28 abril 2010

E nós?

A formação deste governo minoritário foi a única alternativa a uma esquerda que, desde a campanha eleitoral, se demitiu de assumir as suas responsabilidades. A mesma demagogia folclórica e deprimente do BE e do PCP manteve-se nas atitudes parlamentares, ao fazerem sempre que surgiu uma oportunidade, coligações negativas contra o governo PS. A última de que me lembro foi a recomendação parlamentar para reabrir o SAP de Valença do Minho. Para não falar na comissão parlamentar de inquérito ao caso TVI, que ninguém sabe o que é mas que ocupa os nossos ilustres deputados.


 


Obviamente que o governo não é isento de responsabilidades. O recuo em determinadas reformas iniciadas na legislatura anterior, a falta de política em muitas áreas, nomeadamente na saúde, que parece agónica, a má gestão política e a encenação das negociações para as coligações parlamentares, para o orçamento de estado e, por fim, para o PEC, enfraqueceram o governo e o PS.


 


A oposição do PSD não existiu durante anos. A luta política baseada na desconfiança, nas suspeitas e na profecia das desgraças, ao contrário de serem certeiras e premonitórias, foram de certeza indutoras e catalisadoras. (Havia um “adivinho” célebre que todos os anos previa a morte do Papa. Houve um ano em que acertou.)


 


A reunião de emergência entre Pedro Passos Coelho e José Sócrates é o Bloco Central em todo o seu esplendor. E é mesmo o que sobra – a esperança no bloco central, já que a maioria de esquerda não soube nem quis governar o país.


 


E nós? Estaremos dispostos a olhar para o que está em causa? As constantes greves marcadas e cumpridas como reivindicação de aumentos salariais, as sugestões dos patrões em acabar com o subsídio mínimo de desemprego (€419,22), o total desrespeito pelas orientações do governo quanto às remunerações e prémios dos gestores públicos, o nosso individual egoísmo e falta de solidariedade para quem mais precisa parecem indiciar que não.

27 abril 2010

Um dia como os outros (54)



(...) De tudo o que aconteceu o que fez a S&P?



Valorizou os comportamentos, as teses e as análises dos investidores e dos analistas norte-americanos e desprezou todas as medidas adoptadas pro Portugal.




Com estas ajudas os investidores financeiros passam de facto a acertar nas suas previsões, grandes profetas das desgraças com a ajuda de quem tem medo de errar de novo.




As agências de 'rating' estão cada vez mais prisioneiras dos mercados e a contribuir cada vez para a instabilidade e não para a informação mais perfeita e rigorosa, razão da sua criação e existência. (...)

O que mudou?

Helena Garrido na RTPN.

O fim da União Europeia

Não sabemos se Portugal terá que sair da moeda única, se será a Grécia ou se será a Alemanha. Não sabemos se a saída do euro levará à bancarrota ou se o euro se vai, pura e simplesmente, desfazer.


 


Sabemos que a Alemanha não tem vontade nenhuma de apoiar a Grécia, como sabemos que não terá nenhuma vontade de apoiar Portugal, Espanha ou Itália. Constatamos que, na primeira grande crise séria que afecta os pilares da União Europeia esta se demite de ser união, assumindo que apenas alguns países são Europa.


 


E sabemos que, independentemente da eventual morte do euro, estamos a assistir ao funeral da União Europeia.

25 abril 2010

Estrela da tarde











Carlos do Carmo


José Carlos Ary dos Santos & Fernando Tordo


 


 


Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia


 


Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia


 


Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza


 


Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram


 


Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram


 


Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto


 


Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.

Do que somos


Loel Barr: Waiting for the world


 


Nasce um dia brilhante filho de dias de chumbo


há poucas crianças para correr.


Olho os campos de flores vadias


crescem porque são flores e porque são vadias.


Saboreio a antecipação das pétalas


mas não me movo – metáfora quase sagrada


do que somos e do que desejamos.

Um tempo que passou






 


Chico Buarque & Sérgio Godinho


Canta Sérgio Godinho


 


Vou
uma vez mais
correr atrás
de todo o meu tempo perdido
quem sabe, está guardado
num relógio escondido por quem
nem avalia o tempo que tem


 


Ou
alguém o achou
examinou
julgou um tempo sem sentido
quem sabe, foi usado
e está arrependido o ladrão
que andou vivendo com meu quinhão


 


Ou dorme num arquivo
um pedaço de vida
a vida, a vida que eu não gozei
eu não respirei
eu não existia


 


Mas eu estava vivo
vivo, vivo
o tempo escorreu
o tempo era meu
e apenas queria
haver de volta
cada minuto que passou sem mim


 


Sim
encontro enfim
iguais a mim
outras pessoas aturdidas
descubro que são muitas
as horas dessas vidas que estão
talvez postas em grande leilão


 


São
mais de um milhão
uma legião
um carrilhão de horas vivas
quem sabe, dobram juntas
as dores colectivas, quiçá
no canto mais pungente que há


 


Ou dançam numa torre
as nossas sobrevidas
vidas, vidas
a se encantar
a se combinar
em vidas futuras


 


Enquanto o vinho corre, corre, corre
morrem de rir
mas morrem de rir
naquelas alturas
pois sabem que não volta jamais
um tempo que passou

25 de Abril de 1974 - 25 de Abril de 2010


Há 36 anos começou um tempo diferente, em que era possível sonhar com a liberdade, outras condições de vida, com a tão simples e difícil vontade de participar.


