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15 maio 2018

Afinal não fui só eu

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2017


 


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 2018 


 


(...) A estranhíssima verdade é que, pela primeira vez desde a primeira centelha do universo, Portugal teve a melhor canção da Eurovisão dois anos seguidos. Para não dizer (porque reconheço que a minha opinião é suspeita) que na Eurovisão deste ano e do ano passado as canções portuguesas foram as únicas que se conseguiam ouvir com prazer.


Em 2017 foi Amar Pelos Dois de Luísa Sobral. Em 2018 foi O Jardim de Isaura. Em 2017 a melhor interpretação foi a de Salvador Sobral. Em 2018 foi a de Cláudia Pascoal e Isaura. São três mulheres e um homem – e as duas compositoras são mulheres. Mulheres portuguesas. É um orgulho altamente repetível, este de ver Portugal bem representado na Eurovisão. (...)


 


Miguel Esteves Cardoso

13 maio 2018

Dos palpites e das considerações

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É claro que nunca ganhei nem ganharei nunca o euromilhões. O meu jeito para apreciar eventos e palpitar resultados, sejam eles de jogos de sorte e azar, concursos televisivos ou resultados eleitorais, é patente em vários dos posts que já aqui deixei, e só ultrapassável pelo Prof. Marcelo.


 


O problema é que me esqueço e reincido. Mas mantenho que, apesar de ter achado impecável o espectáculo, de onde destaco as actuações extra ao próprio festival (apesar de não ter gostado da versão da Mariza do Barco Negro), para além de toda a organização, alegria e profissionalismo das apresentadoras, as canções eram bastante horrorosas, tendo brilhado pelo grotesco a vencedora. O Jardim, da Cláudia Pascoal e da Isaura, foi muito melhor.


 


Definitivamente, nunca serei rica.

04 março 2018

Linha de Separação

Desde há muito tempo que não seguia séries na televisão. Há muitos anos mesmo. Mas nos últimos tempos, com as excelentes séries que têm passado na RTP2, esse hábito vem-se instalando.


 



 


Primeiro com Nobel, uma série norueguesa que conta uma falhada negociação política entre a Noruega e o Afeganistão, numa tentativa de fazer um acordo de paz que servisse os vários grupos de talibãs, depois com esta Linha de Separação, redescubro a vontade de me sentar em frente ao televisor, ansiosa por ver a continuação da história.


 


Esta série tem como centro uma aldeia que ficou dividida ao meio pela guerra fria, logo após o fim da II Guerra Mundial. Está muitíssimo bem feita, transportando-nos a um tempo que não é assim tão longínquo, mas que quase parece inventado. A transformação dos fanáticos nazistas em fanáticos comunistas, os oportunistas, os que vivem numa nuvem ideológica, apercebendo-se duramente da mistificação, a forma como se doutrinavam as pessoas desde a mais tenra idade, tudo nos devolve a inquietação pelo que pode ser a instalação de uma ditadura duríssima, mesmo após a queda de outra, não menos dura. E tudo em nome do povo.


 



 


E agora voltamos a outra série norueguesa, que promete - Ocupados.


 


25 janeiro 2014

Das ofertas recebidas (3)

 



 



 


 


Este Natal cinéfilo continuou-se com a série de televisão da HBO - The Nº 1 Ladies Detective Agency - que, infelizmente, se ficou pela primeira série. O ritmo, as cores, o sentido de humor e a sensibilidade impregnadas estão de acordo com as histórias de Alexander McCall Smith. Esta série ganhou inúmeros prémios, não se percebendo a razão de não ter continuado. São 6 episódios deliciosos.


 


A protagonista Mma Ramotswe (Jill Scott) está perfeita. Mas a caracterização e interpretação que mais me maravilharam foi a de Mma Makutsi, encarnada por Anika Noni Rose. A dicção lenta e as legendas em inglês facilitam a compreensão e compensam a falta de legendas em português.


 


Uma oferta excelente e aconchegante para estes dias invernosos.


 


 


 

27 julho 2011

Lamaçal

 


Não assisti ao debate entre Alfredo Barroso e Teresa Caeiro. Mas, via Câmara Corporativa, tive oportunidade de ver o referido debate, se é que se lhe pode chamar isso, moderado pelo sempre inqualificável Mário Crespo.


