13 abril 2010

Esforços adicionais

 


Não percebo o que quer Bruxelas com esta avaliação do PEC.


 


Esforços adicionais? Quais esforços adicionais?


 


Bruxelas não acredita que Portugal tenha um défice inferior a 3% em 2013. É muito provável que a dúvida de Bruxelas seja legítima. Mas será que não duvida que muitos outros países, em 2013, terão uma dívida superior a 3%?


 


Pois claro, se for a Alemanha ou a França isso não tem qualquer importância porque esses países, por definição, são excelentes a controlar as suas contas públicas, os seus défices, os seus crescimentos económicos e os seus endividamentos externos.


 


É como o problemas dos subsídios aos desempregados, que têm que retribuir a solidariedade da sociedade, e a inevitabilidade de ajustar as remunerações e os prémios dos gestores públicos aos mercados.


 


Mercados e Bruxelas, Bruxelas e Mercados - a antipatia das personagens de uma peça teatral sobre o poder.

2 comentários:

  1. Sofia: défice e dívida são coisas diferentes. E, de facto, é mais fácil confiar que a Alemanha, e mesmo a França, consigam equilibrar o défice, do que Portugal. E não é "por definição"; é porque, logo que exista retoma económica, isso se reflectirá significativamente nas suas exportações (só no ano passado a Alemanha perdeu o lugar de primeiro exportador mundial para a China), o que fará aumentar as receitas do Estado. Por outro lado, o nível de poupança é muito superior na Alemanha do que é em Portugal, as necessidades de financiamento externo são menores e, logo, as taxas de juro a pagar são mais baixas, o que faz com que o grau de urgência na aplicação de medidas restritivas seja menor (ninguém receia que a Alemanha, ou mesmo a França, deixem de poder pagar as dívidas). E só a chantagem do efeito do incumprimento grego, ou português, sobre o euro faz com que estejam disponíveis para nos emprestar dinheiro. A questão é saber se poderão emprestar o suficiente para salvar toda a gente e que condições imporão. Porque o que países como a Grécia e Portugal estão a fazer é justificar que nunca mais se confie na sua capacidade para controlar os gastos. Se nós queremos ter o nível de vida alemão, temos que seguir a via que eles seguiram: crescimento sustentado. Ou seja: dar condições à economia para crescer e aumentar gastos (incluindo salários e prestações sociais) apenas à medida que ela cresce. Houve épocas em que teria sido muito mais fácil do que é hoje. Mas quem nos mandou desperdiçar as oportunidades em retórica, subsidiodependência, aumentos não sustentados (não se pergunta de vez em quando por que carga de água temos tido necessidade de aumentar os impostos a cada par de anos?), corrupção e obras de fachada?

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    1. Jaa , eu sei que a economia alemã é muito mais forte e sólida que a nossa. Mas o que também sei é que os maus indicadores são importantes quando são de países como o nosso e têm muito pouca importância quando são de países como a Alemanha e a França. Não tenho dúvidas de que se a Alemanha ou a França não tiverem um défice inferior a 3% em 2013, não vai haver qualquer problema. Até se vão alterar as regras!

      Nada disso justifica que não tenhamos que equilibrar as contas públicas e reanimar a economia. Mas muito do que está em causa é política, pura e dura.

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