31 dezembro 2006

Amanhã

Amanhã abrirei a janela
para o inevitável mundo
que me rodeia,
tão certo e seguro como
volátil e destruidor será
para outros olhos,
lavarei o rosto no perfume
destes sentidos
enquanto outros dedos
calarão outras palavras.

Amanhã será um outro dia
igual a todos os outros
em que somos vis
cobardes ou sublimes,
ou apenas humanos.

(fotografia de Figueira de Castelo Rodrigo)

30 dezembro 2006

ETA - de novo

O atentado em Madrid reivindicado pela ETA é um rude golpe na esperança de tentativa de resolução de mais um sangrento conflito de décadas, e uma derrota política para Zapatero. Não sei muito bem o que se vai seguir mas acho totalmente inaceitável que, numa democracia plena, se usem métodos terroristas para atingir objectivos políticos.

Assunto iraquiano

Todo este assunto iraquiano é triste e repugnante, desde Saddam Hussein e o seu regime sanguinário, às mentiras que deliberadamente foram massificadas e repetidas à exaustão para justificar a invasão do Iraque, ao arrepio das Nações Unidas e de vozes, como as de Freitas do Amaral e de Mário Soares (a quem apelidaram de sonhadores, não rendidos à real politics), à exibição da captura de Saddam Hussein, como um troféu de caça, à desastrada campanha política e militar no Iraque, com que se pretendia instaurar um regime democrático, ao julgamento do ditador, às mortes diárias de militares e civis, aos atabalhoados recuos pseudo estratégicos da administração americana pró intervenção iraquiana, ou ao que resta dela após as eleições, à execução por enforcamento, como se de um coelho se tratasse, de um ser humano, por muito abjecto que ele fosse.

Mas, como fez notar Marta R., até na abjecção há pessoas mais importantes que outras.

Assiduidade e pontualidade (3)

Como tem sido hábito as reformas que o governo anuncia começam sempre por uma sensibilização da opinião pública para o problema, realçando o que de negativo e pouco abonador acontece nos vários sectores, principalmente no que diz respeito aos dependentes da administração pública. É obviamente uma medida populista mas que os diversos grupos profissionais não têm sabido aproveitar e, pelo contrário, com as posições totalmente retrógradas e absurdas de defesa do indefensável, apenas facilitam o caminho ao governo. Foi assim com os professores, com os juízes e com os militares.

Como era previsível, a hora dos médicos haveria de chegar. Como era espectável, a reacção corporativista dos representantes da classe não se fez esperar. Desde o momento em que começou a ser posta em causa a acumulação de funções nos sectores público e privado, o conflito de interesses entre quem trabalha nos dois sectores, baseado também em estudos da Inspecção Geral de Saúde (IGS) que evidenciam a total falta de controle da assiduidade dos profissionais (uma situação que se tem arrastado ao longo dos anos e da qual todos são responsáveis), o Bastonário da Ordem dos Médicos tem-se multiplicado em intervenções que, ao contrário do que deveria ser o seu objectivo, descredibiliza a classe e os seus profissionais.

Os médicos, enquanto funcionários do Estado, têm um contrato assinado de livre vontade, em que se comprometem a cumprir determinado tipo de funções, num determinado local de trabalho, com um determinado horário, a troco de uma remuneração, de dias de férias, de protecção social e de garantia de formação pós graduada. O seu dever como profissionais é exercerem o melhor possível a sua profissão, ou seja, actuarem na prevenção, no diagnóstico, na terapêutica da doença, e no seguimento dos doentes.

O Estado tem como dever pugnar porque os profissionais que forma e contrata, cumpram com o maior zelo possível as cláusulas contratuais, entre as quais está o cumprimento de horários.

Podemos discutir se os contratos devem ser baseados em horários ou em tarefas, podemos discutir se a remuneração deve ser por hora de trabalho ou por desempenho de objectivos, podemos discutir a avaliação do tipo de desempenho e quais as várias vertentes que devem ser objectivamente valorizadas. Mas enquanto funcionários do Estado os médicos têm que cumprir os seus contratos, assim como os deverão cumprir com outras entidades patronais, que não o Estado.

Ou então, assumem-se como profissionais liberais, sendo patrões de si próprios e tendo capacidade negocial total na definição dos termos contratuais da sua própria actividade, cujo único vínculo será o doente.

A “cruzada” de Pedro Nunes contra as leis dos funcionários públicos que não se aplicam aos médicos, para além de me parecer estar a exorbitar as competências estatutárias da Ordem dos Médicos (estes problemas pertencem ao âmbito do movimento sindical), leva imediatamente à total desconfiança de todos os cidadãos. A redução do problema da assiduidade aos segundos contados pelo aparelho electrónico é demagógica e populista. E o facto deste problema ter sido levantado pela IGS só vem demonstrar a falência da auto regulação ou da regulação efectuada pelos directores de serviço, que Pedro Nunes tanto defende.

Com tantos e graves problemas que atravessam o nosso SNS, como a falta de condições de segurança e salubridade em múltiplos serviços, as carências de médicos e de enfermeiros, os serviços de urgência à beira da rotura, mobilizaram-se 19 de 25 directores de serviço ultrajados pela tentativa de cumprimento da lei no controlo da assiduidade, com um método experimental! Por coincidência, essa demissão foi mediatizada no momento em que decorria uma reunião com a Ordem, na qual se debateu este gravíssimo problema, no entender destes médicos criado pela tutela, cuja vontade de cumprir a lei faz perigar enormemente a qualidade de atendimento dos doentes!

Gostaria de ver os sindicatos médicos a renegociarem os contratos de trabalho, atendendo à qualidade do serviço, à produtividade, ao empenho dos profissionais, à flexibilização de horários, ao tele-trabalho, para as funções que não necessitem da presença física do prestador de serviços de saúde.

Gostaria de ver o Bastonário da Ordem dos Médicos preocupar-se com os verdadeiros problemas da saúde em Portugal, dignificando a classe médica e pugnando pela sua formação contínua e de qualidade, lutando por uma política de gestão de recursos humanos realista e urgente, chamando a atenção para condicionalismos e especificidades de cada especialidade e do problema da interioridade, enfim defendendo a verdadeira ética e deontologia médica ao serviço ao doente.


Estatutos da Ordem dos Médicos

(...)

