31 maio 2010

Cavaco Silva e a direita

 


Se a verdadeira motivação para a procura de um candidato presidencial de direita alternativo a Cavaco Silva, é a promulgação da lei que consagra o casamento entre pessdoas do mesmo sexo, parece-me que há, da parte desse grupo mais conservador, uma sobrestimação da verdadeira influência que a Igreja Católica tem na sociedade portuguesa.


 


Na verdade ir a Fátima ou ver o Papa não significa que a generalidade dos católicos comunguem do repúdio de Cavaco Silva pela referida lei. Tal como fazem vista grossa à posição da hierarquia católica em relação ao uso de contraceptivos, estou convencida que não lhes faz assim tanta impressão a legalização do casamento entre homossexuais.


 


Penso é que a razão pode ser outra. Não estranho que Pedro Passos Coelho veja com bons olhos um Presidente diferente de Cavaco Silva e Paulo Portas ainda mais. Cavaco Silva tem sido um fantasma tutelar do PSD, apoiou objectivamente a liderança de Manuela Ferreira Leite e tem uma tendência irreprimível de intervir na governação. Penso que a Igreja é apenas uma desculpa.

O apoio do PS

 


Nas últimas presidenciais (2006) foi com convicção que apoiei a candidatura de Manuel Alegre. Nessa altura o candidato oficial do PS foi Mário Soares. Pela terceira vez, se contarmos com a escolha do cabeça de lista do PS às eleições europeias (Vital Moreira), penso que Sócrates e o PS cometem um erro ao apoiarem, a contragosto, sem chama nem arrojo, esta candidatura.


 


Há 5 anos, Manuel Alegre personificava o aprofundamento da sociedade solidária, das reformas estruturais essenciais à governação, a defesa do serviço público de qualidade e a manutenção dos valores sociais e de cidadania. Foi apoiado por um movimento de intervenção cívica supra partidário, que congregou pessoas de diferentes tendências políticas mas com um tronco comum de valores.


 


Após as eleições, Manuel Alegre defraudou as expectativas de muitos dos que o apoiaram, tendo demonstrado incapacidade para olhar o futuro, acantonando-se nos refrãos vazios de quem quer muita coisa desde que nada se mude nem nada se faça. Esteve contra todas as importantes batalhas do governo e do PS, ao lado dos populistas da esquerda mais retrógrada, corporizada muitas vezes pelo BE e pelo PCP.


 


Há 5 anos Manuel Alegre era uma esperança. Hoje é a certeza de uma escolha que só trará problemas a qualquer governo, seja ele de esquerda ou de direita. E é a certeza de mais uma derrota eleitoral da esquerda.


 


Votar Cavaco Silva é uma hipótese que excluo à partida. Convém que Fernando Nobre clarifique as suas posições políticas, nomeadamente em quem votará caso haja uma 2ª volta entre Manuel Alegre e Cavaco Silva. Neste momento não me revejo em nenhum dos candidatos presidenciais.


 


Nota 1: agradeço a Acácio Lima o conhecimento deste vídeo.


 


Nota 2: e aqui (pela entrevistadora).

29 maio 2010

Operação "A Regra do Jogo"

 



Jack Ruttan: spy couple


 


Última hora:


  


Os agentes infiltrados SLS e PS, respectivamente primeira e segundo agentes infiltrados n'A Regra do Jogo, foram descobertos pelo persistente e diligente caça agentes, nome de código O Réptil. As nossas fontes adiantam que estes agentes se terão infiltrado pelas costuras das bainhas descosidas de O Réptil, ficando conhecedores de todas as redes de emails trocados pelas www do SIMpleX e do Jamais, chegando-se mesmo a aventar a hipótese de haver que costurar até ao mais alto nível.


  


O Réptil tem conseguido passar informação através de um blogue amigo que se dispôs a arriscar a própria vida. Não nos podemos esquecer que foi necessário exterminar totalmente A Regra do Jogo, para conseguir fugir à teia urdida por aqueles dois agentes.


 


Aguardam-se novos desenvolvimentos e a revelação de outras bainhas a descoserem-se. Estejam atentos aos nossos serviços noticiosos.


