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23 janeiro 2022

A uma semana das eleições

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A vitória de qualquer dos maiores partidos, PS ou PSD, é possível.


Tal como vaticinei aqui, Rui Rio beneficia de um élan de vitória e de seis anos de uma governação socialista dificílima nos últimos dois.


A derrota do OE abriu caminho à mudança, pelo cansaço e pela quebra de confiança, que penso quase inevitável, entre governantes e governados. Ao contrário de muitos jornalistas e comentadores, que começam a cavalgar a hipótese da vitória social democrata, começando a posicionar-se e a encontrar na estratégia de António Costa as razões de uma eventual derrota socialista, não me parece que seja esse o problema.


Teremos umas eleições disputadíssimas e espero que essa percepção possa motivar os cidadãos ao voto. Votar é mesmo aquilo que importa. Votar em massa, sem medo de COVID-19 ou de outras maleitas.


A maior peçonha é mesmo a abstenção, a descrença e o descrédito. A democracia faz-se todos os dias e só funciona se nós quisermos.


Tudo está em aberto. Por muito difícil que o futuro seja, com a nossa participação será mais fácil. E se há coisa que a pandemia demonstrou foi a importância, a força, a adaptabilidade e a indispensabilidade dos serviços públicos.


Por isso...............


............................ao voto!

24 novembro 2019

Das datas fracturantes

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Manifestação do PS na Fonte Luminosa, na Alameda, em Lisboa (30-12-1975)


 


No dia 25 de Novembro de 1975 defrontaram-se duas concepções de sociedade - os defensores de um regime democrático multipartidário de tipo ocidental e os de um regime totalitário ditatorial de tipo comunista. Foi uma data fundamental para a consolidação da democracia portuguesa, tal como o 25 de Abril de 1974 foi a data fundacional desse mesmo regime. Ambas foram fracturantes e em ambas poderia ter eclodido uma guerra civil.


Aos militares que organizaram e concretizaram o golpe militar a 25 de Abril e aos que defenderam o regime democrático a 25 de Novembro, devemos o nosso reconhecimento e as nossas homenagens.


O PS foi o partido político mais importante no combate à deriva extremista e totalitária de 1975. Essa memória faz parte da sua e da nossa História recente. Durante muitos anos foi precisamente esse momento um dos grandes entraves ao entendimento entre o PS e os partidos que, no 25 de Novembro, representavam a facção antidemocrática. António Costa conseguiu ultrapassar ressentimentos e posicionamentos monolíticos, fazendo uma ponte indispensável entre o que unia o PS e os partidos à sua esquerda, seguindo a abertura do PCP, que a percebeu como a única forma de desapear a direita do poder.


Mas o PCP e o BE terão que perceber que o caminho reiniciado a 25 de Novembro foi aquele que permitiu que eles próprios sobrevivessem, para não falar da democracia e da liberdade. A existência da Geringonça não pode levar o PS a negar a sua história nem a sua identidade intrinsecamente democrática, para não ferir as sensibilidades dos seus parceiros.


Ao permitir que a direita e a extrema direita se mostrem como os únicos defensores do 25 de Novembro, reclamando-o como uma das suas vitórias, o PS acaba por se deixar colar aos que, nessa altura, estavam do lado do totalitarismo esquerdista, esquecendo que foi uma trave mestra da liberdade naqueles tempos revolucionários. Eu não o esqueço e penaliza-me muito que, no Parlamento, seja apenas a direita a querer homenagear o 25 de Novembro.


Adenda: Grupo parlamentar do CDS/PP - Voto de saudação n.º 41/XIV – Pelo 44.º Aniversário do 25 de Novembro


Grupo parlamentar do PS - Voto de saudação n.º 53/XIV - À construção da Democracia em Portugal

11 outubro 2019

Traquitana ou Carripana

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Catarina Martins sabia que, sem o PCP, o PS não teria condições para assinar um acordo de legislatura com o BE.


 


O PCP terá que digerir a pesada derrota eleitoral e não faltarão vozes a ligá-la à sua participação na Geringonça. Não é essa a minha interpretação, pois acho que o PCP está a percorrer o caminho inexorável de um partido que assenta naquilo que já não existe.


