30 junho 2009

Tinta

 



(Jaclyn Mednicov: stacked)


 


Inclinei-me na manhã que despertava

entornei a tinta com que suspirava pelo dia.


 


Pingos de lentidão pelas gotas de luz

que desloquei para o lado

esperam por mim esta noite

à hora dos encontros sublimes.

 

Pina Baush


 


Dancemos.


 

Dois em um

 


Não consigo perceber o que pretende o Bastonário da Ordem dos Médicos com esta proposta.


 


Acho muitíssimo bem que os Centros de Saúde e que os Hospitais do Estado tenham a possibilidade de ter medicamentos genéricos para dispensarem aos seus doentes. Mas a que propósito seriam os médicos a distribuí-los? Porque não estar lá um farmacêutico a fazer o seu trabalho, a exercer a sua competência?


 


Ou será que as Farmácias vão ter um cantinho para os farmacêuticos fazerem consultas aos seus clientes?


 

29 junho 2009

Ponto/Contraponto

 


Tenho andado sempre atrasada em relação ao que se vai passando, mergulhada que estou no trabalho. Mas hoje vi o tão esperado programa de Pacheco Pereira porque ele no-lo proporciona no seu blogue.


 


É um programa de opinião, da opinião dele, como frisa logo de início.


 


Começa por dedicar o programa a Vitorino Nemésio, porque no tempo de Vitorino Nemésio se dava mais importância às palavras e às conversas do que ao espectáculo, transparecendo sempre o gosto de Vitorino Nemésio por connosco conversar.


 


Não me lembro muito bem como era na altura, mas já vi algumas repetições de fragmentos do mítico Se bem me lembro e não se percebe rigorosamente nada do que Vitorino Nemésio diz.


 


Mas percebeu-se muito bem o que Pacheco Pereira disse a propósito da informação e do que significa informarmo-nos, e ainda melhor o que insinuou.


 


Começou por se lamentar e avisar os incautos da escassa liberdade que existe, a encolher todos os dias; referiu-se a um artigo laudatório sobre o novo porta-voz do PS, classificando-o de má informação; folheou os suplementos do Correio da Manhã para concluir que o suplemento do emprego mostrava um enorme desemprego e o estado do país, que o suplemento fiscal (?) era o espelho da hipoteca dos cidadãos e do estado em que estava o país, e que o suplemento dos serviços sexuais era extraordináriamente grande.


 


Depois deu um exemplo de mau jornalismo a propósito de uma peça no Público sobre as datas das eleições, porque usava a palavra tabu, e um exemplo de bom jornalismo a um artigo do Jornal de Negócios sobre o "negócio" da PT, deixando os leitores muito bem informados sobre quem mandava.


 


Terminou aconselhando um livro (mesmo não ganhando nada com isso) do João Gonçalves, esse mesmo, lendo um texto em que, para variar, o autor dizia mal de Sócrates.


 


Enfim, um programa televisivo de propaganda mal disfarçada e de pouca qualidade. Que saudades do "Vírus", na Rádio Clube Português.


 

28 junho 2009

La Yumla

 



Pablo Veron & Sally Potter


The Tango Lesson


 

Empobrecimento (2)

 


Que me lembre, a eleição do Provedor de Justiça foi sempre resultado de um acordo entre os partidos com representação parlamentar, nunca tendo havido, até agora, mais do que um candidato aquando das eleições.


 


Após o impasse na eleição do Provedor de Justiça que deveria substituir Nascimento Rodrigues, impasse que foi devido à inacreditável imposição do PSD em ser ele a propor um nome para a negociação, Jorge Miranda submeteu-se duas vezes à votação dos parlamentares, votação que perdeu das duas vezes.


 


Depois de o PSD tornar público que nunca aceitaria o nome de Jorge Miranda, pelo simples e transparente facto de se não ter lembrado dele antes do PS, e sabendo que  se iria mantender numa disputa eleitoral impossível de vencer, Jorge Miranda retira a sua candidatura justificando-a com a verdade, a tão propagandeada verdade que Manuela Ferreira Leite admira e persegue.


 


E por isso Jorge Miranda é enxovalhado publicamente, tendo Manuela Ferreira Leite a desvergonha de considerar esta atitude pouco democrática: Uma pessoa rebelar-se quanto ao resultado de uma votação não é próprio da democracia.


 


De facto, não vale a pena haver dedicação à causa pública e ao serviço público, porque quem se presta a eles assim é humilhado. Independentemente da idoneidade de quem será o próximo Provedor, o que não está, obviamente, em causa, todo este assunto revela um empobrecimento da nossa vida política e dos seus protagonistas, com especial relevo para a líder do PSD.


 




 

Empobrecimento (1)

 


Vale sempre a pena ouvir de fio a pavio as entrevistas dos políticos em vez de ouvir apenas o que os comentadores comentam sobre as entrevistas. Tal como aconteceu com José Sócrates, Ana Lourenço conduziu uma entrevista tranquila e sem sobressaltos a Manuela Ferreira Leite.


 


Manuela Ferreira Leite, candidata a Primeira Ministra à frente do PSD, repetiu à exaustão, em toda a entrevista alguns sound bites, como ela gosta de dizer: o endividamento do país, a sua enormíssima preocupação, o empobrecimento do país, e que iria fazer diferente de José Sócrates. Como e em que situações, ninguém ficou a saber.




Sobre os investimentos mais uma vez repetiu que os grandes investimentos (leia-se TGV, aeroporto, 3ª travessia do Tejo e …, não sei mais) não combatem a crise e que não podem ser efectuados por causa do endividamento do país. É claro que o facto de o governo já ter dito e repetido que estes investimentos não servem para combater a crise, mas que são estruturantes e essenciais para a sua modernização e preparação para o futuro, não interessa nada. É melhor repetir a faláciaa verdade de Manuela Ferreira Leite. Quanto ao facto de serem investimentos que já foram resolvidos e combinados há décadas, por vários governos, também não interessa nada. É preciso estudar mais, reavaliar outra vez, porque não têm elementos sobre estes assuntos. Não esqueçamos que não há qualquer economista credível que não concorde com ela. As barragens, como já estão em andamento, já não é possível parar, senão…


 


Claro que o combate ao défice só existiu porque existe défice por culpa do Eng.º Guterres, e se não fosse o governo de Durão Barroso ele estaria muito pior, porque como todos sabemos, Manuela Ferreira Leite só não resolveu as contas públicas porque não teve tempo. E o Eng. Sócrates, que em dois anos reduziu o défice à custa das receitas (disse Manuela Ferreira Leite), com um abalozinho de terra que é esta crise, estragou-se logo tudo.


 


Manuela Ferreira Leite quer é salvar as pequenas e médias empresas, tratando-lhes da tesouraria e, aí sim, indicou uma medida – o estado deve pagar as suas dívidas às empresas, com a qual, aliás, estou totalmente de acordo. Não aumentará os impostos e baixa-los-á logo que lhe for possível. Quais e como e quando não sabe.


