29 setembro 2010

Século XXI

Aí está ela, a austeridade, os cortes de salários, os congelamentos, os impostos, mais aperto ao consumo, mais desemprego, a recessão.


 


Aí está o falhanço deste governo, desta Europa, deste sistema. Aí está a repetição da receita da crise e dos mercados que pedem mais, cada vez mais.


 


O que vai fazer o PS do seu programa político? O que vai fazer o PSD das suas ameaças contra o OE de 2011?


 


O que vamos nós fazer ao percebermos que, votemos o que votarmos quem decide são os mercados, aqueles em quem ninguém vota mas que são os donos e senhores do mundo?

26 setembro 2010

Quem ali morou


 


Quase no final de Setembro há alguém que procura uma casa para morar. A short story está com as folhas de Outono, junto de gente bem viva, a quem agradeço o desafio.

25 setembro 2010

Blackout informativo


 


As intenções de voto nas presidenciais dão uma vitória esmagadora a Cavaco Silva, que ainda não assumiu ser candidato.


 


O mais interessante é o blackout informativo que existe em relação à candidatura de Fernando Nobre. Até sobre Francisco Lopes há mais notícias.

Bastidores


 


É importante que se perceba como está a execução orçamental de 2010. Teixeira dos Santos tem credibilidade mas ela joga-se agora. Perante o extremar de posições dos líderes dos principais partidos políticos - Passos Coelho para se afirmar perante os críticos do seu próprio partido, contrários ao compromisso com o PS, Sócrates numa fuga em frente para se afirmar perante o eleitorado de esquerda - já percebemos que a actuação do Ministro das Finanças é crucial para o desencadear de uma verdadeira crise, não a encenada.


 


Parece que Bruxelas está optimista. Ainda bem, porque escasseia a esperança.

Um dia como os outros (69)

 



(...) Os dados da execução orçamental até Agosto mostram que é possível alcançar a meta do défice assumida para este ano, garantiu Amadeu Tardio, porta-voz do comissário para os Assuntos Económicos, Olli Rehn. Mas cumprir o objectivo de cortar o défice dos 9,3% do PIB, registados em 2009, para os 7,3% prometidos, vai exigir uma monitorização cuidadosa da evolução da receita e mão-de-ferro na despesa, frisou.


O porta-voz de Olli Rehn lembrou que as medidas adicionais de consolidação que foram decididas em Maio só agora começam a reflectir-se nos dados disponíveis. Contudo, voltou a lembrar que para cumprir a meta do próximo ano são precisas mais medidas: São necessárias medidas adicionais - isto é, além de todas as que já foram anunciadas até agora - para cumprir a meta ambiciosa de 4,6% em 2011. (...)


 


Diário Económico

The river

 







 


Bruce Springsteen & The E Street Band


 


I come from down in the valley where mister when you're young
They bring you up to do like your daddy done
Me and mary we met in high school when she was just seventeen
Wed ride out of that valley down to where the fields were green


 


Wed go down to the river
And into the river wed dive
Oh down to the river wed ride


 


Then I got mary pregnant and man that was all she wrote
And for my nineteen birthday I got a union card and a wedding coat
We went down to the courthouse and the judge put it all to rest
No wedding day smiles no walk down the aisle
No flowers no wedding dress
That night we went down to the river
And into the river wed dive
On down to the river we did ride


 


I got a job working construction for the johnstown company
But lately there aint been much work on account of the economy
Now all them things that seemed so important
Well mister they vanished right into the air
Now I just act like I don't remember, mary acts like she don't care
But I remember us riding in my brothers car
Her body tan and wet down at the reservoir
At night on them banks I'd lie awake
And pull her close just to feel each breath she'd take
Now those memories come back to haunt me, they haunt me like a curse
Is a dream a lie if it don't come true
Or is it something worse that sends me


 


Down to the river though I know the river is dry
Down to the river, my baby and i
Oh down to the river we ride


 

24 setembro 2010

Péssimo espectáculo

 


Depois do desesperado apelo ao FMI, a que este não correspondeu, depois o triste suspirar pela fiscalização europeia das contas do governo, a que esta era alheia, o PSD destapou a irresponsabilidade, sugerindo que não viabilizaria o OE de 2010.


