31 outubro 2017

Do anedotário nacional (1)

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 Tancos: assaltantes devolveram uma caixa a mais

Um dia como os outros (179)

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Uma declaração de independência que não foi, porque seguiu-se a respetiva suspensão, tem agora uma independência que não o é, porque os independentistas vão a eleições que, afinal, lhe são permitidas pelos colonizadores, que não o são. Nem burlesco de Cervantes nem surrealismo de Dalí, mas, como prova de que o nacionalismo, hoje, está ultrapassado, uma chanchada brasileira. Catalunha merecia melhor. O líder que a atrapalha, Carles Puigdemont, fugiu para o exílio, numa fuga desnecessária para um exílio inexistente. Foi para o exílio em fins de outubro, para um provável regresso a meados de dezembro para votar e ser votado. Exílio é outra coisa, não tem prazo de validade nem a certeza de votos. Exílio viveu-o o socialista madrileno Largo Caballero, presidente do governo da República espanhola, que com a vitória de Franco foi levado para o campo de concentração nazi de Sachsenhausen. E viveu-o o republicano catalão Lluís Companys, presidente da Generalitat da Catalunha, entregue pelos nazis a Franco e fuzilado. O exílio de Carles Puigdemont é coisa para rir, é um insulto aos verdadeiros exilados espanhóis da trágica história recente. É como comparar a livre, democrática, autónoma e progressista Catalunha a países colonizados e ocupados. Nenhuma das hipóteses com que Puigdemont contava aconteceu: nem a independência surtiu nem os tanques vieram... Restava-lhe a fuga para a frente. Partiu, com uma decisão categórica tão rara nele, para um exílio de comédia.


 


Ferreira Fernandes

29 outubro 2017

Da intriga canhestra

Não consigo compreender o objectivo de alguém, dentro do governo ou no PS, com eco partidário posterior, arranjar uma querela com Marcelo Rebelo de Sousa, ainda por cima centrado no problema dos incêndios.


 


Não me interessa se o Presidente sabia ou não, muito provavelmente sabia. Mas o que ficou abertamente evidente foi a falta de capacidade de liderança de António Costa e do governo imediatamente após a segunda tragédia, com a desastrada comunicação ao País de António Costa, que Marcelo Rebelo de Sousa esperou. O Presidente, e muitíssimo bem, ocupou um vazio deixado pelo Primeiro-ministro e colou, com severidade e com empatia, e com excelente sentido e faro político, dando às pessoas aquilo que elas esperavam – liderança.


 


Por isso a tentativa canhestra e estúpida de tentar enrolar Marcelo Rebelo de Sousa numa intrigalhada apenas penalizou ainda mais o governo.

22 outubro 2017

Concerto para Piano e Orquestra n.º 2 em Dó menor (op. 18)


Sergei Rachmaninoff


Evgeny Kissin


Orchestre Philharmonique de Radio France


Myung-Whun Chung

Um Senhor Presidente

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No meio de tanto azar, incúria e desgraça, temos a sorte de, neste momento, contar com um Presidente como Marcelo Rebelo de Sousa. Como um mastro no meio da tempestade, tem sido aquele para quem todos olham, a quem todos respeitam e, mais importante que tudo isso, de quem todos gostam e em quem todos confiam.


 


No meio de tanta aflição, de tanta inimaginável desvergonha, oportunismo e demagogia, o Presidente exige a quem tem de exigir e conforta quem tem que ser confortado. António Costa, inexplicavelmente, cavou bem fundo o seu afastamento com os atónitos cidadãos, que perderam a vida, a família, a casa, o emprego, os meios de subsistência. Colocou o governo numa dificílima situação, com a sua insuficiente e atabalhoada leitura da forma como liderar após a tragédia.


 


No entanto é minha convicção que se alguém tem capacidade para, de facto, reformar e devolver a esperança ao País que vive sem que se dê por ele, se alguém tem possibilidade, ambição e resiliência para revolucionar a floresta e fazer o que durante décadas ninguém fez, é este governo e António Costa.


 


Espero, sinceramente, que não esteja enganada. Ouvi ontem, durante o dia, as várias intervenções dos membros do governo e do Primeiro-ministro. Pareceu-me tudo bem fundamentado, digno e rigoroso. Falta cumprir, acompanhar e avaliar. A vida de quem tanto perdeu é o mais importante.

20 outubro 2017

Luto

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Move notícias


 


 


Quantas e tantas pessoas boas genuínas preocupadas e sabedoras


dizem e gritam e choram e blasfemam e opinam e decidem e exigem.


