A partir de hoje Marcelo Rebelo de Sousa é o meu presidente e de todos os portugueses.
Discurso digno, curto e emotivo. Sampaio da Nóvoa despediu-se muito bem.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
A partir de hoje Marcelo Rebelo de Sousa é o meu presidente e de todos os portugueses.
Discurso digno, curto e emotivo. Sampaio da Nóvoa despediu-se muito bem.
... VOTE
Não vá em cantigas de adormecer, não se dobre ao desânimo nem à descrença. O seu voto conta, tanto quanto o de cada um de nós, e todos juntos mudaremos o que quisermos.
Ainda vai a tempo. Não se divorcie do seu País.
VOTE
É mesmo muito importante. Como sempre.
Hoje é a nossa vez. A nossa voz.
Hoje, sem demora, após o cafezinho da manhã.
Numa mesa de voto. Somos nós a democracia.
Estive a reler tudo o que já escrevi sobre as eleições presidenciais. Lembro-me que foi nas vésperas de umas eleições presidenciais, as de 2006, que iniciei este blogue, em apoio à candidatura de Manuel Alegre. Dez anos já passaram. Eu estou muito diferente e o País também.
Tenho-me distanciado deste processo eleitoral porque não me sinto motivada a intervir publicamente. Por motivos que se prendem com a minha vida pessoal e profissional, mas também com o desinteresse e a frustração com o processo e com os candidatos. E também porque já percebi que as minhas reflexões e as minhas opiniões são, na maior parte das vezes, ultrapassadas pela realidade.
Surpreendi-me e continuo a surpreender-me com as evoluções políticas desde as últimas eleições legislativas. Considero esta solução governativa inédita com enormes riscos, mas que até agora tem funcionado (bem). Mantenho as minhas reservas e preocupações, nomeadamente em relação à Educação. Não tenho nada contra os exames nem avaliações, muito pelo contrário, há estudos e relatórios internacionais e nacionais que apontam para reforços dos mesmos, e as alterações a meio de anos lectivos não me parecem boas decisões. Noutras áreas, entre as quais a da Saúde, estou expectante e os sinais têm sido (muito) encorajadores e promissores. Ou seja, António Costa e os seus ministros estão a levar a sua avante, de forma diplomática, cumprindo o que prometeram. Mantenho as reservas e as expectativas. Torço para que corra muito bem.
Voltando às presidenciais, por muito que tente não consigo alhear-me totalmente. A proliferação de candidatos é sintomática da sensação de irrelevância que esta função atingiu, muito resultado da presidência de Cavaco Silva, mas também do próprio esvaziamento dos poderes presidenciais. Considero um erro porque por muito escasso que sejam os poderes eles podem ser decisivos em alturas decisivas.
Ouvi os debates entre Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa com Marcelo Rebelo de Sousa. Com Sampaio da Nóvoa, Marcelo Rebelo de Sousa foi agressivo, deselegante e desagradável; com Maria de Belém foi desagradável, agressivo e deselegante. O palanque do qual perorou durante décadas ao povo, criticando, gozando e dando notas a todos os protagonistas políticos, culturais, desportivos, etc., etc., porque de tudo ele falava, obliterou o facto que Daniel Oliveira realçou – nós não sabemos o que Marcelo Rebelo de Sousa pensa, apenas sabemos a classificação que deu à forma como os outros se comportaram. Neste momento Marcelo Rebelo de Sousa está a ser avaliado, gozado e criticado, estando as suas notas a descer vertiginosamente.
Por outro lado, ao tentar expor como handicap a ausência de passado político de Sampaio da Nóvoa esvaziou totalmente a hipótese constitucional de qualquer cidadão sem um pesado currículo político se poder candidatar a alcançar a Presidência da República. Da parte de Marcelo o profissionalismo dos agentes da política é algo que se critica em abstracto mas que se defende em concreto. Já para não falar da incrível defesa da contenção de despesas na campanha eleitoral, o que é a negação da igualdade de oportunidades a todos os cidadãos para poderem ser eleitos, o que é uma atitude antidemocrática. Além disso o descaramento é demasiado, visto que Marcelo Rebelo de Sousa teve uma campanha subsidiada pela comunicação social que durou décadas.