 


Será que o PSD acredita que o PS, partido mais votado nas anteriores eleições legislativas, deveria governar com um orçamento em que não se revê?


 


Os dois maiores partidos portugueses andam a gritar por ódio na ribalta e a fazer juras de amor secretas. Mas que péssimo espectáculo.

19 setembro 2010

Arranjos florais


 


Não sou particularmente versada em decoração. Gosto de coisas bonitas e de me sentir bem, como todos, calculo, mas a paciência para procurar objectos, passear por lojas e experimentar, escasseia.


 


Hoje surpreendi-me a mim própria. Queria um arranjo de flores, de preferência secas - não gosto de flores artificiais. Encontrei umas de cores variadas e muito bonitas. O problema foi o suporte. Uma jarra de vidro não condizia. O que ficava mesmo bem era uma espécie de vasilhame de alumínio, grande, mas que servia só de expositor. Grande problema. Até que olhei para umas gaiolas de pássaros, decorativas, de metal preto.


 


Enfiei as flores, de vários tamanhos e formas, de várias cores e tonalidades, pelas grades da gaiola. Ficou espantoso. Bonito, discreto, sofisticado, delicioso.


 


Será que errei a vocação? Ou a idade está a transformar-me numa dondoca?


 

Cartomante









Ivan Lins & Victor Martins


Ellis Regina


 


Nos dias de hoje é bom que se proteja
Ofereça a face pra quem quer que seja
Nos dias de hoje esteja tranqüilo
Haja o que houver pense nos seus filhos


 


Não ande nos bares, esqueça os amigos
Não pare nas praças, não corra perigo
Não fale do medo que temos da vida
Não ponha o dedo na nossa ferida


 


Nos dias de hoje não lhes dê motivo
Porque na verdade eu te quero vivo
Tenha paciência, Deus está contigo
Deus está conosco até o pescoço


 


Já está escrito, já está previsto
Por todas as videntes, pelas cartomantes
Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas
No jogo dos búzios e nas profecias


 


Cai o rei de Espadas
Cai o rei de Ouros
Cai o rei de Paus
Cai não fica nada.

Cai o TGV

Uma das grandes bandeiras do PS, um investimento estruturante para a economia, um meio de combate ao desemprego, adiado desde Maio ou desde Setembro, a verdade é que o governo deixou cair o TGV.


 


A despesa e o défice, o endividamento e a crise, os mercados.

Liberdade e segurança (2)


Pino: Gypsy


 


Se qualquer cidadão do mundo tem o direito de procurar melhorar a sua vida, de se mover e escolher a seu local de acolhimento, também o estado que o acolhe tem o direito de exigir respeito pelas regras de cidadania.


 


E essas regras não têm apenas a ver com segurança. São regras de participação na sociedade escolhida. São as regras do cumprimento das leis, de todas, nomeadamente aquelas que dizem respeito à observação dos direitos das mulheres e das crianças. Não se pode permitir que haja crianças impedidas de ir à escola por motivos culturais. Não se pode permitir que as mulheres se submetam aos ditames dos homens por causa da sua etnia. Não se podem permitir crimes de honra. Não se pode permitir que cidadãos de um país não paguem impostos, que roubem, que enganem o estado e os outros cidadãos.


 


Pertencer a uma minoria, seja ela qual for, não é razão para discriminação do estado, mas também não pode ser razão para que o estado se demita das suas funções.

18 setembro 2010

Voar






 


Tim & Rui Veloso


 


Eu queria ser astronauta,
O meu país não deixou,
Depois quis ir jogar à bola,
A minha mãe não deixou.


 


Tive vontade de voltar à escola,
Mas o doutor não deixou,
Fechei os olhos e tentei dormir,
Aquela dor não deixou...


 


Ó meu anjo da guarda,
Faz-me voltar a sonhar,
Faz-me ser astronauta,
E voar...


 


O meu quarto é o meu mundo,
O ecran é a janela,
Não choro em frente à minha mãe,
Eu que gosto tanto dela.


 


Mas esta dor não quer desaparecer
Vai-me levar com ela...