  • Art. 4.º
    1. A Ordem dos Médicos reconhece que a defesa dos legítimos interesses dos médicos pressupõe o exercício de uma medicina humanizada que respeite o direito à saúde de todos os cidadãos.
    2. A Ordem dos Médicos exerce a sua acção com total independência em relação ao Estado, formações políticas, religiosas ou outras organizações.
    3. O sistema democrático regula a orgânica e vida interna da Ordem dos Médicos, constituindo-se o seu controle um dever e um direito de todos os seus associados, nomeadamente no que respeita à eleição e destituição de todos os seus dirigentes e à livre discussão de todas as questões da sua vida associativa.
    (…)

  • Art. 6.º
    A Ordem dos Médicos tem por finalidades essenciais:
    a) Defender a ética, a deontologia e a qualificação profissional médicas, a fim de assegurar e fazer respeitar o direito dos utentes a uma medicina qualificada; b) Fomentar e defender os interesses da profissão médica a todos os níveis, nomeadamente no respeitante à promoção sócio profissional, à segurança social e às relações de trabalho; (Esta norma foi declarada inconstitucional, com força obrigatória geral, na parte que se refere a "relações de trabalho", pela Resolução 11/78 do Conselho da Revolução, publicada na 1.ª Série do DR de 26.01.78); c) Promover o desenvolvimento da cultura médica e concorrer para o estabelecimento e aperfeiçoamento constante do Serviço Nacional de Saúde, colaborando na política nacional de saúde em todos os aspectos, nomeadamente no ensino médico e carreiras médicas; d) Dar parecer sobre todos os assuntos relacionados com o ensino, com o exercício da medicina e com a organização dos serviços que se ocupem da saúde, sempre que julgue conveniente fazê-lo, junto das entidades oficiais competentes ou quando por estas for consultada; e) Velar pelo exacto cumprimento da lei, do presente Estatuto e respectivos regulamentos, nomeadamente no que se refere ao título e à profissão de médico, promovendo procedimento judicial contra quem o use ou a exerça ilegalmente;

(...)

29 dezembro 2006

Fiesta

Eva Armisén, pintora catalã com 37 anos.

Não sei bem o que dizer dos quadros e desenhos dela. Apenas que gosto. Totalmente infantis, de uma felicidade ingénua e natural. Vão ver.

Fiesta - exposição na Galeria Arte Periférica, do CCB, Lisboa, até 15 de Janeiro de 2007.

(tengo pájaros en la cabeza)

Na continuidade

Faltam poucos dias para renovarmos todas as nossas cíclicas boas intenções. Mas os rituais servem para isso mesmo, para podermos reequacionar prioridades e valores, para planear aquilo que não é controlável, mas que nos dá algum sentido de segurança.

Nestes horas em que pensamos reiniciar a vida, mesmo que ela recomece a todo o momento, nos actos mais banais da existência, sinto sempre que sou uma privilegiada, nomeadamente pelos amigos que tenho, pelas pessoas com quem me tenho cruzado, descoberto ou reencontrado, pelos desafios que ainda tenho de enfrentar e pelo enorme gozo de viver, mesmo que, por vezes, a vida seja amarga e triste.

O próximo ano será igual ao anterior e totalmente diferente, porque todos os segundos são avanços e nada se repete exactamente da mesma forma. Continuaremos a ter aumentos de bens de consumo, continuaremos a tomar muitos antidepressivos e ansiolíticos, continuaremos a queixar-nos do imenso trabalho que nos falta fazer, bebericando incontáveis chávenas de café, continuaremos a molhar-nos com a chuva e a derretermos com o bafo do Verão, a irritar-nos com os ralhetes de Sócrates e com a inanidade da oposição, continuaremos a gozar pontes, feriados e fins-de-semana, a clamar pela sociedade civil que não fazemos intenção de formar, dinamizar ou mexer.

Continuaremos a ser portugueses, no que temos de mau e no que temos de bom. Mas eu até gosto, nem que seja de vez em quando…

Assiduidade e pontualidade (2)

Não sei se ficou bem explícito, no meu post anterior, no meio de todos aqueles considerandos, que considero importante o controle da assiduidade dos profissionais de saúde e lamentáveis as reacções do Bastonário da Ordem dos Médicos e do Sindicato dos Enfermeiros. Ainda por cima, sendo esta uma matéria que diz respeito às competências sindicais, não se percebe muito bem o porquê da intervenção de Pedro Nunes (veja-se, por exemplo, a posição da Vice-Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, que desvaloriza esta questão)!

Se não se podem controlar horários diários rígidos e fixos, podem com certeza controlar-se horários semanais. É preciso, duma vez por todas, assumir que as unidades de saúde estatais estão mal geridas, e este é um entre muitos dos aspectos a regular. Comparar os gastos inúteis em relógios de ponto com os gastos que não se fazem em medicamentos, isso sim, é populista e demagógico!

A morte dos amantes

Se olho para o céu
pintas tons de ocre e rosa
para me deslumbrar.

Se me deito na terra
semeias tapetes de relva
para me confortar.

Se um dia me faltarem olhos
espanto ou horizontes
rasgarei véus de aurora
para te beijar
qual rito de amor e morte
para te ressuscitar.

(fotografia de at - Um buraco na sombra - La mort des amants)

28 dezembro 2006

Repetido

Voltarei no segundo
anterior à fronteira
em que fui retalhando
esta alma derradeira.

Voltarei devagar
como sonho repetido
àquele mesmo lugar
anterior ao segundo
em que hei-de enfrentar
o recomeço do mundo.

Voltarei eco de mim
lembrança raiz ou flor
novo sopro nova dor
nesse momento preciso
explosão de infinito
de quem ri por amor.

(Pintura de Naofumi Maruyama: breeze of river 1)

Assiduidade e pontualidade

Em Portugal, os problemas da assiduidade e da pontualidade são sempre vistos e sentidos de formas diferentes, dependendo do lado em que se está.

Se esperamos pela abertura de repartições, por uma consulta médica marcada para 2 horas antes, por alunos que chegam sistematicamente atrasados, se nunca conseguimos falar com alguém, por este ainda não ter chegado ou já ter saído para uma reunião importantíssima, estamos totalmente de acordo com a implementação dos relógios de ponto mecânicos ou electrónicos, com o rigoroso cumprimento de horários e com a exigência de sanções aos prevaricadores.

Mas quando chegamos sistematicamente atrasados às reuniões, porque não deixámos de tomar o imprescindível café, quando trabalhamos por tarefas e concluímos que o serviço está feito, mesmo que o horário ainda não se tenha esgotado, ou quando podemos realizar o trabalho noutro ambiente, nomeadamente em casa, porque não necessitamos de aparelhos ou de atender o público, aí já não se justificam relógios de ponto, nem obrigatoriedades de permanência num determinado local físico, cumprindo um horário fixo.

Vem isto a propósito da reacção do Bastonário da Ordem dos Médicos, e do Sindicato dos Enfermeiros à campanha que tem sido (bem) montada no que diz respeito à falta de controle da assiduidade dos profissionais de saúde e do incumprimento de uma lei que já tem 8 anos.

É claro que é necessário controlar a assiduidade e a pontualidade dos profissionais de saúde, como aliás de quaisquer outros. Não se admite que blocos operatórios que deveriam começar a funcionar a uma determinada hora não o façam por falta de pontualidade dos profissionais. Não se admite que estejam doentes horas à espera de consultas porque as marcadas para as 8:00h começam às 10:00h. Não se aceita que um serviço com um quadro composto por várias pessoas funcione com menos de metade porque as outras estão algures em parte incerta. Estas situações existem e são responsáveis por uma parte da ineficiência dos serviços públicos.