Morna









Tito Paris

As várias peles de um réptil

Tenho a absoluta certeza de que este post sevirá, por caminhos ínvios, os objectivos de tão abjecta personagem. Mas, de facto, há limites que não são ultrapassáveis e as insinuações da criatura acabam por me fazer responder.


 


Não me interessam as sms trocadas por Armando Vara e Sócrates, não me interessam os emails nem as conversas telefónicas de ninguém. Quanto a espiões infiltrados, ficamos a saber que o mínimo de dignidade é tratado como delito de opinião.


 


De uma coisa me arrependo – é de não ter saído de A Regra do Jogo ao primeiro cheiro de pestilência e ter acreditado que as pessoas podem fazer mal sem intenção. Haverá algumas que sim, mas outras manifestamente não.


 


Resta-me acrescentar, para que conste, que considero Manuela Moura Guedes o contrário do que deve ser uma jornalista, que sempre considerei o Jornal que apresentava um exemplo de manipulação, populismo e perseguição política desenfreada, que considero Porfírio Silva uma pessoa de bem e que, apesar de gostar imenso de filmes e livros de espionagem, nunca fui a personagem principal de nenhum, com grande pena minha, diga-se em abono da verdade.


 


Mas apesar do apagamento sistemático da sua passagem pela blogosfera (O valor das ideias, SIMpleX e A Regra do Jogo), há muita gente que se lembra e lembrará das várias peles deste réptil.

28 maio 2010

Grilos


Paula Rego: Fada Azul e Pinóquio


 


A Alice já se despediu. Acabou por alugar a toca do Coelho e vive no prédio ao lado do Grilo Falante. A Dama de Copas constipou-se e bebeu pelo gargalo da garrafa do Rei da Prússia. Sem querer abusar das notícias alarmantes que vi há pouco, coladas ao vidro de trás do carro de bois do Schreck, aposto que o Peter Pan está com vontade de raptar o Gato das Botas.


 


Mas talvez seja preferível esperar por Alice. O regresso do Pinóquio espera-se lá para o meio-dia, se o relógio que o crocodilo engoliu ainda for capaz de gritar as horas.

O regresso da direita

 


PSD: 43,9%
PS: 27,6%
BE: 7,7%
CDS-PP: 7,5%
CDU: 7,1%


 


A última sondagem da Marktest é arrasadora para o PS e demonstra que Passos Coelho está a fazer boas opções. Mesmo estando em desacordo com  as ideias de Passos Coelho percebo que ele representa uma alternativa. Resta ao PS e a Sócrates perceberem que têm que fazer política e mostrarem o que é ser diferente. Porque para ser igual, Passos Coelho é, pelo menos, uma novidade.


 


Manuel Alegre divide a esquerda, não a une. Tal como Eduardo Pitta já disse, se não houver uma alternativa credível que possa unir o eleitorado, o PS deve dar liberdade de voto. Também já tinha defendido essa solução. Quanto mais tarde ela for tomada mais perdedor sairá o PS.


 

Transformers


 


Segundo o PCP os governantes eleitos em eleições livres desde o 25 de Abril de 1974 sofrem uma transformação ao chegarem ao poder. Não sei se são as cadeiras, as salas, os prédios, o microclima, ou se são raptados por extraterrestres. Logo que tomam posse fazem tudo o que está ao seu alcance para transtornar a vida dos cidadãos, decidem as mais torpes medidas para empobrecer o país, tecem teias infindáveis a favor dos criminosos e dos capitalistas com o único objectivo de trucidar as massas trabalhadoras.


 


Por uma coincidência estranha, ou pelo facto de terem bebido uma poção mágica enquanto crianças, os membros do PCP e os dirigentes sindicais da CGTP-IN estão imunes e vigilantes, nunca se deixando enganar por gente assim.


 


Isto para não colocar a hipótese ainda mais tenebrosa de que o povo, aquele que mais ordena, se engane sistematicamente nas eleições e vote sempre nos energúmenos.

SMS


Bogdan Vladuta


 


- Estou a sucumbir sob um excesso de realidade! Que vida é esta?