 


As circunstâncias de 2015 mudaram e são totalmente diferentes. Uma coisa é certa - a solução governativa anterior foi sufragada pelo povo - a mudança na continuidade. Seja Geringonça, Caranguejola, Traquitana ou Carripana, o PS tem mandato para se entender com o BE e o PCP (e o Livre e até o PAN). Espero que todos cumpram a vontade eleitoral.

30 julho 2017

As generalidades que desresponsabilizam

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Hugo Soares


 


 


Como todos os sábados, ouvi calmamente o programa da Antena 2 Um certo olhar, com Gabriela Canavilhas, Luísa Schmidt, António Araújo e Luís Caetano. Como era de esperar falou-se no escândalo da última semana em relação à especulação jornalística e à instrumentalização política da desgraça, concretamente, do número de mortos no incêndio de Pedrógão Grande.


 


Independentemente do que concordei ou não concordei com o que foi dito, não deixa de me espantar a cuidadosa fuga dos presentes (com exceoção de Gabriela Canavilhas) em criticarem abertamente o Expresso pela divulgação de uma notícia objectivamente falsa, e também a generalização da crítica aos políticos pela utilização deste assunto como arma de arremesso político.


 


Na verdade foi o Expresso que, a 22 de Julho, faz uma capa em que afirma que a lista oficial dos mortos no incêndio exclui as vítimas de Pedrógão. Imediatamente após desta notícia o PSD e o BE reagiram pedindo explicações ao governo, lançando portanto o anátema de que o governo estava a esconder informação e que tinha obrigação de provar que não estava, tendo Assunção Cristas reagido mais tarde, na exigência de toda a verdade. Apenas o PCP se absteve de alimentar a polémica. Catarina Martins recuou dois dias depois, enquanto o PSD subiu de tom e, de forma insana, faz ultimatos e coloca prazos de resposta.


 


Portanto: não foram os políticos que instrumentalizaram o assunto, foram alguns políticos do PSD, do CDS e, inicialmente, do BE, enquanto o PCP se demarcou e o PS reagiu escandalizado.


 


Por outro lado é muito interessante observar o facto de António Araújo desvalorizar a responsabilidade do Expresso, assumindo no entanto que se fosse verdade (que havia mortos escondidos) seria grave. Como se verificou que era mentira, já não é grave o artigo (e a insistência) do Expresso?


 


A desvalorização e a generalização destes episódios inenarráveis são perigosas. Os políticos e os jornalistas não são todos iguais. Além disso parece que Francisco Pinto Balsemão se indigna com as falsidades divulgadas pelas redes sociais. São, de facto, horríveis, mas as redes sociais não são jornalismo. As responsabilidades não são as mesmas, como ele muito bem sabe, e as exigências também não. Ou será que os jornalistas do Expresso usam os métodos e agem com a ligeireza daqueles que twitam e divulgam disparates?


 


Mesmo depois de tudo o que aconteceu, o Expresso publica editoriais e outros artigos de opinião em que, em vez de se desculpar, tenta justificar o injustificável, virando os factos de forma a fazer crer que tinha toda a razão e que os outros - mais uma vez os políticos - é que tinham usado mal uma profunda e certeira reportagem, agitando o ataque à liberdade de imprensa e outros chavões como manobras de diversão.


 


É muito triste assistir a este descalabro no jornalismo livre e independente. Porque livre ele é, independente, já duvido, e jornalismo, é que não é mesmo.


 


Nota: Tem-se criticado a empresária que terá sido a fonte da notícia do Expresso. Mas quem tem a obrigação de verificar as fontes não são os jornalistas?

08 julho 2017

Da detonação retardada

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eurosondagem 2.pngEurosondagem - SIC


 


Esta sondagem continua a mostrar que as opiniões de quem foi interrogado, entre a Geringonça e a oposição de direita que temos, mantém a preferência no Governo e seus apoiantes. Mostra ainda que entre Passos Coelho e Assunção Cristas, António Costa continua a ser preferido e que o Presidente da República tém uma aprovação cada vez maior.