A prestação de Maria de Belém foi irrelevante, para não dizer triste. Aquela ideia de explorar as características pantomineiras de Marcelo é de uma menoridade atroz.
Resta Sampaio da Nóvoa. A contenção com que enfrentou o despautério de Marcelo foi de uma estoicidade assinalável. Nenhum dos candidatos é o meu candidato. Mas não me absterei de votar e penso que é mesmo muito importante que se vote. A 2ª volta é alcançável. Ter na Presidência uma pessoa como Marcelo Rebelo de Sousa, por muito inteligente, culto e brilhante que seja, é um perigo institucional porque ele é sinónimo de instabilidade. Sampaio da Nóvoa é uma incógnita, não tem carisma, é pouco mobilizador, não disse ainda nada de relevante, tem um discurso intelectualizado e redondo. Mas demitirmo-nos de escolher é ajudar a eleger quem nós não queremos de todo.
Sendo assim, na convicção de que é preferível alguém que me diz pouco a alguém que considero um perigo, votarei em Sampaio da Nóvoa.
Já por diversas vezes ficou bem provado a minha total ausência de clarividência política. Confesso a minha incapacidade para perceber vários fenómenos na sociedade portuguesa.
O primeiro é o fato de uma enorme percentagem dos meus concidadãos pura e simplesmente se absterem de votar. O alheamento e o encolher de ombros, a par do permanente ruído dos queixumes, são uma marca identitária que me custa a aceitar.
O segundo é o sentido de voto que resulta destas eleições, após quatro anos de empobrecimento e retrocesso. Escusamos de versejar e tentar relativizar a perda de maioria absoluta da coligação de direita. Para mim é mesmo incompreensível que tenha ganho, por muito ou por pouco.
O terceiro é a atitude de António Costa que, desde a primeira hora, teve o meu apoio. Após tão estrondosa derrota – não esqueço que defendi que era ele que poderia levar o PS ao governo, substituindo António José Seguro da sua liderança invertebrada, não tem uma palavra para o combate interno que, fatalmente, se seguirá. Mesmo que não se demitisse, e admito que até seja importante manter a serenidade neste período imediatamente anterior às presidenciais, o que estaria à espera era que, pelo menos, anunciasse a realização de um Congresso extraordinário onde poderia reforçar (ou não) a sua liderança. O PS vai precisar de ter um líder incontestado e, neste momento, ou António Costa assume o risco de pedir que o desafiem e lhe disputem o lugar de Secretário Geral, ou o PS vai continuar em lutas internas enfraquecendo-se e esboroando-se.
Mas claro, isto sou eu que não entendo o resultado das eleições. Uma coisa é certa – teremos PAF por mais uns belos tempos. Este modelo foi sufragado e o PS terá que ter força para conseguir negociar algumas das suas bandeiras eleitorais.
Quanto às presidenciais – e que tal o PS repensar também a sua estratégia? É que se anuncia mais uma estrondosa derrota, seja ela com Sampaio da Nóvoa ou com Maria de Belém.
Guilherme d'Oliveira Martins
António Sampaio da Nóvoa avançou para Belém. Crédito para ele, que se disponibilizou para esse serviço público e de cidadania. No entanto Sampaio da Nóvoa coloca vários problemas para as eleições presidenciais e legislativas:
Por isso lanço este desafio especificamente a Guilherme d’Oliveira Martins, a quem não conheço, numa espécie de carta aberta a um desejável (para mim) candidato a Belém. Quando tanto se fala de um perfil, um indivíduo com a sua craveira intelectual, a sua experiência política, a sua imagem de seriedade e de honestidade nas funções que já cumpriu e cumpre, fariam dele alguém em quem o País pudesse confiar para as difíceis futuras negociações que se avizinham, nos quadros nacional e internacional, alguém rigoroso e atento, alguém que respeite os cidadãos, o Estado, o serviço público, a nossa História, a nossa cultura e a nossa língua.