- Excesso de extremos: muito de demais, muito de de menos.

25 maio 2010

Espelho Íntimo


 


Torquato da Luz vai publicar mais um livro. A apresentação será na Livraria Barata (Lisboa), amanhã, pelas 19h00.


Estamos mesmo a precisar de poesia.

24 maio 2010

Vida sintética

Craig Vender













Peixe


Vakhtang Kakulia: Odd Fish


 


Estranho os dias que me passam por cima, como se estivesse permanentemente dentro de água, ouvindo os sons líquidos e irreais, vendo a vida turva e nebulosa. Transformo-me num peixe, os olhos de lado, sem convergirem para mapearem as sensações. Por isso me quedo em silêncio, aguardando de novos os pulmões e a existência de polegares.

A Chave


Rui Herbon acabou de ganhar o Grande Prémio do Teatro Português SPA / Teatro Aberto com a peça Álbum de Família.


 


Amanhã será lançado o seu livro A Chave (Prémio Literário Branquinho da Fonseca do Conto Fantástico - edição de 2009) na Livraria Bulhosa de Entrecampos, às 18h30. A apresentação será feita por Teresa Sá Couto.




Grande Prémio do Teatro Português SPA/Teatro Aberto

22 maio 2010

Serviços públicos

Se os serviços públicos de saúde e educação são sempre importantes, é em épocas de crise que eles se tornam indispensáveis, pois são a única alternativa para muitos cidadãos, cujos recursos financeiros não lhes permitem frequentar uma escola ou recorrer a consultas privadas.


 


Se não queremos causar uma enorme fractura social, se quisermos manter o mínimo de condições de igualdade de oportunidades, os sectores que deverão ser mais acarinhados e mais apoiados são, precisamente, os da saúde e da educação.


 


Rentabilizar e reorganizar com melhor utilização de recursos deverá ser um objectivo permanente de qualquer governo. Resta saber se não haverá alternativas mais adequadas à realidade e mais consentâneas com a optimização de recursos e a manutenção da qualidade dos serviços prestados.

Barragem

 


Continua a barragem dos media contra o governo e Sócrates. Ontem Santana Lopes, na SIC notícias, disse, tal como Pacheco Pereira vem dizendo há anos, que mais ninguém aguenta Sócrates. Há pouco, no noticiário das 14h00, o autor da peça jornalística, após ter perguntado várias vezes a Sócrates e a Teixeira dos Santos quando começava a ter efeito a nova taxa de retenção na fonte do IRS, concluiu que os portugueses continuavam confusos e sem saber quando começava a subida de IRS. No entanto Sócrates e Teixeira dos Santos reafirmaram que só teria efeito a partir dos ordenados de Junho. A confusão não será dos portugueses mas de quem redigiu a notícia.


 


Apesar das eleições de Outubro o desmentirem, das últimas sondagens de opinião manterem o PS à frente nas intenções de voto, todos os comentadores, economistas, politólogos e semelhantes, na total e asfixiante censura existente e que faz perigar a liberdade de expressão, continuam a ladaínha do costume. Qual a credibilidade que Santana Lopes tem? Sugerir um governo de gestores - Belmiro de Azevedo, António Carrapatoso, António Mexia? Quem os elegeu? Afinal parece que a suspensão da democracia sempre serviria os propósitos de algumas pessoas.


 


Ninguém comentou a reforma financeira que Obama conseguiu que fosse aprovada pelo Senado - notícia, obviamente sem qualquer interesse.


 


Entretanto Mota Amaral, por esse mundo blogosférico, já foi comprado por Sócrates. E no elevador do DN (pág. 13), está a descer. É a noção que aqueles que se dizem defensores dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos têm do que é um estado de direito.


 

20 maio 2010

As mentiras

 


É muito interessante observar a gestão da importância da mentira na política. Pacheco Pereira continua a querer misturar escutas com avaliações políticas, numa cegueira e num fundamentalismo que já incomoda o seu próprio partido.


