
Na altura em que se desenvolveu todo o protesto rocambolesco de algumas pessoas contra a gestão privatizada do Rivoli, a minha posição era de abertura total a uma hipótese de rentabilização de um elemento do património cultural da cidade do Porto.
Tenho alguns, mas não muitos, preconceitos relativamente ao que se entende por cultura. Não me parece que o estado deva subsidiar todas as propostas, mas deve pugnar por que seja oferecido um leque alargado de escolhas, apoiando as que, embora para públicos minoritários, são boas, diferentes e inovadoras.
Essa avaliação é subjectiva e quem é nomeado para assumir essa responsabilidade deve exercer os seus direito e dever de escolha, exigindo resultados.
O Rivoli é património da cidade do Porto e de todos os seus habitantes. A Câmara do Porto deveria assegurar que quem fosse escolhido para o gerir fornecesse uma programação variada, desde as grandes produções à experimentação e à pesquisa, teatral ou qualquer outra.
A escolha de Filipe La Féria, mais do que previsível, por uma comissão não se sabe exactamente formada por quem, cujas "Linhas de Orientação" não se sabe exactamente quais são (fiz uma pesquisa no site da Câmara Municipal do Porto e não fui minimamente esclarecida), dá razão às mais negras expectativas.
Vamos ter Carmens Mirandas, Madalenas Iglésias, Músicas nos Corações, grandiosas e tonitruantes sem que haja espaço para outras produções menos glamorosas e esplendorosas.
Quem não gosta de espectáculos revisteiros deverá deslocar-se a outras cidades. Rui Rio, pelos vistos, está feliz.
Câmara Municipal do Porto
- Presidente - Rui Rio
- Direcção Municipal de Cultura - Raúl Manuel Pacheco Matos Fernandes
- Divisão Municipal de Património Cultural - Maria Isabel de Noronha e Azeredo Pinto Osório
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