 


Alfredo Barroso começou por ler um artigo de Filipe Santos Costa, que citava frases de Paulo Portas, em que este referia os montantes exactos das várias específicas despesas a cortar pelo governo, essa direita que não aceitava o aperto fiscal e a recessão. Teresa Caeiro, incapaz de justificar o injustificável, arrastou a conversa para uma troca de insultos, falando de lamaçal repetidamente, sendo ela própria a primeira a atirar lama.


 


É muito difícil para a direita - nomeadamente o Presidente da República e os líderes do PSD e do CDS - que durante anos insultou os governantes do PS, chamando-lhes mentirosos, fazendo campanhas de descredibilização e de ataques de carácter, que justificava toda a situação económica do país pela incúria, incompetência e mentiras de Sócrates, ser agora confrontada com o facto do país se aperceber das campanhas, das calúnias, das manipulações e das mentiras dessa mesma direita.


 

14 fevereiro 2007

Entretenimento

Ontem vi um pedaço do programa abrilhantado por Jaime Nogueira Pinto, em que traçava um Salazar muito à maneira dele, muito patriótico, muito honesto, muito modesto, muito missionário, muito ditador, mas isso até era bom, sem dúvida, mas este povo até gosta, enfim, nunca mais fomos os mesmos, o que era preciso era mesmo outro Salazar para meter isto na ordem.

Há uma ou duas semanas vi um pedaço do mesmo programa, desta vez abrilhantado pela dramática Odete Santos, toda ela em cores de encarnado, com grandes gestos e emocionado semblante, traçando o perfil do herói mais heróico que tivemos a sorte de ter em Portugal, que lutou contra a longa noite do fascismo, com determinação e coragem.

Estes programas, como muito bem disse A. Teixeira, são de entretenimento, e não de informação. Por isso acho absurdas as posições estremadas, de louvor extremo ao programa até à acusação de neosalazarismo encapotado, que se lê pela blogosfera.

Apesar de saber que Álvaro Cunhal defendia um regime idêntico àquele que combatia, não posso deixar de ter alguma simpatia pela sua figura. De facto era inteligente, aventureiro, artista, enfim um herói romântico, que só o foi porque nunca conseguiu chegar ao poder.

Relativamente a Salazar, para mim ele era tudo menos um grande português. Foi um homem que moldou o país à sua imagem e semelhança, sem grandeza de qualquer espécie. A partir do pós guerra, não vejo qualquer justificação para o aprisionamento das pessoas e das ideias, para o empobrecimento, para o enquistamento do conservadorismo e do provincianismo, para a rejeição das novidades na política e na sociedade.

28 janeiro 2007

Auschwitz, há 62 anos (2)

Tive pela primeira vez a uma noção do que poderia ter sido o Holocausto quando vi uma excelente série documental na televisão: O Mundo em Guerra (The World at War, da Thames Television, 1973). Tudo, desde a apresentação, à música de abertura, à voz de Laurence Olivier, era absolutamente arrepiante, pregando-me à cadeira, hipnotizada. Os episódios que narravam a deportação e o extermínio dos judeus, os campos de concentração e a sua libertação, eram aterradores.

A banalidade do mal, a máquina administrativa e bem oleada do Estado Alemão, o esforço daquele país na guerra, a alienação do povo, a luta pela sobrevivência, o despojamento de tudo o que significa ser humano, da dignidade, da identidade, tudo me horroriza. Do que podemos ser capazes!

Depois disso já li muita coisa sobre o Holocausto. A Escolha de Sofia, de William Styron, foi o primeiro, Sem Destino, de Imre Kertész, o último, e o que mais me impressionou. Com este livro nos apercebemos de como nos podemos adaptar ao mal absoluto e absurdo, fazendo do inenarrável o quotidiano, no sofrimento, no adormecimento das funções cerebrais superiores, como nos adaptamos a sobreviver encurralados, como a simples ideia de comer pode ocupar a totalidade da existência.

Assusta-me que a memória colectiva se vá esvaindo, permitindo haver quem ponha em causa a existência do Holocausto. É o primeiro passo para a repetição do horror. Não percebo porque não são obrigatoriamente mostrados filmes e documentários nas escolas, porque não se mostra aos nossos filhos o que a banalização do mal pode fazer.

Fui dar a estes 2 sites: Fórum de comemoração do 60º aniversário da libertação de Auschwitz-Birkenau; museu de Aushwitz-Birkenau.

Para que ninguém esqueça, para que nunca se repita.