Nota: Vale a pena ouvir Pedro Marques Lopes e Pedro Adão e Silva sobre este mesmo assunto.
Ramalho Eanes não tem que provar a ninguém a sua capacidade de se expor e de se bater pelo que acha justo. Se há coisa de que se pode orgulhar, e nós dele, é da sua coragem em defender ideias e causas.
Poderemos estar de acordo ou em desacordo com as suas escolhas, mas acusá-lo de se negar a travar batalhas apenas porque não divide palcos nem protagonismos, é lamentável (veja-se o último parágrafo). A menos que o facto de ser citado como referência moral o obrigue a apoios e empréstimos de generalato, como tão elegantemente foi colocado o assunto.
Se o apoio de Ramalho Eanes é visto como importante, a ponto de menorizar os de Mário Soares e Jorge Sampaio, isso significa que honrou o cargo e o País. Esperemos que o próximo Presidente, seja ele quem for, tenha a mesma postura e seja capaz de restituir a credibilidade às Instituições, como Ramalho Eanes foi.
Não deixa de ser surpreendente que alguém se candidate a Presidente da República, uma das Instituições da nossa democracia, e tenha tanto desrespeito e desprezo por outra Instituição da nossa democracia. Aliás se não existisse um regime democrático (e Republicano) essa figura não teria oportunidade de poder candidatar-se sequer.
A diferença entre o despojamento, a generosidade e a integridade de Ramalho Eanes e os de outros candidatos, é que o primeiro não precisou de se adjectivar nem de proclamar os seus créditos de honestidade e seriedade, as suas qualidades de servidor público e amante da Pátria - isso foi a imagem com que o País ficou dele pela sua atitude a pela sua forma de fazer política.
A ambição em ser Presidente da República é legítima e pode ser a de qualquer um de nós que se sinta capaz e com vontade de exercer o cargo. A menção de Ramalho Eanes, porque é uma referência em Portugal, tem o perigo de ser interpretado como uma manobra de marketing algo desastrada e, parece-me, sem qualquer efeito nos cidadãos. Além disso, Eanes foi Presidente numa altura específica e especial, como esta agora também especial e específica é, não valendo a pena forçarem-se paralelos para empolgar os incréus.
A moralidade e a idoneidade fazem (ou não) parte de cada um e é com as suas características que cada candidato deve apresentar-se ao eleitorado, não com aquelas que pensa que serão mais aceitáveis. O carisma tem-se, não se pede emprestado.
Independentemente de não me rever nas candidaturas de Henrique Neto e de Sampaio da Nóvoa, ambos merecem o nosso respeito por terem clarificado as suas intenções e por se disponibilizarem para a corrida à Presidência. A democracia faz-se exactamente com alternativas e com coragem política. Aguardemos que outras personalidades sintam também esse apelo de cidadania, seja qual for o seu espaço político. É mais que tempo de se delinerarem as propostas para o novo ciclo político. Quanto mais cedo, melhor.
António Sampaio da Nóvoa
Citando Eduardo Pitta, a Esquerda prepara-se com afinco para perder as Presidenciais de 2016.
Não estão em causa as qualidades de Sampaio da Nóvoa mas sim a capacidade de envolver e motivar à participação cívica nas eleições, para empolgar e fazer renascer a esperança dos cidadãos, para conseguir retirar a cada um de nós o melhor que temos para dar, enquanto membros de uma sociedade que está exausta e deslaçada.
Se for esta a candidatura do PS, considero-a um erro que terá proporções de arrastamento para uma escassa vitória nas legislativas, como já defendi, e reduzirá, em vez de aumentar, o espaço político necessário a uma maioria absoluta.
Não é aos partidos que compete a escolha de um candidato presidencial mas nenhum candidato com ambições de vitória avançará sem a certeza de um apoio partidário. Sampaio da Nóvoa, se aparecer rodeado por Mário Soares, como vem noticiado, reduz muitíssimo a margem para o aparecimento de outro candidato que possa englobar o PS e uma multidão de pessoas que votaram nas primárias e esperam que António Costa apresente a estratégia ganhadora para as legislativas e para as Presidenciais. Infelizmente, quanto mais tempo passa mais longínqua me parece essa possibilidade.
