14 outubro 2017

O Relatório sobre o incêndio de Pedrógão

relatorio pedrogao.png


 


 


Do relatório elaborado pela Comissão Técnica Independente sobre o incêndio de Pedrógão Grande apenas li o sumário executivo, mas com muita atenção. E sugiro que todos o leiam.


 


Sem qualquer rebuço os relatores indicam a responsabilidade à Protecção Civil, à incapacidade de previsão atempada, à actuação descoordenada e tardia, as extremos factores atmosféricos e de solo.


 


Mas dizem muito mais e é nisso que nos devemos focar - é preciso mudar tudo, aceitar e integrar o conhecimento científico na verdadeira prevenção e combate aos incêndios, mudar a floresta, envolver as populações e as Forças Armadas, qualificar e profissionalizar os vários agentes, avaliar permanentemente as condições e as performances, descontaminar os Postos de Comando de jornalistas e políticos, actualizar os meios tecnológicos de comunicação, que estão obsoletos.


 


Ou seja, transformar esta tragédia numa lição aprendida e usar o relatório para implementar as mudanças que se impõem. Foi exactamente isso que disse o Presidente, terminando com a frase que, repetidamente, se escreveu nos jornais como exigência ao governo, mas que é uma exigência a todos nós - já perdemos todos tempo demais.


 


Mas o Estado é o responsável pela Protecção Civil. Como tal, deve indemnizações às vítimas. Além disso este governo também foi responsável pela nomeação do Presidente da Autoridade Nacional de Protecção Civil que, obviamente, deve ser demitido.


 


Penso que a Ministra também deve demitir-se. Constança Urbano de Sousa sai muito fragilizada e, mesmo que a admire até pela coragem em ter ficado, sujeitando-se a ataques e vitupérios permanentes, ela é o rosto do governo nesta matéria. O que aconteceu foi demasiado grave para que não se assuma, ao mais alto nível, os custos dessa tragédia.


 


António Costa vai reflectir em Conselho de Ministros. Espero que da reflexão do governo resulte uma verdadeira reforma florestal, uma verdadeira reforma da estrutura da protecção civil, uma verdadeira revolução na forma como olhamos e usamos a floresta.

3 comentários:

  1. Anónimo09:53

    « é preciso mudar tudo», diz . E assim será. Nomeadamente a nossa incrível propensão para pensar que em realidades complexas tudo é previsível, que o imprevisto não acontece, e que tudo é sempre tão controlável como dissolver açúcar em água na bancada de um laboratório.

    MRocha

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  2. Anónimo10:02

    Vergonhoso a ministra continuar a insistir em nao se dimitir. . se antes do relatorio ja era surpreendente agora e inacreditavel

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  3. Anónimo11:11

    "vergonhoso" é alguém ter o topete de tentar levar os outros a acreditar que perante um problema a obrigação de um governante não é resolve-lo, mas demitir-se.

    Alves Reis

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