22 julho 2012

Retroceder - direita volver

 


Neste momento multiplicam-se os programas, editoriais e comentários sobre o descalabro deste governo. Em muitas circunstâncias, exactamente com os mesmos protagonistas daqueles que o fizeram nos meses anteriores à queda de Sócrates.


 


Mas na verdade, por muito que se fale da agenda ideológica do governo, a legitimidade deste é inatacável, tal como a implementação da sua agenda ideológica. Foi eleito para governar com a sua agenda e o seu programa. Mentiu na campanha eleitoral, é verdade, mas todos os partidos o fazem e fizeram. E as sondagens continuam a dar-lhe maioria.


 


É claro que o resultado das sondagens explica-se pela abulia e anosmia da oposição toda, mas particularmente de António José Seguro, à frente do PS. Felizmente, de vez em quando, aparecem alguns textos que, certeiramente, contextualizam o que se está a passar.


 


É o caso do artigo de Maria de Lurdes Rodrigues, no Expresso, que chama a atenção para o retrocesso civilizacional a que vamos assistindo, com a ideia que esta maioria tem do que é a educação - a perpetuação da imobilidade social, pela hereditariedade da classe e do status académico. Não há dinheiro para aceder às licenciaturas, como deixa de haver cabimento para aspirar a outra coisa senão aquilo que se nasceu para ser. O nosso fado, mais uma vez, numa espiral de mediocridade e mesquinhez, em que a vida só tem esplendor para alguns poucos sortudos que tiveram a felicidade de nascer em berço dourado - os fidalgos (filhos de algo).


 


A juntar ao real empobrecimento da classe média e dos pobres, transformando a classe média em pobres, que não têm dinheiro para a sua própria saúde e que deixam de ter direito a ela, pois o Estado aliena-se e esvazia-se das suas funções. A juntar ao discurso moralista desta direita retrógrada que culpa os mais pobres pela crise e pelo endividamento do país, como pude assistir atónita num dos muitos frente a frente do Mário Crespo, aquele paladino da mais completa e triste palhaçada da parcialidade e da náusea profunda do descaramento.


 


Eu até estou totalmente de acordo com as facturas obrigatórias. Mas não sei como é que muitos dos meus concidadãos irão (sobre)viver sem a economia paralela que existe.


 


Volto ao início. Este governo foi aquele que elegemos. Há uma direita e uma esquerda. Esta é a direita.

18 julho 2012

Urgências outra vez

 


Muito se tem falado dos cortes no orçamento da saúde. Mais do que o valor dos cortes, o que está em causa, para uma saúde de qualidade, visto que todos concordamos que temos que racionalizar os custos, é onde e como se fazem os cortes.


 


A reforma das urgências hospitalares é, ela própria, uma urgência. Assim foi quando Correia de Campos a quis fazer, assim é agora, com o relatório hoje tornado público. Tal como com Correia de Campos, já se começaram a ouvir os seus detratores, desde autarcas a outras vozes, sempre renitententes a qualquer mudança.


 


Este é um assunto que precisará de ser discutido em termos técnicos e depois decidido em termos políticos. Espero que o PS não faça o mesmo que toda a oposição fez, demagogica e populistamente, com a tentativa de reforma anterior. Por sinal, terá sido feita alguma avaliação aos resultados do que foi feito?


 

17 julho 2012

Um dia como os outros (115)

 



Uma das manifestações mais vexantes do atrofio geral que molda a nossa política consiste na repetição da cassete laranja onde ouvimos dizer que o “PS está agarrado ao Memorando” porque foi um Governo socialista que o pediu, o negociou e assinou. (...) Primeiro, a necessidade do Memorando resulta de um boicote do PSD e do CDS (ajudados pelo Presidente da República, BE e PCP) a um programa alternativo defendido pelo Governo de então e por todos os responsáveis europeus. Conclusão, o Memorando interessava aos interesses da direita, a qual fez campanha por algo similar ao longo de 1 ano. Segundo, o Memorando foi negociado e assinado também pelo PSD e CDS. Tanto Catroga, que disse ter influenciado o acordo, como Passos, que disse estar em perfeita sintonia ideológica com ele, reclamaram vitória pela sua implementação. Conclusão, o Memorando consubstancia uma visão da sociedade e da economia na qual o PS não se revê, mas a qual espelha os pressupostos programáticos dos radicais da diminuição do papel do Estado. Terceiro, o Memorando foi sofrendo alterações a seguir à tomada de posse do Governo PSD-CDS. Essas alterações deixaram de contar com a participação do PS, o qual não foi mais tido nem achado e talvez nem saiba agora do que consta a mais recente versão do acordo.


