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16 março 2019

Da jovem esperança

Parece que estamos todos adormecidos, atarantados, gaseados pelos horrores que vão acontecendo por esse mundo. O ataque terrorista na Nova Zelândia, anteriormente o de Pittsbrugh, o vandalismo destruidor dos coletes amarelos em França, nomeadamente em Paris, Trump, Bolsonaro e semelhantes, a crise da Venezuela, o Brexit, enfim, todo um corolário quotidiano de precipitação para abismos que nos gelam e que não sabemos como parar.


 


Por isso é uma frescura de alma e uma esperança dar conta de algumas pérolas, inesperadas e surpreendentes, como este movimento:


 


15 dezembro 2018

Obejctivo - destruir

Acredito na boa fé de muitos dos que se juntaram às primeiras manifestações dos coletes amarelos, em Paris.


 


Agora ninguém tem qualquer dúvida sobre o objectivo que move a continuação da destruição e do vandalismo das novas manifestações. É vandalismo e terrorismo, com o objectivo imediato de roubar e lucrar e outro mais subterrâneo, aproveitado e incentivado pela extrema direita e pela extrema esquerda de destruir a confiança no regime democrático.


 


Por cá tenta-se copiar. A extensa e permanente cobertura pelos media dão motivos para aumentar a violência, pela divulgação do medo a nível nacional e internacional. É muito difícil tentar perceber qual o equilíbrio entre a informação e a propaganda gratuita. 


 


Macron foi eleito há pouco mais de um ano. A extrema-direita está exultante perante as últimas vitórias, nomeadamente em Espanha. E nós todos, por acção ou omissão, vamos deixando que o abismo se aproxime.

06 dezembro 2017

Um louco na Casa Branca

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Reuters / Jonathan Ernst


 


É difícil imaginar que alguém possa ser eleito para um cargo com o poder e a importância da Presidência dos Estados Unidos da América sem um mínimo de bom-senso, de conhecimento histórico e de razoabilidade, sem se rodear de gente competente e cautelosa, gente que pense e se importe com um pouco mais do mundo do que aquele que corresponde ao espaço vital que ocupa.


 


Mas aconteceu, e continuará a acontecer. Donald Trump vai ultrapassando todos o limites que julgávamos intransponíveis. O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel é uma decisão com consequências imprevisíveis.


 


Há um louco perigoso à solta na Casa Branca.

23 junho 2017

O misterioso caso das manchetes do El Mundo

Parece que há um jornalista chamado Sebastião Pereira, que se ofereceu ao El Mundo para cobrir o incêndio de Pedrógão Grande, em Portugal, cujos artigos são incendiários e mentirosos e replicados, como é hábito, pelos media nacionais.


 


Parece ainda que não se encontra rasto desse jornalista, nem em Portugal nem em Espanha.


 


Não é preciso espantarmo-nos com as manipulações de outros países em épocas eleitorais, por exemplo nas Presidenciais norte americanas ou no referendo do Reino Unido. Temos as nossas manipulações domésticas, com fabricação de notícias falsas com a cumplicidade (por acção ou omissão) dos meios tradicionais. Nem é necessário recorrer às redes sociais. Basta ter à vontade e desplante para criar casos e factos políticos.


 


Assim vai a nossa democracia.

31 maio 2017

Variações sobre a violência

 


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Cabul


 


 


Explosões ao domicílio:


fragmentos de carne a peso


e sangue sem medida conhecida.


As almas serão apenas derramadas


nos cartazes da publicidade oferecida.

19 dezembro 2016

O único acidente é o nosso esquecimento

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Atentado em Berlim


 


Vamo-nos habituando ao horror, retomamos as nossas vidinhas. Há guerra na Síria, no Iraque, na Palestina, atentados em África, na Ásia e na Europa.


 


E é na Europa que mais nos dói, não porque não nos doam todas as outras mortes, todas as outras atrocidades, mas porque é dentro da nossa casa, dentro das nossas portas.


 


Sobressalto, horror, desfalecimento psicológico, depois a rotina, Isto já é rotina.


 


Mas teimamos em manter as portas abertas, não podemos ceder ao medo. Teimamos em ir vivendo, atentado após atentado, assassinato após assassinato.


 


E é da liberdade que não podemos prescindir. Da liberdade, do direito a uma vida digna e em segurança, da liberdade de ser respeitado e respeitar.


 


Agora foi em Berlim.