 


É muito interessante observar, para além da quebra das promessas eleitorais que o PS tem feito sucessivamente, da incapacidade de Portugal decidir sobre os seus processos económico-financeiros, a quebra de promessas recentes do líder do maior partido da oposição, de contradições nas opiniões de um destacado opinador social-democrata, da manipulação contínua da opinião pública pelos actores que, no ano anterior, protagonizaram as maiores queixas em relação à gravidade da crise, os maiores lucros durante a crise e as contínuas queixas na continuação da crise, mesmo que haja alguns sinais, a que ninguém quer dar importância, de que a economia, mesmo que debilmente, até pode estar a recuperar.


 

O perigo da demagogia

 


Um dos assíduos comentadores deste blogue chamou a minha atenção para uma notícia do Público: BE quer dar aos doentes "direito de optar livremente" por genéricos.


 


Já aqui defendi, por diversas vezes, que as receitas deveriam ser por denominação comum internacional (DCI), ou seja, os medicamentos deveriam ser prescritos por princípio activo, nas doses e duração da terapêutica que o médico entender, de acordo com a doença e o doente em causa. Se fosse essa a opção, a farmácia poderia dispensar qualquer medicamento que incluísse o princípio activo do medicamento, de acordo até com a escolha do doente.


 


Neste momento as receitas contemplam a hipótese de o médico autorizar a substituição do medicamento de marca que prescreve por outro qualquer genérico. Caso o médico não autorize essa troca, nem o farmacêutico nem o doente deverão escolher um genérico, mesmo que concluam que é semelhante.


 


Por uma simples razão - a responsabilidade de quem medica é do médico. A escolha da terapêutica é feita no acto da consulta, em que o doente e o médico têm oportunidade para conversar sobre a medicação mais adequada. Caso esse medicamento seja substituído sem a autorização do médico, está subvertida a relação de confiança entre doente e médico.


 


Em último caso a decisão de tomar um medicamento, seja ele qual for, ou de seguir uma qualquer terapêutica, seja ela qual for, é sempre do doente. Nada é feito (exames complementares, actos cirúrgicos ou toma de medicamentos) sem o consentimento esclarecido do doente. Faz parte do acto médico a explicação ao doente da patologia que o aflige, do tratamento possível e do prognóstico provável.


 


A racionalização dos recursos não pode ser feita à custa do esvaziamento do acto médico, que coloca em perigo o próprio doente. A prescrição por DCI é aquilo que mais fácil e seguramente pode reduzir o enorme custo de medicamentos.

Um dia como os outros (57)





(...) Valha-no
s o espírito de sacrifício e a disponibilidade do director do Serviço de Oftalmologia do CHLC que não sendo capaz de organizar o serviço público que dirige para responder às necessidades dos cidadãos contribuintes teve o denodo de estar disponível para o fazer no sector privado. Pode, porém, ficar descansado que o SNS irá pagar o que é devido a tal esforço. (...)

18 maio 2010

Combate

 


José Sócrates já devia ter feito uma comunicação solene ao país, na altura em que foram decididas as medidas de austeridade, após o Conselho de ministros. A entrevista à RTP, que foi uma espécie de combate de boxe entre Judite de Sousa e o Primeiro-Ministro, foi um mau sucedâneo.


 


No entanto não lhe correu mal, com excepção da justificação da suspensão dos projectos do Aeroporto, do TGV e da 3ª travessia do Tejo.


 


A grande maioria da população não lê jornais, não ouve noticiários nem entrevistas aos políticos. Por um lado evita uma enorme quantidade de enfartes e duma depressão nacional ainda maior, pelas catástrofes iminentes que todos os dias estão a acontecer.


 


Estamos agora a aprender com as reacções dos partidos políticos e com os comentários dos comentadores o que pensar da entrevista.


 


O habitual, portanto.