 


Mas não tenho dúvidas do que a gestão política a que temos assistido das situações de Pedrógão Grande e de Tancos fizeram e continuarão a fazer na credibilidade do governo. Espero bem que a Geringonça não se iluda. No dia em que a oposição for forte e credível (e a democracia assim o exige) e outros problemas surgirem, tudo isto vai ser somado.


 


A legislatura vai mais ou menos a meio. Há que estar muito atento e aprender com os erros. O arrastar de situações mal resolvidas, por muito interessantes que sejam os argumentos, será um desgaste a curto, médio e longo prazo.


 


Totalmente de acordo com o Coronel Rodrigo de Sousa e Castro (a partir dos 12:48 minutos).

06 maio 2017

Dos populismos caseiros

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A peseudo-tragédia das candidaturas da autarquia portuense, com a pseudo-bravata de Rui Moreira contra as declarações de Ana Catarina Mendes, é uma pequena amostra, para quem ainda não quis ver, do que é o populismo dos tão propalados independentes.


 


Rui Moreira é mais um exemplo do nojo anti-partidário com tiques autoritários e trauliteiros, neste caso com a pronúncia do norte. É fantástico, muito sério e muito honesto e não precisa nada da peçonha partidária, com excepção dos votos, claro.


 


Manuel Pizarro é bom como cidadão, mas como dirigente do PS deve ser mantido a uma sanitária distância. Nada de lugares para os membros dos partidos, deles só necessita da campanha, da máquina de angariar votos e do trabalho posterior.


 


A responsabilidade é mesmo do PS, não por causa das observações de Ana Catarina Mendes que, mesmo que infelizes, não me parecem graves a nenhum título, mas porque prescindiu de assumir um candidato, mesmo não ganhador.


 


Espero que Manuel Pizarro se candidate autonomamente e que defenda as suas ideias e os votos no seu partido. A democracia sem partidos e com movimentos abrangentes e de cidadãos todos eles muito fantásticos, sérios e apartidários, é uma falácia que só quem não quer não entende. E talvez os portuenses o possam dizer nas urnas.

26 janeiro 2017

Da reconcertação social

Confesso que não entendo muito bem a razão pela qual, se o PS podia ter acertado previamente com o PCP e o BE a redução do pagamento especial por conta, insistiu na baixa da TSU. Ter-se-ia evitado toda esta embrulhada, em que ninguém sai muito bem.


 


Penso que é muito importante a renovação de um compromisso, plataforma, acordo, chame-se o que se lhe chamar, para cimentar o apoio parlamentar ao governo. A repetição de episódios destes vai minando a Geringonça e adivinham-se novos confrontos entre governo e parlamento.

22 janeiro 2017

O adensar das nuvens

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Diário de Notícias


 


O BE e o PCP estão inebriados com a Geringonça. Espero que o PS seja mais realista e menos arrogante. Manuel Alegre tem toda a razão. O PS deveria preocupar-se em cimentar, com os seus parceiros da esquerda, um relacionamento parlamentar que garantisse mais 3 anos de legislatura, em vez de tentar calar e menorizar os descontentamentos e as opiniões contrárias.


 


É mau sinal e passa uma mensagem de enorme insegurança.


 

18 setembro 2016

Do esboroar do projecto Europeu

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A sensação difusa de que a União Europeia se está a esboroar está cada vez mais intensa e real. Quando António Vitorino, ex-comissário e europeísta convicto, na rentrée política do PS afirma que a divisão entre os grupos dos ganhadores e perdedores é uma ameaça ao projecto europeu, podemos estar certos de que, no PS, começa o afastamento ao europeísmo militante.


 


Já não é possível ignorar os sinais que se foram acumulando ao longo de tantos anos e que se agudizam diariamente. A desigualdade, a falta de solidariedade e de coesão entre os países da Europa Central e do Norte e a Europa do Sul, o desemprego galopante, o esfarelamento da democracia nos países da periferia sob o jugo das dívidas e da recessão económica e a crise dos refugiados, confluem para a tempestade perfeita.


 


O populismo e a xenofobia aumentam e estão predominantemente (mas não apenas) do lado dos euro-cépticos. O afastamento entre as populações e os representantes europeus é cada vez maior e está a ser arregimentada pelos extremismos. A crise dos refugiados ameaça ser a gota de água pela incapacidade demonstrada na sua resolução, com a proliferação de muros entre fronteiras e o alargamento das sensações de insegurança e de medo por entre as populações.