 


Ó meu anjo da guarda,
Faz-me voltar a sonhar,
Faz-me ser astronauta,
E voar...


 


Acordar meter os pés no chão,
Levantar, pegar no que tens mais à mão,
Voltar a rir, voltar a andar, voltar, voltar...
Voltarei...


 


Acordar, meter os pés no chão,
Levantar, pegar no que tens mais à mão,
Voltar a rir, voltar a andar, voltarei...

Pastéis de cerveja


 


Não tenho por hábito fazer recomendações de blogues. Não porque não haja blogues que leio e recomende, mas parece-me que a blogosfera também é o divertimento da descoberta.


 


Mas hoje vou propor à Ana Marques Pereira, que tem um excelente e original blogue, que se debruce sobre os excelentes e esquecidos pastéis de cerveja, vendidos numa pastelaria quase em frente aos badalados e omnipresentes (e maravilhosos) pastéis de Belém.


 


Se não os conhecem, provem. E poupam largos minutos em filas de espera.


 


Bom fim-de-semana.


 


Novela


Katharina Trudzinski


 


Desconheço


desconexo


descontente


de desgosto


desmotivo


o desmancho


desfaço


e descaso


descoso


o desmando


desautorizo


desmonto


o desdito


e desdigo


desgraço


e desligo


descaminho


descabelo


e desarmo


o novelo.

Navio


Claire Sherman:tree and dirt


 


Levantam o chão


de terra cinza pão


amassam a voz


de letras erva noz


amanham navios


avaros afagos vazios.

Liberdade e segurança (1)


Edouard Manet: Gitane à la cigarette


 


Não é fácil perceber o que se está verdadeiramente a passar em relação à expulsão de romenos de França. A manipulação política dos factos é óbvia e é muito fácil escolher um lado, assumindo valores de legalidade e segurança ou de liberdade e tolerância.


 


O problema é que estes valores não são, nem podem ser, mutuamente exclusivos. Os direitos humanos e a nossa ideia de uma Europa multicultural e multirracial não podem impedir que se zele pelo cumprimento das leis, pela inserção das comunidades migrantes nas comunidades que as acolhem, pela recusa do paternalismo condescendente, que é uma forma encapotada de racismo e de xenofobia.


 


No entanto, até onde irá a luta pela segurança e o apelo aos instintos mais primários da população, ao ligar a existência de comunidades nómadas, de emigrantes ilegais, ao aumento da criminalidade e do desemprego?


 


A política de emigração na Europa é cada vez mais restritiva, inventando-se argumentos que dificultam ou incapacitam a mobilidade dos cidadãos de países pobres que, legitimamente, procuram melhorar as suas perspectivas de vida. Além disso a existência de emigrantes no espaço europeu é crucial para o rejuvenescimento da população e para a sustentabilidade daquilo a que se convencionou chamar o estado social.


 


Por muito racional que se seja e que se compreenda a finitude dos recursos, a existência de inúmeras moles humanas sem trabalho nem raízes que constituem um problema grave para as sociedades ocidentais, esta racionalidade não pode ser sinónimo de deportações em massa. A liberdade de circulação, a possibilidade de sonhar e o direito que todos temos de lutar por um futuro, não podem ser negados em função de uma generalização de comportamentos agressivos e nocivos à nossa forma de vida.


 


A mistura de culturas, de raças, signifique esta palavra o que significar, de pessoas, é o melhor património da raça humana.

17 setembro 2010

Crónica do abandono


 


Lago imenso e escuro, dia de nevoeiro, árvores que abanam, casa de pedra, usada, desleixada, roupas largas, gravidezes expostas, cigarros desfeitos, olhos enormes, cabelos desgrenhados, salas vazias, quartos pequenas, crianças que escutam, olhos enormes, lágrimas contidas, rugas de expressão, homens sem rumo, desamor, amor, velhice, sorrisos, querer sem querer, ter sem saber, esmagar, deitar fora, enganar, triturar, esperar.


 


Olhos enormes.