 


Hoje olhamos para a democracia e queixamo-nos das suas imperfeições. Das desigualdades, da corrupção, da justiça morosa e injusta, das listas de espera, da falta de médicos, da edução deficiente, do desemprego.


 


São muitas e graves as falhas de um percurso de 36 anos. Mas a melhor conquista de todas foi a recuperação da liberdade. Para nos queixarmos do que não gostamos, para criticar os jornalistas e os deputados, para abrir a internet, ler os jornais que nos apetece, ouvir a música que queremos. Para apoiarmos os candidatos da nossa predilecção, irmos para a rua com cartazes gritar contra este governo, o capital, os mercados. Ir para a rua e gritar que era melhor quando não havia liberdade.


 


Durante estes anos podemos orgulhar-nos de ter sistemas de saúde e de educação universais, uma segurança social que apoia os mais velhos e os desempregados. É pouco, mal fiscalizado, com insuficiências, mas antes do 25 de Abril não era.


 


Este é um dia para comemorar aqueles que há 36 anos arriscaram e acreditaram que era possível fazer diferente e melhor. E é nisso que, agora, eu acredito também.

24 abril 2010

Pensamento único


 


Estamos numa escalada perigosa na lógica do pensamento único, do fundamentalismo moralizador e dos polícias do pensamento. Tanto se fala na liberdade de expressão que se esquece a suprema liberdade de pensar, argumentar, rebater, discutir. Criam-se novos tabus numa sociedade que se diz cada vez mais aberta.


 


A comissão de inquérito parlamentar é um palco para uma luta política que perdeu de vista o objectivo proclamado, tendo permanecido o objectivo subjacente – desgastar o governo como um todo e o Primeiro-ministro em particular. O deputado Ricardo Rodrigues, com as saídas intempestivas de cena, ajuda à descredibilização da sua bancada. É uma peça de teatro sem qualidade. Mas no Parlamento, na casa da democracia, o facto de alguém se remeter ao silêncio é motivo para escândalo e protestos de indignidade, por parte de quem deveria defender o direito a falar ou a calar-se. A Assembleia da República travestida de tribunal inquisitório.


 


Afinal a deputada Inês de Medeiros sempre tem direito a que lhe paguem as viagens para Paris. Depois de ter sido difamada e enlameada pelos jornais, blogues e comentaristas militantes, daqueles que se indignam pelo facto do dinheiro dos contribuintes pagar deslocações de deputados mas que se insurgem contra medidas de regularização de salários milionários dos apóstolos dos mercados, num país que assiste à extrema hipocrisia social e à desigualdade na distribuição da riqueza, obviamente vilipendiadas pelos mesmos apóstolos, mantém-se como alvo de ataques de carácter, uma das melhores contribuições da anterior direcção do PSD para a luta político-partidária.


 


O episódio do teste de Direito Constitucional do Prof. Paulo Otero deixa-nos uma amarga sensação de que é proibido falar, caricaturar, usar a palavra homossexual ou o conceito de homossexualidade, pelo perigo de ofensa grave. Pelo que fui lendo ao longo dos últimos dias, um Professor resolveu usar exemplos absurdos para que os estudantes, todos eles maiores de idade, usassem os seus conhecimentos e a sua capacidade argumentativa para defender o indefensável. Repentinamente o Professor passou a ser maldito por homofóbico e reaccionário, iniciando-se aquilo que parece uma uma caça às bruxas. Na opinião de alguém que o conhece e que lhe reconhece ideias ultraconservadoras, o Paulo Otero é um excelente professor, encoraja os alunos a exporem as suas ideias e premeia quem as defende, mesmo que sejam opostas às suas.


 


Como essa mesma pessoa disse, o primeiro que caricaturou George W. Bush como um macaco foi espirituoso e muito arguto; se alguém se atrever a fazer o mesmo a Barack Obama é, de certeza, racista.


 


Amanhã é 25 de Abril. E viva a democracia, a criatividade, a liberdade de pensamento, a transgressão, a provocação intelectual, o desalinhamento.


 


21 abril 2010

Sur le Pont de l'Alma mía









cantam: Agnès Jaoui & Dimas MD


 


 


Rien qu’un regard, un simple regard qui vous frôle


Un seule sourire  et juste un sourire qui s’envole


Il suffit qu’il se pose en plein cœur pour qu’il vous désarçonne


Pour qu’un esprit battu capitule, abandonne.