 


Angela Merkel está a perder o seu eleitorado sendo uma das poucas vozes que se mantém fiel ao seu compromisso com a integração e o acolhimento dos refugiados. Mas as opiniões públicas revoltam-se contra o que pensam ser a razão da sua própria pobreza e insegurança. Os líderes extremistas têm sido muito bem sucedidos em integrar o pensamento de que o que é diferente é perigoso.


 


Infelizmente estou convencida que as forças centrífugas são cada vez mais fortes e que não há arte, engenho nem vontade para dar a volta à situação, de forma a que os europeus se possam reconciliar uns com os outros, vencendo a desconfiança de que falava António Costa, recuperando os valores que estiveram na fundação desta União.

21 fevereiro 2016

Da confiança - Orçamento de Estado aprovado

A direita desesperada tem produzido afirmações absolutamente obscenas, mas que não parecem indignar os nossos comentadores do costume. Não se sente o sobressalto ao ouvir o ridículo de afirmações como a de Passos Coelho, que acusa o governo de ajoelhar perante a Europa. É de uma desvergonha a que não consigo habituar-me.


 


Entretanto e calmamente, ao fim de tantos profetas da desgraça a vaticinarem as reticências do PCP e do BE, eis que o Orçamento será aprovado por toda a esquerda parlamentar, cumprindo o compromisso que a que se obrigaram - o PS a governar com o acordo do PCP, do BE e dos Verdes, O PCP, o BE e os Verdes a apoiarem o governo do PS.


 


Para o ano, logo se vê.

19 dezembro 2015

Da governança comprometida e descomprimida

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Bons sinais os deste governo. O clima vai descomprimindo e respira-se de alívio. António Costa está a justificar a fama de fazedor e de conseguir atingir compromissos.


 


O que se vai ouvindo da parte do Ministério da Saúde é de aplaudir de pé. Tenho falado várias vezes daquilo que, a meu ver, é urgente para uma verdadeira reforma do SNS, indispensável aos desafios que se colocam a uma sociedade que tem de acomodar o envelhecimento populacional e o consequente aumento de doenças crónicas e onerosas, o desenvolvimento tecnológico e o aumento exponencial dos custos, a crescente especialização e as alterações de gestão dos recursos humanos escassos, mal distribuídos e desmotivados.


 


Por isso vejo com muita esperança estes sinais de projectos de verdadeira mudança e vontade de resolução de problemas, com a saúde mais próximo dos cidadãos.


 


Gostaria de estar tão optimista em relação à Educação, mas o fim dos exames do 4º ano do ensino básico, assim como a suspensão da prova de avaliação dos professores contratados, deixam-me muitas dúvidas. Os exames aos alunos, principalmente em fins de ciclos, não me parecem nada mal e não comungo da opinião dos traumas e dos sustos das crianças. Acho que se deve encontrar um modelo que seja eficaz na avaliação das aprendizagens, responsabilização dos professores, das escolas e dos alunos. Por outro lado sempre defendi que o Estado deve escolher os profissionais mais capazes e mais competentes para seus servidores e a educação é um dos serviços públicos por excelência em que essa escolha se reveste de enorme importância. Aguardo qual a forma e modalidade de escolha definida por este governo. Entretanto o regresso do até-há-pouco-tempo-eclipsado Mário Nogueira não augura nada de bom.


 


Mas não há dúvida de que o governo tem merecido a nossa confiança. A tentativa de anulação da privatização da TAP, a reversão da concessão dos transportes colectivos de Lisboa e Porto e a forma como está a tentar resolver o problema do BANIF são provas de que tem um bom senso que nos permite ter alguma fé no futuro.


 


A ver vamos!

08 novembro 2015

Um político a sério

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Mesmo parecendo contraditório com o que expus no post anterior, devo dizer que António Costa tem demonstrado ser um verdadeiro e hábil político. A forma como transformou uma derrota em vitória é inegável e é a razão porque tantos de nós o desejamos como Primeiro-ministro.