17 maio 2010

Um dia como os outros (56)



(...) A situação portuguesa é complicada, devido à dívida externa (sobretudo privada) e às fracas expectativas de crescimento. As medidas agora aprovadas como resposta à exigência do acordo europeu para garantir a estabilidade do euro e enfrentar os ataques especulativos destinam-se a dar maior credibilidade ao País para o exterior. Trata-se de diminuir o défice e a dívida para preservar a soberania e recuperar maior autonomia de decisão. É necessário que sejam explicadas com clareza, verdade e rigor. Sem pedidos de desculpas nem evasivas. E é sobretudo necessário que sejam enquadradas numa visão estratégica para o futuro, com garantias de que são transitórias e serão completadas por outras que tenham em conta a economia e abram perspectivas ao crescimento e ao emprego. Segundo alguns economistas, poder-se- -ia talvez, como acentuou o dr. António Carlos Santos, ter dado, do lado da despesa, mais atenção ao desperdício, nomeadamente em institutos e empresas municipais que não se justificam. Do lado da receita, deve reconhecer-se que houve um esforço na repartição da carga fiscal. Há quem sugira que podia manter-se a taxa reduzida do IVA (expurgando produtos que estão a mais nesta lista) e também garantir a intangibilidade do mínimo de existência no IRS. Recorde-se que Obama criou um imposto sobre a banca e que, em Espanha, ao contrário de Portugal, a banca paga um imposto superior à generalidade das empresas.(...)

Poder casar

 


Cavaco Silva desvaloriza a importância da legalização do casamento de pessoas do mesmo sexo, falando das imensas dificuldades que temos pela frente, argumentos que se desmentem a si próprios pelo facto do Presidente ter sentido a necessidade de falar ao país para justificar a promulgação da lei.


 


Penso que é uma lei importante e tenho pena que o PS não tivesse a coragem de ir mais além, dando oportunidade aos casais de homossexuais de optarem pela adopção, em pé de igualdade com os casais de heterossexuais.


 


As dificuldades económicas não podem impedir que se pense e de discutam os direitos das pessoas e a igualdade perante a lei. Nem me parece que haja assim um tão grande perigo de desunião entre os cidadãos.


 


Cavaco Silva fez mais um pouco de campanha eleitoral, depois da orgia da visita papal. Não lhe fica muito bem.

16 maio 2010

... ou mesmo a mofo

 


Ainda há dias estranhei o silêncio do PS sobre todas as alterações aos planos de governação e às promessas eleitorais. Mas eis que, do fundo das brumas do silêncio, se levanta a voz que defende Sócrates, para criticar António José Seguro, pela entrevista que deu ao Expresso.


 


António José Seguro, concorde-se ou não com ele, é livre de dizer o que pensa. A pluralidade e o debate de ideias é essencial sempre, e mais ainda numa época de tanta incerteza. Pensamentos únicos, como diz Tomás Vasques, cheiram a bafio.


 

15 maio 2010

Love me like a river does









Melody Gardot


 


Love me like a river does
Cross the sea
Love me like a river does
Endlessly
Love me like a river does
Baby don't rush you're no waterfall
Love me that is all
Love me like a roaring sea
Swirls about
Love me like a roaring sea
Wash me out
Love me like a roaring sea
Baby don't rush you're no waterfall
Love me that is all
Love me like the earth itself
Spins around
Love me like the earth itself
Sky above below the ground
Love me like the earth itself
Baby don't rush you're no waterfall
Love me that is all

Que Europa?

 


A construção europeia tem já várias décadas e surge como uma hipótese de manter a paz num continente dilacerado por duas grandes guerras e de formar um bloco económico e político que pudesse negociar com outros blocos.


 


Quando a esquerda, em Portugal, nos sucessivos tratados europeus, se mostrou sempre favorável à integração e à união económica e política, aceitou prescindir do poder decisório em várias áreas. Mas essas cedências tinham sempre em vista maiores ganhos em estabilidade política e económica, uma maior justiça social, o alargamento do nosso espaço comercial e cultural, a eliminação das fronteiras que nos acantonavam e limitavam.


 


É inegável que todos beneficiámos com a entrada na União Europeia, e penso que fez todo o sentido termos aderido à moeda única.


 


Isso não nos deve impedir de reavaliar a situação, à luz do que se passou desde 2008, quando se iniciou a crise global. O que, de início e até há pouco tempo era a opinião dominante, com a manutenção de apoios sociais, a redução do défice vagarosa e cautelosa, a política de investimentos públicos de forma a reanimar as economias da zona euro e de evitar uma recessão que se podia eternizar, mudou repentinamente para uma política económica de redução do défice a todo o custo e rapidamente, de implementação de cortes nas despesas estatais e aumento de impostos.