 


Como se explica a repetição maníaca desta cassete, tanto por deputados, como por dirigentes, como por jornalistas do laranjal? Explica-se pela cumplicidade de Seguro. O apagamento do passado recente que Seguro instaurou logo a partir da sua campanha para Secretário-Geral abriu todo o flanco para o partido ser impunemente sovado até à perda de consciência. (...)


 


Valupi

15 julho 2012

Peculiaridades de Trancoso

 



 


Pois não consegui perceber como apareceram as Sardinhas Doces de Trancoso. É um doce conventual, do século XVII, originadas no Convento de Freiras de Santa Clara. Mas porquê sardinhas em Trancoso, não sei.


 


Como quase toda a doçaria conventual são feitas com ovos, açúcar e amêndoa, envoltas numa massa fina com chocolate. Há um ano foi criada a Confraria das Sardinhas Doces de Trancoso, para valorizar e promover este doce peculiar.


 


Na verdade em Trancoso há outras coisas peculiares, desde o Padre Francisco Costa, o tal que foi condenado por libertinagem, com centenas de filhos de dezenas de mulheres, até ao Sapateiro Bandarra, profeta e trovador messiânico.

Rupestre

 



 


Devo confessar que as minhas expectativas não eram grandes. Mas foram altamente ultrapassadas pela realidade.


 


O Museu do Côa, em Vila Nova de Foz Côa, foi uma revelação. Para quem esperava uma visita guiada às gravuras rupestres encontradas no vale do Côa (motivo de grande disputa política antes de António Guterres ter chegado ao poder), que não foi possível realizar por não ter sido marcada com antecedência, o museu foi uma excelente substituição.


 


É um edifício muito bem enquadrado, fazendo lembrar as pedras de que estamos rodeados, bem inserido na paisagem e com uma vista lindíssima. As gravuras são explicadas e mostradas com recurso a meios áudio visuais bem conseguidos e muito esclarecedores. Há pequenas resenhas históricas, artefactos que mostram a evolução geológica e comparações com outros achados similares noutras regiões, inclusivamente na Noruega.


 


As gravuras são muitas e muito mais perceptíveis do que esperava. É uma enorme colecção que se espalha ao longo de várias localidades, efectuadas ao longo de várias épocas, com dezenas de milénios de diferença. Incluem figuras humanas e de animais. Vale muitíssimo a pena visitá-lo.

Contorcionismos

 


Os contorcionismos possíveis para se atacar o PS e desviar as atenções da raiz do problema, são extraordinários. Segundo Nuno Melo, há dias num programa de televisão, em que conseguiu dizer várias enormidades, aponta o problema da licenciatura de Miguel Relvas ao processo de Bolonha. O líder da JSD pede responsabilidades e esclarecimentos a Mariano Gago, a propósito da lei das equivalências.


 


Não seria melhor absterem-se de fazer comentários disparatados?

Tempo

 



Manfred Kielnhofer: Time Guardians


 


1.


De súbito encolheu-se o tempo esvaziado


Em que a falta do corpo pesa na alma.


 


2.


Não encontro o papel


em que escrevi o infinito que me esperava.


À minha volta descansam apenas


as sombras do que já fui.


 


3.


Junto ao mar


o tempo passa com o langor das ondas


lento e insaciável.


 

13 julho 2012

All you need is love


Beatles



Love, love, love, love, love, love, love, love, love.


There's nothing you can do that can't be done.


Nothing you can sing that can't be sung.


Nothing you can say but you can learn how to play the game


It's easy.


There's nothing you can make that can't be made.


No one you can save that can't be saved.


Nothing you can do but you can learn how to be you


in time - It's easy.


 


All you need is love, all you need is love,


All you need is love, love, love is all you need.


Love, love, love, love, love, love, love, love, love.


All you need is love, all you need is love,


All you need is love, love, love is all you need.


There's nothing you can know that isn't known.


Nothing you can see that isn't shown.


Nowhere you can be that isn't where you're meant to be.


It's easy.


All you need is love, all you need is love,


All you need is love, love, love is all you need.


All you need is love (all together now)


All you need is love (everybody)


All you need is love, love, love is all you need.