 


O que estamos a viver, com reservas ou sem elas, é bem o espelho de uma reviravolta histórica na nossa vida democrática. E devo ampliar a minha admiração a Catarina Martins e a Jerónimo de Sousa que, mesmo com todas as cautelas e cepticismos, souberam abrir uma hipótese de entendimento, impensável no próprio dia das eleições.


 


Espero que a Europa e os ditos "mercados" saibam respeitar a democracia em Portugal, com os seus tempos e as suas especificidades. Abre-se uma esperança de verdadeira mudança que pode alastrar a outros países. É do êxito dessa mudança que a direita tem medo.


 


Uma nota para o artigo de António Barreto de hoje, no DN, um homem que parece ter desistido da sua posição esclarecida e moderada. A síndroma de Medina Carreira é, infelizmente, contagiosa.

Clarificações

As alterações políticas a que assistimos desde 4 de Outubro fazem com que me sinta em grande confusão ideológica, pois queria muito uma alteração governativa com a inexorável derrota da política destes últimos 4 anos, e senti-me espantada e esperançosa com a hipótese de poder realizar este desejo.


 


Mas é bom que nos recentremos e nos distanciemos desses desejos e vontades, para que o realismo e o pragmatismo imperem:



  1. António Costa foi eleito Secretário Geral do PS, em substituição de António José Seguro porque, com ele, o PS teria assegurada uma estrondoso vitória eleitoral.

  2. António Costa apresentou-se a eleições como candidato a Primeiro-ministro, ambicionando uma maioria absoluta para governar. Sempre defendeu entendimentos com os partidos à sua esquerda e afirmou por diversas vezes a quase impossibilidade de acordos com a direita.

  3. António Costa perdeu as eleições por uma margem bastante clara.


 


Nada disto impede nem retira legitimidade democrática à alternativa de um governo com apoio parlamentar dos partidos à esquerda do PS. Mas a legitimidade política de António Costa para liderar esta solução é fraca, tenho que o admitir.


 


António Costa não procurou o reforço da sua legitimidade política propondo um congresso extraordinário e perguntando a opinião dos militantes e simpatizantes do PS - os mesmos que o elegeram para candidato a Primeiro-ministro. Por isso, por muito que me agrade a hipótese de um governo de esquerda, por muito que repita a mim própria que nestas eleições se escolhem deputados e não primeiro-ministros, por muito que eu saiba que a soma dos deputados de esquerda é superior à soma dos deputados de direita, não deixo de pensar que esta solução precisa de ser sufragada pelos cidadãos.


 


Sendo assim, acho que Cavaco Silva deverá dar posse a António Costa e que o próximo (ou próxima) Presidente da República deverá convocar eleições antecipadas de forma a clarificar qual a solução governativa que os cidadãos querem: uma coligação de direita, uma coligação de esquerda ou um governo minoritário com apoios parlamentares à medida das necessidades.


 


Na verdade não me sinto confortável com um governo liderado por um PS que, até há bem poucas semanas, declarava, e com razão, que a única forma de garantir um governo de esquerda era tendo uma maioria absoluta; e também com partidos que, até há bem poucas semanas, juravam que o PS era semelhante à direita.


 


Os pragmatismos podem ser invocados em todas as circunstâncias e podem ser argumento para opiniões simétricas e contrárias. O PCP mudou e abriu esta brecha - o povo deve confirmar que é esta a sua opção, com António Costa à frente de uma coligação de governo ou parlamentar.


 


Por muito que rejubile com um governo liderado pelo PS toda eu clamo por um governo com estes partidos e com ideias a ganharem eleições.


 


Nota: acabo de ouvir Jerónimo de Sousa dizer que o PCP aprova o acordo com o PS. Este é, de facto, um tempo histórico, seja o que for que vá acontecer daqui para a frente. O próximo acto será protagonizado pelo Presidente Cavaco Silva.

10 outubro 2015

Da novidade da (velha) política

 


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Desde a noite das eleições que viajámos através de uma espécie de buraco negro, como se 40 anos se mudassem de uma assentada. O que, ao contrário de muitos dentro do PS, considero positivo.


 


É extraordinário ouvir, após 40 anos, o PCP admitir que não é o mesmo ser governado pela coligação PSD/CDS ou pelo PS. Este volte-face permitiu que o PS, mesmo reconhecendo-se que este, pela mão de António Costa, se tivesse recusado a excluir o PCP e o BE da responsabilidade governativa, se transformasse no fiel da balança deste equilíbrio bastante instável..