 


A União Europeia está refém da política interna alemã e das dificuldades que a Alemanha tem de defender o projecto de união económica e política de uma Europa coesa. Por isso o ataque especulativo dos mercados, aquela entidade mirífica que manda no mundo, ao euro e não ao dólar ou a outras moedas, tal como referiu António Costa na última Quadratura do Círculo.


 


Será então que esta Europa nos interessa? Será que, como diz Porfírio Silva, temos que ter mais esquerda europeísta? Qual é a Europa de que estamos a falar?


 


Uma coisa é a existência de directrizes para que haja estabilidade e controlo financeiro nos países do Euro – os Pactos de Estabilidade e Crescimento negociados com Bruxelas. Outra muito diferente é não haver qualquer capacidade de decidir os orçamentos anuais do estado.


 


Para que servem as campanhas políticas com anúncio de programas e políticas diferentes consoante as diferentes forças partidárias que se apresentam a eleições? Que capacidade têm os governantes de honrarem os compromissos firmados com os eleitores se, num fim-de-semana, têm que desdizer o que prometeram na semana anterior?


 


A esquerda europeísta deveria repensar qual o modelo de Europa que quer, qual o modelo de representação democrática, qual o regime político que defende e a quem deve prestar contas. A Europa que temos, se mantiver neste rumo, está condenada a desintegrar-se. Talvez a ideia de Jorge Bateira seja uma boa alternativa. Talvez fosse interessante que o Parlamento e os partidos políticos discutissem estas matérias, que são as verdadeiramente importantes para a definição do futuro, em vez de se entreterem em conversas de comadres desocupadas.


 

14 maio 2010

José Luís Saldanha Sanches


 


Não conheci Saldanha Sanches pessoalmente. Mas os testemunhos que fui lendo ao longo do dia de quem o conheceu fortaleceram a minha opinião de que era uma homem corajoso, frontal, honesto, inteiro.


 


Para quem não leu, fica a ligação para uma entrevista que deu em conjunto com Maria José Morgado, onde recordaram os tempos de fundamentalismo e quase ascese na luta revolucionária, com um distanciamento saudável e crítico, de quem não cristalizou na arrogância dos donos do mundo.

13 maio 2010

Corazon Espinado










Santana & Maná


 


 


Esa mujer me esta matando
Me a espinado el corazon
Por mas que trato de olvidarla


 


Mi alma no da razon
Mi corazon aplastado
Herido y abandonado
Aber aber tu sabes dime mi amor por favor
Que dolor nos quedo


 


Chorus:
Ah ah ah corazon espinado
Ah ah ah como me duele el amor


 


Como duele como duele el corazon
Cuando nostiene entregados
Pero no olvides mujer que algun dia diras
Hay ya yay como me duele el amor


 


Como me duele el olvido
Como duele el corazon
Como me duele estar vivo
Sin tenerte aun lado amor


 


Corazon espinado

Iniciativa política

Talvez não haja mesmo alternativa, até porque cada vez mais não há capacidade de decisão nem soberania, como tão bem explicou Luís Naves. A Europa, mais exactamente a Alemanha e a França, decidem exactamente como se devem governar os países indisciplinados do sul.


 


Mas José Sócrates já devia ter feito o que hoje fez – falar ao país. Explicar o porquê das mudanças do PEC, as razões de tão acelerado pânico internacional, que não é justificado, já sabemos, mas que obriga a desistências e a inflexões de promessas feitas há uma semana.


 


Quando a hora é de aperto é preciso um líder que assuma os problemas e aponte soluções. Sócrates perdeu a iniciativa política na pior altura. Cavaco Silva e Passos Coelho assumiram as rédeas da governação sem que se ouça uma voz do governo, uma voz do partido, assumir a dianteira, confrontar a população com a escolha, ou a falta de escolhas, que temos.