 


Em relação à nacionalização do BPN acha que foi precipitada e feita em cima do joelho porque havia alternativas, embora não tenha falado de uma única. Já no que diz respeito ao BPP (cuja falência, como calculamos, causaria um muito maior impacto do que a do BPN, tanto pela altura em que ocorreria como pelas repercussões que teria, muito superiores com o BPP do que com o BPN, sem qualquer dúvida) acha que é uma questão muito preocupante por causa da confiança no sistema financeiro e cito de cor: Não entregamos os nossos filhos a qualquer pessoa nem entregamos o nosso dinheiro a qualquer banco. É claro que o governo agiu horrivelmente mal e que não tomou as devidas providências, tendo-se calado durante 8 meses. Perguntada como teria ela resolvido o problema, ficámos a saber que não se teria calado durante 8 meses…


 


O problema dos apoios sociais é um assunto de que começou a falar há cerca de 1 ano, muito antes do Eng.º Sócrates. O que faria diferente? O mínimo é fazer em vez de dizer que faz, porque não sabe de onde vem o dinheiro que é anunciado pelo Eng. Sócrates. Fará algo com transparência. O quê e como, também não especificou.


 


Terminou com a sua grande preocupação de cidadã pelo facto de haver uma empresa com accionistas, das quais um é o Estado, que se propõe fazer um negócio ruinoso, segundo Manuela Ferreira Leite, pagando por uma empresa 150 milhões de euros com o único objectivo de calar uma voz incómoda na TVI, ou seja duas, a de José Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes, porque quer controlar aquele órgão de informação.


 


Confusos? Defraudados? Não desanimem. Em Julho será publicitado o programa de governo, que não será um calhamaço que ninguém lê. Estarão lá as respostas ao que fazer com a educação – estatuto da carreira docente, avaliação de desempenho, aulas de substituição, inglês obrigatório no 1º ciclo, reorganização das escolas coo o fecho das que tinham menos de 10 alunos; relativamente à saúde – reorganização das urgências e dos cuidados primários de saúde, investimento nos genéricos, manutenção da universalidade do sistema, parcerias público privadas, etc., etc., etc.


 


Apenas temos a certeza de que irá rasgar o que foi feito. E que não julga as pessoas, principalmente quando se chamam Dias Loureiro.


 


Há outra certeza, mas esta é minha – não quero Manuela Ferreira Leite como Primeira Ministra.

 



 

27 junho 2009

H1N1 - actualização

 


Embora neste momento os vírus com que temos de lidar sejam outros e bem mais virulentos, vale a pena irmos acompanhando esta gripe A:


 



 


59.814 casos no total, 263 mortais - mortalidade de 0,4%


 

Letras impossíveis

 



(pintura de Andrew Forkner: Goshawk)


 


Pelas ruas passam esquilos

roendo pedras e sussurros

milhafres de vozes aladas

espalham ventos invernosos.


 


Pelo fundo dos segredos

lemos letras impossíveis

adivinhos de incertezas

esperamos espadas de cinza

lentas sombras invisíveis.

 

Our love is easy

 



 


Deep within your heart, you know it's plain to see

Like Adam was to Eve, you were made for me

They say the poisoned vine breeds a finer wine

Our love is easy


 


f you ask me plainly I would glady say

I'd like to have you round just for them rainy days

I like the touch of your hand, the way you make no demands

Our love is easy


 


Our love is easy

Like water rushing over stone

Oh, our love is easy, like no love I've ever known


 


Physically speaking we were made to last

Examine all the pieces of our recent past

There's your mouth of tears

Your hands around my waist

Our love is easy


 


Every time we meet it's like the first we kiss

Never growing tired of this endlessness

It's a simple thing, we don't need a ring

Our love is easy


 


Our love is easy

Like water rushing over stone

Oh, our love is easy, like no love I've ever known


 


Our love is easy

Like water rushing over stone

Oh, our love is easy, like no love I've ever known


 


Deep within your heart, you know it's plain to see

Like Adam was to Eve, you were made for me

They say the poisoned vine breeds a finer wine


 


(Melody Gardot)

Humildade e sobriedade

 


Estamos a assistir a uma rápida agonia deste governo e deste PS. Ao contrário do que muitos esperávamos e queríamos, desmoronam-se as tibiezas, os recuos, os desmentidos, os ministros que são apanhados pelas curvas do processo eleitoral.


 


Sabe-se mas não se sabe, não se sabe mas decide-se, a vozearia dos telejornais, dos jornais, dos jornalistas, dos comentadores, dos assessores, dos apaniguados, dos abutres, dos emergentes, dos ressuscitados, dos cinzentos, dos economistas, dos oportunistas, das informações e contra-informações, das notícias confirmadas e infirmadas, das inverdades, das humildades democráticas, das arrogâncias sóbrias, dos que rasgam e dos que param.


 


Há documentos que são gritados aos quatro ventos, pelos salvadores da pátria que durante anos estudaram, aconselharam, peroraram e governaram, artigos de jornalistas imparciais que apenas conhecem o lado que se lhe encosta à direita, enquanto outros documentos circulam pela inclandestinidade da internet. Há ministros e governantes que se enrolam nas palavras uns dos outros, nas declarações simultâneas ou diferidas, pelo caminho que mais rapidamente vai dar ao abismo.


 


Deixam-nos com um desassombro e um desalento tão enormes que nem nos apetece falar.


 

Intacta memória

 



poema de Sophia de Mello Breyner


pintura de Emre Hüner


 


Intacta memória – se eu chamasse

Uma por uma as coisas que adorei

Talvez que a minha vida regressasse

Vencida pelo amor com que a lembrei.


 

25 junho 2009

A direita em crescendo

 


Melhor ou pior a estratégia do PSD está a resultar. O PSD invadiu e manipulou a discussão política à volta dos investimentos públicos, a coberto dos grandes investimentos (aeroporto e TGV), da crise e do endividamento externo, vieram à tona os economistas e as suas cautelas de 200 anos, que pedem estudos de estudos, dos estudos que estudarão.


 


A simultaneidade das datas das eleições é agora uma melopeia que agrada apenas oas ouvidos do PSD. O negócio da PT e do grupo da TVI é outro mote que agrada ao PSD e que invadiu os media.


 


Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo vende uma líder sem jeito para falar, que não é vaidosa mas que é verdadeira. Uma mulher casada com a Pátria.


 


O PS está a reboque do PSD. Ninguém discute ou faz balanço das políticas da governação dos últimos 4 anos, na saúde, na educação, na administração pública, etc. Ninguém fala de alternativas ou de programas de governo à direita. O PS não está a conseguir fazer esse balanço e não está a conseguir mostrar que o PSD não tem políticas alternativas. Porque o que o PSD propõe é nada de nada.


 


Que seria de nós se, não havendo capacidade de prover a todas as unidades hospitalares aquilo que todos nós consideramos o estado da arte na totalidade das especialidades, não tivéssemos grupos de ponta ou alguns serviços em que se fizesse investigação, bancos de células estaminais, etc.


 


Além disso há um novo actor em cena, a complementar a peça teatral do PSD – o Presidente da República.


 


O PS parece oprimido e com medo de defender alto e bom som a suas propostas. Se o país não gostar delas votará noutros partidos, mas o PS não pode desistir ou titubear nas suas convicções.