 


Reformas impopulares

 


É importante que o PS não se esqueça da manipulação das populações efectuada pelos autarcas, a propósito da reforma da rede dos serviços de urgência e do fecho das maternidades, na altura de Correia de Campos. As reformas, sejam elas quais forem, são sempre incendiárias.


 


Se a reforma judiciária é boa ou má, não faço a mínima ideia. Mas não é pelas manifestações promovidas pelos autarcas que posso concluir alguma coisa. Mais uma vez, não tenho simpatias pela Ministra Paula Teixeira da Cruz. Considero mesmo a decisão sobre a divulgação dos nomes e moradas dos pedófilos um atentado contra um dos mais elementares direitos de cada cidadão, por muito que a justificação seja a segurança das crianças (o argumento da segurança justificou sempre as maiores barbaridades). Mas a reforma do mapa judiciário, seja ela qual for, será sempre mal recebida pelas forças conservadoras, venham elas de onde vierem.


 

A excelência dos conteúdos*

 



 


O caso Relvas, mais do que Relvas é Lusófona, que mais do que Lusófona é credibilidade do ensino privado. Independentemente do que possamos pensar do ministro Relvas (lembremo-nos do que disse de José Sócrates, cujo caso foi aproveitado pelos jornalistas e pelos partidos políticos para o destruir, tal como agora está a acontecer com ele), a responsabilidade da atribuição de equivalências para a licenciatura é do Conselho Científico da Universidade Lusófona.


 


Ou seja, ficaram bastante claros os critérios de qualidade e excelência pelos quais se guia a referida Universidade. O que é triste e esclarecedor, é o público ter ficado a saber desse assunto a propósito da luta política suja, que se banalizou na anterior legislatura pela mão dos opositores a Sócrates, e não por qualquer trabalho sério de investigação à qualidade do ensino universitário. Será que foi apenas Miguel Relvas a beneficiar desses critérios? Não haverá outras pessoas - jornalistas, comentadores e opinantes profissionais, políticos de outros partidos - cujas licenciaturas, mestrados ou doutoramentos tenham sido conseguidas de forma semelhante? Onde está o verdadeiro escrutínio público a determinadas práticas nacionais, que são toleradas por todos até serem repudiadas pela necessidade de perseguição e assassinatos de carácter?


 


Não tenho qualquer simpatia por Miguel Relvas. Se acreditasse em Deus, achava que ele estava a ser alvo da justiça divina. Não me interessa se ele fez ou não uma licenciatura facilitada, desde que não tenha cometido nenhum ilícito. Mas acho da maior relevância a revelação da inqualificável mediocridade que grassa nestas instituições.


 


*Parafraseando Mário Crespo



Declarações políticas

 



 


Que tipo de rendimentos devem ser taxados, para reduzir o défice e financiar os serviços públicos é, de facto, uma questão política. Mas são essas opções que diferenciam a esquerda da direita. Aguardo que o PS explicite as suas opções para uma verdadeira alternativa ao poder existente.


 

12 julho 2012

Em defesa do SNS

 


A greve dos médicos é a demonstração inegável de que os médicos defendem o SNS. Não estou de acordo com tudo o que o Bastonário diz sobre algumas das medidas deste governo, tal como a concentração de meios e o fecho de algumas instituições, nomeadamente a Maternidade Alfredo da Costa. Entendo que são medidas necessárias e que são explicadas como garantia de qualidade assistencial, assim como gestão criteriosa de recursos humanos e outros.


 


Mas as medidas que reduzem e condicionam a igualdade de acesso à saúde, por todos os cidadãos, as que reduzem a qualidade da formação médica, da formação de serviços escalonados em experiência e saber, as que destroem a carreira profissional, trave mestra dessa mesma diferenciação e qualidade, são objectivamente contrárias à própria essência do SNS. Não se percebe, pelo menos eu não percebo, porque é que o ministério não desbloqueia a discussão das grelhas salariais para os horários de 40h/semana. Aliás nunca percebi porque é que não se dá prioridade a estes horários, em vez dos de 35h, tal como não entendo que se mantenha a mistura entre público e privado.


 


As opiniões que dão conta da ganância dos médicos, ditadas por má fé ou ignorância, não têm afectado a enorme calma com que a população aceita esta greve. Sacrifícios todos fazem e todos estão disponíveis para fazer, desde que entendam que o que é prioritário se mantém. O SNS é uma prioridade da nossa sociedade democrática.