 


Mais uma vez o BE e o PCP reagiram previsivelmente, anunciando desastres e contestação social, mas abstendo-se de explicar qual a alternativa.


 


Talvez não haja mesmo qualquer alternativa, mas quem nós elegemos para governar foi o PS e o seu líder. É bom que se lembrem disso e que o PS perceba que tem responsabilidades. É bom que Sócrates entenda que não se pode refugiar no silêncio. Até porque os resultados dos indicadores económicos do 1º trimestre até são animadores.


 


Quanto à austeridade vai acontecer o mesmo que aconteceu às reformas estruturais – todos as achavam indispensáveis, mas quando foram tentadas, iniciadas ou feitas, houve um esquecimento oportunista da inquestionável necessidade reformista.

11 maio 2010

Promiscuidades

Estou de tal maneira em frontal desacordo com a forma como o Estado Português reage à visita do Papa que me custa expressá-lo.


 


Este é um país em que há legislação sobre a liberdade religiosa, em que a separação entre a religião e o estado está consagrada na Constituição.


 


O Papa deveria ser recebido com a pompa e a circunstância de um Chefe de Estado. O facto de ser um líder religioso é importante para os que professam a mesma religião.


 


Como é possível parar o país durante três dias para receber um líder religioso? Como pode o Presidente da República confundir desta maneira o seu lugar com as suas convicções pessoais? Como pode o chefe de um governo socialista, numa éopca de tantas dificuldades no país, demagogicamente pretender ganhar algum conforto político com esta medida?


 


Com estes gestos o Estado desrespeita-se si próprio.

10 maio 2010

Em nome dos portugueses


 


Quando regressava a casa ouvi o fim de uma entrevista a Fernando Tordo, no Rádio Clube Português. Perguntava ele (e pergunto eu) porque é que 10 antigos ministros das Finanças, após uma audiência com o Presidente da República, falam nos portugueses? Quem lhes deu legitimidade para falar em nosso nome? Quem os elegeu? São representantes de que portugueses? Dos que votaram maioritariamente no PS para governar?

09 maio 2010

Suspendamos

A suspensão das grandes obras públicas, como lhes chamam, o novo aeroporto, a terceira travessia do Tejo e o TGV, são a vitótia do PSD e do CDS, cerca de 6 meses após uma derrota eleitoral.


 


A partir de agora fica demonstrado que as campanhas eleitorais, os programas, os argumentos económicos e sociais não servem, de facto, para nada.


 


A partir de agora qualquer notícia sobre o desmantelamento dos serviços públicos de saúde e educação, ou a alteração das regras da segurança social, será recebida com a indiferença de quem já não se importa.


 


Para quem, como eu, defendeu activamente a vitória do PS, é muito difícil perceber que a crise pode explicar o que se está a passar. Portugal voltou a ser aquele país em que se vive o dia a dia sem horizontes. Manuela Ferreira Leite e Cavaco Silva estão de parabéns.


 


O PS perdeu legitimidade eleitoral, por desfazer e desdizer tudo o que disse e quis fazer na legislatura anterior. Vamos arrastar-nos até às eleições presidenciais, protagonizadas por figuras do passado, sem qualquer capacidade para devolver a esperança a uma boa parte da população. Cruzam-se frases feitas e os bastidores fervilham com o poder que se avizinha, depois de Cavaco Silva iniciar o segundo mandato.


 


E assim nos vamos entretendo com o vulcão, o Benfica e as contas por pagar. A vida continua e, apesar de Maio estar chuvoso, o Verão já não tarda.


 

05 maio 2010

Um dia como os outros (55)

 



(...) Quando lutamos por direitos justos, o governo critica os enfermeiros pelo que fica por fazer [consultas e cirurgias programadas], mas agora é ele que promove dois dias de tolerância de ponto, cujas consequências são parecidas, disse Guadalupe Simões, dirigente do SEP. (...)


 

Inaceitável

 










 


Isto é inacreditável e absolutamente inaceitável.

Separação entre o Estado e a Igreja

Petição Cidadãos pela Laicidade.