O PS precisa de realismo e coragem, não se socorrendo das bandeiras da intelectualidade para se afirmar de esquerda. Nada disso arrebata nos dias de hoje, pois tudo é feito de forma massificada e histriónica, com pouca substância e muita forma repetitiva e massacrante, o que cansa de imediato porque não significa nada.
Reafirmar valores e enfrentar o politicamente correcto é essencial para desmontar o totalitarismo emergente dos big brothers fiscais, da mediocridade reinante, das listas de pedófilos e de contribuintes VIPs, das causas fracturantes e dos comentadores econométricos, da notável falta de rigor e honestidade intelectual, da devassa da privacidade e atropelo aos direitos, liberdades e garantias em nome do moralismo abjecto e incapacitante.
É urgente que apareçam candidatos que tenham credibilidade, que tenham carisma, à esquerda, à direita, ao centro, em qualquer localização espacial. Estamos todos sedentos de gente séria, de gente da política, de gente que tenha vergonha e que não nos envergonhe.
A estratégia para resgatar o país a esta direita que nos governa não se prende apenas com a discussão das eleições legislativas. Passa também pelas eleições presidenciais.
O Presidente da República ainda em funções não foi capaz de galvanizar os cidadãos nem de os representar, sendo uma voz cuja autoridade se deveria fazer sentir nestes tempos de amargura, crueldade e arame farpado que temos vivido, dentro do país e internacionalmente. O respeito institucional pela Presidência da República desintegrou-se e, com ele, o respeito pelas outras Instituições democráticas e pela própria democracia.
O Presidente da República tem a legitimidade do voto universal e o poder que essa legitimidade lhe confere. Por isso não pode assumir a defesa de uma determinada área política e guerrilhar a área contrária, não pode nunca aparecer aos olhos dos cidadãos como alguém que subalterniza as funções de servidor do Estado, optando por remunerações alternativas àquelas que o cargo lhe confere, não pode nunca esquecer-se que as suas palavras não serão esquecidas, usando a despropósito o seu exemplo pessoal, seja para jurar honestidade, seja para se lamentar da sua pensão.
O próximo Presidente da República terá a espinhosa tarefa de tentar restaurar a confiança e a esperança das quais tanto necessitamos para enfrentar as agruras que ainda nos aguardam, para afirmar Portugal como um país soberano na Europa, para concretizar a colaboração com todo o espaço lusófono, para defender os valores da liberdade, o estado de direito, tudo o que caracteriza uma sociedade que valoriza a solidariedade, a dignidade, a liberdade individual e a igualdade de oportunidades entre todos.
O PS tem a árdua tarefa de motivar os cidadãos para o voto, para a fundamental escolha entre o continuar o afundamento progressivo do país e a tentativa do ressurgimento com ideias, realismo, coragem e determinação. É precisa mais intervenção, mais ousadia, mais iniciativa. É preciso tentar inverter o domínio dos media pelos donos disto tudo, que englobam todos aqueles que durante estes anos apregoaram a maravilhosa terapia que nos receitaram e que depois renegam a solução.
Se à esquerda existir um candidato presidencial que seja uma referência, que levante os cidadãos deprimidos, que seja alguém de quem nos possamos orgulhar, esse candidato ajudará o PS a fazer-se ouvir e a ganhar espaço de manobra, o que poderá reduzir a imensa multidão de abstencionistas que se perfila para as próximas legislativas. O mesmo se passa à direita: na presença de um candidato credível como, por exemplo, Rui Rio, a derrota do PSD/CDS poderá ser menor.
Henrique Neto avançou para a Presidência. Ainda bem que alguém deu o tiro de partida. Falta ao PS uma estratégia para as presidenciais pois não julgo que Henrique Neto seja o candidato que corporize o Presidente de que necessitamos. Acho que começa a ser tarde para que se posicione um bom candidato da esquerda que, até agora, não se vislumbra. Nem Sampaio da Nóvoa, nem Ferro Rodrigues, nem Maria de Belém Roseira, nem António Vitorino me parecem capazes de levantar grande entusiasmo nem de alargar o espaço político necessário a uma maioria absoluta. Espero que não seja já demasiado tarde.