 


A democracia está no Parlamento, enquanto casa dos nossos representantes. Não aceito que Francisco Louçã instrumentalize a greve dos médicos. Não me revejo nas suas palavras. A rua é muito importante numa democracia, mas não são as manifestações que fazem a democracia. Francisco Louçã, aliás, foi um dos grandes obreiros da subida ao poder deste governo, pela sua actuação na anterior legislatura. É até irónico que tenham sido os partidos profetas da destruição do SNS - PCP e o BE - que contribuíram indirectamente para a efectivação dessa política.


 


Penso que o Ministro deve entender que os médicos tudo farão para manter o SNS. Estamos a tempo de fazer acordos e de trabalhar para que o SNS seja remodelado, alterado, melhorado, mas não deturpado e destruído. O SNS é a única garantia que todos têm direito à saúde que, mais que constitucional, é um direito humano.

08 julho 2012

Um dia como os outros (114)

 



 


(...) Por isso, afirmo, e mantenho, que a “doutrina Expresso” é errada. E é perigosa. E prefiro acreditar que esta “teorização” jornalística foi resultado da precipitação e da cólera, e não de uma convicção real sobre o jornalismo e o seu papel.


 


Vai e vem (via Valupi)


 

Reunem-se os Aventais

 



As reuniões têm-se sucedido, secretas e buliçosas, onde as colheres e as batedeiras rivalizam com ovos, farinha e açúcar. A crise abunda e não há tempo para delongas. Somam-se experiências para aproveitar, reciclar, adoçar, saborear, utilizando ingredientes, fragrâncias e paladares na prossecução dos ideias da Grande Cozinha Semanal. A investigação internáutica é essencial para a elaboração dos projectos.




Por vezes, divulgam-se algumas actas. A de hoje passou por entre os ruídos de aprovação deleitada, que distraíram os Aventais mais rigorosos.


 


Tarte de ameixas


Ingredientes:


Massa:


1 folha massa quebrada (qualquer uma já preparada, daquelas que se compram nos hipermercados)


Recheio:


10 a 14 ameixas maduras (cortadas em metades sem caroço)


30ml de aguardente, conhaque, rum, vodka...


20g + 100g de açúcar


2 ovos


200ml de natas


30g de farinha


Preparação:


Retira-se a massa quebrada do frigorífico e forra-se uma forma de tarte, mantendo o papel.


Numa frigideira espalha-se o açúcar e colocam-se as ameixas descaroçadas e cortadas ao meio. Regam-se com a aguardente e levam-se ao lume brando, deixando-se cozer durante 5 minutos. Viram-se as ameixas e cozem outros 5 minutos, colocando-se depois sobre a massa.


Batem-se os ovos e o açúcar até obter um creme espesso e esbranquiçado. Adicionam-se as natas, sempre batendo, depois a farinha.


Deita-se o creme por cima das ameixas e leva-se ao forno (médio) cerca de 20 minutos.


Come-se só ou com gelado.

Médicos e SNS

 



 


O Ministério da Saúde e o Ministro Paulo Macedo desdobram-se em apelos, discursos e declarações de grande disponibilidade para o diálogo, para a abertura de concursos, até para as revisões salariais, depois de terem estado meses sem honrar os compromissos que tinham assumido na altura da desconvocação da greve às horas extraordinárias, mantendo, no entanto, propostas ambíguas e pouco consentâneas com as propaladas nos media. Repentinamente há reuniões marcadas ao domingo, numa tentativa de evitar uma greve que, depois da desastrada alusão à requisição civil, fez extremar a posição dos sindicatos.


 


Apesar das tentativas do PCP para instrumentalizar a paralisação, que Paulo Macedo e Passos Coelho não se iludam - esta é uma greve que surge em defesa de condições de trabalho e salariais, é claro, mas também da dignidade profissional, da qualidade assistencial e da equidade e igualdade de acesso ao SNS. É uma greve política, sim, porque defende princípios consagrados na Constituição, aquela que o governo não se importa de suspender para ir além da troika.


 

07 julho 2012

Conhecimento imaginário

 



 


Gostava de conhecer Pedro Tamen. Gostava de conhecer o seu silencioso estar, fora das televisões, dos blogues, dos facebooks, fora da incrível tentação de dizer coisas, muitas e importantes coisas, tão interessantes, literárias, mundanas e triviais, aquelas coisas que todos estamos sempre com tanta vontade de dizer.


 


Gostava de conhecer Pedro Tamen. Ou se calhar não. Gosto só da ideia, da imagem que tenho dele, por não ter nenhuma, a não ser da poesia que escreve e de que eu gosto tanto.