Mas há também o reverso da medalha. Os profissionais que trabalham nos serviços de urgência têm direito, por lei e pela segurança da qualidade diagnóstica, a folga no dia seguinte, para descansarem. No entanto, pela escassez de recursos humanos, continuam a trabalhar ininterruptamente, repetindo-se esta situação mais do que uma vez por semana. Nestes casos, os profissionais dão muito mais horas ao serviço público, não sendo remunerados por esse trabalho adicional. Por outro lado, há tarefas não têm horários rígidos: uma cirurgia pode demorar meia ou quatro horas, se houver complicações pelo caminho. A observação de tecidos ao microscópio, para os diagnósticos das lesões operadas ou biopsadas (pequenos fragmentos que se retiram de um tumor, por exemplo, para ser analisado), não necessita ser feita integralmente no serviço, havendo diagnósticos fáceis e outros que precisam de muito tempo de estudo e, inclusivamente, de consultas a especialistas exteriores às próprias instituições.

O que me preocupa é o facto de, em vez de se pugnar por regimes de trabalho que assegurem a qualidade do serviço prestado às populações, no que diz respeito ao cumprimento dos horários, à rapidez e eficácia diagnóstica, à gestão dos escassos recursos humanos existentes, em vez de se chamar a atenção do poder político para as graves assimetrias na distribuição de médicos por determinadas especialidades, o que levará à exaustão e ao envelhecimento dos poucos que ainda persistem, se perdem estas oportunidades a assumir posturas conservadoras, sem se sugerirem soluções que resolvam os problemas e responsabilizem os profissionais todos, desde os administradores, aos directores clínicos, directores de serviços, médicos, enfermeiros e auxiliares de acção médica, pelo integral cumprimento das suas funções.

Os horários devem ser controlados e adequados a cada função e a cada especialidade; deve apostar-se na pontualidade e, principalmente, em cumprir metas e objectivos bem definidos, nunca perdendo de vista aquilo que é mais importante: a qualidade no atendimento dos doentes.

27 dezembro 2006

Arredondar aos cinquenta

Já a arredondar para os cinquenta, vou cumprindo dia a dia a tarefa de viver. As rugas já se notam, os cabelos embranquecem, o peso não se controla tão bem, fazem-se muitos metros a mais por causa dos pequenos e grandes esquecimentos.


Já a arredondar para os cinquenta, vou tendo o raro privilégio de amar cada vez mais os antigos amigos e os que de novo se vão juntando, vou gostando de vinho com conversa, de livros apaladados, de cartões de Natal, de uma voz inesperada que não esqueceu.

Já a arredondar para os cinquenta vou soldando o amor, à prova de tudo o que moldamos, à medida de tudo o que partilhamos.


(pintura de Tudor Gradinaru: Candles in the Sky)

26 dezembro 2006

Stomachion

O Stomachion é um quebra-cabeças estudado (inventado?) por Arquimedes. É também um conjunto de 14 figuras geométricas que, juntas, formam um quadrado, mantendo uma relação específica entre as áreas de cada uma das peças e a área total do quadrado, ou seja, o quociente (a razão) entre a área de cada peça e a área total do quadrado é um número racional (número que pode ser representado por uma fracção cujos numerador e denominador são números inteiros).

Se quisermos determinar a área de cada figura geométrica deveremos aplicar o Teorema de Pick: a área de uma figura cujos vértices são vértices de uma quadrícula regular (geoplano) é igual ao número de vértices da quadrícula que se encontram no interior da figura mais metade do número de vértices que se encontram sobre a linha limite da figura a que se retira uma unidade.

Mesmo não percebendo nada de Matemática, se fizermos um quadrado com 12 unidades de lado (por exemplo usando papel quadriculado) e colocarmos os vértices como a figura indica, poderemos obter 14 figuras geométricas.

A área total do quadrado é 144 (12x12=144) e a razão entre as áreas de cada figura geométrica e a área total é, de facto um número racional (12/144; 3/144; 9/144; etc)!


Há com certeza muitas outras características deste quebra-cabeças que o tornam interessantíssimo. Também é fácil de construir e, quem sabe, pode transformar algum dos nossos filhos num génio matemático!

Tangram

O Tangram é um quebra-cabeças de origem chinesa (conhece-se desde o séc. XIX) constituído por 7 peças (tans) que são figuras geométricas e que, juntas, formam um quadrado.

Das 7 peças fazem parte:
  • 5 triângulos rectângulos isósceles (que têm 2 lados iguais que formam um ângulo de 90°): 2 pequenos (os 2 lados iguais medem 1 unidade (u), que pode ser considerada qualquer unidade de medida, por exemplo u=2 cm); 1 médio (em que os 2 lados iguais medem √4, ou seja, √2xu); 2 grandes (os 2 lados iguais medem 4 cm, ou seja, 2xu)

  • 1 quadrado cujo lado mede 2 cm (u)

  • 1 paralelograma cujos lados medem 2 cm (u) e √4 (√2xu)

O objectivo do jogo é fazer-se várias figuras, utilizando todas as peças e não sobrepondo qualquer uma.






Aqui está uma bela prenda para o próximo Natal, fácil de fazer (pode utilizar-se capaline) muito educativa para os mais novos.

Palimpsesto de Arquimedes

Palimpsesto é um termo que deriva do grego παλίμψηστος (πάλιν - de novo; ψάω- riscar) ou seja, um pergaminho ou um manuscrito que é apagado e reutilizado.

Num manuscrito do século XIII, um livro de orações, com 348 páginas, muitas delas muitíssimo degradadas e impossíveis de ler, vendido num leilão (nada mais do que o Christie’s, em Nova Iorque, em 1998, por 3 milhões de dólares) a um coleccionador americano, que o depositou no The Walters Art Museum de Baltimore, em Janeiro de 1999, foram descobertos textos de Arquimedes, mais precisamente o Códice C, e outros textos de Hyperides, um orador do século IV a.c.

Arquimedes, um filósofo grego que viveu no século III a.c., deixou uma enorme e importantíssima herança nos campos da matemática, da física e da astronomia. Alguns dos seus escritos, nomadamente o Códice C, tem andado perdido e achado ao longo dos séculos, parecendo estar escondido neste livro de orações.

A prática era a reutilização dos pergaminhos, feitos com pele de animais e, portanto resistentes às “lavagens” com sumo de limão ou leite, à esfrega com pedra e lavagem com areia, a fim de apagar o que estava escrito. Assim terá acontecido com este manuscrito que, depois de sofrer este tratamento de limpeza, terá sido reescrito como livro de orações.

Conhecido como Palimpsesto de Arquimedes já desde o princípio do século XX, só a partir de 1999/2000 tem sido estudado com todas as técnicas mais avançadas de imagem e de detecção de metais (para detectar a tinta já apagada), estando a evidenciar-se os textos antigos.

E parece que mais completas interpretações dos trabalhos de Arquimedes estão a surgir, nomeadamente um jogo para crianças (Stomachion) do tipo do Tangram, em que existem 14 formas geométricas que se podem conjugar para formar novas formas. No entanto, parece que o desafio de Arquimedes poderia ser mais específico: de quantas formas se poderiam combinar 14 triângulos para fazer um quadrado? Isso poderia significar que os gregos já se interessariam pela análise combinatória (um dos ramos da matemática).

Estes novos detectives que estudam a antiguidade ajudam-nos a perceber algum do percurso da humanidade, espantando-nos a nós dependentes das novas tecnologias, com a capacidade de pensar e descobrir dos nossos antepassados, mesmo não tendo computadores nem Internet!