15 julho 2016

Da necessidade absoluta de cuidado e contenção

Nestas horas de horror, em que todos nos interrogamos como é possível e que motivações poderão estar por detrás de semelhantes carnificinas, o que leva um homem a lançar um camião para cima de uma multidão de gente com a vontade e o objectivo de as matar, procuramos, mesmo sem querer, culpados. Aplaca-nos o sentido de justiça ter alguém a quem acusar, julgar e condenar.


 


Por isso me custam as várias notícias que poderão ser extemporâneas sobre a ineficácia e a incapacidade da polícia e/ ou de outras autoridades francesas no combate ao terrorismo. Não fazemos ideia do que se passou nem do número de vezes que terão sido prevenidos outros ataques, tão ou mais sangrentos que este.


 


Por outro lado também não me parece que se possa concluir já que este foi um ataque do DAESH ou da AL QAEDA ou de outro qualquer grupo terrorista. Até agora, que saibamos, ainda não foi reivindicado por nenhum dos grupos que o celebram e aplaudem. A acreditar nas notícias, o homem estaria acompanhado por armas falsas e por uma granada inutilizada. Parece-me muito bizarro, tudo isto.


 


Por isso penso que todos devemos ter cautelas redobradas perante conclusões que poderão ser apressadas e erradas. O horror e a solidariedade que sentimos assim como o desejo de esclarecimento não devem sobrepor-se à frieza e capacidade de análise, de forma a não sermos arrastados para mais ódios e mais medo.

Nice, 14 de Julho de 2016

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Nice, Promenade des Anglais (1891)


Edward Munch


 


A tudo nos habituamos e ao que de pior temos também. A multiplicação da morte e da violência, sem se perceber exactamente em nome de quê, de quem, para quê ou para quem, por muitas explicações mais ou menos informadas, mais ou menos realistas, mais ou menos apaixonadas que ouçamos, transforma a barbárie na norma e nós em seres sem palavras, sem lágrimas, sem paixão para a revolta.


 


Talvez por isso e paradoxalmente a nossa melhor arma seja o silêncio e a indiferença, tratando todo este horror e ignomínia como mais uma distracção de verão.


 


Talvez os mentores de toda esta carnificina em todo o mundo, privados do melhor instrumento terrorista que é a divulgação e a manutenção do medo, percebam que continuaremos a viver e a trabalhar, a passear e a aplaudir, a dançar e a sofrer diariamente com aquilo que nos é mais precioso – a nossa liberdade.

22 março 2016

O reinado do medo

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Não há mais palavras para condenar estas acções bárbaras de criminosos sem escrúpulos.


 


O reinado do medo, propagado por carnificinas transmitidas directamente pelas televisões, não pode ser justificado por qualquer deriva ideológica de todos os que, democraticamente, são eleitos e representam os povos em que a liberdade é o estandarte, como tenho assistido em posts no facebook, ao mencionarem Bush, Aznar, Tony Blair e Durão Barroso como cabecilhas dos atentados. Independentemente de todas as divergências entre pessoas e povos, o respeito pela nossa forma de vida deve ser exigido a todos os povos e culturas, como o exigimos nas nossas sociedades democráticas.


 


O que está em causa é a nossa forma de viver, a nossa liberdade e a nossa democracia. É muito, muito difícil, mas não podemos ceder ao medo.


 

15 novembro 2015

Resistências

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Tiago Taron


 



Paris en colère


Maurice Vidalin & Maurice Jarre & Mireille Mathieu


 


Que l'on touche à la liberté
Et Paris se met en colère
Et Paris commence à gronder
Et le lendemain, c'est la guerre
Paris se réveille
Et il ouvre ses prisons
Paris a la fièvre
Il la soigne à sa façon
Il faut voir les pavés sauter
Quand Paris se met en colère
Faut les voir, ces fusils rouillés
Qui clignent de l'œil aux fenêtres
Sur les barricades
Qui jaillissent dans les rues
Chacun sa grenade
Son couteau ou ses mains nues
La vie, la mort ne comptent plus
On a gagné, on a perdu
Mais on pourra se présenter là-haut
Une fleur au chapeau
On veut être libres
À n'importe quel prix
On veut vivre, vivre, vivre
Vivre libre à Paris
Attention, ça va toujours loin
Quand Paris se met en colère
Quand Paris sonne le tocsin
Ça s'entend au bout de la terre
Et le monde tremble
Quand Paris est en danger
Et le monde chante
Quand Paris s'est libéré
C'est la fête à la liberté
Et Paris n'est plus en colère
Et Paris peut aller danser
Il a retrouvé la lumière
Après la tempête
Après la peur et le froid
Paris est en fête
Et Paris pleure de joie

13 novembro 2015

Paris

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O horror do terrorismo dentro das portas da nossa casa europeia, em Paris, símbolo da liberdade. Que o medo não possa fazer vergar a democracia e a sociedade livre.