 


 


17.


No clandestino recanto


com que sentado labuto


os pespontos do meu canto,


 


neste perdido reduto


em que as mãos amadurecem


a peça que fugirá


das mãos dos que não merecem


para andar ao deus-dará


num universo de espanto


 


em que o amor vai curtido,


calado, surdo, tingido


de uma cor que é o sentido


da salvação que acalanto


 


- aqui me caio e levanto.

Um dia como os outros (113)

 



(...) Não há duas interpretações possíveis para estas palavras, apenas esta: o indivíduo que é pago pelo Estado para exercer o cargo de Presidente da República está a invocar um acordo de empréstimo com entidades estrangeiras em ordem a justificar a sua demissão voluntária para respeitar e fazer respeitar a Constituição. Ainda por cima, o indivíduo, e quem o apoia, tudo fez para que Portugal fosse obrigado a recorrer a esse empréstimo, e nas piores condições negociais. Era o três em um: queda de Sócrates, subida da direita ao poder e licença ao abrigo da Troika para uma experiência de reengenharia social nascida da mais irresponsável ignorância. (...)


 


Valupi


 

Iogurtes magros, cá por casa

 



 


Iogurte natural, magro 



  • 1l leite magro (do dia)

  • 2 colheres sopa leite em pó, magro

  • 200g de iogurte natural, magro 


Misturar o iogurte, o leite e o leite em pó e deitar nos copinhos da iogurteira. Deixar ligada durante 12h. Consumir depois de 3h no frigorífico.


 


Iogurte de chocolate, magro 



  • 40g chocolate culinária negro

  • 1l leite magro (do dia)

  • 2 colheres sopa leite em pó magro

  • 200g de iogurte natural, magro 


Derreter o chocolate partido aos bocadinhos no leite e deixar ferver. Depois de arrefecer misturar o iogurte e o leite em pó e deitar nos copinhos da iogurteira. Deixar ligada durante 10h. Consumir depois de 3h no frigorífico.


 


Iogurte de baunilha, magro 



  • 2 vagens de baunilha

  • 1l leite magro (do dia)

  • 2 colheres sopa leite em pó, magro

  • 200g de iogurte natural, magro 


Abrir as vagens de baunilha e raspar o conteúdo para dentro de um fervedor. Juntar o leite e deixar ferver durante 10 minutos. Depois de arrefecer, misturar o iogurte e o leite em pó e deitar nos copinhos da iogurteira. Deixar ligada durante 12h. Consumir depois de 3h no frigorífico. 


 


Iogurte de coco, magro 



  • 50g de coco ralado

  • 1l leite magro (do dia)

  • 2 colheres sopa leite em pó, magro

  • 200 g de iogurte natural, magro 


Juntar o leite ao coco ralado e deixar ferver durante 10 minutos. Depois de arrefecer, misturar o iogurte e o leite em pó e deitar nos copinhos da iogurteira. Deixar ligada durante 10h. Consumir depois de 3h no frigorífico.


 


Iogurte de banana, magro 



  • 1 banana madura

  • 1l leite magro (do dia)

  • 2 colheres sopa leite em pó, magro

  • 200g de iogurte natural, magro 


Fazer um batido com a banana e o leite. Misturar o iogurte e o leite em pó e deitar nos copinhos da iogurteira. Deixar ligada durante 10h. Consumir depois de 3h no frigorífico.


 


Iogurte de cacau, magro 



  • 50g cacau em pó, magro 

  • 1l leite magro (do dia)

  • 2 colheres sopa leite em pó magro

  • 200g de iogurte natural, magro 


Ferver o pó de cacau com o leite e, depois de arrefecer, misturar o iogurte e o leite em pó. Deitar nos copinhos da iogurteira que se deixa ligada durante 12h. Consumir depois de 3h no frigorífico.


 


Nota: Quem quiser pode substituir a palavra magro por gordo ou meio-gordo, aumentar a quantidade de chocolate e cacau, ou juntar açúcar (ao gosto de cada um, habitualmente 50g/1l leite).

Um dia como os outros (112)

 



(...) Tem Miguel Relvas toda a razão: todo o cidadão tem direito ao bom nome. Até ele, que o negou a outros. Curioso que só se dê disso conta quando é à sua porta que as acusações e insinuações batem, depois de tudo ter feito, como tantos "notáveis" do seu partido, de Santana a Ferreira Leite, de Marques Mendes a Menezes, de Pacheco Pereira a Passos, para que a doença do ad hominismo infetasse o combate político, banalizando as considerações sobre "o carácter", o percurso académico e até a família dos adversários. (...)