 


Neste momento, o PSD tomou a iniciativa; o PS está parado.

 

21 junho 2009

Todos estamos a assistir

 


É muito difícil falar do que apenas se sabe por filmagens mais ou menos amadoras, mais ou menos imparciais, do que se está a passar no Irão.


 


Mas é muito mais difícil não falar. E o que se passa em Teerão é a repressão da liberdade de manifestação, da contestação ao regime e ao ditador, é aquilo que se passa numa ditadura.


 


Muito mais difícil é ficar indiferente. Felizmente já não é possível impedir que o exterior vá assistindo aos gritos, às balas, às multidões, aos protestos, ao sangue.


 


Todos estamos a assistir.


 


 


Adenda: vale a pena ler este excelente post de A. Teixeira.


 

Abruptamente ao contrário

 



 


É sempre tão fácil falar da liberdade de expressão e do situacionismo quando eles não nos batem à porta.


 


A 1ª página do I é pouco simpática para Pacheco Pereira. Quantas vezes não foi ele simpático para Luís Filipe Menezes? O que é que ele está a pagar? Que vingança é a dos jornalistas que puxaram aquela frase para título, que não tenham puxado outras de Pacheco Pereira, sobre colegas de partido, sobre opositores políticos, etc.?


 


A liberdade de imprensa, para Pacheco Pereira, é algo que está entre publicar o que ele escreve e diz e não publicar quem o contradiz.


 


A propósito: ler Tomás Vasques, Nuno Ramos de Almeida e Fernanda Câncio.


 


 

Prémio Lemniscata

 



 


Carlos Santos, do blogue O valor das ideias que é um blogue de verdadeira informação e debate de ideias, pelos textos profundos e bem fundamentados que escreve, decidiu distinguir-me com o prémio Lemniscata.


 


Para além de ficar muito sensibilizada e vaidosa com o significado que se atribui a este prémio, aproveito para lhe dizer que há blogues muito mais merecedores do que o meu, como decerto descobrirá pelos 7 blogues que, seguindo as regras que se impõem, nomearei.




Para já segue-se este texto explicativo:


 


“O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."


 


Sobre o significado de LEMNISCATA: LEMNISCATA: “curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.”


 


Lemniscato: ornado de fitas - do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores (in Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora).


 


Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente. (Texto da editora de “Pérola da cultura”)


 


Descobri que há várias curvas resultantes de várias equações:



  • a Lemniscata de Bernoulli - (x2 + y2)2 = 2a2 (x2 - y2)


 



  • a Lemniscata de Booth - (x2 + y2)2 +4y2 =4c(x2 - y2)


 


 



  • a Lemniscata de Geronox4 - x2 + y2 = 0


 


 


 


Os 7 blogues que considero terem as características acima descritas são:



  1. blogOperatório

  2. Contra Capa

  3. Delito de Opinião

  4. DER TERRORIST

  5. Herdeiro de Aécio


  6. jugular

  7. Ponto de Cruz


É difícil escolher apenas 7 pois haveria mais a nomear. Agradeço a quem me nomeou e a todos os que me visitam e comentam.


 

20 junho 2009

Ciclos eleitorais

 


(…) Em declarações à Lusa, Silva Lopes rejeitou a utilização do manifesto para efeitos de "luta política". "Tenho algum receio que [o manifesto] seja explorado para a luta política e rejeito esta manipulação. O meu objectivo é puramente técnico", disse. (…) - DN, 20/06/2009


 


Esta notícia parece-me vagamente familiar…


 


Ex-ministros do PS criticam grandes obras

Luís Campos Cunha, Daniel Bessa, Augusto Mateus, Eduardo Catroga, Henrique Medina Carreira, João Salgueiro, Miguel Beleza, Manuel Jacinto Nunes, Miguel Cadilhe, Sérgio Rebelo. (DN, 20/06/2009)


 


Porque será?


 


Economistas portugueses criticam investimento em "grandiosos projectos"

António Carrapatoso, António Nogueira Leite, José Silva Lopes, João Salgueiro, Fernando Ribeiro Mendes, Miguel Beleza, Henrique Medina Carreira, João Ferreira do Amaral, Augusto Mateus e Vítor Bento. (Público, 27/07/2005)


 

Continuam

E continuam. Assassinos travestidos de lutadores pela liberdade e soberania de um povo.


 


E continuam.


 


(via Café del Artista)

São de mulher

 



(pintura de Alia E. El-Bermani: Kitchen Window)


 


São de mulher estas queixas, em frente a um espelho que a deforma, porque por dentro não existem rugas, só as que resultam do amolecimento do amor, da negação da paixão, do adormecimento dos sentidos.


 


São de mulher estas ânsias de olhar-lhe nos olhos e saber que é ele, que será ele sempre, para toda a eternidade, mesmo que essa eternidade se meça em dias ou meses, este estremecimento que aguarda quando lhe toca, quando o cheira, este amansar do desgosto de o saber sem ela, quando se habitam por momentos.


 


São de mulher estes cansaços do que já sabe, do que já mente, do que já arrumou num canto da memória, os gestos iguais, a mesma sombra que a persegue e que é ela própria, num desejo de já não existir.


 


São de mulher estas mesmas sobras que coleccionou pelos anos que lhe pesam, pelos caminhos em contínuo que a sugam, por aquele mar infinito que, inexoravelmente, acabará por escolher mergulhar, até ao adormecimento final.


 

19 junho 2009

Cinzas

 



(pintura de E. B. C. Brown: From the Ashes)

 


É da sombra que me usou

nesse sol desmaiado que me provou

foi de sombra que me enfeitou

nesse sol esparramado que me fustigou

mãos de água tão de leve

na cinza dos teus dedos

mãos de sonho e de neve

guardam os sabores do corpo que esmorece

toldo da alma que me merece

tão fundo e tão forte

como a sombra que me coube em sorte.


 

Até o fim

 



(Chico Buarque & Ney Matogrosso)


 


Quando nasci veio um anjo safado

O chato dum querubim

E decretou que eu tava predestinado

A ser errado assim

Já de saída a minha estrada entortou

Mas vou até o fim


 


Inda garoto deixei de ir á escola

Cassaram meu boletim

Não sou ladrão, eu não sou bom de bola

Nem posso ouvir clarim

Um bom futuro é o que jamais me esperou

Mas vou até o fim


 


Eu bem que tenho ensaiado um progresso

Virei cantor de festim

Mamãe contou que eu fazia um bruto sucesso

Em Quixeramobim

Não sei como o maracatu começou

Mas vou até o fim


 


Por conta de umas questões paralelas

Quebraram meu bandolim

Não querem mais ouvir as minhas mazelas

E a minha voz chinfrim

Criei barriga, minha mula empacou

Mas vou até o fim


 


Não tem cigarro, acabou minha renda

Deu praga no meu capim

Minha mulher fugiu com o dono da venda

O que será de mim?