 

15 setembro 2010

Recomeços

Portugal torna a pagar juros mais altos para se endividar. Esta é uma notícia que aparece nos jornais e que é dita nas televisões. Mas não se explica porquê. O que aconteceu agora, em Portugal ou no mundo, que tenha levado a um aumento de risco de financiar o país? Quais os motivos objectivos que fazem, mais uma vez, fazer tremer as contas em Portugal?


 


Parece que nada do que o país possa controlar, desde o défice ao endividamento, os PEC, as reduções de despesa, os aumentos de impostos, a consequente recessão com aumento do desemprego, a níveis assustadores e por longos e incontáveis anos, nada acalma os mercados, os especuladores, aqueles que decidem a nossa economia.


 


Os debates parlamentares continuam os passos de uma dança cansativa e sem ritmo, argumentando com clichés à esquerda e à direita. Vamos assistir à troca de acusações em volta de uma hipotética revisão constitucional e de um hipotético chumbo do orçamento para 2011.


 


Manuel Alegre deve estar a aperceber-se da estrondosa derrota que o aguarda. Cavaco Silva gere o melhor possível os vários e incómodos silêncios, quebrando-os com a deselegância de confundir política com má educação. Não me lembro de um Setembro tão cheio de desesperança como este.

14 setembro 2010

Remodelações


 


Não há nada como umas mudanças no visual para refrescar as ideias. Principalmente se a renovação é orientada pela imaginação do Pedro Neves.


 


Espero que gostem. Eu estou muito satisfeita.


 


Obrigada, Pedro.

11 setembro 2010

11 de Setembro de 1973


Orlando Lagos: Salvador Allende

11 de Setembro de 2001


Gerhard Richter

Situação financeira do SNS.

 


Teixeira dos Santos assumiu publicamente o que todos os que se interessam pela sustentabilidade e continuidade do SNS já sabem. A política de saúde parece estar num beco sem saída. Temo bem o que se seguirá.


 

A igualdade perante a lei (3)

 


Não faço ideia de quais são os prazos legais para a apresentação dos acórdãos após a leitura destes, ou de resumos destes, nos tribunais. Mas penso que deve haver um prazo máximo estipulado por lei. É claro que seria de todo sensato que esse acórdão estivesse pronto a ser entregue aos advogados simultaneamente à sua divulgação, como é claro que Sá Fernandes faz o seu papel ao ter sugerido que o acórdão ainda não estaria pronto.


 


Posso entender as falhas informáticas e os quilómetros de papel que significam 2000 páginas, posso entender computadores encravados e azares totais e completos.


 


O que já é muito difícil perceber é o adiar sucessivo da entrega de tão longo acórdão e o descrédito cada vez maior a que a justiça se   oferece. O que já é muito difícil entender é que não haja a sensatez de fazer um comunicado, como outros que foram surgindo, esclarecendo os cidadãos do que está estipulado por lei e das falhas que existem, com a autoridade e a transparência de uma Instituição em que todos devemos confiar.


 


O que me é ainda mais difícil de perceber é a forma como se continua o julgamento em praça pública, agora para defender Carlos Cruz, que tem acesso à comunicação social, demonstrando à evidência a falta de igualdade dos cidadãos perante a lei, contando com a cumplicidade de uma comunicação social acéfala e acrítica.


 


Para quando uma grande entrevista com Carlos Silvino? E a algumas das vítimas de abuso sexual que testemunharam? Para quando a investigação jornalística de quem tinha responsabilidades políticas na Casa Pia e não actuou? Para quando as grandes entrevistas a Teresa Costa Macedo, aos antigos Provedores, ao Mestre Américo?


 

10 setembro 2010

08 setembro 2010

Um dia como os outros (68)


(...) Considerando a difusão do pré-aviso de greve e tendo presente as posteriores declarações prestadas aos órgãos de comunicação social pelo presidente da direcção do Sinapol (Sindicato da Polícia), o director nacional da PSP determinou a instauração de processo disciplinar e a sua suspensão preventiva, em virtude da manutenção em funções se revelar inconveniente para o serviço, por pôr em causa a subordinação da Polícia à legalidade democrática, afirmou hoje o porta-voz da PSP. (...)


