Se falar alto, com muita convicção, repetir até à exaustão palavras encadeadas, mesmo que não signifiquem nada, ser agressiva, tonitruante e mal-educada é sinónimo de qualidade num deputado parlamentar, então Luísa Mesquita é excelente.
Não partilho dessa opinião. Para mim um bom deputado é o que sabe do que está a falar, é o que pretende saber os porquês das políticas governamentais, é o que respeita a assembleia utilizando um discurso correcto, simples e claro, é o que não se baseia nos favores partidários, fazendo o seu trabalho diário com os olhos postos nos cidadãos que o elegeram.
Talvez por isso a disciplina partidária e as orientações dos presidentes dos grupos parlamentares, quais chefes de orquestras afinadas, não faça, para mim, muito sentido. Mas eu também não sou deputada.
Mesmo quem não pertence ao PCP sabe que a disciplina partidária é muito mais importante do que a opinião de um qualquer militante, independentemente de ser ou não deputado. Não se percebe a comoção da deputada Luísa Mesquita quando lhe pediram (ordenaram) que fosse substituída no parlamento. Ela deveria saber que assim era, desde que foi eleita, e que nunca seria o trabalho que desenvolvesse no parlamento, fosse qual fosse a avaliação feita, que teria qualquer influência no assunto.
Não percebo pois o sururu gerado à volta da substituição da deputada, assim como não entendo o motivo da recusa da mesma em ser substituída.
Mas ainda percebo menos o espanto pelo facto de Luísa Mesquita não ter comparecido às jornadas parlamentares do PCP. Alguém esperava que fosse, depois de lhe ter sido retirada a confiança política? Qual o interesse de debater estratégias parlamentares com alguém que, evidentemente, não voltará ao parlamento, e que não é bem vista pelos seu líder carismático e simpático, com é moda dizer-se de Jerónimo de Sousa?