25 dezembro 2006

As Mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

(poema de Manuel Alegre; desenho de Leonardo Da Vinci: mãos)

Pequenos silêncios

Verdadeiro dia de recolhimento, de ronronice na cama, de gestos lentos e apreciados. A luz do Inverno inunda as janelas, dá vontade de nos aquecermos, uns com os outros, uns aos outros.

Café a fumegar na sala, sentados calmamente a saborear os despojos da noite, folheando gulosamente os livros que secretamente desejávamos, apreciando os pequenos cartõezinhos com ingenuidades simpáticas. Olhando para as receitas com sabores orientais, provando uma ginginha de “reserva 2006, marca registada P.M”, cheirando as folhas de um chá especial, uma colherada de doce de abóbora com amêndoas, nozes e versos, acariciando os nossos pais, os nossos filhos, os nossos amores, os nossos amigos, todos dentro deste casulo a que chamamos casa, a que chamamos alma.

Este é o dia de recolha de pequenas frases, pequenos silêncios, pequenas ausências, algumas que doem com uma dor longínqua e meio doce, outras mais presentes e mais amargas, este é o dia em que na solidão dos nossos dedos podemos dizer o quanto amamos.

(pintura de Vieira da Silva)

24 dezembro 2006

Amizade

De mais ninguém, senão de ti, preciso:
do teu sereno olhar, do teu sorriso,
da tua mão pousada no meu ombro.
Ouvir-te murmurar: - “Espera e confia!”
E sentir converter-se em harmonia,
o que era, dantes, confusão e assombro.

(poema de Carlos Queiroz; pintura de Pablo Picasso: amistad)

23 dezembro 2006

Amanhã

Para aqueles que nos são imprescindíveis, para aqueles que nos ensinam a olhar e a descobrir que todos os dias podem ser o primeiro, para aqueles que fazem da vida uma festa de inícios, que o amanhã seja bom, leve e doce.

Bom Natal.

Comissões

Já muito se disse e escreveu sobre a comissão do Parlamento Europeu que está a investigar o eventual transporte ilegal de prisioneiros de guerra, em voos que terão cruzado espaço aéreo comunitário.

A luta contra o terrorismo não justifica tudo e não é muito crível que os estados membros da UE, tendo acordos com os EUA, por exemplo no âmbito da NATO, tenham registado ou questionado os ditos voos. E até porque, deixemo-nos de hipocrisias, seriam operações de que os mesmos estados membros, caso suspeitassem de ilegalidades, prefeririam com certeza nem ter delas conhecimento. Esta é a crua realidade e os protestos de inocência por parte dos países, assim como a procura das acusações exemplares, por parte da comissão, são encenações de um drama pouco convincente.

Mas a verdade é que existe uma comissão de investigação, cujo objectivo é… investigar! Os deputados europeus que integram essa comissão representam os cidadãos europeus e não um partido ou um governo de um determinado país. Concorde-se ou não com a histeria e a forma demasiado arrebatada de Ana Gomes discutir o problema, não se conseguem perceber as acusações de dama ofendida do Ministro da Defesa, que não justificou a discrepância entre os números de voos fornecidos oficialmente e os números que constam de uma lista a que Ana Gomes teve acesso. Ainda menos se percebem as posições de cavaleiro defensor da dama ofendida assumidas por José Lello, que só conseguiu cobrir-se de ridículo e levantar suspeitas de que, de facto, os números oficiais não são credíveis.

Portugal não está habituado a que comissões de investigação façam o que lhes compete. Pior para Portugal, para o governo e para o grupo de indefectíveis do PS, que têm uma coluna vertebral bastante flexível.

22 dezembro 2006

Em suspenso

Todos os anos é assim. O país, tal como nós, fica suspenso por uns dias, faz um intervalo, à espera de qualquer coisa diferente, que sabe que vai ser exactamente igual a sempre.

Todos os anos é assim. O país, tal como nós, afoga as mágoas nestes dias em que se adornam as emoções de cores fortes e odores intensos, em que se faz muito barulho para abafar o que de verdadeiro nos inunda por dentro, e caminha inevitavelmente para a ressaca das contas e balanços, das desculpabilizações e dos compromissos inabaláveis.

Todos os anos é assim: passamos trezentos e sessenta e dois dias a preparar, a suspirar, a negar, a esperar, apenas por três.


(pintura de Christy Michaels Tremblay: Forest Breath)

Amor

Desde que a tua
a minha mão aqueça
e que o teu olhar
me não esqueça,
desde que o amor
nos converta
e nos mereça,
não há tremor
que estremeça
o nosso mundo.

(pintura de Arpad Szenes: La Vallée)

Trabalhadores de Natal

Para muitos estão a começar umas mini férias. Por motivos religiosos ou não, esta quadra é sempre especial e convida à reflexão.

Se pararmos um pouco, apercebemo-nos do esforço, do desconforto, da entrega e da generosidade de todos os que, por deveres profissionais ou apenas por dever de consciência, velam para que todos tenhamos acesso à gastronomia, aos embrulhos, às limpezas dos desperdícios, às deslocações de rotina ou de urgência, às exigências de consumo, do corpo ou do espírito, aos socorros, às ajudas na solidão, aos abraços de amizade.

Para todos os que nos proporcionam a capacidade de concretizar um feliz Natal, o meu desejo de que nos ajudem a partilhar essa sua dádiva.

Parlamento

O debate parlamentar mensal entre governo e oposição é uma peça de teatro repetitiva e algo grotesca: o primeiro-ministro grita e finge-se zangado; a oposição chora e finge-se ofendida.

Convinha substituir o encenador, já que os actores têm contrato para uma longa temporada…

Referendo


Caso alguém ainda esteja com dúvidas...

Em Cascais

Isto não são horas, mas depois do café bebido às 11 da noite, para afastar os vapores do álcool das nossas mentes, em festividades pouco consentâneas com o recolhimento desta época natalícia, vai custar a adormecer.

Pois a Enoteca de Cascais é mais teca que eno. Fica perto da baía, da lindíssima baía de Cascais nesta noite límpida e gelada, como das noites quentes e vagarosas. Sobem-se umas escadas íngremes (há elevador, provavelmente mais adequado à descida…) e entra-se numa sala bastante acolhedora, com poucas mesas e uma estante cheia de garrafas de vinho. O atendimento é muito simpático.

O problema é quando se pretende escolher vinhos. Os que têm cruzinhas (muito mais de metade da lista) não há. Ou seja, o cliente escolhe um vinho, mesmo que não tenha cruzinha, e o solícito e conhecedor empregado sugere outro, pois aquele não há, devido à falta de pontualidade dos fornecedores de Dezembro. A sério, foi isso que disseram.

Provámos (comemos!) menus de degustação (não há restaurante onde agora não haja menus de degustação) o que significa que comemos muito e bem, bebemos bastante e melhor, e pagámos horrores!

Gostei... mas continuo fiel ao Chafariz do vinho, na Rua da Mãe d’Água.

19 dezembro 2006

Jornada

Ao ouvir o cd de Fernando Lopes Graça, no meu escritório de paredes brancas, sinto-me numa catedral, com o mesmo fervor que sentem os verdadeiros crentes. Há uma religiosidade, um ascetismo, uma simplicidade, um rigor monástico, uma pureza de visionários, um sentido missionário naqueles versos, naquele piano incisivo, naquelas vozes heróicas, que me faz estremecer, socialista, republicana, anti clerical que sou.

