Neste momento multiplicam-se os programas, editoriais e comentários sobre o descalabro deste governo. Em muitas circunstâncias, exactamente com os mesmos protagonistas daqueles que o fizeram nos meses anteriores à queda de Sócrates.
Mas na verdade, por muito que se fale da agenda ideológica do governo, a legitimidade deste é inatacável, tal como a implementação da sua agenda ideológica. Foi eleito para governar com a sua agenda e o seu programa. Mentiu na campanha eleitoral, é verdade, mas todos os partidos o fazem e fizeram. E as sondagens continuam a dar-lhe maioria.
É claro que o resultado das sondagens explica-se pela abulia e anosmia da oposição toda, mas particularmente de António José Seguro, à frente do PS. Felizmente, de vez em quando, aparecem alguns textos que, certeiramente, contextualizam o que se está a passar.
É o caso do artigo de Maria de Lurdes Rodrigues, no Expresso, que chama a atenção para o retrocesso civilizacional a que vamos assistindo, com a ideia que esta maioria tem do que é a educação - a perpetuação da imobilidade social, pela hereditariedade da classe e do status académico. Não há dinheiro para aceder às licenciaturas, como deixa de haver cabimento para aspirar a outra coisa senão aquilo que se nasceu para ser. O nosso fado, mais uma vez, numa espiral de mediocridade e mesquinhez, em que a vida só tem esplendor para alguns poucos sortudos que tiveram a felicidade de nascer em berço dourado - os fidalgos (filhos de algo).
A juntar ao real empobrecimento da classe média e dos pobres, transformando a classe média em pobres, que não têm dinheiro para a sua própria saúde e que deixam de ter direito a ela, pois o Estado aliena-se e esvazia-se das suas funções. A juntar ao discurso moralista desta direita retrógrada que culpa os mais pobres pela crise e pelo endividamento do país, como pude assistir atónita num dos muitos frente a frente do Mário Crespo, aquele paladino da mais completa e triste palhaçada da parcialidade e da náusea profunda do descaramento.
Eu até estou totalmente de acordo com as facturas obrigatórias. Mas não sei como é que muitos dos meus concidadãos irão (sobre)viver sem a economia paralela que existe.
Volto ao início. Este governo foi aquele que elegemos. Há uma direita e uma esquerda. Esta é a direita.
01- Anoto o excelente artigo de Maria de Lurdes Rodrigues.
ResponderEliminar02- Sobre as "Faturas" tal obriga a uma extensa análise e deixo para outra ocasião o tratamento do tema.
Mas afloro umas tantas ideias:
- O Governo surge com uma dedução do IVA em sede de IRS, rídicula, mas de cariz populista
- Ridícula, pois se se cifrar em "bicas" consumidas, para esgotar a dedução de € 250,00, seriam necesárias 36000 ou seja o consumo de 100 "bicas" por dia!!!!
- Mas grave, muito grave, é introduzir para além das clássicas "Faturas" outro tipo de alegadas "Faturas"- ora bem grifado- destruindo universalidade de conceitos e gerando uma subversão no Sistema Contabilistico das Empresas. Faturas com Número Fiscal e alegadas "Faturas" sem Número Fiscal.
- Tudo indica que em vez de termos um combate à Evasão Fiscal, se abriu a porta a uma diminuição do Controlo, com novas subtilezas na fraude.
Voltarei ao tema.
Bom Fim de Tarde.
Boa Semana.
Cordiais e Amistosas Saudações de Muito Apreço de
ACÁCIO LIMA