que entendem por estado social, o que querem da defesa e segurança, como entendem a distribuição dos poderes, como querem alterar a Constituição, como entendem a formação, o emprego, o investimento, a reorganização territorial, o repovoamento do interior, a inversão do envelhecimento demográfico, a política fiscal, a reforma do sistema de justiça.
Precisamos urgentemente de criatividade, empenho e voluntarismo.
Precisamos urgentemente de mudar - vamos a votos.
Temos assistido a uma autêntica inundação informativa sobre o perigo da pronúncia pela inconstitucionalidade de medidas do OE 2014 por parte do Tribunal Constitucional (TC). Não há dia em que não se leia ou ouça doutas personalidades, nacionais e internacionais, avisarem o TC do perigo de resgates, bancas rotas e sacrifícios inomináveis, arrastados pela descrença dos mercados e daquelas instâncias voláteis que governam o mundo neste pobre povo português.
Estamos outra vez perante o esforço de manipulação da direita retrógrada que quer impor a sua agenda ideológica fazendo crer que o não cumprimento do desmantelamento do estado social trará a catástrofe e o dilúvio, tal como aconteceu na altura do chumbo do PEV IV. Todos já percebemos o que significam estas inevitabilidades.
Poemas sobre a língua portuguesa
Natália Luiza
(selecção de Inês Pedrosa)
Língua – Caetano Veloso
Língua Portuguesa – Olavo Bilac
Língua mater dolorosa – Natália Correia
Lamento para a língua portuguesa – Vasco Graça Moura
Pátria – Rui Knopfli
Língua – Gilberto Mendonça Teles
Novas ruminações – Gíria de Cacimbo
As linguagens – Mutimati Barnabé João
1 de Novembro, às 18h30, na Casa Fernando Pessoa
Este, dizem, é um país de gente dócil e de brandos costumes. Este, dizem, é um governo que pegou na insustentável situação legada por Sócrates e, em submissão aos ditames da Troika, não tem alternativa senão escolher repetidamente políticas recessivas, que agravam a situação económica e que perpetuam o problema.
Assisti aos primeiros minutos da declaração da Ministra das Finanças ao monocórdico país que, em monocórdico tom, reiterou o pensamento e a ideologia que este governo professa, ao abrigo da fachada encarnada pelas ordens da Troika.
Entre as várias medidas que ainda ouvi, e dos rodapés que fui lendo ao longo da noite informativa, o Orçamento de Estado esquece a reforma do dito e a história da melhoria da produtividade na função pública visto que, ao mesmo tempo que aumenta o horários de trabalho para 40h/semana, propõe aos trabalhadores uma redução em 8h/semana. Poderia ser para reduzir o desemprego, mas é apenas para reduzir o montante que gasta com os salários. Portanto, a 12% de redução salarial (por aumento de horário de trabalho) somam-se os cortes, que passarão a visar os salários a partir de 600,00€, e atingirão os 12%.
A luta entre o CDS e o PSD está cada vez mais aparente, não se coibindo José Luís Arnaut de ser mais assertivo nas críticas à decisão e à gestão política dos cortes nas pensões de sobrevivência, do que Eurico Brilhante Dias, em frente ao inefável Mário Crespo. O PSD diverte-se a armadilhar Paulo Portas que, com os seus ministros pós remodelação, aceitam o contrário do que apregoaram antes de ascenderem ao governo.
Entretanto já não é só a Troika que se acha dona de Portugal. Angola compra as nossas empresas, os nossos jornais e assume a sobranceria de quem tem poder e manda, após a tristíssima e indigna figura de Rui Machete. Mas nem o gozo angolano serviu de mote à demissão do Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Estrangeira sinto-me eu, no meu país. Este país que dizem brando e submisso, está cada vez mais alheado e descrente destas instituições, nacionais e europeias, que nós ainda acreditamos ser democráticas. Este é um país em que a gente boa, cumpridora, pobre, sem perspectivas, atraiçoadas pelos seus representantes eleitos, a quem tiram a dignidade e a esperança, tem todas as condições para vitoriar o primeiro vendedor de sonhos que lhe prometa um pouco de segurança e de placidez futura.
Este é um país de gente triste. E a infelicidade é a melhor arma para o mal, o mal corriqueiro, quotidiano e mediano, que se instala nas conversas, nas invejas, nos vizinhos, aquele mal que nos enforma a indiferença com que olhamos a diferença, a cor da pele, os bairros sujos e degradados, aquele mal de antes eles que eu. A infelicidade é perigosa.
Bansky
Repetir sempre que os ombros se curvam:
Tem que haver um outro país, uma outra gente. Tem que haver uma outra Europa, um outro mundo.
Não é verdade a tristeza e a desesperança. Não é verdade a pobreza e a insegurança.
Tem que haver um outro sonho, uma outra certeza.
Sabemos que é possível, sabemos que o ruído dos fatos surdos, os gestos e os sorrisos mudos de quem coordena marionetas, podem mudar.
Sabemos que tudo muda. Basta juntar os sinos e repicar. Basta juntar as mãos e resistir. Basta abrir a estrada e caminhar.
Tem que haver um outro viver – vamos lutar.
Lá está. Estas bolhas de algodão têm rasgões que nos obrigam a contemplar os nichos do inferno, por muito que nos digam que não existe.
Passos Coelho e a maioria que nos governam podem avançar sem medo para todos os cortes que lhes apetecer. As notícias da redução da percentagem do desemprego e do crescimento económico, por conjunturais que sejam, alimentam o discurso de que, afinal, eles estão certos e os outros - leia-a a oposição - estão errados. Ou seja, vão continuar, embandeirando de peito feito as tão extraordinárias reformas estruturais, que ninguém percebe mas que resultam. Que se cuide o Tribunal Constitucional, que é um empecilho para as gloriosas medidas que nos vão salvar, quer queiramos quer não.
Como o PS não sabe o que fazer, não tem ideias e não consegue explicar que, embora estas notícias sejam positivas, nada no discurso governamental o é, o PSD arrisca-se a ter, nas autárquicas, uma derrota a saber a vitória, enquanto o PS terá uma vitória completamente desastrosa.
O que esperam os militantes do PS para substituir António José Seguro?
E vai de roda o meu país
corridinho já lá vem
ora ouçam o que ele diz
microfone de Belém.
Vai um passo mais à frente
e três passos mais atrás
um coelho de repente
dá um pulo para trás.
Abre portas sem receio
nesta dança de pigmeus
fecha as portas do recreio
ai Jesus valha-me Deus.
E vai de roda a contradança
neste vira de espantar
sai da roda a esperança
sem vislumbre de voltar.
Soa agora o cavaquinho
vai de roda até fartar
parte a asa pucarinho
que a ordem é casar.
Se é feio e desdentado
tu és coxo lá do siso
vade retro ó danado
que de ti já não preciso.
E vai de roda o meu país
corridinho do desdém
ninguém liga ao que ele diz
microfone de Belém.
Daqui se concluem muitas coisas:
Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...