(...) Em conferência de imprensa, hoje em Lisboa, o porta-voz da PSP adiantou que a lei proíbe de forma inequívoca o exercício à greve na PSP pelo artigo número 270 da Constituição da República Portuguesa conjugado com o artigo 3º da lei que regula o exercício da liberdade sindical na PSP.


Na verdade, a PSP é uma força de segurança civil e hierarquizada, baseada em valores estritos de disciplina e lealdade e incumbida de missões de ordem pública, prevenção e repressão do crime. Por conseguinte, é absolutamente inaceitável a convocação, preparação, organização ou realização de qualquer greve na PSP, sustentou o mesmo responsável. (...)


DE - Suspenso presidente do sindicato da PSP


 


Artigo 270.º
Restrições ao exercício de direitos


A lei pode estabelecer, na estrita medida das exigências próprias das respectivas funções, restrições ao exercício dos direitos de expressão, reunião, manifestação, associação e petição colectiva e à capacidade eleitoral passiva por militares e agentes militarizados dos quadros permanentes em serviço efectivo, bem como por agentes dos serviços e das forças de segurança e, no caso destas, a não admissão do direito à greve, mesmo quando reconhecido o direito de associação sindical.


Constituição da República Portuguesa


 

A qualidade da Justiça

Insiro aqui excertos de um comentário que recebi por email (completo na caixa de comentários) a um post que escrevi sobre a Casa Pia. Considero-o muito oportuno.


 


(...) 00 - Este post, sobre a leitura incompleta do Acórdão do Processo “Caso Casa Pia”, o Processo Judicial mais importante da década, tem a leitura simples de um “GRITO DE ALÍVIO”, no fim de uma fase do dito Processo, que vai longo.


 


01 - Mas, não será a “Celeridade” da Justiça o decisivo, embora tal não seja displicente;


 


02 - Mas, será, sim, a “Qualidade” da Justiça, o decisivo no Processo Judicial, na expressão ampla do termo, a lei, a investigação, a instrução do Processo, a produção de prova, a interpretação das leis e dos factos, o veredicto, etc.  “Qualidade” para que não haja inocentes condenados, nem penas desproporcionadas face à culpa.


 


03 - No limite, direi que a “Celeridade” é sempre a preocupação da Extrema Direita, vide o reclamado por Paulo Portas, vide os “Julgamentos Sumários” caros às Ditaduras e caros aos Estados Totalitários; o Direito, tal como a Investigação Científica, por exemplo, exige um certo Formalismo, indispensável, e ocupando tempo.


 


Será sempre a “Qualidade” e não a “Celeridade” o decisivo.


 


Comentar um Acórdão Incompleto, e sobretudo omitir:


 


a) - Omitir toda uma série de incidentes, e largos atropelos às Regras do Estado de Direito;


b) - Omitir o papel dos Escribas, Comentadores, Analistas e de diversos Jornalistas na insinuação, na pressão sobre os Tribunais e sobre os Agentes Judiciários, substituindo-se aos Tribunais, e julgando eles na Praça Pública;


c) - Omitir a anotação de que parte da Comunicação Social privilegiou o Justicialismo amachucando a Justiça;


d) - Omitir a debilidade das Instituições Políticas Democráticas a ponto de ser consentida a Justicialização da Política e a Politização da Justiça, a ponto de o dito Processo carregar elementos que quase decapitaram um partido;


e) Omitir a notória leviandade e exibicionismo patente em, vários actos e processos de detalhe, e em vários Agentes Judiciários


 


leva-me a ter de ser muito crítico do post, que peca por Omitir tudo o que apontei, deveras preocupante, num Estado de Direito.


 


A “Omissão” é tão gravosa como “Afirmação”.


 


04 - Entendo muito mal este “Grito de Alívio”, bem ao contrário do meu que será de Grave Preocupação.


 


05 - Tanto mais que, a “Substituição” dos Tribunais pelo “Julgamento” na Praça Pública se vai repetindo desde 2002, vide o Caso da Pequena Joana”, vide o caso da Pequena Inglesa, vide o caso do Apito Dourado, vide o caso de diversos autarcas, vide o caso Freeport, tudo ora repetindo-se no caso Duarte Lima. A insinuação, a intoxicação da opinião pública, a pressão sobre os Tribunais e sobre os Agentes da Justiça, incluindo os Investigadores. Este persistir, não pode suscitar “Alívio”, mas tão só potenciar “Preocupações”.