Eu já nem lembro pronde mesmo que vou

Mas vou até o fim


 


Como já disse era um anjo safado

O chato dum querubim

Que decretou que eu tava predestinado

A ser todo ruim

Já de saída a minha estrada entortou

Mas vou até o fim

 

18 junho 2009

Animal amansado

 


Não foi uma má entrevista. Todos se fixaram na mudança de estilo, de que não gostei. E é natural que se fala apenas disso, pois isso é exactamente o que não interessa.


 


Mas se Sócrates pensa que baixando a voz e a cabeça, sorrindo muito e arrastando as palavras aumenta a votação, está muito enganado. Será sempre atacado: se for animal feroz é ditador, se estiver amansado é fingidor.


 


Eu prefiro animal feroz.


 

Mar azul

 


 



(Cesária Évora & Marisa Monte)


 


 


O... Mar, detá quitinho bô dixam bai

Bô dixam bai spiá nha terra

Bô dixam bai salvá nha Mâe... Oh Mar

Mar azul, subi mansinho

Lua cheia lumiam caminho

Pam ba nha terra di meu

São Vicente pequinino, pam bà braçá nha cretcheu...

Oh... Mar, anô passá tempo corrê

Sol raiá, lua sai

A mi ausente na terra longe... O Mar


 

Da humildade democrática

 


As palavras arrogância e humildade democrática têm voado por muitas bocas, deslizado por muitos dedos, pintado muitas páginas após as eleições europeias.


 


A humildade democrática deveria ser transparente na aceitação dos resultados, nunca na errada ideia de mudar discursos para agradar aos desavindos. A humildade democrática não se demonstra arranjando listas de pecados e erros para que os governantes odiados se penitenciem e se vergastem em público.


 


Quanto à arrogância, talvez não fosse má ideia que os representantes do BE e do PSD se lembrassem que ainda não ganharam as eleições legislativas. É lamentável a insinuação de Manuela Ferreira Leite sobre a irreversibilidade das decisões sobre o TGV, esquecendo-se de tudo o que fez enquanto governante do país.


 


A humildade democrática deveria levar-nos a todos a olhar para os nossos deveres democráticos e a debatermos com seriedade os projectos e as propostas para o país, o resultado das políticas do governo e as alternativas propostas pela oposição. Isso é que é ter respeito pela democracia e pelos eleitores.


 

17 junho 2009

De forma idêntica

 



(pintura de Holly Holmes)


 


De forma idêntica

à das flores

recolhemos ar e sol

que deleitam

e encolhemos de dor

no ruído

que nos liberta.

 

15 junho 2009

Aviso (2)

 


Obrigada a todos pela solidariedade. A decisão de fechar o blogue foi ditada pela minha incapacidade de perceber o que poderia fazer para impedir que alguém se pudesse apropriar do meu nome para insultar outras pessoas. Os objectivos que essa(s) pessoa(s) perseguem são vários, mas não serão atingidos, até porque não é assim que me intimidam.


 


O que me incomoda e me espanta são as poucas armas que temos para lidar com estas situações. A minha ideia era tentar mudar o blogue para outra plataforma e, caso isso fosse mesmo impossível, fechá-lo e, eventualmente, começar outro blogue.


 


Depois de muito pensar e me informar sobre o assunto (santos da casa ainda fazem milagres), percebi que o problema não estava na plataforma blogs.sapo mas sim na wordpress e, se calhar, noutras também. Ou seja, se alguém souber o meu mail, e há um mail público neste blogue, pode fingir que sou eu sempre que quiser comentar num blogue wordpress.


 


Portanto a solução não é mudar de plataforma. E como todos os que me deixaram palavras de carinho, aqui e no mail, eu também penso que a solução passa por esclarecer quem foi incomodado que não fui eu que o incomodei, sem deixar de escrever e actuar sempre e como achar correcto, no blogue, como no resto da minha vida.


 


Há muitas maneiras de pressionar as pessoas, fazer com que se sintam perseguidas e espiolhadas, abanar as suas convicções e as suas (in)certezas. Mas este tipo de mesquinhez e iniquidade, numa coisa com uma tão fraca dimensão como as palavras que se escrevem num blogue, é verdadeiramente pequenino e pobre.


 


Quem me atendeu no suporte do blogue não me soube ajudar nem explicar o que se estava a passar. Não sei se a incapacidade foi dele ou minha, pois estava de cabeça perdida. Sendo assim, e se acaso fui agressiva devido ao meu estado de irritação, aqui peço publicamente desculpa.


 


Para já aqui continuo, a defender o meu (o nosso) quadrado.


 


Adenda: aviso o dono do Bulimunda's Blog que não farei lá nenhum comentário e que os que lá aparecerem com o meu nome não são meus.


 

Aviso (1)

Por muito que me seja impossível de compreender alguém se apossou da minha identidade e tem andado a espalhar comentários por vários blogues. A equipa de suporte até agora não conseguiu fazer nada, a não ser dizer que "é natural"!!!


 


Ao Bulimunda's Blog asseguro que estou a fazer o possível para resolver esta situação, na certeza de que o único comentário que inseri ontem foi para o avisar de que alguém se faz passar por mim.


 


 


Se souberem o que fazer para me ajudar, agradeço.


 


Adenda: acabaram de me dizer, da equipa de suporte, que não se pode fazer nada. Vou, portanto, acabar com o blogue.

14 junho 2009

Piensa en Mi

 



(Luz Casal)


 


Si tienes un hondo penar, piensa en mi

Si tienes ganas de llorar, piensa en mi

Ya ves que venero tu imagen divina

Tu parvula boca, que siendo tan niña

Me enseñó a pecar


 


Piensa en mi cuando sufras,

Cuando llores, también piensa en mi,

Cuando quieras quitarme la vida

No la quiero, para nada

Para nada me sirve sin ti.


 


Piensa en mi cuando sufras

Cuando llores, también piensa en mi,

Cuando quieras quitarme la vida

No la quiero, para nada,

Para nada me sirve sin ti.


 

Movimento pela Igualdade

 


A petição on-line pela igualdade de acesso ao casamento civil por pessoas do mesmo sexo teve, de início, a minha oposição. Não porque não concorde que os homossexuais não devam casar. Acho que as pessoas devem escolher com quem querem estar, independentemente do sexo, e devem escolher o tipo de contrato que querem estabelecer com essa pessoa, formalizá-lo ou não, fazerem festa de chapéu e grinalda, de véu e colarinho, de champanhe ou cerveja a dois, o que lhes apetecer.


 


Mas não me parecia, tal como ainda não me parece, que seja um problema que preocupe pela nossa sociedade e acho que há assuntos muito mais urgentes a resolver, tais como a desigualdade efectiva entre géneros no que diz respeito à remuneração no trabalho, no maior perigo de desemprego para as mulheres, na crescente xenofobia e discursos anti-imigração, na crise dos valores da liberdade de expressão, com a confusão cada vez maior entre o estado e as religiões, enfim, muitas outras preocupações que se devem agendar para uma campanha eleitoral.