Quantas e tantas pessoas generosas e emotivas


explicam e pedem e replicam e escrevem e declamam.


Só eu com os meus dedos com a minha voz com as minhas lágrimas


gelei dentro da minha agonia da minha indecisão do meu espanto da minha dor.


Só eu que não tenho gestos para apagar incêndios


nem salmos que sustenham a terra nem mãos que reguem a vida


quero tanto o jorro da chuva a limpeza do vento


alguma coisa que lave a alma


do peso do negrume da desesperança.

Pudor

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Euronews


 


 


 


De cinza e branco de negro e ocre


esfarelam as mãos e calcinam esperanças


de olhos parados na solidão dos escombros.


A exigência do silêncio a obrigação ao pudor


de todos os que esquecemos o resto do mundo.

14 outubro 2017

O Relatório sobre o incêndio de Pedrógão

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Do relatório elaborado pela Comissão Técnica Independente sobre o incêndio de Pedrógão Grande apenas li o sumário executivo, mas com muita atenção. E sugiro que todos o leiam.


 


Sem qualquer rebuço os relatores indicam a responsabilidade à Protecção Civil, à incapacidade de previsão atempada, à actuação descoordenada e tardia, as extremos factores atmosféricos e de solo.


 


Mas dizem muito mais e é nisso que nos devemos focar - é preciso mudar tudo, aceitar e integrar o conhecimento científico na verdadeira prevenção e combate aos incêndios, mudar a floresta, envolver as populações e as Forças Armadas, qualificar e profissionalizar os vários agentes, avaliar permanentemente as condições e as performances, descontaminar os Postos de Comando de jornalistas e políticos, actualizar os meios tecnológicos de comunicação, que estão obsoletos.


 


Ou seja, transformar esta tragédia numa lição aprendida e usar o relatório para implementar as mudanças que se impõem. Foi exactamente isso que disse o Presidente, terminando com a frase que, repetidamente, se escreveu nos jornais como exigência ao governo, mas que é uma exigência a todos nós - já perdemos todos tempo demais.


 


Mas o Estado é o responsável pela Protecção Civil. Como tal, deve indemnizações às vítimas. Além disso este governo também foi responsável pela nomeação do Presidente da Autoridade Nacional de Protecção Civil que, obviamente, deve ser demitido.


 


Penso que a Ministra também deve demitir-se. Constança Urbano de Sousa sai muito fragilizada e, mesmo que a admire até pela coragem em ter ficado, sujeitando-se a ataques e vitupérios permanentes, ela é o rosto do governo nesta matéria. O que aconteceu foi demasiado grave para que não se assuma, ao mais alto nível, os custos dessa tragédia.


 


António Costa vai reflectir em Conselho de Ministros. Espero que da reflexão do governo resulte uma verdadeira reforma florestal, uma verdadeira reforma da estrutura da protecção civil, uma verdadeira revolução na forma como olhamos e usamos a floresta.

12 outubro 2017

Da Justiça

Ainda a propósito da acusação a José Sócrates, a justiça que esperamos de um sistema que defenda os cidadãos não tem aqui cabimento, como também não teve noutros casos.


 


A lentidão dos processos, o enxovalho público dos acusados e de todos os que, de uma forma ou de outra, com eles se cruzaram, o autêntico bulling a que estão sujeitos, são tudo o que de contrário é justo.

11 outubro 2017

Finalmente

Ao fim de 3 anos finalmente José Sócrates é acusado de 31 crimes. Vai poder defender-se no local próprio.


 


Este processo já ultrapassou todos os limites. Aguardemos se ainda há mais alguns para ultrapassar. De qualquer forma, foi dado um passo em frente.

07 outubro 2017

As últimas autárquicas

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Público


 


É divertido o afadigar com que tantos se apressam a vaticinar a instabilidade social e o tremer da Geringonça, após o fraco resultado do PCP, nas últimas eleições autárquicas.


 


Este continuará a perder votos à medida que o tempo passa, pela própria natureza do PCP, que mantém uma matriz autoritária e totalitária, enquistado e anquilosado, por muito que reconheça que Jerónimo de Sousa foi o primeiro suporte desta solução governativa.


 


Quanto a mim (que raramente acerto, diga-se em abono da verdade) este resultado só reforçou o governo. Nem o PCP nem o BE tiveram resultados que lhes permitam forçar uma outra alternativa. Se precipitarem eleições serão ainda mais penalizados.