11 dezembro 2006

Isenção (actualizada)

Considero a argumentação que gira à volta da ausência de José Sá Fernandes no programa Prós & Contras absolutamente abusiva. A RTP é um canal público mas não estamos em campanha eleitoral. Os critérios jornalísticos que ditam o tipo de convidados para cada programa e o local onde estão sentados, não são obrigatoriamente os da proporcionalidade de votos.

Segundo o Sol e o Arrastão, houve um recuo por parte da produção do programa e, afinal, José Sá Fernandes já faz parte do painel central, devido aos protestos do Bloco de Esquerda. Se assim foi, acho uma pena, pois considero uma cedência de profissionais perante o folclore bloquista. A qualidade e a isenção dos organizadores do programa deverão ser avaliadas pelas audiências e pelos organismos de regulação.

A verdade é que este programa tem levantado celeuma, pois só assim se compreende os holofotes nele sempre focados e o sempre animado debate em relação aos eventuais convidados.

Quem se estará a sentir incomodado?

Actualização: vale a pena ler estes “posts”. Até parece que foi combinado!

18 novembro 2006

Arredondar

Vi um pouco do "Expresso da Meia Noite", na SIC.

O vice-presidente do "Millenium BCP" quer convencer quem, de que os clientes sequer sabiam da existência de arredondamentos, quanto mais de arredondamentos do tipo que todos os bancos praticam??

17 novembro 2006

Ruído de fundo

Não percebo muito bem qual o interesse da entrevista de Cavaco Silva a Maria João Avillez. Ainda por cima com a entrevista de Santana Lopes a Judite de Sousa praticamente ao mesmo tempo.

Não entendo a oportunidade, o tom, o tema. Porquê este apoio ao governo, neste momento? Será que se quer criar a confusão entre a vontade presidencial e a vontade governamental? Qual o objectivo de Cavaco Silva? A população está serena, o congresso o PS não aqueceu ânimos.

Que se passou de importante, ou que efeméride se está a comemorar, para que apareça o Presidente a dizer coisas já ditas e reditas? Foi para ouvir reacções ao livro de Santana Lopes?

Acho estranho e esdrúxulo este súbito protagonismo do Presidente.

03 novembro 2006

Alternativa?

Não percebo muito bem o interesse jornalístico de uma grande entrevista a Alberto João Jardim. De facto, não temos muitos programas humorísticos, mas Alberto João Jardim não tem mesmo graça nenhuma.

Também não entendo muito bem qual o objectivo político de Marques Mendes ao dar cobertura às diatribes de Presidente do Governo Regional da Madeira. Ou da factura dos “cocktails”, ou da colagem aos que contestam a Ministra da Educação.

Tal é a falta de ideias e de alternativas.

20 outubro 2006

Quadratura do Círculo



Gosto de assistir à Quadratura do Círculo. Habitualmente as posições do representante do PS eram sempre as mais parciais, e falo de José Magalhães e de Jorge Coelho, sendo as suas opiniões não mais que uma caixa de ressonância do governo.

Sempre considerei Pacheco Pereira um político preparado, com honestidade intelectual, apesar de não concordar muitas vezes com ele. Mas de há uns tempos a esta parte, talvez desde a campanha para as eleições presidenciais, Pacheco Pereira, sempre que intervém num debate, seja sobre o Iraque, o terrorismo islâmico ou o anti-americanismo, seja sobre Sócrates e o governo socialista, tem sido de um sectarismo que toca as raias do incrível.

Quando fez a apreciação ácerca do programa Prós & Contras, sobre a lei das finanças locais, perguntei-me se teria visto o mesmo programa que ele, de tal forma a minha opinião era o oposto da dele!

Quanto às políticas do governo, tão depressa o governo está apenas a fingir que faz reformas e a empobrecer-nos a todos, como devia olhar para as manifestações e para as greves, como tinha muitas soluções alternativas, por exemplo, à reforma da segurança social.

Pacheco Pereira está a perder a capacidade de se fazer ouvir, o que é uma pena. Até Jorge Coelho começa a fazer figura de sensato!

12 setembro 2006

Medo do terrorismo global


Não vi a totalidade do programa “Prós e Contras” sobre o terrorismo, com Mário Soares e Pacheco Pereira.

Do que vi, Mário Soares está longe da sua forma. Trémulo, pouco preciso, esquecido, trocando palavras, um pouco surdo, Mário Soares é uma pálida amostra do que já foi.