 


Mais ainda agora que começamos a campanha para as legislativas, que atravessamos uma enorme crise financeira e social, em que devem ser transparentes as diferenças entre a esquerda e a direita, discutir as funções do estado, o papel da escola pública na sociedade portuguesa, o SNS e a sua sustentabilidade, a segurança social, a política externa, nomeadamente a europeia, como ultrapassar o impasse da morte dos Tratados Constitucional e de Lisboa, para quando e como a reforma administrativa do território, a reforma da lei eleitoral, a reforma do sistema de justiça, o problema da independência e da qualidade da informação, etc., etc., etc.


 


Mas na base de tudo está a liberdade. A liberdade de expressão, a liberdade de amar quem se quer, a liberdade de escolher como viver.


 


Por isso, e por uma questão de princípio, mesmo que pense que as opções da sexualidade e da forma como se vivem é da esfera privada de cada um, assinei a petição on-line e juntei-me ao Movimento pela Igualdade.


 



 

Irão

 



 


Eleições aguardadas com ânsia e emoção. Num país teocrático seria difícil que não ganhasse o candidato apoiado pelo ayatollah.


 


Pelo menos toda a comunidade internacional pode ver, apesar dos esforços de censura do candidato que se diz vencedor. Viva a internet e a capacidade dos blogues, do YouTube, do Twitter, do facebook e a coragem de quem se manifesta com risco da própria vida.


 


Pode ser que alguma coisa mude. Há pressões para que se repitam as eleições.


 



(a partir do Arrastão)

Liberdade de expressão


 


Comecei este blogue a 5 de Novembro de 2005, um dia depois da apresentação da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República, que apoiei entusiasticamente.


 


Senti que havia um espaço de intervenção cívica que eu poderia usar. Nunca me filiei em qualquer partido político por opção mas, sempre que posso e julgo útil, tento participar em tudo o que diz respeito à nossa vida comunitária. Porquê? Não sei bem, talvez porque goste de debater e expor as minhas opiniões e também porque acho que é um dever de todos os que acreditamos na democracia.


 


Fui aprendendo a olhar para a blogosfera como uma forma de me informar e de, naquilo que posso, informar também, um espaço de debate público que se vai atrofiando noutras esferas, uma forma de divulgar música, poesia, de conhecer outras opiniões, outras poesias, outras músicas, outros olhares.


 


Apercebi-me também da enorme agressividade e voracidade de pessoas que, não assumindo a sua identidade, pululam pelas caixas de comentários destilando ressentimentos, frustrações, má educação e má formação. Mas em tal quantidade que chega a assustar. Não percebo se são casos psiquiátricos ou se são uma forma estudada e combinada de pressionar para que deixe de se dizer aquilo que se diz.


 


Quando leio e ouço figuras com responsabilidade falarem da falta de liberdade de expressão e do medo que se sente em Portugal, fico espantada. Talvez olhando para o que se passa no Irão se perceba o que é, de facto, uma ditadura. O que falta em Portugal é o hábito de debater assuntos e opiniões, ideias e pensamentos, sem se denegrir e atacar quem os emite quando faltam os argumentos.


 


Pois eu continuarei a expor aquilo em que acredito. Não me deixo atemorizar por gente sem escrúpulos, com fraco entendimento do que é pensar e debater ideias e cuja percepção da democracia é insultar tudo e todos, a coberto do anonimato. A isso chamo falta de carácter e cobardia.


 


Adenda: pelo facto de haver uma pessoa que pretende usar o blogue para uma espécie de perseguição pessoal, o assunto deixou de ser apenas sobre a loucura e passou a ser policial. Quando recebo mensagens destinadas a endereços que não são públicos, passamos a estar perante aquilo que em inglês se designa por "stalker". Assim apaguei todos os comentários desse "comentador". Peço desculpa aos colateralmente afectados. 


 

13 junho 2009

Canção à Inglesa

 



Desenho de Almada Negreiros: Fernando Pessoa


Poema de Álvaro de Campos a 01/12/1928

 


Cortei relações com o sol e as estrelas, pus ponto no mundo.

Levei a mochila das coisas que sei para o lado e pró fundo

Fiz a viagem, comprei o inútil, achei o incerto,

E o meu coração é o mesmo que foi, um céu e um deserto

Falhei no que fui, falhei no que fiz, falhei no que soube.

Não tenho já alma que a luz me desperte ou a treva me roube,

Não sendo senão náusea, não sou senão cisma, não sou senão ânsia,

Sou uma coisa que fica a grande distância

E vou, só porque o meu ser é cómodo e profundo,

Colado como um escarro a uma das rodas do mundo.


 

I've got you under my skin

 



Cole Porter


canta: Frank Sinatra


 


 


I've got you under my skin

I've got you deep in the heart of me

So deep in my heart, that you're really a part of me

I've got you under my skin


 


I've tried so not to give in

I've said to myself this affair never will go so well

But why should I try to resist, when baby will I know than well

That I've got you under my skin


 


I'd sacrifice anything come what might

For the sake of having you near

In spite of a warning voice that comes in the night

And repeats, repeats in my ear


 


Dont you know you fool, you never can win

Use your mentality, wake up to reality

But each time I do, just the thought of you

Makes me stop before I begin

cause I've got you under my skin.

 

Carreiras Médicas


 


Chegou-se a um acordo entre os sindicatos médicos e o ministério da saúde, para a revisão das carreiras médicas. Foram assinados por todos e redigidos os decretos-lei que já foram aprovados em Conselho de Ministros.


 


Parece uma excelente notícia. Não houve contestação nas ruas, nem greves, nem palavras azedas ou destemperadas. Óptimo.


 


Analisemos então a conquista:



  1. A qualificação médica (QM) é constituída por dois graus que são atribuídos pelo Ministério da Saúde (MS) e reconhecidos pela Ordem dos Médicos (OM). A passagem do 1º (Especialista – após conclusão do Internato Complementar) para o 2º (Consultor) é feita mediante provas públicas.

  2. A carreira médica (CM) passa a ser única (Saúde Pública, Clínica Geral e Hospitalar) e estrutura-se em 3 categorias: Assistente (concorre-se a Assistente com o grau de Especialista); Assistente Graduado (concorre-se a Assistente Graduado com o grau de Consultor) e Assistente Graduado Sénior (concorre-se a Assistente Graduado Sénior com o grau de Consultor e tendo 3 anos de exercício de Assistente Graduado).


Até agora as diferenças são praticamente inexistentes. Não se diferenciava QM de CM mas, na prática, é a mesma entidade que assegura as duas o MS com o reconhecimento da OM), tal como anteriormente. Quanto aos graus da CM são 3, idênticos aos já existentes mas com nomes distintos (em vez de Assistente Graduado Sénior era Chefe de Serviço).


 


A passagem do 1º para o 2º grau é feita mediante prestação de provas públicas; a passagem do 2º para o 3º grau apenas especifica 3 anos de permanência no 2º grau. Neste caso deixa de haver provas públicas obrigatórias para se passar do 2º para o 3º grau o que, quanto a mim, é um retrocesso e não dignifica a CM.


