Há cerca de mês e meio correu uma querela entre dois bloguers a propósito de uma avaliação de desempenho dos deputados europeus, feita por um deputado italiano e publicada no site parlorama.eu, à qual já me referi, tendo assistido espantada à virulência com que Sérgio Ribeiro se referiu a A. Teixeira, atacando os critérios que tinham servido de base a essa classificação, defendendo que os deputados deveriam ser avaliados em conjunto (os do PCP, os do PS, etc.) e não individualmente. O outro bloguer foi apelidado de anticomunista primário e de estar de má fé, por ter destacado a boa prestação dos deputados portugueses, referindo que alguns, entre os quais Sérgio Ribeiro, estavam mal colocados na tabela.
Eis senão quando, no último Avante, sai um artigo em que se exaltam precisamente os deputados comunistas (e outros), referindo-se elogiosamente a classificação seguida pelo site que, entretanto, regressara à actividade.
Como é natural, perguntei a Sérgio Ribeiro o que tinha a dizer sobre este artigo. De uma forma um pouco esquizofrénica, Sérgio Ribeiro responde uma coisa publicamente no blogue e outra num email que me enviou, procurando transformar em privado aquilo que sempre quis que fosse público. Além disso não responde à minha questão, apenas se queixa de que eu já o tinha acusado e condenado sem apelo.
De facto, a mediocridade de Sérgio Ribeiro reside na forma como reage a estas situações. Se era tão frontalmente contra aquele tipo de avaliação de desempenho, porque não o continua a assumir, agora que foi o Avante a aproveitar-se dela em termos elogiosos? Passou a concordar? Então o que tem a dizer do seu próprio desempenho? Continua a discordar? Então porque não mimoseou o autor do artigo do Avante com os mesmos adjectivos com que tinha mimoseado o outro bloguer? Ou será que retira as críticas que fez a A. Teixeira – leviano, preconceituoso e enfatuado, o resto é ou analfabetismo, ou iliteracia, ou ignorância, ou estupidez, ou má-fé, ou um pouco de tudo, etc.?
Infelizmente é quase sempre esta a tónica dos elementos do PCP. A verdade a que temos direito e o centralismo democrático, a superioridade moral dos comunistas e o apoucamento de quem ousa dizer o contrário.
Pois é bom que se repita, independentemente da opinião do Avante, que os deputados europeus de Portugal são dos melhores, nomeadamente os do PCP, havendo alguns piores, nomeadamente do PCP.
Haverá outros critérios de classificação tão ou mais válidos que este? Sem dúvida. Então quem os tem que os mostre e os defenda.
Não tinha tido conhecimento deste episódio. Li todos os comentários. E houve um que me suscitou muito interesse:
ResponderEliminar"O 25 de Novembro foi só um contratempo, ainda podemos reconstruir o muro e o Ceausescu pode ressuscitar de um momento para o outro. Vamos acabar de vez com o Liberalismo, assando os burgueses e o patronato numa grande e mágica fogueira vermelha, nacionalizando todos os sectores da actividade económica produtiva, revitalizando as nossas UCP's, expropriando terrenos aos agricultores amantes da posse sobre o instrumento de trabalho. Vamos mostrar aos Teixeiras deste mundo a força da Ditadura do Proletariado e da ampla multidão de amplos 7% de vontantes que nos seguem. Vamos acabar com esta sociedade que deixa que tipos como este nos confontem com a nossa prestação num cargo público a título individual e com um critério externo, ainda por cima comparado com um deputado do PPD, fascista e anti-revolucionário, que só por ser desse grupo de larápios já devia estar em 921º lugar."
É confrangedor saber que há em Portugal quem proclame a liberdade e não a pratique em aspectos tão simples como no respeito pela opinião dos outros. Essa foi uma lição que alguns comunistas não apreenderão. E eu que sou da Marinha Grande, falo com conhecimento de causa.
Por outro lado, acredito que este tipo de postura e de opinião acabará, com o tempo, por se tornar residual e insignificante. Não fosse o 25 de Novembro ou, tal como refere orgulhosamente o supracitado militante comunista, e teríamos mudado para outro tipo de ditadura. E eu gosto tanto de viver em liberdade!
Visto daqui, dá para ver a léguas que aquele comentário é ironia de uma ponta á outra. Nenhum comunista escreveria, parece-me a mim, "ampla multidão de amplos 7% de votantes que nos seguem".
EliminarMargarida, eu interpretei o comentário de Fernando Garrido como uma ironia, aliás bastante bem escrita e certeira.
EliminarMas é verdade que há quem proclame a liberdade quando defende valores ditatoriais, à esquerda e à direita.
"Essa foi uma lição que alguns comunistas não apreenderão". Um lapso de linguagem: não apreenderam, nem apreenderão...
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ResponderEliminarComo sabe
respeito e aprecio a sua poesia
o mesmo não poderei dizer
da sua apreciação anti-comunista
àcida
e assim as suas apreciações políticas
são de uma militante socialista arrependida
mas sempre disponível e obrigada
A minha acidez, Eufrázio , é para aqueles que se julgam moralmente superiores aos outros, é para os que atacam as pessoas não lhes reconhecendo razão. Eufrázio , eu só sou anti hipocrisia e apoucamento mental, seja dos comunistas, socialistas ou liberais.
EliminarNão sou militante de nenhum partido, mas sou socialista sim, sem qualquer obrigação, apenas por gosto e convicção.