 


06 - Todo este Processo, e o eco na opinião pública, é marcado pelo olvidar do princípio básico da Presunção de Inocência e pelo postergar do Direito ao Bom Nome, que é inalienável.


 


07 - No ar ficou sempre a marca da fuga à deontologia profissional de vários tarefeiros da Comunicação Social e de vários Assessores de Imprensa, e mais grave que esses, de Altos Responsáveis da Justiça.


 


08 - A Deontologia Profissional aviltou-se num crescendo, que ora desemboca nos “Jornalistas - Assistentes” em Processos.


 


09 - Direi mesmo, que desde 2002, que a questão central da Democracia, as “Liberdades, Direitos e Garantias, Individuais”, em vez de reforçar, avilta-se. E isso é motivo de Preocupação e não de Alívio.


 


10 - Agora, sim, direi “A coisa, por aqui, está preta”. Preta, muito preta, na Insegurança Gerada, tudo à mercê da algazarra na Praça Pública, e não no recato do Tribunal. À mercê de cedências populistas, do “salvar a honra” do conventuais corporativos. Perdendo-se até o sentido da proporcionalidade.


 


11 - Mas, convirá não deixar passar em claro, esta repetida deturpação dos Justiceiros, de separarem a prova da interpretação da lei. Essa “subtileza”- grifado - perversa e manipuladora, foi bem sublinhada, sem qualquer critica ou aviso, pela reportagem da


SIC. A tal questão da deontologia profissional a que aludi. (...)


 


 


(...) Do ponto de vista político, falta anotar a incúria, como parece ter sucedido, numa instituição educadora de crianças. E, ainda politicamente, falta anotar, que as questões de pedofilia são graves e extensas no seio das famílias, sendo marginal a pedofilia organizada.


 


 


Estou no terreno da Divergência, no terreno da Função da Divergência, tema de Paulo Pedroso, Função da Divergência, que muito me ajuda a pensar. (...) 


 


ACÁCIO LIMA


 

07 setembro 2010

Graffiti


 


Na Galeria Bernardo Marques, 5ª feira, 9 de Setembro, às 19:00 horas, Tiago Taron expõe os trabalhos do projecto Graffiti.


 

A igualdade perante a lei (2)

 


A Sentença, um debate onde estarão presentes:
ANTÓNIO MARINHO PINTO, Bastonário Ordem dos Advogados
RUI RANGEL, Juiz Desembargador
JOSÉ MANUEL FERNANDES, Jornalista
DANIEL OLIVEIRA, jornalista


 


Em Portugal há cidadãos que têm lugar cativo na televisão pública, para fazerem a sua defesa em directo. Em Portugal o Bastonário da Ordem dos Advogados e um Juíz Desembargador aceitam participar nesta iniquidade.


 

A igualdade perante a lei (1)

 


(...) Em comunicado, o Eliseu sugeriu que poderá ser retirada a nacionalidade, dez anos após ter sido adquirida, aos cidadãos de origem não francesa que atentem contra a vida dos agentes policiais. (...)


 


Em França prepara-se a reversão do princípio da igualdade perante a lei. Haverá franceses de primeira e franceses de segunda categoria; aqueles cujo castigo é perder a cidadania são os de segunda.


 

Cumprir a lei

 


(...) As greves na PSP estão proibidas desde que, em 1990, foi aprovada a lei do associativismo, mas de acordo com os sindicalistas, com a integração da PSP, há dois anos, nas regras do funcionalismo público, e uma vez que desde essa altura não foi redigida nem explicitada nenhuma nova proibição de greve, a paralisação agora anunciada é legal. (...)


 


Era uma questão de tempo. A irresponsabilidade é total. São estes os agentes que deveriam fazer cumprir a lei.


 

06 setembro 2010

Vai-se andando

A vida vai andando, com mais baixos que altos. De novo podemos falar muito do processo Casa Pia, dos pedófilos, dos males da justiça e dos ataques aos trabalhadores e à classe média.