 


Por outro lado o Presidente da República, apostado em não deixar qualquer saudade pelo triste exercício da sua triste função, tem ajudado bastante ao foco dado a António Costa, deixando-lhe a iniciativa política de fazer o papel de negociador. Em vez de ter chamado de imediato todos os líderes partidários de forma a pedir-lhes os compromissos que declarou exigir para dar posse a um governo, resolveu ignorar essa formalidade constitucional e indigitar Passos Coelho a iniciar as diligências para a formação do governo.


 


Neste momento está tudo em jogo:



  • Se a coligação não conseguir um entendimento com o PS, será que o Presidente vai dar posse a um governo minoritário de direita que busque apoios parlamentares à medida das necessidades?

  • Se o PS recusar apoio à coligação e conseguir um compromisso com os partidos à sua esquerda, será que o Presidente dará posse a um governo de maioria de esquerda?

  • Se não for possível viabilizar nenhuma das coligações, haverá governo de iniciativa presidencial ou governo de gestão?


 


O PS está entre 2 espadas - se apoiar a coligação, nas próximas eleições poderá ser canibalizado pela esquerda; se formar um governo com apoio de uma maioria de esquerda parlamentar, nas próximas eleições poderá perder o seu segmento mais à direita, que não lhe perdoará a guinada revolucionária, mas também poderá crescer à custa do BE e/ ou do PCP.


 


O BE está entre a espada e a parede - se não apoiar o PS ficará com o ónus de inviabilizar um governo de esquerda; se deixar cair as suas linhas vermelhas poderá estar condenado a desaparecer.


 


No caso da coligação: ou está completamente desnorteada, porque perdeu a liderança do processo político e não soube lidar com a reviravolta na esquerda, ou está a dramatizar, jogando a cartada da vitimização para conseguir uma maioria absoluta nas próximas eleições.


 


Uma coisa parece quase certa - qualquer que seja a solução governativa encontrada não será duradoura. O próximo Presidente terá que convocar eleições em início de mandato.


 


Isto sou eu a arriscar-me a novos inconseguimentos, que já se transformaram numa tradição. A que somei a minha crença, que se provou errada, de que Marcelo Rebelo de Sousa não seria candidato à Presidência. Sempre defendi que não trocaria o seu papel de entertainer com o da função institucional. Mais uma vez, enganei-me.


 


ADENDA: Esqueci-me de dizer que Paulo Portas é um actor político... irrelevante.

05 outubro 2015

Do meu próprio inconseguimento (2)

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Já por diversas vezes ficou bem provado a minha total ausência de clarividência política. Confesso a minha incapacidade para perceber vários fenómenos na sociedade portuguesa.


 


O primeiro é o fato de uma enorme percentagem dos meus concidadãos pura e simplesmente se absterem de votar. O alheamento e o encolher de ombros, a par do permanente ruído dos queixumes, são uma marca identitária que me custa a aceitar.


 


O segundo é o sentido de voto que resulta destas eleições, após quatro anos de empobrecimento e retrocesso. Escusamos de versejar e tentar relativizar a perda de maioria absoluta da coligação de direita. Para mim é mesmo incompreensível que tenha ganho, por muito ou por pouco.


 


O terceiro é a atitude de António Costa que, desde a primeira hora, teve o meu apoio. Após tão estrondosa derrota – não esqueço que defendi que era ele que poderia levar o PS ao governo, substituindo António José Seguro da sua liderança invertebrada, não tem uma palavra para o combate interno que, fatalmente, se seguirá. Mesmo que não se demitisse, e admito que até seja importante manter a serenidade neste período imediatamente anterior às presidenciais, o que estaria à espera era que, pelo menos, anunciasse a realização de um Congresso extraordinário onde poderia reforçar (ou não) a sua liderança. O PS vai precisar de ter um líder incontestado e, neste momento, ou António Costa assume o risco de pedir que o desafiem e lhe disputem o lugar de Secretário Geral, ou o PS vai continuar em lutas internas enfraquecendo-se e esboroando-se.


