14 maio 2010

José Luís Saldanha Sanches


 


Não conheci Saldanha Sanches pessoalmente. Mas os testemunhos que fui lendo ao longo do dia de quem o conheceu fortaleceram a minha opinião de que era uma homem corajoso, frontal, honesto, inteiro.


 


Para quem não leu, fica a ligação para uma entrevista que deu em conjunto com Maria José Morgado, onde recordaram os tempos de fundamentalismo e quase ascese na luta revolucionária, com um distanciamento saudável e crítico, de quem não cristalizou na arrogância dos donos do mundo.

8 comentários:

  1. ACÁCIO LIMA18:23

    COMENTÁRIO AO POST DE SOFIA LOUREIRO DOS SANTOS, "JOSÉ LUÍS SALDANHA SANCHES"

    Embora nos últimos anos, desde 2003, as nossas relações fossem débeis, doi-me muito este passamento do José Luís, mais novo que eu, cerca de quatro anos.

    O José Luís foi um excelente companheiro de prisão, solidário e muito vertical.

    De 1966 a 1970, vivemos perto um do outro, nos Fortes de Caxias e de Peniche.

    - “encontrámo-nos” numa Sala do Reduto Norte de Caxias, sem visitas e sem jornais, salvo “A Bola”, sem livros, e tivemos a sorte de descobrir um coto de lápis, num canto da sala, o que nos permetia, usando folhas de papel higiénico, conceber problemas de palavras cruzadas, que depois trocávamos e resolviamos.

    - depois fomos transferidos para uma mesma sala, mas no Reduto Sul de Caxias, onde a Mãe dele, a D. Alda o visitava, e presenteava com queijo flamengo holandês e latas de chá inglêsas, que compartilhava.

    - de seguida fomos levados para o Forte de Peniche e “alojados”, em Celas contíguas, no Pavilhão C- 3 º Piso. Comunicávamos por toques na parede, cifrados.

    - um belo dia fomos transferidos, ambos, para o 3º Piso do Pavilão B do Forte de Peniche, tendo eu sido remetido para a Cela 2 e ele para a Cela 3. Ambos dados a “excessos”, acordamos, às escondidas dos guardas, usar o único lençol de cama distribuido por semana aos presos, alternadamente, para termos o “regalo” quinzenal, de dormir numa cama lavada, completa; como dizia, dados ambos a “excessos”, a garrafa de vinho, semanal, que nos era permitido comprar em Peniche, nós a bebiamos numa só refeição, à quarta-feira, contra o hábito do Blanqui Teixeira que a repartia pelas catorze refeições da semana, estando o Álvaro Augusto Veiga de Oliveira, na posição intermédia , mas próxima da nossa, de usar o 7,5 dl, em duas partidas

    O seu interese pela Fiscalidade, data dessa época, dedicando ele várias horas por dia, na sua Cela, ao estudo de abundante bibliografia sobre a matéria.

    A Comunicação Social insere uma Biografia escassa do José Luís Saldanha Sanches.

    Ferido a tiro pela PIDE, numa manifestação de protesto pelo assassinato pela PIDE do estudante Ribeiro dos Santos, é levado para o Hospital para ser tratado do ferimento causado pela bala, e imediatamente saído da operação, sujeito a interrogatório.

    Depois é preso e condenado pelo Tribunal Plenário por alegadas actividades ligadas ao PCP.

    Para depois ser preso e condenado por alegadas actividades ligadas ao MRPP.

    Depois do “25 de Abril” é preso pelo COPCON, numa medidade insensata, e encarcerado no Forte de Elvas, onde o fui visitar.

    Como compreende, este meu Depoimento, está carregado de detalhes, provavelmente tidos por “coisas menores”, mas fiz questão de os referir, para que a “MEMÓRIA NÃO SE PERCA”, e Sua cremação não seja o fim de uma Vida Generosa, Vertical e de Coragem.

    Fica, para, mim a Referência e o Companheirismo de anos.

    Cordiais Saudações Democrárticas, Republicanas e Socialistas

    de

    Acácio Lima

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    1. Obrigada pelo seu testemunho.

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    2. ACÁCIO LIMA22:02

      01- Registo a Sua anotação, e recordo- Lhe que tenho boa memória.

      02- É claro que poderia caracterizar o pensamento de José Luís Saldanha Sanches, as Suas concepções e as Suas leituras da realidade. Mas, tal não faria sentido sentido, neste exacto momento, em que nos deixou,perdido o exercício do contraditrório. Mais que uma deselegância minha, seria esbater a Imagem rica de um Homem Tenaz, Corajoso e Vertical, e isso repugna-me.

      03- Mais tarde, outros mais capazes que eu, farão um Estudo Crítico e Aprofundaddo da Obra e Vida Dele, numa então Homenagem, a que tem direito por justa.

      Saudações Amistosas e Afáveis de

      ACÁCIO LIMA

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    3. PINK08:47


      UMA NO CRAVO,OUTRA NA FERRADURA, OU INTERPRETEI MAL?

      GOSTARIA DE MAIOR CLAREZA,JA' QUE EXIGIR NAO POSSO NEM DEVO.

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    4. PINK08:55


      O SEU COMENTARIO E' CAMPO FERTIL PARA ESPECULAÇOES .OU INTERPRETO MAL AS SUAS AFIRMAÇOES, QUANDO ME SOAM MAIS A INSINUAÇOES?



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    5. ACÁCIO LIMA13:16

      "o cravo e a ferradura" devem ser para a Tia do "Encapuzado", parafraseando o actual Secretário-Geral do Partido Socialista, respodendo Ele , também, a insinuações.

      Ver meus dois comentários anteriores, nomeadamente o segundo, último parágrafo.

      Acácio Lima
      B.I. Nr. 1468705.4
      Arq. Porto
      2007/08/13

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    6. Apenas uma rectificação: Saldanha Sanches enfrentou os esbirros da PIDE nessa tarde de 12 Ouutubro de 1972. Quem ficou ferido numa perna foi José Lamego, que corajosamente saltou para as costas dum PIDE , agarrou-lhe a mão, levou um tiro numa perna e impediu que houvesse mais mortos ou feridos.Fui eu quem transportei José Lamego ao Hospital de Santa Maria e presenciei os minutos de vida finais de Ribeiro Santos, entretanto também transportado por um Assistente de Económicas.
      Júlio Pêgo

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    7. ACÁCIO LIMA18:10

      A RECTIFICAÇÃO SUPRA É DEVIDA, E JUDICIOSA.
      UM LAPSO MEU DE DATAS.
      AS MINHAS DESCULPAS PELA IMPRECISÃO.

      ACÁCIO LIMA

      PS- TAMBÉM HÁ OUTRO LAPSO NO MEU TEXTO. NA ÚLTIMA PRISÃO, ANTES DO "25 DE ABRIL", NÃO HOUVE JULGAMENTO, POIS ELE FOI LIBERTADO COM A ECLOSÃO DO "25 DE ABRIL"

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