 


Fernanda Câncio

A falácia dos subsídios

 


É bom não esquecer que os 13º e 14º meses não são prendas de bom comportamento nem mordomias dos funcionários públicos. São cerca de 14% da remuneração anual, que é paga em 14 prestações. Por isso, o corte destes pagamentos corresponde a um corte de 14% dos ordenados.


 


Ou seja, um corte de 7% do ordenado a todos os trabalhadores, corresponde a metade do que foi cortado aos funcionários públicos, não contando, evidentemente, com os 10% que já lhes tinham sido subtraídos


 


Não estou a defender que se cortem ordenados a todos os trabalhadores. Mas se a necessidade que levou à redução correspondente a 14% dos ordenados dos funcionários públicos é assim tão premente, ela deve ser dividida por todos. Os resultados, no entanto, estão à vista de todos.


 


Porque é que o governo não aproveita a oportunidade e não passa a pagar em 12 prestações, acabando definitivamente com a semântica dos subsídios, que é uma falácia completa? E, já agora, porque é que não aproveita para repôr o que retirou, visto que a situação só piorou?

06 julho 2012

Estado de direito

 


A decisão do Tribunal Constitucional (TC) foi, como disse Guilherme de Oliveira Martins, a prova de que o Estado de Direito funciona, mesmo que disso tenhamos dúvidas todos os dias, muitas delas bem fundadas. Percebo o facto dos Juízes terem tornado o ano corrente numa excepção, embora considere que foi uma opção política. Se é uma medida inconstitucional o Estado deveria ressarcir os cidadãos do que já lhes foi retirado. Desta forma o TC dá uma folga ao governo que, inclusivamente, pode ser usada para estender esse imposto ao sector privado.


 


No entanto, penso que o governo não tem condições políticas para se atrever a retirar o subsídio aos restantes trabalhadores. Neste momento, a paciência esgotou-se e não haverá vozes internas que sustentem mais austeridade, por muito que a vontade expressa de Passos Coelho e Vítor Gaspar seja de cumprir o défice a todo o custo. Já todos perceberam que não há margem para mais medidas recessivas e o que, provavelmente, acontecerá, é um imposto que seja distribuído por todos, substituindo o corte dos dois subsídios ao funcionalismo público.


 


Para além disso, deva dizer-se que esta decisão assina mais uma derrota de Cavaco Silva, com a demonstração da sua arrogante inutilidade, mais uma derrota do governo, pela incompetência e cegueira patentes, e mais uma derrota de António José Seguro, pela vacuidade da oposição que pratica.

05 julho 2012

A vez dos privados

 


A decisão de inconstitucionalidade em relação ao corte dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos, por violação do princípio da igualdade, deu a desculpa perfeita para a extensão do mesmo corte aos trabalhadores e pensionistas do sector privado.


 


Via Aspirina B.


 


Nota 1: Parafraseando a Shyznogud: (...) E uma vénia aos deputados do Bloco, do PCP e do PS (estes contrariando a sua direção de bancada) que fizeram o que Cavaco não fez.


 


Nota 2: Corrigindo a mesma, como ela própria: (...) E uma vénia aos deputados do Bloco e do PS (estes contrariando a sua direção de bancada) que fizeram o que Cavaco não fez.

Fim de tarde

 



Jacqueline Rush Lee


 


 


Espalhavam-se pelo recinto, em pequenos grupos, habitualmente centralizados por alguma figura pública rodeada por outras que aspiravam à publicidade, do qual ressaltavam, por vezes, vozes exuberantes e risos de estalo. A roupagem era cuidadosamente casual, os olhares abrangendo a assembleia, atentos a quem chegava e a quem partia, trocando-se murmúrios de reconhecimento e identificação.


 


Arrastava-se a hora marcada muito para além do aceitável como é de bom tom em eventos literários, vernissages e afins, em que o fazer-se esperar a audiência apenas tem como objectivo ver e ser-se visto.