 


Mas claro, isto sou eu que não entendo o resultado das eleições. Uma coisa é certa – teremos PAF por mais uns belos tempos. Este modelo foi sufragado e o PS terá que ter força para conseguir negociar algumas das suas bandeiras eleitorais.


 


Quanto às presidenciais – e que tal o PS repensar também a sua estratégia? É que se anuncia mais uma estrondosa derrota, seja ela com Sampaio da Nóvoa ou com Maria de Belém.

25 setembro 2015

Do meu próprio inconseguimento

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Por mais análises que faça ou ouça, nada nem ninguém me consegue explicar como é possível que a coligação PSD/ CDS possa estar no mesmo patamar ou à frente na intenção de votos dos portugueses.


 


Não percebo como se pode preferir a continuação de uma coligação que troçou e troça todos os dias de todos quantos cá vivem, de todos quantos se vão embora para poder viver, a António Costa e ao PS. Por muitos erros de campanha do PS, por muito inábil que seja António Costa, o PS e o seu líder são incomparavelmente mais credíveis*, competentes e capazes que Passos Coelho, Paulo Portas e as suas respectivas formações partidárias.


 


Espero que os meus concidadãos votem a 4 de Outubro. Podemos fazer muitas manifestações, falar muito alto e escrever muitos abaixo-assinados, mas é com o voto que temos a possibilidade de mudar qualquer coisa. É preciso votar a 4 de Outubro. Seja em quem for. Seja como for. É nossa a responsabilidade de manter ou mudar o governo.


 


*Convém também dizer que António Costa é incomparavelmente melhor e mais credível que António José Seguro, independentemente do que vier a resultar das eleições. Mesmo que António Costa tenha que se demitir, o que fatalmente acontecerá se perder as eleições.

12 setembro 2015

O vale (mesmo) tudo

PASSOS COELHO SERÁ O 1º SUBSCRITOR DE UMA INICIATIVA PARA AJUDAR LESADOS DO BES


 


Ninguém pode ser impedido de ver fazer justiça em tribunal por falta de recursos financeiros, mas se porventura existir dificuldade em organizar essa defesa, eu tenho a certeza de que o país não deixará, de uma forma solidária, de providenciar o necessário para que essa defesa se possa fazer. E eu disse que seria até o primeiro subscritor e contribuinte, a título individual, não é como primeiro-ministro, é como cidadão, para poder ajudar pessoas que se encontram em grandes dificuldades


Pedro Passos Coelho - 12 Setembro/ 2015


 


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Prestar contas (2)

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Da mesma forma, a 2 de Julho, Paulo Portas transforma decisivamente o léxico político, dando novos significados ao significante significado da insignificância da sua palavra:


 


(...) Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer. (...)


(...) Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível.


 


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 Vamos comemorar o feriado de 5 de Outubro um dia mais cedo:


a 4 de Outubro, nas mesas de voto!

Prestar contas (1)

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É bom que não nos esqueçamos que Vítor Gaspar, o Ministro do desvio colossal e do enorme aumento de impostos, pediu a sua demissão a 1 de Julho de 2013, e explicou porquê:


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Vamos comemorar o feriado de 5 de Outubro um dia mais cedo:


a 4 de Outubro, nas mesas de voto!


 


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11 setembro 2015

Assim vê-se melhor...

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Taxa de crescimento real do PIB desde 1976


Pordata


  


... que Passos Coelho é o único dos Primeiros-ministros do pós 25 de Abril que deixou o País muito mais pobre do que o recebeu. E se a crise internacional serve para o justificar, também a crise iniciada pela queda do Lehman Brothers explica muito do que se passou em Portugal, com a política europeia a ordenar os estímulos à economia na tentativa de evitar a recessão económica.


 


Passos Coelho, o seu governo, a maioria em que se apoia e a miríade de economistas e comentadores que pululam pelo espaço mediático, depois de terem aplaudido a vinda da Troika, ao contrário de Sócrates, negam agora a evidência do seu regozijo pela oportunidade de regenerarem o País.


 


Nota: em resposta a um comentador do post: a barra a mais corresponde a Freitas do Amaral (4/12/1980 - 9/1/1981) mas assim fica mais explícito.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...