 


Il était là sur le pont de l’Alma


En pleine conversation s’échappaient de si jolis sons que


Même dans le soir j’ai cru savoir.


 


Je pourrait tout quitter, partir, le suivre partout où il voudrait


Je pourrait l’embrasser, aller si loin, très loin autant qu’il le faudrait


Comment dit-on « coup de foudre » en espagnol ?


 


Pero qué linda que es esa chica que va


Que va pasando y cruzando me mira…


Si es así en Paris, si es normal su forma de mirar


Más pareciera que ella quisiera venirme a hablar.


 


Muy despacito ya va pasando


Y tan cerca de mí que puedo sentir palpitando


Su corazón en el mío.


 


Je pourrait tout quitter, partir, le suivre partout où il voudrait


Je pourrait l’embrasser, aller si loin, très loin autant qu’il le faudrait


Comment dit-on « Je t’aime» en espagnol ?


 


Je crois qu’il me regarde, me sourit, je m’égare


Je ralentis le pas un peu sans trop y croire


Est-ce qu’il est déjà derrière moi le temps de changer mon histoire?


Vais-je avoir le courage de forcer le hasard?


 


Quelle drôle de joie pour la première fois


Ce pont semble un peu court, alma mía


Est-ce toi, mon amour


Devant lequel je n’ose pas?


 


Ya su cuerpo pasó, ya se va alejando


Ya lentamente su espalda va saludando


Y si fuera hacia ella, a su lado y a decirle algo


Qué le diría, qué me diría, qué me dirá?


 


Podría yo acercarme y hablarle a ella así


Bajo la luz de sus ojitos, sus manitos tomaría ahí


La abrazaría hasta que se enamore…


 


Je pourrait tout quitter, partir, le suivre partout où il voudrait


Je pourrait l’embrasser, aller si loin, très loin autant qu’il le faudrait


La abrazaría hasta que se enamore…


La abrazaría hasta que se enamore…

Um dia como os outros (53)







Pouco depois de receber o prémio Pessoa, passei de pessoa vulgar, a Persona, no sentido de me ter transformado numa máscara, por onde se esperava que saísse uma voz a manifestar posições públicas. De repente pediam-me a opinião sobre tudo e nada. Desde logo, recusei dizer qual era a minha cor preferida, o meu signo, se gostava ou não de café com leite de manhã ou um copo de whisky à noite, ou dar as minhas opiniões políticas sobre as primárias do Partido Democrata nos EUA ou sobre as vicissitudes do PSD.

 




Decidi apenas falar de história e de memória, do nosso passado recente ditatorial e, nesse sentido, dei prioridade a deslocações a escolas. Quase que me transformei numa caixeira viajante a quem perguntavam sobre a PIDE/DGS, o Estado Novo e a situação das mulheres durante a ditadura. E o certo é que – agora a sério – tive excelentes surpresas, totalmente contraditórias com o que consta sobre a Escola e os professores, nomeadamente de História. (...)

 




(...) Sei que provavelmente essas escolas constituem excepções, mas basta a sua existência para se perceber que em todo o lado onde há iniciativa, preparação, conjunção de esforços de professores e alunos, a História se torna em algo de apetecível. Em muitos casos, perguntavam-me como se investiga em Portugal. Ou seja, os alunos sentiam uma curiosidade renovada e até… a apetência pela investigação histórica. Sentia-se que, longe de ser uma «seca», a História surgia como um conjunto de histórias contadas e de memórias vividas a contribuírem para um sentido de identidade, baseada num passado comum, que reforçava a cumplicidade no presente.

 




Um dia como os outros (52)




Não resisto a transcrevê-lo todo.


Por causa da avaliação de professores, vários sindicatos, com a Fenprof à cabeça, moveram contra Maria de Lourdes Rodrigues uma guerra sem quartel. Sócrates, e muito bem, nunca a deixou cair. (Ao contrário do que fizera, e mal, com Correia de Campos.)


No actual governo, Maria de Lourdes Rodrigues, a dura, foi substituída à frente do ministério da Educação por Isabel Alçada, uma escritora cuja amabilidade parece ter sido suficiente para driblar a referida Fenprof.

A magia acabou. Docentes de vário grau e competência acabam de descobrir, estupefactos, que a avaliação conta (e como não contaria?) para os concursos de contratação.

Consequência: os docentes que, por discordarem do modelo de avaliação, não aceitaram aulas assistidas, ficaram impossibilitados de obter as classificações mais altas (Muito Bom e Excelente). Não as tendo obtido, vêem-se agora prejudicados no confronto com os que, e foram muitos, aceitaram aulas assistidas durante o processo de avaliação. Isto é o óbvio ululante. Porém, a avaliar por declarações aos media, a maioria diz-se surpreendida com os factos e traída pelos sindicatos.

 

18 abril 2010

Espirais

 



Deuses de granito em sombras


altas espirais de silêncio


no mar horizontes de nunca mais.