 


Quanto ao horário de trabalho ele mantém-se com base nas 35 horas semanais. Não consigo compreender este horário. Se for verdade que a interpretação da lei no que diz respeito às incompatibilidades dos trabalhadores da função pública for literal (Lei 12-A/2008 de 27 de Fevereiro), Artigos 25º a 29º), significa que se obrigarão os médicos à exclusividade de funções com um horário de 35 horas semanais. Qual a vantagem? Manter os hospitais, CS, etc. a funcionarem meio-dia? Complementar o ordenado dos médicos, que será previsivelmente baixo com a contratação de horas extra? Ou manter uma interpretação da lei que permita a acumulação de funções públicas e privadas?


 


Por outro lado o regime de contratação colectiva terá hipótese de, nos hospitais EPE e nas PPP, fazer acordos de horários de diferentes e com remunerações diferentes. Se esta negociação foi para garantir a existência de CM em todo o universo do SNS, qual o motivo de manter um horário de base irrealista, que conferirá baixas remunerações e manterá tudo na mesma?


 


Além do mais tudo o que diz respeito a remunerações, horas extra, etc., ainda está por negociar.


 


Devem estar a escapar-me muitas coisas mas temo que esta tenha sido mais uma oportunidade perdida na reforma e reorganização do SNS, no que diz respeito aos médicos, mantendo-se o limbo e uma ténue linha de fronteira entre o público e o privado, deixando-se a interpretações que levantarão polémica o sistema de incompatibilidades e a exclusividade de funções, quando era a altura ideal para assumir politicamente essa escolha.


 


Vamos portanto continuar a ter uma CM assente em graus em que se diminui a exigência para a passagem do 2º para o 3ºgrau, e um horário base que não serve o serviço público, com previsíveis remunerações baixas que, assim sim, poderão deixar que muitos médicos se deixem seduzir por melhores salários no sistema privado.


 


Espero bem que esteja enganada. 


 



 

12 junho 2009

Extrema-esquerda

 



 


Vale a pena ler com muita atenção a entrevista que Francisco Louçã dá ao i. De uma coisa ninguém o pode acusar: de não expor as suas ideias.


 


Mas se alguém tem esperanças quanto à possibilidade de coligações pós-eleitorais com o PS para viabilizar um governo de esquerda, é melhor desenganar-se.


 


Francisco Louçã está crente de que apenas a vitória da esquerda grande, que ele situa à esquerda do PS, com o BE no centro, talvez com o contributo do PCP, será o único resultado que o (ele e/ou BE) levará para o governo.


 


Portanto teremos, nas propostas de Francisco Louçã, um governo que defende a saída de Portugal da NATO, cujas Forças Armadas devem ter funções especializadas, como o controlo das águas territoriais., não sabemos quais são as outras, porque Há muitas funções que não são armadas. A promoção da cultura, do cinema, é soberania portuguesa. Recusamos completamente qualquer política de ocupação colonial. As Forças Armadas estão a ser submetidas à vergonha de estar a defender um governo de traficantes de droga no Afeganistão, no âmbito da NATO. É uma degradação civilizacional absoluta a situação em que estão as forças armadas portuguesas.


 


Já começou a campanha eleitoral para as legislativas. É hora de pressionar o governo para conseguir que este recue e abra as portas para a concertação que interessa a algumas corporações conservadoras. Mário Nogueira e a FENPROF vêem a hipótese de destruir o estatuto da carreira docente e a avaliação de desempenho.


 


O BE pode ter funcionado como o PRD. Em eleições legislativas, será que há espaço para confiar no BE para governar um país democrático, que está integrado na Europa, que tem alianças a respeitar e a dignificar? Voltamos à retórica das nacionalizações?


 


O PS não tem por onde escolher. Tem que ser o PS a congregar e a motivar todos os que se revêem na esquerda democrática, tem que demonstrar e convencer os descontentes da justeza e da inevitabilidade de certas medidas, da importância dos resultados, muitos ou poucos, tem que demonstrar que é o interesse nacional e uma ideologia que o guia e não manobras eleitoralistas.

 

11 junho 2009

O respeitinho é muito bonito

 


Há cerca de mês e meio correu uma querela entre dois bloguers a propósito de uma avaliação de desempenho dos deputados europeus, feita por um deputado italiano e publicada no site parlorama.eu, à qual já me referi, tendo assistido espantada à virulência com que Sérgio Ribeiro se referiu a A. Teixeira, atacando os critérios que tinham servido de base a essa classificação, defendendo que os deputados deveriam ser avaliados em conjunto (os do PCP, os do PS, etc.) e não individualmente. O outro bloguer foi apelidado de anticomunista primário e de estar de má fé, por ter destacado a boa prestação dos deputados portugueses, referindo que alguns, entre os quais Sérgio Ribeiro, estavam mal colocados na tabela.



Eis senão quando, no último Avante, sai um artigo em que se exaltam precisamente os deputados comunistas (e outros), referindo-se elogiosamente a classificação seguida pelo site que, entretanto, regressara à actividade.



Como é natural, perguntei a Sérgio Ribeiro o que tinha a dizer sobre este artigo. De uma forma um pouco esquizofrénica, Sérgio Ribeiro responde uma coisa publicamente no blogue e outra num email que me enviou, procurando transformar em privado aquilo que sempre quis que fosse público. Além disso não responde à minha questão, apenas se queixa de que eu já o tinha acusado e condenado sem apelo.



De facto, a mediocridade de Sérgio Ribeiro reside na forma como reage a estas situações. Se era tão frontalmente contra aquele tipo de avaliação de desempenho, porque não o continua a assumir, agora que foi o Avante a aproveitar-se dela em termos elogiosos? Passou a concordar? Então o que tem a dizer do seu próprio desempenho? Continua a discordar? Então porque não mimoseou o autor do artigo do Avante com os mesmos adjectivos com que tinha mimoseado o outro bloguer? Ou será que retira as críticas que fez a A. Teixeira – leviano, preconceituoso e enfatuado, o resto é ou analfabetismo, ou iliteracia, ou ignorância, ou estupidez, ou má-fé, ou um pouco de tudo, etc.?



Infelizmente é quase sempre esta a tónica dos elementos do PCP. A verdade a que temos direito e o centralismo democrático, a superioridade moral dos comunistas e o apoucamento de quem ousa dizer o contrário.



Pois é bom que se repita, independentemente da opinião do Avante, que os deputados europeus de Portugal são dos melhores, nomeadamente os do PCP, havendo alguns piores, nomeadamente do PCP.


 


Haverá outros critérios de classificação tão ou mais válidos que este? Sem dúvida. Então quem os tem que os mostre e os defenda.

 

Algumas notas

 


Como muitos já lembraram, a homenagem a Salgueiro Maia soube a má consciência. Os heróis portugueses têm o péssimo hábito de não acertar o passo com os poderes.


 


Mas há sempre a galeria bem composta de homenageados que, estou convencida, nem eles próprios percebem o motivo das condecorações e do reconhecimento medalhante da nação.


 


Parece que o Conselho de Estado se volta a reunir, depois de uma pausa sabática, em que esperava a saída airosa de Dias Loureiro.


