A vitória do Syriza na Grécia tem muita importância e deve ser por todos nós atentamente analisada em vários aspectos:
- A radicalização do eleitorado e o crescimento do populismo é a demonstração do desespero e do desencanto dos cidadãos com os tradicionais partidos democráticos no poder, que não souberam lidar com a crise e que se distanciaram do eleitorado, aceitando a submissão e a defesa de políticas claramente contra o interesse e o bem estar dos cidadãos, a falta de dignidade e soberania dos seus povos, o empobrecimento e o crescimento das desigualdades, deixando-se levar nos jogos de poder opacos e não democráticos dos vários actores internacionais, nomeadamente europeus.
- A coligação entre o Syriza (extrema-esquerda) e o partido de direita Anel ou Gregos Independentes é uma aliança circunstancial, nascida de uma posição comum em relação à rejeição das medidas impostas pela Troika. Significa isto que as alianças ou definições esquerda/direita já não existem? Ou que há desígnios nacionais, mais ou menos populistas, que justificam alianças que nos parecem contra-natura?. Nada disto é novo; vale a pena, mais uma vez, estarmos atentos e preocupados.
- A posição do governo grego em relação à Europa, independentemente do resultado, é uma saudável pedrada no charco e provoca um irresistível aplauso de todos quantos não queremos a continuação desta ordem que nos governa. Os gregos escolheram quem querem que defenda o seu país, tal como todos os países o deveriam fazer, ao contrário do que é apanágio do governo de Passos Coelho/ Paulo Porta, com a sua cegueira ideológica, essa sim, verdadeiramente irrevogável.
- Nesse sentido é de saudar o braço de ferro entre o recém-eleito governo grego e a cúpula europeia, pelo que significa de vontade de lutar. O PS não tem que ser igual ao Syriza, tem que aproveitar todas as oportunidades de fazer valer a sua posição de defesa dos interesses portugueses, com os países que tentam fazer contra-corrente à ideologia prevalente destes últimos anos. A Europa não pode ser um torno em volta de alguns elos mais fracos. Não se pode permitir a inqualificável ingerência de ministros alemães e outros nas escolhas eleitorais dos países membros.
- O PS deve reflectir bem nas respostas que terá quando for governo, esperemos que com maioria absoluta, das posições que terá perante os parceiros europeus e das coligações que poderá implementar, facilitar ou favorecer para que haja uma maior democratização e igualdade a nível dos decisores internacionais.
Espero sinceramente que as negociações, embora duras, corram bem, que se chegue a um equilíbrio e que haja, finalmente, pelo menos o início de uma mudança. A Grécia é um país soberano, tal como Portugal, Irlanda, Itália, Reino Unido, França, Espanha ou Alemanha e os seus cidadãos querem ser tratados como tal. De uma vez por todas que acabe a propaganda que tentou convencer toda a gente que os cidadãos só tinham direito àquilo que as contabilidades organizadas por 2 ou 3 países, chefiados pela Alemanha, podiam disponibilizar. Governar é mais que isso, tem que ser mais que isso.
No que respeita ao ponto 2, creio que ser-se de esquerda ou de direita quando o essencial da política na Europa se define pela forma como se aceita ou se rejeita o que está a ser imposto pelo Centro (formalmente em Bruxelas, na prática em Berlim), torna supérflua aquela primeira classificação canónica quando as alianças e os alinhamentos se tendem a fazer pelo outro aspecto: é assim que se podem assistir a apoios e coligações que não encaixam no algoritmo tradicional de esquerdas e direitas, quando a FN francesa deseja a vitória do Syriza, ou este último se coliga com uma formação da direita ultra-nacionalista.
ResponderEliminarCOMENTÁRIO AO POST "DA REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA (2)”
ResponderEliminar01- A Comunicação Social fixou-se em dois temas:
- caso Sócrates
- caso Tsipras
E exercita o seu fel em ambos, acompanhada da ultramontana crítica do PM Passos Coelho a Tsipras.
02- O Dr. Costa está muito preocupado com o Pasok, mas apesar disso, adiou para Junho a apresentação do Programa para fazer face aos problemas dos portugueses.
03- Os “quatro candidatos” a “Tsipras Portugueses”, Ana Drago, Joana Amaral Dias, Daniel Oliveira e Francisco Louçã, ainda não aprenderem que “a transposição mecânica” de soluções é sempre um falhanço.
04- Sublinho, citando:
“ PS deve reflectir bem nas respostas que terá quando for governo, esperemos que com maioria absoluta, das posições que terá perante os parceiros europeus e das coligações que poderá implementar, facilitar ou favorecer para que haja uma maior democratização e igualdade a nível dos decisores internacionais.”
Bom Fim de Semana.
Cordiais Saudações Democráticas e Socialistas
ACÁCIO LIMA