 


Inteira a palavra que não escrevo


sabe a mar e a sangue


nos lábios de quem ama.

Destino



 


Quando peço saladas e coca-cola zero, prescindo da sobremesa e bebo café com adoçante, olho em volta e reparo que todas as rubicundas matronas (como eu) sacrificadamente estão de dieta. E continuam redondas.


 


 


Burne-Jones: Fat Ladies


 

Da urgência da revisão Constitucional

Despartidarizar a Administração, desgovernamentalizar o país, desestatizar a sociedade. A Constituição não serve a quem tenha estes objectivos - Pedro Passos Coelho quer que a revisão da Constituição seja efectuada com urgência, antes das próximas eleições presidenciais, pois defende que só a modificação da Constituição permite as medidas necessárias ao combate da crise e ao crescimento económico.




  • Sugere que deve ser o Parlamento a nomear os responsáveis das entidades reguladoras, com a justificação de que essa seria uma forma de despartidarizar o estado. É bom que não nos esqueçamos que os deputados representam partidos políticos. Por isso o Parlamento é, por definição, um órgão partidarizado. Além disso os membros da entidade de regulação da comunicação social são eleitos pelo Parlamento, estando a Constituição aberta à eleição de outros órgãos:



Artigo 163.º
Competência quanto a outros órgãos


h) Eleger, por maioria de dois terços dos Deputados presentes, desde que superior à maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções, dez juízes do Tribunal Constitucional, o Provedor de Justiça, o Presidente do Conselho Económico e Social, sete vogais do Conselho Superior da Magistratura, os membros da entidade de regulação da comunicação social, e de outros órgãos constitucionais cuja designação, nos termos da lei, seja cometida à Assembleia da República; 




  • Possibilitar às pessoas a livre escolha entre o sector público e o privado - segundo opiniões de vários constitucionalistas, não necessita de revisão constitucional. É uma medida que está ao alcance da vontade política do Parlamento e do governo que dele emana. 





  • A alteração do sistema eleitoral, com a possibilidade de existência de listas abertas para a ordenação de candidatos pelos eleitores, necessitará ou não, dependendo das opiniões, de revisão Constitucional.



O que não me parece claro é em que medida estas alterações combatem a crise e melhoram a economia do país.


 


Mais urgente e importante, em termos das tão queridas reformas estruturais, seria uma alteração da organização administrativa do território. As alterações na distribuição demográfica foram acentuadas e as próprias representações políticas local e nacional se poderiam modificar com essa reestruturação. Essa sim seria uma medida que provavelmente precisaria de revisões no texto constitucional, pois enquanto no


 


Artigo 164.º


Reserva absoluta de competência legislativa


É da exclusiva competência da Assembleia da República legislar sobre as seguintes matérias:


n) Criação, extinção e modificação de autarquias locais e respectivo regime, sem prejuízo dos poderes das regiões autónomas;


já no


Artigo 249.º
Modificação dos municípios


 A criação ou a extinção de municípios, bem como a alteração da respectiva área, é efectuada por lei, precedendo consulta dos órgãos das autarquias abrangidas.


 


Sendo assim, parece que a Assembleia da República tem a exclusiva competência de legislar sobre a reorganização do território, mas só poderá extinguir municípios se eles próprios estiverem de acordo, o que parece uma contradição.


 


Pedro Passos Coelho ensaia a fuga para em frente, propondo medidas que provocam algum ruído, mas nada mais.


 

Cristianismos

 



 


Cristianismo e judaísmo, o cristianismo como a origem do anti-semitismo, a Bíblia como a palavra de Deus, a Bíblia como as palavras dos Homens sobre as interpretações de Deus, do Deus dos Judeus, do Deus dos Cristãos. Jesus como Homem, Jesus como Deus, Jesus como Homem e Deus, Jesus como corpo humano habitado por Deus, Jesus como Homem escolhido por Deus.


 


Os textos da Bíblia, os Evangelhos Canónicos, Gnósticos, Apócrifos, a forma como são diferentes mesmo quando narram episódios semelhantes à luz do que os autores pretendem transmitir, a transformação da figura de Jesus de um judeu que ensina a Lei de Moisés no Messias (em grego Cristo), aproveitando do Livro todas as passagens em que se fala no Messias, transpondo-as para a narrativa da vida de Jesus.


 


O nascimento do Catolicismo com a férrea disciplina, hierarquização e centralização do poder, o Código de Niceia, Constantino e a religião do Estado, a ortodoxia e a heresia.


 


Jesus, Interrupted: Revealing the Hidden Contradictions in the Bible (And Why We Don't Know About Them) – de Bart D. Ehrman, um excelente livro para compreendermos o que foram o crescimento e a implantação do Cristianismo e do Catolicismo, e de como o conhecimento e a informação são os melhores antídotos contra os fundamentalismos e as ideias feitas – como o celibato obrigatório dos Sacerdotes, a submissão das mulheres aos homens e o anti-semitismo. 