 


Autores sentados, apresentador a preceito, voz profunda e texto em folhas A4 frente e verso dactilografadas, letra arial 12 a espaço e meio, perante a assistência já preparada para os pequenos sons guturais de apreciação e aplauso, pequenos risos entremeados, acenos de cúmplices entendimentos. E de uma assentada, aquilo que se antevia como horas de prazer despretensioso, na mente de calções e pés descalços, areias macias e fins de tarde gloriosos, transformaram-se num manancial de profundos pensamentos, abundantes citações, indagações da vida e filosofias de antanho.


 


Muitos terão definitivamente decidido em que canto da prateleira iriam arrumar o pesado causador do evento, depois de uns dias estrategicamente colocado à vista dos visitantes. Muitos terão definitivamente decidido do imenso tédio de tal leitura, aposta pouco profícua para as horas de lazer. Poucos os que tentaram ver, atrás dos semblantes compungidos e seráficos dos autores, o susto de terem produzido tal imensidão de alindados pedregulhos, de tão espantosas metáforas, de tão deleitosas capacidades de projecção de consagrados autores literários.


 

04 julho 2012

Jornalismo político

 


Há muito que o jornalismo deixou de ter como objectivo a informação. E talvez este nunca tenha sido o único, mas apenas aquele que servia de cartão-de-visita para determinados posicionamentos políticos e ideológicos. Mas arrogar-se de um distanciamento científico e patriótico para servir uma determinada agenda, é menorizar a inteligência de quem ainda lê jornais.


 


No editorial de hoje o Diário Económico online, do alto da sua cátedra, discorre sobre o prejuízo para o país que será consequência das greves que se avizinham, misturando a dos pilotos da TAP com a dos médicos, a da Rodoviária de Lisboa e a da CP. Diz o editorialista (não identificado, por sinal), que o país precisa de trabalho, em vez disso assistindo ao regresso da política pura e dura, subentendendo-se como o regresso de todos os males.


 


Só que o próprio editorial é uma intervenção política, mascarada de análise, em que só falta dizer tudo pela Nação, nada contra a Nação, deixemos a política que só nos divide. A lavagem cerebral contínua que este tipo de artigos e comentários tentam, é bem a prova de que não existe jornalismo independente. Nada tenho contra, desde que estes interventores políticos se assumam como tal.

03 julho 2012

Mato

 



T.A.G: The room


 


 


O que foi que nos atrasou neste tempo


de searas verdes de vinhas cansadas de mato em sangue?


O que foi que nos leram em infâncias


relembradas nos vagarosos lumes de anteriores Outonos?


Nem sempre os lamentos nos consolam


nem as rugas se prestam ao lento remar da melancolia.


 

Tanto mar

 


Pedro Adão e Silva é dos comentadores que mais gosto de ouvir. Também gosto das suas escolhas, na TSF. Quanto ao João Catarino, os seus traços são muito interessantes. Penso que não será só um bom livro de férias e para férias, mas um cheirinho de mar para todos os dias do ano. Vou tentar lá estar.


 



 

02 julho 2012

O livro do sapateiro (14.)

 



Pedro Tamen: O livro do sapateiro


 


A mão. É esta mão que percorre


a pele curtida por anos,


por anos de livres passos,


por ares de bosques e serras,


e vem aqui aninhar-se


entre estes dedos nodosos,


doridos, desajeitados,


que cumprem o seu dever


para nela pôr o ser


de uma nova liberdade.

Propaganda a funcionar

 


Se o valor de referência é 10€/hora, porque é que a ARSLVT negoceia com empresas e não diretamente com os profissionais?

Títulos alternativos (2)

 


Dívidas do Estado aumentam o buraco dos Hospitais


 


As despesas são responsabilidade da gestão de cada hospital. As receitas dos hospitais são provenientes do Estado, que tem que lhes pagar aquilo que contratualizou.


 


(...) As despesas até diminuíram em 207,1 milhões (-5,9%) até Maio. O problema é que as receitas caíram ainda mais: 337,6 milhões (-9,7%). (...)

Escravatura institucionalizada

 


Nós não contratamos enfermeiros, mas serviços de enfermagem.


 


A falta de respeito pelos cidadãos, os profissionais de enfermagem e a multidão de quem deles precisa, é revoltante. É o próprio Estado que institucionaliza o trabalho de escravo, e é para quem quer. Não há pessoas, há apenas serviços, ao mais baixo preço.


 


A dignidade deixou de ser um valor. António Borges tinha avisado. Por onde andam os movimentos sindicais, as greves e as manifestações? A FENPROF desapareceu e os restantes olham para a sua própria inutilidade, cavada por tantos anos de incúria e disparate.


