07 janeiro 2015

Das armas contra o terror

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Hoje não é possível deixar a indignação silenciosa, dentro de cada um de nós. Um dos valores da nossa sociedade tolerante e democrática - a liberdade - foi usada precisamente para acabar com ela.


 


Ninguém pode deixar de mostrar a sua revolta, sob pena de perdermos um dos bens mais preciosos ao ser humano - a liberdade de expressão de pensamento.


 


Mais perigosa que as espingardas e as metralhadoras, que os tanques e as bombas, são a literatura, a pintura, o humor, a ironia, o sarcasmo. O atentado de hoje, em que foram assassinadas 12 pessoas que usavam o humor para explicar e viver a sociedade é uma infâmia, um crime sem qualquer tipo de justificação.

11 comentários:

  1. Anónimo09:28

    Obviamente, concordo!

    Mas gostava de comentar à margem deste atentado concreto para deixar uma questão que sempre me suscitou sérias dúvidas. Ela prende-se com a utilização do " humor para explicar e viver a sociedade ", e é a seguinte: quando o humor ridiculariza intencional e objectivamente o direito do outro às suas crenças e às suas ideias de sagrado, de que tipo de "liberdade" é que estamos a falar?
    A mesma questão poderia também ser colocada noutro plano: quando a dita "liberdade de expressão" é usada para atentar pública e deliberadamente contra o direito que todos temos ao bom nome, de que género de "liberdade" é que estamos a falar?
    Destas questões não resulta a defesa de qualquer género de censura. Mas a questão central mantém-se: é um exercício de liberdade o desrespeito intencional, objectivo, dos direitos do outro ?

    MRocha

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  2. Seja o que for publicado, dito ou divulgado, sob qualquer tipo de meio ou suporte - de escárnio ou mal dizer, de amor ou de amigo - deve ser tratado pela sociedade democrática e pelo estado de direito como tal. Nada pode justificar esta violência, até porque os que a praticam beneficiam, eles próprios, da liberdade adquirida e vivida numa sociedade aberta e democrática.

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  3. Anónimo10:24

    Acho que não responde às questões que deixei. Nada pode justificar esta violência, obviamente. Mas esta violência também não devia servir de cortina de fumo para nos demitirmos de discutir a prática da "liberdade de expressão". Ou estamos perante um novo fundamentalismo?

    Cumprimentos,

    MRocha

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  4. Penso que respondi à sua questão, sim. Mas respondo de outra forma:
    "Mas a questão central mantém-se: é um exercício de liberdade o desrespeito intencional, objectivo, dos direitos do outro?" - é um exercício de liberdade de expressão sim. Caso seja punível pelo desrespeito legal deverá ser como tal tratado pelo Estado de Direito. O que para uns é desrespeito para outros não o será, por isso mesmo é que todos se podem manifestar. Para as situações ilegais há os tribunais.

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  5. Anónimo14:17

    É precisamente por "O que para uns é desrespeito para outros não o será" que me parece que a "liberdade de expressão" deve ter mecanismos de gestão que não se podem esgotar na forma da lei. A minha liberdade termina onde começa a do outro. Sem essa auto-limitação entra-se no dominio da libertinagem, coisa que não me parece uma referência civilizacional recomendável. É por issso que não sou cliente do Correio da Manhã.

    Cumprimentos,

    MRocha

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  6. Precisamente: NÃO É cliente do Correio da Manhã - ESCOLHEU não ser. Mas não se pode proibir que existam Correios da Manhã. A autocensura é isso mesmo - a nossa capacidade e liberdade de opção.

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  7. Anónimo15:39

    O problema é que não se pode optar em relação ao que se desconhece. Quem não faz ideia ( e infelizmente há muito quem não faça ideia ) de que a liberdade de imprensa é balizada por uma coisa chamada Código Deontológico do Jornalista, não tem como optar entre o direito de ser informado e aquilo que o CM vende como jornalismo. Não vale tudo em nome da tão proclamada "liberdade de expressão". É a própria classe jornalistica que reconhece essa necessidade de se impôr regras a que adere voluntariamente quem quer obter a respectiva carteira profissional. Não se trata pois de "proibir" a existência de CM's. Mas de lhes exigir que sejam os primeiros a respeitar os valores que apregoam. Em nome do direito que todos temos de ser informados. E respeitados.

    E por aqui me fico. Obrigado pela polémica.

    MRocha

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  8. Tendo a concordar (parcialmente...) com o comentador de Sofia.O chamado Ocidente teve sempre a tendência de impor a sua "bench mark" civilizacional a TODAS as outras civilizações,como um "deus ex-machina"...Tudo bem!...Mas tem que estar preparado,PARA JÁ,para as reacções violentas de outras "bench marks"...Ou para o que prevejo que se avizinha,um novo FECHAR DE FRONTEIRAS,e,NO LIMITE,uma "anti-Idade Média",seja lá isso o que for!...
    Cumprimentos,"kyaskyas"

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  9. Concordo consigo que não vale tudo. Mas é precisamente a exigência do cumprimento das regras que está nas mãos dos cidadãos - não comprando esse tipo de "informação" e consumindo outra, pois também a há, embora escassa, é verdade. A única força da nossa sociedade, que também é fraqueza em relação aos extremismos, é o respeito e a aceitação das diferenças, por muito que nos sejam odiosas. A nossa única arma é a lei e a manutenção desses valores. Não tenho soluções, infelizmente, e tudo isto me assusta e indigna.

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  10. Olá, Sivispacem - é verdade que o ocidente tem tendência a impor a sua benchmark civilizacional, mas a verdade é que este tipo de atentados são efectuados por aqueles que beneficiam dessa mesma civilização, com as suas regras, a sua abertura e a sua tolerância. Também me parece que se avizinham tempos de retrocesso e fecho de fronteiras, qualquer coisa que tente travar o terror. O problema é que há, por muito que queiramos ser politicamente correctos e não queiramos impor coisa nenhuma, um enorme abismo entre a liberdade que usamos nas nossas sociedades e o que existe nas organizações/ estados que pregam e evangelizam o totalitarismo e o fundamentalismo religiosos.
    Cumprimentos aos dois comentadores.

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  11. Oxalá ("sans blague"...) estejamos enganados nos "anti-corpos"que parecem aproximar-se.Pessoalmente acho que a globalização(que ---"encompassing the world",até americanos nos atribuem,com começo em CEUTA,há 600 anos...)tirando o seu aspecto,digamos,LÚDICO,foi CAPTURADA pelo monetarismo de casino,que,em microssegundos,IMPESSOALMENTE(insisto neste aspecto...),pode dar cabo de...um CHIPRE!...
    CARPE DIEM !..."kyaskyas"

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