17 abril 2010

Avalanche


Sir Stanley Spencer: Avalanche


 


Abri um dique e não contive a avalanche. Pedras ramos contidos pelo sal pela névoa pelo orgulho pela total incapacidade de me dar de todo de tudo ultrapassaram as fronteiras das certezas do horizonte iluminado que percorria inundam-me. Perdi-me no meu próprio labirinto.


 

Austeridade


 


A austeridade do grupo Lena, que impõe um programa de estabilidade e crescimento draconiano ao jornal i, cujo objectivo é a redução de custos a todo o custo, medidas que muitos opinantes, jornalistas e economistas, nacionais e internacionais, preconizam para Portugal.


 


A austeridade de Cavaco Silva, ao ouvir um seu homólogo destratá-lo destratando o país que representa.


 


A austeridade de tantos quantos estão preocupados com a linguagem parlamentar, mesmo quando ela apenas é perceptível pela leitura de lábios, porque o país está surdo mas não mudo.


 


A austeridade que facilita aos cidadãos a peregrinação a Fátima, por conta dos pecados da nação, país de hereges e grevistas, aquando da visita do Chefe de Estado do Vaticano e Papa.


 


A austeridade mais austera que nos brinda com uma Primavera periclitante e um enfado desmedido.


 

Take the "A" Train











Duke Ellington - Ella Fitzgerald


 


You must take the "a" train
To go to sugar hill way up in harlem
If you miss the "a" train
You'll find you missed the quickest way to harlem


 


Hurry, get on, now it's coming
Listen to those rails a-thrumming
All aboard, get on the "a" train
Soon you will be on sugar hill in harlem

16 abril 2010

Calma portuguesa

 


O que será que Václav Klaus entende por nervosismo? Como mede ele a ansiedade protuguesa?

SNS

 


Só agora me apercebi de que já estava disponível o vídeo do programa Plano Inclinado com o Dr. Adalberto Campos Fernandes, no último dia 14 deste mês.


 


Apesar de Mário Crespo e de Medina Carreira foi um programa muito interessante, pelo que Adalberto Campo Fernandes, ex-Director do Hospital de Santa Maria, disse - redução dos desperdícios, liderança participada, estímulo positivo, qualidade das pessoas, cultura de eficiência operacional, em primeiro lugar os doentes, concentração dos equipamentos, referenciação e diferenciação das unidades de saúde, política do medicamento, incentivando o mercado de genérico (portugueses pagam mais 60% em medicamentos do que os dinamarqueses), dispensa de medicamentos pelos hospitais e pelos centros de saúde de algumas categorias fármaco-terapêuticas, redimensionamento de embalagens, prescrição electrónica, organização diferente dos recursos humanos, centros de responsabilidade integrados, indispensabilidade da formação médica continuada, remunerações condignas, dedicação plena aos hospitais, etc.


 










 

Islândia vulcânica


 


A natureza insiste em  trocar-nos as voltas. Vulcões e cinzas, nuvens que obscurecem o horizonte e, repentinamente, recuamos dois séculos.


 


A natureza insiste em manter a crise. Há avultados prejuízos pelos cancelamentos dos vôos.


 


Como tudo é tão efémero, por muito robusto que pareça.


 


13 abril 2010

Esforços adicionais

 


Não percebo o que quer Bruxelas com esta avaliação do PEC.


 


Esforços adicionais? Quais esforços adicionais?


 


Bruxelas não acredita que Portugal tenha um défice inferior a 3% em 2013. É muito provável que a dúvida de Bruxelas seja legítima. Mas será que não duvida que muitos outros países, em 2013, terão uma dívida superior a 3%?


 


Pois claro, se for a Alemanha ou a França isso não tem qualquer importância porque esses países, por definição, são excelentes a controlar as suas contas públicas, os seus défices, os seus crescimentos económicos e os seus endividamentos externos.


 


É como o problemas dos subsídios aos desempregados, que têm que retribuir a solidariedade da sociedade, e a inevitabilidade de ajustar as remunerações e os prémios dos gestores públicos aos mercados.


 


Mercados e Bruxelas, Bruxelas e Mercados - a antipatia das personagens de uma peça teatral sobre o poder.

Cortina de fumo

Bem sei que o disparate é democrático e livre, mas convinha que o Vaticano deixasse de dizer inanidades. Afirmar-se que há uma relação entre a homossexualidade e a pedofilia, como o fez (a acreditar no Público) Tarcisio Bertone, ou é ignorância ou desonestidade. Nenhuma delas é admissível.


 


Nem sequer consigo perceber que cortina de fumo ou que desvio de atenção possa ser o objectivo de declarações deste calibre. É um mistério que, seguramente, não será pela fé que se resolve.


 


(Via Eduardo Pitta)

11 abril 2010

A hora do leque


 


Lendo a linguagem dos leques e partindo do princípio de que o vou usar apenas em duas velocidades - abanar o leque muito devagar e muito depressa - não posso deixar de imaginar as figuras que se faziam e que ainda se podem fazer, altamente ginasticadas e um pouco comprometedoras da imagem de sanidade mental que se requer. Temos que convir que colocar o leque na cabeça é muito pouco discreto.