Intervenções a desgoverno

Cavaco Silva reúne com aqueles que são contra as obras públicas, nomeadamente o TGV, o aeroporto e a travessia do Tejo. Cavaco Silva, mais uma vez, interfere na esfera do governo dando cobertura à intoxicação mediática a que se assiste em prole das posições do PSD.


 


Paralelamente, Manuel Alegre oficializa a sua candidatura oficiosa à Presidência da República, e critica a intervenção de Cavaco Silva. A ironia suprema é que Manuel Alegre passou os últimos anos de pré campanha eleitoral a fazer exactamente o mesmo – a interferir na esfera do governo, criticando duramente as reformas realizadas.


 


Parece-me que uma grande parte da população ainda não se revê em qualquer dos candidatos presidenciais. Com o advento do bloco central, Cavaco Silva ganhou uma alma nova. E até as cautelas que ultimamente tinha no que diz respeito às relações com o governo, desapareceram.




Cemitério vivo

Há mortos bem vivos nos Cemitérios que guardam histórias.


 


A essa gente de caveiras bem pensantes e imaginativas, os meus calorosos e defuntos agradecimentos. É com muito orgulho que entro no vosso jardim de pedra.

Transborda


pedra de sangue ShouShan: Red Cliff


dinastia Qing


1644-1911


 


Não foi a água que mudou o vinho, mas o vinho que mudou o copo, de verde para vermelho, bem grosso e escuro, um líquido mastigável e quase assustador. Não foi bem a calçada que se moveu mas os ossos que se estreitaram e somaram estilhaços no meio da aridez fiel e descampada do seu corpo.


 


Despiu definitivamente o pudor e transformou o vinho em sangue.

02 maio 2010

Everytime We Say Goodbye











Cole Porter & John Coltrane

Trabalho e trabalhadores


 


Passou o dia 1 de Maio, aquele dia em que ninguém devia esquecer-se de reparar. Porque é o dia em que se eleva à dignidade não o trabalho, mas o trabalhador.


 


Na sociedade ocidental e ocidentalizada, num país como Portugal, o trabalho deixou quase definitivamente de ser uma componente essencial da vida. O trabalho é olhado hoje como uma inevitável cruz que nos permite auferir um ganho que nos financie o prazer. O trabalho deixou de ser considerado uma fonte de realização pessoal e uma contribuição para a vida em sociedade.


 


A esta escala de valores associa-se uma voragem económica que tudo suga, um apelo ao consumo e ao crédito, a melopeia do facilitismo, a ausência de exigência. Palavras como motivação ganham contornos quase absurdos, quando a elas se recorre para justificar negligência e incompetência, falta de assiduidade, pontualidade e empenhamento. O alcance da perfeição, por muito inatingível que esta seja, não faz sentido quando se fala de trabalho.


 


E no entanto, há uma enorme massa humana que abdica diariamente dos direitos mais básicos, da sua dignidade intrínseca e individual, assim como da sua dignidade como grupo solidário, para mendigar as migalhas de um trabalho sem condições, mal remunerado, sem regras nem fiscalização, que transformam a fome e o isolamento em escravatura. E isso passa-se nos países da Europa que contratam mão-de-obra imigrante africana, que separam famílias, que tratam os seus semelhantes como animais de carga.


 


Enquanto assistimos à marcha daqueles que têm emprego, ouvimos as reivindicações de um movimento sindical que perdeu de vista as novas revoluções tecnológicas e sociais, que se entrincheirou num tempo que já não existe, que esquece aqueles que não conseguem aceder ao mercado de trabalho, que não se preocupa com o mérito, com a competência, com objectivos de excelência mas apenas com os direitos adquiridos, que fala dos desempregados mas apenas defende corporativamente os seus cada vez menos associados.


 


Inevitavelmente continuamos esta marcha de aprofundamento das desigualdades sociais, do aumento da mancha dos arredados do sistema, do desaparecimento dos direitos de todos e da relativização de valores de solidariedade e coesão social.


 


Adenda: vale a pena reler este texto da Clara Ferreira Alves.


 

Quebradiço

A voz do mar na boca O gume afiado do horizonte Na curva infinita do esquecimento   Reconheço nos ossos A aridez da vontade Queb...