17 janeiro 2015

Dos significantes e do significado

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A afirmação Je suis Charlie não significa que se goste ou se concorde com o conteúdo dos cartoons, que se compreenda a ofensa de quem se sente provocado – são provocantes e ofendem.


 


Mas não é isso que está em causa – ser-se Charlie é o grito de revolta perante a inqualificável e inaceitável aceitação, mesmo que politicamente correcta, de que se não devem publicar esses cartoons.


 


É grave e significativo que se tentem de alguma forma justificar as reacções às ditas provocações – quais são aceitáveis e inaceitáveis, tanto as provocações como as reacções? Há pessoas que têm responsabilidades acrescidas e o Papa é uma delas. Nada, mesmo nada pode justificar o terrorismo.

10 janeiro 2015

Dos esclarecimentos explícitos

É importante não confundir a livre condenação de cartoons, editoriais, artigos de opinião ou outras formas de liberdade de expressão com o impedimento que elas existam, com o assassinato de pessoas. Embora haja muitas tentativas sub-reptícias e bem sucedidas de censura, nomeadamente o politicamente correcto, há uma diferença abissal entre isso - que se denuncia com a mesma liberdade - e a execução dos considerados blasfemos.


 


Além disso também há a liberdade de discordar e de se ofender, mas para isso serve a lei, os tribunais, a possibilidade do recurso ao contraditório, como agora está na moda dizer-se. Nada, mesmo nada, pode justificar qualquer tipo de atentado terrorista.

Da luta diária que nos resta

O ataque aos jornalistas e ao Charlie Hebdo é mais um dos muitos que se têm realizado por esse mundo fora. Infelizmente, tal como Fernanda Câncio lembra, esquecemo-nos depressa e desapaixonadamente de todos os horrores que vão sendo noticiados, uns mais que outros, para nos indignarmos violentamente com os mais recentes.


 


O atentado à liberdade de expressão deve ser, e tem sido, motivo de solidariedade internacional, com o aproveitamento político rápido da extrema-direita francesa, ao recuperar a proposta de referendo ao regresso da pena de morte e ao encerramento das fronteiras, e da estupidez da esquerda francesa, ao deixar de fora a Frente Nacional na manifestação contra o terrorismo.


 


Na verdade todos os dias vamos cedendo um pouco da nossa liberdade e dos nossos direitos – deixamos de dizer o que pensamos porque não queremos ofender, porque temos medo de perder o emprego, oportunidades de contactos que nos interessam, negócios, etc. Não nos apercebemos que é a luta diária, constante e permanente que pode manter os valores da sociedade em que vivemos. A possibilidade de cultivar as nossas crenças e a nossas diferenças é um direito inalienável consagrado pelas Nações democráticas e pelas Organizações Internacionais que a separação entre o Estado e a religião, seja ela qual for, é o melhor garante da vivência tolerante entre as várias comunidades. 


 


Não sei qual é ou quais são as soluções, o que podemos contra o extremismo e os terroristas. É demasiado fácil e simples considerá-los a todos loucos. As mais temíveis armas são, como sempre foram, a criatividade, a informação, a inteligência, a expressão artística, a provocação, o confronto de ideias. E disso não podemos nunca abdicar.

07 janeiro 2015

Das armas contra o terror

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Hoje não é possível deixar a indignação silenciosa, dentro de cada um de nós. Um dos valores da nossa sociedade tolerante e democrática - a liberdade - foi usada precisamente para acabar com ela.


 


Ninguém pode deixar de mostrar a sua revolta, sob pena de perdermos um dos bens mais preciosos ao ser humano - a liberdade de expressão de pensamento.


 


Mais perigosa que as espingardas e as metralhadoras, que os tanques e as bombas, são a literatura, a pintura, o humor, a ironia, o sarcasmo. O atentado de hoje, em que foram assassinadas 12 pessoas que usavam o humor para explicar e viver a sociedade é uma infâmia, um crime sem qualquer tipo de justificação.

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