Colocar o leque junto ao coração: conquistou meu amor.


Colocar o leque fechado junto ao olho direito: quando posso vê-lo de novo? A que horas, é respondido pelo número de varetas.


Tocar com a mão no leque ao abaná-lo: o meu desejo era estar sempre junto de ti.


Acariciar o leque fechado: não seja tão imprudente.


Tocar com o leque meio aberto nos lábios: pode me beijar.


Unir as mãos debaixo do leque aberto: não traia nosso segredo.


Esconder os olhos atrás do leque aberto: amo-o·


Fechar muito devagar o leque: prometo casar consigo.


Passar o leque pelos olhos: peço desculpas.


Tocar a extremidade do leque com o dedo: quero falar consigo.


Tocar o leque na face direita: sim.


Tocar o leque na face esquerda: não.


Fechar e abrir o leque várias vezes: você é cruel.


Deixar cair o leque: nós vamos ser amigos.


Abanar o leque muito devagar: sou casada. 


Abanar o leque muito depressa: estou comprometida.


Levar o cabo do leque aos lábios: beije-me.


Abrir todo o leque: espere por mim.


Colocar o leque na cabeça: não se esqueça de mim. 


Fazer o mesmo movimento com o leque, estendendo o polegar: adeus.


Segurar o leque na mão direita e em frente à face: siga-me.


Segurar o leque na mão esquerda e em frente à face: estou desejosa de o conhecer.


Colocar o leque junto da orelha esquerda: quero ver-me livre de si.


Passar o leque pela testa: você mudou.


Rodar o leque com a mão esquerda: estamos a ser observados.


Rodar o leque com a mão direita: amo outro.


Segurar o leque na mão direita: você está sendo muito precipitado.




Tal como disse (?) Madame de Stäel - (...) uma dama sem leque é como um nobre sem espada.



 


 

10 abril 2010

These Foolish Things








 


Jack Strachey & Harry Link & Holt
Marvell & Eric Maschwitz


canta: Billie Holiday


 


A cigarette that bares a lipstick's traces
An airline ticket to romantic places
Still my heart has wings
These foolish things remind me of you.
A tinkling piano in the next apartment
Those stumblin'words
That told you what my heart meant
A fair ground painted swings
These foolish things remind me of you.


 


You came, you saw, you conquered me
When you did that to me
I knew somehow this had to be
The winds of march that made my heart a dancer
A telephone that rings but who's to answer
Oh, how the ghost of you clings
These foolish things remind me of you.

Procura-se um Presidente

Manuel Alegre esteve os últimos anos a aproximar-se do BE, criticando duramente a indispensável reforma dos serviços de urgência, usando-a como bandeira para atacar o governo, colando a defesa do SNS à manutenção do status quo. A demissão de Correia de Campos parou o ímpeto reformista do governo, nesta e noutras áreas, tendo-se assistido a uma falsa acalmia, com os problemas na saúde a agudizarem-se pela falta de definições, pela tentativa de não criar constrangimentos nas classes profissionais e para não abrir espaço à oposição mediática.


 


No entanto Manuel Alegre, na questão de Valença, que é o reacender da apropriação partidária populista na suposta defesa do SNS, resolveu focar o problema na questão da forma de protesto e não no abandono da obrigatoriedade de assistência nocturna ao povo.


 


Porfírio Silva defende que deveria haver uma luta franca à esquerda, com o aparecimento de um candidato, ou mais, que possa clarificar o político.Seria interessante, mas a verdade é que não se nota vontade de qualquer outra figura da área do centro-esquerda disponível para aceitar esse desafio. Fernando Nobre aí está, tendo já causado algum mal-estar no BE, mas o PS ainda não se revê em qualquer destes dois candidatos.

Um dia como os outros (50)

 



(...) Não se percebe para que querem os juízes e os magistrados do Ministério Público um sindicato. Os magistrados não são simplesmente funcionários públicos. Não são simplesmente trabalhadores. São um órgão de soberania. São uma componente essencial da separação de poderes numa democracia avançada. Um sindicato de juízes é tão aberrante como o seria um sindicato de deputados. Não faz qualquer sentido. E, bem vistas as coisas, só serve para trivializar a própria justiça. (...) Estes sindicatos raramente tratam da componente laboral da justiça. São sobretudo instrumentos de intervenção política ativa. (...)


 

A inevitabilidade

A crise. A maior crise desde a grande depressão. A crise dos mercados desregulados. A crise do capitalismo selvagem. A crise dos lucros rápidos e efémeros. A crise bolsista dos especuladores e dos gestores com remunerações milionárias, prémios de produtividade e prémios de despedimento.