 


Este é o tipo de política que levará ao incendiar do menor rastilho. Não basta a falta de rendimentos, não basta a quase impossível escolha de prioridades, faltava ainda o total desprezo pela dignidade de quem trabalha. E percebemos qual a qualidade que o Ministro Paulo Macedo garante para quem faz parte e para quem precisa do SNS - a do mais baixo preço.

01 julho 2012

Em defesa do esclarecimento público

 


Médicos bons e médicos maus, corruptos e honestos, competentes e incompetentes, há-os como em todas as outras profissões. Que o Estado não é uma agência de empregos e tem toda a razão em exigir o melhor para os seus servidores? Nada é mais evidente.


 


Também é evidente, como tão bem nota a Ana Matos Pires, é a forma como se tenta manipular a opinião pública com a avalanche de notícias que, subitamente, apareceram com histórias de fraudes de milhões, protagonizadas por médicos e outros profissionais de saúde, em vésperas de uma greve da classe, em defesa do SNS e da qualidade de assistência médica.


 


Já falei mais de uma vez nestes problemas. Com a implementação das taxas moderadoras para exames complementares de diagnóstico e técnicas de que os médicos se socorrem para o diagnóstico, o prognóstico e indicação terapêutica individualizada – uma conquista da medicina moderna – este governo introduziu a desigualdade de acesso aos cuidados de saúde, que agora também dependem da complexidade e da gravidade da própria patologia.


 


Dentro de pouco tempo os doentes escolherão o hospital e/ou o laboratório pelo preço e não pela qualidade do atendimento. O SNS deixou de ser universal e tendencialmente gratuito, deixou de ser garantia de qualidade e de igualdade para passar a ser o mínimo a que temos direito. A Constituição? Pelos visto não serve para nada.


 


Quanto às carreiras médicas, elas eram uma aposta e uma garantia da qualidade e da contínua formação e diferenciação do corpo clínico.


 


É tão fácil e tão rápido destruir o que tantos anos e tanto esforço levou a construir.

Quand on s'promène au bord de l'eau

 


Pacheco Pereira no seu melhor - em tempos de tanto negrume, vale a pena escutar algo que nos possa devolver a esperança.


 



Julien Duvivier & Maurice Yvain

Jean Gabin

 


 


Du lundi jusqu'au samedi,
Pour gagner des radis,
Quand on a fait sans entrain
Son boulot quotidien,
Subi le propriétaire,
Le percepteur, la boulangère,
Et trimballé sa vie de chien,
Le dimanche vivement
On file à Nogent,
Alors brusquement
Tout paraît charmant!

Quand on se promène au bord de l'eau,
Comme tout est beau...
Quel renouveau...
Paris au loin nous semble une prison,
On a le coeur plein de chansons.
L'odeur des fleurs
Nous met tout à l'envers
Et le bonheur
Nous saoule pour pas cher.
Chagrins et peines
De la semaine,
Tout est noyé dans le bleu, dans le vert...
Un seul dimanche au bord de l'eau,
Aux trémolos
Des petits oiseaux,
Suffit pour que tous les jours semblent beaux
Quand on se promène au bord de l'eau.

Je connais des gens cafardeux
Qui tout le temps se font des cheveux
Et rêvent de filer ailleurs
Dans un monde meilleur.
Ils dépensent des tas d'oseille
Pour découvrir des merveilles.
Ben moi, ça me fait mal au coeur...
Car y a pas besoin
Pour trouver un coin
Où l'on se trouve bien,
De chercher si loin...

Quand on se promène au bord de l'eau,
Comme tout est beau...
Quel renouveau...
Paris au loin nous semble une prison,
On a le coeur plein de chansons.
L'odeur des fleurs
Nous met tout à l'envers
Et le bonheur
Nous saoule pour pas cher.
Chagrins et peines
De la semaine,
Tout est noyé dans le bleu, dans le vert...
Un seul dimanche au bord de l'eau,
Aux trémolos
Des petits oiseaux,
Suffit pour que tous les jours semblent beaux
Quand on se promène au bord de l'eau.

L'odeur des fleurs
Nous met tout à l'envers
Et le bonheur
Nous saoule pour pas cher.
Chagrins et peines
De la semaine,
Tout est noyé dans le bleu, dans le vert...
Un seul dimanche au bord de l'eau,
Aux trémolos
Des petits oiseaux,
Suffit pour que tous les jours semblent beaux
Quand on se promène au bord de l'eau.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...