 


E é claro que o objectivo de tanta queixa só poderia ser o proibicionista. De facto as sondagens não são politicamente inócuas. Mas se calhar o CDS deveria agradecer a baixa intenção de votos que lhe prediziam: todos os que queriam um CDS mais forte correram às urnas. A democracia é um regime muito impertinente.


 

10 junho 2009

Símbolos

 



 


Não haverá melhor dia para propor uma mudança dos símbolos nacionais do que o dia de Portugal. Embora os símbolos não estejam obrigados a modas passageiras nem tenham épocas, o nosso hino foi elaborado com uma intenção e para uma realidade que já não existe.


 


Tal como Alçada Baptista sugeriu em 1997, porque não mudar o hino?


 


Mesmo tendo sido quase trucidada quando coloquei esta hipótese, mesmo fazendo parte de uma minoria oprimida e marginalizada (cá em casa, pelo menos), vou lançar este tema fracturante, ao mesmo tempo estimulante, pois podemos emprestar a nossa arte ao patriotismo e às frases heróicas, desfiando alguns blogues a proporem um novo hino e, se quiserem, outra bandeira.


 


Quem quiser ser original, quem quiser aproveitar poemas doutros bardos, está à vontade. Quem não quiser prescindir d’ A Portuguesa e desta bandeira, pois que vocifere e exponha as suas razões (de uma forma pouco bélica, porque aqui não há canhões).


 


Eu posso começar:


 


A Fala


 


Sou de uma Europa de periferia

na minha língua há o estilo manuelino

cada verso é uma outra geografia

aqui vai-se a Camões e é um destino.


 


Velas veleiro vento. E o que se ouvia

era sempre na fala o mar e o signo.

Gramática de sal e maresia

na minha língua há um marulhar contínuo.


 


Há nela o som do sul o tom da viagem.


O azul. O fogo de Santelmo e a tromba

de água. E também sol. E também sombra.


 


Verás na minha língua a outra margem.

Os símbolos os ritmos os sinais.

E Europa que não mais Mestre não mais.

 


(poema de Manuel Alegre)


 

Notícias da gripe

 


A gripe A, causada pelo vírus H1N1, continua a espalhar-se. No entanto, a mortalidade associada aos casos reduziu-se (quanto maior o número de casos, mais fidedigna a estatística) - 27.737 casos, 141 mortais, o que corresponde a 0,5% de mortalidade.


 


Vale a pena estarmos atentos às notícias. O problema pode tornar-se mais sério na altura em que se iniciar o Inverno. Com vários tipos de vírus espalhados pelo mundo, como se misturarão? Sofrerão mutações? Qual o comportamento biológico e a resposta imunitária dos hospedeiros?


 


Vigilantes e informados, é assim que todos deveremos estar. Entretanto fazem-se pesquisas quanto a vacinas e a anti-virais.


 



 

Adamastores

 



(escultura de Júlio Vaz: Adamastor)


 


O que é Portugal hoje? Quem são os portugueses? De que comunidades falamos? Quem são os que se revêem na obra de Camões?


 


É estranho este emaranhado de gentes, que se virou para fora, permanecendo virada para dentro, que deu novos mundos ao mundo, quando desconhece e despreza o seu mundo, que se mistura, se solidariza, se dá, e simultaneamente se entrega e cultiva os sentimentos de isolamento e solidão.


 


Este é o dia em que nos deveríamos repensar colectivamente, como um povo migrante, que assume e absorve o que é novo, que não se basta, que sonha, mas que vive de costas voltadas com a sua própria incapacidade e inaptidão para mudar, para vencer os inúmeros velhos do Restelo que nos habitam.


 


Este é o dia de grandes discursos e eloquentes palavras, de alheamentos estivais e lamentos perpétuos.


 


Portugal tem os seus dias de triunfo e de desastre, neste dia de evocação do que de melhor temos e de expiação do que de pior somos. Somos um povo livre que procura, como sempre, enfrentar os seus Adamastores.


 


Adenda: ler o excelente discurso de António Barreto.

 

Rescaldo

 


Tenho lido e ouvido inúmeras reacções, considerações e confabulações sobre os resultados eleitorais. Há quem rejubile e sonhe com o regresso do PSD/CDS ao poder, há quem rejubile e sonhe com as ruas cheias de manifestantes exigindo aquilo que lhes foi negado até agora, há quem preveja o mais negro futuro e a mais instável instabilidade.


 


De facto, muita coisa mudou com as eleições, mas sempre muda. Podemos estar mais ou menos aleta, mas sempre que os eleitores se exprimem os representantes devem observar e pensar.


 


A abstenção foi grande mas, tal como já li, quem se absteve foi porque não quis votar. Sendo assim o seu não voto não conta.


 


Os votos em branco e nulos foram imensos. Parece-me significativo. Tal como a dona do café das minhas manhãs de fim-de-semana, que me disse que não fazia ideia em quem votar, terá havido muitíssimas pessoas que não se revêem nas propostas ou nas políticas seguidas pelos partidos concorrentes. Ou que não gostam de nenhum deles, por razões diversas e muitas vezes antagónicas.


 


O PSD ganhou estas eleições. Perfilam-se já no horizonte, todos os que se arredaram de Manuela Ferreira Leite à espera da derrota. E vão-se mostrando os regressados da direita, como Bagão Félix e Santana Lopes. Paulo Rangel vai mostrando de que é feito, basta ver as afirmações dele em relação à lei do financiamento dos partidos, vetada por Cavaco Silva.


 


O CDS vislumbra uma perspectiva de regressar ao poder. Portas soma, segue e continua.


 


O BE ganhou 3 deputados, uma enormidade de votos e uma hipótese de viabilizar um governo de esquerda nas próximas legislativas. Mas para tanto terá que reciclar o populismo e a demagogia que nos encheu os écrans na noite das eleições. Também o BE precisa de uma substituição de rostos – deixar cair Luís Fazenda e Francisco Louçã, por exemplo. O primeiro reafirmou de novo que o BE não se dispunha a coligar-se com o PS, enquanto houve sinais de abertura a essa possibilidade por parte de Fernando Rosas.


 


O PS perdeu pesadamente. Sócrates disse o que tinha que dizer. Ou o governo tem um cunho reformista e está convencido das suas razões, o que me leva a admitir que terá que mudar na forma e não no conteúdo, ou passará a guinar para o lado donde lhe parece que virão mais votos e isso só lhe tirará credibilidade e será contraproducente. E que tal se Sócrates olhasse em volta e substituísse alguns dos seus fantásticos apoiantes por outros menos fantásticos mas mais sérios? E nada de começar a falar nas esquerdas plurais e nos companheiros e companheiras. Isso soa a oco e é oco.




O acordo assinado entre os sindicatos médicos e o ministério da saúde, em que se deixou cair a necessidade de trabalho a tempo inteiro e dedicação exclusiva aos hospitais públicos, mantendo o status quo, será um exemplo das meias tintas de que fala o Saúde SA? As mais do que previsíveis manifestações de professores farão recuar o governo? Será este o caminho do PS até às eleições?


 


Duma coisa estou certa. Vai haver grande animação. É, pelo menos, uma oportunidade de se discutir política e alternativas. Espero que o governo e o PS tenham cabeça fria e visão das necessidades do país. As falinhas mansas não me parecem boas conselheiras.