Pegando no assunto abordado imediatamente abaixo, considero a eleição do próximo Presidente da República um facto determinante para o país, tanto em termos nacionais como internacionais.
Cavaco Silva protagonizou um Presidente da República que usou o cargo para condicionar a política partidária, mesmo negando-o e proclamando o seu contrário, beneficiando a sua família política, dando largas ao seu desprezo pelo resultado das eleições legislativas, nomeadamente as de 2009, tendo um papel central no escândalo das pseudo escutas de Belém, deixando o país suspenso das suas declarações e utilizando os discursos para fazer oposição declarada ao governo anterior, enquanto a sua cumplicidade com este governo e com o total atropelo das normas constitucionais em que o mesmo esteve envolvido, para não falar da subserviência ao poder económico e aos donos disto tudo, reduzindo a sua margem de manobra como escape do sistema.
Associado a este conjunto de erros e de incapacidades políticas, soma-se o papel de transformação da Presidência da República num cargo bicéfalo, dando destaque, na página da Presidência, a Maria Cavaco Silva cujo papel é ser mulher do Presidente - lugar que não consta na Constituição da República Portuguesa, nada tendo a ver com o respeito que merece qualquer esposa de qualquer titular de órgão público.
Por isso, e perante a aparente modorra desta pré campanha para as presidenciais, em que os candidatos vão dizendo que sim ou que não, fazendo de conta que estão ou que não estão, num impasse que nunca mais acaba, o PS, caso António Guterres não queira mesmo ser candidato, não parece ter alternativas credíveis ou um candidato que possa mobilizar o país e fazer esquecer os últimos 10 anos de Presidência da República. É difícil aceitar que o leque de escolhas esteja entre António Vitorino, Maria de Belém Roseira, Sampaio da Nóvoa, Marinho e Pinto, Santana Lopes, Manuela Ferreira Leite e Marcelo Rebelo de Sousa. E acho totalmente descabida a hipótese de qualquer dos anteriores Presidentes se recandidatar.
Guilherme d'Oliveira Martins poderia ser um excelente candidato presidencial. É um homem culto, honrado, sério, sensato, que sempre deu provas de estar disponível para o serviço público. Tem experiência política - deputado e membro de mais de um governo - e ocupa uma posição mais ou menos central no espectro político. Não tem medo de ser impopular e sabe o valor da Língua Portuguesa, da Economia, do rigor, do combate à mediocridade e ao facilitismo, da solidariedade e da importância da tolerância e da preservação dos laços sociais e do bem comum, da igualdade e do acesso ao conhecimento.
Penso que seria um excelente Presidente, capaz de congregar uma vontade mobilizadora que nos fizesse ter alguma esperança numa representação de cidadania digna e merecedora de todo o respeito, interno e externo.
Nota: Pedro Correia já tinha falado nesta hipótese, no seu bolgue, nomês passado.
O nosso Excelentíssimo Presidente, do alto da sua eminência silenciosa, apenas oraculando de quando em vez aos cidadãos sedentos das suas pérolas de sabedoria e presciência, resolveu desenhar o perfil de quem acha digno de lhe suceder como Mais Alto Magistrado da Nação (embora sempre mais baixo do que Sua Presidência, claro).
Pois parece-me que todos nos deveremos pronunciar, principalmente nas urnas, sobre quem deverá ser o próximo Presidente da República. E peço que me perdoe, Excelentíssimo Sr. Presidente, mas a minha opinião é assustadoramente simples e directa - deverá ser o seu contrário total e absoluto, desde o rictus acidus e amarus, de quem se sente incomodado pela persistente atmosfera de decomposição, à sua inigualável honestidade (e moralidade) pois, como temos obrigação de reconhecer (e de nos curvarmos perante esse reconhecimento), ninguém ainda conseguiu nascer duas vezes.