 


Hoje, por acaso, ouvi um pouco do Forum TSF. Desconfio que há um grupo de pessoas que se combina para telefonar, tal era a homogeneidade das intervenções, saídas directamente da Festa do Avante.


 


Um dos intervenientes dizia que, desde o 25 de Novembro de 1975, éramos governados pelo PS e pelo PSD e que, portanto, teriam que ser outras forças políticas a tomar conta do país. Não lhe ocorreu, nem por um momento, que o PS e o PSD têm sido as escolhas eleitorais dos cidadãos. Nem sequer se percebe muito bem como é que as outras forças políticas, leia-se o PCP, podem assumir o poder – será que através de um golpe de estado?


 


O que entristece é que tudo é mais do mesmo, requentado e reciclado, não há qualquer rasgo de novidade. Passos Coelho já perdeu fôlego, Cavaco Silva reeditou o tabu, Manuel Alegre passeou o seu silêncio pelo Verão, Fernando Nobre revelou-se uma inexistência política, Defensor de Moura é uma perplexidade e Francisco Lopes está a cumprir uma agenda que só o PCP compreende e que funciona em quase todas as presidenciais – o colectivo à presidência.

05 setembro 2010

os suicidas

 


E.E.Cummings: suicide


 


a vidro
rasgou a solidão dos pulsos
sob a torneira no lavatório
a água estilhaçando-se
em veias numa tempestade de ausências.


 


Pedro Teixeira Neves


 

04 setembro 2010

À espera

 


Setembro aí está, à espera das máquinas partidárias e das campanhas presidenciais, as já declaradas e as ainda por declarar.


 


Vive-se uma expectativa mole, lenta, preguiçosa, de ombros encolhidos. Aguardamos com a calma possível, ou com o alheamento desculpável as encenações que se preparam, as negociações de bastidores e as indignações hipócritas dos chefes de orquestras.


 


Assistimos à manutenção do status quo, do desemprego aos mediatismos da justiça, das coreografias sindicais às lições requentadas do Professor Marcelo.


 


Setembro aí está.


 

Caminhos cruzados









Tom Jobim; canta Leila Pinheiro


 


 


Quando um coração que está cansado de sofrer,
Encontra um coração também cansado de sofrer,
É tempo de se pensar,
Que o amor pode de repente chegar.

Quando existe alguém que tem saudade de outro alguém
E esse outro alguém não entender,
Deixa esse novo amor chegar,
Mesmo que depois seja imprescindível chorar.

Que tolo fui eu que em vão tentei raciocinar
Nas coisas do amor que ninguém pode explicar!
Vem, nós dois vamos tentar...
Só um novo amor pode a saudade apagar


 

Casa Pia

Depois de 8 anos de processo, julgamentos públicos, fugas ao segredo de justiça, nomes que se murmuravam em todos os cafés, decapitação de partidos políticos, é difícil dizer que foi feita justiça. No entanto chegou-se a algum lado. Houve julgamento, condenações e uma absolvição.


 


Ficará sempre a dúvida do que ficou por dizer ou fazer, se o que se disse e fez foi justo ou não. Mas isso não é novidade. Os processos eternizam-se e, no fim, fica sempre a pairar a dúvida. Mesmo assim, parece-me muito importante que tenha havido um desfecho. Apesar de tudo.

03 setembro 2010

Morte na Pérsia


 


(...) O perigo tem diferentes nomes. Por vezes, chama-se simplesmente saudades de casa, outras vezes, é apenas o vento seco das montanhas que acicata os nervos, outras vezes, o álcool, outras vezes, venenos mais letais ainda. Em certos momentos, não tem nome, nesses momentos somos acometidos por um medo inominável. (...)


 


(...) Os anjos são demasiado fortes e caminham com pés invulneráveis, mas os homens não querem pedir nada a ninguém, não sabemos ao certo qual é o ponto vulnerável dos outros, talvez seja o nosso? E assim se espalha o silêncio. A esta propagação do silêncio chamamos "endurecer"... (...)


 


(...) Queríamos falar sobre a felicidade, e nem notámos que era na morte que pensávamos... (...)


 


Annemarie Schwarzenbach


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...