 

07 junho 2009

No resto da Europa

 


Parece que os líderes de direita se aguentaram - Sarkozy e Merkel. Rajoy, Manuela Ferreira Leite e os conservadores ingleses ganharam. A Europa vira à direita em tempos de profunda crise financeira e social.


 


Dá que pensar.


 

Continuemos, pois

 



 


Neste momento já não há quaisquer dúvidas.


 


O PSD é o ganhador da noite, principalmente de Manuela Ferreira Leite e de Paulo Rangel. Escolheram uma estratégia ganhadora, tem 3 a 4% a mais de votantes e mais deputados eleitos (1 ou 2). Rui Rio, António Borges e Pedro Passos Coelho podem ver as suas hipóteses de liderarem o PSD reduzidas após esta vitória do PSD.


 


Por outro lado, tendo sido estas uma primárias das legislativas, o PSD tem sérias hipóteses de ganhar as legislativas, facto que há 2 meses era impensável.


 


O BE é outro dos ganhadores da noite. Poderá ultrapassar o PCP e terá 2 ou 3 deputados eleitos. Beneficiou do grande desgaste do PS e da oposição a Sócrates dentro do PS.


 


O PCP perde politicamente e o CDS aguenta-se.


 


O grande perdedor é o PS. Perdeu as eleições europeias e fica com sérias dificuldades para os próximos 2 actos eleitorais.


 


Em democracia as propostas vão a votos e a governação vai a votos. O povo é soberano. O PS não tem que pedir desculpa pela sua governação nem pelas suas propostas, tem que defender aquilo em que acredita. Desde o início da legislatura o PS tentou reformar em várias frentes e prosseguiu o seu programa que foi sufragado pelos eleitores.


 


Ao contrário do que Paulo Rangel está a dizer, o PS tem um mandato para cumprir até ao fim e haverá eleições legislativas, em Outubro. Até lá o governo tem legitimidade para governar e não para congelar a governação, à espera das legislativas.


 


Paulo Rangel teve uma grande vitória e é natural que capitalize com isso. mas Sócrates tem mais alguns meses para governar. Se estivesse em causa a sua legitimidade, Paulo Rangel deveria ter pedido a sua demissão.


 


Se em Outubro ganhar o PSD, Portugal será governado à direita, apesar de ter mais votos à esquerda.


 


Continuemos, pois.


 

Noite eleitoral

 



 


Pois eu tenciono divertir-me, irritar-me, consternar-me, como se espera desta noite, como em todas as outras noites eleitorais.


 


Já temos os palpites de todos, quadros e gráficos a preceito, argumentos já testados, outros de que nos lembraremos, para justificarmos, analisarmos, dissecarmos os resultados.


 


Já nos abastecemos de petiscos, que esta é sempre uma boa desculpa para nos irmos empanturrando, de alegria ou tristeza.


 


Cada qual com as suas esperanças, amores e ódios de estimação, cá estaremos a torcer por uma noite histórica, importante, estafante, preparando as armas para a próxima refrega.

 

Why don't you do right

 


 



(Peggy Lee)


 


You had plenty money, 1922

You let other women make a fool of you

Why don't you do right, like some other men do?

Get out of here and get me some money too


 


You're sittin' there and wonderin' what it's all about

You ain't got no money, they will put you out

Why don't you do right, like some other men do?

Get out of here and get me some money too


 


If you had prepared twenty years ago

You wouldn't be a-wanderin' from door to door

Why don't you do right, like some other men do?

Get out of here and get me some money too


 


I fell for your jivin' and I took you in

Now all you got to offer me's a drink of gin

Why don't you do right, like some other men do?

Get out of here and get me some money too

 


 


Why don't you do right, like some other men do?

Like some other men do

 

Europeias: afluência às urnas às 12:00 era de 11,8%

 


Europeias: afluência às urnas às 12:00 era de 11,8%


 


É bom que possamos ver as coisas também do outro lado. Do lado daqueles que se disponibilizam para nos convencer das suas razões, para nos dizerem das suas ideias, para se destratarem, para mostrarem que cá estão para nos representarem.


 


Gostemos mais ou menos eles não se abstêm. Ouvem e aturam todas as queixas, todas as acusações, umas mais justas, outras obviamente injustas.


 


A nossa obrigação é fazer com que o seu esforço tenha valido a pena. Que quando assumirem as suas opiniões saibam que estão, legitimamente, a representar o seu país.


 


Porque a legitimidade têm-na sempre, quer as eleições tenham uma afluência de 20 ou de 80%. O seu esforço foi o meritório. O nosso é que não.


 

A Bia da Mouraria

 



António José (letra)


Nóbrega e Sousa (música)


Carminho (voz)


 


 


Lá vai a Bia que arranjou um par jeitoso,


É vendedor como ela ali para o em Formoso.


São dois amores, duas vidas tão singelas,


Enquanto ela vende flores o Chico vende cautelas.


 


Na Mouraria só falam do namorico


A Bia namora o Chico, as conversas são iguais.


Ai qualquer dia, Deus queira que isto não mude


Que a Senhora da Saúde vai ser pequena de mais.


 


O casamento já tem data marcada


Embora qualquer dos noivos tenha pouco mais que nada.


Vai ter a Bia, a festa que ela deseja,


Irá toda a Mouraria ver o casório na igreja.


 


 

Mesa eleitoral


 


Desde a primeira vez que votei, sempre na mesma freguesia, na mesma escola primária, já subi 3 mesas: voto na 4 quando iniciei a minha actividade de votante na 7.


 


Só significa que estou muito mais velha e que há muitos mais novos para exercerem o seu direito. A democracia que se perpetua e renova em cada acto eleitoral.


 


É quase um acto litúrgico, tão importante, domingueiro e bem disposto como quem gosta de assistir à missa. De facto, cada um mistifica o que entende e os deuses são múltiplos, diferentes, mais celestiais ou mais terrenos.


 


Agora resta esperar pelos resultados. E nãos nos enganemos, tudo muda embora tudo possa parecer igual no fim de cada eleição.


 


Eu já votei. Não fiquem em casa. Participem.


 


Adenda: leiam este texto dos Caminhos da Memória.


 

06 junho 2009

Desafios

Que gostaria de fazer antes de morrer? Sobretudo viver intensamente: amar muito, viajar muito, trabalhar muito, escrever muito, tudo… muito e, sem saber que morria, morrer.


 


 


Passo esta pergunta a JA, Ana Marques Pereira, António P e A. Teixeira. Neste dia de reflexão há muitas e variadas coisas para ponderar.

 


 


Pede-me a Eugénia de Vasconcellos que enumere 5 gostos e outros tantos blogues no feminino que tenham 5 qualidades que aprecio. Pois quantas e de que quilate são as qualidades, não sei, mas que gosto delas, não se discute:



Quanto ao que gosto mesmo de encontrar e de ler:



  • Sentido de humor

  • Textos bem escritos

  • Coisas com sentido

  • Surpreender-me

  • Disparatar


E muito mais, mas que agora também não vem ao caso.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...