A liturgia da solidariedade, do hino à esperança, da apologia a uma sociedade de homens novos, mais livres, mais fraternos, mais justos, a certeza da verdade, da vitória no combate, os versículos que comandam, os coros que seguem com entusiasmo crescente, um autêntico ritual de fé, absolutamente arrebatador e comovedor.

JORNADA

Solo

Não fiques para trás, ó companheiro,
é de aço esta fúria que nos leva.
Pra não te perderes no nevoeiro,
segues os nossos corações na treva.

Coro

Vozes ao alto!
Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão
havemos de chegar ao fim da estrada,
ao sol desta canção.

Solo

Aqueles que se percam no caminho,
que importa! Chegarão no nosso brado.
Porque nenhum de nós anda sozinho,
e até mortos vão a nosso lado.

Coro

Vozes ao alto!
Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão
havemos de chegar ao fim da estrada,
ao sol desta canção.

(poema de José Gomes Ferreira; música de Fernando Lopes Graça - Canções Heróicas, Canções Regionais Portuguesas - Coro da Acadmia de Música Fernando Gomes e Olga Prats - EMI-Valentim de Carvalho, Música, Lda, 1995)

17 dezembro 2006

Acordai

Acordai

Acordai

homens que dormis

a embalar a dor

dos silêncios vis

vinde no clamor

das almas viris

arrancar a flor

que dorme na raiz



Acordai

Acordai

raios e tufões

que dormis no ar

e nas multidões

vinde incendiar

de astros e canções

as pedras do mar

o mundo e os corações



Acordai

Acendei

de almas e de sóis

este mar sem cais

nem luz de faróis

e acordai depois

das lutas finais

os nossos heróis

que dormem nos covais

Acordai!





Poema de José Gomes Ferreira

Música de Fernando Lopes Graça






Fernando Lopes Graça nasceu a 17 de Dezembro de 1906. As suas canções heróicas ainda hoje me deixam toda arrepiada.

Passamos pelas coisas sem as ver


PASSAMOS PELAS COISAS SEM AS VER

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos como animais envelhecidos;
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos:
como frutos de sombra sem sabor
Vamos caindo ao chão apodrecidos.

(poema de Eugénio de Andrade; pintura de Arpad Szenes)

Boicote


Mais uma vez se observa o desrespeito que algumas pessoas têm pela lei, seja ela qual for.

Entre estas, e segundo o Público de hoje, os conselhos de administração de algumas unidades de saúde privadas (Hospitais da Cuf, Clínica de Santo António, Clínica de Todos-os-Santos, em Lisboa, Casa de Saúde da Boavista, no Porto, Clínica de São Lázaro, em Braga), têm a audácia de proclamar que não executarão IVG, mesmo que o “sim” ganhe no referendo, por questões de ordem ética e deontológica, ou seja, não cumprirão a lei.

O facto de serem unidades privadas não as coloca acima da lei. O facto de permitirem aos seus profissionais recusarem-se a executar esse tipo de procedimento, por terem objecção de consciência, é totalmente diferente de a instituição, ela própria, ser objectora de consciência.

Não há dúvida que o boicote está na ordem do dia. É pena é ser exercido por quem tem responsabilidades acrescidas, pelos médicos e pelas instituições de saúde, as primeiras que deveriam pugnar pelo cumprimento da lei. Isso sim, seria ético.

La Féria, pois claro


Na altura em que se desenvolveu todo o protesto rocambolesco de algumas pessoas contra a gestão privatizada do Rivoli, a minha posição era de abertura total a uma hipótese de rentabilização de um elemento do património cultural da cidade do Porto.

Tenho alguns, mas não muitos, preconceitos relativamente ao que se entende por cultura. Não me parece que o estado deva subsidiar todas as propostas, mas deve pugnar por que seja oferecido um leque alargado de escolhas, apoiando as que, embora para públicos minoritários, são boas, diferentes e inovadoras.

Essa avaliação é subjectiva e quem é nomeado para assumir essa responsabilidade deve exercer os seus direito e dever de escolha, exigindo resultados.

O Rivoli é património da cidade do Porto e de todos os seus habitantes. A Câmara do Porto deveria assegurar que quem fosse escolhido para o gerir fornecesse uma programação variada, desde as grandes produções à experimentação e à pesquisa, teatral ou qualquer outra.

A escolha de Filipe La Féria, mais do que previsível, por uma comissão não se sabe exactamente formada por quem, cujas "Linhas de Orientação" não se sabe exactamente quais são (fiz uma pesquisa no site da Câmara Municipal do Porto e não fui minimamente esclarecida), dá razão às mais negras expectativas.

Vamos ter Carmens Mirandas, Madalenas Iglésias, Músicas nos Corações, grandiosas e tonitruantes sem que haja espaço para outras produções menos glamorosas e esplendorosas.

Quem não gosta de espectáculos revisteiros deverá deslocar-se a outras cidades. Rui Rio, pelos vistos, está feliz.


Câmara Municipal do Porto

  • Presidente - Rui Rio

  • Direcção Municipal de Cultura - Raúl Manuel Pacheco Matos Fernandes

  • Divisão Municipal de Património Cultural - Maria Isabel de Noronha e Azeredo Pinto Osório

16 dezembro 2006

Lisboa


Lisboa é uma cidade surpreendente. Como muitos moradores de Lisboa e arredores, conheço melhor algumas cidades europeias. Quando viajamos temos tempo e estamos predispostos a caminhar horas pelas ruas, descobrir miradouros e becos, atravessar pontes, conhecer parques, museus e cafés.

Lisboa está degradada, barulhenta, despovoada, poluída. Vêem-se prédios lindíssimos em ruínas, árvores decrépitas, passeios esburacados e cheios de automóveis.

Mas simultaneamente, quando menos se espera, encontram-se bairros absolutamente encantados, que parecem existir numa outra dimensão. A Praça das Amoreiras, onde visitei a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, para ver a exposição de Sonia Delaunay (Atelier simultané 1923-1934) é um desses locais.

Com um pequeno jardim ladeado por pilares do Aqueduto das Águas Livres, pelo Reservatório da Mãe d’Água e por prédios com cerca de três andares, está bem arranjado e habitado, o que cada vez é mais raro. Não se ouvem os ruídos de uma grande cidade e os carros que passam são poucos e lentos. Há, pelo menos, um restaurante e uma tasca (a tasca do Papagaio).

Tem-se falado muito na Câmara Municipal de Lisboa, no défice e na falta de liderança e de ideias para a cidade. Miraculosamente, ela parece resistir a tudo. Não sabemos é até quando.

Sem rede

Problemas de rede (ou falta dela) estão a dificultar a minha actividade bloguística. Esperam-se rápidos e eficientes desenvolvimentos internáuticos, de forma a corrigir este lapso (pareço mesmo um treinador / dirigente futebolístico / político a perorar!).

13 dezembro 2006

Primeiro passo


O despacho do ministro Correia de Campos só peca por tardio e por apenas abranger a proibição de acumular cargos directivos.