Mas, concorde-se ou não com ele, Mário Soares tem ideias bem definidas. Acha que Bush e a sua administração têm uma lógica imperial, querendo impor os seus valores ao mundo, apelida Bush de fanático religioso, e ataca a estratégia antiterrorista dos USA, olhando para os resultados. Advoga os princípios do direito internacional e repudia o conceito de guerra preventiva. É claro que as humilhações ao mundo islâmico e o diálogo com Bin Laden, a Al Qaeda e afins parecem-me totalmente descabidas.

Por outro lado Pacheco Pereira, que também tem ideias bem definidas, embora aparente aceitar alguns erros da administração americana, compreende e aplaude o “fazer qualquer coisa”, reagir, atacar, tendo inclusivamente aceite a eventual necessidade de invasão do Irão, explicando o conceito de guerra civilizacional. Para Pacheco Pereira, o direito está desfasado da realidade e destas novas ameaças, pelo que não se incomoda muito com os atropelos dos americanos aos direitos humanos, que eles dizem defender.

Dos representantes da comunidade islâmica, e mais uma vez repito que não vi tudo, um deles defende sem defender a teoria da conspiração, segundo a qual os terroristas tiveram a conivência da administração Bush para perpetrarem os ataques de 11 de Setembro.

De todos, pareceu-me que Helena Matos foi a única que teve uma intervenção interessante e lúcida.

Enfim, Mário Soares está velho e senil. E qual é a desculpa de Pacheco Pereira?

07 setembro 2006

Incêndios


Sempre considerei Pacheco Pereira como um indivíduo que, embora pertencente a um partido político, tinha a capacidade de olhar para o cenário político de uma forma independente e intelectualmente honesta.

Tenho que rever em baixa essa minha assumpção. Então após a “Quadratura do Círculo” de ontem, é mesmo obrigatório e urgente que o faça.

De muito se pode acusar este governo, nomeadamente do controlo mediático, da propaganda e do discurso autoritário-e-positivista, possível pela inexistência de oposição credível.

A discussão sobre os incêndios, no dito programa, foi de uma inacreditável demagogia e falta de rigor, como Pacheco Pereira sempre reclama, o rigor.

Então vamos lá ao rigor:

  • Segundo o relatório de 5 de Setembro, da Direcção Geral dos Recursos Florestais (DGRF), entre 1 de Janeiro e 31 de Agosto deste ano, houve 18770 ocorrências (2897 incêndios e 15873 fogachos) o que correspondeu a 57994 ha de área total ardida. Este número corresponde a 19,31% da área ardida em 2005, 29,79% da média da área ardida entre 2001 e 2006 e 91,35% da menor área ardida (2001 – 63483 ha).
  • Ao olharmos para o gráfico do índice de severidade, percebemos que 2006 foi semelhante a 2003.

É claro que é horrível a quantidade de área ardida, é claro que o governo não pode ficar satisfeito e deve tomar medidas para que acabe este flagelo sazonal. Mas não podemos deixar de reconhecer que as medidas implementadas foram importantes e tiveram resultados muitíssimo melhores que os obtidos de há 5 anos para cá! Foi uma vitória de todos os que combatem os incêndios e uma vitória política de António Costa e do governo.


O que não correu nada bem foi a prevenção, a limpeza das matas, por exemplo e, se calhar, deve ser aí que se devem concentrar os esforços e alterar atitudes e comportamentos, do estado e dos privados.

Ao não reconhecerem estes factos, Pacheco Pereira e Lobo Xavier demonstraram quão desesperada está a oposição. E bem à maneira de político chocarreiro, quando percebeu que era melhor largar o assunto incêndios, Pacheco Pereira atacou falando no MIT (importante, sem dúvida) e do passaporte electrónico!

Foi de tal maneira que até consegui concordar com Jorge Coelho!!

21 julho 2006

Jornalismo


Quem tenha visto ontem, na RTP1, a peça sobre o debate parlamentar com a Ministra da Educação teria ficado exactamente na mesma no que diz respeito às razões pelas quais tinha decidido repetir duas provas. Teria visto que a justificação seria a existência de péssimos resultados e teria ouvido excertos das intervenções dos deputados da oposição que lhe chamaram incompetente e arrogante.

Não tive oportunidade de ver as reportagens dos outros canais generalistas, mas deduzo que devem ter sido semelhantes, pois na maioria dos casos assim é. Há uma espécie de cartelização dos telejornais.

