13 dezembro 2006

Primeiro passo


O despacho do ministro Correia de Campos só peca por tardio e por apenas abranger a proibição de acumular cargos directivos.

É claro que há conflitos de interesse entre o exercer de funções no SNS e o chefiar ou coordenar um serviço ou uma unidade de saúde no sector privado.

O Bastonário da Ordem dos Médicos vem a público afirmar que o Estado trata mal os seus funcionários, e que esta medida vai empurrar médicos para o sector privado, criando uma saúde para os pobres e uma saúde para os ricos.

Penso que não. É claro que se corre o risco de alguns médicos optarem definitivamente pela actividade privada. Mas isso é transparente e incentivará a competição entre o público e o privado. Inclusivamente iremos ver se o sector privado é assim tão atractivo, em termos de salários e de condições de trabalho, nomeadamente no que diz respeito à formação pós graduada, à inovação tecnológica e implementação de novas terapêuticas, à realização de trabalhos científicos, etc.

Mais uma vez defendo a total separação entre o sector público e o sector privado. Seria possível uma gestão mais equilibrada dos recursos humanos e, eventualmente, melhorar as condições de trabalho no sector público, inclusivamente com melhores remunerações.

Mas este já é um primeiro passo!

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