 


O mundo tremeu, como é hábito uns mais do que os outros. Principalmente se falarmos dos mundos individuais. Cada vez mais mundo a tremer muito, cada vez menos a não tremer de todo. Os anos de 2008 e de 2009 foram anos de grandes declarações de rotura com o estabelecido, do renascimento do estado como ideia de apoio aos cidadãos, como garante da dignidade e da redistribuição justa. O desemprego alastrou mais do que as boas intenções e as boas palavras.


 


Mas já estamos em 2010. A banca está de boa saúde. Os mercados recuperaram, robusteceram e, mais uma vez, são a razão e a explicação, a causa e a consequência de todas as decisões políticas, dentro do país, na Europa, no mundo. A globalização.


 


Aprendemos todos os dias que não há alternativa. Que a discussão das escolhas do Estado, dos contratos milionários para gestores públicos e de empresas públicas, caucionados pelos representantes do estado, são inevitáveis e até desejáveis, pelo risco de perdermos tão qualificados gestores. Claro que a demonstração da fuga desses gestores para outros paraísos nunca é necessária.


 


Como nunca é necessária a demonstração do que se apregoa. A proliferação de maternidades e clínicas privadas nas localidades onde o estado as fechou, por segurança e boa prática, está por encontrar. Mas o que importa é falar dessa possibilidade para indignar a população.


 


Aprendemos todos os dias como é inevitável o desemprego, a falta de competência e a negligência, a falta de assiduidade, os queixumes constantes, o abismo sempre à espera do passo fatal. Aprendemos todos os dias que a obscenidade e a imoralidade das destinadas fortunas de poucos e a pobreza irreversível de muitos é um desígnio divino.


 


Pois a felicidade só será alcançada no outro mundo. Alegremo-nos pois, na esperança da redenção.

09 abril 2010

Unchained Melody









U2


 


Oh, my love
my darling
I've hungered for your touch
a long lonely time
and time goes by so slowly
and time can do so much
are you still mine?


I need your love
I need your love


Godspeed your love to me


 


Lonely rivers flow to the sea,
to the sea
to the open arms of the sea
lonely rivers sigh 'wait for me, wait for me'
I'll be coming home wait for me


 


Oh, my love
my darling
I've hungered for your touch
a long lonely time
and time goes by so slowly
and time can do so much
are you still mine?
I need your love
I need your love


Godspeed your love to me

O preconceito do preconceito

 


Para responder à Helena Matos, é mesmo importante que se perceba exactamente do que se está a falar. Em relação ao assunto da alegada discriminação dos homossexuais na doação de sangue, escrevi vários posts sobre o assunto. É natural a reacção do Presidente do IPS. Eu também agurado as indicações do Ministério da Saúde.


 

04 abril 2010

O pecado da Igreja


 


A Igreja Católica escondeu a pedofilia, sendo conivente com crimes durante décadas, tal como foi conivente com a violência doméstica, com os crimes de sangue e de honra, tal como foi conivente com as visões mais conservadoras e reaccionárias da sociedade, durante muitos anos.


 


Numa sociedade aberta como a que existe hoje, não é mais possível manter em segredo situações como estas. A Igreja perdeu influência, principalmente perdeu poder, que usou de forma autocrática e ditatorial, cobrindo tudo o que dizia e fazia com efectivos poderes terrenos e hipotéticos poderes celestes. Todos os desvios, prepotências, imoralidades e crimes praticados, anteriormente escondidos, calados e lançados como calúnia para quem tinha a coragem de falar deles, afloram agora à superfície.


 


A Igreja pede perdão pelos padres pedófilos. Mas o seu silêncio é um pecado pesado e longo, pelo qual não sei há penitência que a possa limpar.


 

03 abril 2010

Badinerie









Bach - Orchestral Suite - Badinerie

Ton Koopman - Orquestra Barroca de Amsterdão

Impasse presidencial


 



A eleição presidencial está num verdadeiro impasse e é um problema para as lideranças do PS e do PSD.


 


O PS não tem candidato. Após o anúncio de disponibilidade de candidatura de Manuel Alegre o PS aguardou, talvez procurando uma alternativa. Manuel Alegre representa, para uma grande parte do PS, o populismo do BE e uma das razões da resistência à política do anterior governo, principalmente na saúde e na educação, áreas em que houve uma efectiva tentativa de reforma.


 


Quando Fernando Nobre entrou em cena, muitos pensaram que poderia ser uma resposta às preces do PS, tendo ainda a possibilidade de angariar algum do eleitorado do PSD. No entanto a candidatura de Fernando Nobre aparece fraca, sem destino nem clareza política, o que pode retirar desde já qualquer hipótese de o PS a apoiar. Não é crível que apareça outro candidato, o que coloca Sócrates ante o dilema de ter que manifestar o seu apoio a Manuel Alegre ou de dar liberdade de voto aos socialistas. De qualquer das formas já perdeu iniciativa e oportunidade, sendo arrastado pelas agendas dos opositores à sua esquerda.