Quem, como eu, viu as duas coisas, não pode deixar de ficar perplexa e muito preocupada com a forma como a informação é manipulada.

A omissão de informação é tanto ou mais grave que a sua deturpação pura e simples. Os jornalistas têm a função de servir informação para que quem a lê possa cruzar dados e pensar com e sobre eles. O poder dos media é enorme e exige uma enorme responsabilidade assim como um enorme profissionalismo.

Neste momento o que interessa ao jornalismo televisivo é o aproveitamento de alguns momentos histriónicos, cómicos ou trágicos que prendam a atenção dos espectadores, sem qualquer preocupação de rigor, explicação ou esclarecimento. O tempo disponível para debitar frases ou imagens é curto, e de uma notícia salta-se para outra, mais espectacular que a primeira.

O que mais me impressiona é que esta manipulação de informação não é ditada por qualquer ideologia. É apenas ditada pelo imediatismo, pelo controlo de audiências e pela tentativa de cativar novos espectadores.

Os partidos políticos e os governantes já se habituaram a esta ditadura comunicacional e tendem a governar, não com programas e objectivos, mas com aquilo que fica bem no telejornal das 20:00, para quem os julga de imediato, ou seja, os vários jornalistas / comentadores que se passeiam de um para outro canal, explicando a quem ouve o que deve pensar.

Isto é menos verdade no jornalismo escrito, em que a escolha é maior. No entanto, conforme alerta Fernanda Câncio no seu
artigo de hoje, a imprensa escrita está a cair no mesmo erro, reduzindo as notícias a alguns títulos, servindo-as sem peles nem caroço para melhor serem deglutidas.

A informação livre é um dos pilares da democracia. Que liberdade de informação é esta se temos um filtro ditado pelas leis das audiências e do espectáculo? Como se pode assegurar que o que vemos e ouvimos corresponde, de facto, ao que se passa? Quais são os deveres profissionais e éticos dos jornalistas, quem os regula e controla?

Como em todas as profissões há bons e maus profissionais. Como todas as corporações, esta assume a defesa de atitudes e situações indefensáveis, considerando-se acima de qualquer crítica. Como noutras profissões, a auto regulação não funciona, sindicatos, ordens e outros organismos perpetuam e amplificam o autismo corporativo.

12 julho 2006

Entrevista (II)

Falou-se ainda da pintura no feminino. Embora seja muito politicamente correcto falar das diferenças entre o masculino e o feminino na política, na arte, no exercício do poder, habitualmente formas artificiais de se realçarem aspectos mais ou menos positivos, consoante o que interessa, não tenho dúvidas que homens e mulheres são diferentes e que por isso têm maneiras diferentes de se exprimirem.

Biologicamente as mulheres têm menos velocidade de ponta, mas têm mais resistência. Culturalmente sempre foram obrigadas a cumprir as tarefas de manutenção da vida, como nascer e ajudar a nascer, dar de comer, amamentando e providenciando a alimentação da família, tratar da casa, das roupas, dos afectos, dos homens, do velhos, compreender, abraçar, suster, amortalhar. Aprenderam a ser meigas e duras, generosas e avarentas, a seduzir, a usar, a dar. Para as mulheres a vida é feita de coisas palpáveis, porque é a elas que se pedem contas dos usos terrenos, dos corpos.

Como Ana Sousa Dias dizia, a vida, na pintura de Graça Morais assim como na de Paula Rego, não é só bonita, com flores e borboletas. É crua, agressiva, violenta.

Foi um gosto conhecer mais um bocadinho de Graça Morais.


(pintura de Graça Morais: Maria)

Entrevista (I)


Assisti ontem, na RTP2, a uma entrevista feita pela Ana Sousa Dias, naquele seu jeito manso e intimista, a Graça Morais, de que gostei imenso.

Graça Morais, com o seu sotaque, os seus cabelos brancos em carrapito, os seus lábios vermelhos e as suas mãos esvoaçantes, sem artifícios, como ela própria se define, é de uma claridade e de uma simplicidade exemplares.

Para os nossos estereótipos do que é uma artista, nomeadamente uma artista plástica, o pragmatismo, misturado com uma sabedoria de gente autêntica, da terra, talhada na pedra, como as mulheres ancestrais, nomeadamente a sua mãe, com quem ela se confunde nos retratos que faz, são um bálsamo e um orgulho.