 


A direita teve uma derrota bastante pesada, tanto o PSD como o CDS - a vitória de Assunção Cristas ofuscou a mediocridade dos resultados no resto do País. Passos Coelho sai de cena, finalmente, mas parece que ninguém quer, verdadeiramentedisputar-lhe o lugar.

O discurso do Rei

 


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Mais uma vez reafirmo que não tenho opinião em relação às pretensões separatistas da Catalunha. Penso que têm todo o direito de querer e tentar a independência, no respeito pelos princípios democráticos e de liberdade de expressão de pensamento de todos os catalães.


 


Não me parece que o apoio ou a falta dele da União Europeia faça qualquer diferença. Na verdade a opinião das Instituições europeias não são confiáveis e variam conforme as conveniências da própria Europa. Todos nos lembramos das ameaças da União Europeia caso a Escócia escolhesse a independência, e do namoro explícito aquando do referendo do Brexit.


 


Aquilo a que assistimos no domingo, com as cargas policiais e a brutalidade da Guardia Civil sobre os catalães não tem desculpa, justificação ou perdão. E foi essa referência, esse reconhecimento e essa palavra de repúdio que faltou no discurso do Rei. Não esperava que deixasse de defender a unidade do Estado, a Constituição e a legalidade, acusando os separatistas de aventureiros perigosos e em rotura com a democracia e o Estado de Direito, mas o apagamento da repressão gratuita na Catalunha remeteu-o para um apoiante incondicional da facção centralista, protagonizada por Rajoy.


 


Na realidade todo este problema está inquinado pelos extremismos, o populismo e a fuga em frente. A verdade é que não sei quantos são os catalães que querem a independência. Não me parece ter havido igualdade de circunstância ou oportunidades para as divulgações e propagandas de ambas as partes, a consulta referendária foi um simulacro (participação de 43,03%) sem qualquer garantia de cumprimento das mais elementares regras democráticas.


 


Enquanto não houver serenidade e reconhecimento do poder central da necessidade de auscultar a opinião dos catalães, dando-lhes a possibilidade de referendar a independência a sério, tal como o reconhecimento das autoridades catalãs em querer saber verdadeiramente a opinião do seu povo, enquanto não houver compromissos de parte a parte, nada se resolverá.


 


Infelizmente o discurso do rei foi uma oportunidade perdida. Radicalizou os catalães já radicalizados e não condenou nem se afastou das soluções totalitárias e violentas de Rajoy. Penso que o Rei acabou por cavar mais fundo a sepultura da monarquia espanhola.

01 outubro 2017

A derrota de Rui Moreira

 


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Jornal de Negócios


 


 


O discurso de Rui Moreira fez-me lembrar o de Cavaco Silva, aquando da vitória no segundo mandato das presidenciais: rancoroso, pequenino, rançoso e mesquinho.


 


Pode ter ganho a maioria absoluta, mas perdeu em tudo o resto. Não lhe deve importar.

Puigdemont

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Carles Puigdemont


 


Não é só a Rajoy que se devem assacar as responsabilidades do desastroso processo a desentolar-se à volta do referendo catalão. É também a todos os que, numa fuga para a frente, tentam empurrar o processo para um beco sem saída. Vale a pena ler a análise de José Almeida Fernandes.

É da idade

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primeira vez que votei foi na secção 7. Hoje já votei na 3.

Ao voto

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sapo


 


Votar é a maior e melhor manifestação da democracia, uma espéce de sacramento, um dever ciclicamente renovado, uma prática de cidadania, um direito e uma responsabilidade individual.


 


Serve esta laudatória introdução para lembrar que as urnas estão abertas até às 19:00h.


 


Vá a correr comprar as cervejolas, as bifanas e faça uma mousse de chocolate, para poder assistir, na primeira fila, ao espectáculo da liberdade e da democracia, do qual somos todos figuras de cartaz. E se ainda não votou, não perca essa experiência que é sempre nova, em todas as catedrais do poder soberano do povo.


 


É do melhor que há!

Catalunya

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DN


 


Não tenho opinião sobre a independência da Catalunha. Mas tenho opinião sobre o extremar de posições, nomeadamente a do governo central de Madrid, que está a tentar resolver um problema muito sério e complicado com a força bruta. Apenas consegue um recrudescimento do sentimento separatista e que a revolta se instale.


 


A Espanha franquista permanece na memória de muitos saudosos de uma Nação que nunca foi una.

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...