 


O PSD, com a eleição de Passos Coelho, ficou também órfão de candidato a Belém. É claro que não restará alternativa ao PSD caso Cavaco Silva se recandidate, o que é cada vez mais transparente. Mas será um amargo de boca para Passos Coelho, cuja convivência com o Presidente não começou bem, até pela nítida e ilegítima interferência de Cavaco Silva nas decisões do PSD. O recado que enviou ao novo líder, em relação ao PEC, foi demasiado claro. Só que Pedro Passos Coelho não é Manuela Ferreira Leite e a demarcação entre o partido e o Presidente tem sido evidente e necessária.


 


Tudo se encaminha para uma reeleição de Cavaco Silva. Manuel Alegre tornou o seu partido refém dele, o PS está refém do BE. Há abraços que se transformam em tornos. Sócrates e Alegre deveriam ter percebido a lição das anteriores presidenciais.

Justiça parlamentar

O negócio dos submarinos data do governo de Durão Barroso, em que a responsabilidade da pasta da Defesa era de Paulo Portas. Ou seja, de 2002 a 2004. Mais uma vez estamos há cerca de 6 anos embrulhados numa investigação que não se desenrola nunca, mantendo pessoas, independentemente dos cargos mais ou menos públicos que ocupam, no limbo da suspeição. Mais uma vez não há culpados nem absolvidos.


 


São assim as investigações em Portugal. A constituição de uma comissão parlamentar de inquérito ao caso dos submarinos, para além do descrédito em que caíram as comissões parlamentares de inquérito depois do caso TVI/PT, não se percebe muito bem para que servirá. Dá a sensação de, como a justiça não funciona, haver uma tentativa de ultrapassar o impasse com a intervenção do Parlamento.


 


Só que o Parlamento não pode nem deve substituir-se ao Ministério Público nem aos Tribunais. É claro que há responsáveis mas estes deverão ser encontrados pela justiça, o mais depressa possível. Aguardemos a forma como o PS lidará com esta situação pois ela tem contornos semelhantes aos do caso Freeport. Esperemos que a chicana política que se fez contra Sócrates não sirva de desculpa para se fazer o mesmo a Paulo Portas e a Durão Barroso.


 


É, no entanto, de assinalar, a forma comedida e discreta com que a imprensa está a proceder neste caso, nomeadamente com o cuidado em não divulgar os nomes dos políticos envolvidos. Aplaude-se esta discrição, só não se entende o porquê da diferença. É também de aplaudir a ausência de recados e opiniões dos sindicatos dos juízes, dos magistrados, etc. Desta vez deve estar tudo a ser muito bem feito.


 


De tudo isto sobra uma justiça definhada, ou seja uma não justiça, resultante de um acordo tácito entre os dois maiores partidos portugueses que nunca quiseram proceder a uma verdadeira reforma da justiça, sendo este facto uma ameaça à liberdade de cada indivíduo e à própria democracia.

02 abril 2010

Politização da ciência

 



 


Os critérios de exclusão dos homossexuais masculinos de dar sangue não resultam de descriminação assente em preconceitos. Resultam da evidência científica existente até à data, que permite assegurar o menor risco de contaminação do sangue por infecções virais de vários tipos.


 


Como já o ano passado aqui escrevi, por três vezes, o direito a receber sangue com o menor risco possível de transportar doenças é superior ao direito de dar sangue. Este assunto não é político mas científico. O que está em causa não são ideologias mas evidências científicas. O que está em causa é a saúde pública.


 


Vale ainda a pena ler:



Parece-me bastante perigosa esta forma de manter na agenda política um tema que causa sempre muita troca de opiniões, a maior parte delas desinformadas e apenas politicamente correctas. Em ciência no geral, na medicina em particular, o que hoje se considera ser o mais adequado pelos dados e pelos estudos que existem, amanhã pode mudar. Aliás está sempre a mudar. Precisamente porque surgem novos dados científicos que suportam outras conclusões. Decorrem vários estudos sobre o assunto e a verdade é que ainda não há evidência suficiente que permita aos decisores dos vários comités internacionais mudarem as recomendações existentes. Classificar o questionário distribuído aos possíveis dadores de sangue como um bocadinho intrometido, como o faz Nuno Magalhães, é o mesmo que considerar que as perguntas de uma história clínica são demasiado íntimas.


 


Será que o Parlamento não quer votar uma resolução em relação aos critérios a observar na escolha dos doentes que beneficiam de determinadas terapêuticas anticancerosas? Não são todos os doentes com cancro da mama que fazem terapêutica com Trastuzumab. Estamos a ser discriminatórios, sim, mas por razões de segurança para os doentes e por sabermos que nem todos os cancros da mama se comportam da mesma forma e que, portanto, muitas doentes não beneficiarão dessa terapêutica.


 


Será que este é um bom serviço que os deputados estão a prestar a todos os cidadãos?


 

Tenha piedade










J.S. Bach - Paixão segundo S. Mateus

Andreas School


Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...