Portanto, com a oportunidade a que já nos habituou, estamos perante um importantíssimo contributo para a clarificação deste clima malção e infecto - procurar alguém que faça o exacto contrário daquilo que Sua Excelência tão relevantemente corporizou.
O governo português não percebe que alguma coisa está a mudar. E o Presidente da República também não. Fechados nas suas retóricas da contabilidade fundamentalista, estes dois fenómenos que nos aconteceram insistem em afundar o País e a Europa.
Não sei se ainda haverá Europa na altura das eleições legislativas e presidenciais. Mas a pouco e pouco parece começar a desenhar-se um acordo. António Costa tinha razão quando dizia que o tempo das propostas concretas ainda não tinha chegado. O que hoje é verdade amanhã talvez já o não seja.
Mesmo assim gostaria de ver mais explícitas as escolhas políticas de base em relação aos serviços públicos, à definição das funções do Estado, à escolha de prioridades nas áreas da saúde e da educação, da justiça e da segurança social.
E começa a ser tempo de se definir uma estratégia para as eleições presidenciais. É indispensável que o País se levante e tenha alguém em quem se reveja e que o represente, em vez de o apoucar. É de líderes que precisamos, não de subserviências ambulantes.
Em todas as declarações que faz, António José Seguro mostra o ressentimento e a amargura que a candidatura de António Costa lhe causa. Até em relação à resposta de António Costa quanto ao que pensava sobre a hipótese de António Guterres avançar para a Presidência da República, consegue distorcer as palavras dele para verrinosamente comentar que não é no interior dos partidos que se iniciam as candidaturas presidenciais.
A hipocrisia política e a falta de engenho deste Secretário-geral são difíceis de irmanar.
Ao contrário de António José Seguro acho que é muito importante saber quem será o candidato presidencial apoiado pelo PS. É indispensável que a esquerda democrática apoie uma figura que devolva a dignidade à Instituição e na qual todo o povo se possa rever logo após as eleições. Cavaco Silva, em contradição com todos os seus antecessores, não soube ser uma referência do país.
Cada vez que António José Seguro ataca António Costa mostra que não está ao nível do cargo para o qual tem mandato no partido, mostra quão longe está da estatura que se exige a um Primeiro-ministro.
Por muito que nos pareça incrível, a coligação PSD/CDS prepara-se para ganhar as próximas eleições legislativas. A premonição do desastre é tão grande, que Ferro Rodrigues já declara que SE o PS vencer CLARAMENTE as europeias, deverá pedir eleições antecipadas. SE... CLARAMENTE...
Todos já demonstram a maravilha que foi esta política, a redenção da economia e a credibilidade de Portugal face aos Mercados, às agências financeiras, à Europa, ao FMI. Com a direita no poder, o caminho da revolução consolidou-se e o governo pode continuar a delapidar o estado, destruindo os serviços públicos de saúde e educação, reduzindo as forças armadas a um grupo de soldadinhos de chumbo, transformando a segurança social na esmola para os desvalidos, rumo a um admirável mundo novo.
Sendo assim podem perfilar-se os candidatos presidenciais. E é tal a pesporrência que já descartaram um dos candidatos mais mediáticos. O mais interessante é que eu acho que Marcelo Rebelo de Sousa só estava à espera de encontrar um bom motivo para não ser candidato. Quanto a mim, lá no fundo Marcelo Rebelo de Sousa é capaz de suspeitar de que o povo, que tanto gosta de o ouvir e das suas brilhantes e divertidas prédicas dominicais, o olha como uma espécie de bobo da corte, negando-lhe as qualidades de postura e isenção consideradas importantes na Presidência da República. Marcelo Rebelo de Sousa é imprevisível e, depois, deixava de poder dar notas aos políticos, de comentar a bola, os concursos juvenis ou as vitórias do ténis, para além do despachar de livros à desfilada.
Por tudo isto nunca pensei que Marcelo Rebelo de Sousa fosse candidato a Belém. Será que Passos Coelho, mesmo sem querer, lhe fez um favor?
Mas outra questão se levanta - quem será o próximo candidato da direita? E da esquerda? Também nisso António José Seguro não tem opinião.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...