É claro que há conflitos de interesse entre o exercer de funções no SNS e o chefiar ou coordenar um serviço ou uma unidade de saúde no sector privado.

O Bastonário da Ordem dos Médicos vem a público afirmar que o Estado trata mal os seus funcionários, e que esta medida vai empurrar médicos para o sector privado, criando uma saúde para os pobres e uma saúde para os ricos.

Penso que não. É claro que se corre o risco de alguns médicos optarem definitivamente pela actividade privada. Mas isso é transparente e incentivará a competição entre o público e o privado. Inclusivamente iremos ver se o sector privado é assim tão atractivo, em termos de salários e de condições de trabalho, nomeadamente no que diz respeito à formação pós graduada, à inovação tecnológica e implementação de novas terapêuticas, à realização de trabalhos científicos, etc.

Mais uma vez defendo a total separação entre o sector público e o sector privado. Seria possível uma gestão mais equilibrada dos recursos humanos e, eventualmente, melhorar as condições de trabalho no sector público, inclusivamente com melhores remunerações.

Mas este já é um primeiro passo!

Intoxicação

Em Portugal as leis não são para cumprir, quaisquer que elas sejam. Francisco van Zeller, presidente da CIP, disse aos microfones da TSF, com a maior tranquilidade, que: Nós, os espanhóis, os italianos, ou gregos estamos mais habituados a dar um jeitinho para ver se isto não vai ser tão caro ou tão grave. Vai haver fiscalização mais apertada, mas há prazos, protocolos, importações e exportações. Confio que toda a indústria consiga encontrar uma forma mais fluida de tratar o problema.

Isto a propósito da aprovação de legislação no parlamento europeu sobre produtos químicos, que vai substituir cerca de 40 leis actualmente em vigor na EU. O objectivo é melhorar a segurança das populações e evitar manuseamentos desnecessários de tóxicos, melhorar e aumentar a fiscalização, substituir produtos por outros menos perigosos, etc.

Claro que Francisco van Zeller acha tudo isso um grande desperdício de dinheiro, pois encarecerá muitíssimo os produtos finais, agitando a bandeira da deslocalização das indústrias químicas para a China, América Latina ou EUA, que não perdem tempo nem dinheiro com esses disparates ambientais.

E porque não? Se João Salgueiro diz publicamente que a banca sabe muito bem como fugir aos impostos, porque é que Francisco van Zeller não há-de apelar à fluidez de interpretação legislativa da pátria?

11 dezembro 2006

Isenção (actualizada)

Considero a argumentação que gira à volta da ausência de José Sá Fernandes no programa Prós & Contras absolutamente abusiva. A RTP é um canal público mas não estamos em campanha eleitoral. Os critérios jornalísticos que ditam o tipo de convidados para cada programa e o local onde estão sentados, não são obrigatoriamente os da proporcionalidade de votos.

Segundo o Sol e o Arrastão, houve um recuo por parte da produção do programa e, afinal, José Sá Fernandes já faz parte do painel central, devido aos protestos do Bloco de Esquerda. Se assim foi, acho uma pena, pois considero uma cedência de profissionais perante o folclore bloquista. A qualidade e a isenção dos organizadores do programa deverão ser avaliadas pelas audiências e pelos organismos de regulação.

A verdade é que este programa tem levantado celeuma, pois só assim se compreende os holofotes nele sempre focados e o sempre animado debate em relação aos eventuais convidados.

Quem se estará a sentir incomodado?

Actualização: vale a pena ler estes “posts”. Até parece que foi combinado!

10 dezembro 2006

Últimas


Finalmente morreu Pinochet. Que a terra lhe seja pesada.

A pobreza é uma ameaça à paz - Muhammad Yunus, prémio Nobel da paz, 2006.

Apesar de tudo, Portugal é dos países do mundo onde se vive mais e, se calhar, melhor!

O próximo


Só, neste templo de intimidade que criei, com janelas grandes, a música do piano e da guitarra, água a escaldar para o chá de roiboos, velas, incenso, manta nos joelhos e teclado obediente, refastelo-me no egoísmo próprio de quem pertence à escassa percentagem dos ricos e privilegiados do mundo.

Posso ofender-me e escandalizar-me com o abuso consumista do Natal, no conforto diário do café e torradas matinais, no vício intelectual de livros, teatro e música.

Como podemos nós comprar velas perfumadas e lambuzar-nos na consoada? Para uma infinidade de pessoas como nós, para o próximo tão distante do nosso mundo, Natal é mais uma noite a dormir ao relento, ou a morrer de fome, de guerra ou de falta de coisas tão básicas que nem concebemos a sua inexistência.

Só, na intimidade que criei, com o aconchego do amor que me rodeia, não me permito sequer perceber a miséria e a penúria que não se resgatam pela invocação anual e milenária de um nascimento, também ele metáfora de solidão e abandono, que não mancham a nossa felicidade, a nós, os senhores do mundo.

[fotografia de Jean-Luc Cramatte (?): refugiados, Rwanda]

Deontologia


Os médicos são cidadãos de pleno direito. Não têm mais nem menos direitos, como não têm mais nem menos deveres.

A sua actividade profissional, tal como todas as outras actividades profissionais, é regida por um código de ética, específico pelas consequências da prática de uma determinada profissão, geral pelos princípios de honra e de defesa da dignidade humana, mas que não pode sobrepor-se às leis do país.

Como disse num “post” anterior, os princípios não se alteram com as modas. A defesa da vida e da qualidade da vida, a defesa da dignidade humana, a obrigatoriedade de defender ambas, são princípios universais e intemporais.

Mas o conceito de vida e de qualidade de vida vão-se modificando à medida que o saber evolui. O prolongamento da vida por meios artificiais, a prevenção da doença pela existência de vacinas, a cirurgia endoscópica, o rastreio de neoplasias malignas, o achado de alterações patológicas pela utilização de meios de diagnóstico, antecipando consequências fatais por permitir actuar a tempo, tudo são ganhos para a vida e para a qualidade da vida que ninguém põe em causa.

Os médicos têm consciência e têm o direito de a seguir. Mas têm o dever de não prejudicar ninguém ao seguirem a sua consciência. Têm o dever de proporcionar a outros que sigam a sua própria consciência. E só assim se percebe que a recusa de um doente em seguir um determinado tratamento obrigue o médico a respeitar a decisão, mas não o desobrigue de zelar pela vida desse mesmo doente, ou de indicar quem o possa fazer, não violando os seus próprios princípios.

As leis são gerais e fazem-se para a totalidade da comunidade, independentemente das opções de consciência que cada cidadão é livre de fazer. Não podem existir ordens profissionais que, nos seus códigos de conduta, punam os seus membros por cumprirem a lei. Não podem existir ordens profissionais cujas leis internas se sobreponham às leis gerais.

Até porque, como o próprio Bastonário disse, não se vão punir médicos que pratiquem interrupções de gravidez, dentro do quadro da lei. Qual a vantagem de ter um código deontológico cujos preceitos não são para cumprir? De facto, tem-se assistido a uma oposição passiva à aplicação da lei já existente por parte da classe médica, em geral.

O estado deve zelar para que a lei seja cumprida e assegurar condições para que, em todos os serviços públicos, as consciências individuais não se imponham à consciência colectiva.