Dizia ela, a certa altura, que pinta porque precisa, que pinta o que conhece, o que sabe, o que sente. Pergunto-me se, de facto, podemos conhecer os artistas, pintores, músicos, poetas, romancistas, por exemplo, por aquilo que produzem, pela sua faceta criadora.

Pergunto-me se os artistas não se transformam, se não há uma parcela de loucura, se não há outras pessoas, outros seres, outras almas dentro de uma mesma pessoa, e se a expressão de todas essas criaturas, tantas vezes conflituosas, não será a expressão da arte criadora, o retrato de tantas vidas sobrepostas e misturadas.
(pintura de Graça Morais: visitação)

30 maio 2006

Cortar

Ontem, Medina Carreira no seu melhor. Penso que não devemos preocupar-nos com a despesa, com os impostos, com o emprego, com o país, visto que não tem solução, visto que ainda não estamos preparados para as verdadeiras, as fundamentais, as profundíssimas reformas que ele, Medina Carreira, sabe que são necessárias. Não diz é quais.

Sabe que Teixeira dos Santos diz uma parcela da verdade, mais precisamente 20%, mas que os restantes 80%, em que estão incluídos os serviços de saúde, de educação, subsídios de desemprego, de maternidade, etc, estão envoltos em brumas e cortinas de fumo.

Porque não nos disse ele então como cortar nesses 80%? Passamos a ter que pagar a educação, as consultas médicas, os internamentos hospitalares? Deixamos de receber 13º e 14º meses, subsídio de desemprego, subsídio de alimentação? Deixamos de ter direito aos 4 meses de parto, subsídios de funeral, abonos de família?

O quê? Eu estou preparada! Acho é que Medina Carreira não está preparado para mo dizer!

23 maio 2006

Contras sem Prós

Assisti ontem à maior parte do programa “Prós & Contras”. Foi uma tristeza.

Manuel Maria Carrilho (MMC) com tiques tresloucados e histéricos, voz desafinada e olhar alucinado, demonstrou à exaustão a sua petulância, arrogância, pedantismo e um ego desmesurado, atropelando as palavras de toda a gente, raiando a má educação.

A maior infelicidade é que eu até acho que MMC tem razão nalgumas coisas que diz. É verdade que há uma total desvirtuação das (poucas) mensagens dos políticos, protagonizada pelos jornalistas, que procuram o espectáculo e não a informação. É verdade que o poder dos média é quase incontrolável. É verdade que somos intoxicados por pretensas notícias sem que os jornalistas se tenham preocupado em percebê-las, explicá-las ou sequer confirmá-las, e que se repetem em todos os jornais, televisões etc, até gastarem a paciência de quem vê, lê ou ouve. É verdade que é quase um sacrilégio dizer-se que há mau jornalismo.

Mas parece que MMC só se apercebeu disso porque perdeu as eleições, não porque genuinamente o pense. Pelo contrário, tentou usar a comunicação social e saiu-lhe “o tiro pela culatra”. Para MMC a diferença entre estar em público e estar em privado, é que em público finge aquilo que não é.

Emídio Rangel, no papel de anjo virtuoso do jornalismo foi, simplesmente, risível.

Ricardo Costa, que é um dos jornalistas analistas, e cuja independência não é exemplar, enviou algumas mensagens pouco dignas, principalmente a Emídio Rangel, como por exemplo perguntar-lhe se tinha avisado Jorge Sampaio e Cavaco Silva de que estavam a ser filmados, num dos debates que fizeram. Mesmo que o não tenha feito não justifica um comportamento pouco ético da parte de Ricardo Costa. Mesmo assim, aguentou bem as inacreditáveis acusações de MMC.

Pacheco Pereira foi quem se saiu melhor, pedindo de imediato a MMC que provasse a compra dos jornalistas pelos tenebrosos agentes imobiliários, e desmascarando a total incoerência dos políticos que se servem da comunicação social e que depois dizem mal dela.

Fátima Campos Ferreira não soube manter a conversa ao nível da discussão sobre a democracia e os valores da liberdade e responsabilidade informativas, conduzindo-a para o reino da maledicência, o diz que disse, acusações não demonstradas, puxando as revistas cor-de-rosa e os episódios com Bárbara Guimarães para inflamar MMC. Foi vulgar.

Assim se deu mais um exemplo do que é um mau programa de informação: em vez de esclarecimentos tivemos um espectáculo de má qualidade.

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