Nova Europa Social

Ao ler a crónica de VPV, no Público de hoje, fiquei com a desconfortável sensação de que os princípios de solidariedade social, igualdade e dignidade humana dependem da moda.

Os princípios para uma Nova Europa Social são o cerne da visão socialista da Europa e do mundo, e são intemporais. Podem discutir-se as formas de atingir esses princípios, que terão que ser obviamente diferentes das que se usaram há 10, 20 ou 30 anos atrás. O mundo mudou, a evolução tecnológica é exponencial, há novas potências emergentes, menos emprego, maior desigualdade social.

Não me parece que o socialismo esteja fora de moda. Talvez seja o VPV que esteja a precisar de uma modernização acelerada.

Constituição europeia revisitada


Ao contrário do que eu esperava, Portugal vai insistir, em 2007, em ressuscitar o defunto tratado constitucional europeu.

Tal como António Barreto diz, na sua crónica de hoje do Público, a Europa não aprendeu com os erros e corre para saltar o problema.

aqui abordei este assunto e não percebo a necessidade de uma Constituição europeia. A União Europeia é uma comunidade de Estados independentes e soberanos, não é um Estado em si. A multiplicidade de culturas enriquece a União Europeia e torna-a possível desde que não se esqueçam as diferenças e se respeite a possibilidade autónoma na decisão.

Se alguns pensam que o Tratado Constitucional, ou Constituição, é um imperativo prático e ideológico, com argumentos de peso tais como a possibilidade de políticas externa e de defesa comuns, então devem lutar para convencer os cidadãos europeus, todos eles, desse desígnio europeu. E deverão ser os cidadãos, por meio do voto, que é a forma de participação democrática por excelência para se decidirem políticas, a eleger um órgão mandatado para a criação do tal tratado constitucional.

Todos nos queixamos da ignorância da população relativamente aos assuntos europeus, do divórcio do povo com a política, mas os nossos representantes não se esforçam por aproximar os cidadãos das suas responsabilidades cívicas.

Portugal podia e devia liderar esse processo. Poderia incitar todos os países que formam a comunidade europeia a discutirem este assunto, dando-lhes capacidade de decisão. O reavivar de um processo já morto e enterrado, vai fragilizar a ideia duma Europa coesa e alargada.

09 dezembro 2006

"Por detrás dos Montes"


A cena em tons de terra, com artefactos de madeira rudes e nodosos. O som de cordas onduladas, arranhadas, as vozes que soam dolentes, arrastadas, os badalos e a percussão secos, agrestes, ecoando.

As figuras castanhas, com capas, as cabeças cobertas, tapadas, que escondem, as mãos em gestos sinuosos, certeiros, comedidos, ajeitam vestes, dobram distraída e mecanicamente as mantas, fiam a lã, cosem segredos ancestrais.

O vento, a cruz, o sino, o pau, a servidão, o hábito, a ingenuidade, o medo, o estranho, o emigrante, a máscara que transportamos, que usamos, que mudamos, a rejeição da diferença, o silêncio.

Por detrás dos Montes, violento e triste, primitivo e belo, de uma beleza terrosa e granítica, que nos atinge como o grito da gaita-de-foles.

Espectáculo do qual se sai sem palavras, mas com as emoções à flor da pele.


“Por detrás dos Montes”, criação do Teatro Meridional
(concepção e direcção cénica: Miguel Seabra; dramaturgia e assistência artística: Natália Luíza; interpretação: Carla Galvão, Carla Maciel, Fernando Mota, Mónica Garnel, Pedro Gil, Pedro Martinez, Romeu Costa; espaço cénico e figurinos: Marta Carreiras; música: Fernando Mota; marionetas: Eric da Costa; desenho de luz: Miguel Seabra)

[O teatro Meridional fica no Beco da Mitra (Rua do Açúcar, 64). É um espaço de tecto muito alto, com um aquecedor de gás cnetral, acolhedor, com algumas mesas em jeito de café teatro, chá e café para aquecer nestas tardes e noites invernosas, e uma sala de espectáculos com cadeiras forradas de vermelho-púrpura]

08 dezembro 2006

Natal


Colhi bolas e versos
pintei sorrisos e rimas
fiz filhós e aletria
convoquei a alegria
para a noite de Natal.
Cumpri todo o ritual
ofertei mãos e carinho
enfeitei-me de azevinho
revesti-me de amor.

Não sei que me falta
talvez um sinal
uma vela uma luz
talvez… Jesus?

(Pintura de Wayne Forte: holy family)

Compromisso


Todos os dias nos comprometemos com alguém porque, de alguma forma, por motivos frívolos ou fundamentais, por instantes ou para sempre, a nossa presença, o resultado de algum acto simples de viver, pode ser imprescindível na vida de outro.

Somos grãos de poeira dispersa, conjuntos de moléculas que se juntam segundo as leis do acaso. É pelo choque dos átomos que nos compõem, que vamos fazendo a nossa história e a de quem nos rodeia.

Já decorreu mais de um ano desde que iniciei este blogue. Muitas coisas se passaram no país, no mundo, na minha vida. Conheci pessoas novas, reencontrei algumas que não via há muitos e muitos anos, apercebi-me da volubilidade das emoções e das opiniões, da globalização da sinceridade e do disparate.

Agradeço a todos os blogonautas que por aqui têm passado.

E repito: Também eu, à minha maneira, quero defender o meu quadrado, o nosso quadrado.


(Pintura de Domenick Naccarato: Three Squares Floating Above Orange)

07 dezembro 2006

Ira


IRA

Ninguna más injusta por desproporcionada
que la ira de Dios
contra el gesto pueril de los amantes.
Sólo era una manzana
y el deseo de ser osados, libres, buenos.

(poema de Amalia Bautista; árvore de Adão e Eva)

06 dezembro 2006

Laicidade


Não consigo compreender a necessidade da Comissão Nacional de Eleições (CNE) recomendar a presença de símbolos apenas associados à República nos locais de voto, no futuro referendo.

Habitualmente os locais de voto situam-se em escolas públicas pelo que deveria ser obrigatória a ausência de símbolos religiosos, quaisquer que eles sejam.

A recomendação significa, portanto, que a separação entre a Igreja e o Estado continua a ser um objectivo a atingir, sempre a tender para infinito…

Desigualdade

Gostava de ouvir os catorze sindicatos dos professores, as várias associações de pais, os partidos políticos e os governantes passados e presentes sobre os resultados deste estudo, em que se demonstra que as escolas discriminam os alunos pela sua origem socioeconómica, e discriminam os alunos pelo seu desempenho, de forma a que se criem guetos de escolas e guetos nas escolas.

Lembro-me da indignação de todos quando esta ministra chamou a atenção para estes fenómenos, responsabilizando também os professores por estas práticas (pouco) pedagógicas.

Porque os problemas na escola pública são mais e muito mais graves do que o suposto autismo do ministério em relação ao Estatuto da Carreira Docente.

05 dezembro 2006

"Diálogo de Vanguardas"


Finalmente fui ver a exposição de Amadeo de Souza-Cardoso.

Foi uma odisseia. Os astros não estavam a meu favor. Depois de começar o dia com um arco-íris lindíssimo, apanhei duas valentes chuvadas, daquelas que nos deixam totalmente encharcadas, com o triplo do peso a transportar nas pernas, nas botas e na carteira, que ainda está a secar.

Mas após essas peripécias climáticas, lá entrei da exposição, despojada de todos os meus pertences, inclusive a gabardina (estava molhada, justificou o segurança).

Mas valeu a pena. A exposição espalha-se por 2 pisos, em círculos mais ou menos concêntricos, misturando as inúmeras obras de Amadeo com obras de outros artistas com quem o pintor privou e que foram seus companheiros de experimentação.

Podemos aperceber-nos das várias fases de exploração das formas, com a decomposição geométrica dos objectos, em curvas e vértices repetidos e multiplicados, em cores vivas e contrastantes; a exploração das cores e das matérias, a mistura de objectos, letras e números, de máscaras faciais, de bonecas regionais.

Podemos observar desenhos a lápis, com cores, formas cheias de movimento, pedaços de papel em que treinava figuras e decomposições. Podemos ver algumas folhas de um conto de Flaubert que ilustrou (La Legende de Saint Julien L’Hospitalier), cadernos de desenhos que publicou.

É extraordinária a quantidade de obras que produziu em tão pouco tempo. Imaginamos que não fazia mais nada senão desenhar e pintar, compulsivamente. Aquilo que mais me deslumbrou foi a luminosidade e a pureza das cores e das formas.

Apenas uma nota menos boa: não gostei muito da iluminação que me pareceu fraca e nem sempre bem colocada. A identificação das obras era um pouco errática, obrigando a passear de cá para lá, em vez de estar sequencial.

É uma exposição imperdível. Deveria fazer parte dos curricula escolares.


(Pintura de Amadeo de Souza-Cardoso: Brut 300 TSF)

Disciplina

Se falar alto, com muita convicção, repetir até à exaustão palavras encadeadas, mesmo que não signifiquem nada, ser agressiva, tonitruante e mal-educada é sinónimo de qualidade num deputado parlamentar, então Luísa Mesquita é excelente.

Não partilho dessa opinião. Para mim um bom deputado é o que sabe do que está a falar, é o que pretende saber os porquês das políticas governamentais, é o que respeita a assembleia utilizando um discurso correcto, simples e claro, é o que não se baseia nos favores partidários, fazendo o seu trabalho diário com os olhos postos nos cidadãos que o elegeram.

Talvez por isso a disciplina partidária e as orientações dos presidentes dos grupos parlamentares, quais chefes de orquestras afinadas, não faça, para mim, muito sentido. Mas eu também não sou deputada.

Mesmo quem não pertence ao PCP sabe que a disciplina partidária é muito mais importante do que a opinião de um qualquer militante, independentemente de ser ou não deputado. Não se percebe a comoção da deputada Luísa Mesquita quando lhe pediram (ordenaram) que fosse substituída no parlamento. Ela deveria saber que assim era, desde que foi eleita, e que nunca seria o trabalho que desenvolvesse no parlamento, fosse qual fosse a avaliação feita, que teria qualquer influência no assunto.

Não percebo pois o sururu gerado à volta da substituição da deputada, assim como não entendo o motivo da recusa da mesma em ser substituída.

Mas ainda percebo menos o espanto pelo facto de Luísa Mesquita não ter comparecido às jornadas parlamentares do PCP. Alguém esperava que fosse, depois de lhe ter sido retirada a confiança política? Qual o interesse de debater estratégias parlamentares com alguém que, evidentemente, não voltará ao parlamento, e que não é bem vista pelos seu líder carismático e simpático, com é moda dizer-se de Jerónimo de Sousa?

04 dezembro 2006

Agonias

Augusto Pinochet e Fidel Castro, um na reforma outro na reserva como fantasma omnipresente: o mundo assiste à agonia lenta destes ditadores. Não tão lenta como a longa ditadura que ambos personificaram. Não tão agonia como a triste agonia de um sistema corrupto, pobre e desigual.

Também já se tinha assistido à morte lenta e arrastada de Francisco Franco, na tentativa de manter até ao limite um regime em estertor. Mesmo a morte de António de Oliveira Salazar foi adiada, esta em espírito, com a ventilação assistida protagonizada por Marcelo Caetano. Mas a ditadura portuguesa já estava em falência multiorgânica, sendo o desfecho irreversível. Como é o de Cuba.

03 dezembro 2006

Stradivarius


A resposta, ou pelo menos uma tentativa de resposta para a excelência do som de um certo tipo de violinos, parece estar na forma como as árvores eram tratadas com o objectivo de preservar a madeira, a matéria-prima necessária. Aí estaria o segredo dos Stradivarius. Só falta recomeçar a tratar as árvores com os mesmos produtos, e haverá sempre violinos de som celestial!

Trafaria

Naquelas paredes
estão dedos
entrançados
tantos anos
de palavras
escondidas.

Naquelas portas
estão olhos
proibidos
tantos anos
de segredos
desmentidos
derramados
sem sentidos.


[Fotografias de Hugo Madeira: Trafaria. ex-Prisão da P.I.D.E (1936 - 1974)]

Equilíbrio



Chove, mas não me importo. Temos a natureza que tende sempre para o equilíbrio, absorções e eliminações, catabolismos e anabolismos, a lesão e a reparação, teses e antíteses, neste conjunto molecular que faz com que sinta que o mundo escurece sempre que se tolda esse equilíbrio.

Chove, mas não me importo. Chegou o tempo de retomar a rotina.

(pintura de Alberto Delmonte: El dueño del equilibrio)

Urgência


Espero pelos dados das máquinas observadoras de células, pelas contagens automáticas, pelas imagens a preto e branco, pela realidade revelada, pela devassa da intimidade da pele.

Espero pelos milagres dos soros a correrem a um ritmo estudado, tantas vezes ensaiado, pelos gestos matemáticos de quem cuida, pelo olhar profissional dos magos da ciência.

Espero pelo ar que hei-de respirar, quando te levantares com esse sorriso meio torto, e franzires as sobrancelhas de modo espantado mas confiante. Espero por este Domingo que tarda em chegar.

02 dezembro 2006

Avaria

Não sei o que se passa com o blogue, mas é muito irritante, seja lá o que for!

Modernices!!

Fuga de informação

O Almirante Mendes Cabeçadas fez questão em dizer que o facto do memorando enviado ao Ministro da Defesa ter vindo a público nesta altura é muito interessante, frisando que poucas pessoas sabiam da existência do documento: ele próprio, os Chefes de Estado-Maior e o gabinete do Ministro.

A quem interessava que o documento fosse publicitado? Às Forças Armadas, mesmo que o Almirante negue ter sido ele a origem da fuga de informação? Aos Chefes de Estado-Maior, para questionar o governo ou o próprio Almirante Mendes Cabeçadas? Ao ministro, para colar as Forças Armadas aos passeios manifestantes e assim retirar-lhes credibilidade? Ou terá sido alguém do gabinete do Ministro, que o quer pôr em cheque e demonstrar que não tem força?

É um facto intrigante, que pode suscitar múltiplas interpretações, qual delas a mais interessante!

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...